MEGHAN MARKLE E A MONARQUIA

Por: Michaell Lange,

Londres, 20/05/18 –

Foi mais um casamento real, mas desta vez, foi um casamento real com significados que vão muito além de qualquer critica republicana. Ao menos agora, o Amor entre Noivo e noiva é de fato, verdadeiro. Estimativas avaliam que mais de dois bilhões de pessoas assistiram ao casamento real entre Harry e Meghan, agora Duke e Duquesa de Sussex.

Pode parecer estranho, mas diferentemente do que a mídia mostra, há uma crescente divisão na opinião pública Britânica sobre o sentimento com relação a família real. Uma pesquisa divulgada pela Yougov sugeriu que 66% dos Britânicos não estavam interessados no casamento real. Três quintos afirmaram que teriam um final de semana normal, como qualquer outro. Um em cada 10, estariam trabalhando, e apenas 1 em cada 4 Britânicos teriam intensão de assistir o casamento. O número de festas com pedidos para fechamento de ruas para celebrações, também caíram dramaticamente em comparação ao casamento real de William e Kate em 2011. Apenas uma festa de rua foi confirmada na Escócia. Em algumas regiões da Inglaterra a queda de festas celebrando um casamento real chegou a 92%. E o crescente criticismo à família real não se limita apenas aos Republicanos. Muitos Britânicos não aceitam a vida de luxo levada pela família real enquanto o resto do país tem que arcar com uma política de austeridade com fortes cortes orçamentários na saúde, educação e segurança. O sistema de saúde pública Britânico, o NHS, esta em crise. Mais de 40 mil vagas de trabalho não possuem candidatos por conta dos cortes salariais e condições de trabalho. A policia perdeu quase 50% da sua força de segurança e o país vive uma de suas maiores crises de segurança da história. Muitos Britânicos não aceitam caminhar ao lado do Palácio de Buckingham com suas 700 suítes, enquanto 3 mil Britânicos dormem nas ruas do país todos os dias.

Já argumento a favor da família real, é que os benefícios que a monarquia trás ao país, superam todos os custos decorrentes da sua vida extravagante. Londres recebe por ano mais de 6 milhões de turistas. Um benefício econômico que certamente não seria o mesmo sem a presença da família real. A Rainha também é considerada a maior embaixadora do mundo. Uma celebridade que abriu muitas portas e facilitou muitos acordos econômicos para os Britânicos. Quando o Reino Unido precisou fechar acordos com o Brasil, a comitiva Britânica levou o Principe Harry que imediatamente ganhou a atenção da mídia nacional.

De uma forma ou de outra, os casamentos reais sempre trouxeram alguma forma de mudança para a monarquia. A eterna princesa Diana era uma “pedra no sapato da Rainha” porque muitos achavam que Diana era de fato, mais poderosa que a própria Rainha. Diana tinha o mundo a seus pés, e toda sua influência foi usada para causas humanitárias ao redor do mundo. Sua morte trágica e prematura deixou dois meninos sem mãe que o país passou a amar mais do que a própria Rainha. Harry, o filho mais novo do casal, herdou as aptidões humanitários da mãe. Harry viajou o mundo inteiro ajudando milhões de pessoas e ajudando a levantar milhões de dólares em doações para suas causas humanitárias. O povo Britânico sempre quis muito ver o Principe Harry feliz. O anuncio do seu noivado com a Americana, divorciada e de família negra, foi recebida com muita celebração pelo povo Britânico. Era o sinal de que o amor que Diana havia dedicado sua vida a encontrar, continuava vivo no coração do seu filho harry. É importante lembrar que até pouco tempo atrás, membros da família real, poderiam casar-se apenas com alguém da linha aristocrata. Um casamento com uma Americana, divorciada e negra jamais seria permitido. Em 1936 o então Rei Eduardo VIII teve que renunciar o trono para casar-se também com uma Americana divorciada. Principe Harry, pôs fim a tudo isso!

Meghan Markle não é apenas Americana e divorciada, sua família é descendente direta de escravos. Por isso, o significado desse casamento transcende os paredões e as fortificações dos castelos da monarquia, e muda a história para sempre. Como disse o Bispo Americano Michael Curry, durante seu sermão na Capela São George, no Castelo de Windsor, “… Uma nova família nasce… O amor tem o poder de mudar o mundo!”

Principe Harry, introduziu uma negra, descendente de escravos, diretamente no coração de uma das mais conservadoras aristocracias do mundo. Os mesmos aristocratas que iniciaram o abominável comércio escravo. os mesmos que justificavam a escravidão de um negro pelo fato de que negros não tinham alma, e que por isso, não eram humanos. Hoje, recebem em seus palácios reais e em sua mais alta nobreza, Meghan Markle, filha de escrava.

Meghan, não representa apenas uma classe racial. Seus trabalhos em prol das causas humanitárias foram uma das coisas que chamaram a atenção de Harry. E, se alguém tinha qualquer dúvida sobre a influencia que esta mulher incrível traria à realeza Britânica, o sermão do bispo Americano Michael Curry e a presença do coral gospel cantando pop music, durante um casamento real, é evidência concreta de que Meghan não veio apenas para casar-se com Harry, mas para transformar a família real e a sociedade em que vivemos. Meghan, representa o poder do amor e o poder da mulher no processo de transformação do mundo em lugar mais justo e solidário, menos machista e violento. O poder do amor é infinitamente maior que o poder de uma Rainha, é maior do que todas as aristocracias colocadas juntas. Porque como disse o Bispo Michael Curry, “Deus é amor, e o amor é o único caminho!”

Meghan e Harry vieram para influenciar o mundo. Não serão apenas as relações diplomáticas entre os EUA e o Reino Unido que ganharão com essa união. Assim como Diana, Meghan e Harry irão influenciar as relações internacionais e o modo de pensar das pessoas. Eles são, provavelmente, a maior força para o bem atualmente no mundo. Essa união não é apenas um presente aos Britânicos, Meghan e Harry são um presente para toda a sociedade humana. Os trabalhos de transformação do mundo em um lugar mais justo, começaram ontem no castelo de Windsor. O amor é o único caminho!

JESUS CRISTO, OS CRISTÃOS E A POLÍTICA

Por: Michaell Lange,

Londres, 13/05/18 –

A corrupção não afeta apenas o governo. A corrupção afeta todas as esferas humanas, incluindo a fé, a religião e a igreja. A corrupção afeta também nossos valores e virtudes que são, ou deveriam ser, a base de sustentação da nossa sociedade. No Ocidente, os valores Morais e éticos foram promovidos principalmente pelo Cristianismo. Mas, tais virtudes e princípios não são necessariamente dependentes da religião. Outros valores como a liberdade, o espirito crítico, a cooperação, inovação, criatividade, entre outros valores, foram desenvolvidos e conquistados ao longo do tempo por movimentos sociais, como por exemplo, os rebeldes Ingleses que no ano de 1215 fizeram o então, Rei João, assinar a Magna Carta, que é considerada por muitos, a primeira constituição oficial a garantir as liberdades do indivíduo e proteje-los contra a tirania das autoridades.

Porém, o maior promotor de valores Morais, Éticos e humanos, viveu a mais de dois mil anos atrás, e se chamava Jesus de Nazaré. Seus ensinamentos foram tão importantes para a sociedade humana, que mesmo passados dois mil anos do seu assassinato, Jesus continua sendo a pessoa mais reconhecida do mundo. A forma com que falo de Jesus aqui, não é religiosa. Não sou religioso. Mas, sou um grande admirador e seguidor dos princípios e ensinamentos de Jesus. E, por ser seguidor de seus ensinamentos, me considero Cristão, um Cristão sem religião.

A crise moral que vivemos hoje esta exposta, ao meu ver, na corrupção do ser humano atual diante dos ensinamentos deixados por Jesus. Os ensinamentos foram corrompidos e transformados em uma monstruosidade cuja a própria Bíblia ja previa, mas muitos Cristãos não deram, e continuam não dando a devida atenção. Arrisco a dizer aqui que atualmente, a grande maioria daqueles que se consideram Cristãos, são de fato, o oposto disso. O Cristão não é simplesmente aquele que vai a igreja, que ora, e lê a Bíblia. O Cristão é aquele que segue Cristo, seus ensinamentos, seus valores, e procura ser uma pessoa melhor a cada dia ou seja, ser o mais próximo daquele que foi Jesus.  Não é possível ser Cristão e promover o ódio, a discórdia e a intolerância.

Jesus dedicou sua vida a promoção do Amor, da tolerância, da caridade, do perdão, da compaixão. Jesus nos ensinou a compartilhar o pão. Jesus lutou e protestou contra o autoritarismo.  Ajudou os mais pobres, os odiados, os rejeitados, e pediu para que seus seguidores fizessem o mesmo. Jesus nos pediu para não sermos hipócritas, mas sinceros. Jesus pediu para amarmos nossos inimigos e procurar a reconciliação ao invés do ódio. Estes, foram ensinamentos claros de como seus seguidores deveriam se comportar.

Toda uma vida dedicada a promoção do Amor ao próximo, do perdão, da compaixão e da tolerância. Valores estes que ficaram evidentes no momento da sua morte. A crucificação de Jesus foi a prova da grandiosidade do seu espirito. Mesmo sendo brutalmente torturado, Jesus Amou seus algozes, orou por eles, e pediu a Deus por suas almas. Eis aí um verdadeiro Cristão. Aquele que perdoa o assassino do seu próprio filho. Aquele que ama quem lhe quer fazer o mau. Aquele que tolera as diferenças. Aquele que compartilha o pão. Aquele que promove o Amor nos momentos em que o ódio é mais sedutor. Aquele que ajuda os rejeitados.

Jesus é Amor, não é ódio! O objetivo do Cristão deve ser o de ser aquele que jesus foi no momento da sua crucificação. Amor puro! Amor que salva!

Como pode alguém idolatrar aquele que promove a intolerância, o ódio, a divisão, a tortura, a morte, a indiferença, o revanchismo, a vingança e a brutalidade ao próximo, e ter a coragem de se dizer Cristão? Como pode um dito Cristão, compactuar e promover sentimentos e comportamentos totalmente avessos aqueles praticados por Jesus?

Jesus foi assassinado pelo autoritarismo ganancioso do poder. Jesus foi torturado e morto para que seus ensinamentos jamais fossem esquecidos. Jesus foi crucificado para que o caminho do bem fosse tão claro aos Cristãos, que nenhuma força seria capaz de corromper a verdade que os levaria a salvação. Mas, muitos Cristãos hoje, preferiram se juntar aos falsos profetas. Falsos profetas que conduzem seus corrompidos de volta a escuridão. A escuridão do olho por olho, dente por dente. A escuridão do ódio e da intolerância. Não são Cristãos. Podem até ser mitos, mas assim nunca serão Cristãos… Jesus pediu por vossos arrependimentos. Arrependam-se!

 

GATO POR LEBRE (política)

By: Michaell Lange,

London, 28/12/16 –

É comum ouvirmos a frase “gato por lebre” no sentido de comprarmos um produto que se parece com aquilo ofertado, mas que na verdade se trata de um produto totalmente diferente. Normalmente, o gato por lebre significa um produto similar, mas de valor e/ou importância muito inferior ao que realmente buscávamos. O mesmo problema ocorre em quase todos os sentidos da vida, incluindo a política. Quantas vezes votamos em gato e elegemos lebre? O rótulo de uma mesma proposta política pode vir com diferentes faces e cores. Na maioria das vezes, trás um apelo direcionado a um grupo específico de pessoas (eleitores clientes). Essa questão também vale para a religião, onde charlatões usam da palavra sagrada para enriquecerem às custas da humildade, do medo, e do drama humano. Mas não é de religião que iremos falar aqui.

O que é importante para todo eleitor e futuro eleitor, é fazer uma boa analise não apenas do rótulo, mas também no produto, antes de compra-lo, elege-lo ou aceita-lo. Antes de decidir, pergunte-se; Será que o rótulo realmente corresponde ao produto? Será que o político realmente corresponde a sua proposta? A propaganda enganosa é um problema epidêmico na política e é preciso muita atenção na hora de escolher nossos representantes.

Você ja se decepcionou com o tamanho do hamburger porque na foto promocional ele parecia muito maior? A verdade é que na maioria dos casos, quando elegemos um político, estamos elegendo gato por lebre. E a culpa pela falta de atenção é toda nossa! Se alguém lhe oferecer uma Mercedes- Benz zero quilômetro pelo preço de um Chevette velho, é claro que você irá desconfiar. A questão é; Por que não desconfiamos quando um político, ou um partido político, nos oferece a salvação e a solução de todos os nossos problemas, em troca do nosso voto? Para ser ainda mais direto, por que elegemos e reelegemos políticos corruptos (gato)? O voto parece ser um produto barato, mas na verdade pode ser mais caro do que você imagina. O voto pode custar seu emprego. Sua aposentadoria, a saúde da sua família e a educação dos seus filhos. Quanto lhe custaria tudo isso? Não vou citar exemplos Brasileiros para não comprometer a imparcialidade deste artigo, apesar dos inúmeros exemplos que poderíamos citar aqui. Então, para minimizar a polêmica do assunto, usaremos exemplos de outros países. Vejamos; na Holanda, Geert Wilders é o líder do partido de extrema direita chamado “Party for Freedom” ou Partido para a Libertação. Você percebe o apelo que o nome do partido promove? Isso não significa que o partido político liderado pelo Sr Wilders irá promover a libertação da Holanda, até porque a Holanda ja é um país livre, além de ser um dos países mais desenvolvidos do mundo. Por tanto, o Party for Freedom é gato, não é lebre. Na França, um dos maiores partidos políticos do país chama-se “The National Front” ou Partido da Frente Nacional. Novamente, um nome apelativo em um país livre e desenvolvido que não sofre com qualquer ameaça de invasão. No Reino Unido, o UKIP – United Kingdom Independence Party – ou Partido da Independência do Reino Unido, é mais um exemplo. O Reino Unido é um país independente e livre, mas na visão do líder do UKIP, Nigel Farage, o país é refém da União Européia, ou seja, pura demagogia. É gato por lebre! O que todos estes partidos tem em comum é o apelo populista para obter o poder. Quando você encontra partidos com nomes apelativos sobretudo em países ricos, livres e desenvolvidos, a libertação e a independência dos nomes estão na verdade, escondendo a intolerância contra imigrantes,, negros e religião. De fato, todos os partidos políticos acima, são anti-imigrantes, anti-EU e anti-Islamismo, o que sugere a teoria do gato por lebre ja que, a liberdade e a independência presente no rótulo, na verdade significam, perseguição, discriminação e proibição, o oposto de liberdade e independência. O rótulo não condiz com o produto e por tanto, é gato.

Vejamos outros exemplos:

O Comunismo – Karl Marx pensou que tinha uma grande idéia que poderia ser a solução para salvar a humanidade das garras do Capitalismo. Para que sua idéia fosse aceita pela maioria do povo, havia a necessidade de um apelo populista ou seja, que fosse aceito pela classe operária. O rótulo para o seu produto também precisava ser apelativo, mesmo que na realidade o rótulo não descrevesse com honestidade seu produto. Karl Marx escolheu chama-lo de Comunismo. Na concepção da palavra, comunismo origina-se do comum ou seja, que beneficia a maioria. Por isso, quando ouvimos alguém falar em “governar pelo bem comum”, estamos falando na verdade, do comun-ismo ou comunismo, de governar pelo bem de todos. Mas o Comunismo de Marx não era bem isso. Vejamos: Quando Marx dizia em seus escritos que toda forma de produção deve estar sob o controle do estado, Marx não esta falando de comunismo, mas sim de totalitarismo. A palavra totalitarismo tem origem na palavra total, que na política se refere ao controle total, seja por um ditador, imperador ou Rei. Por tanto, regimes como o de Cuba e Coreia do Norte, não são sistemas Comunista, mas sim de totalitaristas. O estado e seu ditador, tem o controle total do país. Mas vale ressaltar que a teoria de Marx não é uma teoria inútil, muito pelo contrário. Na verdade, Marx é essencial para qualquer estudante de política e relações internacionais. Ninguém até hoje soube descrever o Capitalismo de forma tão brilhante e detalhada quanto Marx. Seus trabalhos, sobretudo os livros “O Capital” e “O Manifesto Comunista”, deveriam ser lidos por todos que tenham qualquer interesse em entender como funcionam os sistemas políticos que dominam o mundo hoje.

O Free Market – A palavra free market significa mercado livre ou seja, sem barreiras e sem regulamentação. A idéia por trás do nome é justa pois, promove a livre concorrência. A concorrência beneficia o consumidor com preços baixos e de qualidade. Mas não é isso que vimos acontecer mundo afora. De fato, o free market não existe. Essa teoria foi usada estrategicamente contra países emergentes para que multinacionais, sobretudo da Europa e EUA, tivessem livre acesso a seus mercados. Por outro lado, empresas de países emergentes, encontram todo tipo de barreiras e regulamentação para venderem seus produtos na Europa e EUA. A agricultura da União Européia por exemplo, recebe um subsidio anual superior a 60 bilhões de Euros. Por conta disso, agricultores Europeus conseguem vender seus produtos abaixo do preço de custo, formando uma barreira protecionista que impede a livre competição de produtos semelhantes de países não Europeus. A Africa é a grande prejudicada nesse caso ja que, o continente é responsável por grande parte da produção agrícola mundial. O Brasil tem a mais de 10 anos, um processo na OMC contra o subsidio do Algodão Americano que impede que o Algodão Brasileiro seja competitivo no mercado internacional. O mesmo ocorreu com a empresa Brasileira Embraer, que ganhou um processo na justiça contra a empresa Canadense Bombardier, por conta dos subsídios pagos pelo governo Canadense que possibilitava a Bombardier a vender seus aviões a um preço muito abaixo dos aviões da Brasileira Embraer. A política protecionista é a maior evidencia de que o Free Market não existe ou seja, é gato por lebre. O rótulo prega o livre comércio, mas o produto verdadeiro não tem nada de livre.

Os exemplos são infinitos. Produtos com rótulos para promover o bem, mas que promovem o mau. Sistemas que prometem o bem comum, mas na verdade promovem o totalitarismo. Partidos que prometem a libertação, mas no fundo promovem a divisão, a discriminação e a proibição. Idéias de liberdade que na verdade aprisionam. Num mundo dominado pela informação 24 horas, é cada vez mais fácil vender gato por lebre. Manter a mente aberta e em alerta total, é a grande arma contra produtos nocivos, com rótulos de chocolate. A oferta de libertação pode muito bem significar seu aprisionamento. Todo indivíduo tem a responsabilidade de zelar por sua liberdade de pensamento. Se continuarmos com o atual comportamento passivo diante de tanta oferta fraudulenta, seremos continuamente vitimas da nossa própria indolência. Todo cuidado é pouco!

Feliz 2017!

O RE-SURGIMENTO DO POPULISMO REVOLUCIONÁRIO

By: Michaell Lange,

29/12/16 –

Assim como o liberalismo, o populismo tem conceitos diferentes de acordo com o lugar, o tempo e o lado político no qual se encontra o argumento. Há um entendimento generalizado difundido pelo pensamento de esquerda, que assume o populismo como um movimento do povo contra a elite. A elite neste caso, seria uma barreira que impede as melhorias necessárias para sociedade como um todo. Já de acordo com o pensamento de direita, esse conceito é falso pois, a idéia de que há uma união de pensamentos e idéias que caracterizam um povo, é inexistente.

O que chamo de “populismo revolucionário”, e que será o fator central desse artigo, se trata do populismo que explora a indignação do povo, sobretudo da classe operária. Esse apelo as massas ja levou ao poder no passado, lideres como Hitler, Mussolini, Stalin, Mao Zedong, Pol Pot, Francisco Franco e Fidel Castro, além de outros. O que há em comum entre eles é a guerra, a opressão e a morte de milhares de inocentes. O sistema que une a ideologia de todos os líderes citados acima é o totalitarismo, que se apresenta em diferentes formas, seja liberal, democrático, libertador, revolucionário, socialista ou popular. Seja qual for a vestimenta, todos eles são, no fundo, totalitaristas ou seja, pessoas que buscam o poder total para si mesmo. Quando compramos um produto, além do reconhecimento visual, o rótulo deve trazer com clareza o que é, e o do que o produto é feito. Na política mundial, a política pode trazer diferentes rótulos para o mesmo produto. Tudo é válido para convencer o povo. Infelizmente, o povo, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, é quase sempre convencido a comprar “gato por lebre”.

O re-surgimento do populismo revolucionário é extremamente preocupante. Os exemplos do passado precisam ser reconhecidos para que os mesmos erros e as mesmas tragédias não se repitam no futuro. Infelizmente, esse processo se encontra em estágio avançado e poucos percebem a gravidade do seu re-surgimento. O populismo revolucionário tem como principio, se identificar com a classe trabalhadora e através dela, chegar ao poder. Ao que parece, quanto mais anti-sistema e radical forem, maior a popularidade. Quanto mais enfurecedor o discurso, maior o apoio popular. Quanto mais apelativo, maior a sua aceitação. Os exemplos desse fenômeno são numerosos. O maior de todos chama-se Donald Trump. O mais novo presidente Americano, foi eleito com um discurso inflamatório, ofensivo, discriminatório e revolucionário. Quanto mais ofensivo eram os discursos de Trump, maior era a sua popularidade. Quanto mais a mídia tentava destruí-lo, maior ele ficava. Trump foi eleito com a promessa de construir muros, expulsar milhões de imigrantes e proibir a entrada de muçulmanos nos EUA. O extremismo clássico, populista e extremamente perigoso de Trump, esta se propagando pelos quatro cantos do planeta em uma velocidade preocupante. Essa estratégia ja deu certo no passado e o mundo viveu os horrores da sua consequência. O crescimento do extremismo no mundo, pode ser o inicio do re-surgimento do fascismo e do Nazismo camuflados em uma nova vestimenta que pode sim, levar o mundo de volta às catástrofes dos anos 30 e 40. A eleição de Trump nos EUA provou que a retórica do extremismo pode ser um atalho ao poder. O sucesso de Trump deu credibilidade a outros extremistas como Nigel Farage, que por dez anos lutou pela saída do Reino Unido da União Européia com um discurso muito similar ao de Donald Trump. Farage, foi o principal pivô na campanha do Brexit, do referendum Britânico que decidiu pela saída do pais da União Européia. Na Austria, outro extremista acusado de ser um neo-nazista, Norbert Hofer, venceu as eleições e se tornou o mais novo presidente do país. O líder do Partido da Libertação Austríaca, é apenas mais dos exemplos da corrida para a extrema direita que ocorre na Europa nesse momento. Esse fenômeno tem sido seguido de perto por vários outros países no mundo incluindo o Brasil. Na Holanda, Geert Wilder, do Partido para a Libertação, lidera o movimento radical no seu país. Na França, a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, lidera as pesquisas presidenciais com a promessa de seguir o exemplo Britânico e retirar a França da União Européia. Em Israel, Netanyahu dispensa qualquer apresentação. E na Russia, Putin aproveita o momento conturbado na política global para se fortalecer como um poderoso líder da nova geopolítica mundial. Todos eles usam a mesma retórica radical anti-Islâmicos e anti-imigrantes.

No Brasil, o caos econômico causado pelo impasse político promovido irresponsavelmente por corruptos incompetentes no Congresso Nacional junto ao colapso do ja precário sistema de saúde, educação e segurança, vem abrindo espaço para o radicalismo retórico populista liderado por Jair Bolsonaro. O surgimento de um mito que na TV aparece enfurecido, pregando a morte de bandidos, mesmo trabalhando e sendo aliados de muitos deles, ganha força como candidato a presidência da República em 2018. Bolsonaro se tornou, ou pretende se tornar, o Trump Brasileiro, mesmo que as similaridades entre os dois se limitem a retórica radical e populista para chegar ao poder. Bolsonaro esta desesperado por uma foto junto ao presidente Trump que possa ser usada como bandeira em sua campanha eleitoral para 2018. É muito provavelmente que ele conseguira seu pequeno troféu Americano que certamente aumentará suas chances de vitória em 2018. O crescimento da popularidade de Bolsonaro no Brasil segue o mesmo princípio do que vem acontecendo nos EUA e Europa. A crise financeira de 2008 fez 6 milhões de americanos perderem suas casas, pondo fim ao sonho Americano. A crise do Euro e o colapso da economia Brasileira, são as principais causas do re-surgimento do populismo revolucionário que nos anos 30, logo após a grande depressão econômica de 29, fez surgir o pesadelo Nazista e Fascista que aterrorizou o mundo por décadas. Os próximos 3 anos serão cruciais para evitarmos uma repetição dos erros do passado. Entender o fenômeno político que vem ocorrendo no mundo, é fundamental para que as gerações futuras não precisem sofrer as consequências causadas pelos erros das gerações atuais. As consequências do radicalismo é a violência, e violência não é, nem nunca será, solução para nada. O radicalismo não pode ser uma opção aos erros do atual sistema político mundial. O apelo da retórica radical deve ser rejeitada a todo custo. Aqueles que se sentem atraídos pelos discursos inflamatórios de políticos como Bolsonaro, precisam refletir sobre a verdadeira intensão do seu discurso radical. A falta de opção não pode ser uma justificativa para eleger o mais furioso da lista. Não há dúvidas de que o atual sistema político precisa ser derrubado e repensado. Mas, substituí-lo pelo radicalismo seria um retrocesso de altíssimo custo que eu, você, e as gerações futuras terão que bancar.

EU TAMBÉM NÃO GOSTO DE VOCÊ PAPAI NOEL

By: Michaell Lange,

London, 14/12/16 –

 

Esta semana me deparei com um video sobre o Natal que não apenas me comoveu, mas me fez entender um pouco da minha frustração de não conseguir sentir o mesmo entusiasmo com essa data que tantos consideram a mais importante do ano.

Pois bem, não é novidade para ninguém que os valores do Cristianismo foram abandonados por seus seguidores e a religião transformou-se em um grande comercio. É obvio que devemos salvar espaço as exceções. Eu também conheço bons Cristãos. Mas, não podemos negar que os valores promovidos dentro da casa de Deus não são reproduzidos fora dela. Além disso, o tempo é testemunha da transformação do significado do Natal que hoje, tem muito pouco a ver com o nascimento mais importante da história do Cristianismo, e menos ainda com os valores que esta religião promoveu pelo mundo. Também não é de hoje que o nome da igreja é usado para justificar ações injustificáveis, mas não é sobre isso que este artigo se propõe a falar. O que me inspirou a escrever este artigo foi o poema de Aldemar Paiva chamado “Eu não gosto de você Papai Noel” que conta uma história que reflete milhões de histórias semelhantes que se repetem todos os Natais. A história do menino pobre que pediu um presente ao Papai Noel e nunca recebeu nada, nem mesmo uma resposta escrita, denuncia meu desgosto com a sua figura. Papai Noel não tem presente para os pobres, porque Papai Noel não existe, ou só existe para quem pode compra-lo. O que existe é uma figura que vende sonhos e fantasias que os pobres não tem o direito de ter, mas parecer ter o dever, por condicionamento, acreditar. Me pergunto; Por que fazemos isso com nossas crianças?

Quando eu tinha mais ou menos 10 anos de idade, meu pai me levou para comprar um presente de Natal. No caminho para o mercado, ele e minha mãe me explicaram que aquele presente seria dado a mim pelo Papai Noel, mas que na verdade o tal Papai Noel seria a minha tia fantasiada, porque o verdadeiro Papai Noel não existia. Meus pais deixaram bem claro que as outras crianças que estariam na rua, acreditavam e que por isso, eu deveria manter segredo. Feliz, recebi o presente do Papai Noel que era a minha tia, e que havia sido comprado pelos meus pais. Tudo isso em frente a um grupo de mais ou menos 20 crianças encantadas em ver o Papai Noel, mas ganharam como presente nada além de alguns doces. Aquelas crianças devem ter se perguntado; Por que somente ele (eu) recebeu um presente? É nesse ponto que vive a minha angustia. Sempre que vejo alguém fantasiado de Papai Noel, observo os olhares das crianças a sua volta e tenho medo de que algumas delas nunca receberão o presente prometido, seja material ou afeto, carinho e amor.

Nunca julguei meus pais pela atitude de me fazer de tolo diante de crianças que como eu, só queriam receber um presente. Na minha inocência de criança, só queria mesmo era o presente. Depois cresci assistindo outros Papais Noel fazendo o mesmo em todas as cidades e em todos os lugares, e acabei percebendo que se tratava de uma coisa cultural. Cultural e cruel, devo dizer. Depois de adulto, encontrei aquela minha foto recebendo o presente do Papai Noel, digo, da minha tia, e pude ver a crueldade da cena que se pudesse, não teria feito parte. Todas aquelas crianças a minha volta, me assistiram sendo presenteado com enorme alegria, pelo realizador dos sonhos mais impossíveis. Mas, por que só eu ganhei presente? Por que os outros ganharam apenas balas e doces? Será que apenas eu fui merecedor de tamanha honra? Será que as outras crianças não foram boas o suficiente? Será que deveriam ter estudado mais? Ou ter sido mais obedientes? Quantos questionamentos não passaram na cabeça daquelas crianças? E por que? Por causa de uma fraude! Porque além de marcar o nascimento de Cristo, o Natal é uma fraude cruel, e nossas crianças são as principais vitimas. O nascimento de Cristo passa totalmente despercebido pela grande maioria da população. Aos que conseguem reunir os amigos e familiares, a data é um ponto positivo, mas para muitos que estão sozinhos (e são muitos mesmo), a data é quase uma tortura. Ainda esta semana, assisti de cabelo em pé, cenas de crianças desacompanhadas (dizia a reportagem ser umas 100) presas em um prédio em Aleppo na Síria, sem água ou comida, enquanto bombas atingiam o mesmo prédio pois, haviam também, rebeldes escondidos nele. Como posso ter um Natal feliz diante de um mundo que em pleno século 21 ainda permite esse tipo de barbaridades com mulheres e crianças?

Hoje entendo porque não gosto do Papai Noel. Não posso gostar de alguém que como disse Aldemar Paiva, sente ódio do que é humilde, e glorifica o que é luxuoso. Não posso gostar de uma figura que vende ilusões a tantas crianças que nunca receberão um presente seu. Não posso gostar de um Papai Noel que só aparece em locais onde o público esta disposto a gastar dinheiro.

Neste Natal meu filho irá ganhar presentes, mas assim como eu, ele saberá a verdade. Ele até poderá sentir e aproveitar o entusiasmo e a alegria que aquela fantasia trás quando o Natal chega. Mas não permitirei que lhe vendam ilusões ou que o façam de tolo. Ele saberá a verdade. O sonho e a fantasia trazem alegrias ao mundo infantil, mas a ilusão do presente que nunca chega, trás apenas tristeza e infelicidade para pequeninos que ainda não estão preparados para sentir a dor da injustiça. O meu Natal precisa ser verdadeiro e justo. Precisa ter o necessário e não o ilusório. A minha reflexão trás a tona minha condição humana, mas também trás a condição humana de quem vive comigo nesse mundo, e não tem a mesma sorte que eu tive. É para estas pessoas que meus sentimentos de Natal são direcionados.

O Natal deveria ser uma data para reflexão e esforços para o melhoramento das nossas condições humanas. Ao invés disso, somos invadidos por uma mistura de ansiedades e frustrações que nos levam a gastar o dinheiro que não temos, comprando futilidades que não precisamos. Enquanto isso, quem precisa acaba ficando sem nada. O senso de bondade que muitos de nós temos em ajudar o próximo, logo no dia seguinte transforma-se em indiferença, como se nosso compromisso humano valesse apenas para o dia 25 de Dezembro. Imagine se nosso espirito natalino estivesse presente todos os 365 dias do ano? Imagine se cada um de nós fossemos um Papai Noel que ao invés de ilusões, doasse bondade todos os dias do ano? Mas, não somos assim. Vivemos indiferentes aos que estão a nossa volta e acreditamos nas ilusões que um Papai Noel que não existe, insiste em promover ano após ano. Não, eu também não gosto de você Papai Noel. Saibas que quando se aproximares do meu filho, ele estará sabendo a verdade sobre você. Meus desejos de um Feliz Natal seguem em pensamento e reflexão a todas as crianças da Síria, e para todas as crianças desacompanhadas dos seus pais. Meu desejo de Feliz Natal não terá Papai Noel, terá sim, um aperto no peito que reflete a falta de amor e compaixão no mundo em que vivemos hoje. Cristo certamente gostaria de um presente de Natal diferente do que seu povo tem a lhe oferecer no momento. Particularmente, a figura de Jesus não esta representado na fantasia de um Papai Noel, mas no sorriso de cada criança desse mundo. Um mundo sem o sorriso das crianças é um mundo sem futuro…

 

 

 

 

ABORTO É CRIME, INDIFERENTE DO QUE DIZ A LEI (opinião)

By: Michaell Lange,

London, 01/12/16 –

Esta semana vários assuntos dominaram a mídia e as redes sociais. A Tragédia com o vôo do time da Chapecoense chocou o mundo do esporte e deixou o Brasil de luto. A sem vergonhice, e o comportamento criminoso dos parlamentares em Brasilia, que diabolicamente aproveitaram-se de uma nação em luto para votar uma PEC imoral, camuflada pela madrugada enquanto o país chorava a perda de 71 vidas na queda do avião do time Catarinense, também deixou o Brasil estarrecido. Mas, um outro assunto não menos importante, acabou ficando um pouco ofuscado por conta dos outros dois assuntos citados acima. Trata-se do aborto que a justiça Brasileira decidiu descriminalizar até o terceiro mês de gestação. O assunto também foi noticia no Reino Unido esta semana, mas por um outro motivo. O Reino Unido é formado pela Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales, mas algumas Leis são diferentes dependendo o país. Por exemplo, na Inglaterra o aborto é legalizado. Qualquer mulher pode procurar uma clinica e fazer o procedimento pago pelo governo. Porém, na Irlanda do Norte o aborto é crime e isso faz com que muitas Irlandesas venham para a Inglaterra fazer o procedimento usando verba do orçamento da saúde Inglesa. Essa polêmica tem gerado debates sobre até que ponto os Ingleses devem pagar pelo procedimento feito para cidadãos Irlandeses. A legalização do aborto na Inglaterra seguiu o mesmo principio seguido por outros países, e é também o mesmo argumento usado por pessoas que lutam pela legalização do aborto no Brasil. Segundo os Ingleses, a legalização do aborto evita a prática clandestina que muitas vezes pode acabar em óbito. Mas, esse mesmo argumento pró-aborto me faz questionar porque o mesmo princípio não é usado em outros casos não menos polêmicos, como no caso da legalização das drogas. Se a legalização do abordo evita a prática clandestina, por que a legalização das drogas não evitaria o tráfico de drogas que é responsável pela maioria dos homicídios no país? O princípio é o mesmo, mas os interesses parecem ser diferentes.

Por muito tempo a polêmica do aborto foi uma incógnita na minha cabeça. Sempre foi muito difícil para mim, ter uma opinião formada sobre o assunto. Mas hoje, tenho plena convicção de que o aborto não difere em nada, de um assassinato. Porém, assim como há exceções que legitimam um assassinato, como no caso da legítima defesa por exemplo, onde a vitima precisa matar outra pessoa para salvar a própria vida, eu também acredito que há exceções que possam legitimar alguns casos de aborto, como no caso do assassinato em legitima defesa. Mesmo assim, em todas as exceções nas quais pensei a respeito, minha conclusão é quase sempre confusa.

Os principais argumentos de mulheres e casais (em muitos casos a decisão é conjunta) que praticaram o aborto, é que o fizeram porque não estavam preparados para ser pai/mãe, ou não tinham condições, ou simplesmente não desejam ter filhos. Pois bem, na minha opinião essa cultura foi estabelecida por negligência do estado que tenta normalizar e em muitos casos até incentivar o aborto. O mesmo estado também falha em alertar para o trauma. O assassinato de um ser humano não é algo natural, mas sim algo inventado pelos humanos. Porém, mesmo com todos os esforços para normalizar a prática, a natureza humana continua reagindo negativamente contra uma agressão não prevista na natureza. O resultado é um trauma psicológico (físico em alguns casos) que homens e principalmente mulheres, sofrerão pelo resto de suas vidas. O Trauma é resultado de ação extrema e não natural. Quando alguém mata outra pessoa, seja por acidente ou propositalmente, o estrago psicológico é similar e tão duradouro quanto o de um aborto. De fato, um aborto não difere de um assassinato pois, este, interrompe uma vida que teria continuidade caso a ação abortiva não tivesse ocorrido. A negligência do estado levou as pessoas a acreditarem que interromper a vida de um ser humano que ainda não nasceu é aceitável, mesmo em casos onde os motivos são absurdos, como a falta de recursos financeiros, ou simplesmente não desejarem a gravidez. O ser humano precisa assumir a responsabilidade ou arcar com suas consequências. O assassinato de um bebê recém nascido pode levar o autor do crime a passar o resto dos seus dias na prisão. Por que assumimos postura diferente quando o crime é cometido meses antes?

Muitas mulheres pró-aborto costumam usar o discurso “my body, my rule” ou “meu corpo, minhas regras”. O argumento é certamente válido para as mulheres tanto quanto para os homens. Mas, é um grande equivoco acharem que essa regra vale para o aborto. Mesmo sendo gestante, a vida que cresce dentro do útero não pertence a mulher. Essa vida, desde o momento da fecundação ja tem seu direito a vida e a liberdade garantido pela Natureza (Deus). Não cabe a mulher impor seus desejos sobre uma vida que apesar de crescer dentro dela, não a pertence. Ao contrário da posse, a mulher e o homem, tem a responsabilidade de cumprir com seu papel natural de zelar e respeitar os direitos a vida que lhes foram dado. A gestante não tem por tanto, o direito de decidir o futuro do bebe, mas garantir a sua existência. O ser humano tem garantido seu direito a vida no momento em que ela passa a existir ou seja, no momento da fecundação. Indiferente do que as Leis dizem, as Leis da Natureza nesse caso, são superiores e imutáveis. Durante esta semana, ouvi dezenas de mulheres falarem sobre o trauma da decisão, e como o aborto afetou suas vidas mesmo depois de décadas. Salvo as exceções, minha resposta a esse argumento é simples e direta. A decisão de fazer o aborto, ao que me parece, é mais fácil do que a decisão de não fazer sexo, ou de fazer sexo seguro. Sim, eu sei que parece uma suposição grosseira, mas como citei acima, as exceções são apenas exceções e não podem ser usadas como regra. Também não estou aqui para julgar as mulheres que decidiram fazer o aborto. Meu propósito é questionar a legitimidade que o estado, junto a pessoas pró-aborto promovem ao defender sua legalização. É certo que acidentes acontecem, mas nesse caso especifico, a vida de um bebê inocente não pode ser interrompida por motivos tão rasos. A vida esta acima de tudo! Precisamos assumir as responsabilidades da vida!

Um outro exemplo que eu gostaria de usar como paralelo ao trauma causado pelo aborto, é o caso de soldados. As forças armadas treinam o soldado para matar o inimigo sem culpa. É um treinamento brutal que em muitos casos desconstrói o ser humano por dentro e reconstrói em forma de um soldado frio e calculista. Nesse processo o soldado é convencido de que se ele matar o inimigo, vidas serão salvas em sua terra natal. Mesmo apesar do processo brutal de desconstrução dos valores humanos, os soldados voltam da guerra traumatizados. A própria policia sofre com a violência e tem altos níveis de suicídios por causa da experiência nas quais vidas são terminadas de formas brutais. Porque então, deveríamos pensar que um cidadão normal, sem treinamento militar, não seria afetado pelo trauma causado pelo termino de uma vida como consequência de um aborto? Por isso acredito que há similaridades entre o trauma causado por um aborto e um assassinato, seja por legitima defesa, acidente ou guerra. O término de vidas por meios não naturais é definitivamente um crime na sua concepção mais básica. É exatamente com base nessa analise pessoal que consegui finalmente, depois de muitos anos de questionamentos, concluir que o aborto é assassinato, mesmo quando se tratando de legitima defesa ou legitima causa.

Como defensor assíduo dos direitos humano, me deixa consternado a idéia de que um estado, cuja responsabilidade número 1 é garantir a segurança, a integridade e os direitos humanos de todo cidadão, possa criar Leis que legalizem e sentenciem a morte, vidas inocentes sem direito a defesa. O aborto é um crime, e sua prática deve ser tratada como tal, com exceção aos casos de legitimidade. Um governo não se limita apenas a garantir e atender as vontades e direitos dos seus indivíduos, mas também garantir os direitos daqueles incapazes de se defender.

Quando um espermatozóide se une a um óvulo, o resultado é tão extraordinariamente espetacular e tão além do entendimento humano, que costumamos simplificar a criação e o surgimento de uma nova vida, usando o adjetivo “milagre”. Quem então teria o direito de interrompe-la se não o criador do milagre? Por que algumas pessoas acreditam ter o direito de se apossar de uma vida e decidir seu destino por motivos não naturais e ilegítimos? Interromper uma vida humana de forma não natural e de forma ilegítima em qualquer estágio do seu desenvolvimento, é um crime e deve continuar sendo, mesmo quando governos negligenciam algumas de suas maiores responsabilidades que é garantir o direito a vida e a liberdade de todos os seres humanos.