SOMOS TODOS VITIMAS DA VALE

Por: Michaell Lange,

Londres, 01/02/19 –

Quanto Vale uma vida na Vale? Vidas que para a Vale, não valem nada! Gigante pela própria Natureza, belo, forte, impávido colosso. Terra adorada, de vidas sem valor, vitimas descartáveis, de outro gigante sem pudor…

No Vale das barragens, a vida é troco, pobre, sem importância, desprezível, indiferente. A Vale, Vale tanto quanto a justiça injusta, tanto quanto um rio sem vida, tanto quanto a terra sem cor, tanto quanto um corpo sem vida. Mariana, Brumadinho. Quem será a próxima vitima do exterminador?

A vida é prisioneira da Vale. Rotulado, produto vivo, cuja a vida, tanto faz. Cercas econômicas que impossibilitam a fuga. Cercas mentais que impedem a compreensão da nossa própria existência. Somos todos vitimas da negligência da Vale…

Não são só pedras e barro. São vidas, que descem o morro com a lama da Vale. Leva embora nossos sonhos. Leva embora nossa história. Leva embora as vidas de quem permaneceu vivo. Somos todos vitimas da Vale…

Somos todos vitimas da lama da Vale. A mesma lama que transforma o verde em marrom. A mesma lama que mata um povo de sonho intenso e raio vívido. Deixa nossos Bosques com menos vida, nossos campos com menos flores. Lama que trás o caos. Caos que trás a lama. Somos todos vitimas da Vale…

Somos todos filhos deste solo, de mãe gentil, destruído pelas barragens da Vale. Feridas na terra. Onda de lama mortal. Furiosa a mãe, ja não mais tão gentil. Somos todos vitimas da Vale…

A Vale, que com o ferro fere, e com o ferro não é ferida. A Vale de ferro, que leva embora a riqueza do chão. Deixa para trás dor e destruição. Somos todos vitimas da Vale…

O heroísmo dos que buscam sinais vida. O trauma dos que encontram somente corpos sem vida. A perícia do piloto do helicóptero. O cansaço dos incansáveis homens e mulheres de uniforme. A esperança nos olhos de quem acredita na vida. O desespero das perdas irreparáveis. A alegria incontrolável do reencontro. A angustia de um país dividido, que sofre unido, que chora junto, uma dor coletiva. A inconsequência de quem tinha a responsabilidade de cuidar. A revolta com a injustiça. A desesperança nos olhos de um povo constantemente traído. Somos todos vitimas da Vale…

O Brasil é um país de muitas Vales. Somos todos vitimas das Vales. Somos todos vitimas da Vale. Até quando? Até quando, seremos vitimas da Vale???

 

 

 

 

 

 

BOLSONARO E DAVOS

Por: Michaell Lange,

Londres, 23 de Janeiro, 2019 –

 

“Bolsonaro é a face do populismo no Fórum de Davos” disse o New York Times. O jornal Americano não economizou criticas ao novo Presidente do Brasil. A matéria afirma que Bolsonaro foi recebido por “aplausos desinteressados” depois do discurso de abertura do fórum. O jornal segue afirmando que a postura do presidente Brasileiro com relação a outras opiniões políticas “são incompatíveis com o espirito global de cooperação e liberdade do Fórum de Davos”. ” Com o seu discurso Nacionalista e postura de homem forte, além do seu histórico de criticas machistas, homofóbicas e discriminatórias, Bolsonaro é exatamente o oposto ao espirito de Davos”. A matéria do NYT também lembrou da promessa de campanha de tirar o Brasil do acordo climático de Paris, e de ter cancelado o encontro climático das Nações Unidas 2019 que aconteceria no Brasil, que contraria seu discurso em Davos onde Bolsonaro afirma que irá trabalhar junto com o resto do mundo para diminuir as emissões de gases poluentes.

O New York Times não foi o único jornal a criticar Bolsonaro. O Britânico The Guardian, deu ênfase ao crescente escândalo dos depósitos na conta do seu filho Flavio Bolsonaro, afirmando que a “estréia do presidente Brasileiro foi ofuscada pela bola de neve no Brasil”.

Financial Times foi mais ameno com a primeira aparição do Presidente Brasileiro em Davos, intitulando sua matéria, “Presidente Brasileiro promete abrir a economia”. O FT disse que a postura pro-mercado do presidente deve ajudar o Brasil a se recuperar da crise, mas também criticou o presidente por não responder perguntas e não dar detalhes sobre reformas tributárias que certamente interessam investidores estrangeiros.

A comitiva presidencial parece mais interessada em tirar fotos do presidente comendo em bandeijão, usando crachá e tomando café de garrafa, do que encontrar-se com líderes mundiais e fechar acordos econômicos para o Brasil. O discurso do novo presidente em Davos foi fraco, politiqueiro e contraditório, passando uma mensagem errada do Brasil. De fato, o estilo homem forte, citado na matéria do NYT, é arcaico e atrasado. O mundo esta bem a frente dessa postura robusta, autoritária, machista e discriminatória do novo presidente Brasileiro. A mídia mundial não deixou barato.

Os discursos de ódio contra gays, índios, negros, mulheres e outros grupos sociais, certamente irão ofuscar a credibilidade do Brasil nas relações internacionais. As contradições do presidente com relação ao meio ambiente e a democracia, serão exploradas e postas a prova não apenas por grupos opositores, mas por governos mundiais que hoje, ja se comprometem com a importância de controlar as emissões de gases e outros materiais poluentes. A incapacidade do presidente em falar em detalhes sobres reformas econômicas, como por exemplo, as questões das reformas tributárias levantadas pelo jornal NYT, também irão impactar na credibilidade do Brasil junto a comunidade internacional.

Davos ja é uma oportunidade perdida para o Brasil. O presidente poderia ter detalhado suas intenções, mostrado suas cartas e convidado o mundo a sentar-se a mesa. A falta de detalhes nas propostas econômicas e tributárias, não agradou lideres e investidores mundiais. O Brasil perdeu a oportunidade de apresentar o novo Brasil. Ficou só na palavra. Faltou o plano de negócios. Faltou transparência no discurso. Faltou o entusiasmo, o carisma e a alegria Brasileira. Esse não era o Brasil. Bolsonaro precisa urgentemente rever suas posturas e apresentar ao mundo um plano de negócios detalhado para que investidores internacionais voltem a se interessar pelo Brasil. Palavras ao vento tem valor nulo.

Se as perspectivas do novo presidente com relação ao futuro econômico e social do Brasil são de fato sérias, a primeira impressão do ponto de vista internacional, não foi positiva. O presidente terá um árduo trabalho pela frente para esclarecer suas reais intenções junto a comunidade internacional para que o Brasil tenha alguma chance de engrenar sua economia e recuperar sua credibilidade para negócios. É certo que o presidente terá que rever muitas de suas promessas e refazer muitos dos seus conceitos para que seja visto com bons olhos pela comunidade internacional. Se o presidente não adotar uma postura mais liberal, global e amigável, mais de acordo com o mundo atual , é seguro afirmar que o Brasil terá grandes dificuldades de relacionamento no cenário mundial e continuará sendo tratado com indiferença pelos grandes mercados. É importante lembrar que a intransigência de Trump e a postura autoritária de Xi Jinping, só são aceitas por se tratarem das duas maiores economias do mundo. O Brasil não esta em posição de impor suas vontades e deve, para o bem do Brasil, adotar uma postura de cooperação, respeito e transparência junto aos outros atores mundiais. Caso contrário, o novo Brasil ja perdeu, antes mesmo do inicio do campeonato.

A IMPORTÂNCIA DO PROFESSOR E DA POLÍTICA NAS ESCOLAS PÚBLICAS

Por: Michaell Lange,
Londres, 22/12/19 –
Na semana passada meu filho (6) voltou da escola me perguntando se eu sabia qual era a função do Primeiro Ministro do Reino Unido. Essas coisas me deixam impressionado e ao mesmo tempo triste. Impressionado porque com apenas 6 anos de idade as crianças Britânicas ja são introduzidas na política. Me entristece porque enquanto países desenvolvidos ensinam desde cedo a importância da política a seus pequenos cidadãos, no Brasil, querem literalmente proibir a política nas escolas.
Hoje pela manhã, a caminho do parque, meu filho disse que queria ser Primeiro Ministro do Reino Unido. Fiquei surpreso porque nem estávamos falando sobre isso. Perguntei porque ele gostaria de ser Primeiro Ministro, e ele respondeu sem pensar; “porque eu quero mudar o mundo papai”. Perguntei a ele como ele faria isso e ele respondeu; “eu quero chamar todos os Primeiro Ministros do mundo e pedir para eles não produzirem mais carros que poluem o ar”.
O que me deixa impressionado e orgulhoso, não é que meu filho um dia possa ser o Primeiro Ministro, mas como é importante a introdução da política ainda na idade infantil das crianças como forma inspiradora e motivadora nas questões sociais da sociedade que eles ja fazem parte.
Essa diferença é possível ser observada nos adultos. As pessoas aqui, não assumem apenas as responsabilidades das suas casas. As pessoas aqui, assumem a responsabilidade de cada detalhe da comunidade e da cidade que eles vivem. Um saco de lixo fora do local adequado ou no dia errado, gera debates e denuncias nas redes sociais e as autoridades locais respondem com rapidez.
Duas semanas atrás alguém deixou lixo do lado de fora da nossa porta. Fiz um twitter e logo, outras pessoas compraram minha briga. Na manhã seguinte ja haviam solucionado o problema. A reação das pessoas remete a uma reação do governo local e até as crianças sabem disso, porque a escola faz essa introdução ja na idade infantil. A política é parte importante da vida deles assim como a escrita e a leitura.
No Brasil, a preocupação das autoridades é de camuflar a importância do envolvimento político dos cidadãos nas questões sociais do país. Dessa forma, as pessoas crescem cuidando apenas do quintal de suas casas, sem perceberem que a rua, o bairro e a cidade onde moram, são na verdade suas casas, o lugar onde vivem. “Se o buraco da rua esta na frente da casa do vizinho, o problema não é meu”. “Se o bueiro entupido esta na rua de trás, sorte a minha”. Precisamos assumir a responsabilidade de sócios da sociedade que vivemos. Dessa forma, todos se preocupam com o bem estar de todos.
O Governo Brasileiro tenta impor uma regra que impede o ensino da política nas escolas públicas. Uma das razões apresentadas é a de que a maioria dos professores são Comunistas. Todos nós sabemos que existe uma tendência esquerdista nas escolas, e isso não se limita ao Brasil. Porém, essa experiência acadêmica não é apenas importante, mas vital na formação de uma democracia saudável. Somos todos revolucionários e revoltados com o sistema durante nossa adolescência. Queremos mudar o mundo etc. Mas essa tendência sofre mudanças na medida em que entramos no mercado profissional, e é aí que esta a diferença. Num mercado de trabalho que oferece as oportunidades almejadas por uma força de trabalho jovem e motivada, o tal “comunismo” não tem a mínima chance. Mas num mercado de trabalho que tem muito pouco a oferecer a quem chega com o entusiasmo e a vontade de vencer de um jovem de 18-20 anos de idade, a frustração da vez a decepção e ao sentimento anti-sistema.
O próprio professor Brasileiro acaba sendo vitima da mesma mentalidade. O mesmo governo brasileiro que acusa nossos professores de serem Comunistas, é o mesmo governo que mantém nossos professores presos a uma vida sem perspectivas de prosperidade e desenvolvimento dignas de um regime Comunista. Como podemos exigir professores motivados a ensinarem a importância do desenvolvimento econômico, se mantemos os professores presos a um sistema opressivo e com salários que não pagam nem os custos básicos de uma vida digna?
Os professores Britânicos estão longe de serem ricos, mas a qualidade de vida deles, não apenas salarial, mas também num conjunto social que inclui respeito, seria algo parecido ao paraíso para os desmoralizados e desrespeitados professores Brasileiros. Mudar nossa consciência política e a sua importância para o nosso desenvolvimento social é o primeiro passo para mudarmos essa situação.
Escola sem partido pode parecer um lema justo, mas o que ele realmente significa, é escola sem política, e isso é trágico para qualquer sociedade que busca desenvolvimento sócio-econômico para o melhoramento da qualidade de vida de todos os seus cidadãos.
Num país onde a filha de um dono de mini-mercado (Margaret Thatcher) e o filho de um motorista de ônibus (John Major) foram Primeiro Ministros Britânicos pelo partido conservador, não me surpreenderia que o filho de um imigrante Brasileiro possa chegar lá um dia. Mas mesmo que meu filho não venha a ser o primeiro ministro, o fato da sua escola estar lhe dando a orientação política e social que ele precisa ter para ser um cidadão consciente e motivado num país desenvolvido, ja me deixa feliz e seguro de que suas chances de ser feliz e bem sucedido são no mínimo muito boas. 
Nota final: Feliz Natal a todos os professores do Brasil, em especial à Dona Barbara Porto (CEDARS), David Fletcher (London Metropolitan University), Dr Celso (Univale) entre outros que muito influenciaram minha vida, desejo que o ano novo traga mais respeito e perspectivas a essa classe fundamental em qualquer sociedade, porque são eles que formam absolutamente todos os profissionais do nosso país!

MEGHAN MARKLE E A MONARQUIA

Por: Michaell Lange,

Londres, 20/05/18 –

Foi mais um casamento real, mas desta vez, foi um casamento real com significados que vão muito além de qualquer critica republicana. Ao menos agora, o Amor entre Noivo e noiva é de fato, verdadeiro. Estimativas avaliam que mais de dois bilhões de pessoas assistiram ao casamento real entre Harry e Meghan, agora Duke e Duquesa de Sussex.

Pode parecer estranho, mas diferentemente do que a mídia mostra, há uma crescente divisão na opinião pública Britânica sobre o sentimento com relação a família real. Uma pesquisa divulgada pela Yougov sugeriu que 66% dos Britânicos não estavam interessados no casamento real. Três quintos afirmaram que teriam um final de semana normal, como qualquer outro. Um em cada 10, estariam trabalhando, e apenas 1 em cada 4 Britânicos teriam intensão de assistir o casamento. O número de festas com pedidos para fechamento de ruas para celebrações, também caíram dramaticamente em comparação ao casamento real de William e Kate em 2011. Apenas uma festa de rua foi confirmada na Escócia. Em algumas regiões da Inglaterra a queda de festas celebrando um casamento real chegou a 92%. E o crescente criticismo à família real não se limita apenas aos Republicanos. Muitos Britânicos não aceitam a vida de luxo levada pela família real enquanto o resto do país tem que arcar com uma política de austeridade com fortes cortes orçamentários na saúde, educação e segurança. O sistema de saúde pública Britânico, o NHS, esta em crise. Mais de 40 mil vagas de trabalho não possuem candidatos por conta dos cortes salariais e condições de trabalho. A policia perdeu quase 50% da sua força de segurança e o país vive uma de suas maiores crises de segurança da história. Muitos Britânicos não aceitam caminhar ao lado do Palácio de Buckingham com suas 700 suítes, enquanto 3 mil Britânicos dormem nas ruas do país todos os dias.

Já argumento a favor da família real, é que os benefícios que a monarquia trás ao país, superam todos os custos decorrentes da sua vida extravagante. Londres recebe por ano mais de 6 milhões de turistas. Um benefício econômico que certamente não seria o mesmo sem a presença da família real. A Rainha também é considerada a maior embaixadora do mundo. Uma celebridade que abriu muitas portas e facilitou muitos acordos econômicos para os Britânicos. Quando o Reino Unido precisou fechar acordos com o Brasil, a comitiva Britânica levou o Principe Harry que imediatamente ganhou a atenção da mídia nacional.

De uma forma ou de outra, os casamentos reais sempre trouxeram alguma forma de mudança para a monarquia. A eterna princesa Diana era uma “pedra no sapato da Rainha” porque muitos achavam que Diana era de fato, mais poderosa que a própria Rainha. Diana tinha o mundo a seus pés, e toda sua influência foi usada para causas humanitárias ao redor do mundo. Sua morte trágica e prematura deixou dois meninos sem mãe que o país passou a amar mais do que a própria Rainha. Harry, o filho mais novo do casal, herdou as aptidões humanitários da mãe. Harry viajou o mundo inteiro ajudando milhões de pessoas e ajudando a levantar milhões de dólares em doações para suas causas humanitárias. O povo Britânico sempre quis muito ver o Principe Harry feliz. O anuncio do seu noivado com a Americana, divorciada e de família negra, foi recebida com muita celebração pelo povo Britânico. Era o sinal de que o amor que Diana havia dedicado sua vida a encontrar, continuava vivo no coração do seu filho harry. É importante lembrar que até pouco tempo atrás, membros da família real, poderiam casar-se apenas com alguém da linha aristocrata. Um casamento com uma Americana, divorciada e negra jamais seria permitido. Em 1936 o então Rei Eduardo VIII teve que renunciar o trono para casar-se também com uma Americana divorciada. Principe Harry, pôs fim a tudo isso!

Meghan Markle não é apenas Americana e divorciada, sua família é descendente direta de escravos. Por isso, o significado desse casamento transcende os paredões e as fortificações dos castelos da monarquia, e muda a história para sempre. Como disse o Bispo Americano Michael Curry, durante seu sermão na Capela São George, no Castelo de Windsor, “… Uma nova família nasce… O amor tem o poder de mudar o mundo!”

Principe Harry, introduziu uma negra, descendente de escravos, diretamente no coração de uma das mais conservadoras aristocracias do mundo. Os mesmos aristocratas que iniciaram o abominável comércio escravo. os mesmos que justificavam a escravidão de um negro pelo fato de que negros não tinham alma, e que por isso, não eram humanos. Hoje, recebem em seus palácios reais e em sua mais alta nobreza, Meghan Markle, filha de escrava.

Meghan, não representa apenas uma classe racial. Seus trabalhos em prol das causas humanitárias foram uma das coisas que chamaram a atenção de Harry. E, se alguém tinha qualquer dúvida sobre a influencia que esta mulher incrível traria à realeza Britânica, o sermão do bispo Americano Michael Curry e a presença do coral gospel cantando pop music, durante um casamento real, é evidência concreta de que Meghan não veio apenas para casar-se com Harry, mas para transformar a família real e a sociedade em que vivemos. Meghan, representa o poder do amor e o poder da mulher no processo de transformação do mundo em lugar mais justo e solidário, menos machista e violento. O poder do amor é infinitamente maior que o poder de uma Rainha, é maior do que todas as aristocracias colocadas juntas. Porque como disse o Bispo Michael Curry, “Deus é amor, e o amor é o único caminho!”

Meghan e Harry vieram para influenciar o mundo. Não serão apenas as relações diplomáticas entre os EUA e o Reino Unido que ganharão com essa união. Assim como Diana, Meghan e Harry irão influenciar as relações internacionais e o modo de pensar das pessoas. Eles são, provavelmente, a maior força para o bem atualmente no mundo. Essa união não é apenas um presente aos Britânicos, Meghan e Harry são um presente para toda a sociedade humana. Os trabalhos de transformação do mundo em um lugar mais justo, começaram ontem no castelo de Windsor. O amor é o único caminho!

ANTI-AMERICANISMO (!?)

Opinião de: Michaell Lange,

Londres, 09/05/18 –

Anti-Americanismo – Você se classificaria como um anti-Americano?

O website Dictionary.com classifica o Anti-Americanismo simplesmente como “a oposição ou hostilidade aos Estados Unidos da America, seu povo, seus princípios ou suas políticas”. Há quem classifique o Anti-Americanismo como uma forma de racismo. Anos atrás, uma Americana que vive em Londres, escreveu para o canal de TV Britânico BBC, para relatar os inúmeros abusos que vinha sofrendo pelo simples fato de ser Americana, e como estes abusos são similares ao racismo.

O Anti-Americanismo não é um problema limitado a países ditos, Comunistas ou Socialistas. Na Europa, sobretudo na Alemanha, o Anti-Americanismo sempre foi um problema conhecido. É possível também, sem muito esforço, classificar muitos Americanos na longa lista de anti-Americanos. Em alguns estados do país, há grupos de extrema direita conhecidos, como a Ku Klux Klan, grupos Neo-Nazistas, e outros grupos de Supremacia Branca, que pregam o oposto dos valores e princípios previstas na Constituição Americana. A promoção do sentimento Nazista por exemplo, não vai apenas contra os princípios de igualdade e direitos dos cidadãos garantida por Lei, o Nazismo é uma ideologia que prega além do extermínio de Judeus e outras minorias, prega também, a destruição dos EUA e Inglaterra, duas das mais bem sucedidas democracias do mundo. Americanos que promovem o Nazismo, não são apenas traidores dos princípios fundamentais da nação Americana, mas são também Anti-Americanos.

No Brasil, o Anti-Americanismo segue uma cartilha rasa e irracional, que usa um tom populista para atrair seguidores. Queimar a bandeira dos Estados Unidos em praça publica por exemplo, não é apenas uma atitude patética, é também uma clara evidência de que você é intelectualmente pobre e altamente suscetível a manipulações. Acusar os Americanos de imperialistas é uma outra forma de dizer; “não sei do que estou falando, ou sei muito pouco do que estou falando”. Afinal, muitos dos que acusam os Americanos de imperialistas, usam de meios similares para manter seus partidos políticos no poder. Por tanto, se os Americanos são imperialistas, todos nós, de uma forma ou de outra, também somos. Vale citar é claro, que há exceções em ambos os lados.

Assim como vários outros conceitos equivocados, o conceito de Anti-Americanismo é um exemplo clássico de como as pessoas entendem esse termo de forma errônea e confusa. Vejamos: Se você se considera um anti-Americano, é importante que você entenda porque você tem esse sentimento. A primeira pergunta a ser feita é; Por que? Por que você se sente um anti-Americano? Se você não tiver a resposta para esta pergunta na ponta da lingua, existe uma grande chance de você não ser um anti-Americano, mesmo que você acredite que seja.

Se você gosta do Iphone, de calça jeans, do tênis Nike, da cerveja Budweiser, dos computadores da Apple, do Google, do youtube, do facebook, twitter e Instagram, do ford Camaro ou do Mustang, de rock’n roll, Jazz e Blues, se você gosta das musicas do Creedence, do Gun’s and roses, Metallica, Red hot chilli peppers, Elvis Presley, Pearl Jam, dos filmes de Hollywood, das roupas da QuickSilver, O’neill, Hollister, Levi’s, e de uns Dólares, é muito pouco provável que você seja de fato um anti-Americano.

Mas, se você condena veemente as desigualdades criado pelo Neo-Liberalismo, o consumismo descontrolado, o envolvimento Americano no golpe de 64, os massacres no Iraque, no Afeganistão, no Vietnam e em tantos outros países. É muito provável que você também não seja um anti-Americano, mas sim, um árduo defensor da justiça e dos direitos humanos.

Ser anti-Americano é ser contra TUDO e TODOS que venham dos EUA, incluindo 300 milhões de pessoas que você não conhece e pré-julga que sejam iguais e a favor dos abusos e das atrocidades cometidos pelo governo daquele país. Ser contra o Capitalismo não faz de você um anti-Americano. Condenar a invasão do Iraque não faz de você um anti-Americano. De fato, de Norte a Sul dos EUA, o povo Americano é muito similar aos Brasileiros. A família continua sendo a instituição mais forte da nação. A fé Cristã é promovida em larga escala. O povo é receptivo, e na maioria das vezes, manipulado pela propaganda política e a estratégia do medo que manipula a percepção das pessoas e as faz concordar com idéias que normalmente elas jamais concordariam.

Finalizando esta pequena analise sobre um tema tão abrangente, é importante lembrar que, assim como o Brasil não é apenas o país do Carnaval e do futebol, os EUA não é apenas os erros e crimes cometidos por suas políticas externas. Os EUA não é apenas Nova York e Miami. A grande parte dos seus 300 milhões de cidadãos, são pessoas do bem, que se importam com a vida, se emocionam e se revoltam com a injustiça, sofrem com as imposições de um governo que nem sempre defende o bem estar da maioria. Na crise econômica de 2008, causada por uma elite da Wall Street, 6 milhões de famílias Americanas perderam suas casas. Atualmente, 15% da população Americana é considerada pobre, e 50 milhões de pessoas não tem acesso a saúde. Os EUA não é apenas o sonho Americano, não é apenas armas nucleares. O anti-Americanismo é um sentimento equivocado promovido por um conceito equivocado, que não reflete de forma alguma os valores e os princípios que o território e a maioria do seu povo representam.

PERCEPÇÃO: A IMPORTÂNCIA DE TER CONSCIÊNCIA DA SUA EXISTÊNCIA

Por: Michaell Lange

Londres, 18/04/18 –

Nosso mundo é determinado pelo modo como nossos sensores naturais captam o que acontece a nossa volta. Nossa capacidade de ver, ouvir, sentir, e perceber as coisas, é chamada de percepção. É a percepção que guia nossas decisões diárias, seja as decisões mais simples como experimentar uma comida nova por conta do cheiro, ou eleger um presidente da república por conta do que sentimos. Porém, se nossas percepções forem errôneas ou manipuladas por constantes ataques de forças externas (propaganda), isso significa que estamos tomando decisões erradas.

O tema percepção é tão abrangente e presente em nossas vidas que para fazer justiça a causa teríamos que ficar aqui falando sobre isso para sempre. Por isso, ficaremos com exemplos bem básicos, porém não menos importantes, sobre a importância de termos consciência e controle das nossas percepções.

Nossa percepção por tanto, é alvo constante de investidas positivas e negativas de pessoas e empresas (forças externas) que desejam nos convencer de algo que não necessariamente, sejam de nosso interesse e benefício. Todos os dias somos bombardeados por propagandas tentando nos vender algo que muitas vezes não precisamos. O vendedor sabe que se ele conseguir mudar nossa percepção, ele pode estar criando uma necessidade que até então não existia, e é essa mudança de percepção que irá nos convencer a comprar algo que não precisamos. Nesse caso, a melhor forma de defesa é o questionamento. Sera que realmente preciso comprar isso? Minha esposa costumava chegar em casa com coisas que de fato, não precisávamos. Quando questionada, ela dizia: “Estava na promoção!” ou seja, a percepção de um preço baixo a convenceu de comprar algo que não precisávamos. Esse é um exemplo simples e inocente de como nossas percepções podem ser manipuladas por forças externas. Afinal, quem nunca se rendeu ao poder sedutor de um chocolate? Mas, há outros exemplos mais graves e com consequências mais sérias e duradouras.

A mídia, seja televisiva, de radio, impressa ou eletrônica, tem um poder incalculável de convencer pessoas (desavisadas) de coisas totalmente inacreditáveis. Quando um candidato político faz campanha para ser eleito a um cargo público, seus “marketeiros” usam de meios absurdos para convencer o eleitorado. O uso de celebridades como atores de novelas, cantores e outros artistas em propaganda política é largamente explorado por conta da sua eficiência. Pode parecer surreal, mas ainda há pessoas que são convencidas a votar em um determinado candidato apenas porque seu jogador de futebol favorito declarou apoio a ele, por exemplo. Sera que nós, eleitores, não deveríamos decidir nosso voto de acordo com o histórico do candidato, sua proposta de governo, os custos e a viabilidade da sua proposta, e jamais votar em alguém apenas porque o Pablo Vittar ou o Neimar declaram apoio a ele/ela? A manipulação da percepção do eleitor nesse caso, tem consequências graves e duradouras no futuro do nosso país e no bem estar dos nossos cidadãos.

Tenha o controle da sua percepção!

Sempre que alguém tentar lhe vender algo, pergunte-se: Sera que realmente preciso disso? Sera que devo comprar apenas porque esta na promoção? Questionar, é uma ferramenta extremamente poderosa e pode nos salvar de verdadeiras enrascadas. O questionamento é um regulador natural da nossa percepção e nos permite ter mais controle sobre nossos sensores perceptivos.

Teste: Quando você ouve falar de um país como por exemplo, Cuba, EUA, Russia, Inglaterra, França. Qual é a sua percepção com relação a estes países? Se você nunca visitou estes lugares pessoalmente, o que ou quem lhe convenceu de ter esta percepção? Sera que a sua percepção esta mesmo de acordo com a realidade destes países? O mesmo vale para pessoas, empresas e outras organizações. Lembre-se sempre que as suas decisões diárias são baseadas nas suas percepções, e se você não tem o controle das suas percepções, isso significa que alguém esta tomando decisões por você.

 

 

 

COMO VOTAR NAS ELEIÇÕES DE 2018

Por: Michaell Lange,

Londres, 14/02/18 –

As eleições de 2018 será nossa grande oportunidade para mostrarmos aos políticos Brasileiros que a farra acabou. Será nossa oportunidade de votarmos com consciência, e ao mesmo tempo, com toda a nossa indignação e desprezo com aqueles que traíram nossa confiança.

A pergunta que venho fazendo ja a alguns meses é; como devo votar em 2018? “como derrubar dois corruptos com um único voto? ”

Acredito que qualquer Brasileiro com o mínimo de bom senso, não irá votar em políticos envolvidos na lava jato ou em qualquer outro escândalo de corrupção. Só aí ja cai 70% dos políticos em cargos públicos federais atualmente. Se incluirmos a essa lista todos os velhos caciques que ja estão a mais de 10 anos em cargos de Deputados, Senadores e governadores, a lista dos “votáveis” fica abaixo dos 5%. Afinal de contas, qual seria a justificativa para você dar mais uma chance a ladrões convictos e reincidentes? Esqueça a Lei da ficha limpa, crie sua própria lei da ficha limpa, e não vote em corrupto convicto!

Não faz sentido algum você criticar o induto que muitos presos recebem para passar o Natal em casa e por outro lado, votar em ladrão para administrar o bem público. Tenho certeza que ninguém contrataria um ladrão convicto para ser o diretor financeiro da sua empresa. Então, por que você elegeria ladrões para cuidar do dinheiro público?

Uma boa idéia seria talvez, votarmos em candidatos jovens, que de preferência não sejam filhos, sobrinhos ou netos das raposas que estão no poder hoje. Também seria uma opção votarmos para partidos novos e rejeitarmos totalmente os 5 maiores partidos políticos atuais. Afinal, ja esta mais que provado que a prioridade deles não é ajudar o Brasil. Não podemos perdoar esse pessoal que usou e abusou do dinheiro público enquanto nosso povo apodrecia nos hospitais. Eles querem, e irão fazer de tudo para ganhar mais uma chance e permanecer no poder para se beneficiarem do oba-oba que é governo do nosso país. Meu conselho é simples; Não dê chance a ninguém! Não reeleja nenhum destes vagabundos que tanto mau fazem a nossa nação! A nossa chance de acabar com a farra deles chegou. Vamos dar chance a quem nunca foi eleito. Não podemos desperdiçar esta chance. Esta seria a forma de maximizar nossa indignação com aqueles que estão no poder hoje, Deputados, Senadores, governadores e o próprio presidente. Se você odeia bandidos, não eleja ladrões em 2018!

A PROPOSTA DE GOVERNO

Existe um equivoco promovido por algumas pessoas na qual afirma-se que caso a maioria dos eleitores não votarem ou votarem nulo ou branco, as eleições são canceladas. De fato, essa Lei não existe. Indiferente do numero de votos brancos e nulos, o candidato com maior numero de votos válidos será eleito. Por tanto, é importante votar em alguém.

Tendo em mente que é necessário usarmos o poder do voto com sabedoria, a proposta de governo do candidato, bem como seu plano de implementação e financiamento, devem ser levados em consideração na hora de escolher em quem votar. Lembre-se, a lista de votáveis deve ficar nos 5% dos candidatos em 2018.

infelizmente, os candidatos dos principais partidos políticos oferecem apenas duas opções de governo, e nenhuma delas é a opção ideal para o Brasil. Os principais partidos de esquerda, oferecem uma participação forte e atuante nas questões públicas, com empresas estatais e alta regulamentação do mercado (o chamado estado grande).

Ja os principais partidos de direita, oferecem a minimização das participações do estado nas questões públicas e econômicas, promoção de um mercado livre, baixas taxas de juros e privatizações.

Mas, estas duas propostas de governo ja foram postas a prova e nenhuma delas beneficiou o Brasil. Pessoalmente, acredito que a proposta de governo que ganharia meu voto hoje, é a descentralização do governo federal. O governo federal precisa devolver o poder aos estados e municípios, assim como funciona nos EUA. A centralização do poder federal em Brasilia, facilita a corrupção e a impunidade dos corruptos. Além disso, o Brasil perde bilhões de Reais só em repasses de verbas para a união. Isso precisa acabar!

No Reino Unido, no final dos anos 90, o então Primeiro Ministro Tony Blair, implantou a proposta de devolução. Apesar do sistema político Britânico ser diferente do Brasileiro, a devolução Britânica é semelhante ao que deveria ser implantado no Brasil. No Reino Unido, o governo central representado pelo Parlamento Britânico em Londres, criou o parlamento Escocês, o Parlamento Irlandês e a Assembléia do país de Gales. Dessa forma, o governo central em Londres, que antes tomava todas as decisões, passou a enviar parte do orçamento para os outros parlamentos que passaram a decidir como usar estas verbas de acordo com as suas prioridades. No Brasil, a devolução teria que ser feita por meio de uma nova constituinte como parte de uma reforma política profunda. Uma vez aprovada, os repasses para a união se limitariam a uma fração da riqueza produzida pelos estados. Por consequência, cada estado teria o poder de manter a grande parte da riqueza produzida localmente (PIB local), para ser usado de acordo com as prioridades determinadas pelo governo do estado juntamente com seus representante municipais. Este sistema acabaria com a farra do dinheiro público na capital federal, e cada estado seria responsável pelos seus corruptos.

A reforma do sistema político Brasileiro chegou a ser noticia anos atrás, mas logo foi esquecida ja que, sem pressão popular é quase impossível fazer o Congresso Nacional votar a favor da diminuição do seu poder sobre as riquezas produzidas pelos estados da federação. A reforma do sistema político Brasileiro deve ser prioridade novamente em 2018. Precisamos trazer a reforma política de volta para a mesa de debates e para os noticiários.

Estas questões ao meu ver, fazem das eleições de 2018, o processo eleitoral mais importante da história do Brasil. Resta saber se o Brasileiro esta de fato, disposto a usar seu poder de voto para derrubar aqueles que roubaram o país, ou disposto apenas para eleger o candidato escolhido pela mídia. Como você irá votar em 2018?