BOLSONARO NOS EUA

Por: Michaell Lange,

Londres, 21/03/19 –

Ao contrário de Davos, a visita do presidente Bolsonaro aos EUA pode não ter sido um total desastre. Apesar de ter sido um fiasco diplomático por conta das gaffs do presidente e da ausência de uma agenda diplomática, algo comum e importante nos encontros entre lideres mundiais, houve pontos positivos a serem reconhecidos e algumas questões não menos importantes e preocupantes relacionadas a soberania e aos militares.

Não há dúvidas de que o Brasil tem a ganhar com uma boa relação diplomática com os EUA. Não cabe nem mesmo a consideração comparativa sobre qual dos super poderes mundiais o Brasil deve estar aliado. Nenhum país emergente tem qualquer coisa a ganhar com os Russos, fato! Ja a China, por ser uma potência econômica na qual o próprio EUA é dependente, tem importância econômica incalculável para o Brasil, e o presidente precisa saber lidar com a questão Brasil/China/EUA para não acabar prejudicando o Brasil por motivos insignificantes. Por outro lado, é os EUA que possui a democracia mais bem sucedida do mundo, e mesmo com todos os seus defeitos, ainda é o aliado ideal para qualquer país democrático. Estar aliado aos EUA não é concordar com tudo que os EUA faz. Estar aliado aos EUA, é estar aliado a toda a Europa, ao Canada, Australia, Nova Zelândia e Japão. É estar aliado as maiores democracias do mundo moderno. Países sem históricos democráticos e Cristãos, como a Arábia Saudita e o Qatar, desenvolveram suas economias em alianças comerciais com os EUA. É possível ser um aliado dos EUA sem abrir mão da sua soberania! Mas é fato inquestionável que o oposto também é verdadeiro. A Turquia, Egito e Paquistão, são exemplos de países que sucumbiram as influências de Washington e se tornaram ultra dependentes dos Americanos sem se beneficiarem economicamente dessa relação. Se transformaram em postos avançados dos EUA e isso é muito ruim para qualquer nação. Como o Brasil irá se beneficiar com essa nova aproximação irá depender do poder de negociação e da capacidade diplomática do atual governo Brasileiro, e isso é motivo de grandes preocupações.

Os dois presidentes tem características semelhantes. Bolsonaro e Trump compartilham um comportamento apolítico, muitas vezes ofensivo e extremamente polêmico. Ambos são acusados, de serem racistas, machistas, homofóbicos, preconceituosos e estarem envolvidos em casos de corrupção. Estas características em comum colocam os dois lideres na mira implacável da mídia mundial, e isso não deve ser visto como algo ruim.  Porém, outros aspectos colocam os dois líderes oceanos a parte. Trump é um mestre das negociações. Homem de negócios que mesmo falindo duas vezes, conseguiu reerguer-se e ser eleito ao cargo mais poderoso do mundo. Esperto, astuto, oportunista, ganancioso, duro, coercitivo, negociador. Trump, tem a habilidade de falar absurdos que colocaria fim a carreira de qualquer político Norte Americano, sem abalar sua fortaleza política. Dificilmente influenciável, e de personalidade forte, Trump teve coragem de questionar as principais agências do seu país como o FBI, a CIA e o Pentágono e continuar no poder. Bolsonaro vem de uma formação militar arcaica. Não foi surpresa ter nomeado vários militares para seus Ministérios. Sem nenhuma experiência profissional no setor privado, e nenhuma formação econômica, o Presidente do Brasil demonstra robustez militar nas palavras, mas ainda não provou ser capaz de controlar seus próprios subordinados no governo. Parece haver uma confusão entre a hierarquia militar e a hierarquia governamental no governo Bolsonaro. Falta liderança. Bolsonaro não é nem de longe, um bom negociador. Suas incontáveis gaffs demonstram um grave despreparo nas negociações comerciais e diplomáticas com outros países. A admiração demasiadamente explicita pelos EUA coloca o Brasil em posição inferior na mesa de negociações. O Brasil ja começa em desvantagem. É importante lembrar que nas relações internacionais não existem amigos. Existem aliados com interesses semelhantes. Não existe confiança entre nações mas desconfianças sempre. Obama grampeou os telefones dos seus principais aliados como o primeiro ministro do Reino unido e da Chanceler da Alemanha. Nas relações internacionais não há lugar para amadores, muito menos de admiradores e fã clube. Bolsonaro em alguns momentos parecia um fã do Justin Bieber.

A questão militar também é um problema. As forças armadas Brasileiras estão sucateadas. Os militares Brasileiros, sempre sonharam em ter nas mãos equipamentos militares Americanos, e quem os culparia por isso? Qualquer exercito do planeta almeja equipamentos de ponta. Com a vitória democrática dos militares nas ultimas eleições, o governo Brasileiro terá legitimidade para receber ajuda militar Norte Americana se assim escolher. A questão é; a que custo? Bolsonaro terá em suas mãos a responsabilidade de negociar com uma verdadeira águia de rapina chamada Trump e aí, surge uma nova questão. Até que ponto Bolsonaro esta preparado para esse duelo? Além de ter que lidar com Trump, Bolsonaro terá que lidar com o desejo incontrolável dos militares por novos equipamentos de guerra.

A desvantagem dos governos de esquerda em odiarem os EUA, tinha um lado positivo. A desconfiança das intenções Americanas. Bolsonaro deveria ter usado essa tática básica do pensamento realista político na hora de elogiar a mais bem sucedida democracia do mundo da forma como fez. Preferiu deixar a informalidade e sua admiração pessoal tomar conta do debate e acabou fazendo gol contra. Ficou parecendo um encontro de um fã com seu grande ídolo ao invés de um encontro entre dois lideres. Bolsonaro irá precisar de um time competente de assessores, algo que ele ainda não tem. O poder de persuasão de Trump é muito superior ao de Bolsonaro que por vezes pareceu nervoso e intimidado com a presença de Trump. Bolsonaro demonstrou desconhecimentos básico do realismo político e diplomático, causando situações constrangedoras. Existe uma diferença brutal na linguagem diplomática entre afirmar ser um grande admirador da democracia Americana e afirmar ser um grande admirador da America. Bolsonaro não seria a única vitima do poder de persuasão de Trump. A Chanceler Alemã, Angela Merkel e o Presidente da França, Emmanuel Macron também sofreram nas mãos de Trump. Mas as questões Francesas e Alemãs não são problemas Brasileiros. O importante é que Bolsonaro tenha a habilidade de negociar boas relações e bons acordos comerciais e não apenas militares, com os Americanos, sem precisar vender a metade do país em troca. No ultimo pronunciamento de bolsonaro no encontro, durante a coletiva de imprensa junto com Trump, Bolsonaro foi quase perfeito. Um discurso agora, com linguagem apropriada e direta, bem diferente do que ocorreu no primeiro momento. Talvez seja um sinal de amadurecimento do presidente que ja não foi tão mal como em Davos, mas ainda há muito o que ser provado.

No primeiro jogo dessa nova relação EUA/Brasil, Bolsonaro não perdeu de goleada, mas perdeu o jogo. O Brasil chegou buscando um modesto empate e levou logo um 2 a 0. É importante que Bolsonaro copie a tática de negociação de Trump e tenha um pouco mais de ambição, caso contrario, o Brasil corre o risco de ser mais uma Turquia ao invés de se tornar um Qatar mesmo com potencial de ser um grande Brasil. Apesar de pequena, existe uma chance dessa relação ser frutífera. O tempo irá dizer…

 

 

WHY I DID NOT VACCINATE MY SECOND CHILD

By Michaell Lange.

London, 01/03/19 –

 

Information. We understand that information can be used to manipulate opinions, change and create perceptions that is very often a distraction or a corruption of reality. Information can also be totally fabricated out of nothing. We also know that governments (including our own), the mainstream media, politicians, political parties, people and businesses, have been either fabricating or manipulating information to influence our opinion. It happens all the time, and it works most of the time.

In the past, information was mostly, given to the public by TV channels, radio and news papers. How did we trust them then, and how much do we trust them now? We were educated to trust the mainstream media, and yes, they do deserve some trust, but not without question. Nevertheless, the mainstream media remains an one way form of communication. We were allowed to listen, watch and read, but we have no rights to say anything. The social media came to change everything. We started to communicate direct to each other, no matter where in the planet we were. We became free of news editors and news intermediators. We started to listen to each other more, shared our opinions, our critics, our dreams and our questions about everything. We organised protests, we ousted entire governments. We saved democracy where democracy was once dead. All thanks to social media. We learned that we have been conditioned to things without our knowledge.  We were told, smoking were ok. We were told, milk was a super food. We were told radiation from nuclear bombs did not kill. We were told asbestos did not harm. We were told Thalidomide was a safe drug, “the wonder drug”, until more than ten thousand children had been born with shortened legs, arms or no limbs at all. We trusted them, and many of us are continue to trust them without a thought.

Since I was very young I developed a habit to question everything. Why I was feeling angry, happy, or sad. Why I liked some things and dislike others things. I learned that questioning is one of the greatest tools of evolution. This is the reason why I believe in evolution and science. This is also the reason I believe in democracy and capitalism. But, I also learned that sometimes, when capitalism and science intertwine, my well-being and my interests are not always the main priority. It’s very interesting because capitalism is exactly the system that allows technology to develop freely. However, I understand that the same system controlled by capital can harm people, by the way it works. Business work for profit! The business of business is business! Fact!

I don’t believe for a second that pharmaceuticals would invest billions of Dollars to develop treatments and vaccines just because they have a big heart. No. They do it, because it’s big business! I don’t believe the statement that says vaccines are the biggest breakthrough in health care. Cure, must always be the biggest breakthrough in health care. But, cure does not make business sense. Treatment makes more business sense, because if you cure the patient, you lose your client. But, if you treat your client, then your client will be forever thankful to you and will always be your client.  Does it looks too crass to you? Welcome to pharmaceutic Industry!

But, still, there is a limitation for businesses investing on development of treatments. Treatments can only be applied to people already ill, which limits the clients prospects. However, if you develop a vaccine, your clients prospect is pretty much the entire planet population. For instance, in 2017, about 85% of world’s children received a dose of Measles vaccine (WHO). If it’s true that Measles vaccine is one the most effective, then, indeed, it’s a reason to celebrate. But, this does not stop me from thinking how many children pharmaceutics would be able to treat if there was no measles vaccine. Certainly less than 85% of world’s children. Vaccines make so much business sense! Why would Pharmaceutics be interested in develop a definitive cure for Measles when they can vaccinate 85% of worlds children and potentially treat the other 15%? I asked a business man from New York about the principles of business. He stood in silence for a couple of seconds and said: “Money has no principles!”.

I have a terrible type of Migraine since I was 12. With two attacks every week or so, and two days to recovery in bed each time, my life was hell. At 15 I started a treatment with a new drug. As soon as I started, it took three years until the next migraine attack. It gave me my life back. I am 42 now and still under the same treatment, daily. Have they developed a cure for migraine instead of treatment, they would have lost I as their client 27 years ago. Treatment makes more business sense than cure! Moreover, I’ve been vaccinated for meningitis and guess what? I had meningitis when I was 18. So how effective vaccines really are? My answer is simple, I don’t know!

I believe vaccines can be effective. Of course I do! But, I don’t trust the people who develop them. I don’t believe they have my and my children well-being at heart. Moreover, I also believe in the power of big businesses, I believe the power of lobby. I believe they have no clue of the effects and consequences of vaccines in the long term, but they know exactly how much money they can make from it. I believe vaccines have not being tested enough before being injected in children. I suspect our children have been their guinea pigs. The fact is, children are suffering from allergies like never before. A number of cases of vaccine damages have been proved in court. Pharmaceuticals are very secretive companies and they don’t like to be questioned. The British government has a programme called Vaccine Damage Payment which may suggests there are more to the case than we have been told.

Although, I was convinced by doctors to vaccinate my first child, I was absolute covered in fear and doubt by the time I had to vaccinate my second child. After a long period of conversations and thinking between me and my wife, which still on going, we have decided we will not vaccinate our second child. It’s been a very difficult decision, but it’s not because we are ignorant or careless. We’ve not been influenced by the so called Russian fake news, or dubious doctors in America. We just think the risks are far too greater to vaccinate than not vaccinate. It’s frustrating because we love our children. Be a father was my biggest goal in life and I want nothing less than the best for my kids. I don’t criticise those who decide to vaccinate their children. I’m not against vaccination, I just don’t trust companies more interested in make big profits than ensure the safety of their products. I think it’s a very important decision and we are all related by the love we share to our children. Until I’m satisfied with the safety of vaccines and understand their long term effects, I will not run the risk.

 

 

 

 

 

 

 

SOMOS TODOS VITIMAS DA VALE

Por: Michaell Lange,

Londres, 01/02/19 –

Quanto Vale uma vida na Vale? Vidas que para a Vale, não valem nada! Gigante pela própria Natureza, belo, forte, impávido colosso. Terra adorada, de vidas sem valor, vitimas descartáveis, de outro gigante sem pudor…

No Vale das barragens, a vida é troco, pobre, sem importância, desprezível, indiferente. A Vale, Vale tanto quanto a justiça injusta, tanto quanto um rio sem vida, tanto quanto a terra sem cor, tanto quanto um corpo sem vida. Mariana, Brumadinho. Quem será a próxima vitima do exterminador?

A vida é prisioneira da Vale. Rotulado, produto vivo, cuja a vida, tanto faz. Cercas econômicas que impossibilitam a fuga. Cercas mentais que impedem a compreensão da nossa própria existência. Somos todos vitimas da negligência da Vale…

Não são só pedras e barro. São vidas, que descem o morro com a lama da Vale. Leva embora nossos sonhos. Leva embora nossa história. Leva embora as vidas de quem permaneceu vivo. Somos todos vitimas da Vale…

Somos todos vitimas da lama da Vale. A mesma lama que transforma o verde em marrom. A mesma lama que mata um povo de sonho intenso e raio vívido. Deixa nossos Bosques com menos vida, nossos campos com menos flores. Lama que trás o caos. Caos que trás a lama. Somos todos vitimas da Vale…

Somos todos filhos deste solo, de mãe gentil, destruído pelas barragens da Vale. Feridas na terra. Onda de lama mortal. Furiosa a mãe, ja não mais tão gentil. Somos todos vitimas da Vale…

A Vale, que com o ferro fere, e com o ferro não é ferida. A Vale de ferro, que leva embora a riqueza do chão. Deixa para trás dor e destruição. Somos todos vitimas da Vale…

O heroísmo dos que buscam sinais vida. O trauma dos que encontram somente corpos sem vida. A perícia do piloto do helicóptero. O cansaço dos incansáveis homens e mulheres de uniforme. A esperança nos olhos de quem acredita na vida. O desespero das perdas irreparáveis. A alegria incontrolável do reencontro. A angustia de um país dividido, que sofre unido, que chora junto, uma dor coletiva. A inconsequência de quem tinha a responsabilidade de cuidar. A revolta com a injustiça. A desesperança nos olhos de um povo constantemente traído. Somos todos vitimas da Vale…

O Brasil é um país de muitas Vales. Somos todos vitimas das Vales. Somos todos vitimas da Vale. Até quando? Até quando, seremos vitimas da Vale???

 

 

 

 

 

 

BOLSONARO E DAVOS

Por: Michaell Lange,

Londres, 23 de Janeiro, 2019 –

 

“Bolsonaro é a face do populismo no Fórum de Davos” disse o New York Times. O jornal Americano não economizou criticas ao novo Presidente do Brasil. A matéria afirma que Bolsonaro foi recebido por “aplausos desinteressados” depois do discurso de abertura do fórum. O jornal segue afirmando que a postura do presidente Brasileiro com relação a outras opiniões políticas “são incompatíveis com o espirito global de cooperação e liberdade do Fórum de Davos”. ” Com o seu discurso Nacionalista e postura de homem forte, além do seu histórico de criticas machistas, homofóbicas e discriminatórias, Bolsonaro é exatamente o oposto ao espirito de Davos”. A matéria do NYT também lembrou da promessa de campanha de tirar o Brasil do acordo climático de Paris, e de ter cancelado o encontro climático das Nações Unidas 2019 que aconteceria no Brasil, que contraria seu discurso em Davos onde Bolsonaro afirma que irá trabalhar junto com o resto do mundo para diminuir as emissões de gases poluentes.

O New York Times não foi o único jornal a criticar Bolsonaro. O Britânico The Guardian, deu ênfase ao crescente escândalo dos depósitos na conta do seu filho Flavio Bolsonaro, afirmando que a “estréia do presidente Brasileiro foi ofuscada pela bola de neve no Brasil”.

Financial Times foi mais ameno com a primeira aparição do Presidente Brasileiro em Davos, intitulando sua matéria, “Presidente Brasileiro promete abrir a economia”. O FT disse que a postura pro-mercado do presidente deve ajudar o Brasil a se recuperar da crise, mas também criticou o presidente por não responder perguntas e não dar detalhes sobre reformas tributárias que certamente interessam investidores estrangeiros.

A comitiva presidencial parece mais interessada em tirar fotos do presidente comendo em bandeijão, usando crachá e tomando café de garrafa, do que encontrar-se com líderes mundiais e fechar acordos econômicos para o Brasil. O discurso do novo presidente em Davos foi fraco, politiqueiro e contraditório, passando uma mensagem errada do Brasil. De fato, o estilo homem forte, citado na matéria do NYT, é arcaico e atrasado. O mundo esta bem a frente dessa postura robusta, autoritária, machista e discriminatória do novo presidente Brasileiro. A mídia mundial não deixou barato.

Os discursos de ódio contra gays, índios, negros, mulheres e outros grupos sociais, certamente irão ofuscar a credibilidade do Brasil nas relações internacionais. As contradições do presidente com relação ao meio ambiente e a democracia, serão exploradas e postas a prova não apenas por grupos opositores, mas por governos mundiais que hoje, ja se comprometem com a importância de controlar as emissões de gases e outros materiais poluentes. A incapacidade do presidente em falar em detalhes sobres reformas econômicas, como por exemplo, as questões das reformas tributárias levantadas pelo jornal NYT, também irão impactar na credibilidade do Brasil junto a comunidade internacional.

Davos ja é uma oportunidade perdida para o Brasil. O presidente poderia ter detalhado suas intenções, mostrado suas cartas e convidado o mundo a sentar-se a mesa. A falta de detalhes nas propostas econômicas e tributárias, não agradou lideres e investidores mundiais. O Brasil perdeu a oportunidade de apresentar o novo Brasil. Ficou só na palavra. Faltou o plano de negócios. Faltou transparência no discurso. Faltou o entusiasmo, o carisma e a alegria Brasileira. Esse não era o Brasil. Bolsonaro precisa urgentemente rever suas posturas e apresentar ao mundo um plano de negócios detalhado para que investidores internacionais voltem a se interessar pelo Brasil. Palavras ao vento tem valor nulo.

Se as perspectivas do novo presidente com relação ao futuro econômico e social do Brasil são de fato sérias, a primeira impressão do ponto de vista internacional, não foi positiva. O presidente terá um árduo trabalho pela frente para esclarecer suas reais intenções junto a comunidade internacional para que o Brasil tenha alguma chance de engrenar sua economia e recuperar sua credibilidade para negócios. É certo que o presidente terá que rever muitas de suas promessas e refazer muitos dos seus conceitos para que seja visto com bons olhos pela comunidade internacional. Se o presidente não adotar uma postura mais liberal, global e amigável, mais de acordo com o mundo atual , é seguro afirmar que o Brasil terá grandes dificuldades de relacionamento no cenário mundial e continuará sendo tratado com indiferença pelos grandes mercados. É importante lembrar que a intransigência de Trump e a postura autoritária de Xi Jinping, só são aceitas por se tratarem das duas maiores economias do mundo. O Brasil não esta em posição de impor suas vontades e deve, para o bem do Brasil, adotar uma postura de cooperação, respeito e transparência junto aos outros atores mundiais. Caso contrário, o novo Brasil ja perdeu, antes mesmo do inicio do campeonato.

A IMPORTÂNCIA DO PROFESSOR E DA POLÍTICA NAS ESCOLAS PÚBLICAS

Por: Michaell Lange,
Londres, 22/12/19 –
Na semana passada meu filho (6) voltou da escola me perguntando se eu sabia qual era a função do Primeiro Ministro do Reino Unido. Essas coisas me deixam impressionado e ao mesmo tempo triste. Impressionado porque com apenas 6 anos de idade as crianças Britânicas ja são introduzidas na política. Me entristece porque enquanto países desenvolvidos ensinam desde cedo a importância da política a seus pequenos cidadãos, no Brasil, querem literalmente proibir a política nas escolas.
Hoje pela manhã, a caminho do parque, meu filho disse que queria ser Primeiro Ministro do Reino Unido. Fiquei surpreso porque nem estávamos falando sobre isso. Perguntei porque ele gostaria de ser Primeiro Ministro, e ele respondeu sem pensar; “porque eu quero mudar o mundo papai”. Perguntei a ele como ele faria isso e ele respondeu; “eu quero chamar todos os Primeiro Ministros do mundo e pedir para eles não produzirem mais carros que poluem o ar”.
O que me deixa impressionado e orgulhoso, não é que meu filho um dia possa ser o Primeiro Ministro, mas como é importante a introdução da política ainda na idade infantil das crianças como forma inspiradora e motivadora nas questões sociais da sociedade que eles ja fazem parte.
Essa diferença é possível ser observada nos adultos. As pessoas aqui, não assumem apenas as responsabilidades das suas casas. As pessoas aqui, assumem a responsabilidade de cada detalhe da comunidade e da cidade que eles vivem. Um saco de lixo fora do local adequado ou no dia errado, gera debates e denuncias nas redes sociais e as autoridades locais respondem com rapidez.
Duas semanas atrás alguém deixou lixo do lado de fora da nossa porta. Fiz um twitter e logo, outras pessoas compraram minha briga. Na manhã seguinte ja haviam solucionado o problema. A reação das pessoas remete a uma reação do governo local e até as crianças sabem disso, porque a escola faz essa introdução ja na idade infantil. A política é parte importante da vida deles assim como a escrita e a leitura.
No Brasil, a preocupação das autoridades é de camuflar a importância do envolvimento político dos cidadãos nas questões sociais do país. Dessa forma, as pessoas crescem cuidando apenas do quintal de suas casas, sem perceberem que a rua, o bairro e a cidade onde moram, são na verdade suas casas, o lugar onde vivem. “Se o buraco da rua esta na frente da casa do vizinho, o problema não é meu”. “Se o bueiro entupido esta na rua de trás, sorte a minha”. Precisamos assumir a responsabilidade de sócios da sociedade que vivemos. Dessa forma, todos se preocupam com o bem estar de todos.
O Governo Brasileiro tenta impor uma regra que impede o ensino da política nas escolas públicas. Uma das razões apresentadas é a de que a maioria dos professores são Comunistas. Todos nós sabemos que existe uma tendência esquerdista nas escolas, e isso não se limita ao Brasil. Porém, essa experiência acadêmica não é apenas importante, mas vital na formação de uma democracia saudável. Somos todos revolucionários e revoltados com o sistema durante nossa adolescência. Queremos mudar o mundo etc. Mas essa tendência sofre mudanças na medida em que entramos no mercado profissional, e é aí que esta a diferença. Num mercado de trabalho que oferece as oportunidades almejadas por uma força de trabalho jovem e motivada, o tal “comunismo” não tem a mínima chance. Mas num mercado de trabalho que tem muito pouco a oferecer a quem chega com o entusiasmo e a vontade de vencer de um jovem de 18-20 anos de idade, a frustração da vez a decepção e ao sentimento anti-sistema.
O próprio professor Brasileiro acaba sendo vitima da mesma mentalidade. O mesmo governo brasileiro que acusa nossos professores de serem Comunistas, é o mesmo governo que mantém nossos professores presos a uma vida sem perspectivas de prosperidade e desenvolvimento dignas de um regime Comunista. Como podemos exigir professores motivados a ensinarem a importância do desenvolvimento econômico, se mantemos os professores presos a um sistema opressivo e com salários que não pagam nem os custos básicos de uma vida digna?
Os professores Britânicos estão longe de serem ricos, mas a qualidade de vida deles, não apenas salarial, mas também num conjunto social que inclui respeito, seria algo parecido ao paraíso para os desmoralizados e desrespeitados professores Brasileiros. Mudar nossa consciência política e a sua importância para o nosso desenvolvimento social é o primeiro passo para mudarmos essa situação.
Escola sem partido pode parecer um lema justo, mas o que ele realmente significa, é escola sem política, e isso é trágico para qualquer sociedade que busca desenvolvimento sócio-econômico para o melhoramento da qualidade de vida de todos os seus cidadãos.
Num país onde a filha de um dono de mini-mercado (Margaret Thatcher) e o filho de um motorista de ônibus (John Major) foram Primeiro Ministros Britânicos pelo partido conservador, não me surpreenderia que o filho de um imigrante Brasileiro possa chegar lá um dia. Mas mesmo que meu filho não venha a ser o primeiro ministro, o fato da sua escola estar lhe dando a orientação política e social que ele precisa ter para ser um cidadão consciente e motivado num país desenvolvido, ja me deixa feliz e seguro de que suas chances de ser feliz e bem sucedido são no mínimo muito boas. 
Nota final: Feliz Natal a todos os professores do Brasil, em especial à Dona Barbara Porto (CEDARS), David Fletcher (London Metropolitan University), Dr Celso (Univale) entre outros que muito influenciaram minha vida, desejo que o ano novo traga mais respeito e perspectivas a essa classe fundamental em qualquer sociedade, porque são eles que formam absolutamente todos os profissionais do nosso país!

BREXIT: IS IT TITANIC ALL OVER AGAIN?

By: Michaell Lange.

London, 03/12/18 –

Christmas is here, the street lights are on. Street fairs, black Friday, Winter Wonderland at Hyde Park. This is the time of the year I’m always looking for. But, is it only me feeling extremely depressed this time?

Driving around London has never been so stressful, and I’ve been driving in London for over ten years. Road works, road closures, new road layouts, cycling high ways, new road restrictions and bad driving, are making it impossible for professional drivers to make any money. I also never seen so many people sleeping rough. For the first time, more than 3 thousand people were found sleeping rough on the streets of London said The Guardian.  The price of everything is going up. Rent, fuel and food are making standards of living a growing challenge for many. You work more, you work harder, you tight up, but its never enough. Violence is sky high, at the same time police number is the lowest since 2003. The justice system isn’t fit for purpose, and the NHS is in deep crises. Then, there is Brexit, looming fast like a Tsunami getting close to the shore while people watch in shock and horror. Thanks David Cameron!

Has London lost its appeal? Is it worth it any longer? I love this place, but I have to say, there are a growing number of people looking to other places to live. I have friends myself whom left to Australia, USA or went back home to Portugal and Spain. Moreover, there are less Europeans willing to move to Britain. The NHS alone has over 40 thousand open vacancies and farmers are complaining they don’t have enough people to work. After 16 years in love with this country, this is the first time I am thinking about pack everything and leave to somewhere else. I can’t see any light at the end of the tunnel.

Workers on the gig economy are wining a record number of court cases against unscrupulous multinational firms. But, the number of self-employed people, mainly in the gig economy are expect to reach 5 million in a couple of years time. Nevertheless, the same companies sucking off the life of the working force in this country and paying little or no tax at all, have been allowed to continue exploiting their workers even though they have already been found guilty of hiring people on the wrong contract. Workers in the mean time, have continued to be bullied and black listed by companies while working without any employment rights.

It makes business sense. They contract a person on a self-employed contract, even though the company controls the brand, the pricing, the clients, the finance etc, while all the costs are passed to those supposed to be self-employed people. The big business can then, keep the profits at the hands of the big people. What is left for workers are debt, frustration and long hours without making any money. More than 100 thousand people a year try to end their lives because of debt.

Police, nurses, doctors, pilots, journalists, fire fighters. They are all being dragged by this system of exploitation which will eventually, destroy the economy and eat itself. It makes me wonder whether the so called “Yellow Vest protesters” in France isn’t a new kind of “Arab Spring” that will soon take over Europe.

Incompetent and careless politicians such as Jacob Rees-Mogg, which has a 60 million pounds investment in a Russian bank sanctioned by European Union while criticising Theresa May for introducing tougher economic sanction on Russia, or the Joker Boris Johnson, who can’t even be faithful to his own wife, are destroying any positive prospective for this country. A not fit for purpose justice system that allow big people causing global economic crisis walk away freely while the small people are left to pay the bill, are driving Britain to the brink of social unrest. People just can’t take it anymore.

I better stop here before I start talking about the Bank of England economic forecast for Britain in case of a no deal crash out of the EU.

If you are Religious, this is the moment to start praying. If you don’t believe in God, this is the time to find one to believe. The way things are going, one can only speculate whether this ship has enough life boat for all its passengers…

BRAZIL GOES OVER THE FALLS

By: Michaell Lange,

London, 24/05/18 –

After 10 years of strong economic growth, nearly full employment rates and a huge prospect for the future, Brazil, the 5th biggest country and the 6th biggest economy in the world, made a sharp turn towards the cliff edge.

Since Dilma Rousseff became the 36th President of Brazil in 2011, a political impasse between her presidency and the congress, brought the government to a halt. Rousseff, a technocrat with no talent for politics and even less abilities to articulate agreements with the opposition, became the pivot of the worst political crises since the military coup in 1964. Her predecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, a very charismatic and a master of political articulation, made history by successfully fighting poverty and transforming Brazil’s economy.  Lula however, allowed an old and systematic culture of corruption in the government to carry on freely in order to fulfil his ambitious social policies which lifted over 30 million Brazilians from extreme poverty. Lula left the government in 2010 with over 80% popular approval, and a reputation recognised worldwide for his poverty reduction policies. For the 2010 general elections, Lula appointed Dilma Rousseff as his candidate, and despite never been elected for a public office before, and having very little political experience, Rousseff won the election to become the first female president of Brazil. However, she was very incompetent, she was possibly the most incompetent Brazilian president in history. But, she wanted to combat corruption. For that, she gave total freedom for the federal police to investigate any evidence of corruption in and out of the government. Although, she’s not recognised for that, Rousseff should be known as the mother of the so called “lava Jato” – Operation Car Wash – the biggest corruption investigation in Brazilian history. As the investigations deepened into State and Federal governments, politicians started to panic. The congress united to sort things out by impeaching Dilma Rousseff in a process where 75% of the politicians whom voted for her impeachment, were either under federal investigation or already formally accused of corruption and money laundering. Soon after Rousseff’s impeachment, the president of congress was sent to jail. Lula himself was jailed alongside some of the biggest businessmen in the country.

The new president, Michel Temer, is probably one of the most corrupt man in the land. He also implemented a plan of austerity to reinvigorate the economy by curbing workers rights, raising taxes and cutting social benefits meant to help the poor. It didn’t work. Unemployment rates rose from 4.5% in 2012 to 13% by December 2017. Inflation is at around 10% pushed by almost weekly rise in energy prices. While politicians fight each other in the congress, the economy nosedive. It’s one of the worst economic recessions in Brazilian history and things are rapidly getting worse.

Ten days ago a small group of truck drivers decided to block roads in protest against the rise of fuel prices. The price of Diesel reached R$ 3.80 Reais per litre. On average, a truck (lorry) makes 2.5 kilometres per litre, and drivers are paid about R$2.00 Reais per kilometre, which means an income of R$1.20 ($0.54 Dollar) per kilometre, and that’s before insurance, maintenance, taxes, toll roads, food, and other costs. It’s totally unsustainable!

As of today, with the support of many transport unions from all over the country, truck drivers stopped working nationwide. It’s been four days with only a hand full of trucks being able to deliver goods, these are mainly tankers, escorted by police vehicles to keep airports running. Supermarkets are running out of food and other goods. Petrol stations all over the country are running out of fuel. Perishable food is being wasted. Many slaughterhouses have been forced to stop. Thousands of litres of milk have been wasted daily as there is no way to transport it out from farms to supermarkets. Ports have been unable to load and unload cargo ships as there are no trucks available. Almost the totality of Brazil’s production is transported by road. The strike of truck drivers is causing a total meltdown of Brazil’s economy which could, in a matter of days, develop into a catastrophic social and economic disaster. So far, meetings between representatives of truck drivers and the government have ended without agreement. Authorities are predicting that if the situation remain the same, its a matter of days before the main airports start running out of fuel, and food shortage reach breaking point. If the government don’t find a solution for this crisis quickly, the strike will evolve into a general strike ending either with the collapse of the government or with another military coup. Neither of these options are good to Brazil. To make things more complicated, this October Brazil will vote again on a general election with no candidate with a clear plan to stop the fall before the crash. Many Brazilians fear the country could become another failed state such as Venezuela, many others think Brazil is already at that point. Will Brazil learn the lesson this time? Only time will tell.