BRASIL EM ROTA PARA O CAOS TOTAL

By: Michaell Lange,

London, 07/02/17 –

Nota do autor – Quanto menos você acreditar na possibilidade descrita abaixo, maiores são as chances do impossível acontecer. A culpa do caos não é da policia, mas dos governantes Brasileiros que jogaram o país aos tubarões. Mas será também, culpa do povo Brasileiro se permanecermos parados assistindo o caos tomar conta do país inteiro. 

A situação no Brasil é extremamente delicada, mas ainda não é totalmente caótica. A situação na Síria é totalmente caótica. No Brasil, o estado ainda é soberano. mas, a questão é; Até quando? A ausência do poder do estado no Espirito Santo é um indício grave da falência do estado e uma evidência clara de que o Brasil segue na direção do caos total.

A policia (bem ou mal), é a agência governamental que tem como responsabilidade garantir a Lei e a ordem no país. Quando o policiamento cessa, o estado se ausenta e a Constituição Federal é suspensa. O país vira terra de ninguém. Facções criminosas passam a atuar livremente sem qualquer forma de intervenção. A população assustada, cria grupos armados para proteger bairros e residências contra as ações de criminosos que agora, controlam as ruas. O confronto entre criminosos e “vigilantes” é quase inevitável. A desconfiança e a falta de informação intensificam o estado de tensão. A guerra civil não declarada passa a ser uma realidade e contamina estado por estado numa reação em cadeia inevitável seguindo a falência das instituições governamentais que deixam de existir uma após a outra. A situação é rejeitada a todo custo por um governo federal ja enfraquecido e fragmentado. O exército é acionado como o último recurso para manter a ordem, mas sua capacidade e recursos são limitados e insuficientes para manter a ordem em todo o território nacional. Noticias de que facções criminosas dominam importantes cidades do país, geram pânico e confusão em outros estados. Uma fuga em massa para países vizinhos gera tensão nas fronteiras. Outros milhares, de civis, ex-policiais e soldados, se armam e tentam organizar uma resistência contra o avanço  de grupos criminosos que ja controlam equipamentos e armamentos pesados de uso exclusivo das Forças Armadas. A medida em que o número de mortos cresce rapidamente, as noticias começam a chamar a atenção da mídia mundial. Países Europeus e Norte Americanos interrompem vôos para o Brasil enquanto uma comissão do Mercosul estuda formas de intervenção junto a ONU. O número de refugiados Brasileiros vivendo em campos improvisados no Uruguai, Argentina e Chile ja passam dos 10 milhões ao mesmo tempo que a ONU declara situação de catástrofe humanitária em quase toda a America do Sul. EUA e Europa se recusam a receber refugiados Brasileiros e milhares de mulheres e crianças são abandonadas a própria sorte.

Noticias de que grupos armados tomaram Brasilia, se espalham rapidamente nas redes sociais causando pânico generalizado. O total colapso do governo federal se torna inevitável. Presidente, Deputados, Ministros e Senadores que não foram assassinados pelos mais de 300 mil presos foragidos em todo país, se refugiam em Cuba, Venezuela, Miami e Reino Unido. Não se sabe mais ao certo quem são os criminosos e quem são os grupos de vigilantes organizados por ex-policiais e soldados. A falta de mantimentos e água potável nas grandes cidades levam milhões de mulheres e crianças a passarem fome escondidos em prédios abandonados. Fotos de crianças mortas chocam o mundo e milhões vão as ruas dos EUA e Europa pedindo providências da comunidade internacional e o fim da guerra civil no Brasil. ONGs internacionais declaram calamidade nos hospitais do país por falta de tratamentos. Milhares de médicos fogem para os EUA e Austrália e os poucos que permanecem estão sobrecarregados e trabalhando voluntariamente auxiliados por soldados dos grupamentos do corpo de bombeiros e ONGs internacionais.

Em reunião fechada na sede das Nações Unidas em Nova York, uma resolução que autoriza uma força de Paz composta por França, Reino Unido e EUA a entrar no Brasil, é aprovada com unanimidade. A Russia absteve seu voto. Aviões de guerra Americanos decolam de várias bases aéreas na Colombia para bombardear regiões comandadas por facções criminosas no Brasil incluindo a Capital Brasilia, mas a prioridade é na verdade, proteger e reestabelecer a manutenção e o fluxo das reservas minerais do país.

Após fortes bombardeios no centro do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasilia, centenas de mortes de civis são registrados pela Cruz Vermelha Internacional. Incêndios de grandes proporções e fora de controle destroem os centros das principais capitais estaduais do país. NASA publica fotos da Estação Espacial mostrando enormes colunas de fumaça que tomam os céus do país a vários dias.

Grupos paramilitares dos três estados do Sul declaram independência e fecham a fronteira Norte entre o Paraná e São paulo, mas não escapam dos bombardeios aéreos que destroem o centro das principais cidades juntamente com os aeroportos de Curitiba e Porto Alegre e os portos de Rio Grande e Itajai. Milhares de civis são mortos.

No Nordeste, ONU registra massacres de civis e descobre dezenas de covas coletivas com centenas de corpos incluindo mulheres e crianças. ONU não descarta Genocídio. No Rio de Janeiro, aviões de guerra Franceses, Britânicos e Americanos promovem o maior ataque aéreo desde a queda do governo federal depois que um video foi publicado na Internet onde um bando de criminosos celebravam o assassinato de dois pilotos Americanos que tiveram suas cabeças arrancadas na praia de Copacabana.

Após 3 anos de guerra civil, a infra-estrutura do país esta em frangalhos. Milhões de Brasileiros refugiados continuam a viver em acampamentos administrados pela ONU, e o número de mortos ultrapassam 1 milhão. A coalisão da ONU liderada pelos EUA decide reestabelecer o governo Brasileiro na cidade de Santos no litoral do estado de São paulo, ja que as cidades de Brasilia, Rio e São Paulo foram totalmente devastadas pelos bombardeios Norte Americanos. As reservas de minérios do Brasil passam a ser administradas por empresas Americanas e Européias entre elas a Shell, BP e Chevron e Texaco. Bolsonaro é escolhido pelos Estados Unidos para ser o novo presidente do Brasil e é imediatamente apoiado pelo grupo paramilitar evangélico conhecido como o Exercito de Deus. Milhões celebram nas ruas em todo o Brasil. Mas, a posse de Bolsonaro, é ofuscada por grupos paramilitares de esquerda que não apoiam o regime do novo presidente e se recusam reconhecer Bolsonaro prometendo derruba-lo a força se necessário for.

Após 5 anos, a guerra civil toma nova forma. Agora, as forças nacionais de Bolsonaro lutam contra grupos para-militares em várias frentes nacionais, principalmente no Nordeste do país. A mídia mundial fala em rebeldes contra as forças de Bolsonaro. O novo presidente classifica os grupos rebeldes de terroristas, e em pronunciamento a toda nação promete caçar e destruir todos eles. Os três estados do Sul prometem apoio a Bolsonaro em troca de sua independência e o presidente aceita com relutância.

A guerra civil se extende por mais 10 anos quando finalmente todos os lados entram em acordo de paz. Em 2 de Outubro de 2035 o Brasil elege democraticamente Francisco Lula da Silva e seu vice João de Magalhães Bolsonaro numa disputa acirrada no segundo turno contra Marcos Neves e Maria Bornhausen. Eduardo Cunha Junior é eleito o novo presidente da Camara dos Deputados e Guto Calheiros Sarney é o novo presidente do Senado. No Sul do Brasil, após referendum, Santa Catarina e Paraná voltam a fazer parte do Brasil, mas Rio Grande do Sul vota pelo NÂO e funda a nova República Democrática Tchê Barbaridade É Bem Capaz. Milhões celebram a volta da democracia em todo o Brasil. Em Santa Catarina, o novo governador Jorge Amin da Silveira Junior anuncia a nova fase da reforma da ponte Hercílio Luz. Um dia depois da posse do novo presidente, o autor deste Artigo visivelmente abatido, se suicida com um tiro na cabeça em sua residência no Sudoeste de Londres.

O DESAFIO DA ESQUERDA BRASILEIRA (opinião)

By: Michaell Lange.

London, 07/10/16 –

A esquerda Brasileira tem um desafio monumental pela frente para restabelecer a confiança do eleitor. Será preciso um exercício extraordinário para combater a corrupção em um partido que tem como uma de suas principais obrigações, o combate a corrupção. Resta saber se há disposição e seriedade no partido para enfrentar seus fantasmas e promover a reforma que é agora, mais urgente do que nunca. 

A esquerda Brasileira precisa deixar de lado a política burra. Atacar a direita como forma de estratégia para ganhar eleitores é um tiro no próprio pé. Seria preciso o apoio da mídia pra que essa estratégia desse certo, mas isso a esquerda nunca terá. A esquerda fechou um ciclo com Lula. Ele promoveu estratégias inteligentes e moderadas. Mas foi seduzido pelo encanto do sistema corrompido pelo qual tirou proveito ao invés de destruí-lo por completo. Lula fez um meio serviço a nação. Tirou milhões da extrema pobreza, uma conquista histórica e mundialmente reconhecida. Mas, não havia mais nada para o povo pobre se desenvolver. É fato que os escândalos de corrupção foram a gota d’agua para o PT, e essa negligência partiu ja do primeiro governo Lula, que preferiu o conforto do sistema corrompido, do que implantar um plano de reformas a longo prazo que desse atenção a esse grave problema Brasileiro. Mas cabe aqui uma reflexão. A direita participou ativamente desse sistema corrupto que dita o jogo político, desde a independência do Brasil. Mas sempre saiu ileso das acusações por causa dos amigos da mídia. Foi assim nos oito anos de FHC, e foi assim agora com Aécio e Alkmin liderando o avanço do PSDB em quase todo o país. Ter a grande mídia a seu favor é uma vantagem desleal. Isso é inegável. Mas também é fato que isso não irá mudar. Os interesses defendidos pela direita, beneficiam a mídia. Ja os interesses da esquerda não.

A corrupção não é um problema que se limita a esquerda Brasileira. Mas é muito mais grave e inaceitável quando a corrupção tem origem na esquerda. É como o policial bandido. Você espera que um bandido cometa crimes, mas não espera isso de um policial. É compreensível ver a direita envolvida em corrupção. Os valores da direita estão ligados ao capitalismo, e o capitalismo é essencialmente corrupto. Os valores da esquerda estão ligados a tudo que é humano, social e justo. Por tanto, a corrupção originária da esquerda é muito mais chocante e repugnante, porque trai uma de suas maiores responsabilidades. A corrupção é certamente o maior problema que a esquerda enfrenta no momento. Sua credibilidade esta diretamente relacionada a sua capacidade de promover e combater as injustiças sociais. Promover a corrupção é inaceitável! Escândalos de corrupção nos partidos de esquerda, joga na lata do lixo a justificativa da sua própria existência. Para o PT e seus aliados de esquerda sobreviverem, isso tem que acabar.

A corrupção no PT é igual a do PSDB. O grande agravante é que o PT é justamente o partido com a responsabilidade de acabar com a corrupção no governo. Não é papel da esquerda se beneficiar de um sistema corrupto só porque ele ja existia antes da sua chegada. É papel da esquerda combater a corrupção e não se beneficiar dela. Apontar o dedo para os escândalos e os crimes praticados quase abertamente pela direita, não esconde os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro praticados pela esquerda, e em especial o próprio PT. Limpar o sistema corrompido que dita as regras no Brasil, é de responsabilidade do PT. Mas, como limpar um sistema corrupto se o próprio partido se beneficia dele? O PT e a esquerda terão que fazer uma autocrítica, e fornecer uma proposta completa e detalhada que restaure a moral do partido e restabeleça a confiança dos seus eleitores. De uma forma ou de outra, o desafio e o sacrifício sera uma escalada ao monte Everest, a montanha mais alta do mundo. Somente a conquista do topo dessa montanha trará de volta a confiança do eleitor PTista.

As relações entre o alto escalão dos partidos, junto aos movimentos sociais de base, precisam melhorar muito. É de extrema urgência que os partidos de esquerda participem mais ativamente dos movimentos populares de forma a garantir que os valores e os ideais promovidos pela esquerda, sejam garantidos e promovidos com maior inteligência e eficiência. Participar de protestos apenas quando é preciso, é muito pouco. Essa relação precisa ser em regime de cooperação e em tempo integral. É fundamental que os valores defendidos pela esquerda sejam restaurados e claramente definidos. Não haverá sucesso nas próximas eleições sem que os partidos de esquerda, sobretudo o PT, tenham plena consciência dessa necessidade. A reforma deve envolver todos os níveis da esquerda. No Reino Unido, esse processo ja vem ocorrendo a mais de uma década. Desde o chamado “new labour” ou “o novo partido dos trabalhadores”, promovido por Tony Blair e Gordon Brown no inicio dos anos 90, o partido dos trabalhadores Britânico, tem retornado as suas origens sem o radicalismo ideológico dos anos 70. Corrupção não é um problema endêmico como no caso do PT, mas um problema de alguns poucos indivíduos. O Partido tem se concentrado especificamente na manutenção do sistema de educação, direitos trabalhistas e no NHS, o sistema de saúde pública Britânico, considerado um dos melhores do mundo. Por muitos anos o Labour Party (Partido dos trabalhadores) enfrentou sérios problemas com um grupo de radicais marxistas que por anos controlou os sindicatos e promoveu verdadeiras batalhas nas ruas do Reino Unido. Hoje, apesar da desastrosa campanha no Iraque, liderada por Tony Blair, o Partido dos Trabalhadores Britânicos aprendeu as lições do passado e é hoje, um partido moderado e sem ultra radicais. Mesmo seu atual líder Jeremy Corbyn, que é acusado de radical o tempo todo pelos conservadores e pela mídia, não se compara aos anos que precederam o governo conservador de Margaret Thatcher. O partido tem hoje, um sistema democrático para escolher seus líderes através do voto direto, onde cada membro ou associado ao partido, tem direito a voto. No partido dos conservadores, são seus membros do parlamento que decide internamente, quem será o próximo líder. Os valores defendidos pelo partido, continuam sendo os mesmos valores Socialistas, sendo que os direitos trabalhistas são um dos seus principais programas de governo.

Os partidos de esquerda do Brasil poderiam olhar um pouco mais para fora do seu ciclo de comunicação e aprender a fazer reformas como o Partido dos Trabalhadores do Reino Unido fez. O PT, principal partido de esquerda no Brasil, precisa resolver de uma vez por todas o radicalismo na base do partido que causa distúrbios e garante munição para a direita usar contra o próprio PT. O Movimento dos sem terra (MST) e alguns sindicatos, se comportam de maneira inaceitável e totalmente incompatível com os valores que a esquerda deveria defender. Ignora-los não ajuda a causa. É preciso assumir o compromisso de reformar estas instituições ou desligar-se delas completamente. A violência não pode ser uma ferramenta de controle usada por instituições como o MST, para promover suas políticas sociais. Não é possível criticar a brutalidade e a força excessiva da Policia Militar e silenciar-se diante dos abusos promovidos pelo MST e outros radicais de esquerda. O radicalismo de ambas as partes deve ser criticado e combatido por ambas as partes. Criticar apenas o radicalismo da direita, expõe o próprio radicalismo da esquerda. Ambos, são inaceitáveis. O próprio Lula tem se comportado cada vez mais como o Lula dos anos 80. Vale lembrar que aquele Lula radical que pregava o calote da divida Brasileira, nunca venceu eleição. Porém, o Lula de 2000 em diante se tornou um ícone internacional. É importante que Lula não perca o controle emocional diante da atual situação, e mantenha sua mente livre de qualquer revanchismo. Reformar a esquerda é mais importante que qualquer picuinha pessoal. Um pronunciamento errado do ex-Presidente tem o poder de lançar o Brasil numa guerra civil onde no final, haverão apenas perdedores.

As eleições municipais da ultima semana foram um divisor de águas para a esquerda. Indiferente da credibilidade e legitimidade com que a direita tem se comportado, isso não muda a realidade atual. O PT tinha mais de 600 prefeituras em todo o Brasil antes das eleições e hoje tem apenas 200. Haddad fez um governo progressista em São Paulo e perdeu no primeiro turno para um candidato que nunca havia vencido uma eleição antes. Indiferente da legalidade do impeachment, a realidade é que Dilma Rousseff não é mais presidente do Brasil. A mensagem é mais do que clara. Ou a esquerda resolve seus problemas internos, ou 2018 escorrerá por entre seus dedos e cairá de graça nas mãos do PSDB de Alkmin. É fundamental que o PT tenha consciência dos desafios a sua frente, e não deixe que ressentimentos e provocações tirem o foco do partido da necessária reforma que precisa ser feita agora. Será necessário muita inteligência, liderança e auto-critica para que o PT possa recuperar o prestigio que exercitou durante mais de 10 anos. O problema é que talento e seriedade são virtudes escassas no PT no momento. Cabe a seus principais líderes, a responsabilidade de navegar o PT e a esquerda Brasileira, na direção de um porto seguro, de preferência um porto que não seja necessário o pagamento de propina para atracar seu barco com segurança. A limpeza precisa começar agora!

BRASILEIRANDO O BRASIL BRASILEIRO

By: Michaell Lange,

London, 14/09/16 –

A tempestade tropical que abala a política nacional Brasileira continua causando estragos nas fortificações centenárias em Brasilia. Castelos inabaláveis que antes guardavam com segurança todas as falcatruas dos intocáveis coronéis, hoje ja não suportam a fúria dos ventos. Grandes pilares da política nacional sucumbiram diante da tempestade. Mas, como toda tempestade, logo esta também passará. E mesmo com todos os estragos estruturais, os políticos, donos destas perniciosas fortificações, são seres ágeis como as formigas para reconstruir o formigueiro danificado, e astutos como as lagartixas que sacrificam o próprio rabo para se salvar e continuar sua vida perversa.

O Brasil ja viu muitas destas tempestades irem e virem. Mudam os atores, mas a história é quase sempre a mesma. Faz parte da história Brasileira desde o primeiro 7 de Setembro. A morte suspeita de presidentes, o suicídio suspeito, golpes de estado, impeachments. Todos estes estragos estruturais estão no histórico tempestuoso do Brasil, e quase todos eles tem sua origem no mesmo motivo. Infelizmente, o principal ponto em comum entre os inúmeros vendavais que varrem a política nacional de tempos em tempos, é a incapacidade do país se reconstruir diferente. Quando parte da fortificação que esconde o crime abominável é derrubado e revela toda podridão fétida que existe do lado de dentro, a prioridade não parece ser a remoção daquilo que fede, mas sim a rápida reconstrução do que foi parcialmente demolido para que o podre não seja mais visto, e o cheiro não chame mais a atenção daqueles que vivem do lado de fora.  De fato, essa estratégia tem provado ser eficiente ao longo dos anos. No entanto, é exatamente o sucesso em conseguir esconder a podridão que habita as fortificações da política nacional, que condenam o país a uma perpétua busca por desenvolvimento. Mas o povo gosta do show. O povo gosta de ver a casa pegar fogo e ja esta acostumado ao mau cheiro.

No teatro mais famoso do Brasil, o Teatro Da Vergonha, localizado em Brasilia e mais comumente conhecido como Congresso Nacional, o povo tem assistido quase incrédulo, a apresentação de alguns dos maiores shows de estupidez e desrespeito com o povo Brasileiro, jamais visto antes. É quase uma exclusividade Brasileira poder assistir ao vivo e em rede nacional, várias facções criminosas se entrelaçando como num cesto repleto de cobras venenosas. Tentam fechar seus acordos em conversas ao pé do ouvido, cochichos e sinais codificados sem a menor preocupação de que estão sendo observados por uma nação confusa e refém de suas ações criminosas. Querem salvar seus prostíbulos das garras de uma justiça infiel e estupradora que prefere o bacanal ofertado por mãos apodrecidas pela imoralidade, do que salvar aqueles pelos quais sua criação foi justificada. A traição no teatro da vergonha é como um romance cujo o personagem principal é a corrupção. Seus amantes, que se dizem homens de Deus, são exatamente o contrário de tudo aquilo que Deus promove. Pregam a miséria humana, a falsidade, o obscuro, a mentira, a traição e a destruição. Se alimentam do sangue daqueles que os seguem, e não ha falta de sangue para alimenta-los. Como zumbis, dominados pela ignorância, pelo medo e pela miséria, seguem os passos dos seus senhores e brigam para defende-los. Zumbis contra zumbis em defesa dos responsáveis por suas vidas de zumbis. Promovem o bonito contra o feio, o inteligente contra o burro, o rico contra o pobre, a esquerda contra a direita, o Norte contra o Sul, o Azul contra o vermelho, o preto contra o branco. Não percebem que são todos vitimas dos mesmos coronéis que promovem as divisões para que a luta nunca termine, e não haja tempo para reflexões que possam levar ao esclarecimento e consequentemente a revelação da verdade. É como aquele passarinho que foi engaiolado ainda filhote e passa a vida toda adorando seu dono que garante sua sobrevivência trazendo-lhe água e comida, sem perceber que seu dono é o responsável por ele viver aprisionado em uma gaiola ao invés de livre na Natureza.

O teatro da vergonha apresenta novos shows. A peça “Tchau Querida” foi um sucesso. Foi a melhor interpretação teatral da salvação de uma nação jamais exibido ao vivo. Nem Hollywood conseguiria fazer aquilo parecer tão legítimo. A presença de Deus e Jesus juntamente com toda a família tradicional, não deixaram dúvidas da sua legitimidade. Nos banheiros do Teatro até o papel higiênico era diferente. Trazia escritos de um documento datado de 1988. Foi fantástico. Os fogos de artifício trouxeram a tranquilidade de que daquele momento em diante, a vida voltaria a ser como era antes. E de fato assim foi. Mas, não satisfeito com o sucesso da peça Tchau Querida, os organizadores logo lançaram outro sucesso. A peça “Fora Cunha” que tinha tudo para ser tão ou mais grandiosa do que a peça Tchau Querida. O povo nas ruas gritando em total êxtase dava provas do tamanho do sucesso que seria. Na noite do lançamento, lá estavam eles, os atores principais fazendo seus videos ao vivo nas redes sociais. O pré-lançamento da peça foi ainda maior do que a peça anterior. Mesmo com o olhar incrédulo dos espectadores, o lançamento não deixou a desejar e trouxe surpresas de última hora que deixou um gostinho de quero mais no público que compareceu a peça em peso. Foi mais uma noite brilhante no teatro da vergonha. A traição dos comparsas, o momento do “a querida ja foi” e o “Temer não fez nada por mim” levaram o público ao total delírio. O povo certamente não esquecera deles. É quase certo que serão eleitos ao teatro da vergonha nas próximas eleições, afinal de contas os zumbis nunca descobriram a verdade pois, continuam a brigar entre si.

Mas, da mesma forma que sempre haverá tempestades, também haverão novas peças e novos shows no teatro da vergonha. Enquanto o povo dorme anestesiado pelo sucesso do seu país democrático, os promotores de justiça ja preparam mais um lançamento imperdível. A nova peça teatral ja tem nome; a peça “Fora Temer” vem ai com mais novidades e novas surpresas para o delírio da nação zumbi. E com um congresso abarrotado de Cunhas e queridas, é certo que não faltará novos shows no teatro da vergonha para alegrar a vida da nação zumbi. O futuro esta garantido. Afinal de contas, o Brasil é o país do futuro e o futuro não é mais como era antigamente.

O BRASIL, A DEMOCRACIA E NOSSOS PECADOS POLÍTICOS

BY: Michaell Lange,

London, 05/09/16 –

Esse artigo é quase uma carta aberta aos meus amigos e colegas com quem venho debatendo desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff. É normal que haja desentendimentos e erros de interpretação. Mas é fundamental que possamos entender a posição política de quem esta debatendo com você. Nós Brasileiros, temos muitos defeitos, sobretudo na facilidade como somos induzidos ao erro e influenciados a aceitar opiniões prontas sem questionamentos. Mas é verdade dizer também que ao longo dos anos o Brasileiro vem se tornando mais politizado e mais envolvido com as questões políticas do nosso país. Essa mudança se deve principalmente (ao meu ver) a introdução das redes sociais. Deixamos de ser 100% comandados pela mídia. Boa parte dos jovens se comunica via redes sociais numa comunicação de duas vias. Você opina e critica uma idéia e não apenas ouve sem direito de resposta como costumava ser nos tempos em que havia apenas o radio, a tv e a mídia impressa. Apesar dessa evolução, ainda estamos longe do ideal. Aquela vinheta do plantão da globo ainda tem o poder de fazer nossos corações dispararem causando um choque de ansiedade e preocupação. O jornal nacional continua sendo o ser supremo de informação, mesmo sabendo da sua parcialidade jornalística. Mas estamos melhorando gradativamente, isso é fato. Ha outros problemas mais sérios com relação a política que é de vital importância para o nosso futuro social. Nós Brasileiros, não entendemos quase nada sobre o que é política e como ela funciona. Nos limitamos ao debate sobre corrupção e partidos politicos, e acabamos perdendo os pontos importantes. Nada disso é nossa culpa. As escolas públicas não nos ensinam sobre política, e ha sempre uma suspeita de parcialidade quando alguns professores tentam ensinar política nas escolas. É certo dizer que na maioria dos casos que eu presenciei, os professores sempre foram parciais. Fui conhecer a imparcialidade política apenas na faculdade em Londres onde estudei Relações Internacionais e Política na London Metropolitan University. Meus professores, Mestres e Doutores, nunca se posicionaram de um lado ou de outro, com exceção de um ou dois que tinham dificuldades em controlar sua paixão por Margaret Thatcher e Karl Marx, mas ninguém é perfeito. Tirando as exceções, o incentivo ao debate sempre foi o objetivo maior. Para minha vantagem, na minha sala haviam Americanos, Iraquianos, Nigerianos, Chineses, Franceses, Italianos, Colombianos, Árabes, Russos, Ingleses, Brasileiros e até um aluno da Mongólia com o inglês mais bizarro que eu ja vi. Meus Mestres usavam essa diversidade cultural para verdadeiros confrontos políticos, sempre no campo das idéias, que as vezes não terminavam com o fim da aula. Seguíamos por horas e continuávamos pelos corredores e elevadores do Campus. Juntando toda essa bagagem aos meus 25 anos de Brasil, é importante que meus amigos e colegas não discriminem minha opinião apenas porque não moro no Brasil hoje. Não faço essa observação porque me ofendo.  Em primeiro lugar eu só me permito ser ofendido por pessoas que eu amo muito. Segundo, porque se você entra num debate político com a fragilidade de ofender ou ser ofendido, você não esta buscando conhecimento, você esta buscando apenas por meios para descarregar suas frustrações, e nesse tipo de debate não existe ganho intelectual. Porém, eu tenho lido e ouvido tanto esse argumento de que “eu não estou no Brasil por isso, não sei o que se passa la”, que acaba atrapalhando. É chato ouvir isso o tempo todo. É frustrante, principalmente quando vem de alguém que você sabe que tem potencial para ir além. O que eu gostaria de dizer para estas pessoas, sem precisar fazer “testão” no Face, é que: Eu não sinto o medo da insegurança que você sente morando no Brasil, mas eu sei que você sente medo. Eu sei que você sente medo porque eu ja senti esse medo também, e continuo sentindo cada vez que visito o Brasil. Eu não sinto a frustração de que você sente com a burocracia Brasileira, mas eu sei que você sente, porque eu ja senti também. Eu não julgo os Brasileiros que criticam Cuba, EUA, Russia ou Israel sem nunca terem morado ou visitado o lugar. O Diogo Mainardi da revista Veja mora na Italia mas ninguém questiona isso só porque o cara é famoso. Nós não sentimos na pele o que eles sentem, mas nós sabemos o que eles sentem. Por tanto pessoal, esse argumento de que é muito fácil falar morando aqui, é totalmente infundado e raso. A informação é global. Não sentir na pele o drama local não impede ninguém de falar sobre os problemas estando do outro lado do mundo. O Correspondente do jornal Britânico The Guardian, Glenn Greenwald vive no Brasil mas escreve sobre problemas do mundo inteiro. É importante reconhecer a legitimidade de opinião independente do local de onde vem a opinião. Toda opinião construtiva é valida para o debate não importando a sua origem.

DILMA E O IMPEACHMENT

Nós Brasileiros, estamos tão acostumados a pertencer a alguma coisa, um grupo, uma associação, um clube, um partido político, um time de futebol, uma igreja etc, que não nos damos conta que temos um conjunto de bens que deve ser apoiado e defendido por todos os Brasileiros sem distinção de qualquer natureza. Estou falando da Constituição Federal, a Democracia e nossa liberdade. Este conjunto de bens deve ser apoiado e defendido acima de tudo por todos os Brasileiros, indiferente de idéias e partidos. O que eu percebi do dia do impeachment para cá, é que ha muitos Brasileiros dispostos a colocar a democracia e a Constituição de lado para que seu desejo pessoal seja realizado. Também ha uma confusão com relação as pessoas que apoiam o Fora Temer de serem em quase sua totalidade, confundidos com defensores da Dilma. É obvio que poderíamos afirmar que a maioria de fato, são eleitores da Dilma, mas nem  todos são. Ha muitas pessoas defendo a democracia sem apoiar a Dilma. Eu por exemplo, nunca escondi minha frustração com a falta de competência e liderança da Dilma, apesar de acreditar que ela seja uma pessoa sensibilizada com as questões sociais. Mas, nem isso faz dela uma boa Presidente. Mesmo assim, não podemos ignorar a Constituição e ameaçar nossa democracia para tira-la do poder a força. Eu sou contra o impeachment e contra a saída da Dilma, não porque a defendo, mas por respeito o conjunto de bens que eu citei acima. A Constituição deveria ser para os Brasileiros o que a Bíblia e o Alcorão são para os Cristãos e Muçulmanos. Entendam que defender a Dilma contra o impeachment não faz de mim um eleitor Petista. A minha defesa é a favor da democracia e da Constituição Federal. Da mesma forma que defender o Fora Temer não faz de você um petista. Existem várias religiões que usam a Bíblia como seu livro sagrado. Apesar de serem religiões diferentes, todas elas se unem no livro sagrado. A questão partidarista e ideológica no Brasil deveria seguir a mesma linha da Bíblia ou seja, podemos pertencer a partidos diferentes, apoiar idéias diferentes, mas todos nós precisamos estar unidos em defesa da nossa democracia e da nossa Constituição Federal. Não é possível anular e aplicar a Constituição Federal por conveniência.

Por tanto, quem perdeu com o Impeachment não foi a Dilma ou o PT. Seria inocência e ingenuidade acreditar que um partido que esteve no poder por 13 anos e teve que ser retirado a força do Executivo, perdeu alguma coisa com isso. Considerando o caos que se encontra a direita Brasileira, é quase certo que o Lula volta a ser presidente do Brasil em 2018. Quem de fato perdeu com o impeachment foi a democracia, a Constituição Federal e nossa liberdade, que se encontra comprometida e ameaçada nas mãos de políticos réus, investigados, afastados ou ja condenados por corrupção e lavagem de dinheiro, que hoje, graças ao impeachment, gozam de imunidade parlamentar ou seja, não responderão aos crimes que cometeram. Se ao invés da Constituição Federal fosse a Bíblia, todos os Cristãos, evangélicos, Presbiterianos, Jeovás, Luteranos, Batistas etc, estariam unidos para defender o livro sagrado. O que nos impede de nos unir para defender a Constituição Federal?

O GOVERNO

Outro conceito errado que nós Brasileiros exercemos. O governo não é formado apenas pelo presidente da república. O governo Brasileiro é formado por três poderes. O Executivo, representado na figura do Presidente, o Legislativo que é representado pelo Congresso Nacional e o Judiciário. A figura do presidente representa apenas o poder executivo. Os poderes são divididos exatamente para evitar o que seria uma ditadura ou um totalitarismo onde a voz do presidente seria a Lei. A maior prova dessa divisão do poder foi o impasse político causado pela então oposição governamental. Quando as bancada evangélica, militar e ruralista se uniram, eles dominaram o Congresso Nacional e criaram uma barreira que estaguinou o exercício do governo como um todo. O governo parou porque ele não funciona apenas com as ordens do presidente. O governo não funciona sem o Congresso aprovar e deliberar as prioridades sociais, assim como não adianta o Congresso querer sem a presidência sancionar. O governo por tanto, é todo o conjunto que envolve os três poderes, e não apenas o presidente. Não entender como estes três poderes interagem nos faz vitimas da nossa própria ignorância. O presidente era a Dilma, mas o governo era formado por ela, pelo Congresso Nacional e pelo Judiciário. Na questão do impeachment, todos falharam com suas obrigações e responsabilidades porque o interesse coletivo do congresso era derrubar o presidente. A constituição ficou em segundo plano para interesses partidários nacionais e internacionais. O povo Brasileiro precisa entender que a nossa Constituição Federal é o nosso livro sagrado e deve estar acima de qualquer interesse partidarista ou ideológico.

A DEMOCRACIA

O conceito mais simples sobre a democracia parecer ser o mais aceito por grande parte dos Brasileiros. As pessoas pensam que a democracia é apenas o direito de votar e escolher nossos governantes. Isso é um equívoco. A definição de democracia como sendo o poder do povo pelo povo para o povo, vai muito além do direito de votar. Pessoalmente, defino a democracia como o sistema mais caótico que existe. A ditadura e o totalitarismo tira do povo o direito e a responsabilidade de opinar, de expressar suas vontades e desejos. O ditador é o senhor do seu povo ou seja, o que ele fala é Lei e pronto. A democracia é caótica porque concede o mesmo direito a todos os cidadãos. Essa ação por si só causadora de caos. O artigo quinto da nossa Constituição Federal de 1988 afirma: “Todos são iguais perante a Lei sem distinção de qualquer natureza” ou seja, indiferente da sua profissão, escolaridade, status social, condição financeira; todos são iguais perante a Lei. A consequência dessa igualdade social perante a Lei concede a 200 milhões de cidadãos Brasileiros que pensam diferente, tem desejos diferentes, ambições diferentes, idéias diferentes, poder financeiro diferente, status social diferente; a condição de total igualdade perante a Lei. O policial, O advogado, o Juiz, e outras autoridades sociais não tem por tanto, mais direitos do que qualquer outro cidadão Brasileiro, o que eles tem é mais responsabilidades. No Brasil, temos o conceito errado e inconsciente de que quanto mais dinheiro você tem mais direitos você adquire. Esse conceito é totalmente equivocado. O rico não tem mais direitos do que o pobre. A autoridade não tem mais direitos do que qualquer membro da nossa sociedade. Por isso a sociedade democrática é uma sociedade caótica, onde todos tem os mesmos direitos e precisam, de alguma forma, acomodar os diferentes anseios de cada cidadão para que a sociedade funcione. O protesto que fecha a rua, a avenida ou a ponte, gera grandes transtornos a muitas pessoas que também tem garantido por Lei o direito de ir e vir. Esta Lei também faz parte do artigo quinto da Constituição Federal de 1988 que afirma: “É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou sair com seus bens. Todo cidadão tem direito de se locomover livremente nas ruas, nas praças, nos lugares públicos, sem temor de serem privados de locomoção”. Essa Lei em si ja é causadora de caos, mas quando a Lei que nos da o direito e ir e vir sem temor de serem privados de locomoção, é confrontada com a Lei que nos da o direito a manifestações, o resultado só pode ser o caótico. A Lei que concede o direito a manifestação também faz parte do artigo quinto e afirma: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; […] XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; […] XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar”.

Vemos frequentemente que a PM e o Governo interferem em nossos direitos constitucionais seja pelo uso da violência, bloqueio da livre passagem dos manifestantes, e proibição de atos públicos. Manifestantes também infringem a Lei ao depredar o patrimônio público e portar armas durante manifestações populares.

O caos democrático pode ser observado por exemplo no cidadão que trabalhou o dia inteiro e deseja sua livre locomoção até a sua residência, mas se depara com uma manifestação pública sobre assuntos que não lhe trazem interesse. A virtude social que deve ser sempre exercitada para o controle do caos democrático é a tolerância. A tolerância reconhece a importância de uma manifestação popular mesmo quando esta não nos interessa. A greve dos caminhoneiros causou imenso transtorno durante semanas em quase todo o território Brasileiro. Muitas pessoas que simpatizavam com o argumento dos caminhoneiros exercitaram a tolerância diante de estradas e rodovias federais que permaneceram fechadas por vários dias. Ja as manifestações que fecharam a ponte em Florianópolis na hora do rush, foi intensamente criticada, principalmente por aqueles que não simpatizavam com a causa. Isso tende a agravar o senso de injustiça. Mas é importante que tudo isso seja superado e considerado necessário para a manutenção da nossa democracia. Pessoalmente achei a idéia de fechar a ponte um tanto equivocada pois, afeta o cidadão que deseja ir para casa e certamente não atrai o apoio popular. Mas esse é o caos democrático que desejamos viver. Na Coreia do Norte não ha caos, não ha protestos nem greve, porque não ha direitos nem liberdades. O totalitarismo ditatorial concede o poder total a uma única pessoa e esta, é quem decide como a sociedade e seus cidadãos devem se comportar. Hoje, o principal acesso terrestre entre a França e o Reino Unido foi fechado por manifestantes franceses. Esta é uma questão ainda mais delicada pois envolve o bloqueio de um dos principais acesso ao Reino Unido. Mas mesmo com algumas criticas, as agencias de transito e transporte fazem todo o possível para que a manifestação ocorra com segurança e com o mínimo de transtorno aos cidadãos afetados. Esse trabalho minimiza o caos e garante a manutenção da democracia. O protesto deve durar uma semana. A policia se limita a garantir a segurança de todos os envolvidos.

Concluo que o debate politico em todas as esferas sociais é extremamente importante para que possamos, não apenas nos comunicar diretamente, mas entender mais sobre o povo Brasileiro, quem somos, o que desejamos, porque divergimos nas opiniões. Entender o processo democrático, o funcionamento do governo e conhecer nossos direitos, é mais do que um dever, é uma responsabilidade de quem busca construir um país melhor para viver. Os rótulos populares que causam divisão e atrito, devem ser evitados. Pessoalmente não uso nenhum deles. Não me refiro a nenhum cidadão Brasileiro como coxinha, petralha, tucanalha, mortadela etc. Somos todos um único povo que busca e deseja melhorias. Separados em bandos, seremos sempre massa de manobra. Unidos, somos uma democracia forte e livre. A superação destas diferenças é provavelmente o processo mais difícil. As relações entre o povo, o governo, a policia e outras agencias e instituições sociais e governamentais, sempre foram marcadas pela fragilidade e a desconfiança. mas cabe a cada cidadão mudar essa realidade dentro de si. Não ha tempo a perder, o Brasil precisa crescer e se desenvolver.

 

 

 

 

UM MODELO ECONÔMICO QUE PODE TRANSFORMAR AS RELAÇÕES ENTRE EMPREGADO E EMPREGADOR (debate)

 

O atual modelo econômico das relações entre empregado e empregador é insustentável e extremamente injusto. É possível desenvolver um novo modelo que inclua a classe trabalhadora como parte acionista da empresa ao invés de serem apenas um custo indesejável e ferramenta de exploração. O que você acha? Vamos debater novas idéias?
Uma empresa funciona basicamente em dois eixos totalmente dependentes ou seja, um não existiria sem o outro (exceto em algumas exceções).
O eixo numero 1 é formado pelo quadro de funcionários de base, composto por todos que trabalham a partir do office boy, pessoal da limpeza até o gerente geral.
O eixo numero 2 é formado pelo alto escalão a partir da mesa diretora até os acionistas (shareholders), e é tão importante quanto o eixo numero 1.
No atual modelo econômico, apenas o eixo numero 2 (alto escalão), é devidamente recompensado pelos serviços prestados a empresa mesmo que nenhum resultado positivo possa ser alcançado sem a colaboração do eixo 1 (funcionários). O eixo numero 1 é de modo geral negligenciado (apesar de haver exceções). A minha pergunta é: Se os dois eixos são totalmente dependentes um do outro, por que apenas uma das partes é devidamente recompensada?
No modelo econômico sugerido aqui, os dois eixos são recompensados e beneficiados pelo sucesso da empresa em que trabalham. Dessa forma, todo mundo colhe o sucesso produzido por todos e eventualmente, repartem também as responsabilidades pelos erros e prejuízos que ocorrerem pelo caminho.
Vamos usar uma empresa imaginária com mil funcionários como exemplo. Neste caso, 25% da empresa pertenceria aos funcionários de base, do eixo 1. Os outros 75% pertenceria ao eixo 2 que pode ser um único dono ou um grupo formado por diretores acionistas, investidores e outras empresas. Dessa forma, os funcionários não são apenas coadjuvantes na história de sucesso da empresa. No atual modelo os funcionários continuam recebendo o mesmo salário mesmo quando a empresa apresenta crescimentos expressivos. O time de diretores e gerentes que produzem os projetos e planos futuros são essenciais para o sucesso da empresa, mas todo o planejamento e experiência dos empreendedores não valeriam de nada sem o trabalho dos mil funcionários para colocar o plano em prática. Se os dois eixos são essenciais para o sucesso da empresa, por que apenas o alto escalão é recompensado? O gráfico de crescimento salarial dos funcionários deveria acompanhar o gráfico de crescimento da empresa. O que acontece hoje largamente em quase todo o mundo, é o oposto. Empresas apresentam crescimento ao mesmo tempo que os funcionários perdem poder financeiro. Em muitos casos esta perda salarial é consequência da situação econômica do país, porém é verdadeiro afirmar que essa perda também é consequência de uma negligência da empresa  com relação a seus funcionários. É um fenômeno global o lobby the grandes empresas para a redução dos direitos trabalhistas. Por outro lado, esse problema seria minimizado se os funcionários possuíssem 25% da empresa. É injusto que os funcionários recebam apenas um salário fixo que na maioria das vezes não é suficiente para cobrir os custos do mês, ao mesmo tempo que seu trabalho ajuda de forma vital o crescimento da empresa.
Não se trata apenas de uma questão de justiça
O quadro de funcionários de base assim como o alto escalão, são partes fundamentais da empresa, e muitos empresários como o dono do Grupo Virgin, Sr Richard Branson, afirma que os funcionários são os maiores “assets” da empresa ou seja, para Branson, o quadro de funcionários é o maior patrimônio do Grupo Virgin. Muitas empresas investem milhões de Dólares todos os anos em campanhas de motivação. O que poucos empresários não percebem é que em muitos casos, se não na grande maioria, a principal motivação para o funcionário é a mesma do empresário ou seja, sucesso financeiro! O poder financeiro que torna possível um funcionário de base, seja ele office boy ou funcionário da limpeza, de levar a família para uma viagem de férias no final do ano e comprar um carro novo por exemplo, é na maioria dos casos a principal fonte de motivação de um funcionário. Quantos mil Reais seria preciso investir para motivar um funcionário que mal ganha para pagar as contas no final do mês, sabendo que a empresa em que ele trabalha apresenta crescimento de lucro ao mesmo tempo que seu salário segue congelado a anos? Quantos mil Reais seria preciso para motivar um funcionário que assiste todos os dias os diretores da empresa irem para casa dirigindo um carrão enquanto ele terá que enfrentar uma jornada de várias horas dentro de um ônibus sem ar-condicionado quando a importância dos dois para a empresa é a mesma? Não se trata apenas de justiça. É uma questão de sucesso compartilhado. É uma questão de recompensa mútua que irá gerar naturalmente a motivação necessária para a continuação do sucesso da empresa. Trata-se do reconhecimento de uma parceria que coopera para o sucesso da empresa.
Os possíveis problemas 
1 – A teoria vs pratica – Considerando o atual cenário econômico mundial, é difícil dizer a real viabilidade do sistema proposto que em teoria deveria funcionar sem grandes dificuldades. É importante citar também que o atual sistema econômico é insustentável e certamente sofrerá colapsos futuros por conta do empobrecimento na base da pirâmide social. Talvez o modelo econômico atual seja apenas o reflexo de uma pratica centenária que poderia ser revertida com um pouco de vontade, planejamento e cooperação por parte dos empresários ao redor do mundo.
2 – Legislação – considerando que a economia mundial é interdependente, o sucesso desse modelo econômico não poderia ser atingido por meio de Leis e regulamentação, ja que países competem entre si para atrair investimentos assim como as empresas estão sempre a procura de locais que proporcionem maiores benefícios a seus investimentos. Certamente não seria um diferencial para nenhum país que tenha uma Lei obrigassem empresas a liberarem 25% dos seus ativos para o quadro de funcionários.
3 – A legislação trabalhista e a logística para implantação do novo modelo – Dúvidas surgiriam sobre a relação legal entre funcionários e a empresa. Afinal, os funcionários seriam acionistas ou apenas funcionários com direito a 25% dos lucros? Em caso de demissão, como o caso seria tratado legalmente? Seria possível demitir alguém que legalmente é um acionista da empresa? Provavelmente os 25% não poderiam estar sob o controle dos funcionários a pondo de um funcionário poder vender a sua parte. Isso levaria inevitavelmente ao fim do modelo dos 25% quase que imediatamente após sua aplicação. Para poder funcionar, os 25% teria que fazer parte de um bloco lacrado onde os benefícios seriam divididos, mas as ações não poderiam ser vendidas.
4 – Experiência – Eu não sou empresário, muito menos um empreendedor. A situação de classe trabalhadora em que ocupo me torna suspeito de falar sobre o modelo que proponho acima. Por tanto, seria importante termos a opinião de empresários e economistas para que a idéia seja desenvolvida com maior credibilidade e a sua viabilidade seja analisada de forma mais abrangente.
Conclusão
O 25% é apenas um número relativo que pode ser maior ou menor, dependendo da empresa e do quanto a empresa deseja atrair os melhores trabalhadores para o seu quadro funcional. Da mesma forma que o salário é usado hoje para atrair bons funcionários, os 25% seriam o grande diferencial que levaria funcionários a permanecer muito mais tempo na empresa. Eu diria que considerando os riscos que os donos e acionistas correm, além da experiência e formação profissional, os 75% seria talvez, um número justo. Mas como eu sugeri acima, esse é um debate que precisaria da opinião de empresários e economistas com experiência para uma análise mais apurada sobre os possíveis prós e contras dessa idéia. Teoricamente, a idéia ajudaria na alto-estima dos funcionários que passariam a ser incluídos no projeto empresarial com direito a voz, além de ajudar a economia promovendo maior poder de compra ao funcionário que certamente gastaria mais acelerando a compra e venda de bens de consumo. Se a atual relação entre funcionário e empresa se resume apenas em uma cultura centenária que envolve a divisão de classe social, talvez seja hora de mudar esse conceito e a cultura que gera empobrecimento e exploração da classe trabalhadora para o benefício único e exclusivo do enriquecimento de uma pequena parcela da sociedade. Se os funcionários de uma empresa se unirem e pararem de trabalhar, o futuro da empresa é a falência total. A habilidade de manter funcionários desunidos, seja por meios estratégicos ou legais, não pode continuar sendo uma desculpa para a exploração da mão de obra humana. Uma empresa sem funcionários não tem futuro, assim como o oposto também é verdadeiro. A recompensa porém, continua sendo uma via de mão única, e essa realidade precisa mudar. Você aceitaria o desafio ao debate?

A CERIMÔNIA DE ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS E O BRASIL

By: Michaell Lange,

London, 08/08/16 –

É preciso interromper o contínuo sentimento de um dia ter orgulho e no outro vergonha de ser Brasileiro

Durante os dias que anteciparam a cerimônia dos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, alguns amigos e conhecidos Europeus, me perguntavam se eu assistiria a cerimônia de abertura. Minha resposta sempre foi: Sim claro! Mas dentro do meio peito o coração andava apertado, angustiado. Eu estava na verdade, sentindo medo. Era como uma certeza de que mais uma vez, passaríamos vergonha perante o resto do mundo. E toda essa tensão não era injustificada, muito pelo contrário, o Brasil vinha nos últimos anos, batendo todos os records de absurdos possíveis nos seus 194 anos de história. O vexame dos 7 a 1, o crime sem culpado em Mariana, o Impeachment votado por criminosos em Brasilia, o teatro da vergonha no congresso nacional. Como acreditar num país que declara amor e orgulho a si mesmo e ao mesmo tempo é o grande vilão da sua própria miséria? Não, é claro que eu não acreditava mais. A grande maioria dos Brasileiros parecem não acreditar mais. O objetivo é a sobrevivência, os sonhos são realizados pelas novelas. Planos futuros é o que faremos no próximo final de semana. É claro que perante tanta estupidez, violência e corrupção, minha esperança de um Brasil que da certo estava a beira do abismo. Mas eu também celebrei com muita alegria e com a inocência de um típico Brasileiro tolo, quando nosso país ganhou o direito de sediar a copa do mundo do esporte mais amado do planeta, e o maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas. Era a oportunidade que precisávamos para o Brasil crescer de fato, pensei na ocasião. Com a economia em alta, os dois maiores eventos esportivos do mundo, o que mais nos faltava para encher o Brasileiro de orgulho e entusiasmo? Pensei, com a inocência tola de um Brasileiro. Descobri que nos faltava todo o resto.

Depois de 13 anos vivendo no Reino Unido, aprendi que “ser”, vai muito além da simples existência. Para sermos de fato, é preciso viver a verdade que desejamos, e não apenas esperarmos que ela aconteça, ou que os outros a tragam sem a sua contribuição pessoal. O coletivo para ser, precisa do grupo. O plural de um, não existe. A realidade de uma sociedade é formada pelo conjunto das atitudes diárias de seus sócios. O Brasil por tanto, é o que os Brasileiros são no dia-a-dia, e não aquilo que eles dizem que é, ou desejam que seja. O orgulho não é possível ser antecipado. Ele somente é, depois que o “ser” deixa de ser apenas um desejo ou um objetivo, e passa a ser a verdade. O orgulho do futuro não existe. Não existe estudante orgulhoso da sua graduação. Não existe desempregado orgulhoso do seu futuro emprego. Não existe solteiro orgulhoso do seu casamento. Existe apenas o orgulho do passado, se este foi verdade, e o orgulho do presente, se o presente for verdadeiro. O Amor transcende todo o resto, mas não pode ser confundido com paixão. A paixão é como o nacionalismo. É intenso e forte, mas ausente de razão e inteligência. O Amor, nessa comparação, seria o patriotismo, que cuida e quer bem o tempo todo. Por isso, questiono o Brasileiro quando canta alto nos estádios e nos protestos; “Ah eu sou Brasileiro com muito orgulho e muito amor”. Infelizmente não somos. Nós apenas desejamos e sonhamos ser. O Brasileiro deseja “ser” um Brasil que ainda não é verdade, e que precisa de atitude individual para poder ser então, plural e coletivo, verdadeiro. O orgulho Brasileiro, ainda é um nacionalismo tolo, irracional, impulsivo, militar, e imaginário como a falsa fé que precisa de força física para existir. A fé verdadeira é silenciosa, não precisa aparecer. O Brasileiro que ama e tem orgulho de verdade não precisa gritar, ele apenas existe na sua forma natural e nas suas atitudes; esta presente constantemente como o amor de uma mãe que não se pode ver, mas esta sempre lá, presente. Não existe a necessidade de demonstrar. A vibração de um gol é alegria momentânea pois, logo queremos outro. O Amor e o orgulho verdadeiro é como o silêncio do universo que não precisa de som para demonstrar sua grandeza.

E por falar em grandeza, Joaquin Osório Duque-Estrada, não mentiu quando escreveu: “…Gigante pela própria natureza…”. O potencial do nosso país é tão grandioso e óbvio que revolta só de imaginar o quanto milhões de Brasileiro sofrem todos os dias apenas para garantir sua subsistência. É como se o Brasil fosse uma Bugatti Veyron e o Brasileiro, um motorista que nunca dirigiu um carro. Quando meus amigos Britânicos e Europeus me perguntam o que esta acontecendo com o Brasil, eu dou o exemplo da Bugatti sem motorista habilitado porque de fato, é isso que nos falta, uma habilitação para dirigir um carro potente sem causar um acidente a cada curva da estrada do desenvolvimento.

Na Sexta Feira, dia da cerimonia de abertura dos jogos Olímpicos do Rio, eu ja estava sofrendo antes mesmo do inicio. Sofrimento, diferentemente de orgulho, pode ser sentido antecipadamente como forma de ansiedade e medo. Sentado em frente a TV assistindo o pré-show da BBC, meus pensamentos eram só pessimismo. Típico de um Brasileiro que não acredita em si mesmo. Era como assistir o Rubens Barrichello na F1; você sabe que ele vai terminar em quinto. Mas eis que o gigante pela própria natureza por vezes, nos da um daqueles chacoalhões que nos acorda para as potencialidades que nosso país possui e usufrui tão pouco. O Brasil ganhava ali sua primeira medalha de ouro. A abertura dos jogos Olímpicos se resumiram em três palavras: Simples, barato, e espetacular! A simplicidade do nosso povo foi perfeitamente incorporada nas nossas condições econômicas, e espetacularmente exposta numa explosão de cores e movimentos que refletiram a riqueza cultural e diversa do nosso país de maneira sublime. Foi difícil conter as lágrimas. Nosso patrimônio artístico e cultural deixou sua mensagem de que cultura e arte não são coisas de vagabundos e comunistas. A arte e a cultura são elementos que dão forma a identidade Brasileira e não podem ser negligenciadas por interesses ideológicos e partidários.

Mais uma vez provamos que somos capazes de criar espetáculo, mesmo nas condições mais adversas. Somos capazes de superar todas as dificuldades e surpreender os maiores críticos. Somos capazes de alcançar nossos objetivos e obter sucesso por nossas próprias mãos. Tudo que precisamos fazer é acreditar em nossa própria capacidade. O Brasileiro é um povo resiliente, empreendedor, lutador e corajoso. É fato que nos falta inspiração, mas como ficou demonstrado na cerimonia de abertura dos jogos Olímpicos; nossa cultura, nossa história e nossa arte, podem ser nossas inspirações que iluminará o difícil caminho que nos levará a um perpétuo processo de desenvolvimento sócio/econômico que beneficiará todos os Brasileiros. O Brasil tem condições de ser verdadeiramente uma história de sucesso, e isso ja ficou evidente em inúmeras ocasiões. Mas para que o sucesso aconteça, precisamos eliminar nossa tendência auto-destrutiva que historicamente nos acompanha e nos freia, e reconhecer que nossas diferenças ideológicas e culturais não são partes de um problema mas sim, partes da nossa riqueza cultural e diversa que fazem do Brasil um país único. Precisamos acabar com o ciclo do sentimento que nos faz ter orgulho de ser Brasileiro um dia, e sentir vergonha no outro. Dessa forma, poderemos verdadeiramente, sermos Brasileiros com muito orgulho e muito Amor.

O CAOS BRITÂNICO PÓS REFERENDUM NÃO PARA DE SURPREENDER O MUNDO

By: Michaell Lange,

London, 01/07/16 –

Tem sido uma semana extraordinária na política Britânica. O voto a favor da saída do Reino Unido da União Européia causou uma Tsunami sem precedentes na política e na sociedade Européia, sobretudo no Reino Unido. Os dois principais partidos Britânicos, os Conservadores e os Labours (trabalhadores), implodiram diante da situação política mais caótica no país nas ultimas décadas. O Labour Party (partido dos trabalhadores) pediu a saída do seu líder Jeremy Corbyn depois de fracassar na campanha pela permanência do país na União Européia. Corbyn sempre foi contra a permanência do Reino Unido na União Européia, mas precisou defender a visão do seu partido incluindo a de seus eleitores, de permanecer na UE mesmo contra a sua vontade. Corbyn foi acusado pelos principais membros do seu partido de fazer uma campanha “banho maria” e não demonstrar nenhum entusiasmo durante a campanha pré-referendum. Depois de se recusar a renunciar seu posto de líder dos trabalhadores a pedido dos seus próprios membros do parlamento, Corby assistiu a maioria dos seus ministros de Gabinete renunciarem seus postos em protesto a sua permanência como líder do Partido. Mesmo depois de perder uma votação de credibilidade interna do partido onde 172 membros do Parlamento declararam não ter confiança na liderança do seu líder contra apenas 40, Jeremy Corbyn relembrou que foi eleito por 60% dos voto dos membros do seu partido e por isso, não renunciaria sem novas eleições internas. Ao mesmo tempo que Corbyn sofre seu maior ataque interno desde sua expressiva eleição no ano passado, membros do Partido dos Trabalhadores continuam dando seu apoio ao atual líder.

Por outro lado, no partido dos conservadores, depois da Renúncia do Primeiro Ministro David Cameron, tudo indicava que o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, seria o sucessor de Cameron como líder dos Conservadores e Primeiro Ministro. Ninguém duvidaria que Boris Johnson concorreria ao cargo de líder do seu partido contra a atual secretária de estado Theresa May. Boris Johnson era sem sombra de dúvidas o mais cotado para suceder David Cameron na próxima eleição do partido que será realizado na convenção dos conservadores em Setembro. Porém, hoje pela manhã, pouco antes de Boris Johnson anunciar oficialmente sua candidatura a líder dos Conservadores, o  ex-Ministro da Educação,  que também foi Ministro do Tesouro e Ministro da Justiça Michael Gove, que esteve lado-a-lado de Boris Johnson durante toda a campanha do referendum a favor da saída do país da UE, surpreendeu o país ao anunciar sua própria candidatura a líder dos Conservadores e declarar que não tinha confiança em Boris Johnson para liderar os Conservadores ou ser Primeiro Ministro Britânico. A mídia Britânica foi a loucura com a extraordinária e surpreendente declaração do principal aliado de Boris Johnson até o presente momento. Enquanto todas as agências de comunicação e as redes sociais tentavam entender o estrago causado pelo tornado “Michael Gove”, Boris Johnson adiava brevemente seu pronunciamento para logo depois anunciar que estava desistindo da sua candidatura a líder dos conservadores. Os Britânicos assistiam em choque o desenvolver de um turbilhão político que tomava conta de todos os meios de comunicação do país. A incrível e inesperada declaração de Michael Gove virou a política Britânica de pernas para o ar. Boris Johnson poderia sobreviver a qualquer ataque ou criticismo sem abalar suas grandes possibilidades de se tornar o próximo primeiro ministro Britânico, mas as declarações do seu “homem de confiança” provou ser demais para o carismático e popular ex-prefeito de Londres. A mídia sem dúvidas, nunca teve tanto do que falar. Até a humilhante derrota do time de futebol Inglês pela seleção da Islândia na Eurocopa ficou ofuscada pelos acontecimentos pós-referendum.

Enquanto isso nas ruas do país o povo se divide sobre o resultado do referendum. Protestos a favor da União Européia tomaram as ruas ao redor do Parlamento Britânico liderados por jovens estudantes que acusam os mais velhos de não pensarem no futuro do país ao votar pela saída do Reino Unido da União Européia. Uma petição online ja acumula mais de 3 milhões de assinaturas pedindo um novo referendum. Por outro lado, os números de ataques racistas e xenofóbicos contra imigrantes, Islâmicos e pessoas de cor, dispararam em todo o território Britânico. Um garoto de 7 anos, filho de pai Britânico e mãe espanhola, levou uma surra na escola por ser considerado estrangeiro. O caso mais revoltante foi o de uma senhora Alemã de 80 anos, que vive no Reino Unido a mais de 40 anos, que ligou para a radio LBC chorando e extremamente nervosa dizendo que seus vizinhos se recusam a falar com ela por ela ser estrangeira, e sua amiga da igreja lhe disse que agora eles expulsariam todos os estrangeiros do país. A senhora também teve a janela da sua casa atingida por fezes. Em outro caso, duas espanholas que conversavam em espanhol foram verbalmente agredidas por outras pessoas que passavam no local. Uma Mesquita e o consulado Polonês tiveram as paredes pinchadas com insultos xenofóbicos. A polícia Britânica esta investigando vários casos de ataques físicos e verbais contra estrangeiros. Muitos imigrantes estão pensando em ir embora do país com medo do que pode acontecer. Uma família cuja o marido é Britânico, resolveu sair do país com medo que aconteça com eles o mesmo tipo de perseguição que ocorreu contra os Judeus durante a segunda guerra mundial. A mídia e a outra metade dos Britânicos tentam amparar imigrantes com apoio nas redes sociais e TV. Durante os protestos a favor da União Européia era possível ver vários cartazes com dizeres como: “refugiados sejam bem vindos” ou “imigrantes são bem vindos”; “somos todos Europeus” etc… O Primeiro Ministro David Cameron que permanece no cargo até Setembro, disse que o país não irá tolerar ataques racistas e xenofóbicos e pediu calma a população. Outros líderes políticos fizeram o mesmo. A polícia Britânica afirma que esta vigilante.

Jeremy Corbyn do Partido dos Trabalhadores que vinha sendo o principal alvo da mídia nos últimos dias pode respirar aliviado com as atenções dos jornalistas voltada agora para o Partido dos Conservadores.

Do outro lado do Canal da Mancha, os líderes dos países membros da União Européia se reuniam sem a presença do Primeiro Ministro Britânico para discutir a saída do Reino Unido da União Européia. O Presidente do Conselho Europeu Donald Tusk juntamente com o Presidente da Comissão da União Européia Jean-Claude Junker e a Chanceler Alemã Angela Merkel, disseram que os Britânicos não terão acesso ao mercado comum Europeu sem permitir o livre acesso de cidadãos Europeus ao Reino Unido. O acesso ao mercado comum Europeu é vital para a economia Britânica que tem o mercado Europeu como um dos principais consumidores de seus produtos e serviços. Por outro lado, o principal argumento que levou os Britânicos a votarem a favor da saída do país da União Européia foi justamente o controle de entrada de imigrantes e trabalhadores provenientes da União Européia cujo o número passa de 100 mil por ano. O próximo Primeiro Ministro Britânico, agora provavelmente Michael Gove ou Theresa May, terá uma batalha monumental para negociar o acesso do Reino Unido ao mercado comum Europeu sem comprometer a questão do controle de imigrantes no país que certamente levaria o povo Britânico a votar contra os Conservadores nas próximas eleições gerais. No momento, a negociação da saída dos Britânicos da UE parece mais um caso de missão impossível. Ao que tudo indica, o próximo Primeiro Ministro Britânico precisará ser mais do que apenas um excelente político, seja quem for, o próximo Primeiro Ministro Britânico terá que ser um verdadeiro fazedor de milagres.