A Falta de Bom Senso Do Anti-Americanismo (opinião)

By: Michaell Lange.

London, 31/08/15 –

O anti-Americanismo é um sentimento compartilhado por milhares de pessoas em todo o mundo. Mas até que ponto nosso sentimento anti-Americano faz realmente algum sentido? Em países da America do Sul por exemplo, somos ensinados a odiar os EUA desde criança. Mesmo que no fundo, todo mundo sonhe em viver nos EUA um dia, parece ser moda odiar os aquele país. É fato que os EUA tem cometido inúmeros crimes ao redor do mundo, propagando guerras e derrubando governos democraticamente eleitos. Mas são poucos os países no mundo cuja a história não esconda algum crime contra outros povos ou contra seu próprio povo. Mesmo com todos os defeitos, sera que ser anti-Americano é um sentimento justificável? Ou sera que fomos induzidos ao erro por conta do nosso passado ideológico? O que é ser um anti-Americano?

Depois de viver meus primeiros 25 anos de vida no Brasil, meu sentimento e minha opinião sobre os EUA não eram nada positivas. Como muitos dos meus amigos, eu costumava culpar os EUA por tudo de errado que acontecia no mundo. Meu sentimento anti-Americano não estava totalmente errado, mas minha ignorância com relação aos acontecimentos mundiais mantiveram minha opinião simplista por muito tempo. O que descobri mais tarde, depois de viver no Reino Unido por mais de 10 anos e estudar Relações Internacionais e Política na London Metropolitan University, foi que meus conceitos com relação ao anti-Americanismo estavam equivocados. Depois de conversar e debater com muitas pessoas que declaravam ser anti-Americanos, descobri que apenas uma fração destas pessoas são realmente anti-Americanas. Isso porque para você ser um anti-Americano de fato, é necessário ser contra tudo que venha dos EUA, incluindo os 300 milhões de Americanos, a internet, o Facebook, o Rock’n Roll, Jazz e o Blues, o Jeans, a Boeing que leva você de férias, o Iphone, o computador, aquele tênis que você adora, os filmes de hollywood, os video games, o voleibol, o controle remoto, o ar-condicionado e até o zipper das suas roupas, e isso apenas para citar alguns exemplos comuns das coisas que muitos anti-Americanos não abrem mão de usar ou usam sem saber. Alem disso, imagine o mundo sem Creedence, Lynyrd Skynyrd, Elvis Presley, Chuck Berry, The Eagles, The Doors, Guns N’ Roses, Kiss e tantas outras bandas que marcaram gerações no mundo inteiro? Se você se considera um anti-Americano, olhe bem a sua volta e você descobrira que na verdade você ama os Americanos!

O povo Americano é muito amigo e família. Deixemos de lado as exceções, afinal de contas, pessoas ruins existem em qualquer lugar do mundo. Em muitos aspectos, o Americano é muito parecido com o Brasileiro. A família nos EUA é uma instituição tão importante quanto para os Brasileiros. O Americano também é religioso e esta sempre disposto a ajudar as pessoas. Afirmar que não gosta de Americano significa não gostar de 300 milhões de pessoas, e nessa afirmação, sejamos sinceros, é mais fácil você estar errado no seu julgamento do que 300 milhões de pessoas. O território Americano também foi abençoado por Deus. Quem nunca sonhou em viajar por la e conhecer lugares como o Yellowstone, o Grand Canyon, New orleans, a Rota 66, a California, Memphis, ou a barulhenta Nova York ou as praias de Miami alem de tantos outros lugares que tem sua história marcada nas musicas de algumas das melhores bandas de Rock, Jazz e Blues do mundo?

Pessoalmente, me considero um dos maiores críticos dos EUA, mas o que descobri ao longo dos anos, é que existe uma grande diferença entre ser um anti-Americano e recusar tudo que venha daquele país, e ser um crítico das políticas adotadas pelo governo Norte Americano. E por falar em governo, acredito que estamos vivendo uma era de pouca representatividade dos governos ao redor do mundo. É quase como se o governo fosse uma instituição independente do povo, sem precisar seguir regras e leis, e que ao ser eleito, ganha o direito da posse ao invés do direito de representação. Essa diferença entre governo e povo me fez entender que eu nunca fui um anti-Americano, o que eu sempre fui e continuo sendo é, um grande critico das políticas externas dos EUA. E essa diferença é extremamente importante na hora de julgar um lugar sem levar em consideração todo um universo de fatores que existe no país em que esta-se pré-julgando.

A minha conclusão é que os EUA é um país fantástico, com um povo bom, amigo e muito comunicativo, com um território não menos espetacular mas, com um governo historicamente opressivo, com dificuldades de entender o resto do mundo e com atitudes que envergonham e condenam seu próprio povo ao medo e a insegurança. E quando alguém fala que o Americano não sabe de nada, eu pergunto, e o Brasileiro sabe?

Depois de muito tempo e muita autocrítica, me sinto satisfeito com a conclusão de que sou e sempre fui a favor do povo Americano, da mesma forma e com a mesma convicção com que sou a favor de todos os outros povos do mundo. Minha critica tem base na posição autoritária e opressiva dos governos que abusam do seu poder e não mais representam os interesses dos seus povos. Isso vale tanto para os EUA como para o Brasil e para qualquer outro país do mundo. Dessa forma, não sou contra o povo do Irã, do Paquistão, do Afeganistão, da Venezuela, Australia, Japão ou Canada. Sou contra as políticas opressoras promovidas por estes governos contra qualquer povo ou cidadão do mundo. A posição de poder do governo Americano faz com que a possibilidade de atos de abuso e crimes sejam mais frequentes e impunes mas, nada disso me faz gostar mais ou menos do povo Americano ou das conquistas do povo daquele país. Porem, as ações do governo Americano  me fazem ainda mais critico do governo mais poderoso do mundo e detentor da maior responsabilidade. Hoje, quando olho para os EUA vejo duas grandes instituições bem distintas, o povo e o governo. Julgar o povo pelos atos irresponsáveis do seu governo é quase como culpar o Peru pela tradição natalina dos Cristãos. E o exemplo Americano serve para qualquer outro julgamento. É importante procurar saber o que esta por trás dos nossos sentimentos e até que ponto é justo pensar dessa forma. Conhecer as origens dos nossos sentimentos é um caminho que nos leva a liberdade de pensamento, e quanto mais livre forem nossos pensamentos, menores serão as chances de sermos aprisionados por ideologias e outras armadilhas mentais espalhadas ao longo de nossas vidas. O anti-Americanismo é a prisão cuja a grade é a ignorância. O conhecimento é a chave da liberdade. Por tanto, não perca tempo, liberte-se!

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