NOSSA DEMOCRACIA É ADOLESCENTE, MAS PRECISAMOS APRENDER A FAZER-LA E PRESERVA-LA

By: Michaell Lange,

London, 28/04/17 –

 

O Brasil é um país jovem que tem penas 195 anos idade. Nossa democracia é pre-adolescente, o que justificaria nossos erros de exercício. Mas nesse caso, estamos falando de adultos exercitando uma democracia jovem e por tanto, é preciso aprendermos a fazer democracia e ao mesmo tempo preserva-la.

Não há nada mais auto-destrutivo, no que se refere ao exercício democrático, do que barricada construída com paus e pneus para fechar vias públicas. Pior ainda quando ateiam fogo. É a estratégia mais anti-democrática, abusiva e contraditória que qualquer protesto pode adotar. Isso não é uma crítica partidarista, mas a impressão é de que a esquerda costuma usar dessa estratégia com mais frequência do que ninguém. Porém, isso não se limita aos esquerdistas. Vale lembrar dos protestos dos caminhoneiros em 2015 contra o governo Dilma, que bloqueou estradas em todo o país, e motoristas que se recusavam a participar acabavam agredidos e com o caminhão danificado pelos próprios colegas de profissão. Dias atrás, uma outra categoria que muito me diz respeito, os pescadores, também bloquearam a BR 101 em Itajai em protesto contra a proibição da pesca de inúmeras espécies de peixes, que  de fato, coloca em risco toda a industria pesqueira do país. Em ambos os casos, não se tratava de protestos promovido pela CUT ou qualquer outra instituição de esquerda.

O Brasil assiste hoje, políticos de todas as esferas, serem presos, processados e investigados por corrupção e lavagem de dinheiro. Mesmo assim, tem-se a impressão de que o povo Brasileiro nunca esteve tão dividido. Defendemos a pau e pedra, aqueles que acreditamos ser os menos corruptos. Mesmo frente a um assunto relevante a todos os trabalhadores do país, como é o caso da reforma da previdência, o povo Brasileiro é incapaz de protestar unido. Quem não concorda com a greve geral de hoje, tentou classifica-la como partidarista. E quem foi a favor da greve de hoje, fez questão de demonstrar seu partidarismo. Fica difícil para o trabalhador Brasileiro, vitima de tamanha sacanagem, se defender da infinita e ilimitada agressão vinda de Brasilia. Afinal de contas, quem tem que cair é Brasilia e não o Brasil!

Fechar as estradas com o único intuito de impedir a passagem daqueles que como vc, tem o direito de ir e vir, é um tiro de canhão no próprio pé. Digo isso por vários motivos. Primeiro, bloquear vias públicas colocando fogo em pneus e madeira causa a sensação de caos e tensão, que acaba tirando o foco do verdadeiro motivo do protesto. Segundo, quando impedimos a livre passagem daqueles que por motivos múltiplos não participam do protesto, criamos um inimigo naqueles que deveríamos conquistar o apoio. Ninguém que precisa ir de um lugar para outro, por motivos banais ou urgentes, e acaba preso, impedido, e impossibilitado de seguir seu caminho por causa de uma barricada desnecessária e que esta ali com o único propósito de impedi-lo de seguir viagem, irá apoiar qualquer protesto, seja por motivo mais nobre que for. Terceiro, o fechamento de uma estrada fornece o ingrediente perfeito e legal, para a ação da Policia Militar. Todo mundo sabe que a PM tem um prazer quase sexual em dar porrada em esquerdista, por isso, fazer barricada com fogo em pneu, é um convite a tomar paulada da PM. Isso tudo sem falar no dano causado pelo fogo no asfalto e a poluição causada pelos pneus incendiados. Se uma multidão, digamos, 50 mil pessoas ou mais fechar a Avenida Paulista, sejamos justos, cabe sempre o bom senso. Mas, fechar uma estrada importante por conta de 100 ou 200 pessoas não é bom senso, nem democracia, é abuso de direito. Existe uma grande diferença entre fechar a Av Paulista em São Paulo com uma multidão de manifestantes, como ocorre frequentemente (bom senso), e fechar a SC-401 em Florianópolis queimando pneus com um punhado de manifestantes causando caos total para pessoas que não querem participar do movimento (abuso de direitos).

O Brasil é um país jovem, e nossa democracia é adolescente, mas o Brasileiro precisa aprender a fazer democracia e preserva-la. Caso contrário, não teremos a menor chance contra estes abutres da política nacional.

 

O BRASIL, A CORRUPÇÃO, E EU

By: Michaell Lange.

London, 28/09/16 –

A sociedade Brasileira é inteiramente corrompida. Dos 25 anos que eu morei no Brasil, a quantidade de pessoas honestas que eu encontrei foram tão poucas que eu poderia contar usando os dedos de uma única mão, e nem eu me incluiria nessa lista. De fato, uma das maiores lições que a sociedade Britânica me ensinou ao longo dos últimos 14 anos, foi que a corrupção tem cura. É possível acabar com a corrupção! Mas é preciso um exercício intenso que vai muito além da simples vontade de ser e fazer as coisas da forma correta. Mudar o que somos e seguir contra tudo aquilo que é aceitável e que dita as regras sociais a que fomos introduzidos e condicionados desde o primeiro dia de vida, é um desafio árduo e custoso. É preciso antes de mais nada, compreender e entender o que é corrupção antes de iniciarmos o processo de nos distanciarmos dessa prática. É como passar a vida inteira nadando contra a correnteza de um rio tentando convencer as pessoas de que apesar das dificuldades de nadar contra a corrente, se todo mundo passar a nadar para o lado certo, nós conseguiremos mudar o curso do rio. A minha experiência em Londres me deu maior clareza desse processo que antes eu nem conseguia reconhecer, por isso eu critico, mas não condeno o povo Brasileiro. Eu só enxerguei o que estava errado depois que eu sai, porque até então, eu era apenas parte do problema.

Logo que cheguei a Londres em 2002, me deparei com um desafio tão imenso que por vários dias cheguei a pensar que na verdade eu estava ali porque havia morrido, e que todas as pessoas a minha volta também estavam mortas. Em Londres, as pessoas costumam andar em silêncio, com a cabeça ligeiramente baixa. O Brasileiro caminha como um carro alegórico, falando alto, gesticulando, rebolando, olhando para os lados, cumprimentando quem passa, tirando onda. Para quem esta acostumado com essas alegorias do comportamento Brasileiro, não é tão difícil assim achar o silêncio dos Londrinos meio sem vida. Me lembro claramente de caminhar no centro de Londres e não sentir o chão. Por vezes toquei as pessoas nas ruas de propósito só para ter a certeza de que elas estavam realmente vivas. É uma experiência muito louca, especialmente quando você é meio “bicho do mato” como eu.  Foi um choque cultural muito grande.Eu reconhecia os valores, mas nunca havia visto em prática. No Brasil, o que conhecemos como valores quase nunca são aplicados. Valores no Brasil são como teorias que aprendemos na escola e ouvimos falar em casa, mas nunca praticamos de verdade. Assistir a estes conceitos serem praticados no dia-a-dia era uma novidade para mim. Acho que o desafio foi especialmente difícil no meu caso porque cresci numa vila de pescadores praticamente isolada do resto do planeta. Uma vila de pescadores que desenvolveu seus próprios códigos de conduta moral, facilmente questionáveis por conta do conservadorismo religioso, machista, preconceituoso e corrupto. A sociedade Britânica me introduziu um processo de renovação de conceitos, virtudes e valores que eu ainda não havia experimentado, e que acabou me transformando quase que literalmente em outra pessoa. Pela primeira vez na vida a palavra corrupção passou a ser mais do que uma simples palavra usada para atacar e acusar os políticos de um crime que eu também praticava. A primeira vez que você tem a clara percepção de que você também é corrupto, não é apenas um momento que revela uma verdade sobre você que você até então desconhecia. Esse é um momento que choca muito, porque você acreditava ser honesto e descobre por si mesmo que você não é. O choque de reconhecer que você é corrupto só é menor do que a percepção de que a base fundamental que sustenta a sociedade que você nasceu, e que é responsável por todas as relações humanas, sociais e comerciais do dia-a-dia de todos os cidadãos, são ditadas e operadas pela corrupção. Reconhecer a corrupção em suas próprias atitudes ja é um desafio por si só. Combate-la dentro de si mesmo é uma guerra diária que dura a vida inteira e precisa ser vencida batalha por batalha.

Na minha primeira semana em Londres, um amigo meu (Brasileiro) que trabalhava em um Pub, me deu um telefone usado de presente. Ele me contou que achou o telefone no chão do Pub e que eu precisava desbloquea-lo para poder usa-lo. Segundo ele, qualquer lojinha de telefone faria o trabalho. Fiquei muito feliz de não precisar gastar meu dinheiro (contado), com essa necessidade. Na manhã seguinte, tomei um café e fui direto para o centrinho de Wimbledon para desbloquear o telefone. Entrei na primeira loja que eu vi (Vodafone) e fui direto no balcão onde o atendente, com olhar desconfiado, me disse que eles não faziam esse serviço. Fiquei surpreso porque meu amigo havia dito que eu poderia desbloquea-lo em qualquer lojinha. Resolvi perguntar porque eles não desbloqueavam. O atendente foi direto ao assunto; “não desbloqueamos telefones porque isso é ilegal senhor “. Foi meu primeiro tapa na cara, e foi também a primeira vez na minha vida que alguém havia me dito que tal coisa era ilegal. A palavra ilegal para mim ja era algo raro. Ver um comerciante falar isso olhando nos meus olhos, foi literalmente algo inédito na minha vida. No caminho de volta para casa fui pensando na situação e na vergonha que eu acabara de passar. Quando cheguei em casa, olhei para aquele telefone e pensei: Esse telefone não é meu. Só porque meu amigo o achou, não significa que agora o telefone seja dele. Aquele telefone tinha um dono, e esse dono não era eu nem meu amigo. Foi nesse momento que a ficha caiu. Foi nesse momento que eu percebi que eu também era corrupto, e que no meu país, essa prática era normal. Eu não conhecia nada diferente disso e por isso, era normal também para mim. Resolvi deixar o telefone ligado na esperança que o dono ligasse, e de fato ele ligou. Combinamos um horário e ele passaria na casa que eu estava morando para pegar o seu telefone de volta. O prazer de devolve-lo ao dono e de ver a felicidade da pessoa ao reaver um bem importante que ele havia perdido, me transmitiu um sentimento de felicidade muito maior que aquele que eu havia sentido quando ganhei o telefone que não era meu. O prazer de promover o bem é muito melhor do que o prazer da vantagem de receber algo que na verdade não lhe pertence. De lá pra cá, encontrei outros cinco telefones e consegui devolver todos! No Brasil, quando alguém devolve alguma coisa, a atitude é tão incrível que ganha espaço no Jornal Nacional. É algo tão surpreendente e raro quanto ver um político corrupto ser preso por corrupção. Em outra ocasião, danifiquei a roda de uma bicicleta velha que estava acorrentada no poste com a roda na rua. Deixei um bilhete e no dia seguinte uma menina da Alemanha me ligou. Tive que pagar uma roda nova, mas ganhei uma amiga e fiz ela mudar o conceito errado de ela tinha sobre os Brasileiros que moravam em Londres.

Aquela primeira lição do telefone em Londres, abriu tremendamente a minha cabeça para esse problema tão grave que é a corrupção na sociedade Brasileira. Resolvi fazer uma espécie de regressão para lembrar meus possíveis atos de corrupção que havia praticado durante os 25 anos que estive no Brasil. Pela primeira vez, ao invés do prazer da vantagem fácil, senti vergonha. Eu havia acabado de ser introduzido a sociedade Britânica, mas seus valores ja causavam uma revolução na minha cabeça. Eu copiei trabalho de amigo da escola, fiz cola de todos os tipos, e na faculdade comprei prova da menina que trabalhava no xerox. Quando comecei a trabalhar, saía para almoçar com meus colegas de trabalho e pedia uma nota fiscal com o valor bem acima do que realmente era. Quando terminávamos uma obra, chamávamos o senhor do ferro-velho local e vendíamos todo o ferro e o cobre que havia sobrado e repartíamos o dinheiro. Aceitei vale gasolina de candidato nas eleições e francamente, se você também ja fez isso, você não tem nada de cidadão do bem, você é apenas mais um corrupto hipócrita que ajuda a afundar o próprio país nesse mar de lama que nos encontramos hoje. Mas não se ofendam meus caros amigo, ja dizia Bob Marley: “A verdade é uma ofensa, mas não é um pecado”. Eu fui corrupto também! Mas hoje sou a prova de que é possível acabar com a corrupção. Se todos nadarem para o mesmo lado, é possível mudar o curso desse rio.

A nota fiscal com o valor adulterado para roubar seu patrão é um crime clássico não é mesmo? Você passa o almoço inteiro chamando o Lula e o Aécio de ladrão e corrupto, e na saída do restaurante faz exatamente a mesma coisa sem a menor culpa. Ja imaginou o que você faria se fosse Deputado ou Senador?

A sociedade Brasileira é tão corrupta que se a dona do restaurante se negar a fornecer nota fiscal com valor adulterado, as pessoas vão para outro restaurante, e a comerciante honesta corre o risco de ir a falência. Falência por honestidade! Esse é o nosso Brasil, cheio de cidadãos do bem. Os corruptos devem ser importados de algum país distante não é mesmo? Eu fui corrupto! O primeiro passo para acabar com a corrupção é reconhecer que você é corrupto. No dia que você conseguir mudar suas atitudes e deixar de ser corrupto, você terá acabado com a corrupção. E lembre-se que se todos nadarem para o mesmo lado, podemos mudar o curso desse rio.

A corrupção não esta ligada ao montante que você consegue roubar. A corrupção é uma atitude, e assim como o ladrão, se você entrar em um banco armado e roubar 1 Real ou 1 milhão de reais, você é ladrão de banco nos dois casos. Se você altera a nota fiscal do almoço para roubar seu patrão, você não é cidadão de bem, você é ladrão! Para finalizar, gostaria de deixar essa pergunta para vocês; Quantos de vocês praticam corrupção como as citadas acima, e se consideram um cidadão de bem ou trabalhador de bem? Seja sincero com você e comesse agora a nadar contra a correnteza e ajude a mudar o curso do Brasil.

 

ELEIÇÕES MUNICIPAIS: A SUA CHANCE DE DIZER BASTA!

By: Michaell Lange,
 London, 26/09/16 –
A uma semana das eleições municipais no Brasil, o cenário da política nacional, apesar dos escândalos,  parece continuar sendo o mesmo. De Norte a Sul do Brasil, são incontáveis os candidatos envolvidos ou sendo investigados por envolvimento em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. Se a venda e a compra de votos fosse uma pratica legal, as bolsas de valores bateriam todos os records esta semana.
A partir de hoje, os financiadores de campanhas eleitorais (compradores de eleições), entram em estado de frenesi, numa desesperada e corrompida busca por votos. Os valores pagos por cada voto são inflacionados seguindo a mesma Lei de marcado da oferta e procura. O cidadão (de bem) passa a cobrar mais pelo favor. Os preços variam de acordo com algumas referências “de mercado” como o tamanho da família, o status social e a disposição do cidadão em participar da campanha eleitoral e claro, colar os adesivo dos candidatos no vidro do carro e da casa como um selo de garantia.
Ticket gasolina, tijolo, caixa d’agua, emprego, pneu, telha, tratamento médico, cancelamento de multas, CNH, dentaduras, etc. Tudo vira moeda de troca nessa ultima semana que antecipa o dia das eleições. É a maior prova de que o mensalão e o petrolão nunca foram de verdade os maiores escândalos de corrupção do Brasil. As eleições sim, são! A diferença é que o povo, obviamente, não irá denunciar um escândalo de corrupção na qual ele próprio faz parte. Isso é fato! Em nenhum outro período a atividade de corrupção é tão intensa e frenética do que no período que antecipa uma eleição no Brasil. Fato! Fato! Fato!
A gigantesca “feira popular” faz parte do maior esquema de corrupção do Brasil e atinge todos níveis sociais incluindo todas as esferas do poder governamental e econômico. Empresas, grandes e pequenas, principalmente aquelas que ja ganharam grandes e superfaturados contratos do estado através de pagamento de propinas, financiam a campanha de diferentes partidos e candidatos para garantir o apoio de quem quer que vença as eleições. É como jogar no preto e no vermelho na roleta do cassino. A vitória é certa! O dinheiro dos financiamentos é o mesmo dinheiro pago pelo governo em obras que custaram o dobro ou mais do valor real. Dessa forma os partidos ganham seus “padrinhos” e os “padrinhos” ganham o apoio dos candidatos eleitos. A verba pública, ja lavada nas obras superfaturadas, são usadas para “financiar as campanhas” que envolve novamente, a compra superfaturada de bandeirinhas, santinhos, cartazes e obviamente os votos daqueles que ainda são eleitores indecisos. Estão na mira todos aqueles que ainda não colaram os adesivos de algum candidato na janela do carro e da casa. As gráficas fazem dinheiro fácil em épocas de eleições.
Nesse sistema é importante ser amigo dos candidatos. Quanto maior a amizade e a “fidelidade” maiores os benefícios em época de campanhas. Os benefícios para os mais chegados podem variar de um emprego de motorista até um cargo de secretário do município. A regra vale para todos os níveis da política nacional e é quase uma Lei do mercado negro do voto. Sem fazer parte desse jogo é praticamente impossível ser eleito a alguma coisa no Brasil. Mas há esperanças!
Há candidatos honestos que infelizmente fazem parte de um seleto grupo de exceção. Pessoalmente, conheço alguns a nível municipal e não é muito difícil identificá-los. Eles ja eram referencias sociais e ja trabalhavam em prol da sociedade muito antes de serem candidatos a qualquer cargo público. Eles cresceram promovendo o desenvolvimento e o bem social das comunidades em que nasceram sem esperar nada em troca por isso. Vivem uma vida simples e sabem reconhecer as necessidades e os problemas de suas comunidades, e são acima de tudo, altruístas naturais ou seja, promovem o bem em suas comunidades de forma voluntária, e realmente se preocupam com o bem estar das pessoas que vivem a sua volta. Conheço e reconheço alguns cidadãos com esse perfil que resolveram colocar seus nomes a disposição do governo local. Alguns outros preferem continuar seu trabalho voluntário de forma modesta e anônima e não são menos importantes por isso. Fazem muito por suas comunidades e nada mais justo aos que saíram candidatos, que sejam eleitos e reconhecidos por tudo que ja fizeram. Estes sim, são verdadeiros candidatos. É importante que não sejam confundidos, muito menos esquecidos.
Aos eleitores que assistiram ao espetáculo de absurdos promovidos pelo teatro da vergonha em Brasilia, fica a responsabilidade de responder a estes absurdos através das urnas. É fundamental que o eleitor vote consciente e direcionado para eleger uma nova geração de cidadãos que ja fizeram mais por suas respectivas comunidades do que muitos “políticos de profissão” que apenas arregaçam as mangas em épocas de eleição. O combate a corrupção começa em casa com a rejeição do sistema de compra e venda de votos que tem ditado os resultados das eleições a décadas. O voto não é uma mercadoria, o voto é uma arma de defesa social. O voto é um botão de ejetar político corrupto. Use essa arma com sabedoria e não eleja políticos corruptos! Isso deve ficar claro a cada visita de candidato. Seja cordial e educado com todos eles, mas não aceite proposta que não seja em favor do benefício comum da sua sociedade. Não importa quão amigo ou simpatico ele seja, a proposta de comprar o seu voto, além de ilegal, é uma declaração de corrupção que deve ser tratado com cartão vermelho e denuncia no TSE.
Em poucos dias, os Brasileiros terão a oportunidade de provar que todos os protestos anti-corrupção não foram em vão. A rejeição da atual situação política e econômica do Brasil pode ser demonstrado nas urnas das eleições municipais da próxima semana. Se falharmos, a mensagem aos políticos será a de que tudo pode ser aceito pelo povo Brasileiro, e a perpetuação do sistema corrompido seguirá eternizado pelo seu voto. O povo Brasileiro terá, nestas eleições municipais, a oportunidade imperdível de dizer basta! Pense nisso, a escolha será sua!

BRASILEIRANDO O BRASIL BRASILEIRO

By: Michaell Lange,

London, 14/09/16 –

A tempestade tropical que abala a política nacional Brasileira continua causando estragos nas fortificações centenárias em Brasilia. Castelos inabaláveis que antes guardavam com segurança todas as falcatruas dos intocáveis coronéis, hoje ja não suportam a fúria dos ventos. Grandes pilares da política nacional sucumbiram diante da tempestade. Mas, como toda tempestade, logo esta também passará. E mesmo com todos os estragos estruturais, os políticos, donos destas perniciosas fortificações, são seres ágeis como as formigas para reconstruir o formigueiro danificado, e astutos como as lagartixas que sacrificam o próprio rabo para se salvar e continuar sua vida perversa.

O Brasil ja viu muitas destas tempestades irem e virem. Mudam os atores, mas a história é quase sempre a mesma. Faz parte da história Brasileira desde o primeiro 7 de Setembro. A morte suspeita de presidentes, o suicídio suspeito, golpes de estado, impeachments. Todos estes estragos estruturais estão no histórico tempestuoso do Brasil, e quase todos eles tem sua origem no mesmo motivo. Infelizmente, o principal ponto em comum entre os inúmeros vendavais que varrem a política nacional de tempos em tempos, é a incapacidade do país se reconstruir diferente. Quando parte da fortificação que esconde o crime abominável é derrubado e revela toda podridão fétida que existe do lado de dentro, a prioridade não parece ser a remoção daquilo que fede, mas sim a rápida reconstrução do que foi parcialmente demolido para que o podre não seja mais visto, e o cheiro não chame mais a atenção daqueles que vivem do lado de fora.  De fato, essa estratégia tem provado ser eficiente ao longo dos anos. No entanto, é exatamente o sucesso em conseguir esconder a podridão que habita as fortificações da política nacional, que condenam o país a uma perpétua busca por desenvolvimento. Mas o povo gosta do show. O povo gosta de ver a casa pegar fogo e ja esta acostumado ao mau cheiro.

No teatro mais famoso do Brasil, o Teatro Da Vergonha, localizado em Brasilia e mais comumente conhecido como Congresso Nacional, o povo tem assistido quase incrédulo, a apresentação de alguns dos maiores shows de estupidez e desrespeito com o povo Brasileiro, jamais visto antes. É quase uma exclusividade Brasileira poder assistir ao vivo e em rede nacional, várias facções criminosas se entrelaçando como num cesto repleto de cobras venenosas. Tentam fechar seus acordos em conversas ao pé do ouvido, cochichos e sinais codificados sem a menor preocupação de que estão sendo observados por uma nação confusa e refém de suas ações criminosas. Querem salvar seus prostíbulos das garras de uma justiça infiel e estupradora que prefere o bacanal ofertado por mãos apodrecidas pela imoralidade, do que salvar aqueles pelos quais sua criação foi justificada. A traição no teatro da vergonha é como um romance cujo o personagem principal é a corrupção. Seus amantes, que se dizem homens de Deus, são exatamente o contrário de tudo aquilo que Deus promove. Pregam a miséria humana, a falsidade, o obscuro, a mentira, a traição e a destruição. Se alimentam do sangue daqueles que os seguem, e não ha falta de sangue para alimenta-los. Como zumbis, dominados pela ignorância, pelo medo e pela miséria, seguem os passos dos seus senhores e brigam para defende-los. Zumbis contra zumbis em defesa dos responsáveis por suas vidas de zumbis. Promovem o bonito contra o feio, o inteligente contra o burro, o rico contra o pobre, a esquerda contra a direita, o Norte contra o Sul, o Azul contra o vermelho, o preto contra o branco. Não percebem que são todos vitimas dos mesmos coronéis que promovem as divisões para que a luta nunca termine, e não haja tempo para reflexões que possam levar ao esclarecimento e consequentemente a revelação da verdade. É como aquele passarinho que foi engaiolado ainda filhote e passa a vida toda adorando seu dono que garante sua sobrevivência trazendo-lhe água e comida, sem perceber que seu dono é o responsável por ele viver aprisionado em uma gaiola ao invés de livre na Natureza.

O teatro da vergonha apresenta novos shows. A peça “Tchau Querida” foi um sucesso. Foi a melhor interpretação teatral da salvação de uma nação jamais exibido ao vivo. Nem Hollywood conseguiria fazer aquilo parecer tão legítimo. A presença de Deus e Jesus juntamente com toda a família tradicional, não deixaram dúvidas da sua legitimidade. Nos banheiros do Teatro até o papel higiênico era diferente. Trazia escritos de um documento datado de 1988. Foi fantástico. Os fogos de artifício trouxeram a tranquilidade de que daquele momento em diante, a vida voltaria a ser como era antes. E de fato assim foi. Mas, não satisfeito com o sucesso da peça Tchau Querida, os organizadores logo lançaram outro sucesso. A peça “Fora Cunha” que tinha tudo para ser tão ou mais grandiosa do que a peça Tchau Querida. O povo nas ruas gritando em total êxtase dava provas do tamanho do sucesso que seria. Na noite do lançamento, lá estavam eles, os atores principais fazendo seus videos ao vivo nas redes sociais. O pré-lançamento da peça foi ainda maior do que a peça anterior. Mesmo com o olhar incrédulo dos espectadores, o lançamento não deixou a desejar e trouxe surpresas de última hora que deixou um gostinho de quero mais no público que compareceu a peça em peso. Foi mais uma noite brilhante no teatro da vergonha. A traição dos comparsas, o momento do “a querida ja foi” e o “Temer não fez nada por mim” levaram o público ao total delírio. O povo certamente não esquecera deles. É quase certo que serão eleitos ao teatro da vergonha nas próximas eleições, afinal de contas os zumbis nunca descobriram a verdade pois, continuam a brigar entre si.

Mas, da mesma forma que sempre haverá tempestades, também haverão novas peças e novos shows no teatro da vergonha. Enquanto o povo dorme anestesiado pelo sucesso do seu país democrático, os promotores de justiça ja preparam mais um lançamento imperdível. A nova peça teatral ja tem nome; a peça “Fora Temer” vem ai com mais novidades e novas surpresas para o delírio da nação zumbi. E com um congresso abarrotado de Cunhas e queridas, é certo que não faltará novos shows no teatro da vergonha para alegrar a vida da nação zumbi. O futuro esta garantido. Afinal de contas, o Brasil é o país do futuro e o futuro não é mais como era antigamente.

O BRASIL, A DEMOCRACIA E NOSSOS PECADOS POLÍTICOS

BY: Michaell Lange,

London, 05/09/16 –

Esse artigo é quase uma carta aberta aos meus amigos e colegas com quem venho debatendo desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff. É normal que haja desentendimentos e erros de interpretação. Mas é fundamental que possamos entender a posição política de quem esta debatendo com você. Nós Brasileiros, temos muitos defeitos, sobretudo na facilidade como somos induzidos ao erro e influenciados a aceitar opiniões prontas sem questionamentos. Mas é verdade dizer também que ao longo dos anos o Brasileiro vem se tornando mais politizado e mais envolvido com as questões políticas do nosso país. Essa mudança se deve principalmente (ao meu ver) a introdução das redes sociais. Deixamos de ser 100% comandados pela mídia. Boa parte dos jovens se comunica via redes sociais numa comunicação de duas vias. Você opina e critica uma idéia e não apenas ouve sem direito de resposta como costumava ser nos tempos em que havia apenas o radio, a tv e a mídia impressa. Apesar dessa evolução, ainda estamos longe do ideal. Aquela vinheta do plantão da globo ainda tem o poder de fazer nossos corações dispararem causando um choque de ansiedade e preocupação. O jornal nacional continua sendo o ser supremo de informação, mesmo sabendo da sua parcialidade jornalística. Mas estamos melhorando gradativamente, isso é fato. Ha outros problemas mais sérios com relação a política que é de vital importância para o nosso futuro social. Nós Brasileiros, não entendemos quase nada sobre o que é política e como ela funciona. Nos limitamos ao debate sobre corrupção e partidos politicos, e acabamos perdendo os pontos importantes. Nada disso é nossa culpa. As escolas públicas não nos ensinam sobre política, e ha sempre uma suspeita de parcialidade quando alguns professores tentam ensinar política nas escolas. É certo dizer que na maioria dos casos que eu presenciei, os professores sempre foram parciais. Fui conhecer a imparcialidade política apenas na faculdade em Londres onde estudei Relações Internacionais e Política na London Metropolitan University. Meus professores, Mestres e Doutores, nunca se posicionaram de um lado ou de outro, com exceção de um ou dois que tinham dificuldades em controlar sua paixão por Margaret Thatcher e Karl Marx, mas ninguém é perfeito. Tirando as exceções, o incentivo ao debate sempre foi o objetivo maior. Para minha vantagem, na minha sala haviam Americanos, Iraquianos, Nigerianos, Chineses, Franceses, Italianos, Colombianos, Árabes, Russos, Ingleses, Brasileiros e até um aluno da Mongólia com o inglês mais bizarro que eu ja vi. Meus Mestres usavam essa diversidade cultural para verdadeiros confrontos políticos, sempre no campo das idéias, que as vezes não terminavam com o fim da aula. Seguíamos por horas e continuávamos pelos corredores e elevadores do Campus. Juntando toda essa bagagem aos meus 25 anos de Brasil, é importante que meus amigos e colegas não discriminem minha opinião apenas porque não moro no Brasil hoje. Não faço essa observação porque me ofendo.  Em primeiro lugar eu só me permito ser ofendido por pessoas que eu amo muito. Segundo, porque se você entra num debate político com a fragilidade de ofender ou ser ofendido, você não esta buscando conhecimento, você esta buscando apenas por meios para descarregar suas frustrações, e nesse tipo de debate não existe ganho intelectual. Porém, eu tenho lido e ouvido tanto esse argumento de que “eu não estou no Brasil por isso, não sei o que se passa la”, que acaba atrapalhando. É chato ouvir isso o tempo todo. É frustrante, principalmente quando vem de alguém que você sabe que tem potencial para ir além. O que eu gostaria de dizer para estas pessoas, sem precisar fazer “testão” no Face, é que: Eu não sinto o medo da insegurança que você sente morando no Brasil, mas eu sei que você sente medo. Eu sei que você sente medo porque eu ja senti esse medo também, e continuo sentindo cada vez que visito o Brasil. Eu não sinto a frustração de que você sente com a burocracia Brasileira, mas eu sei que você sente, porque eu ja senti também. Eu não julgo os Brasileiros que criticam Cuba, EUA, Russia ou Israel sem nunca terem morado ou visitado o lugar. O Diogo Mainardi da revista Veja mora na Italia mas ninguém questiona isso só porque o cara é famoso. Nós não sentimos na pele o que eles sentem, mas nós sabemos o que eles sentem. Por tanto pessoal, esse argumento de que é muito fácil falar morando aqui, é totalmente infundado e raso. A informação é global. Não sentir na pele o drama local não impede ninguém de falar sobre os problemas estando do outro lado do mundo. O Correspondente do jornal Britânico The Guardian, Glenn Greenwald vive no Brasil mas escreve sobre problemas do mundo inteiro. É importante reconhecer a legitimidade de opinião independente do local de onde vem a opinião. Toda opinião construtiva é valida para o debate não importando a sua origem.

DILMA E O IMPEACHMENT

Nós Brasileiros, estamos tão acostumados a pertencer a alguma coisa, um grupo, uma associação, um clube, um partido político, um time de futebol, uma igreja etc, que não nos damos conta que temos um conjunto de bens que deve ser apoiado e defendido por todos os Brasileiros sem distinção de qualquer natureza. Estou falando da Constituição Federal, a Democracia e nossa liberdade. Este conjunto de bens deve ser apoiado e defendido acima de tudo por todos os Brasileiros, indiferente de idéias e partidos. O que eu percebi do dia do impeachment para cá, é que ha muitos Brasileiros dispostos a colocar a democracia e a Constituição de lado para que seu desejo pessoal seja realizado. Também ha uma confusão com relação as pessoas que apoiam o Fora Temer de serem em quase sua totalidade, confundidos com defensores da Dilma. É obvio que poderíamos afirmar que a maioria de fato, são eleitores da Dilma, mas nem  todos são. Ha muitas pessoas defendo a democracia sem apoiar a Dilma. Eu por exemplo, nunca escondi minha frustração com a falta de competência e liderança da Dilma, apesar de acreditar que ela seja uma pessoa sensibilizada com as questões sociais. Mas, nem isso faz dela uma boa Presidente. Mesmo assim, não podemos ignorar a Constituição e ameaçar nossa democracia para tira-la do poder a força. Eu sou contra o impeachment e contra a saída da Dilma, não porque a defendo, mas por respeito o conjunto de bens que eu citei acima. A Constituição deveria ser para os Brasileiros o que a Bíblia e o Alcorão são para os Cristãos e Muçulmanos. Entendam que defender a Dilma contra o impeachment não faz de mim um eleitor Petista. A minha defesa é a favor da democracia e da Constituição Federal. Da mesma forma que defender o Fora Temer não faz de você um petista. Existem várias religiões que usam a Bíblia como seu livro sagrado. Apesar de serem religiões diferentes, todas elas se unem no livro sagrado. A questão partidarista e ideológica no Brasil deveria seguir a mesma linha da Bíblia ou seja, podemos pertencer a partidos diferentes, apoiar idéias diferentes, mas todos nós precisamos estar unidos em defesa da nossa democracia e da nossa Constituição Federal. Não é possível anular e aplicar a Constituição Federal por conveniência.

Por tanto, quem perdeu com o Impeachment não foi a Dilma ou o PT. Seria inocência e ingenuidade acreditar que um partido que esteve no poder por 13 anos e teve que ser retirado a força do Executivo, perdeu alguma coisa com isso. Considerando o caos que se encontra a direita Brasileira, é quase certo que o Lula volta a ser presidente do Brasil em 2018. Quem de fato perdeu com o impeachment foi a democracia, a Constituição Federal e nossa liberdade, que se encontra comprometida e ameaçada nas mãos de políticos réus, investigados, afastados ou ja condenados por corrupção e lavagem de dinheiro, que hoje, graças ao impeachment, gozam de imunidade parlamentar ou seja, não responderão aos crimes que cometeram. Se ao invés da Constituição Federal fosse a Bíblia, todos os Cristãos, evangélicos, Presbiterianos, Jeovás, Luteranos, Batistas etc, estariam unidos para defender o livro sagrado. O que nos impede de nos unir para defender a Constituição Federal?

O GOVERNO

Outro conceito errado que nós Brasileiros exercemos. O governo não é formado apenas pelo presidente da república. O governo Brasileiro é formado por três poderes. O Executivo, representado na figura do Presidente, o Legislativo que é representado pelo Congresso Nacional e o Judiciário. A figura do presidente representa apenas o poder executivo. Os poderes são divididos exatamente para evitar o que seria uma ditadura ou um totalitarismo onde a voz do presidente seria a Lei. A maior prova dessa divisão do poder foi o impasse político causado pela então oposição governamental. Quando as bancada evangélica, militar e ruralista se uniram, eles dominaram o Congresso Nacional e criaram uma barreira que estaguinou o exercício do governo como um todo. O governo parou porque ele não funciona apenas com as ordens do presidente. O governo não funciona sem o Congresso aprovar e deliberar as prioridades sociais, assim como não adianta o Congresso querer sem a presidência sancionar. O governo por tanto, é todo o conjunto que envolve os três poderes, e não apenas o presidente. Não entender como estes três poderes interagem nos faz vitimas da nossa própria ignorância. O presidente era a Dilma, mas o governo era formado por ela, pelo Congresso Nacional e pelo Judiciário. Na questão do impeachment, todos falharam com suas obrigações e responsabilidades porque o interesse coletivo do congresso era derrubar o presidente. A constituição ficou em segundo plano para interesses partidários nacionais e internacionais. O povo Brasileiro precisa entender que a nossa Constituição Federal é o nosso livro sagrado e deve estar acima de qualquer interesse partidarista ou ideológico.

A DEMOCRACIA

O conceito mais simples sobre a democracia parecer ser o mais aceito por grande parte dos Brasileiros. As pessoas pensam que a democracia é apenas o direito de votar e escolher nossos governantes. Isso é um equívoco. A definição de democracia como sendo o poder do povo pelo povo para o povo, vai muito além do direito de votar. Pessoalmente, defino a democracia como o sistema mais caótico que existe. A ditadura e o totalitarismo tira do povo o direito e a responsabilidade de opinar, de expressar suas vontades e desejos. O ditador é o senhor do seu povo ou seja, o que ele fala é Lei e pronto. A democracia é caótica porque concede o mesmo direito a todos os cidadãos. Essa ação por si só causadora de caos. O artigo quinto da nossa Constituição Federal de 1988 afirma: “Todos são iguais perante a Lei sem distinção de qualquer natureza” ou seja, indiferente da sua profissão, escolaridade, status social, condição financeira; todos são iguais perante a Lei. A consequência dessa igualdade social perante a Lei concede a 200 milhões de cidadãos Brasileiros que pensam diferente, tem desejos diferentes, ambições diferentes, idéias diferentes, poder financeiro diferente, status social diferente; a condição de total igualdade perante a Lei. O policial, O advogado, o Juiz, e outras autoridades sociais não tem por tanto, mais direitos do que qualquer outro cidadão Brasileiro, o que eles tem é mais responsabilidades. No Brasil, temos o conceito errado e inconsciente de que quanto mais dinheiro você tem mais direitos você adquire. Esse conceito é totalmente equivocado. O rico não tem mais direitos do que o pobre. A autoridade não tem mais direitos do que qualquer membro da nossa sociedade. Por isso a sociedade democrática é uma sociedade caótica, onde todos tem os mesmos direitos e precisam, de alguma forma, acomodar os diferentes anseios de cada cidadão para que a sociedade funcione. O protesto que fecha a rua, a avenida ou a ponte, gera grandes transtornos a muitas pessoas que também tem garantido por Lei o direito de ir e vir. Esta Lei também faz parte do artigo quinto da Constituição Federal de 1988 que afirma: “É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou sair com seus bens. Todo cidadão tem direito de se locomover livremente nas ruas, nas praças, nos lugares públicos, sem temor de serem privados de locomoção”. Essa Lei em si ja é causadora de caos, mas quando a Lei que nos da o direito e ir e vir sem temor de serem privados de locomoção, é confrontada com a Lei que nos da o direito a manifestações, o resultado só pode ser o caótico. A Lei que concede o direito a manifestação também faz parte do artigo quinto e afirma: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; […] XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; […] XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar”.

Vemos frequentemente que a PM e o Governo interferem em nossos direitos constitucionais seja pelo uso da violência, bloqueio da livre passagem dos manifestantes, e proibição de atos públicos. Manifestantes também infringem a Lei ao depredar o patrimônio público e portar armas durante manifestações populares.

O caos democrático pode ser observado por exemplo no cidadão que trabalhou o dia inteiro e deseja sua livre locomoção até a sua residência, mas se depara com uma manifestação pública sobre assuntos que não lhe trazem interesse. A virtude social que deve ser sempre exercitada para o controle do caos democrático é a tolerância. A tolerância reconhece a importância de uma manifestação popular mesmo quando esta não nos interessa. A greve dos caminhoneiros causou imenso transtorno durante semanas em quase todo o território Brasileiro. Muitas pessoas que simpatizavam com o argumento dos caminhoneiros exercitaram a tolerância diante de estradas e rodovias federais que permaneceram fechadas por vários dias. Ja as manifestações que fecharam a ponte em Florianópolis na hora do rush, foi intensamente criticada, principalmente por aqueles que não simpatizavam com a causa. Isso tende a agravar o senso de injustiça. Mas é importante que tudo isso seja superado e considerado necessário para a manutenção da nossa democracia. Pessoalmente achei a idéia de fechar a ponte um tanto equivocada pois, afeta o cidadão que deseja ir para casa e certamente não atrai o apoio popular. Mas esse é o caos democrático que desejamos viver. Na Coreia do Norte não ha caos, não ha protestos nem greve, porque não ha direitos nem liberdades. O totalitarismo ditatorial concede o poder total a uma única pessoa e esta, é quem decide como a sociedade e seus cidadãos devem se comportar. Hoje, o principal acesso terrestre entre a França e o Reino Unido foi fechado por manifestantes franceses. Esta é uma questão ainda mais delicada pois envolve o bloqueio de um dos principais acesso ao Reino Unido. Mas mesmo com algumas criticas, as agencias de transito e transporte fazem todo o possível para que a manifestação ocorra com segurança e com o mínimo de transtorno aos cidadãos afetados. Esse trabalho minimiza o caos e garante a manutenção da democracia. O protesto deve durar uma semana. A policia se limita a garantir a segurança de todos os envolvidos.

Concluo que o debate politico em todas as esferas sociais é extremamente importante para que possamos, não apenas nos comunicar diretamente, mas entender mais sobre o povo Brasileiro, quem somos, o que desejamos, porque divergimos nas opiniões. Entender o processo democrático, o funcionamento do governo e conhecer nossos direitos, é mais do que um dever, é uma responsabilidade de quem busca construir um país melhor para viver. Os rótulos populares que causam divisão e atrito, devem ser evitados. Pessoalmente não uso nenhum deles. Não me refiro a nenhum cidadão Brasileiro como coxinha, petralha, tucanalha, mortadela etc. Somos todos um único povo que busca e deseja melhorias. Separados em bandos, seremos sempre massa de manobra. Unidos, somos uma democracia forte e livre. A superação destas diferenças é provavelmente o processo mais difícil. As relações entre o povo, o governo, a policia e outras agencias e instituições sociais e governamentais, sempre foram marcadas pela fragilidade e a desconfiança. mas cabe a cada cidadão mudar essa realidade dentro de si. Não ha tempo a perder, o Brasil precisa crescer e se desenvolver.

 

 

 

 

A CERIMÔNIA DE ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS E O BRASIL

By: Michaell Lange,

London, 08/08/16 –

É preciso interromper o contínuo sentimento de um dia ter orgulho e no outro vergonha de ser Brasileiro

Durante os dias que anteciparam a cerimônia dos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, alguns amigos e conhecidos Europeus, me perguntavam se eu assistiria a cerimônia de abertura. Minha resposta sempre foi: Sim claro! Mas dentro do meio peito o coração andava apertado, angustiado. Eu estava na verdade, sentindo medo. Era como uma certeza de que mais uma vez, passaríamos vergonha perante o resto do mundo. E toda essa tensão não era injustificada, muito pelo contrário, o Brasil vinha nos últimos anos, batendo todos os records de absurdos possíveis nos seus 194 anos de história. O vexame dos 7 a 1, o crime sem culpado em Mariana, o Impeachment votado por criminosos em Brasilia, o teatro da vergonha no congresso nacional. Como acreditar num país que declara amor e orgulho a si mesmo e ao mesmo tempo é o grande vilão da sua própria miséria? Não, é claro que eu não acreditava mais. A grande maioria dos Brasileiros parecem não acreditar mais. O objetivo é a sobrevivência, os sonhos são realizados pelas novelas. Planos futuros é o que faremos no próximo final de semana. É claro que perante tanta estupidez, violência e corrupção, minha esperança de um Brasil que da certo estava a beira do abismo. Mas eu também celebrei com muita alegria e com a inocência de um típico Brasileiro tolo, quando nosso país ganhou o direito de sediar a copa do mundo do esporte mais amado do planeta, e o maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas. Era a oportunidade que precisávamos para o Brasil crescer de fato, pensei na ocasião. Com a economia em alta, os dois maiores eventos esportivos do mundo, o que mais nos faltava para encher o Brasileiro de orgulho e entusiasmo? Pensei, com a inocência tola de um Brasileiro. Descobri que nos faltava todo o resto.

Depois de 13 anos vivendo no Reino Unido, aprendi que “ser”, vai muito além da simples existência. Para sermos de fato, é preciso viver a verdade que desejamos, e não apenas esperarmos que ela aconteça, ou que os outros a tragam sem a sua contribuição pessoal. O coletivo para ser, precisa do grupo. O plural de um, não existe. A realidade de uma sociedade é formada pelo conjunto das atitudes diárias de seus sócios. O Brasil por tanto, é o que os Brasileiros são no dia-a-dia, e não aquilo que eles dizem que é, ou desejam que seja. O orgulho não é possível ser antecipado. Ele somente é, depois que o “ser” deixa de ser apenas um desejo ou um objetivo, e passa a ser a verdade. O orgulho do futuro não existe. Não existe estudante orgulhoso da sua graduação. Não existe desempregado orgulhoso do seu futuro emprego. Não existe solteiro orgulhoso do seu casamento. Existe apenas o orgulho do passado, se este foi verdade, e o orgulho do presente, se o presente for verdadeiro. O Amor transcende todo o resto, mas não pode ser confundido com paixão. A paixão é como o nacionalismo. É intenso e forte, mas ausente de razão e inteligência. O Amor, nessa comparação, seria o patriotismo, que cuida e quer bem o tempo todo. Por isso, questiono o Brasileiro quando canta alto nos estádios e nos protestos; “Ah eu sou Brasileiro com muito orgulho e muito amor”. Infelizmente não somos. Nós apenas desejamos e sonhamos ser. O Brasileiro deseja “ser” um Brasil que ainda não é verdade, e que precisa de atitude individual para poder ser então, plural e coletivo, verdadeiro. O orgulho Brasileiro, ainda é um nacionalismo tolo, irracional, impulsivo, militar, e imaginário como a falsa fé que precisa de força física para existir. A fé verdadeira é silenciosa, não precisa aparecer. O Brasileiro que ama e tem orgulho de verdade não precisa gritar, ele apenas existe na sua forma natural e nas suas atitudes; esta presente constantemente como o amor de uma mãe que não se pode ver, mas esta sempre lá, presente. Não existe a necessidade de demonstrar. A vibração de um gol é alegria momentânea pois, logo queremos outro. O Amor e o orgulho verdadeiro é como o silêncio do universo que não precisa de som para demonstrar sua grandeza.

E por falar em grandeza, Joaquin Osório Duque-Estrada, não mentiu quando escreveu: “…Gigante pela própria natureza…”. O potencial do nosso país é tão grandioso e óbvio que revolta só de imaginar o quanto milhões de Brasileiro sofrem todos os dias apenas para garantir sua subsistência. É como se o Brasil fosse uma Bugatti Veyron e o Brasileiro, um motorista que nunca dirigiu um carro. Quando meus amigos Britânicos e Europeus me perguntam o que esta acontecendo com o Brasil, eu dou o exemplo da Bugatti sem motorista habilitado porque de fato, é isso que nos falta, uma habilitação para dirigir um carro potente sem causar um acidente a cada curva da estrada do desenvolvimento.

Na Sexta Feira, dia da cerimonia de abertura dos jogos Olímpicos do Rio, eu ja estava sofrendo antes mesmo do inicio. Sofrimento, diferentemente de orgulho, pode ser sentido antecipadamente como forma de ansiedade e medo. Sentado em frente a TV assistindo o pré-show da BBC, meus pensamentos eram só pessimismo. Típico de um Brasileiro que não acredita em si mesmo. Era como assistir o Rubens Barrichello na F1; você sabe que ele vai terminar em quinto. Mas eis que o gigante pela própria natureza por vezes, nos da um daqueles chacoalhões que nos acorda para as potencialidades que nosso país possui e usufrui tão pouco. O Brasil ganhava ali sua primeira medalha de ouro. A abertura dos jogos Olímpicos se resumiram em três palavras: Simples, barato, e espetacular! A simplicidade do nosso povo foi perfeitamente incorporada nas nossas condições econômicas, e espetacularmente exposta numa explosão de cores e movimentos que refletiram a riqueza cultural e diversa do nosso país de maneira sublime. Foi difícil conter as lágrimas. Nosso patrimônio artístico e cultural deixou sua mensagem de que cultura e arte não são coisas de vagabundos e comunistas. A arte e a cultura são elementos que dão forma a identidade Brasileira e não podem ser negligenciadas por interesses ideológicos e partidários.

Mais uma vez provamos que somos capazes de criar espetáculo, mesmo nas condições mais adversas. Somos capazes de superar todas as dificuldades e surpreender os maiores críticos. Somos capazes de alcançar nossos objetivos e obter sucesso por nossas próprias mãos. Tudo que precisamos fazer é acreditar em nossa própria capacidade. O Brasileiro é um povo resiliente, empreendedor, lutador e corajoso. É fato que nos falta inspiração, mas como ficou demonstrado na cerimonia de abertura dos jogos Olímpicos; nossa cultura, nossa história e nossa arte, podem ser nossas inspirações que iluminará o difícil caminho que nos levará a um perpétuo processo de desenvolvimento sócio/econômico que beneficiará todos os Brasileiros. O Brasil tem condições de ser verdadeiramente uma história de sucesso, e isso ja ficou evidente em inúmeras ocasiões. Mas para que o sucesso aconteça, precisamos eliminar nossa tendência auto-destrutiva que historicamente nos acompanha e nos freia, e reconhecer que nossas diferenças ideológicas e culturais não são partes de um problema mas sim, partes da nossa riqueza cultural e diversa que fazem do Brasil um país único. Precisamos acabar com o ciclo do sentimento que nos faz ter orgulho de ser Brasileiro um dia, e sentir vergonha no outro. Dessa forma, poderemos verdadeiramente, sermos Brasileiros com muito orgulho e muito Amor.

O CAOS BRITÂNICO PÓS REFERENDUM NÃO PARA DE SURPREENDER O MUNDO

By: Michaell Lange,

London, 01/07/16 –

Tem sido uma semana extraordinária na política Britânica. O voto a favor da saída do Reino Unido da União Européia causou uma Tsunami sem precedentes na política e na sociedade Européia, sobretudo no Reino Unido. Os dois principais partidos Britânicos, os Conservadores e os Labours (trabalhadores), implodiram diante da situação política mais caótica no país nas ultimas décadas. O Labour Party (partido dos trabalhadores) pediu a saída do seu líder Jeremy Corbyn depois de fracassar na campanha pela permanência do país na União Européia. Corbyn sempre foi contra a permanência do Reino Unido na União Européia, mas precisou defender a visão do seu partido incluindo a de seus eleitores, de permanecer na UE mesmo contra a sua vontade. Corbyn foi acusado pelos principais membros do seu partido de fazer uma campanha “banho maria” e não demonstrar nenhum entusiasmo durante a campanha pré-referendum. Depois de se recusar a renunciar seu posto de líder dos trabalhadores a pedido dos seus próprios membros do parlamento, Corby assistiu a maioria dos seus ministros de Gabinete renunciarem seus postos em protesto a sua permanência como líder do Partido. Mesmo depois de perder uma votação de credibilidade interna do partido onde 172 membros do Parlamento declararam não ter confiança na liderança do seu líder contra apenas 40, Jeremy Corbyn relembrou que foi eleito por 60% dos voto dos membros do seu partido e por isso, não renunciaria sem novas eleições internas. Ao mesmo tempo que Corbyn sofre seu maior ataque interno desde sua expressiva eleição no ano passado, membros do Partido dos Trabalhadores continuam dando seu apoio ao atual líder.

Por outro lado, no partido dos conservadores, depois da Renúncia do Primeiro Ministro David Cameron, tudo indicava que o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, seria o sucessor de Cameron como líder dos Conservadores e Primeiro Ministro. Ninguém duvidaria que Boris Johnson concorreria ao cargo de líder do seu partido contra a atual secretária de estado Theresa May. Boris Johnson era sem sombra de dúvidas o mais cotado para suceder David Cameron na próxima eleição do partido que será realizado na convenção dos conservadores em Setembro. Porém, hoje pela manhã, pouco antes de Boris Johnson anunciar oficialmente sua candidatura a líder dos Conservadores, o  ex-Ministro da Educação,  que também foi Ministro do Tesouro e Ministro da Justiça Michael Gove, que esteve lado-a-lado de Boris Johnson durante toda a campanha do referendum a favor da saída do país da UE, surpreendeu o país ao anunciar sua própria candidatura a líder dos Conservadores e declarar que não tinha confiança em Boris Johnson para liderar os Conservadores ou ser Primeiro Ministro Britânico. A mídia Britânica foi a loucura com a extraordinária e surpreendente declaração do principal aliado de Boris Johnson até o presente momento. Enquanto todas as agências de comunicação e as redes sociais tentavam entender o estrago causado pelo tornado “Michael Gove”, Boris Johnson adiava brevemente seu pronunciamento para logo depois anunciar que estava desistindo da sua candidatura a líder dos conservadores. Os Britânicos assistiam em choque o desenvolver de um turbilhão político que tomava conta de todos os meios de comunicação do país. A incrível e inesperada declaração de Michael Gove virou a política Britânica de pernas para o ar. Boris Johnson poderia sobreviver a qualquer ataque ou criticismo sem abalar suas grandes possibilidades de se tornar o próximo primeiro ministro Britânico, mas as declarações do seu “homem de confiança” provou ser demais para o carismático e popular ex-prefeito de Londres. A mídia sem dúvidas, nunca teve tanto do que falar. Até a humilhante derrota do time de futebol Inglês pela seleção da Islândia na Eurocopa ficou ofuscada pelos acontecimentos pós-referendum.

Enquanto isso nas ruas do país o povo se divide sobre o resultado do referendum. Protestos a favor da União Européia tomaram as ruas ao redor do Parlamento Britânico liderados por jovens estudantes que acusam os mais velhos de não pensarem no futuro do país ao votar pela saída do Reino Unido da União Européia. Uma petição online ja acumula mais de 3 milhões de assinaturas pedindo um novo referendum. Por outro lado, os números de ataques racistas e xenofóbicos contra imigrantes, Islâmicos e pessoas de cor, dispararam em todo o território Britânico. Um garoto de 7 anos, filho de pai Britânico e mãe espanhola, levou uma surra na escola por ser considerado estrangeiro. O caso mais revoltante foi o de uma senhora Alemã de 80 anos, que vive no Reino Unido a mais de 40 anos, que ligou para a radio LBC chorando e extremamente nervosa dizendo que seus vizinhos se recusam a falar com ela por ela ser estrangeira, e sua amiga da igreja lhe disse que agora eles expulsariam todos os estrangeiros do país. A senhora também teve a janela da sua casa atingida por fezes. Em outro caso, duas espanholas que conversavam em espanhol foram verbalmente agredidas por outras pessoas que passavam no local. Uma Mesquita e o consulado Polonês tiveram as paredes pinchadas com insultos xenofóbicos. A polícia Britânica esta investigando vários casos de ataques físicos e verbais contra estrangeiros. Muitos imigrantes estão pensando em ir embora do país com medo do que pode acontecer. Uma família cuja o marido é Britânico, resolveu sair do país com medo que aconteça com eles o mesmo tipo de perseguição que ocorreu contra os Judeus durante a segunda guerra mundial. A mídia e a outra metade dos Britânicos tentam amparar imigrantes com apoio nas redes sociais e TV. Durante os protestos a favor da União Européia era possível ver vários cartazes com dizeres como: “refugiados sejam bem vindos” ou “imigrantes são bem vindos”; “somos todos Europeus” etc… O Primeiro Ministro David Cameron que permanece no cargo até Setembro, disse que o país não irá tolerar ataques racistas e xenofóbicos e pediu calma a população. Outros líderes políticos fizeram o mesmo. A polícia Britânica afirma que esta vigilante.

Jeremy Corbyn do Partido dos Trabalhadores que vinha sendo o principal alvo da mídia nos últimos dias pode respirar aliviado com as atenções dos jornalistas voltada agora para o Partido dos Conservadores.

Do outro lado do Canal da Mancha, os líderes dos países membros da União Européia se reuniam sem a presença do Primeiro Ministro Britânico para discutir a saída do Reino Unido da União Européia. O Presidente do Conselho Europeu Donald Tusk juntamente com o Presidente da Comissão da União Européia Jean-Claude Junker e a Chanceler Alemã Angela Merkel, disseram que os Britânicos não terão acesso ao mercado comum Europeu sem permitir o livre acesso de cidadãos Europeus ao Reino Unido. O acesso ao mercado comum Europeu é vital para a economia Britânica que tem o mercado Europeu como um dos principais consumidores de seus produtos e serviços. Por outro lado, o principal argumento que levou os Britânicos a votarem a favor da saída do país da União Européia foi justamente o controle de entrada de imigrantes e trabalhadores provenientes da União Européia cujo o número passa de 100 mil por ano. O próximo Primeiro Ministro Britânico, agora provavelmente Michael Gove ou Theresa May, terá uma batalha monumental para negociar o acesso do Reino Unido ao mercado comum Europeu sem comprometer a questão do controle de imigrantes no país que certamente levaria o povo Britânico a votar contra os Conservadores nas próximas eleições gerais. No momento, a negociação da saída dos Britânicos da UE parece mais um caso de missão impossível. Ao que tudo indica, o próximo Primeiro Ministro Britânico precisará ser mais do que apenas um excelente político, seja quem for, o próximo Primeiro Ministro Britânico terá que ser um verdadeiro fazedor de milagres.