Até Quando Seremos Vitimas Dessa Mídia Tendenciosa?

By: Michaell Lange,

London, 01/09/15 –

Mais uma vez William Waack do Jornal da Globo e Arnaldo Jabor, promovem o jornalismo predatório, parcial, sem escrúpulos e irresponsável. É lamentável assistir estas pessoas com tanto apelo ao publico Brasileiro se prestar a esse papel que beneficia apenas os interesses de alguns poucos protegidos e condena tantos outros a mediocridade. É importante que o Brasileiro reflita ao assistir este tipo de jornalismo e observe que o objetivo de matérias como essa, é influenciar a opinião publica a condenar uma realidade promovida pelos próprios meios de comunicação pelos quais estes jornalistas fazem parte. Esta semana, uma reportagem do Jornal da Globo (ver video abaixo), apresentado pelo jornalista William Waack e compartilhado por Arnaldo Jabor, nas redes sociais, denuncia os bailes funk com a participação de adolescentes que segundo o JG, usam drogas, fazem sexo explicito e portam armas de fogo na presença de traficantes de droga. Segundo o JG, a maioria dos bailes funk não tem autorização para serem realizados, mas quais são os requerimentos para uma festa ser “autorizada”? Seriam os mesmos requerimentos que a Boat Kiss no Rio Grande do Sul nunca teve e mesmo assim tinha o alvará de funcionamento?

É claro que ninguém discorda dos crimes denunciados pela reportagem do JG. O equivoco esta em achar que esse tipo de crime só acontece em bailes funk. Assistir crianças usando drogas, praticando sexo e sendo vitimas de abusos sexuais madruga a dentro, mostra o quão sério é a situação da sociedade Brasileira. Mas, o JG falha de forma grotesca, ou proposital, em não denunciar e expor as autoridades responsáveis por essa situação caótica e criminosa em que se encontram os jovens Brasileiros. Não basta entrevistar o secretario de segurança publica de São Paulo que tem como objetivo principal nestes casos, impor uma ação consequente e paliativa sobre um problema causado pela total negligencia do estado e por outras diversas instituições como a própria mídia que não assumem suas responsabilidades sociais. A policia esta nas ruas para combater as consequências de um crime muito mais sério e com raízes muito mais profundas do que os crimes denunciados pela reportagem do JG. Tentar acusar a policia de omissão nestes casos é uma forma de proteger e omitir os verdadeiros responsáveis pela situação social que o Brasil se encontra hoje. Tentar culpar os adolescentes é um outro erro grave, eles são, antes de mais nada, vitimas do estado. Estas crianças nasceram dentro dessa cultura, marginalizadas pelo governo que não fornece o mínimo necessário para direcionar nossos jovens para um destino diferente. Eles são condenados no momento do nascimento. Na opinião de muita gente, eles não tinham nem o direito de nascer. Que cultura as autoridades Brasileiras esperam destes jovens se eles não conhecem nada diferente da repressão policial, da ausência do estado e da discriminação da sociedade?

A falta de segurança, a falta de um sistema educacional competente, a falta de um sistema de saúde adequado, a falta de acesso a esportes, a falta de acesso a cultura, a falta de oportunidades de desenvolvimento pessoal, social e econômico, condenam nossos jovens a serem vitimas do sub-mundo social. Em nenhum momento a reportagem do JG questionou estes problemas. Em nenhum momento o JG questionou as autoridades publicas sobre a responsabilidade do estado na atual situação dos jovens Brasileiros. É um erro grave tentar culpar os pais e os jovens pelo sub-mundo em eles vivem hoje sem questionar os verdadeiros responsáveis por essa situação. Proibir eventos populares como os bailes funks é mais um exemplo de ações irresponsáveis promovidas pelas autoridades da repressão. O JG não questionou se os motivos da ilegalidade dos bailes funk são em razão dos crimes denunciados pela reportagem, porque se for estes os motivos, o carnaval ja deveria ter sido proibido a tempos. Afinal de contas, o governo proíbe os bailes funks mas, autoriza centenas de outros bailes em locais fechados, sem saídas de emergencia e muitas vezes, sem qualquer alvará de funcionamento onde também ha a presença de adolescentes consumindo drogas, brigando, portando armas, praticando crimes e muitas vezes sob o controle de traficantes.

Além disso, o JG não seria capaz de questionar a responsabilidade da própria Rede Globo e de outros meios de comunicação, na perpetuação desses problemas sociais. A Rede Globo, entre outros canais de comunicação do Brasil, promovem e romantizam a realidade do sub-mundo social Brasileiro. Basta observarmos o conteúdo da programação livre destes meios de comunicação para que fique clara a participação destas instituições na perpetuação do problema social Brasileiro. Todos os Domingos é possível ver mulheres semi-nuas dançando, rebolando, fazendo gestos apelativos ao sexo, sob musicas como o funk. O conteúdo das novelas nos horários nobres da TV, apresentam apenas a realidade social atual, com cenas de violência, sexo e corrupção, sem apresentar uma alternativa ou soluções para os problemas sociais do Brasil. É uma grande hipocrisia mostrar a situação dos jovens Brasileiros como sendo eles, os únicos responsáveis por sua atual situação. Para o JG, o jovem pobre da periferia que usa droga é um criminoso qualquer, as celebridades, atores, e cantores viciados em todo tipo de droga são apenas pessoas com “problemas pessoais”. Oras, estas celebridades compram a droga de traficantes, financiando assim o crime, a violência e a criminalização dos nossos jovens da periferia. Ao deixar de fazer os devidos questionamentos, o jornalismo apresentado pelo JG deixa claro que as farras promovidas por jovens de classe média alta nas coberturas das Copa Cabanas pelo Brasil afora, regado a cocaína, putaria e muito funk, são de alguma forma, diferentes dos eventos ocorridos nas periferias. O JG critica de forma correta os crimes praticados nos bailes funks, mas paga milhões de Reais para transmitir o Carnaval Brasileiros onde os mesmos jovens tiram a roupa, praticam sexo nas ruas, são explorados sexualmente, usam todo tipo de droga, brigam, portam armas sem serem incomodados pelos “intelectuais da moralidade” da Rede Globo. A única diferença entre o Carnaval e os Bailes funks é que um toca Samba e o outro toca Funk. Os crimes e os abusos praticados e sofridos pela juventude Brasileira são os mesmos.

A impressão que fica ao assistir a esse tipo de jornalismo tendencioso do JG, é que o crime praticado pelo pobre, é feio, e o crime praticado por pessoas financeiramente avantajadas é algo aceitável. Mas, afinal de contas, quem tem dinheiro para comprar cocaína Sr William Waack e Arnaldo Jabor? Certamente não são aqueles jovens da periferia que transportam 500kg de cocaína em helicópteros pelo Brasil a fora sem serem importunados ou questionados por jornalistas como vocês. É mais fácil e menos problemático criticar os funkeiros da periferia que não tem como se defender. A marginalização destes jovens é presa fácil para o jornalismo tendencioso. Eles ja nasceram sem direitos, nunca terão a chance de se desenvolverem e aprender algo melhor, algo diferente. Serão sempre vistos pela sociedade do JG, como pessoas sem valor. Serão sempre, um mal social sem cura, e impulsionados por reportagens tendenciosas como essa, fazem pessoas acreditar que isso nunca tera fim e que o Brasil sempre sera um país sub-desenvolvido. E quanto mais o povo Brasileiro pensar assim, maior as chances destes jornalistas e seus protegidos permanecerem no poder.

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