MULHER ELEITORA

Por: Michaell Lange,

Londres, 06/02/18 –

 

Hoje os Britânicos comemoram o centenário da aprovação parlamentar do chamado Representation of the people Act  – “Ato de representação do Povo” de 1918, que deu direito as mulheres Britânicas acima de 30 anos e proprietárias de imóveis, de votarem e serem votadas. Apenas em 1928 o direito de voto foi concedido a todas as mulheres. Mas não foi uma conquista fácil, sobretudo por conta de um empasse político entre os dois maiores partidos da época, os Conservadores e liberais, que temiam as consequências da aprovação desse direito. Durante décadas, mais de 1300 mulheres ativistas foram presas e processadas pelo governo. Mas, foi a participação decisiva das mulheres na Primeira Guerra Mundial que fez as opiniões mudarem em favor das mulheres.

Junto com as comemorações do centenário do direito das mulheres ao voto, o governo Britânico estuda a proposta do líder do Partido dos Trabalhadores, Jeremy Corbyn, para um pedido oficial de desculpas do governo e pelo perdão e remoção dos nomes das mulheres presas durante a campanha pelo voto feminino, da fixa criminal do país.

No Brasil, a luta pelo direito das mulheres de votar e serem votadas, durou mais de 100 anos. Foi apenas em 1933 que as mulheres do Brasil tiveram seus direitos reconhecidos pelo governo. A Constituição de 1824, não restringia especificamente o voto das mulheres, apenas dava direito de voto para todo cidadão acima de 21 anos. Porém, o conceito de cidadão da época não incluía as mulheres. A Potiguar Celina Guimarães foi a primeira mulher a ter conseguido o direito de votar após cumprir todas as exigências estabelecidas pelo governo. Mas, foram os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Norte os grandes pioneiros do movimento. Outro nome de destaque dessa conquista é a da Mineira Miêtta Santiago, que ao retornar da Europa com apenas 20 anos de idade, descobriu em 1928, que a proibição do voto feminino feria o artigo 70 da Constituição Brasileira de 1891 que ainda estava em vigor. Carlos Drummond de Andrade teria ficado tão impressionado que dedicou o poema Mulher Eleitora a jovem Mineira, que além de votar, votou em si mesma.

É importante frisarmos que o direito da mulher, seja de votar ou trabalhar com ou sem o consentimento do marido, ou quaisquer outros direitos cuja o homem historicamente limitou-se a dar-se a si mesmo, sempre existiu. A luta nunca é portanto, pelo direito em si, mas pelo seu reconhecimento. Ainda hoje as mulheres são submetidas aos mais inaceitáveis abusos cometidos por homens que ainda acreditam serem superiores. Apesar do movimento feminista ter adotado diferentes frentes ao longo dos anos, o objetivo central continua sendo o mesmo, o reconhecimento de igualdade de direitos com relação aos homens.

Mesmo completando 100 anos da conquista do direito de votar das Britânicas, as mulheres do Reino Unido, continuam a ganhar em média 15% a menos que os homens trabalhando na mesma função. A Nova Zelândia foi o primeiro país a legalizar o voto feminino em 1893. Apesar das grandes conquistas, a luta continua!

 

 

IS IT THE BEGINNING OF THE END FOR THE GIG ECONOMY?

By: Michaell Lange,

London, 26/09/17 –

London private hire drivers have won this week two major battles against two of the biggest minicab operators in a campaign to end the so called gig economy. After Uber had lost their operation licence in London, yesterday (25) was Addison Lees turn to lose a court case at a London Employment Tribunal which ruled that Addison Lee wrongly classed their drivers as self-employed. It has been a major blow for the operator and a incredible victory for drivers who have been fighting for years for better working conditions and better payment practices.

The TFL decision to refuse Ubers licence is not in any shape or form a decision against the drivers, quit the opposite. Uber drivers should celebrate this decision as it will force Uber to improve their working conditions, payment rates and terms of contract. The company will have to present Transport For London (TFL), a very good plan to tackle their bad practices in order to have their licence back, which can only means, better service for drivers and passengers. Uber don’t have to give much away in order to comply with the same rules as everyone else. Lose a market as big as London however, will be a huge blow for the business which can also lead for similar actions in other cities around the world. Personally, I don’t want Uber to go. Its undeniable that Uber offers an important service for the public, but the company must stick to the Law of the land, improve its practices and pay their drivers a decent share of the profit. Uber isn’t unique!  In the United States, there are plenty of similar operators such as Lyft.com that would be more than happy to replace Uber in London in case they fail to get their licence back. Nevertheless, I strongly doubt Uber will let London slip away.

It’s never been a more important time for private hire drivers to register to workers unions such as GMB and UPHD and help to keep the pressure on companies and regulators.

Addison Lee drivers have also a lot to celebrate this week. They made it clear they will not back off and let themselves be exploited and mistreated by greedy employers. Addison Lee drivers have fought a long way since the protests in Berkeley Square in central London, and this week the judges have recognised that Addison Lee drivers are workers and not self-employers. It is a major step forward to stop the gig economy from eroding  the bases of our society. There has been too much suffering and discontent among drivers, and for too long they have been totally ignored by operators. The tides are shifting now and professional drivers must not miss this opportunity to make lasting changes towards a safer and fairer industry.

But, none of these victories would be possible without the incredible support from our unions. Without them, it would be almost impossible for the drivers alone to fight multimillion pounds corporations in court. These corporations would most certainly continued to have their ways. But the unions were there to protect and fight for workers rights. We should be very proud and thankful for their support!

Workers must understand the importance of unions in making the justice system and the government to comply with their social responsibilities.

It is also important to understand that we cannot have a Margaret Thatcher style deregulated market, because as we know, it puts public and workers in danger of being exploited by ruthless multinational corporations. But we also cannot allow a Hugo Chaves over-regulated market, because it clearly don’t give business a fair field to operate. We must seek to find a middle ground where business are free to flourish, but the public and workers rights can at the same time, be secure and protected from abuse. London is indeed, open for business! But the message is clear, British workers will not tolerate businesses operating outside the Law. London has taken a leading position to show the world that a gig economy has no place in a fair society. Addison Lee, Uber and other companies must understand the message and accept their social responsibilities. It might not be the end of the gig economy, but it is certainly a step in that direction. London drivers will not back off!

 

 

O EXEMPLO A SER SEGUIDO

By: Michaell Lange,

London, 10/08/17 –

 

Como você classificaria um país onde: O seguro desemprego é vitalício. Todas as crianças do país recebem R$350 Reais por mês até completarem 16 anos e não há discriminação de renda familiar. A educação é totalmente gratuita incluindo a universidade. Adultos pagam no máximo R$50 Reais por receita médica para qualquer medicamento, sendo que o governo subsidia o restante do valor ou até 100% do valor do medicamento. O sistema de saúde é totalmente gratuito e um dos melhores do mundo. A licença maternidade é de 1 ano a 18 meses, podendo ser intercalado entre pai e mãe com até 80% do valor do salário pago. Famílias em dificuldades financeiras recebem ajuda para pagar aluguel ou recebem casas do governo por tempo indeterminado. Demissões são proibidas, com raras exceções. O trabalhador tem direito a uma semana de férias paga a cada três meses. Quem recebe até R$50 mil Reais de salário por ano, não paga o INSS, e o trabalhador só precisa trabalhar por dois anos para ter direito a aposentadoria. Além disso tudo, não existe pena de morte, a venda de armas é proibida, e os indices de violência e criminalidade são os menores do mundo.

Muita gente classificaria esse país como utópico. Eu classifico como Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Holanda, Canada e Noruega. Eu incluiria também nessa lista o próprio projeto da União Européia ou seja, não é utopia, eu chamo isso de Democracia Socialista. A Democracia Socialista é ao meu ver, o verdadeiro Socialismo porque é de fato pro-sociedade ou que trabalha em prol da sociedade. O outro Socialismo, com base no Marxismo, é o que eu chamo de Socialismo falso ou burro, porque trás no rótulo um produto quando na verdade é outro. Se o estado ou o governo na forma de sociedade, controla todas as formas de produção, isso não pode ser chamado de Socialismo ou Comunismo. De fato, se o estado controla todas as formas de produção, então trata-se de um regime totalitarista. Você não compraria 1kg de Picanha sabendo que dentro do saco ao invés de carne houvesse na verdade um 1kg de bananas. Então, por que você compraria Socialismo por Totalitarismo? O totalitarismo não tem lado político, ele pode ser tanto de direita quanto de esquerda, assim como é a ditadura. Hitler era um ditador totalitarista de direita. Stalin era um ditador, totalitarista de esquerda.

A Democracia Socialista não pode ser totalitária nem ditadora porque é democrática. A Democracia Socialista não distribui a produção igualmente, mas fornece as oportunidades para que cada cidadão possa exercer suas atribuições livremente. O cidadão que tem ambição e deseja construir um império, tem caminho livre para realizar seus sonhos, assim como aqueles que não tem condições por razões diversas, não são esquecidos pela sociedade.

A Democracia Socialista é diferente da Democracia Capitalista. Na Democracia Capitalista a sociedade não é importante. O individualismo e o capital são os principais atores do sistema. Se você não tem dinheiro para sobreviver e pagar seus custos como por exemplo um tratamento médico, você esta condenado. Nos EUA, 50 milhões de Americanos não tem acesso a saúde porque não há sistema de saúde pública. Você paga um plano de saúde privado ou não tem acesso a tratamento médico. O premiado documentário SICKO, do produtor Americano Michael Moore, faz uma profunda critica ao sistema de saúde Americano e como as pessoas que não tem condições de pagar, tem um dos direitos mais básicos negado pelo estado. Nas Democracias Socialistas isso não acontece. Todos tem total acesso a saúde indiferente da sua condição social e econômica. Você será atendido e tratado sem custo adicional e sem importar o custo do tratamento. De fato, no Reino Unido, se você não tem condições financeiras, o hospital ira busca-lo em casa e depois o leva de volta. É importante frisar que o dinheiro para pagar tudo isso não cai do céu, ele vem dos impostos que são posteriormente redistribuídos em benefícios sociais para todos os cidadãos. Na Democracia Socialista o estado é forte e participativo. O bem estar do cidadão é prioridade. Na Democracia Capitalista o estado é mínimo. É quase um caso de cada um por si e Deus por todos.

Mas, nem tudo são estrelas nas Democracias Socialistas. As sucessões de governos de esquerda e direita fazem a linha Socialista oscilar hora mais para direita, hora muito para a esquerda. O atual governo conservador Britânico por exemplo, mesmo levando um grande susto nas últimas eleições em Junho quando tinha uma vantagem de 20 pontos percentuais antes das eleições e quase se transformou na maior derrota conservadora da sua história, vem promovendo sucessivos cortes orçamentários no sistema de saúde e benefícios sociais que podem levar ao colapso o chamado welfare state, que é a base da Democracia Socialista. Na Alemanha, Angela Merkel na tentativa de equilibrar o número de trabalhadores que a anos vem diminuindo no país, abriu as portas para imigrantes e refugiados causando convulsões políticas e sociais em seu país. A saída do Reino Unido da União Européia, o chamado Brexit, colocou em cheque a fortaleza do projeto Socialista Europeu.

As maiores criticas ao sistema Democrático Socialista é o grande número de benefícios sociais e o poder do estado em regulamentar a economia. Mas sejamos francos, qual seria a justificativa em pagar altos impostos se não o de recebe-los de volta em benefícios sociais? Qual seria a justificativa da existência de um estado senão o de priorizar as necessidades e a proteção dos seus cidadãos?

É importante que o Brasileiro entenda que os benefícios sociais não são gratuitos, eles são o retorno dos impostos que pagamos. E não é nenhum pecado capital querer receber seus impostos de volta, nem que seja para pagar o tratamento médico de pessoas que você nem conhece. O modelo econômico social promovido pelos países da Europa tem um histórico de sucesso que deve ser seguido pelos Brasileiros. Os EUA não é nem de longe um exemplo de sucesso. Com uma dívida de $20 trilhões de Dólares e 50 milhões de cidadãos sem acesso a saúde, os Americanos passam longe da boa vida levada pelos Europeus, sobretudo Alemães e Escandinavos.

A Democracia Socialista não é uma utopia, ela existe e é apreciada por milhares de Brasileiros que vivem na Europa. Quando a questão é qualidade de vida e uma sociedade de sucesso, a Europa é o exemplo a ser seguido…

 

 

A ELITE DO BRASIL É BURRA!

By: Michaell Lange,
London, 24/07/17 –
No Brasil, quando o pobre começou a andar de avião e ir de férias para Miami, a elite ficou com ciúme, fazia cara de nojo. Teve até um apresentador esbravejando na TV dizendo que “agora até miserável tem carro”. Foram 10 anos de crescimento econômico com direito a capa de revistas internacionais, miserável comprando carro novo e casa nova. Por 10 anos, milhões de “miseráveis” passaram a ter o que jamais haviam tido. Mas, aos olhos da elite Brasileira, os miseráveis já estavam passando dos limites.
A elite Brasileira é diferente das elites de países desenvolvidos. Sim, o comportamento é parecido, o senso de superioridade é semelhante, mas há uma diferença vital, a elite Brasileira é burra. Burra porque a elite é composta por proprietários de grandes empresas que dependem de uma economia forte para continuar sendo elite. Economia forte depende do consumo e por tanto, é fundamental uma economia onde o cidadão tenha poder de compra, poder de consumo. No Reino Unido, nos EUA, na Austrália, Alemanha e outros países desenvolvidos, o cidadão que trabalha como garçon, servente de pedreiro, entregador de pizza e outros trabalhos considerados não qualificados, ganham bem e por isso, podem comprar roupa boa e pagar a vista, podem viajar de férias para o exterior mais de uma vez por ano, podem comprar utensílios domésticos a vista. Isso tudo porque a elite entende que para existir a classe alta, os ricos e milionários, é importante que o trabalhador tenha dinheiro para gastar e fazer a economia rodar. No Brasil a elite faz o inverso.
Nos países desenvolvidos, os governos trabalham como um termômetro, ou mediador entre a elite e os trabalhadores, para garantir a manutenção da economia, freiar os abusos das elites (em partes), e garantir o poder de compra do consumidor. No Brasil o governo faz o inverso. Sempre que sobra um pouquinho no bolso do consumidor, o governo sobe algum imposto. Dessa forma o povo não compra, a economia não gira, e a elite permanece com o seu dinheirinho, mas pobre, burra e ignorante.
A elite Brasileira não gosta de dividir poltrona de avião com pobre, e sente ciúme quando pobre consegue viajar ou comprar bens de consumo. A Elite Brasileira tem dinheiro mas é extremamente pobre. No Brasil, a elite precisa pisar no povão para se sentir bem. O personagem Caco Antibes do programa de humor Sai De Baixo, resumia bem esse problema. Caco Antibes tinha “horror a pobre”.
A elite Brasileira financia campanhas para convencer o povo a eleger políticos corruptos para garantir que o pobre continue pobre, sem direitos, e sem dinheiro para fazer coisas que para eles, somente a elite tem o direito de fazer. Afinal de contas, onde ja se viu, garçon, pedreiro, caminhoneiro, motoboy e diaristas andando de avião? Fazendo faculdade e com direitos trabalhistas? Um absurdo, diria Caco Antibes. Caco Antibes não é um personagem cômico, ele é a personificação da elite Brasileira!
É claro que quando me refiro a elite, me refiro de forma generalizada. É claro que há pessoas muito bem intencionadas e bem educadas que fazem parte desse grupo no qual classificamos de elite. Também é importante entendermos que as elites são vistas de forma geral, tanto nas relações sociais como nos estudos das teorias acadêmicas, como um grupo opressor. De fato, há evidências históricas que demonstram uma ambição constante dos mais ricos, em controlar a vida dos mais pobres. Porém, nem tudo que esta relacionado a elite é necessariamente negativo e desprezível. Vale lembrar que há muito trabalhador oprimindo trabalhador, prejudicando o colega e fazendo campanha para limitar direitos trabalhistas da sua própria classe. Particularmente, prefiro usar essa divisão social entre elite e trabalhadores com certa cautela, ja que o problema entre estas duas classes não é tão simples quanto parece. Mas cabe aqui dizer que no Brasil, a elite, que é quem mais se beneficia de uma economia forte e estável, parece trabalhar contra o país pelo simples prazer de não precisar dividir o portão de embarque do aeroporto com aquela gentalha que Caco Antibes tanto odeia.
Enquanto as elites dos países desenvolvidos não se importam que pedreiros, jardineiros, atendentes, garçons, motoristas de ônibus e caminhão, frequentem teatros e viajem de avião (ja que são as elites as proprietárias dos teatros e empresas aéreas), no Brasil, pelo “horror a pobre”,  a elite Brasileira prefere ver os teatros vazios e empresas aéreas quebrando, e a economia estagnada, ao ver a classe trabalhadora usufruindo daquilo que a elite Brasileira acredita pertencer apenas a quem merece ou seja, a própria elite…

O SUS BRASILEIRO E O SUS BRITÂNICO

By: Michaell Lange.

London,16/07/17 –

 

Na ultima Sexta Feira (14), comemoramos a chegada do nosso segundo filho, Líam. Escolhemos o Chelsea and Westminster Hospital no Sudoeste de Londres, o mesmo hospital onde nosso primeiro filho, Thomas, nasceu. Nossa segunda gravides nos colocou novamente em estreito contato com o NHS – National Health Service – o SUS Britânico.  Mesmo sob seguidos cortes orçamentários promovido pelo governo desde a crise de 2008, o NHS ainda consegue promover um serviço de excelência e totalmente gratuito. É importante porém, que fique claro que o termo “totalmente gratuito” significa apenas que o contribuinte não precisa pagar duas vezes pelo serviço como acontece no Brasil e nos EUA. No Reino Unido os impostos são reinvestidos em benefícios sociais. Afinal, qual seria a justificativa de se pagar impostos se não a de beneficiar a sociedade?

É difício para mim entender o termo “governo paternalista”. Esse termo é muito usado no Brasil para criticar os benefícios sociais raramente promovidos pelo governo, como se receber nossos impostos de volta fosse um crime ou uma espécie de pecado capital. O governo de um país não precisa ser paternalista, ele tem a obrigação de ser paternalista! O governo Escocês por exemplo, usa os impostos para financiar 100% da educação dos escoceses até a sua formação profissional universitária. Na Escócia, ninguém paga por medicamentos! Uma vez receitado pelo médico, é só passar na farmácia e retirar sua medicação sem qualquer cobrança. Por que isso deveria ser criticado de paternalismo? A democracia Socialista tem sido desde de 1945, o melhor sistema econômico e social ja implantado no mundo, porque beneficia a sociedade dando ao mesmo tempo, liberdade para o desenvolvimento econômico. A Alemanha, a Escandinávia e o próprio projeto da União Européia são os maiores exemplos do sucesso do sistema democrático socialista. Estes mesmos países detém hoje os maiores superávits do mundo. São os investimentos promovidos com a arrecadação dos impostos que dão suporte ao desenvolvimento econômico. A formação de bons profissionais e uma população saudável e bem formada são fatores essenciais ao desenvolvimento econômico.

A segunda gravidez da minha esposa teve complicações e riscos. Foi preciso inúmeras visitas ao hospital, incontáveis reuniões com os médicos para discutir os riscos, além de uma bateria de exames incluindo Ressonância Magnética e alguns dias de internação. A decisão final foi tomada em conjunto com uma equipe médica de 10 profissionais que decidiram a forma mais segura para o parto. Faríamos uma cesária na trigésima sétima semana de gestação com um time completo de médicos dentro da sala de operação com equipamentos em mãos para o pior dos casos. Nunca e em nenhum momento se falou em dinheiro ou plano de saúde privado. A prioridade foi, desde o início do processo, a vida da minha esposa e a do bebe. E afinal de contas, por que num momento tão delicado de nossas vidas deveríamos nos preocupar com dinheiro? Afinal, para que serve nossos impostos? Na última reunião com o médico chefe da equipe, ao perceber nosso medo diante dos riscos, foi taxativo. Olhando direto para minha esposa, disse: “fique tranquila, não deixaremos que nada de errado aconteça com você!”. Foi como tirar um caminhão das costas.

A cada experiência eu imaginava como seria no Brasil. A distancia do hospital, a precariedade dos equipamentos, a falta de médicos, a demora para fazer exames. Preocupações que nunca tivemos aqui. Em um raio de dez quilômetros temos cinco grandes hospitais incluindo o maior centro de atendimento de emergências do mundo com quatrocentos profissionais e a menos de dois quilômetros de distância da nossa casa. É claro que muita gente prefere dizer que não há comparações entre o SUS Brasileiro e o SUS Britânico (NHS), mas na verdade os fundamentos são muito semelhantes. De fato, o SUS Brasileiro teve como inspiração (especula-se), o SUS Britânico. O que realmente difere os dois SUSs são as prioridades, e a competência de gestão. Não cabe ao meu ver, a desculpa que os recursos Brasileiros são limitados. Essa é uma grande mentira promovida a décadas pelo governo Brasileiro e que pouco incomoda a classe média alta porque esta, tem condições de pagar o plano privado. Não faltam recursos no Brasil pra investimento em todas as areas sociais. Falta sim, seriedade, comprometimento, competência e punição severa para políticos corruptos. O governo Brasileiro esta sob o controle do crime organizado. São traficantes de droga, estelionatários e corruptos que desviam os recursos que deveriam ser usados em benefício social da população Brasileira e acabam em contas bancárias mundo a fora. Esse crime organizado controla tudo no país, desde a policia, o sistema judiciário e todos os repasses de verbas públicas. O rombo causado por esse crime esta estampado em todos os lugares e no próprio rosto dos Brasileiros, cansados de apanhar. O povo Brasileiro, pobre, judiado, explorado e achincalhado, ainda é convencido de que benefícios sociais como os direitos trabalhistas, são os culpados pelos baixos salários e fraco desempenho da economia. Ora senhores, fiquem sabendo que no Reino Unido a demissão de funcionário é ilegal! Uma vez contratado, existem situações limitadas nas quais a Lei permite a demissão. Mesmo um funcionário pego roubando precisa ser alertado e posto em suspensão antes de ser demitido. No Brasil o patrão literalmente caga (perdoe-me o palavrão) na cabeça do funcionário com total convicção da impunidade. No Reino Unido, país tido como Neoliberal (mentira, é um sistema parlamentar social democrata), o funcionário tem direitos e não pode ser humilhado, achincalhado ou demitido por mera vontade do patrão.

O Brasil tem condições de sobra para ter um sistema de Saúde pública melhor que o sistema de Saúde pública Britânico. Falta para o Brasileiro entender que o governo hoje, esta nas mãos dos piores bandidos do país, e são exatamente estes bandidos e não os trabalhadores, os grandes responsáveis pelo sofrimento e miséria do povo Brasileiro. O governo Brasileiro precisa cair por inteiro e ser reconstituído por um novo sistema político que anule o gargalo do repasse de verbas e o totalitarismo de Brasilia. E isso só irá acontecer no dia em que o povo for a luta e arrancar estes bandidos do poder a força se for preciso. Enquanto Brasilia continuar existindo, a saúde do povo Brasileiro continuará em segundo plano…

 

 

KEEP CALM AND CARRY ON MANCHESTER*

By: Michaell Lange,

London, 23/05/17 –

Mais uma vez o Reino Unido e o Ocidente, foram atacados por terroristas. Desta vez o alvo foi o show da cantora pop Ariana Grande na Arena Manchester que reuniu milhares de jovens, crianças e famílias. Um evento musical que simbolizava a liberdade, foi covardemente atacado por extremistas religiosos que usaram da oportunidade para massacrar vidas inocentes. Enquanto nossos políticos bombardeiam e massacram crianças e famílias inteiras no Oriente Médio, os extremistas destroem nossas crianças e nossas famílias por aqui. Duas formas de violência interligadas e totalmente injustificadas que merecem todo nosso desprezo.

As crianças são sempre as principais vitimas dessa barbarie, crianças inocentes incapazes de entender absurdos que os próprio adultos tem dificuldades de compreender. Este ataque chama atenção em particular por ter jovens e crianças como alvo principal. Mas, frente a tragédia, foram as atitudes de uma sociedade que abracei e me tornei parte integral, que me fizeram sorrir em meio a tanto sofrimento. Logo após a explosão da bomba que ocorreu no lado de fora da Arena Manchester após o termino do show, 22 pessoas incluindo crianças, haviam perdido suas vidas. Outras 59 pessoas ficaram feridas. Quase que imediatamente, a solidariedade e a gentileza, duas fortalezas da sociedade civil Britânica, entraram em ação. Hotéis da região colocaram suas estruturas a disposição de todas as vitimas e envolvidos no socorro. Ao invés de hospedes, funcionários passaram a atender pessoas feridas, confusas e dezenas de crianças que na confusão, se perderam dos pais. Água, comida, telefone e quartos, foram usados para pessoas tomarem banho e passarem a noite. Um lojista local distribuiu cartões telefônicos e recargas para celulares para pessoas que tentavam se comunicar com seus amigos e familiares. Um mendigo que dormia próximo ao evento e foi acordado pela bomba, correu para o local e iniciou o socorro das vitimas antes mesmo das equipes de resgate chegarem ao local. Taxistas de Manchester improvisaram nas janelas dos carros a frase “Free Taxi”, e trabalharam noite a dentro levando as pessoas para casa. Taxistas de Liverpool, cidade que fica acerca de 1 hora de Manchester, se dirigiram para o local e ofereceram-se para levar as pessoas de Liverpool que haviam viajado para Manchester para assistir ao show, de volta para casa. Médicos e enfermeiros que estavam de folga, se apresentaram voluntariamente aos hospitais da cidade, e pessoas fizeram filas no lado de fora dos hospitais para doarem sangue. Nada disso foi combinado, e muito menos convocado. As pessoas simplesmente reconheceram suas responsabilidades com a sociedade em que vivem e agiram de acordo com as responsabilidades e os princípios de uma sociedade civil. Todos tem suas responsabilidades do dia-a-dia, mas quando algo assim acontece, o dia-a-dia fica em segundo plano. A prioridade passa a ser reestabelecer a Paz e a ordem da sociedade ou seja, das pessoas que vivem a nossa volta. Essa é uma herança da guerra que os Britânicos souberam cultivar e valorizar. O mundo poderia reproduzi-las sem moderação!

É assim que funciona o que eu chamo de sociedade civil. Os Britânicos são, de modo geral, individualistas. Mas, quando uma tragédia acontece, as pessoas deixam suas diferenças sociais, econômicas e políticas de lado para formar uma grande família.  “Togetherness”, ou congregação, ou apenas união entre as pessoas, foi o que eu assisti durante toda a noite passada e todo o dia de hoje. Uma onda de solidariedade que se fosse multiplicada, não permitiria que nenhuma guerra jamais fosse iniciada. Aqui, o governo seguiu o povo. As campanhas eleitorais para as eleições gerais de 8 de Junho foram suspensas por tempo indeterminado, e os líderes dos partidos políticos uniram-se para condenar o ataque e expressar sua solidariedade com as vitimas desta ação deplorável.

É por isso que mesmo querendo voltar, vou ficando. É por isso que gostaria de ver o Brasil seguindo exemplos assim, para que politicos jamais tivessem o poder, e nem mesmo a audácia de tentar dividir o povo Brasileiro para beneficio próprio. Sejamos todos Britânicos, nem que seja por um único dia. Nenhuma forma de terrorismo, seja de extremista religiosos, ou de políticos Brasileiros, tem a menor chance de prevalecer ou existir, sob uma sociedade civil e gentil. Keep Calm and Carry on Manchester!

* Keep calm and carry on! ou, Mantenha a calma e siga em frente! foi uma frase usada para estampar um poster promovido pelo governo Britânico em 1939 em preparação para a segunda guerra mundial. O objetivo era elevar o moral da população durante os ataques Nazistas às principais cidades do país.