MEGHAN MARKLE E A MONARQUIA

Por: Michaell Lange,

Londres, 20/05/18 –

Foi mais um casamento real, mas desta vez, foi um casamento real com significados que vão muito além de qualquer critica republicana. Ao menos agora, o Amor entre Noivo e noiva é de fato, verdadeiro. Estimativas avaliam que mais de dois bilhões de pessoas assistiram ao casamento real entre Harry e Meghan, agora Duke e Duquesa de Sussex.

Pode parecer estranho, mas diferentemente do que a mídia mostra, há uma crescente divisão na opinião pública Britânica sobre o sentimento com relação a família real. Uma pesquisa divulgada pela Yougov sugeriu que 66% dos Britânicos não estavam interessados no casamento real. Três quintos afirmaram que teriam um final de semana normal, como qualquer outro. Um em cada 10, estariam trabalhando, e apenas 1 em cada 4 Britânicos teriam intensão de assistir o casamento. O número de festas com pedidos para fechamento de ruas para celebrações, também caíram dramaticamente em comparação ao casamento real de William e Kate em 2011. Apenas uma festa de rua foi confirmada na Escócia. Em algumas regiões da Inglaterra a queda de festas celebrando um casamento real chegou a 92%. E o crescente criticismo à família real não se limita apenas aos Republicanos. Muitos Britânicos não aceitam a vida de luxo levada pela família real enquanto o resto do país tem que arcar com uma política de austeridade com fortes cortes orçamentários na saúde, educação e segurança. O sistema de saúde pública Britânico, o NHS, esta em crise. Mais de 40 mil vagas de trabalho não possuem candidatos por conta dos cortes salariais e condições de trabalho. A policia perdeu quase 50% da sua força de segurança e o país vive uma de suas maiores crises de segurança da história. Muitos Britânicos não aceitam caminhar ao lado do Palácio de Buckingham com suas 700 suítes, enquanto 3 mil Britânicos dormem nas ruas do país todos os dias.

Já argumento a favor da família real, é que os benefícios que a monarquia trás ao país, superam todos os custos decorrentes da sua vida extravagante. Londres recebe por ano mais de 6 milhões de turistas. Um benefício econômico que certamente não seria o mesmo sem a presença da família real. A Rainha também é considerada a maior embaixadora do mundo. Uma celebridade que abriu muitas portas e facilitou muitos acordos econômicos para os Britânicos. Quando o Reino Unido precisou fechar acordos com o Brasil, a comitiva Britânica levou o Principe Harry que imediatamente ganhou a atenção da mídia nacional.

De uma forma ou de outra, os casamentos reais sempre trouxeram alguma forma de mudança para a monarquia. A eterna princesa Diana era uma “pedra no sapato da Rainha” porque muitos achavam que Diana era de fato, mais poderosa que a própria Rainha. Diana tinha o mundo a seus pés, e toda sua influência foi usada para causas humanitárias ao redor do mundo. Sua morte trágica e prematura deixou dois meninos sem mãe que o país passou a amar mais do que a própria Rainha. Harry, o filho mais novo do casal, herdou as aptidões humanitários da mãe. Harry viajou o mundo inteiro ajudando milhões de pessoas e ajudando a levantar milhões de dólares em doações para suas causas humanitárias. O povo Britânico sempre quis muito ver o Principe Harry feliz. O anuncio do seu noivado com a Americana, divorciada e de família negra, foi recebida com muita celebração pelo povo Britânico. Era o sinal de que o amor que Diana havia dedicado sua vida a encontrar, continuava vivo no coração do seu filho harry. É importante lembrar que até pouco tempo atrás, membros da família real, poderiam casar-se apenas com alguém da linha aristocrata. Um casamento com uma Americana, divorciada e negra jamais seria permitido. Em 1936 o então Rei Eduardo VIII teve que renunciar o trono para casar-se também com uma Americana divorciada. Principe Harry, pôs fim a tudo isso!

Meghan Markle não é apenas Americana e divorciada, sua família é descendente direta de escravos. Por isso, o significado desse casamento transcende os paredões e as fortificações dos castelos da monarquia, e muda a história para sempre. Como disse o Bispo Americano Michael Curry, durante seu sermão na Capela São George, no Castelo de Windsor, “… Uma nova família nasce… O amor tem o poder de mudar o mundo!”

Principe Harry, introduziu uma negra, descendente de escravos, diretamente no coração de uma das mais conservadoras aristocracias do mundo. Os mesmos aristocratas que iniciaram o abominável comércio escravo. os mesmos que justificavam a escravidão de um negro pelo fato de que negros não tinham alma, e que por isso, não eram humanos. Hoje, recebem em seus palácios reais e em sua mais alta nobreza, Meghan Markle, filha de escrava.

Meghan, não representa apenas uma classe racial. Seus trabalhos em prol das causas humanitárias foram uma das coisas que chamaram a atenção de Harry. E, se alguém tinha qualquer dúvida sobre a influencia que esta mulher incrível traria à realeza Britânica, o sermão do bispo Americano Michael Curry e a presença do coral gospel cantando pop music, durante um casamento real, é evidência concreta de que Meghan não veio apenas para casar-se com Harry, mas para transformar a família real e a sociedade em que vivemos. Meghan, representa o poder do amor e o poder da mulher no processo de transformação do mundo em lugar mais justo e solidário, menos machista e violento. O poder do amor é infinitamente maior que o poder de uma Rainha, é maior do que todas as aristocracias colocadas juntas. Porque como disse o Bispo Michael Curry, “Deus é amor, e o amor é o único caminho!”

Meghan e Harry vieram para influenciar o mundo. Não serão apenas as relações diplomáticas entre os EUA e o Reino Unido que ganharão com essa união. Assim como Diana, Meghan e Harry irão influenciar as relações internacionais e o modo de pensar das pessoas. Eles são, provavelmente, a maior força para o bem atualmente no mundo. Essa união não é apenas um presente aos Britânicos, Meghan e Harry são um presente para toda a sociedade humana. Os trabalhos de transformação do mundo em um lugar mais justo, começaram ontem no castelo de Windsor. O amor é o único caminho!

ANTI-AMERICANISMO (!?)

Opinião de: Michaell Lange,

Londres, 09/05/18 –

Anti-Americanismo – Você se classificaria como um anti-Americano?

O website Dictionary.com classifica o Anti-Americanismo simplesmente como “a oposição ou hostilidade aos Estados Unidos da America, seu povo, seus princípios ou suas políticas”. Há quem classifique o Anti-Americanismo como uma forma de racismo. Anos atrás, uma Americana que vive em Londres, escreveu para o canal de TV Britânico BBC, para relatar os inúmeros abusos que vinha sofrendo pelo simples fato de ser Americana, e como estes abusos são similares ao racismo.

O Anti-Americanismo não é um problema limitado a países ditos, Comunistas ou Socialistas. Na Europa, sobretudo na Alemanha, o Anti-Americanismo sempre foi um problema conhecido. É possível também, sem muito esforço, classificar muitos Americanos na longa lista de anti-Americanos. Em alguns estados do país, há grupos de extrema direita conhecidos, como a Ku Klux Klan, grupos Neo-Nazistas, e outros grupos de Supremacia Branca, que pregam o oposto dos valores e princípios previstas na Constituição Americana. A promoção do sentimento Nazista por exemplo, não vai apenas contra os princípios de igualdade e direitos dos cidadãos garantida por Lei, o Nazismo é uma ideologia que prega além do extermínio de Judeus e outras minorias, prega também, a destruição dos EUA e Inglaterra, duas das mais bem sucedidas democracias do mundo. Americanos que promovem o Nazismo, não são apenas traidores dos princípios fundamentais da nação Americana, mas são também Anti-Americanos.

No Brasil, o Anti-Americanismo segue uma cartilha rasa e irracional, que usa um tom populista para atrair seguidores. Queimar a bandeira dos Estados Unidos em praça publica por exemplo, não é apenas uma atitude patética, é também uma clara evidência de que você é intelectualmente pobre e altamente suscetível a manipulações. Acusar os Americanos de imperialistas é uma outra forma de dizer; “não sei do que estou falando, ou sei muito pouco do que estou falando”. Afinal, muitos dos que acusam os Americanos de imperialistas, usam de meios similares para manter seus partidos políticos no poder. Por tanto, se os Americanos são imperialistas, todos nós, de uma forma ou de outra, também somos. Vale citar é claro, que há exceções em ambos os lados.

Assim como vários outros conceitos equivocados, o conceito de Anti-Americanismo é um exemplo clássico de como as pessoas entendem esse termo de forma errônea e confusa. Vejamos: Se você se considera um anti-Americano, é importante que você entenda porque você tem esse sentimento. A primeira pergunta a ser feita é; Por que? Por que você se sente um anti-Americano? Se você não tiver a resposta para esta pergunta na ponta da lingua, existe uma grande chance de você não ser um anti-Americano, mesmo que você acredite que seja.

Se você gosta do Iphone, de calça jeans, do tênis Nike, da cerveja Budweiser, dos computadores da Apple, do Google, do youtube, do facebook, twitter e Instagram, do ford Camaro ou do Mustang, de rock’n roll, Jazz e Blues, se você gosta das musicas do Creedence, do Gun’s and roses, Metallica, Red hot chilli peppers, Elvis Presley, Pearl Jam, dos filmes de Hollywood, das roupas da QuickSilver, O’neill, Hollister, Levi’s, e de uns Dólares, é muito pouco provável que você seja de fato um anti-Americano.

Mas, se você condena veemente as desigualdades criado pelo Neo-Liberalismo, o consumismo descontrolado, o envolvimento Americano no golpe de 64, os massacres no Iraque, no Afeganistão, no Vietnam e em tantos outros países. É muito provável que você também não seja um anti-Americano, mas sim, um árduo defensor da justiça e dos direitos humanos.

Ser anti-Americano é ser contra TUDO e TODOS que venham dos EUA, incluindo 300 milhões de pessoas que você não conhece e pré-julga que sejam iguais e a favor dos abusos e das atrocidades cometidos pelo governo daquele país. Ser contra o Capitalismo não faz de você um anti-Americano. Condenar a invasão do Iraque não faz de você um anti-Americano. De fato, de Norte a Sul dos EUA, o povo Americano é muito similar aos Brasileiros. A família continua sendo a instituição mais forte da nação. A fé Cristã é promovida em larga escala. O povo é receptivo, e na maioria das vezes, manipulado pela propaganda política e a estratégia do medo que manipula a percepção das pessoas e as faz concordar com idéias que normalmente elas jamais concordariam.

Finalizando esta pequena analise sobre um tema tão abrangente, é importante lembrar que, assim como o Brasil não é apenas o país do Carnaval e do futebol, os EUA não é apenas os erros e crimes cometidos por suas políticas externas. Os EUA não é apenas Nova York e Miami. A grande parte dos seus 300 milhões de cidadãos, são pessoas do bem, que se importam com a vida, se emocionam e se revoltam com a injustiça, sofrem com as imposições de um governo que nem sempre defende o bem estar da maioria. Na crise econômica de 2008, causada por uma elite da Wall Street, 6 milhões de famílias Americanas perderam suas casas. Atualmente, 15% da população Americana é considerada pobre, e 50 milhões de pessoas não tem acesso a saúde. Os EUA não é apenas o sonho Americano, não é apenas armas nucleares. O anti-Americanismo é um sentimento equivocado promovido por um conceito equivocado, que não reflete de forma alguma os valores e os princípios que o território e a maioria do seu povo representam.

PERCEPÇÃO: A IMPORTÂNCIA DE TER CONSCIÊNCIA DA SUA EXISTÊNCIA

Por: Michaell Lange

Londres, 18/04/18 –

Nosso mundo é determinado pelo modo como nossos sensores naturais captam o que acontece a nossa volta. Nossa capacidade de ver, ouvir, sentir, e perceber as coisas, é chamada de percepção. É a percepção que guia nossas decisões diárias, seja as decisões mais simples como experimentar uma comida nova por conta do cheiro, ou eleger um presidente da república por conta do que sentimos. Porém, se nossas percepções forem errôneas ou manipuladas por constantes ataques de forças externas (propaganda), isso significa que estamos tomando decisões erradas.

O tema percepção é tão abrangente e presente em nossas vidas que para fazer justiça a causa teríamos que ficar aqui falando sobre isso para sempre. Por isso, ficaremos com exemplos bem básicos, porém não menos importantes, sobre a importância de termos consciência e controle das nossas percepções.

Nossa percepção por tanto, é alvo constante de investidas positivas e negativas de pessoas e empresas (forças externas) que desejam nos convencer de algo que não necessariamente, sejam de nosso interesse e benefício. Todos os dias somos bombardeados por propagandas tentando nos vender algo que muitas vezes não precisamos. O vendedor sabe que se ele conseguir mudar nossa percepção, ele pode estar criando uma necessidade que até então não existia, e é essa mudança de percepção que irá nos convencer a comprar algo que não precisamos. Nesse caso, a melhor forma de defesa é o questionamento. Sera que realmente preciso comprar isso? Minha esposa costumava chegar em casa com coisas que de fato, não precisávamos. Quando questionada, ela dizia: “Estava na promoção!” ou seja, a percepção de um preço baixo a convenceu de comprar algo que não precisávamos. Esse é um exemplo simples e inocente de como nossas percepções podem ser manipuladas por forças externas. Afinal, quem nunca se rendeu ao poder sedutor de um chocolate? Mas, há outros exemplos mais graves e com consequências mais sérias e duradouras.

A mídia, seja televisiva, de radio, impressa ou eletrônica, tem um poder incalculável de convencer pessoas (desavisadas) de coisas totalmente inacreditáveis. Quando um candidato político faz campanha para ser eleito a um cargo público, seus “marketeiros” usam de meios absurdos para convencer o eleitorado. O uso de celebridades como atores de novelas, cantores e outros artistas em propaganda política é largamente explorado por conta da sua eficiência. Pode parecer surreal, mas ainda há pessoas que são convencidas a votar em um determinado candidato apenas porque seu jogador de futebol favorito declarou apoio a ele, por exemplo. Sera que nós, eleitores, não deveríamos decidir nosso voto de acordo com o histórico do candidato, sua proposta de governo, os custos e a viabilidade da sua proposta, e jamais votar em alguém apenas porque o Pablo Vittar ou o Neimar declaram apoio a ele/ela? A manipulação da percepção do eleitor nesse caso, tem consequências graves e duradouras no futuro do nosso país e no bem estar dos nossos cidadãos.

Tenha o controle da sua percepção!

Sempre que alguém tentar lhe vender algo, pergunte-se: Sera que realmente preciso disso? Sera que devo comprar apenas porque esta na promoção? Questionar, é uma ferramenta extremamente poderosa e pode nos salvar de verdadeiras enrascadas. O questionamento é um regulador natural da nossa percepção e nos permite ter mais controle sobre nossos sensores perceptivos.

Teste: Quando você ouve falar de um país como por exemplo, Cuba, EUA, Russia, Inglaterra, França. Qual é a sua percepção com relação a estes países? Se você nunca visitou estes lugares pessoalmente, o que ou quem lhe convenceu de ter esta percepção? Sera que a sua percepção esta mesmo de acordo com a realidade destes países? O mesmo vale para pessoas, empresas e outras organizações. Lembre-se sempre que as suas decisões diárias são baseadas nas suas percepções, e se você não tem o controle das suas percepções, isso significa que alguém esta tomando decisões por você.

 

 

 

COMO VOTAR NAS ELEIÇÕES DE 2018

Por: Michaell Lange,

Londres, 14/02/18 –

As eleições de 2018 será nossa grande oportunidade para mostrarmos aos políticos Brasileiros que a farra acabou. Será nossa oportunidade de votarmos com consciência, e ao mesmo tempo, com toda a nossa indignação e desprezo com aqueles que traíram nossa confiança.

A pergunta que venho fazendo ja a alguns meses é; como devo votar em 2018? “como derrubar dois corruptos com um único voto? ”

Acredito que qualquer Brasileiro com o mínimo de bom senso, não irá votar em políticos envolvidos na lava jato ou em qualquer outro escândalo de corrupção. Só aí ja cai 70% dos políticos em cargos públicos federais atualmente. Se incluirmos a essa lista todos os velhos caciques que ja estão a mais de 10 anos em cargos de Deputados, Senadores e governadores, a lista dos “votáveis” fica abaixo dos 5%. Afinal de contas, qual seria a justificativa para você dar mais uma chance a ladrões convictos e reincidentes? Esqueça a Lei da ficha limpa, crie sua própria lei da ficha limpa, e não vote em corrupto convicto!

Não faz sentido algum você criticar o induto que muitos presos recebem para passar o Natal em casa e por outro lado, votar em ladrão para administrar o bem público. Tenho certeza que ninguém contrataria um ladrão convicto para ser o diretor financeiro da sua empresa. Então, por que você elegeria ladrões para cuidar do dinheiro público?

Uma boa idéia seria talvez, votarmos em candidatos jovens, que de preferência não sejam filhos, sobrinhos ou netos das raposas que estão no poder hoje. Também seria uma opção votarmos para partidos novos e rejeitarmos totalmente os 5 maiores partidos políticos atuais. Afinal, ja esta mais que provado que a prioridade deles não é ajudar o Brasil. Não podemos perdoar esse pessoal que usou e abusou do dinheiro público enquanto nosso povo apodrecia nos hospitais. Eles querem, e irão fazer de tudo para ganhar mais uma chance e permanecer no poder para se beneficiarem do oba-oba que é governo do nosso país. Meu conselho é simples; Não dê chance a ninguém! Não reeleja nenhum destes vagabundos que tanto mau fazem a nossa nação! A nossa chance de acabar com a farra deles chegou. Vamos dar chance a quem nunca foi eleito. Não podemos desperdiçar esta chance. Esta seria a forma de maximizar nossa indignação com aqueles que estão no poder hoje, Deputados, Senadores, governadores e o próprio presidente. Se você odeia bandidos, não eleja ladrões em 2018!

A PROPOSTA DE GOVERNO

Existe um equivoco promovido por algumas pessoas na qual afirma-se que caso a maioria dos eleitores não votarem ou votarem nulo ou branco, as eleições são canceladas. De fato, essa Lei não existe. Indiferente do numero de votos brancos e nulos, o candidato com maior numero de votos válidos será eleito. Por tanto, é importante votar em alguém.

Tendo em mente que é necessário usarmos o poder do voto com sabedoria, a proposta de governo do candidato, bem como seu plano de implementação e financiamento, devem ser levados em consideração na hora de escolher em quem votar. Lembre-se, a lista de votáveis deve ficar nos 5% dos candidatos em 2018.

infelizmente, os candidatos dos principais partidos políticos oferecem apenas duas opções de governo, e nenhuma delas é a opção ideal para o Brasil. Os principais partidos de esquerda, oferecem uma participação forte e atuante nas questões públicas, com empresas estatais e alta regulamentação do mercado (o chamado estado grande).

Ja os principais partidos de direita, oferecem a minimização das participações do estado nas questões públicas e econômicas, promoção de um mercado livre, baixas taxas de juros e privatizações.

Mas, estas duas propostas de governo ja foram postas a prova e nenhuma delas beneficiou o Brasil. Pessoalmente, acredito que a proposta de governo que ganharia meu voto hoje, é a descentralização do governo federal. O governo federal precisa devolver o poder aos estados e municípios, assim como funciona nos EUA. A centralização do poder federal em Brasilia, facilita a corrupção e a impunidade dos corruptos. Além disso, o Brasil perde bilhões de Reais só em repasses de verbas para a união. Isso precisa acabar!

No Reino Unido, no final dos anos 90, o então Primeiro Ministro Tony Blair, implantou a proposta de devolução. Apesar do sistema político Britânico ser diferente do Brasileiro, a devolução Britânica é semelhante ao que deveria ser implantado no Brasil. No Reino Unido, o governo central representado pelo Parlamento Britânico em Londres, criou o parlamento Escocês, o Parlamento Irlandês e a Assembléia do país de Gales. Dessa forma, o governo central em Londres, que antes tomava todas as decisões, passou a enviar parte do orçamento para os outros parlamentos que passaram a decidir como usar estas verbas de acordo com as suas prioridades. No Brasil, a devolução teria que ser feita por meio de uma nova constituinte como parte de uma reforma política profunda. Uma vez aprovada, os repasses para a união se limitariam a uma fração da riqueza produzida pelos estados. Por consequência, cada estado teria o poder de manter a grande parte da riqueza produzida localmente (PIB local), para ser usado de acordo com as prioridades determinadas pelo governo do estado juntamente com seus representante municipais. Este sistema acabaria com a farra do dinheiro público na capital federal, e cada estado seria responsável pelos seus corruptos.

A reforma do sistema político Brasileiro chegou a ser noticia anos atrás, mas logo foi esquecida ja que, sem pressão popular é quase impossível fazer o Congresso Nacional votar a favor da diminuição do seu poder sobre as riquezas produzidas pelos estados da federação. A reforma do sistema político Brasileiro deve ser prioridade novamente em 2018. Precisamos trazer a reforma política de volta para a mesa de debates e para os noticiários.

Estas questões ao meu ver, fazem das eleições de 2018, o processo eleitoral mais importante da história do Brasil. Resta saber se o Brasileiro esta de fato, disposto a usar seu poder de voto para derrubar aqueles que roubaram o país, ou disposto apenas para eleger o candidato escolhido pela mídia. Como você irá votar em 2018?

O RE-SURGIMENTO DO POPULISMO REVOLUCIONÁRIO

By: Michaell Lange,

29/12/16 –

Assim como o liberalismo, o populismo tem conceitos diferentes de acordo com o lugar, o tempo e o lado político no qual se encontra o argumento. Há um entendimento generalizado difundido pelo pensamento de esquerda, que assume o populismo como um movimento do povo contra a elite. A elite neste caso, seria uma barreira que impede as melhorias necessárias para sociedade como um todo. Já de acordo com o pensamento de direita, esse conceito é falso pois, a idéia de que há uma união de pensamentos e idéias que caracterizam um povo, é inexistente.

O que chamo de “populismo revolucionário”, e que será o fator central desse artigo, se trata do populismo que explora a indignação do povo, sobretudo da classe operária. Esse apelo as massas ja levou ao poder no passado, lideres como Hitler, Mussolini, Stalin, Mao Zedong, Pol Pot, Francisco Franco e Fidel Castro, além de outros. O que há em comum entre eles é a guerra, a opressão e a morte de milhares de inocentes. O sistema que une a ideologia de todos os líderes citados acima é o totalitarismo, que se apresenta em diferentes formas, seja liberal, democrático, libertador, revolucionário, socialista ou popular. Seja qual for a vestimenta, todos eles são, no fundo, totalitaristas ou seja, pessoas que buscam o poder total para si mesmo. Quando compramos um produto, além do reconhecimento visual, o rótulo deve trazer com clareza o que é, e o do que o produto é feito. Na política mundial, a política pode trazer diferentes rótulos para o mesmo produto. Tudo é válido para convencer o povo. Infelizmente, o povo, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, é quase sempre convencido a comprar “gato por lebre”.

O re-surgimento do populismo revolucionário é extremamente preocupante. Os exemplos do passado precisam ser reconhecidos para que os mesmos erros e as mesmas tragédias não se repitam no futuro. Infelizmente, esse processo se encontra em estágio avançado e poucos percebem a gravidade do seu re-surgimento. O populismo revolucionário tem como principio, se identificar com a classe trabalhadora e através dela, chegar ao poder. Ao que parece, quanto mais anti-sistema e radical forem, maior a popularidade. Quanto mais enfurecedor o discurso, maior o apoio popular. Quanto mais apelativo, maior a sua aceitação. Os exemplos desse fenômeno são numerosos. O maior de todos chama-se Donald Trump. O mais novo presidente Americano, foi eleito com um discurso inflamatório, ofensivo, discriminatório e revolucionário. Quanto mais ofensivo eram os discursos de Trump, maior era a sua popularidade. Quanto mais a mídia tentava destruí-lo, maior ele ficava. Trump foi eleito com a promessa de construir muros, expulsar milhões de imigrantes e proibir a entrada de muçulmanos nos EUA. O extremismo clássico, populista e extremamente perigoso de Trump, esta se propagando pelos quatro cantos do planeta em uma velocidade preocupante. Essa estratégia ja deu certo no passado e o mundo viveu os horrores da sua consequência. O crescimento do extremismo no mundo, pode ser o inicio do re-surgimento do fascismo e do Nazismo camuflados em uma nova vestimenta que pode sim, levar o mundo de volta às catástrofes dos anos 30 e 40. A eleição de Trump nos EUA provou que a retórica do extremismo pode ser um atalho ao poder. O sucesso de Trump deu credibilidade a outros extremistas como Nigel Farage, que por dez anos lutou pela saída do Reino Unido da União Européia com um discurso muito similar ao de Donald Trump. Farage, foi o principal pivô na campanha do Brexit, do referendum Britânico que decidiu pela saída do pais da União Européia. Na Austria, outro extremista acusado de ser um neo-nazista, Norbert Hofer, venceu as eleições e se tornou o mais novo presidente do país. O líder do Partido da Libertação Austríaca, é apenas mais dos exemplos da corrida para a extrema direita que ocorre na Europa nesse momento. Esse fenômeno tem sido seguido de perto por vários outros países no mundo incluindo o Brasil. Na Holanda, Geert Wilder, do Partido para a Libertação, lidera o movimento radical no seu país. Na França, a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, lidera as pesquisas presidenciais com a promessa de seguir o exemplo Britânico e retirar a França da União Européia. Em Israel, Netanyahu dispensa qualquer apresentação. E na Russia, Putin aproveita o momento conturbado na política global para se fortalecer como um poderoso líder da nova geopolítica mundial. Todos eles usam a mesma retórica radical anti-Islâmicos e anti-imigrantes.

No Brasil, o caos econômico causado pelo impasse político promovido irresponsavelmente por corruptos incompetentes no Congresso Nacional junto ao colapso do ja precário sistema de saúde, educação e segurança, vem abrindo espaço para o radicalismo retórico populista liderado por Jair Bolsonaro. O surgimento de um mito que na TV aparece enfurecido, pregando a morte de bandidos, mesmo trabalhando e sendo aliados de muitos deles, ganha força como candidato a presidência da República em 2018. Bolsonaro se tornou, ou pretende se tornar, o Trump Brasileiro, mesmo que as similaridades entre os dois se limitem a retórica radical e populista para chegar ao poder. Bolsonaro esta desesperado por uma foto junto ao presidente Trump que possa ser usada como bandeira em sua campanha eleitoral para 2018. É muito provavelmente que ele conseguira seu pequeno troféu Americano que certamente aumentará suas chances de vitória em 2018. O crescimento da popularidade de Bolsonaro no Brasil segue o mesmo princípio do que vem acontecendo nos EUA e Europa. A crise financeira de 2008 fez 6 milhões de americanos perderem suas casas, pondo fim ao sonho Americano. A crise do Euro e o colapso da economia Brasileira, são as principais causas do re-surgimento do populismo revolucionário que nos anos 30, logo após a grande depressão econômica de 29, fez surgir o pesadelo Nazista e Fascista que aterrorizou o mundo por décadas. Os próximos 3 anos serão cruciais para evitarmos uma repetição dos erros do passado. Entender o fenômeno político que vem ocorrendo no mundo, é fundamental para que as gerações futuras não precisem sofrer as consequências causadas pelos erros das gerações atuais. As consequências do radicalismo é a violência, e violência não é, nem nunca será, solução para nada. O radicalismo não pode ser uma opção aos erros do atual sistema político mundial. O apelo da retórica radical deve ser rejeitada a todo custo. Aqueles que se sentem atraídos pelos discursos inflamatórios de políticos como Bolsonaro, precisam refletir sobre a verdadeira intensão do seu discurso radical. A falta de opção não pode ser uma justificativa para eleger o mais furioso da lista. Não há dúvidas de que o atual sistema político precisa ser derrubado e repensado. Mas, substituí-lo pelo radicalismo seria um retrocesso de altíssimo custo que eu, você, e as gerações futuras terão que bancar.

EU TAMBÉM NÃO GOSTO DE VOCÊ PAPAI NOEL

By: Michaell Lange,

London, 14/12/16 –

 

Esta semana me deparei com um video sobre o Natal que não apenas me comoveu, mas me fez entender um pouco da minha frustração de não conseguir sentir o mesmo entusiasmo com essa data que tantos consideram a mais importante do ano.

Pois bem, não é novidade para ninguém que os valores do Cristianismo foram abandonados por seus seguidores e a religião transformou-se em um grande comercio. É obvio que devemos salvar espaço as exceções. Eu também conheço bons Cristãos. Mas, não podemos negar que os valores promovidos dentro da casa de Deus não são reproduzidos fora dela. Além disso, o tempo é testemunha da transformação do significado do Natal que hoje, tem muito pouco a ver com o nascimento mais importante da história do Cristianismo, e menos ainda com os valores que esta religião promoveu pelo mundo. Também não é de hoje que o nome da igreja é usado para justificar ações injustificáveis, mas não é sobre isso que este artigo se propõe a falar. O que me inspirou a escrever este artigo foi o poema de Aldemar Paiva chamado “Eu não gosto de você Papai Noel” que conta uma história que reflete milhões de histórias semelhantes que se repetem todos os Natais. A história do menino pobre que pediu um presente ao Papai Noel e nunca recebeu nada, nem mesmo uma resposta escrita, denuncia meu desgosto com a sua figura. Papai Noel não tem presente para os pobres, porque Papai Noel não existe, ou só existe para quem pode compra-lo. O que existe é uma figura que vende sonhos e fantasias que os pobres não tem o direito de ter, mas parecer ter o dever, por condicionamento, acreditar. Me pergunto; Por que fazemos isso com nossas crianças?

Quando eu tinha mais ou menos 10 anos de idade, meu pai me levou para comprar um presente de Natal. No caminho para o mercado, ele e minha mãe me explicaram que aquele presente seria dado a mim pelo Papai Noel, mas que na verdade o tal Papai Noel seria a minha tia fantasiada, porque o verdadeiro Papai Noel não existia. Meus pais deixaram bem claro que as outras crianças que estariam na rua, acreditavam e que por isso, eu deveria manter segredo. Feliz, recebi o presente do Papai Noel que era a minha tia, e que havia sido comprado pelos meus pais. Tudo isso em frente a um grupo de mais ou menos 20 crianças encantadas em ver o Papai Noel, mas ganharam como presente nada além de alguns doces. Aquelas crianças devem ter se perguntado; Por que somente ele (eu) recebeu um presente? É nesse ponto que vive a minha angustia. Sempre que vejo alguém fantasiado de Papai Noel, observo os olhares das crianças a sua volta e tenho medo de que algumas delas nunca receberão o presente prometido, seja material ou afeto, carinho e amor.

Nunca julguei meus pais pela atitude de me fazer de tolo diante de crianças que como eu, só queriam receber um presente. Na minha inocência de criança, só queria mesmo era o presente. Depois cresci assistindo outros Papais Noel fazendo o mesmo em todas as cidades e em todos os lugares, e acabei percebendo que se tratava de uma coisa cultural. Cultural e cruel, devo dizer. Depois de adulto, encontrei aquela minha foto recebendo o presente do Papai Noel, digo, da minha tia, e pude ver a crueldade da cena que se pudesse, não teria feito parte. Todas aquelas crianças a minha volta, me assistiram sendo presenteado com enorme alegria, pelo realizador dos sonhos mais impossíveis. Mas, por que só eu ganhei presente? Por que os outros ganharam apenas balas e doces? Será que apenas eu fui merecedor de tamanha honra? Será que as outras crianças não foram boas o suficiente? Será que deveriam ter estudado mais? Ou ter sido mais obedientes? Quantos questionamentos não passaram na cabeça daquelas crianças? E por que? Por causa de uma fraude! Porque além de marcar o nascimento de Cristo, o Natal é uma fraude cruel, e nossas crianças são as principais vitimas. O nascimento de Cristo passa totalmente despercebido pela grande maioria da população. Aos que conseguem reunir os amigos e familiares, a data é um ponto positivo, mas para muitos que estão sozinhos (e são muitos mesmo), a data é quase uma tortura. Ainda esta semana, assisti de cabelo em pé, cenas de crianças desacompanhadas (dizia a reportagem ser umas 100) presas em um prédio em Aleppo na Síria, sem água ou comida, enquanto bombas atingiam o mesmo prédio pois, haviam também, rebeldes escondidos nele. Como posso ter um Natal feliz diante de um mundo que em pleno século 21 ainda permite esse tipo de barbaridades com mulheres e crianças?

Hoje entendo porque não gosto do Papai Noel. Não posso gostar de alguém que como disse Aldemar Paiva, sente ódio do que é humilde, e glorifica o que é luxuoso. Não posso gostar de uma figura que vende ilusões a tantas crianças que nunca receberão um presente seu. Não posso gostar de um Papai Noel que só aparece em locais onde o público esta disposto a gastar dinheiro.

Neste Natal meu filho irá ganhar presentes, mas assim como eu, ele saberá a verdade. Ele até poderá sentir e aproveitar o entusiasmo e a alegria que aquela fantasia trás quando o Natal chega. Mas não permitirei que lhe vendam ilusões ou que o façam de tolo. Ele saberá a verdade. O sonho e a fantasia trazem alegrias ao mundo infantil, mas a ilusão do presente que nunca chega, trás apenas tristeza e infelicidade para pequeninos que ainda não estão preparados para sentir a dor da injustiça. O meu Natal precisa ser verdadeiro e justo. Precisa ter o necessário e não o ilusório. A minha reflexão trás a tona minha condição humana, mas também trás a condição humana de quem vive comigo nesse mundo, e não tem a mesma sorte que eu tive. É para estas pessoas que meus sentimentos de Natal são direcionados.

O Natal deveria ser uma data para reflexão e esforços para o melhoramento das nossas condições humanas. Ao invés disso, somos invadidos por uma mistura de ansiedades e frustrações que nos levam a gastar o dinheiro que não temos, comprando futilidades que não precisamos. Enquanto isso, quem precisa acaba ficando sem nada. O senso de bondade que muitos de nós temos em ajudar o próximo, logo no dia seguinte transforma-se em indiferença, como se nosso compromisso humano valesse apenas para o dia 25 de Dezembro. Imagine se nosso espirito natalino estivesse presente todos os 365 dias do ano? Imagine se cada um de nós fossemos um Papai Noel que ao invés de ilusões, doasse bondade todos os dias do ano? Mas, não somos assim. Vivemos indiferentes aos que estão a nossa volta e acreditamos nas ilusões que um Papai Noel que não existe, insiste em promover ano após ano. Não, eu também não gosto de você Papai Noel. Saibas que quando se aproximares do meu filho, ele estará sabendo a verdade sobre você. Meus desejos de um Feliz Natal seguem em pensamento e reflexão a todas as crianças da Síria, e para todas as crianças desacompanhadas dos seus pais. Meu desejo de Feliz Natal não terá Papai Noel, terá sim, um aperto no peito que reflete a falta de amor e compaixão no mundo em que vivemos hoje. Cristo certamente gostaria de um presente de Natal diferente do que seu povo tem a lhe oferecer no momento. Particularmente, a figura de Jesus não esta representado na fantasia de um Papai Noel, mas no sorriso de cada criança desse mundo. Um mundo sem o sorriso das crianças é um mundo sem futuro…

 

 

 

 

ABORTO É CRIME, INDIFERENTE DO QUE DIZ A LEI (opinião)

By: Michaell Lange,

London, 01/12/16 –

Esta semana vários assuntos dominaram a mídia e as redes sociais. A Tragédia com o vôo do time da Chapecoense chocou o mundo do esporte e deixou o Brasil de luto. A sem vergonhice, e o comportamento criminoso dos parlamentares em Brasilia, que diabolicamente aproveitaram-se de uma nação em luto para votar uma PEC imoral, camuflada pela madrugada enquanto o país chorava a perda de 71 vidas na queda do avião do time Catarinense, também deixou o Brasil estarrecido. Mas, um outro assunto não menos importante, acabou ficando um pouco ofuscado por conta dos outros dois assuntos citados acima. Trata-se do aborto que a justiça Brasileira decidiu descriminalizar até o terceiro mês de gestação. O assunto também foi noticia no Reino Unido esta semana, mas por um outro motivo. O Reino Unido é formado pela Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales, mas algumas Leis são diferentes dependendo o país. Por exemplo, na Inglaterra o aborto é legalizado. Qualquer mulher pode procurar uma clinica e fazer o procedimento pago pelo governo. Porém, na Irlanda do Norte o aborto é crime e isso faz com que muitas Irlandesas venham para a Inglaterra fazer o procedimento usando verba do orçamento da saúde Inglesa. Essa polêmica tem gerado debates sobre até que ponto os Ingleses devem pagar pelo procedimento feito para cidadãos Irlandeses. A legalização do aborto na Inglaterra seguiu o mesmo principio seguido por outros países, e é também o mesmo argumento usado por pessoas que lutam pela legalização do aborto no Brasil. Segundo os Ingleses, a legalização do aborto evita a prática clandestina que muitas vezes pode acabar em óbito. Mas, esse mesmo argumento pró-aborto me faz questionar porque o mesmo princípio não é usado em outros casos não menos polêmicos, como no caso da legalização das drogas. Se a legalização do abordo evita a prática clandestina, por que a legalização das drogas não evitaria o tráfico de drogas que é responsável pela maioria dos homicídios no país? O princípio é o mesmo, mas os interesses parecem ser diferentes.

Por muito tempo a polêmica do aborto foi uma incógnita na minha cabeça. Sempre foi muito difícil para mim, ter uma opinião formada sobre o assunto. Mas hoje, tenho plena convicção de que o aborto não difere em nada, de um assassinato. Porém, assim como há exceções que legitimam um assassinato, como no caso da legítima defesa por exemplo, onde a vitima precisa matar outra pessoa para salvar a própria vida, eu também acredito que há exceções que possam legitimar alguns casos de aborto, como no caso do assassinato em legitima defesa. Mesmo assim, em todas as exceções nas quais pensei a respeito, minha conclusão é quase sempre confusa.

Os principais argumentos de mulheres e casais (em muitos casos a decisão é conjunta) que praticaram o aborto, é que o fizeram porque não estavam preparados para ser pai/mãe, ou não tinham condições, ou simplesmente não desejam ter filhos. Pois bem, na minha opinião essa cultura foi estabelecida por negligência do estado que tenta normalizar e em muitos casos até incentivar o aborto. O mesmo estado também falha em alertar para o trauma. O assassinato de um ser humano não é algo natural, mas sim algo inventado pelos humanos. Porém, mesmo com todos os esforços para normalizar a prática, a natureza humana continua reagindo negativamente contra uma agressão não prevista na natureza. O resultado é um trauma psicológico (físico em alguns casos) que homens e principalmente mulheres, sofrerão pelo resto de suas vidas. O Trauma é resultado de ação extrema e não natural. Quando alguém mata outra pessoa, seja por acidente ou propositalmente, o estrago psicológico é similar e tão duradouro quanto o de um aborto. De fato, um aborto não difere de um assassinato pois, este, interrompe uma vida que teria continuidade caso a ação abortiva não tivesse ocorrido. A negligência do estado levou as pessoas a acreditarem que interromper a vida de um ser humano que ainda não nasceu é aceitável, mesmo em casos onde os motivos são absurdos, como a falta de recursos financeiros, ou simplesmente não desejarem a gravidez. O ser humano precisa assumir a responsabilidade ou arcar com suas consequências. O assassinato de um bebê recém nascido pode levar o autor do crime a passar o resto dos seus dias na prisão. Por que assumimos postura diferente quando o crime é cometido meses antes?

Muitas mulheres pró-aborto costumam usar o discurso “my body, my rule” ou “meu corpo, minhas regras”. O argumento é certamente válido para as mulheres tanto quanto para os homens. Mas, é um grande equivoco acharem que essa regra vale para o aborto. Mesmo sendo gestante, a vida que cresce dentro do útero não pertence a mulher. Essa vida, desde o momento da fecundação ja tem seu direito a vida e a liberdade garantido pela Natureza (Deus). Não cabe a mulher impor seus desejos sobre uma vida que apesar de crescer dentro dela, não a pertence. Ao contrário da posse, a mulher e o homem, tem a responsabilidade de cumprir com seu papel natural de zelar e respeitar os direitos a vida que lhes foram dado. A gestante não tem por tanto, o direito de decidir o futuro do bebe, mas garantir a sua existência. O ser humano tem garantido seu direito a vida no momento em que ela passa a existir ou seja, no momento da fecundação. Indiferente do que as Leis dizem, as Leis da Natureza nesse caso, são superiores e imutáveis. Durante esta semana, ouvi dezenas de mulheres falarem sobre o trauma da decisão, e como o aborto afetou suas vidas mesmo depois de décadas. Salvo as exceções, minha resposta a esse argumento é simples e direta. A decisão de fazer o aborto, ao que me parece, é mais fácil do que a decisão de não fazer sexo, ou de fazer sexo seguro. Sim, eu sei que parece uma suposição grosseira, mas como citei acima, as exceções são apenas exceções e não podem ser usadas como regra. Também não estou aqui para julgar as mulheres que decidiram fazer o aborto. Meu propósito é questionar a legitimidade que o estado, junto a pessoas pró-aborto promovem ao defender sua legalização. É certo que acidentes acontecem, mas nesse caso especifico, a vida de um bebê inocente não pode ser interrompida por motivos tão rasos. A vida esta acima de tudo! Precisamos assumir as responsabilidades da vida!

Um outro exemplo que eu gostaria de usar como paralelo ao trauma causado pelo aborto, é o caso de soldados. As forças armadas treinam o soldado para matar o inimigo sem culpa. É um treinamento brutal que em muitos casos desconstrói o ser humano por dentro e reconstrói em forma de um soldado frio e calculista. Nesse processo o soldado é convencido de que se ele matar o inimigo, vidas serão salvas em sua terra natal. Mesmo apesar do processo brutal de desconstrução dos valores humanos, os soldados voltam da guerra traumatizados. A própria policia sofre com a violência e tem altos níveis de suicídios por causa da experiência nas quais vidas são terminadas de formas brutais. Porque então, deveríamos pensar que um cidadão normal, sem treinamento militar, não seria afetado pelo trauma causado pelo termino de uma vida como consequência de um aborto? Por isso acredito que há similaridades entre o trauma causado por um aborto e um assassinato, seja por legitima defesa, acidente ou guerra. O término de vidas por meios não naturais é definitivamente um crime na sua concepção mais básica. É exatamente com base nessa analise pessoal que consegui finalmente, depois de muitos anos de questionamentos, concluir que o aborto é assassinato, mesmo quando se tratando de legitima defesa ou legitima causa.

Como defensor assíduo dos direitos humano, me deixa consternado a idéia de que um estado, cuja responsabilidade número 1 é garantir a segurança, a integridade e os direitos humanos de todo cidadão, possa criar Leis que legalizem e sentenciem a morte, vidas inocentes sem direito a defesa. O aborto é um crime, e sua prática deve ser tratada como tal, com exceção aos casos de legitimidade. Um governo não se limita apenas a garantir e atender as vontades e direitos dos seus indivíduos, mas também garantir os direitos daqueles incapazes de se defender.

Quando um espermatozóide se une a um óvulo, o resultado é tão extraordinariamente espetacular e tão além do entendimento humano, que costumamos simplificar a criação e o surgimento de uma nova vida, usando o adjetivo “milagre”. Quem então teria o direito de interrompe-la se não o criador do milagre? Por que algumas pessoas acreditam ter o direito de se apossar de uma vida e decidir seu destino por motivos não naturais e ilegítimos? Interromper uma vida humana de forma não natural e de forma ilegítima em qualquer estágio do seu desenvolvimento, é um crime e deve continuar sendo, mesmo quando governos negligenciam algumas de suas maiores responsabilidades que é garantir o direito a vida e a liberdade de todos os seres humanos.