A CARNE NÃO É FRACA, A CARNE É PODRE! (crítica)

By: Michaell Lange, (crítica)

London, 20/03/17 –

Cazuza e Renato Russo cantavam nos anos 80, “Que país é esse?” “Brasil, mostra a tua cara!”. O povo cantou e canta até hoje as musicas que denunciavam nossa falta de bom senso e nosso descaso com o Brasil. Mas, por alguma razão, não percebemos que estas musicas falavam sobre a gravidade da nossa negligência com nossa própria sociedade. Ignoramos nossa própria ignorância, mas acreditamos no futuro do Brasil. Queremos o fim da corrupção, mas não respeitamos a Constituição. De fato, nem conhecemos a Constituição. A mascara do Brasil vai caindo a cada escândalo, denunciando a corrupção e o descaso não apenas dos políticos, mas dos empresários, empresas e cidadãos. São todos culpados do Brasil ser o que o Brasil é hoje. Mas invés de vergonha, o sentimento é de desleixo. A indignação é tão pouca que é insuficiente até para um único final de semana de boicote a carne. Inventamos logo uma desculpa para justificar o churrasco e nos deixamos levar pela passividade típica do nosso povo. Aceitamos nossa condição de viver na lama e fazemos piadas do nosso lamaçal. “Da lama ao caos, do caos à lama, um homem roubado nunca se engana”, dizia chico Science. A letra é em bom Português, mas parece entrar codificado nos ouvidos tupiniquins. Ninguém recebe a mensagem eminente. É como o alarme de incêndio que perde a importância depois de ser acionado por acidente várias vezes e ninguém evacua o prédio quando ele pega fogo de verdade.

A Policia Federal agora é criticada por “colocar a economia Brasileira em risco”. Denunciam a PF por expôr um problema grave e com décadas de idade por supostos interesses Americanos. Ninguém seria tolo o suficiente de duvidar que o os Americanos estão infiltrados em todos os setores da economia e da sociedade Brasileira. Mas a culpa da carne Brasileira ser uma das piores do mundo não é dos Americanos e nem da Policia Federal. A responsabilidade do lixo consumido no Brasil é dos empresários Brasileiros e do consumidor que aceita estas condições. A Russia e os EUA não podem ser responsabillizados por se negarem a comer o lixo produzido pelo Brasil. Se o Brasileiro aceita essa condição, então, assuma também as suas consequências. Agora, empresários e corporações como a Sadia, Perdigão, Ceara, Friboi, entre outras, que são responsáveis por milhares de trabalhadores, precisam ser responsabilizados por colocar a economia Brasileira em risco e infringir as Lei Brasileiras. Em qualquer país sérios, eles perderiam a licença para produzir alimentos.

Mas, essa negligência não é jovem. Quando trabalhei no Brasil em meados de 1998/99, e viajava todo o estado de Santa Catarina e Paraná, era comum ver caminhões abarrotados de animais vivos como porcos, bois e frangos, estacionados sob sol escaldante de 30/35 graus, enquanto o motorista almoçava ou dormia após o almoço. Era triste de ver o sofrimento destes animais sem água ou comida, agonizando sob o sol forte. Fico imaginando quantos acabam sucumbindo ao transporte, e duvido que sejam descartados. O estado Brasileiro não apenas permite estes abusos como é negligente na sua fiscalização. A legislação Brasileira permite a criação de animais em condição de total confinamento. Essa prática é ilegal na Europa. Mas, o Brasil segue a legislação Americana que permite essa prática absurda além do uso de químicos comprovadamente cancerígenos para acelerar o crescimento e engorda dos animais. Na Europa o porco é criado solto como o gado, e o mesmo acontece com os frangos que são recolhidos no fim do dia e novamente soltos em campo aberto e apropriado na manhã seguinte. A negligência com o alimento vivo no Brasil não é nenhum segredo. O caso só veio a tona com tanta força agora porque a grande mídia deu a sua “benção”. Mas os videos de maus tratos com alimentos vivos e a má higiene no processamento de carnes e outros alimentos perecíveis é mais antigo do que a Constituição, e certamente mais antigo do que o YouTube.

Mas o Brasileiro aceita a condição. “Não tem mais jeito”, “Não vai mudar nunca”, dizem, sem perceber que essa atitude é a aceitação da condição de viver no caos da lama. O mais incrível é que o Brasileiro usa sua incrível capacidade de adaptação para encontrar conforto na lama ao invés de usa-la para sair dela. Quando perguntei no FaceBook se alguém deixaria de comer carne ao menos um final de semana, as respostas foram unanimas. Ninguém deixou de comer carne podre! Aceitamos a condição de nos alimentarmos com lixo, e criticamos ou denunciamos quem se recusa a fazer o mesmo.

É interessante a arrogância do Brasileiro. Certa vez arrumei uma briga feia com meus irmãos e meu pai porque chamei os Brasileiros de arrogantes. Meu pai chegou a sair da sala com raiva. Mas eu fico imaginando. Chamamos os Argentinos de porcos, arrogantes, sujos e encrenqueiros. Mas é exatamente o Brasileiro que polui e suja o mar, as praias e os rios do Brasil destruindo seu meio ambiente tão rico. É o Brasileiro que joga o lixo na rua e deixa as lixeiras vazias. É o Brasileiro que grita É CAMPEÃO antes mesmo do jogo começar. É o Brasileiro que cai na porrada por causa de uma partida de futebol, mas é incapaz de brigar por um país melhor. É o Brasileiro que tira onda do Reino Unido por ter assumido o lugar de quinta maior economia do mundo, mesmo que o povo esteja morrendo nas mãos de bandidos e políticos corruptos e o titulo de quinto lugar tenha durado menos de seis meses. E é o Brasileiro que não Ama o Brasil 10% do quanto o Argentino Ama a Argentina. E é o Argentino que é mundialmente reconhecido por ter a melhor qualidade de carne do mundo!

A verdade é que o Brasileiro não se importa se a cerveja é feita de milho, se a carne é podre, se o salgadinho pega fogo, se o whisky é falso, se o político é ladrão, se o pacote de arroz de 1kg na verdade tem só 750 gramas, se só Deus sabe o que tem dentro da linguiça. A verdade é que o Brasileiro aceita essa condição e é capaz de encontrar qualquer desculpa esfarrapada para justificar a situação. O Brasileiro continua comprando, comendo, votando e encontrando conforto na lama. Assim como um dependente químico, ninguém pode ajudar alguém quem não queira ser ajudado. A mudança só ocorre quando a decisão de mudar vem de quem deseja mudança. O Brasileiro precisa entender que ele, como indivíduo, precisa ser o instrumento dessa mudança. Sem a consciência de que o Brasil é feito pelo conjunto das atitudes diárias de cada Brasileiro, a carne continuará sendo podre!

 

 

O RE-SURGIMENTO DO POPULISMO REVOLUCIONÁRIO

By: Michaell Lange,

29/12/16 –

Assim como o liberalismo, o populismo tem conceitos diferentes de acordo com o lugar, o tempo e o lado político no qual se encontra o argumento. Há um entendimento generalizado difundido pelo pensamento de esquerda, que assume o populismo como um movimento do povo contra a elite. A elite neste caso, seria uma barreira que impede as melhorias necessárias para sociedade como um todo. Já de acordo com o pensamento de direita, esse conceito é falso pois, a idéia de que há uma união de pensamentos e idéias que caracterizam um povo, é inexistente.

O que chamo de “populismo revolucionário”, e que será o fator central desse artigo, se trata do populismo que explora a indignação do povo, sobretudo da classe operária. Esse apelo as massas ja levou ao poder no passado, lideres como Hitler, Mussolini, Stalin, Mao Zedong, Pol Pot, Francisco Franco e Fidel Castro, além de outros. O que há em comum entre eles é a guerra, a opressão e a morte de milhares de inocentes. O sistema que une a ideologia de todos os líderes citados acima é o totalitarismo, que se apresenta em diferentes formas, seja liberal, democrático, libertador, revolucionário, socialista ou popular. Seja qual for a vestimenta, todos eles são, no fundo, totalitaristas ou seja, pessoas que buscam o poder total para si mesmo. Quando compramos um produto, além do reconhecimento visual, o rótulo deve trazer com clareza o que é, e o do que o produto é feito. Na política mundial, a política pode trazer diferentes rótulos para o mesmo produto. Tudo é válido para convencer o povo. Infelizmente, o povo, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, é quase sempre convencido a comprar “gato por lebre”.

O re-surgimento do populismo revolucionário é extremamente preocupante. Os exemplos do passado precisam ser reconhecidos para que os mesmos erros e as mesmas tragédias não se repitam no futuro. Infelizmente, esse processo se encontra em estágio avançado e poucos percebem a gravidade do seu re-surgimento. O populismo revolucionário tem como principio, se identificar com a classe trabalhadora e através dela, chegar ao poder. Ao que parece, quanto mais anti-sistema e radical forem, maior a popularidade. Quanto mais enfurecedor o discurso, maior o apoio popular. Quanto mais apelativo, maior a sua aceitação. Os exemplos desse fenômeno são numerosos. O maior de todos chama-se Donald Trump. O mais novo presidente Americano, foi eleito com um discurso inflamatório, ofensivo, discriminatório e revolucionário. Quanto mais ofensivo eram os discursos de Trump, maior era a sua popularidade. Quanto mais a mídia tentava destruí-lo, maior ele ficava. Trump foi eleito com a promessa de construir muros, expulsar milhões de imigrantes e proibir a entrada de muçulmanos nos EUA. O extremismo clássico, populista e extremamente perigoso de Trump, esta se propagando pelos quatro cantos do planeta em uma velocidade preocupante. Essa estratégia ja deu certo no passado e o mundo viveu os horrores da sua consequência. O crescimento do extremismo no mundo, pode ser o inicio do re-surgimento do fascismo e do Nazismo camuflados em uma nova vestimenta que pode sim, levar o mundo de volta às catástrofes dos anos 30 e 40. A eleição de Trump nos EUA provou que a retórica do extremismo pode ser um atalho ao poder. O sucesso de Trump deu credibilidade a outros extremistas como Nigel Farage, que por dez anos lutou pela saída do Reino Unido da União Européia com um discurso muito similar ao de Donald Trump. Farage, foi o principal pivô na campanha do Brexit, do referendum Britânico que decidiu pela saída do pais da União Européia. Na Austria, outro extremista acusado de ser um neo-nazista, Norbert Hofer, venceu as eleições e se tornou o mais novo presidente do país. O líder do Partido da Libertação Austríaca, é apenas mais dos exemplos da corrida para a extrema direita que ocorre na Europa nesse momento. Esse fenômeno tem sido seguido de perto por vários outros países no mundo incluindo o Brasil. Na Holanda, Geert Wilder, do Partido para a Libertação, lidera o movimento radical no seu país. Na França, a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, lidera as pesquisas presidenciais com a promessa de seguir o exemplo Britânico e retirar a França da União Européia. Em Israel, Netanyahu dispensa qualquer apresentação. E na Russia, Putin aproveita o momento conturbado na política global para se fortalecer como um poderoso líder da nova geopolítica mundial. Todos eles usam a mesma retórica radical anti-Islâmicos e anti-imigrantes.

No Brasil, o caos econômico causado pelo impasse político promovido irresponsavelmente por corruptos incompetentes no Congresso Nacional junto ao colapso do ja precário sistema de saúde, educação e segurança, vem abrindo espaço para o radicalismo retórico populista liderado por Jair Bolsonaro. O surgimento de um mito que na TV aparece enfurecido, pregando a morte de bandidos, mesmo trabalhando e sendo aliados de muitos deles, ganha força como candidato a presidência da República em 2018. Bolsonaro se tornou, ou pretende se tornar, o Trump Brasileiro, mesmo que as similaridades entre os dois se limitem a retórica radical e populista para chegar ao poder. Bolsonaro esta desesperado por uma foto junto ao presidente Trump que possa ser usada como bandeira em sua campanha eleitoral para 2018. É muito provavelmente que ele conseguira seu pequeno troféu Americano que certamente aumentará suas chances de vitória em 2018. O crescimento da popularidade de Bolsonaro no Brasil segue o mesmo princípio do que vem acontecendo nos EUA e Europa. A crise financeira de 2008 fez 6 milhões de americanos perderem suas casas, pondo fim ao sonho Americano. A crise do Euro e o colapso da economia Brasileira, são as principais causas do re-surgimento do populismo revolucionário que nos anos 30, logo após a grande depressão econômica de 29, fez surgir o pesadelo Nazista e Fascista que aterrorizou o mundo por décadas. Os próximos 3 anos serão cruciais para evitarmos uma repetição dos erros do passado. Entender o fenômeno político que vem ocorrendo no mundo, é fundamental para que as gerações futuras não precisem sofrer as consequências causadas pelos erros das gerações atuais. As consequências do radicalismo é a violência, e violência não é, nem nunca será, solução para nada. O radicalismo não pode ser uma opção aos erros do atual sistema político mundial. O apelo da retórica radical deve ser rejeitada a todo custo. Aqueles que se sentem atraídos pelos discursos inflamatórios de políticos como Bolsonaro, precisam refletir sobre a verdadeira intensão do seu discurso radical. A falta de opção não pode ser uma justificativa para eleger o mais furioso da lista. Não há dúvidas de que o atual sistema político precisa ser derrubado e repensado. Mas, substituí-lo pelo radicalismo seria um retrocesso de altíssimo custo que eu, você, e as gerações futuras terão que bancar.

O BRASIL, A DEMOCRACIA E NOSSOS PECADOS POLÍTICOS

BY: Michaell Lange,

London, 05/09/16 –

Esse artigo é quase uma carta aberta aos meus amigos e colegas com quem venho debatendo desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff. É normal que haja desentendimentos e erros de interpretação. Mas é fundamental que possamos entender a posição política de quem esta debatendo com você. Nós Brasileiros, temos muitos defeitos, sobretudo na facilidade como somos induzidos ao erro e influenciados a aceitar opiniões prontas sem questionamentos. Mas é verdade dizer também que ao longo dos anos o Brasileiro vem se tornando mais politizado e mais envolvido com as questões políticas do nosso país. Essa mudança se deve principalmente (ao meu ver) a introdução das redes sociais. Deixamos de ser 100% comandados pela mídia. Boa parte dos jovens se comunica via redes sociais numa comunicação de duas vias. Você opina e critica uma idéia e não apenas ouve sem direito de resposta como costumava ser nos tempos em que havia apenas o radio, a tv e a mídia impressa. Apesar dessa evolução, ainda estamos longe do ideal. Aquela vinheta do plantão da globo ainda tem o poder de fazer nossos corações dispararem causando um choque de ansiedade e preocupação. O jornal nacional continua sendo o ser supremo de informação, mesmo sabendo da sua parcialidade jornalística. Mas estamos melhorando gradativamente, isso é fato. Ha outros problemas mais sérios com relação a política que é de vital importância para o nosso futuro social. Nós Brasileiros, não entendemos quase nada sobre o que é política e como ela funciona. Nos limitamos ao debate sobre corrupção e partidos politicos, e acabamos perdendo os pontos importantes. Nada disso é nossa culpa. As escolas públicas não nos ensinam sobre política, e ha sempre uma suspeita de parcialidade quando alguns professores tentam ensinar política nas escolas. É certo dizer que na maioria dos casos que eu presenciei, os professores sempre foram parciais. Fui conhecer a imparcialidade política apenas na faculdade em Londres onde estudei Relações Internacionais e Política na London Metropolitan University. Meus professores, Mestres e Doutores, nunca se posicionaram de um lado ou de outro, com exceção de um ou dois que tinham dificuldades em controlar sua paixão por Margaret Thatcher e Karl Marx, mas ninguém é perfeito. Tirando as exceções, o incentivo ao debate sempre foi o objetivo maior. Para minha vantagem, na minha sala haviam Americanos, Iraquianos, Nigerianos, Chineses, Franceses, Italianos, Colombianos, Árabes, Russos, Ingleses, Brasileiros e até um aluno da Mongólia com o inglês mais bizarro que eu ja vi. Meus Mestres usavam essa diversidade cultural para verdadeiros confrontos políticos, sempre no campo das idéias, que as vezes não terminavam com o fim da aula. Seguíamos por horas e continuávamos pelos corredores e elevadores do Campus. Juntando toda essa bagagem aos meus 25 anos de Brasil, é importante que meus amigos e colegas não discriminem minha opinião apenas porque não moro no Brasil hoje. Não faço essa observação porque me ofendo.  Em primeiro lugar eu só me permito ser ofendido por pessoas que eu amo muito. Segundo, porque se você entra num debate político com a fragilidade de ofender ou ser ofendido, você não esta buscando conhecimento, você esta buscando apenas por meios para descarregar suas frustrações, e nesse tipo de debate não existe ganho intelectual. Porém, eu tenho lido e ouvido tanto esse argumento de que “eu não estou no Brasil por isso, não sei o que se passa la”, que acaba atrapalhando. É chato ouvir isso o tempo todo. É frustrante, principalmente quando vem de alguém que você sabe que tem potencial para ir além. O que eu gostaria de dizer para estas pessoas, sem precisar fazer “testão” no Face, é que: Eu não sinto o medo da insegurança que você sente morando no Brasil, mas eu sei que você sente medo. Eu sei que você sente medo porque eu ja senti esse medo também, e continuo sentindo cada vez que visito o Brasil. Eu não sinto a frustração de que você sente com a burocracia Brasileira, mas eu sei que você sente, porque eu ja senti também. Eu não julgo os Brasileiros que criticam Cuba, EUA, Russia ou Israel sem nunca terem morado ou visitado o lugar. O Diogo Mainardi da revista Veja mora na Italia mas ninguém questiona isso só porque o cara é famoso. Nós não sentimos na pele o que eles sentem, mas nós sabemos o que eles sentem. Por tanto pessoal, esse argumento de que é muito fácil falar morando aqui, é totalmente infundado e raso. A informação é global. Não sentir na pele o drama local não impede ninguém de falar sobre os problemas estando do outro lado do mundo. O Correspondente do jornal Britânico The Guardian, Glenn Greenwald vive no Brasil mas escreve sobre problemas do mundo inteiro. É importante reconhecer a legitimidade de opinião independente do local de onde vem a opinião. Toda opinião construtiva é valida para o debate não importando a sua origem.

DILMA E O IMPEACHMENT

Nós Brasileiros, estamos tão acostumados a pertencer a alguma coisa, um grupo, uma associação, um clube, um partido político, um time de futebol, uma igreja etc, que não nos damos conta que temos um conjunto de bens que deve ser apoiado e defendido por todos os Brasileiros sem distinção de qualquer natureza. Estou falando da Constituição Federal, a Democracia e nossa liberdade. Este conjunto de bens deve ser apoiado e defendido acima de tudo por todos os Brasileiros, indiferente de idéias e partidos. O que eu percebi do dia do impeachment para cá, é que ha muitos Brasileiros dispostos a colocar a democracia e a Constituição de lado para que seu desejo pessoal seja realizado. Também ha uma confusão com relação as pessoas que apoiam o Fora Temer de serem em quase sua totalidade, confundidos com defensores da Dilma. É obvio que poderíamos afirmar que a maioria de fato, são eleitores da Dilma, mas nem  todos são. Ha muitas pessoas defendo a democracia sem apoiar a Dilma. Eu por exemplo, nunca escondi minha frustração com a falta de competência e liderança da Dilma, apesar de acreditar que ela seja uma pessoa sensibilizada com as questões sociais. Mas, nem isso faz dela uma boa Presidente. Mesmo assim, não podemos ignorar a Constituição e ameaçar nossa democracia para tira-la do poder a força. Eu sou contra o impeachment e contra a saída da Dilma, não porque a defendo, mas por respeito o conjunto de bens que eu citei acima. A Constituição deveria ser para os Brasileiros o que a Bíblia e o Alcorão são para os Cristãos e Muçulmanos. Entendam que defender a Dilma contra o impeachment não faz de mim um eleitor Petista. A minha defesa é a favor da democracia e da Constituição Federal. Da mesma forma que defender o Fora Temer não faz de você um petista. Existem várias religiões que usam a Bíblia como seu livro sagrado. Apesar de serem religiões diferentes, todas elas se unem no livro sagrado. A questão partidarista e ideológica no Brasil deveria seguir a mesma linha da Bíblia ou seja, podemos pertencer a partidos diferentes, apoiar idéias diferentes, mas todos nós precisamos estar unidos em defesa da nossa democracia e da nossa Constituição Federal. Não é possível anular e aplicar a Constituição Federal por conveniência.

Por tanto, quem perdeu com o Impeachment não foi a Dilma ou o PT. Seria inocência e ingenuidade acreditar que um partido que esteve no poder por 13 anos e teve que ser retirado a força do Executivo, perdeu alguma coisa com isso. Considerando o caos que se encontra a direita Brasileira, é quase certo que o Lula volta a ser presidente do Brasil em 2018. Quem de fato perdeu com o impeachment foi a democracia, a Constituição Federal e nossa liberdade, que se encontra comprometida e ameaçada nas mãos de políticos réus, investigados, afastados ou ja condenados por corrupção e lavagem de dinheiro, que hoje, graças ao impeachment, gozam de imunidade parlamentar ou seja, não responderão aos crimes que cometeram. Se ao invés da Constituição Federal fosse a Bíblia, todos os Cristãos, evangélicos, Presbiterianos, Jeovás, Luteranos, Batistas etc, estariam unidos para defender o livro sagrado. O que nos impede de nos unir para defender a Constituição Federal?

O GOVERNO

Outro conceito errado que nós Brasileiros exercemos. O governo não é formado apenas pelo presidente da república. O governo Brasileiro é formado por três poderes. O Executivo, representado na figura do Presidente, o Legislativo que é representado pelo Congresso Nacional e o Judiciário. A figura do presidente representa apenas o poder executivo. Os poderes são divididos exatamente para evitar o que seria uma ditadura ou um totalitarismo onde a voz do presidente seria a Lei. A maior prova dessa divisão do poder foi o impasse político causado pela então oposição governamental. Quando as bancada evangélica, militar e ruralista se uniram, eles dominaram o Congresso Nacional e criaram uma barreira que estaguinou o exercício do governo como um todo. O governo parou porque ele não funciona apenas com as ordens do presidente. O governo não funciona sem o Congresso aprovar e deliberar as prioridades sociais, assim como não adianta o Congresso querer sem a presidência sancionar. O governo por tanto, é todo o conjunto que envolve os três poderes, e não apenas o presidente. Não entender como estes três poderes interagem nos faz vitimas da nossa própria ignorância. O presidente era a Dilma, mas o governo era formado por ela, pelo Congresso Nacional e pelo Judiciário. Na questão do impeachment, todos falharam com suas obrigações e responsabilidades porque o interesse coletivo do congresso era derrubar o presidente. A constituição ficou em segundo plano para interesses partidários nacionais e internacionais. O povo Brasileiro precisa entender que a nossa Constituição Federal é o nosso livro sagrado e deve estar acima de qualquer interesse partidarista ou ideológico.

A DEMOCRACIA

O conceito mais simples sobre a democracia parecer ser o mais aceito por grande parte dos Brasileiros. As pessoas pensam que a democracia é apenas o direito de votar e escolher nossos governantes. Isso é um equívoco. A definição de democracia como sendo o poder do povo pelo povo para o povo, vai muito além do direito de votar. Pessoalmente, defino a democracia como o sistema mais caótico que existe. A ditadura e o totalitarismo tira do povo o direito e a responsabilidade de opinar, de expressar suas vontades e desejos. O ditador é o senhor do seu povo ou seja, o que ele fala é Lei e pronto. A democracia é caótica porque concede o mesmo direito a todos os cidadãos. Essa ação por si só causadora de caos. O artigo quinto da nossa Constituição Federal de 1988 afirma: “Todos são iguais perante a Lei sem distinção de qualquer natureza” ou seja, indiferente da sua profissão, escolaridade, status social, condição financeira; todos são iguais perante a Lei. A consequência dessa igualdade social perante a Lei concede a 200 milhões de cidadãos Brasileiros que pensam diferente, tem desejos diferentes, ambições diferentes, idéias diferentes, poder financeiro diferente, status social diferente; a condição de total igualdade perante a Lei. O policial, O advogado, o Juiz, e outras autoridades sociais não tem por tanto, mais direitos do que qualquer outro cidadão Brasileiro, o que eles tem é mais responsabilidades. No Brasil, temos o conceito errado e inconsciente de que quanto mais dinheiro você tem mais direitos você adquire. Esse conceito é totalmente equivocado. O rico não tem mais direitos do que o pobre. A autoridade não tem mais direitos do que qualquer membro da nossa sociedade. Por isso a sociedade democrática é uma sociedade caótica, onde todos tem os mesmos direitos e precisam, de alguma forma, acomodar os diferentes anseios de cada cidadão para que a sociedade funcione. O protesto que fecha a rua, a avenida ou a ponte, gera grandes transtornos a muitas pessoas que também tem garantido por Lei o direito de ir e vir. Esta Lei também faz parte do artigo quinto da Constituição Federal de 1988 que afirma: “É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou sair com seus bens. Todo cidadão tem direito de se locomover livremente nas ruas, nas praças, nos lugares públicos, sem temor de serem privados de locomoção”. Essa Lei em si ja é causadora de caos, mas quando a Lei que nos da o direito e ir e vir sem temor de serem privados de locomoção, é confrontada com a Lei que nos da o direito a manifestações, o resultado só pode ser o caótico. A Lei que concede o direito a manifestação também faz parte do artigo quinto e afirma: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; […] XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; […] XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar”.

Vemos frequentemente que a PM e o Governo interferem em nossos direitos constitucionais seja pelo uso da violência, bloqueio da livre passagem dos manifestantes, e proibição de atos públicos. Manifestantes também infringem a Lei ao depredar o patrimônio público e portar armas durante manifestações populares.

O caos democrático pode ser observado por exemplo no cidadão que trabalhou o dia inteiro e deseja sua livre locomoção até a sua residência, mas se depara com uma manifestação pública sobre assuntos que não lhe trazem interesse. A virtude social que deve ser sempre exercitada para o controle do caos democrático é a tolerância. A tolerância reconhece a importância de uma manifestação popular mesmo quando esta não nos interessa. A greve dos caminhoneiros causou imenso transtorno durante semanas em quase todo o território Brasileiro. Muitas pessoas que simpatizavam com o argumento dos caminhoneiros exercitaram a tolerância diante de estradas e rodovias federais que permaneceram fechadas por vários dias. Ja as manifestações que fecharam a ponte em Florianópolis na hora do rush, foi intensamente criticada, principalmente por aqueles que não simpatizavam com a causa. Isso tende a agravar o senso de injustiça. Mas é importante que tudo isso seja superado e considerado necessário para a manutenção da nossa democracia. Pessoalmente achei a idéia de fechar a ponte um tanto equivocada pois, afeta o cidadão que deseja ir para casa e certamente não atrai o apoio popular. Mas esse é o caos democrático que desejamos viver. Na Coreia do Norte não ha caos, não ha protestos nem greve, porque não ha direitos nem liberdades. O totalitarismo ditatorial concede o poder total a uma única pessoa e esta, é quem decide como a sociedade e seus cidadãos devem se comportar. Hoje, o principal acesso terrestre entre a França e o Reino Unido foi fechado por manifestantes franceses. Esta é uma questão ainda mais delicada pois envolve o bloqueio de um dos principais acesso ao Reino Unido. Mas mesmo com algumas criticas, as agencias de transito e transporte fazem todo o possível para que a manifestação ocorra com segurança e com o mínimo de transtorno aos cidadãos afetados. Esse trabalho minimiza o caos e garante a manutenção da democracia. O protesto deve durar uma semana. A policia se limita a garantir a segurança de todos os envolvidos.

Concluo que o debate politico em todas as esferas sociais é extremamente importante para que possamos, não apenas nos comunicar diretamente, mas entender mais sobre o povo Brasileiro, quem somos, o que desejamos, porque divergimos nas opiniões. Entender o processo democrático, o funcionamento do governo e conhecer nossos direitos, é mais do que um dever, é uma responsabilidade de quem busca construir um país melhor para viver. Os rótulos populares que causam divisão e atrito, devem ser evitados. Pessoalmente não uso nenhum deles. Não me refiro a nenhum cidadão Brasileiro como coxinha, petralha, tucanalha, mortadela etc. Somos todos um único povo que busca e deseja melhorias. Separados em bandos, seremos sempre massa de manobra. Unidos, somos uma democracia forte e livre. A superação destas diferenças é provavelmente o processo mais difícil. As relações entre o povo, o governo, a policia e outras agencias e instituições sociais e governamentais, sempre foram marcadas pela fragilidade e a desconfiança. mas cabe a cada cidadão mudar essa realidade dentro de si. Não ha tempo a perder, o Brasil precisa crescer e se desenvolver.

 

 

 

 

UM MODELO ECONÔMICO QUE PODE TRANSFORMAR AS RELAÇÕES ENTRE EMPREGADO E EMPREGADOR (debate)

 

O atual modelo econômico das relações entre empregado e empregador é insustentável e extremamente injusto. É possível desenvolver um novo modelo que inclua a classe trabalhadora como parte acionista da empresa ao invés de serem apenas um custo indesejável e ferramenta de exploração. O que você acha? Vamos debater novas idéias?
Uma empresa funciona basicamente em dois eixos totalmente dependentes ou seja, um não existiria sem o outro (exceto em algumas exceções).
O eixo numero 1 é formado pelo quadro de funcionários de base, composto por todos que trabalham a partir do office boy, pessoal da limpeza até o gerente geral.
O eixo numero 2 é formado pelo alto escalão a partir da mesa diretora até os acionistas (shareholders), e é tão importante quanto o eixo numero 1.
No atual modelo econômico, apenas o eixo numero 2 (alto escalão), é devidamente recompensado pelos serviços prestados a empresa mesmo que nenhum resultado positivo possa ser alcançado sem a colaboração do eixo 1 (funcionários). O eixo numero 1 é de modo geral negligenciado (apesar de haver exceções). A minha pergunta é: Se os dois eixos são totalmente dependentes um do outro, por que apenas uma das partes é devidamente recompensada?
No modelo econômico sugerido aqui, os dois eixos são recompensados e beneficiados pelo sucesso da empresa em que trabalham. Dessa forma, todo mundo colhe o sucesso produzido por todos e eventualmente, repartem também as responsabilidades pelos erros e prejuízos que ocorrerem pelo caminho.
Vamos usar uma empresa imaginária com mil funcionários como exemplo. Neste caso, 25% da empresa pertenceria aos funcionários de base, do eixo 1. Os outros 75% pertenceria ao eixo 2 que pode ser um único dono ou um grupo formado por diretores acionistas, investidores e outras empresas. Dessa forma, os funcionários não são apenas coadjuvantes na história de sucesso da empresa. No atual modelo os funcionários continuam recebendo o mesmo salário mesmo quando a empresa apresenta crescimentos expressivos. O time de diretores e gerentes que produzem os projetos e planos futuros são essenciais para o sucesso da empresa, mas todo o planejamento e experiência dos empreendedores não valeriam de nada sem o trabalho dos mil funcionários para colocar o plano em prática. Se os dois eixos são essenciais para o sucesso da empresa, por que apenas o alto escalão é recompensado? O gráfico de crescimento salarial dos funcionários deveria acompanhar o gráfico de crescimento da empresa. O que acontece hoje largamente em quase todo o mundo, é o oposto. Empresas apresentam crescimento ao mesmo tempo que os funcionários perdem poder financeiro. Em muitos casos esta perda salarial é consequência da situação econômica do país, porém é verdadeiro afirmar que essa perda também é consequência de uma negligência da empresa  com relação a seus funcionários. É um fenômeno global o lobby the grandes empresas para a redução dos direitos trabalhistas. Por outro lado, esse problema seria minimizado se os funcionários possuíssem 25% da empresa. É injusto que os funcionários recebam apenas um salário fixo que na maioria das vezes não é suficiente para cobrir os custos do mês, ao mesmo tempo que seu trabalho ajuda de forma vital o crescimento da empresa.
Não se trata apenas de uma questão de justiça
O quadro de funcionários de base assim como o alto escalão, são partes fundamentais da empresa, e muitos empresários como o dono do Grupo Virgin, Sr Richard Branson, afirma que os funcionários são os maiores “assets” da empresa ou seja, para Branson, o quadro de funcionários é o maior patrimônio do Grupo Virgin. Muitas empresas investem milhões de Dólares todos os anos em campanhas de motivação. O que poucos empresários não percebem é que em muitos casos, se não na grande maioria, a principal motivação para o funcionário é a mesma do empresário ou seja, sucesso financeiro! O poder financeiro que torna possível um funcionário de base, seja ele office boy ou funcionário da limpeza, de levar a família para uma viagem de férias no final do ano e comprar um carro novo por exemplo, é na maioria dos casos a principal fonte de motivação de um funcionário. Quantos mil Reais seria preciso investir para motivar um funcionário que mal ganha para pagar as contas no final do mês, sabendo que a empresa em que ele trabalha apresenta crescimento de lucro ao mesmo tempo que seu salário segue congelado a anos? Quantos mil Reais seria preciso para motivar um funcionário que assiste todos os dias os diretores da empresa irem para casa dirigindo um carrão enquanto ele terá que enfrentar uma jornada de várias horas dentro de um ônibus sem ar-condicionado quando a importância dos dois para a empresa é a mesma? Não se trata apenas de justiça. É uma questão de sucesso compartilhado. É uma questão de recompensa mútua que irá gerar naturalmente a motivação necessária para a continuação do sucesso da empresa. Trata-se do reconhecimento de uma parceria que coopera para o sucesso da empresa.
Os possíveis problemas 
1 – A teoria vs pratica – Considerando o atual cenário econômico mundial, é difícil dizer a real viabilidade do sistema proposto que em teoria deveria funcionar sem grandes dificuldades. É importante citar também que o atual sistema econômico é insustentável e certamente sofrerá colapsos futuros por conta do empobrecimento na base da pirâmide social. Talvez o modelo econômico atual seja apenas o reflexo de uma pratica centenária que poderia ser revertida com um pouco de vontade, planejamento e cooperação por parte dos empresários ao redor do mundo.
2 – Legislação – considerando que a economia mundial é interdependente, o sucesso desse modelo econômico não poderia ser atingido por meio de Leis e regulamentação, ja que países competem entre si para atrair investimentos assim como as empresas estão sempre a procura de locais que proporcionem maiores benefícios a seus investimentos. Certamente não seria um diferencial para nenhum país que tenha uma Lei obrigassem empresas a liberarem 25% dos seus ativos para o quadro de funcionários.
3 – A legislação trabalhista e a logística para implantação do novo modelo – Dúvidas surgiriam sobre a relação legal entre funcionários e a empresa. Afinal, os funcionários seriam acionistas ou apenas funcionários com direito a 25% dos lucros? Em caso de demissão, como o caso seria tratado legalmente? Seria possível demitir alguém que legalmente é um acionista da empresa? Provavelmente os 25% não poderiam estar sob o controle dos funcionários a pondo de um funcionário poder vender a sua parte. Isso levaria inevitavelmente ao fim do modelo dos 25% quase que imediatamente após sua aplicação. Para poder funcionar, os 25% teria que fazer parte de um bloco lacrado onde os benefícios seriam divididos, mas as ações não poderiam ser vendidas.
4 – Experiência – Eu não sou empresário, muito menos um empreendedor. A situação de classe trabalhadora em que ocupo me torna suspeito de falar sobre o modelo que proponho acima. Por tanto, seria importante termos a opinião de empresários e economistas para que a idéia seja desenvolvida com maior credibilidade e a sua viabilidade seja analisada de forma mais abrangente.
Conclusão
O 25% é apenas um número relativo que pode ser maior ou menor, dependendo da empresa e do quanto a empresa deseja atrair os melhores trabalhadores para o seu quadro funcional. Da mesma forma que o salário é usado hoje para atrair bons funcionários, os 25% seriam o grande diferencial que levaria funcionários a permanecer muito mais tempo na empresa. Eu diria que considerando os riscos que os donos e acionistas correm, além da experiência e formação profissional, os 75% seria talvez, um número justo. Mas como eu sugeri acima, esse é um debate que precisaria da opinião de empresários e economistas com experiência para uma análise mais apurada sobre os possíveis prós e contras dessa idéia. Teoricamente, a idéia ajudaria na alto-estima dos funcionários que passariam a ser incluídos no projeto empresarial com direito a voz, além de ajudar a economia promovendo maior poder de compra ao funcionário que certamente gastaria mais acelerando a compra e venda de bens de consumo. Se a atual relação entre funcionário e empresa se resume apenas em uma cultura centenária que envolve a divisão de classe social, talvez seja hora de mudar esse conceito e a cultura que gera empobrecimento e exploração da classe trabalhadora para o benefício único e exclusivo do enriquecimento de uma pequena parcela da sociedade. Se os funcionários de uma empresa se unirem e pararem de trabalhar, o futuro da empresa é a falência total. A habilidade de manter funcionários desunidos, seja por meios estratégicos ou legais, não pode continuar sendo uma desculpa para a exploração da mão de obra humana. Uma empresa sem funcionários não tem futuro, assim como o oposto também é verdadeiro. A recompensa porém, continua sendo uma via de mão única, e essa realidade precisa mudar. Você aceitaria o desafio ao debate?

O CAOS BRITÂNICO PÓS REFERENDUM NÃO PARA DE SURPREENDER O MUNDO

By: Michaell Lange,

London, 01/07/16 –

Tem sido uma semana extraordinária na política Britânica. O voto a favor da saída do Reino Unido da União Européia causou uma Tsunami sem precedentes na política e na sociedade Européia, sobretudo no Reino Unido. Os dois principais partidos Britânicos, os Conservadores e os Labours (trabalhadores), implodiram diante da situação política mais caótica no país nas ultimas décadas. O Labour Party (partido dos trabalhadores) pediu a saída do seu líder Jeremy Corbyn depois de fracassar na campanha pela permanência do país na União Européia. Corbyn sempre foi contra a permanência do Reino Unido na União Européia, mas precisou defender a visão do seu partido incluindo a de seus eleitores, de permanecer na UE mesmo contra a sua vontade. Corbyn foi acusado pelos principais membros do seu partido de fazer uma campanha “banho maria” e não demonstrar nenhum entusiasmo durante a campanha pré-referendum. Depois de se recusar a renunciar seu posto de líder dos trabalhadores a pedido dos seus próprios membros do parlamento, Corby assistiu a maioria dos seus ministros de Gabinete renunciarem seus postos em protesto a sua permanência como líder do Partido. Mesmo depois de perder uma votação de credibilidade interna do partido onde 172 membros do Parlamento declararam não ter confiança na liderança do seu líder contra apenas 40, Jeremy Corbyn relembrou que foi eleito por 60% dos voto dos membros do seu partido e por isso, não renunciaria sem novas eleições internas. Ao mesmo tempo que Corbyn sofre seu maior ataque interno desde sua expressiva eleição no ano passado, membros do Partido dos Trabalhadores continuam dando seu apoio ao atual líder.

Por outro lado, no partido dos conservadores, depois da Renúncia do Primeiro Ministro David Cameron, tudo indicava que o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, seria o sucessor de Cameron como líder dos Conservadores e Primeiro Ministro. Ninguém duvidaria que Boris Johnson concorreria ao cargo de líder do seu partido contra a atual secretária de estado Theresa May. Boris Johnson era sem sombra de dúvidas o mais cotado para suceder David Cameron na próxima eleição do partido que será realizado na convenção dos conservadores em Setembro. Porém, hoje pela manhã, pouco antes de Boris Johnson anunciar oficialmente sua candidatura a líder dos Conservadores, o  ex-Ministro da Educação,  que também foi Ministro do Tesouro e Ministro da Justiça Michael Gove, que esteve lado-a-lado de Boris Johnson durante toda a campanha do referendum a favor da saída do país da UE, surpreendeu o país ao anunciar sua própria candidatura a líder dos Conservadores e declarar que não tinha confiança em Boris Johnson para liderar os Conservadores ou ser Primeiro Ministro Britânico. A mídia Britânica foi a loucura com a extraordinária e surpreendente declaração do principal aliado de Boris Johnson até o presente momento. Enquanto todas as agências de comunicação e as redes sociais tentavam entender o estrago causado pelo tornado “Michael Gove”, Boris Johnson adiava brevemente seu pronunciamento para logo depois anunciar que estava desistindo da sua candidatura a líder dos conservadores. Os Britânicos assistiam em choque o desenvolver de um turbilhão político que tomava conta de todos os meios de comunicação do país. A incrível e inesperada declaração de Michael Gove virou a política Britânica de pernas para o ar. Boris Johnson poderia sobreviver a qualquer ataque ou criticismo sem abalar suas grandes possibilidades de se tornar o próximo primeiro ministro Britânico, mas as declarações do seu “homem de confiança” provou ser demais para o carismático e popular ex-prefeito de Londres. A mídia sem dúvidas, nunca teve tanto do que falar. Até a humilhante derrota do time de futebol Inglês pela seleção da Islândia na Eurocopa ficou ofuscada pelos acontecimentos pós-referendum.

Enquanto isso nas ruas do país o povo se divide sobre o resultado do referendum. Protestos a favor da União Européia tomaram as ruas ao redor do Parlamento Britânico liderados por jovens estudantes que acusam os mais velhos de não pensarem no futuro do país ao votar pela saída do Reino Unido da União Européia. Uma petição online ja acumula mais de 3 milhões de assinaturas pedindo um novo referendum. Por outro lado, os números de ataques racistas e xenofóbicos contra imigrantes, Islâmicos e pessoas de cor, dispararam em todo o território Britânico. Um garoto de 7 anos, filho de pai Britânico e mãe espanhola, levou uma surra na escola por ser considerado estrangeiro. O caso mais revoltante foi o de uma senhora Alemã de 80 anos, que vive no Reino Unido a mais de 40 anos, que ligou para a radio LBC chorando e extremamente nervosa dizendo que seus vizinhos se recusam a falar com ela por ela ser estrangeira, e sua amiga da igreja lhe disse que agora eles expulsariam todos os estrangeiros do país. A senhora também teve a janela da sua casa atingida por fezes. Em outro caso, duas espanholas que conversavam em espanhol foram verbalmente agredidas por outras pessoas que passavam no local. Uma Mesquita e o consulado Polonês tiveram as paredes pinchadas com insultos xenofóbicos. A polícia Britânica esta investigando vários casos de ataques físicos e verbais contra estrangeiros. Muitos imigrantes estão pensando em ir embora do país com medo do que pode acontecer. Uma família cuja o marido é Britânico, resolveu sair do país com medo que aconteça com eles o mesmo tipo de perseguição que ocorreu contra os Judeus durante a segunda guerra mundial. A mídia e a outra metade dos Britânicos tentam amparar imigrantes com apoio nas redes sociais e TV. Durante os protestos a favor da União Européia era possível ver vários cartazes com dizeres como: “refugiados sejam bem vindos” ou “imigrantes são bem vindos”; “somos todos Europeus” etc… O Primeiro Ministro David Cameron que permanece no cargo até Setembro, disse que o país não irá tolerar ataques racistas e xenofóbicos e pediu calma a população. Outros líderes políticos fizeram o mesmo. A polícia Britânica afirma que esta vigilante.

Jeremy Corbyn do Partido dos Trabalhadores que vinha sendo o principal alvo da mídia nos últimos dias pode respirar aliviado com as atenções dos jornalistas voltada agora para o Partido dos Conservadores.

Do outro lado do Canal da Mancha, os líderes dos países membros da União Européia se reuniam sem a presença do Primeiro Ministro Britânico para discutir a saída do Reino Unido da União Européia. O Presidente do Conselho Europeu Donald Tusk juntamente com o Presidente da Comissão da União Européia Jean-Claude Junker e a Chanceler Alemã Angela Merkel, disseram que os Britânicos não terão acesso ao mercado comum Europeu sem permitir o livre acesso de cidadãos Europeus ao Reino Unido. O acesso ao mercado comum Europeu é vital para a economia Britânica que tem o mercado Europeu como um dos principais consumidores de seus produtos e serviços. Por outro lado, o principal argumento que levou os Britânicos a votarem a favor da saída do país da União Européia foi justamente o controle de entrada de imigrantes e trabalhadores provenientes da União Européia cujo o número passa de 100 mil por ano. O próximo Primeiro Ministro Britânico, agora provavelmente Michael Gove ou Theresa May, terá uma batalha monumental para negociar o acesso do Reino Unido ao mercado comum Europeu sem comprometer a questão do controle de imigrantes no país que certamente levaria o povo Britânico a votar contra os Conservadores nas próximas eleições gerais. No momento, a negociação da saída dos Britânicos da UE parece mais um caso de missão impossível. Ao que tudo indica, o próximo Primeiro Ministro Britânico precisará ser mais do que apenas um excelente político, seja quem for, o próximo Primeiro Ministro Britânico terá que ser um verdadeiro fazedor de milagres.

O DIA EM QUE A EUROPA TREMEU

By: Michaell Lange,

London, 24/06/16 –

O REINO UNIDO VOTOU PELA SAÍDA DA UNIÃO EUROPÉIA: E AGORA?

Foi um dos maiores tremores da política mundial desde a queda do muro de Berlin. A notícia de que os Britânicos haviam votado a favor da saída do Reino Unido da União Européia, deixou até mesmo os políticos Britânicos mais anti-Europeus de queixo caído. Nigel Farage, líder do partido ultra conservador UKIP – United Kingdom Independent Party – e um dos maiores defensores da saída do país da União Européia, ja havia dado sinais de que o país permaneceria na UE em entrevista no inicio da apuração, mas precisou voltar ao palanque para anunciar e comemorar a surpreendente vitória. “Nós conseguimos! Sem precisar dar um único tiro. Vamos fazer do dia 23 de Junho o dia da independência Britânica!” declarou Nigel Farage pouco depois das 4 da manhã desta sexta feira (24), quando a vitória havia sido matematicamente declarada.

A perplexidade do que acabara de acontecer estava estampada nos rostos de todos que haviam acompanhado a apuração dos votos noite a dentro, e também de quem saia de casa para trabalhar logo cedo. Mesmo as pessoas que haviam votado a favor da saída do país da União Européia não acreditavam nos noticiários desta manhã. Por volta das 6hs, um certo pânico tomou conta dos noticiários a medida em que as bolsas de valores da Asia abriam em forte baixa. A Libra Esterlina amanheceu com desvalorização de mais de 10% em relação ao Dólar, o valor mais baixo desde 1985. O pânico no mercado financeiro e o risco de uma “Black Friday” fez com que o presidente do Bank of England, Mark Carney, fizesse um pronunciamento de emergência para acalmar os ânimos do mercado. Emissoras de TV e rádio do mundo inteiro, além de um exército de jornalistas, esperavam  ansiosos pelo pronunciamento do Primeiro Ministro, David Cameron, marcado para as 8hs da manhã desta Sexta Feira (24), e que ainda precisou ser adiado por mais 15 minutos por conta de uma reunião entre o premier e a rainha Elizabeth. Pouco depois das 8hs da manhã, David Cameron, visivelmente abalado e emocionado, ao lado de sua esposa, disse em coletiva de imprensa que ofereceu sua renuncia a Rainha e que tomaria as medidas necessárias para que o processo de desligamento com a União Européia ocorra de forma menos traumática possível. David cameron também salientou que mesmo sendo o resultado contrário ao que desejava, sua fé na capacidade de superação do seu país continua intacta. Na casa do ex-prefeito de Londres e um dos líderes da campanha a favor da saída do país da UE, Boris Johnson, uma pequena multidão de pessoas aguardavam por ele do lado de fora. Uma dezena de jornalistas esperava por um curto pronunciamento do ex-prefeito, mas ao abrir a porta da sua casa, Boris Johnson foi surpreendido por uma grande vaia e xingamentos de baixo calão. O ex-prefeito de Londres foi obrigado a abandonar o pronunciamento e seguir direto para o carro escoltado pela polícia. Na metade da manhã era possível ouvir as comemorações nos pubs da cidade de quem votou pela saída. Alguns Britânicos saíram as ruas envoltos a bandeira da União Européia, enquanto outros apresentavam a famosa “Union Jack”, como é conhecida a bandeira do Reino Unido.

Passado o susto inicial junto ao resultado oficial do referendum, iniciou-se as especulações sobre as consequências e o processo de desligamento do Reino Unido com a União Européia. A primeira ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, fez um pronunciamento no inicio da tarde esclarecendo que o governo Escocês fará um segundo referendum para decidir se o país permanece no Reino Unido ou segue como membro independente da União Européia. No referendum Escocês em 2014, o Parlamento Britânico havia garantido a permanência do Reino Unido na União Européia caso a Escócia permanecesse no Reino Unido. O resultado de hoje foi recebido com indignação pelos Escoceses onde o resultado dava larga margem pela permanência do país na União Européia com 62% dos votos a favor. Os Irlandeses também reagiram ao resultado. A Irlanda do Norte que faz parte do Reino Unido, agora ameaça uma possível reunificação com a República da Irlanda que é membro da União Européia. Do outro lado do Canal da Mancha, a Holanda anunciava seu próprio referendum para decidir sua permanência na União Européia, e na França, políticos de extrema direita pediram o mesmo plebicito para os franceses. A decisão do governo de David Cameron de promover o plebicito no Reino Unido pode ter dado início a um efeito dominó, poderá por um fim não apenas na União Européia, como também pode por um fim no próprio Reino Unido. A mídia sensacionalista Britânica ja acusa David cameron de ser o pior Primeiro Ministro da história do Reino Unido.

O processo legal de desligamento do país com a União Europa não inicia-se hoje. O resultado do referendum não é legalmente obrigatório como o de uma eleição ou seja, se o governo quisesse, o país continuaria fazendo parte da UE. O resultado do referendum porém, sinaliza o desejo do povo Britânico de se retirar da UE. O processo legal somente tem início depois que o Primeiro Ministro Britânico fizer uma notificação oficial a União Européia anunciando sua saída, aplicando o artigo 50 do tratado da União Européia. De acordo com o artigo 50, o país que desejar sair da UE tem um prazo de dois anos para negociar todos os seus laços com a UE. Não havendo acordo ao termino desse período o país deixa de ser membro automaticamente e todos os acordos não negociados passarão a ser negociados por intermédio de um dos membros da UE. O período de negociações pode ser extendido, mas somente com o consentimento unanime dos outros 27 membros da UE. Entre os acordos a serem negociados estão incluídos: O destino dos Ministros e servidores Britânicos que trabalham na sede da UE; os acordos de subsídios da agricultura e pesquisa; acordos de livre transito de cidadãos Europeus em território da UE; barreiras e regulamentos comerciais entre os membros da UE; vistos e autorizações para visitantes, residentes e trabalhadores; acordos de intercâmbios de estudantes e tratamentos de saúde, além de todos os acordos comerciais que podem passar de 100. O artigo 50 do tratado da UE que inicia o processo de desligamento de membros da UE, nunca foi aplicado anteriormente e ainda não se sabe ao certo como sera feito esse procedimento. David Cameron deixou claro em seu pronunciamento hoje pela manhã que um novo Primeiro Ministro a ser escolhido na próxima convenção do partido conservador em Outubro, irá iniciar o processo de desligamento da UE. Portanto, o período de negociação só será iniciado depois de Outubro ou no início de 2017. Até que o processo dos dois anos de negociações sejam esgotados, tudo permanece como esta nas relações entre o Reino Unido e a UE.

Especialistas em economia e finanças, alertam para o período de grandes incertezas com crescimento econômico zero e alta de preço dos combustíveis e pacotes de férias. O valor da Libra Esterlina também deve permanecer baixo, o que prejudicará os consumidores Britânicos. Os mais otimistas dizem que o período de incertezas será curto e dará impulso para o país prosperar e voltar a ser um dos grandes líderes mundiais.

A maior certeza depois de um dos dias mais turbulentos da história da política mundial, é a de que o referendum causou profundas divisões nas relações entre os partidos políticos Britânicos, assim como na própria população e nas relações entre Britânicos e Europeus. Não seria exagero dizer que hoje, o Britânico é o povo mais odiado da Europa e esse ódio pode aumentar se as consequências do resultado do referendum provarem ser desastrosas para o continente Europeu. O partido dos conservadores esta dividido ao meio. Membros extremamente importantes e aliados do primeiro Ministro, como Boris Johnson, Michael Gove e Iain Duncan Smith, viraram as costas e abandonaram David Cameron que queria a permanência do país na UE. Boris Johnson é o favorito para a assumir o cargo no lugar de David cameron em Outubro. O resultado do referendum também denuncia a divisão do povo Britânico com relação a UE. O resultado final do referendum deu 51.9% dos votos a favor da saída, e 48.1% dos votos a favor da permanência. A questão da imigração foi o principal motivo para os Britânicos saírem da UE. Num momento em que a Europa vive um período de tensão entre classes, e movimentos ultra conservadores crescem em toda a Europa, o mundo assiste com ansiedade os próximos acontecimentos que certamente podem ter repercução desastrosas para todo mundo. Agora é esperar e torcer pelo melhor.

 

 

O BRASIL DIVIDIDO E A TERCEIRA VIA DE PENSAMENTO

Por:Michaell Lange.

Londres, 20/03/16 –

Assisto aqui de fora, com olhos atentos e consternados, ao agravamento da crise política e social que tomou conta do Brasil nas últimas semanas. Até mesmo a classe jurídica do país resolveu entrar na briga, mas ao invés de clarificação, trouxeram mais dúvidas e confusão sobre o que é legal e ilegal nas ações da justiça e do governo nos últimos dias. Uma coisa porém, é certa. O povo continua sendo massa de manobra nas mãos da mídia. No último artigo desse blog, salientei a importância do processo em que estamos vivendo e também o fato dos Brasileiros estarem abrindo seus olhos a respeito dos poderes de influencia que a mídia exerce sobre as pessoas. Mas não se pode subestimar o poder dominador dos principais meios de comunicação no Brasil e no mundo. Apesar da população Brasileira estar dividida em duas claras esferas políticas, a direita e a esquerda, uma terceira via de pensamento vem ganhando força nas ruas e nas redes sociais. Me refiro a um grupo cada vez maior de pessoas que não apoiam partidos e suas personalidades. Querem apenas que todos os culpados sejam investigados e julgados pelos possíveis crimes que cometeram. Eles também não esqueceram da importância de se promover uma profunda reforma política a nível nacional. Essa minoria, que ataca políticos de todos os lados, me parecem ser os mais lúcidos nesse mar de lama e confusão que vivemos nesse momento. Essa terceira via de pensamento, também me parece ser uma possível saída, ou o caminho da liberdade que poderá ajudar o Brasil a se recuperar dessa crise com mais inteligência e desenvoltura.

Infelizmente, os outros dois grupos formados por apoiadores de partidos políticos de esquerda e de direita, continuam representando a grande maioria dos Brasileiros nas ruas. Renunciar o partido que apoiamos  para apoiar uma terceira via de pensamento é um exercício extremamente difícil. É quase tão difícil quanto um torcedor de um time de futebol deixar de torcer pelo seu time do coração e passar a torcer por outro time. Nosso sentimento de apego é muito grande. Nos sentimos em casa, confortáveis, bem representados e seguros. Mas diferentemente do futebol, deixar de apoiar um partido de esquerda não nos faz necessariamente um defensor de um partido de direita e vice-versa. A terceira via de pensamento não muda seu modo de pensamento central ou seja, você não deixa de ser um seguidor das idéias da esquerda assim como você não deixa de apoiar as idéias da direita. O que muda é a sua visão de políticos que cometem crimes, sejam eles de que lado forem. Ser de esquerda não faz de você um PTista, assim como ser de direita não faz de você um PSDBista. É possível ser de direita ou de esquerda sem apoiar ou fazer parte de qualquer partido político. Na verdade, essa seria a posição ideal de uma pessoa com princípios democráticos. Essa posição política, tira dos líderes partidaristas o título de celebridades, algo que um partidarista normalmente carrega no sangue e é capaz de colocar até mesmo os interesses do seu próprio país e do seu povo em segundo plano. Particularmente, acredito que o única forma do povo Brasileiro vencer essa batalha, seria por meio da unificação dos esquerdistas e direitistas em prol de um bem comum, o Brasil. Para isso acontecer, um direitista teria que ser capaz de aceitar e trabalhar junto com um esquerdista e vice-versa. Muitas pessoas acharão que esse pensamento é algo utópico, mas não é. O que poderia ser um pensamento utópico seria esperar que um PTista fosse capaz de gostar de um PSDBista e vice-versa. A diferença é que o partidarismo é uma forma de fanatismo. Funciona como uma torcida organizada de um time de futebol onde todos os membros se comprometem a defenderem os interesses dos seus partidos (ou time de futebol), a qualquer custo. Os interesses do Brasil nesse caso, ficam em segundo plano. Mas um esquerdista e um direitista não partidaristas, não tem esse comprometimento que os prenderia aos interesses de um partido político. O mais importante para estas pessoas são as idéias ou seja, os esquerdistas defendem entre outras coisas, maiores direitos aos trabalhadores. Ja os direitistas, defendem entre outras coisas, menor interferência do governo em questões econômicas. O que os dois lados tem em comum são os interesses do Brasil como principal objetivo. Os dois querem ver o Brasil prosperar socialmente e economicamente. Mas quando alguém defende um partido político que representa suas idéias, fica praticamente impossível a cooperação de duas partes contrárias. Quando vejo Brasileiros brigando na rua, tenho a certeza de que a luta não é pelo Brasil, mas sim pela defesa do seu partido político. Brasileiro que defende o Brasil não entra em luta corporal com outros Brasileiros. Não importa a gravidade da provocação. Por isso, a crise política no Brasil hoje, não é pelo bem estar dos Brasileiros. O que vemos, é uma luta de partidos políticos pelo poder. Nem a democracia, nem os Brasileiros fazem parte dos interesses desta guerra. As únicas pessoas que não fazem parte desse grupo são as pessoas da terceira via de pensamento. Estas, são aquelas pessoas que nas manifestações, foram vistas protestando contra a presença de políticos, e também foram vistas tentando acalmar as confusões entre PTistas e PSDBistas. Foram estas pessoas que tinham em seus corações, os interesses do Brasil e não os interesses de partidos políticos. Estas pessoas sabem que estas brigas nas ruas não são de interesse do Brasil. Servem apenas aos interesses partidários e da mídia que vende mais jornal e notícias.

O Brasil que vejo daqui, é um Brasil manipulado, partidarista e vítima de manobras da mídia. A maior evidência disso é o foco do Brasileiro em derrubar o atual governo. Nesse processo, esquecemos por exemplo: do escândalo do veto da auditoria pública que o Brasileiro nem deu muita importância, mas como resultado, poderia ter triplicado os investimentos em educação, saúde e segurança. Esquecemos que o Congresso Nacional aprovou a doação de dinheiro de empresas para campanhas eleitorais, que é a legalização da lavagem de dinheiro público e centro dos atuais escândalos das empreiteiras e da Petrobras. Esquecemos da catástrofe em Mariana. Esquecemos dos 80 milhões de Reais que a Samarco doou para os principais partidos políticos do Brasil nas últimas eleições que beneficiaram o PT, PSDB e o PMDB principalmente. Esquecemos do escândalo do HSBC. Esquecemos do Massacre dos professores no Paraná. Dos estudantes em São Paulo. Da máfia da merenda em São Paulo. Das desocupações violentas e ilegais no Rio de Janeiro. Esquecemos das contas secretas na Suíça. Esquecemos das importantes reformas políticas que precisamos fazer para tornar o Brasil mais viável, transparente e democrático. Esquecemos do uso abusivo dos aviões oficiais para levar políticos para casa, com custos de até 180 mil reais por vôo. Esquecemos da tragédia do Zika vírus.  Esquecemos que a derrubada do governo, de forma legal ou ilegal, não mudará o atual sistema políticos que domina o Brasil e favorece todos os grandes partidos políticos que atuam no país hoje.

Nenhuma das grandes manifestações no Brasil dos últimos dias abordou os graves problemas e escândalos citados acima. Não havia faixas ou gritos de guerra para protestar contra os verdadeiros interesses que dizem respeito ao povo Brasileiro e anulam qualquer chance de desenvolvimento sócio/econômico do país. O que vimos, foram duas manifestações, uma contra, e outra a favor do governo federal. Temos todo o direito de protestar e reivindicar nossos direitos nas ruas, mas acredito que estamos mais uma vez, sendo vítimas do poder manipulador da mídia que consegue de forma espetacular, desviar nossa atenção para longe dos verdadeiros interesses do povo Brasileiro. Acabamos sendo de fato, massa de manobra para defender interesses de terceiros. Acredito que estamos sendo manipulados hoje, da mesma forma como a minha geração foi enganada no inicio dos anos 90, quando fomos as ruas para derrubar o primeiro governo eleito com voto direto. Lutamos em favor de interesses que na verdade, não eram coletivos e favoreciam apenas uma pequena parcela da sociedade Brasileira. Desta vez, mesmo com as vantagens das redes sociais e uma abertura na forma de pensar do Brasileiro, continuamos a ser vítimas de forças que não tem os interesses do Brasil como meta principal. É extremamente importante para nós Brasileiros, abrirmos nossos olhos e pensarmos com consciência e fora da “caixa”. A reflexão imparcial neste momento, pode nos salvar de mais uma página triste na história do Brasil. Ainda é possível darmos a volta e vencermos esta batalha pelo Brasil. Talvez, a terceira via de pensamento tenha a solução necessária para esta virada. Resta a nós, Brasileiros, resolvermos dar início ao exercício de pensar livremente pelo bem de todos os Brasileiros e não apenas pelo bem de quem esta do mesmo lado da rua. Devemos lembrar sempre que, o Brasil não é um partido político, o Brasil é a nossa casa. Seus moradores precisam defende-la com união, contra qualquer proposta que não tenha os interesses da nossa casa como objetivo principal. O bem estar dos Brasileiros tem que estar sempre acima de qualquer interesse partidário.