MEGHAN MARKLE E A MONARQUIA

Por: Michaell Lange,

Londres, 20/05/18 –

Foi mais um casamento real, mas desta vez, foi um casamento real com significados que vão muito além de qualquer critica republicana. Ao menos agora, o Amor entre Noivo e noiva é de fato, verdadeiro. Estimativas avaliam que mais de dois bilhões de pessoas assistiram ao casamento real entre Harry e Meghan, agora Duke e Duquesa de Sussex.

Pode parecer estranho, mas diferentemente do que a mídia mostra, há uma crescente divisão na opinião pública Britânica sobre o sentimento com relação a família real. Uma pesquisa divulgada pela Yougov sugeriu que 66% dos Britânicos não estavam interessados no casamento real. Três quintos afirmaram que teriam um final de semana normal, como qualquer outro. Um em cada 10, estariam trabalhando, e apenas 1 em cada 4 Britânicos teriam intensão de assistir o casamento. O número de festas com pedidos para fechamento de ruas para celebrações, também caíram dramaticamente em comparação ao casamento real de William e Kate em 2011. Apenas uma festa de rua foi confirmada na Escócia. Em algumas regiões da Inglaterra a queda de festas celebrando um casamento real chegou a 92%. E o crescente criticismo à família real não se limita apenas aos Republicanos. Muitos Britânicos não aceitam a vida de luxo levada pela família real enquanto o resto do país tem que arcar com uma política de austeridade com fortes cortes orçamentários na saúde, educação e segurança. O sistema de saúde pública Britânico, o NHS, esta em crise. Mais de 40 mil vagas de trabalho não possuem candidatos por conta dos cortes salariais e condições de trabalho. A policia perdeu quase 50% da sua força de segurança e o país vive uma de suas maiores crises de segurança da história. Muitos Britânicos não aceitam caminhar ao lado do Palácio de Buckingham com suas 700 suítes, enquanto 3 mil Britânicos dormem nas ruas do país todos os dias.

Já argumento a favor da família real, é que os benefícios que a monarquia trás ao país, superam todos os custos decorrentes da sua vida extravagante. Londres recebe por ano mais de 6 milhões de turistas. Um benefício econômico que certamente não seria o mesmo sem a presença da família real. A Rainha também é considerada a maior embaixadora do mundo. Uma celebridade que abriu muitas portas e facilitou muitos acordos econômicos para os Britânicos. Quando o Reino Unido precisou fechar acordos com o Brasil, a comitiva Britânica levou o Principe Harry que imediatamente ganhou a atenção da mídia nacional.

De uma forma ou de outra, os casamentos reais sempre trouxeram alguma forma de mudança para a monarquia. A eterna princesa Diana era uma “pedra no sapato da Rainha” porque muitos achavam que Diana era de fato, mais poderosa que a própria Rainha. Diana tinha o mundo a seus pés, e toda sua influência foi usada para causas humanitárias ao redor do mundo. Sua morte trágica e prematura deixou dois meninos sem mãe que o país passou a amar mais do que a própria Rainha. Harry, o filho mais novo do casal, herdou as aptidões humanitários da mãe. Harry viajou o mundo inteiro ajudando milhões de pessoas e ajudando a levantar milhões de dólares em doações para suas causas humanitárias. O povo Britânico sempre quis muito ver o Principe Harry feliz. O anuncio do seu noivado com a Americana, divorciada e de família negra, foi recebida com muita celebração pelo povo Britânico. Era o sinal de que o amor que Diana havia dedicado sua vida a encontrar, continuava vivo no coração do seu filho harry. É importante lembrar que até pouco tempo atrás, membros da família real, poderiam casar-se apenas com alguém da linha aristocrata. Um casamento com uma Americana, divorciada e negra jamais seria permitido. Em 1936 o então Rei Eduardo VIII teve que renunciar o trono para casar-se também com uma Americana divorciada. Principe Harry, pôs fim a tudo isso!

Meghan Markle não é apenas Americana e divorciada, sua família é descendente direta de escravos. Por isso, o significado desse casamento transcende os paredões e as fortificações dos castelos da monarquia, e muda a história para sempre. Como disse o Bispo Americano Michael Curry, durante seu sermão na Capela São George, no Castelo de Windsor, “… Uma nova família nasce… O amor tem o poder de mudar o mundo!”

Principe Harry, introduziu uma negra, descendente de escravos, diretamente no coração de uma das mais conservadoras aristocracias do mundo. Os mesmos aristocratas que iniciaram o abominável comércio escravo. os mesmos que justificavam a escravidão de um negro pelo fato de que negros não tinham alma, e que por isso, não eram humanos. Hoje, recebem em seus palácios reais e em sua mais alta nobreza, Meghan Markle, filha de escrava.

Meghan, não representa apenas uma classe racial. Seus trabalhos em prol das causas humanitárias foram uma das coisas que chamaram a atenção de Harry. E, se alguém tinha qualquer dúvida sobre a influencia que esta mulher incrível traria à realeza Britânica, o sermão do bispo Americano Michael Curry e a presença do coral gospel cantando pop music, durante um casamento real, é evidência concreta de que Meghan não veio apenas para casar-se com Harry, mas para transformar a família real e a sociedade em que vivemos. Meghan, representa o poder do amor e o poder da mulher no processo de transformação do mundo em lugar mais justo e solidário, menos machista e violento. O poder do amor é infinitamente maior que o poder de uma Rainha, é maior do que todas as aristocracias colocadas juntas. Porque como disse o Bispo Michael Curry, “Deus é amor, e o amor é o único caminho!”

Meghan e Harry vieram para influenciar o mundo. Não serão apenas as relações diplomáticas entre os EUA e o Reino Unido que ganharão com essa união. Assim como Diana, Meghan e Harry irão influenciar as relações internacionais e o modo de pensar das pessoas. Eles são, provavelmente, a maior força para o bem atualmente no mundo. Essa união não é apenas um presente aos Britânicos, Meghan e Harry são um presente para toda a sociedade humana. Os trabalhos de transformação do mundo em um lugar mais justo, começaram ontem no castelo de Windsor. O amor é o único caminho!

JESUS CRISTO, OS CRISTÃOS E A POLÍTICA

Por: Michaell Lange,

Londres, 13/05/18 –

A corrupção não afeta apenas o governo. A corrupção afeta todas as esferas humanas, incluindo a fé, a religião e a igreja. A corrupção afeta também nossos valores e virtudes que são, ou deveriam ser, a base de sustentação da nossa sociedade. No Ocidente, os valores Morais e éticos foram promovidos principalmente pelo Cristianismo. Mas, tais virtudes e princípios não são necessariamente dependentes da religião. Outros valores como a liberdade, o espirito crítico, a cooperação, inovação, criatividade, entre outros valores, foram desenvolvidos e conquistados ao longo do tempo por movimentos sociais, como por exemplo, os rebeldes Ingleses que no ano de 1215 fizeram o então, Rei João, assinar a Magna Carta, que é considerada por muitos, a primeira constituição oficial a garantir as liberdades do indivíduo e proteje-los contra a tirania das autoridades.

Porém, o maior promotor de valores Morais, Éticos e humanos, viveu a mais de dois mil anos atrás, e se chamava Jesus de Nazaré. Seus ensinamentos foram tão importantes para a sociedade humana, que mesmo passados dois mil anos do seu assassinato, Jesus continua sendo a pessoa mais reconhecida do mundo. A forma com que falo de Jesus aqui, não é religiosa. Não sou religioso. Mas, sou um grande admirador e seguidor dos princípios e ensinamentos de Jesus. E, por ser seguidor de seus ensinamentos, me considero Cristão, um Cristão sem religião.

A crise moral que vivemos hoje esta exposta, ao meu ver, na corrupção do ser humano atual diante dos ensinamentos deixados por Jesus. Os ensinamentos foram corrompidos e transformados em uma monstruosidade cuja a própria Bíblia ja previa, mas muitos Cristãos não deram, e continuam não dando a devida atenção. Arrisco a dizer aqui que atualmente, a grande maioria daqueles que se consideram Cristãos, são de fato, o oposto disso. O Cristão não é simplesmente aquele que vai a igreja, que ora, e lê a Bíblia. O Cristão é aquele que segue Cristo, seus ensinamentos, seus valores, e procura ser uma pessoa melhor a cada dia ou seja, ser o mais próximo daquele que foi Jesus.  Não é possível ser Cristão e promover o ódio, a discórdia e a intolerância.

Jesus dedicou sua vida a promoção do Amor, da tolerância, da caridade, do perdão, da compaixão. Jesus nos ensinou a compartilhar o pão. Jesus lutou e protestou contra o autoritarismo.  Ajudou os mais pobres, os odiados, os rejeitados, e pediu para que seus seguidores fizessem o mesmo. Jesus nos pediu para não sermos hipócritas, mas sinceros. Jesus pediu para amarmos nossos inimigos e procurar a reconciliação ao invés do ódio. Estes, foram ensinamentos claros de como seus seguidores deveriam se comportar.

Toda uma vida dedicada a promoção do Amor ao próximo, do perdão, da compaixão e da tolerância. Valores estes que ficaram evidentes no momento da sua morte. A crucificação de Jesus foi a prova da grandiosidade do seu espirito. Mesmo sendo brutalmente torturado, Jesus Amou seus algozes, orou por eles, e pediu a Deus por suas almas. Eis aí um verdadeiro Cristão. Aquele que perdoa o assassino do seu próprio filho. Aquele que ama quem lhe quer fazer o mau. Aquele que tolera as diferenças. Aquele que compartilha o pão. Aquele que promove o Amor nos momentos em que o ódio é mais sedutor. Aquele que ajuda os rejeitados.

Jesus é Amor, não é ódio! O objetivo do Cristão deve ser o de ser aquele que jesus foi no momento da sua crucificação. Amor puro! Amor que salva!

Como pode alguém idolatrar aquele que promove a intolerância, o ódio, a divisão, a tortura, a morte, a indiferença, o revanchismo, a vingança e a brutalidade ao próximo, e ter a coragem de se dizer Cristão? Como pode um dito Cristão, compactuar e promover sentimentos e comportamentos totalmente avessos aqueles praticados por Jesus?

Jesus foi assassinado pelo autoritarismo ganancioso do poder. Jesus foi torturado e morto para que seus ensinamentos jamais fossem esquecidos. Jesus foi crucificado para que o caminho do bem fosse tão claro aos Cristãos, que nenhuma força seria capaz de corromper a verdade que os levaria a salvação. Mas, muitos Cristãos hoje, preferiram se juntar aos falsos profetas. Falsos profetas que conduzem seus corrompidos de volta a escuridão. A escuridão do olho por olho, dente por dente. A escuridão do ódio e da intolerância. Não são Cristãos. Podem até ser mitos, mas assim nunca serão Cristãos… Jesus pediu por vossos arrependimentos. Arrependam-se!

 

O RE-SURGIMENTO DO POPULISMO REVOLUCIONÁRIO

By: Michaell Lange,

29/12/16 –

Assim como o liberalismo, o populismo tem conceitos diferentes de acordo com o lugar, o tempo e o lado político no qual se encontra o argumento. Há um entendimento generalizado difundido pelo pensamento de esquerda, que assume o populismo como um movimento do povo contra a elite. A elite neste caso, seria uma barreira que impede as melhorias necessárias para sociedade como um todo. Já de acordo com o pensamento de direita, esse conceito é falso pois, a idéia de que há uma união de pensamentos e idéias que caracterizam um povo, é inexistente.

O que chamo de “populismo revolucionário”, e que será o fator central desse artigo, se trata do populismo que explora a indignação do povo, sobretudo da classe operária. Esse apelo as massas ja levou ao poder no passado, lideres como Hitler, Mussolini, Stalin, Mao Zedong, Pol Pot, Francisco Franco e Fidel Castro, além de outros. O que há em comum entre eles é a guerra, a opressão e a morte de milhares de inocentes. O sistema que une a ideologia de todos os líderes citados acima é o totalitarismo, que se apresenta em diferentes formas, seja liberal, democrático, libertador, revolucionário, socialista ou popular. Seja qual for a vestimenta, todos eles são, no fundo, totalitaristas ou seja, pessoas que buscam o poder total para si mesmo. Quando compramos um produto, além do reconhecimento visual, o rótulo deve trazer com clareza o que é, e o do que o produto é feito. Na política mundial, a política pode trazer diferentes rótulos para o mesmo produto. Tudo é válido para convencer o povo. Infelizmente, o povo, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, é quase sempre convencido a comprar “gato por lebre”.

O re-surgimento do populismo revolucionário é extremamente preocupante. Os exemplos do passado precisam ser reconhecidos para que os mesmos erros e as mesmas tragédias não se repitam no futuro. Infelizmente, esse processo se encontra em estágio avançado e poucos percebem a gravidade do seu re-surgimento. O populismo revolucionário tem como principio, se identificar com a classe trabalhadora e através dela, chegar ao poder. Ao que parece, quanto mais anti-sistema e radical forem, maior a popularidade. Quanto mais enfurecedor o discurso, maior o apoio popular. Quanto mais apelativo, maior a sua aceitação. Os exemplos desse fenômeno são numerosos. O maior de todos chama-se Donald Trump. O mais novo presidente Americano, foi eleito com um discurso inflamatório, ofensivo, discriminatório e revolucionário. Quanto mais ofensivo eram os discursos de Trump, maior era a sua popularidade. Quanto mais a mídia tentava destruí-lo, maior ele ficava. Trump foi eleito com a promessa de construir muros, expulsar milhões de imigrantes e proibir a entrada de muçulmanos nos EUA. O extremismo clássico, populista e extremamente perigoso de Trump, esta se propagando pelos quatro cantos do planeta em uma velocidade preocupante. Essa estratégia ja deu certo no passado e o mundo viveu os horrores da sua consequência. O crescimento do extremismo no mundo, pode ser o inicio do re-surgimento do fascismo e do Nazismo camuflados em uma nova vestimenta que pode sim, levar o mundo de volta às catástrofes dos anos 30 e 40. A eleição de Trump nos EUA provou que a retórica do extremismo pode ser um atalho ao poder. O sucesso de Trump deu credibilidade a outros extremistas como Nigel Farage, que por dez anos lutou pela saída do Reino Unido da União Européia com um discurso muito similar ao de Donald Trump. Farage, foi o principal pivô na campanha do Brexit, do referendum Britânico que decidiu pela saída do pais da União Européia. Na Austria, outro extremista acusado de ser um neo-nazista, Norbert Hofer, venceu as eleições e se tornou o mais novo presidente do país. O líder do Partido da Libertação Austríaca, é apenas mais dos exemplos da corrida para a extrema direita que ocorre na Europa nesse momento. Esse fenômeno tem sido seguido de perto por vários outros países no mundo incluindo o Brasil. Na Holanda, Geert Wilder, do Partido para a Libertação, lidera o movimento radical no seu país. Na França, a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, lidera as pesquisas presidenciais com a promessa de seguir o exemplo Britânico e retirar a França da União Européia. Em Israel, Netanyahu dispensa qualquer apresentação. E na Russia, Putin aproveita o momento conturbado na política global para se fortalecer como um poderoso líder da nova geopolítica mundial. Todos eles usam a mesma retórica radical anti-Islâmicos e anti-imigrantes.

No Brasil, o caos econômico causado pelo impasse político promovido irresponsavelmente por corruptos incompetentes no Congresso Nacional junto ao colapso do ja precário sistema de saúde, educação e segurança, vem abrindo espaço para o radicalismo retórico populista liderado por Jair Bolsonaro. O surgimento de um mito que na TV aparece enfurecido, pregando a morte de bandidos, mesmo trabalhando e sendo aliados de muitos deles, ganha força como candidato a presidência da República em 2018. Bolsonaro se tornou, ou pretende se tornar, o Trump Brasileiro, mesmo que as similaridades entre os dois se limitem a retórica radical e populista para chegar ao poder. Bolsonaro esta desesperado por uma foto junto ao presidente Trump que possa ser usada como bandeira em sua campanha eleitoral para 2018. É muito provavelmente que ele conseguira seu pequeno troféu Americano que certamente aumentará suas chances de vitória em 2018. O crescimento da popularidade de Bolsonaro no Brasil segue o mesmo princípio do que vem acontecendo nos EUA e Europa. A crise financeira de 2008 fez 6 milhões de americanos perderem suas casas, pondo fim ao sonho Americano. A crise do Euro e o colapso da economia Brasileira, são as principais causas do re-surgimento do populismo revolucionário que nos anos 30, logo após a grande depressão econômica de 29, fez surgir o pesadelo Nazista e Fascista que aterrorizou o mundo por décadas. Os próximos 3 anos serão cruciais para evitarmos uma repetição dos erros do passado. Entender o fenômeno político que vem ocorrendo no mundo, é fundamental para que as gerações futuras não precisem sofrer as consequências causadas pelos erros das gerações atuais. As consequências do radicalismo é a violência, e violência não é, nem nunca será, solução para nada. O radicalismo não pode ser uma opção aos erros do atual sistema político mundial. O apelo da retórica radical deve ser rejeitada a todo custo. Aqueles que se sentem atraídos pelos discursos inflamatórios de políticos como Bolsonaro, precisam refletir sobre a verdadeira intensão do seu discurso radical. A falta de opção não pode ser uma justificativa para eleger o mais furioso da lista. Não há dúvidas de que o atual sistema político precisa ser derrubado e repensado. Mas, substituí-lo pelo radicalismo seria um retrocesso de altíssimo custo que eu, você, e as gerações futuras terão que bancar.

A Florença do Conhecimento

By: Michaell Lange,

Florença, Italia, 05/01/16 –

Dois dias para conhecer Florença é quase um insulto a grandiosidade da importância que essa cidade representa para a humanidade. Seriam precisos no mínimo, 30 dias bem organizados para se ter uma idéia do que Florença realmente tem para oferecer em conteúdo histórico, artístico e cientifico.
Eu cresci assistindo o programa da Xuxa e do Faustão, quase como uma imposição social promovida por uma cultura de alienação que continua em alta em pleno século 21. Grande parte do mundo hoje sofre desse mal assim como a maioria dos Brasileiros. Parece que em algum ponto da sociedade humana, a barreira do conhecimento é vetada para quem tem pouco ou um pouco menos.

Perambulando pelas ruas desta cidade que mais parece um livro imenso, pensei, como é possível todo esse conhecimento ao ar livre e tão acessível a todas as pessoas que estão aqui, estar sendo praticamente mantido em segredo e fora do alcance de tantos milhões de outros seres humanos que não tem o suficiente para ter o direito de saber um pouco mais. É verdade, eu tenho pouco e precisei renunciar de muitas coisas para poder estar aqui hoje. Foi uma escolha minha mas, até dois dias atras, Michelangelo e Leonardo da Vinci, eram para mim, apenas dois pintores famosos de alguns dos quadros mais caros do mundo. Galileu, era apenas um astrônomo que havia questionado o sistema estabelecido de sua época e teria sido morto na fogueira da inquisição ao invés de uma provável infecção no peito. O mito dos super heróis da Disney e de Hollywood, incluindo a Xuxa, o Fofão, Angélica, Sérgio Malandro e Mara Maravilha, da hollywood Brasileira, sempre foram minhas referencias de infância e continuam sendo, eu sei, para milhares de outras crianças ao redor do mundo, vítimas deste sistema absurdo. O Super Homem, o Batman, a Shira, o He-Man, entre outros falsos super heróis, formam a barreira imoral e nefasto que condena grande parte da humanidade a um desenvolvimento atrasado e por tanto, sempre abaixo de quem teve ou tem, acesso ao conhecimento.

O que você diria se alguém lhe falasse sobre pessoas que não apenas tiveram inúmeras profissões mas, que também foram lideres e pioneiros em muitas delas? Confesso que depois de dois dias em Florença, meu certificado de Bacharel em Relações Internacionais e Política, pesa infinitamente menos que a dois dias atrás. Mas isso não deve ser motivo de tristeza, muito pelo contrário. Devemos sempre buscar mais em todos os sentidos do conhecimento e aprendizado. Imagine alguém conseguir ser não apenas um dos maiores pintores de todos os tempos mas, também um dos melhores escultores, arquiteto e poeta de todos os tempos? Pois, assim foi Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni. Leonardo da Vinci, não foi apenas um grande pintor. Leonardo di Ser Piero Da Vinci, foi escultor, arquiteto, cientista, musico, matemático, engenheiro, astronomo,  geólogo, anatomista, botanico, escritor, historiador, considerado pai da arquitetura, inventor dentre outras coisas, do helicóptero e do para-quedas. Galileu Galilei, não foi apenas um astrônomo que revolucionou seu tempo e questionou as verdades absolutas da igreja. Ele foi físico, engenheiro, filósofo e matemático, com influência incalculável no desenvolvimento tecnológico moderno incluindo o smartphone que usamos hoje. Agora me digam senhores, quem foi super-man, batman, Shira e he-man? Como é possível aceitarmos que nossas crianças tenham como heróis, figuras que nunca existiram e nunca foram nada além de ficção? Como podemos continuar aceitando o veto da educação de nossas crianças, imposto pelos governos e pelos interesses privados, que privam nossas crianças de mentes e pessoas fantásticas que revolucionaram a vida em nosso planeta em praticamente todos os aspectos possíveis?

Dois dias na cidade onde alguns destes mestres da arte, da ciência e história, viveram e estão sepultados, fez meus pensamentos voarem alto e muito além do que estava acostumado. Conheci Lorenzo de medici, outro mestre renascentista da art, política e diplomacia que influenciou de forma imensurável a história de Florença e por consequência, a própria história do ser humano. São tantos gigantes em um só lugar que é difícil absorver tamanha injeção de conhecimento de uma vez só. Até mesmo o criador da mundialmente famosa história do Pinoquio, Carlo Lorenzini, esta sepultado em Florença. Imagino que tantos outros gigantes descansam por estas esquinas e que não tive tempo de descobrir. Mas, o legado destes gigantes esta exposto em cada metro quadrado desta cidade, em cada esquina, e até mesmo nas pizzas servidas aos visitantes esfomeados, feitas com um talento digno do Italiano da Toscana.
Vou embora com planos de retornar a esta cidade com meu filho ja mais crescido. Desejo voltar aqui com a intenção principal de liberta-lo da armadilha cultural e da alienação de que um dia fui vitima. Nada é mais poderoso e libertador que o conhecimento!