KEEP CALM AND CARRY ON MANCHESTER*

By: Michaell Lange,

London, 23/05/17 –

Mais uma vez o Reino Unido e o Ocidente, foram atacados por terroristas. Desta vez o alvo foi o show da cantora pop Ariana Grande na Arena Manchester que reuniu milhares de jovens, crianças e famílias. Um evento musical que simbolizava a liberdade, foi covardemente atacado por extremistas religiosos que usaram da oportunidade para massacrar vidas inocentes. Enquanto nossos políticos bombardeiam e massacram crianças e famílias inteiras no Oriente Médio, os extremistas destroem nossas crianças e nossas famílias por aqui. Duas formas de violência interligadas e totalmente injustificadas que merecem todo nosso desprezo.

As crianças são sempre as principais vitimas dessa barbarie, crianças inocentes incapazes de entender absurdos que os próprio adultos tem dificuldades de compreender. Este ataque chama atenção em particular por ter jovens e crianças como alvo principal. Mas, frente a tragédia, foram as atitudes de uma sociedade que abracei e me tornei parte integral, que me fizeram sorrir em meio a tanto sofrimento. Logo após a explosão da bomba que ocorreu no lado de fora da Arena Manchester após o termino do show, 22 pessoas incluindo crianças, haviam perdido suas vidas. Outras 59 pessoas ficaram feridas. Quase que imediatamente, a solidariedade e a gentileza, duas fortalezas da sociedade civil Britânica, entraram em ação. Hotéis da região colocaram suas estruturas a disposição de todas as vitimas e envolvidos no socorro. Ao invés de hospedes, funcionários passaram a atender pessoas feridas, confusas e dezenas de crianças que na confusão, se perderam dos pais. Água, comida, telefone e quartos, foram usados para pessoas tomarem banho e passarem a noite. Um lojista local distribuiu cartões telefônicos e recargas para celulares para pessoas que tentavam se comunicar com seus amigos e familiares. Um mendigo que dormia próximo ao evento e foi acordado pela bomba, correu para o local e iniciou o socorro das vitimas antes mesmo das equipes de resgate chegarem ao local. Taxistas de Manchester improvisaram nas janelas dos carros a frase “Free Taxi”, e trabalharam noite a dentro levando as pessoas para casa. Taxistas de Liverpool, cidade que fica acerca de 1 hora de Manchester, se dirigiram para o local e ofereceram-se para levar as pessoas de Liverpool que haviam viajado para Manchester para assistir ao show, de volta para casa. Médicos e enfermeiros que estavam de folga, se apresentaram voluntariamente aos hospitais da cidade, e pessoas fizeram filas no lado de fora dos hospitais para doarem sangue. Nada disso foi combinado, e muito menos convocado. As pessoas simplesmente reconheceram suas responsabilidades com a sociedade em que vivem e agiram de acordo com as responsabilidades e os princípios de uma sociedade civil. Todos tem suas responsabilidades do dia-a-dia, mas quando algo assim acontece, o dia-a-dia fica em segundo plano. A prioridade passa a ser reestabelecer a Paz e a ordem da sociedade ou seja, das pessoas que vivem a nossa volta. Essa é uma herança da guerra que os Britânicos souberam cultivar e valorizar. O mundo poderia reproduzi-las sem moderação!

É assim que funciona o que eu chamo de sociedade civil. Os Britânicos são, de modo geral, individualistas. Mas, quando uma tragédia acontece, as pessoas deixam suas diferenças sociais, econômicas e políticas de lado para formar uma grande família.  “Togetherness”, ou congregação, ou apenas união entre as pessoas, foi o que eu assisti durante toda a noite passada e todo o dia de hoje. Uma onda de solidariedade que se fosse multiplicada, não permitiria que nenhuma guerra jamais fosse iniciada. Aqui, o governo seguiu o povo. As campanhas eleitorais para as eleições gerais de 8 de Junho foram suspensas por tempo indeterminado, e os líderes dos partidos políticos uniram-se para condenar o ataque e expressar sua solidariedade com as vitimas desta ação deplorável.

É por isso que mesmo querendo voltar, vou ficando. É por isso que gostaria de ver o Brasil seguindo exemplos assim, para que politicos jamais tivessem o poder, e nem mesmo a audácia de tentar dividir o povo Brasileiro para beneficio próprio. Sejamos todos Britânicos, nem que seja por um único dia. Nenhuma forma de terrorismo, seja de extremista religiosos, ou de políticos Brasileiros, tem a menor chance de prevalecer ou existir, sob uma sociedade civil e gentil. Keep Calm and Carry on Manchester!

* Keep calm and carry on! ou, Mantenha a calma e siga em frente! foi uma frase usada para estampar um poster promovido pelo governo Britânico em 1939 em preparação para a segunda guerra mundial. O objetivo era elevar o moral da população durante os ataques Nazistas às principais cidades do país.

LONDRES SOB ATAQUE

By: Michaell Lange,

22/03/17 –

Foi uma tarde tensa aqui em Londres. As noticias começaram a chegar via redes sociais sobre um sério incidente próximo ao Parlamento Britânico. A noticia aqui corre rápido e os olhares das pessoas logo se tornaram apreensivos. A primeira coisa que você tenta fazer nestes casos, é tentar contactar amigos e familiares e saber se estão todos bem. Logo em seguida enviei uma mensagem para o Brasil explicando o que estava acontecendo e que estávamos todos bem. Ao mesmo tempo, alguns canais de TV ja transmitiam ao vivo via FaceBook  e Twitter direto das proximidades do incidente. Sky News, BBC, RT, Al Jazeera e ITV News, tem escritórios e estúdios a menos de 500 metros do Parlamento. Uma imagem de um helicóptero mostrava inúmeras vitimas no chão em todo o trajeto da Westminster Bridge (ponte ao lado do Parlamento) desde da extremidade Sul até a outra margem do rio. Ao longo da rua que segue ao lado do famoso relógio Big Ben, um veículo 4×4  havia invadido a calçada e estava cercado por carros da policia. Tudo isso estava sendo transmitido para o mundo enquanto a policia e os serviços de emergência chegavam ao local do incidente. A primeira Ambulância chegou no local 6 minutos depois da primeira ligação.

As noticias eram tão recentes que os repórteres se limitavam a narrar o que assistiam nas imagens e reproduziam o que outras redes de comunicação publicavam no Twitter. Sabia-se que haviam sido disparados tiros de armas de fogo e era possível ver um veiculo 4×4 parado encima da calçada do Parlamento onde logo ao lado, policiais e paramédicos tentavam reanimar uma pessoa que estava deitada no chão. Eu estava no Terminal 4 do Heathrow Airport, o mais movimentado da Europa. A policia armada, logo iniciou o patrulhamento em todos os Terminais. Carros, Vans e caminhões da policia estavam em todas as entradas e saídas do aeroporto. Não houve pânico. Os policiais armados se mostravam tranquilos, mas era possível ver em seus olhos a seriedade do momento. Hoje faz exatamente 1 ano dos ataques ao aeroporto de Bruxelas, e a ultima coisa que a policia local gostaria de ver, era um incidente parecido que forçasse o fechamento de um aeroporto onde transitam diariamente, 175 mil passageiros e 1400 vôos.

De acordo com  a investigação e o depoimento de inúmeras pessoas que presenciaram o incidente, um homem dirigindo um veículo 4×4 avançou sobre a multidão que estava na ponde de Westminster no sentido Sul/Norte rumo ao Parlamento deixando mortos e feridos espalhados pela ponte. Uma mulher foi resgatada por um barco do corpo de bombeiros que fazia exercícios próximo ao local. Não se sabe se ela pulou no rio para escapar do ataque ou se ela teria sido atingida e jogada no rio pelo carro em alta velocidade. Ao chegar do outro lado ja junto ao Parlamento, o motorista invadiu a calçada batendo no muro do Parlamento. Nesse momento, o motorista teria saído do carro e atacado com uma faca um dos policiais que faziam a segurança do Parlamento. Em segundos, dois policiais a paisana se aproximaram e atiraram no agressor. Três tiros foram disparados. Apesar dos esforços dos paramédicos, o policial e o agressor morreram no local.

A primeira Ministra Theresa May, que estava presente no Parlamento no momento do ataque, foi rapidamente retirada e levada sob escolta policial para um local seguro. Parlamentares diziam no Twitter que estavam dentro do Parlamento sob forte escolta policial. Toda a região ao redor do Parlamento Britânico que inclui além do próprio Big Ben, a London Eye (roda gigante), o Aquário, Trafalgar Square, o St James Park, o Palácio de Buckingham e as estações de trem e metrô de Westminster e Vitoria, foram cercados e isolados pela policia. Ninguém entrava ou saía do local. Muitas pessoas ligaram para rádios e canais de TV para relatar o que estava acontecendo. Ao menos dois ônibus com turistas, incluindo um grupo de estudantes Franceses de 15 e 16 anos, estavam na ponte no momento do ataque. A policia acredita que possa haver um segundo agressor e uma busca estava em andamento pela policia na região.

Londres era, até hoje, a única capital Européia considerada segura e que ainda não havia sofrido nenhum ataque terrorista recentemente. A policia de Londres disse no final do dia que  infelizmente aconteceu o que acreditávamos ser uma questão de tempo. Mas o chefe da Policia metropolitana reiterou que Londres esta preparada para reagir contra esse tipo de ataque. O Prefeito de Londres Sadiq Khan, disse que  Londres não irá se acovardar diante desse tipo de ataque. Theresa May, classificou o ataque de desprezível e doentio.

Londres é possivelmente a cidade mais segura do mundo. Uma das qualidades que salta aos olhos de um Brasileiro como eu, é a ausência de medo. Mas, é exatamente essa ausência de medo que nos choca tanto quando algo desse tipo acontece. A imagem mais impressionante de hoje, e que certamente reflete a qualidade da sociedade Londrina, é a imagem de paramédicos, incluindo um Parlamentar tentando salvar a vida do policial que acabara de ser esfaqueado, e logo ao lado, um outro grupo de paramédicos tentando salvar a vida da pessoa responsável por toda aquela desgraça que ali estava.

Mas, não podemos deixar de refletir as razões por trás da violência que assistimos hoje em Londres. Devo dizer antes, que absolutamente nada justifica a violência indiscriminada contra civis inocentes incluindo crianças, que foi promovida nas ruas de Londres hoje e mais recentemente em outras cidades da Europa. Assim como a violência no Brasil é resultado de um problema social ou seja, há uma história por trás da violência que explica a violência no Brasil, a Europa vive também uma situação que é resultado de ações militares que deixaram países completamente devastados pela guerra, e populações sem ter para onde fugir. São estas situações de total desespero que deixa o ser humano exposto e propenso a cometer atos de violência. Da mesma forma que um pai de família, trabalhador, cidadão exemplar, pacífico e diplomático, é capaz de triturar uma pessoa que tenha estuprado sua filha, o terrorista Islâmico esta exposto a situação similar onde crianças são queimadas vivas por bombas fabricadas e lançadas por Europeus e Americanos. Nada justifica a violência, mas é fato que violência gera violência. Londres viveu hoje o que São Paulo e Rio de Janeiro vivem o tempo todo. Os ataques nas ruas de Londres são insignificantes se comparados com o que os Sírios, Iraquianos e Líbios enfrentam todos os dias. É importante condenar a violência, mas também é importante entendermos as suas causas.

Os ataques de hoje deixaram até o momento, 5 mortos e 40 feridos. É provável que esse número continue a mudar ja que muitos dos feridos estão em estado grave. A preocupação é que o ataque de hoje possa inspirar novos ataques, por esse motivo o governo Britânico anunciou que haverá mais policiais armados em Londres e nos aeroportos da cidade para garantir a segurança de seus cidadãos e visitantes. O ultimo ataque terrorista no Reino Unido aconteceu em Junho do ano passado quando um extremista de extrema direita matou a Parlamentar Jo Cox a facadas e a tiros enquanto gritava “British first”. A policia acredita que o ataque de hoje foi motivado por extremistas Islâmicos.

BOLSONARO: MITO? OU RETROCESSO? (opinião)

By: Michaell Lange,

09/03/17 –

A idéia pouco inteligente, de liberar o porte de armas no Brasil ganha força na medida em que o populismo radical de Bolsonaro ganha novos adeptos. O Deputado Federal esta no Congresso nacional desde 1990 a um custo anual de aproximadamente R$1.5 milhões de Reais, ja pertenceu a inúmeros partidos políticos como: PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP e mais recentemente PSC. Até o ano passado ele não havia passado um único projeto de Lei. O mesmo Bolsonaro que apoiou a operação Beco Sem Saída em 1987, que planejava explodir bombas na Academia Militar das Agulhas Negras, e ter planejado explodir o reservatório de água que abastece a cidade do Rio de Janeiro em protesto contra os baixos salários da sua categoria, é o mesmo Bolsonaro que hoje chama os estudantes, os professores e os servidores públicos, de vagabundos por protestarem contra os baixos salários e as más condições do ensino púbico Nacional. Bolsonaro fez tanto por sua categoria que os militares até hoje continuam sucateados e com salários vergonhosos. A própria Policia Militar do seu estado, RJ, esteve em greve por falta de pagamento de salários.

Bolsonaro é o cara! É um mito! dizem seus seguidores. O político, candidato a presidência em 2018, usa o lema: “bandido bom é bandido morto”, mas trabalha numa casa cheia de bandidos, é aliado de bandidos, amigo de bandidos, e apoia bandidos que estão presos. Obviamente, quando ele se refere a bandido morto, não é dos seus amigos e aliados que ele esta se referindo, mas sim do pobre periférico que para ele não tem valor algum.

O mito Bolsonaro, é aquele mesmo que afirmou em rede nacional que se for presidente, dará um golpe imediatamente, fechando o Congresso Nacional. Ele ainda disse que com voto não se resolve nada no Brasil, mesmo que ele tenha dependido do voto para se tornar deputado. Segundo o mito Bolsonaro, o único jeito para o Brasil é fazer o que não fizeram no regime militar, matar uns 30 mil, disse ele. Ele também classificou a democracia como uma “porcaria”, mesmo precisando dela para poder realizar seu grande sonho. Bolsonaro é mesmo um cara incrível. Mas, mais incrível ainda são seus seguidores que acreditam cegamente que o mito é a solução para os problemas do Brasil mesmo que ele nunca tenha resolvido nada durante sua longa carreira política.

Bolsonaro promete legalizar o porte de armas de fogo caso seja eleito democraticamente através do voto direto que ele mesmo afirma não prestar para nada. Seus seguidores em quase sua totalidade apoiam essa idéia. Até mesmo na polícia Militar, que irá morrer aos montes, Bolsonaro encontra apoiadores para suas idéias absurdas. Mas, o que seus seguidores não percebem é que a liberação do porte de arma será para todos os Brasileiros, assim como é nos EUA onde um indivíduo portador de doença mental pode comprar uma arma de grosso calibre, e um suspeito de terrorismo sob investigação do FBI, pode comprar um AR15, entrar numa boate gay e promover um massacre como o que aconteceu em Orlando em 2016 deixando 50 pessoas mortas.

Hoje no Brasil, tanto a policia quanto o cidadão, tem uma clara distinção do que é ser um bandido. Se você encontrar alguém armado na rua, ou ele é bandido ou é policial. A policia quando chega na periferia controlada pelo narcotráfico, tem a distinção clara de que se alguém estiver armado, trata-se de um integrante do narcotráfico. Agora imagine o porte livre de armas no Brasil. A policia chega na periferia controlada pelo narcotráfico e encontra todo mundo armado, legalmente! Quem é inocente (cidadão de bem)? e quem é bandido? Como a policia vai distinguir quem é quem? Como a policia irá dar as costas para pessoas armadas sem colocar a sua própria segurança em risco? Ou o Bolsonaro pretende criar uma exceção na Lei limitando o porte de armas para negros e pobres? A idéia é tão maluca que me falta adjetivos para expressar tamanho absurdo. O apoio a um político com idéias tão radicais e absurdas, vai muito além da compreensão humana. É de fato, um caso clássico de Peru lutando a favor da ceia de Natal, é o peixe lutando contra a proibição da pesca, e o boi lutando a favor do churrasco. Dessa mesma forma, ha quem apoie Bolsonaro.

Estamos tratando apenas de um único aspecto da idéia “Bolsonariana” de legalizar o uso de armas de fogo onde o único beneficiário sera certamente, o fabricante de armas Americano e o vendedor no Brasil. Nos EUA, mais de 100 crianças morrem todos os anos por acidentes com armas de fogo. Imagine um Brasil onde todos terão armas de fogo de diferentes calibres dentro de casa, no carro e na rua? Um estudo publicado pelo Jornal Britânico The Guardian, afirma que 8 em cada 10 destas fatalidades ocorrem em locais onde a criança esta em maior segurança ou seja, dentro de suas casas, na casa de parentes e dentro do carro. O estudo também aponta que a maioria dos acidentes fatais com armas de fogo envolvendo crianças, ocorrem na faixa de idade entre 2 e 4 anos, e 10 e 13 anos. Apenas em 2015 foram mais de 50 mil incidentes envolvendo armas de fogo nos EUA, onde o armamento mata em média de 36 pessoas por dia. Apesar do terrorismo dominar os noticiários, entre 2005 e 2015, 71 Americanos morreram vitimas de terrorismo. O número de vitimas fatais causadas por armas de fogo no mesmo período é, 301.797 pessoas. Agora imaginem quais serão os números no Brasil onde atualmente o número de homicídios ja ultrapassa 50 mil por ano, sem porte legal de armas?

Bolsonaro acredita que o sucesso só é possível através da violência. Por isso, ele ignora inúmeros exemplos que comprovam a irracionalidade das suas idéias. Bolsonaro ignora casos de sucesso como os países Escandinavos, o Reino Unido, Alemanha, e boa parte da Europa onde armas de fogo são proibidas e não há pena de morte. Os números da violência são infinitamente mais baixos que os Americanos. No Reino Unido, um país com 60 milhões de habitantes, apenas 3 pessoas foram mortas por armas de fogo em 2015. É obvio que seria pretensão comparar o Brasil com a Europa. Mas esse não é o objetivo aqui. O objetivo é definir quais são os melhores exemplos a serem seguidos e segui-los. Para os olhos limitados do “mito” Bolsonaro, a indústria trilionária de armas dos EUA é a única coisa que ele consegue enxergar. Resta saber se seus seguidores continuarão a segui-lo cegamente, ou abrirão os olhos para ver que uma pessoa que esta no Congresso Nacional desde 1990 a um custo anual de 1.5 milhões de Reais sem nunca ter feito nada para o bem estar social do povo Brasileiro, nem para o povo do seu estado e menos ainda para o seu eleitorado militar, será realmente o salvador da pátria Brasileira ou se quer, um defensor dos direitos do povo Brasileiro. O Brasil corre o risco de eleger democraticamente um regime militar ditatorial e pagar o maior mico da história política mundial. De mito é certo que Bolsonaro tem muito pouco. Mas não faltam idéias malucas na cabeça desse militar que é contra o voto e contra a democracia mesmo precisando dos dois para realizar seu grande sonho de ser presidente do Brasil. Bolsonaro Presidente seria o maior retrocesso na montanha russa do desenvolvimento do Brasil. Aos seus seguidores resta um único conselho: Analisem os fatos!

 

BRASIL EM ROTA PARA O CAOS TOTAL

By: Michaell Lange,

London, 07/02/17 –

Nota do autor – Quanto menos você acreditar na possibilidade descrita abaixo, maiores são as chances do impossível acontecer. A culpa do caos não é da policia, mas dos governantes Brasileiros que jogaram o país aos tubarões. Mas será também, culpa do povo Brasileiro se permanecermos parados assistindo o caos tomar conta do país inteiro. 

A situação no Brasil é extremamente delicada, mas ainda não é totalmente caótica. A situação na Síria é totalmente caótica. No Brasil, o estado ainda é soberano. mas, a questão é; Até quando? A ausência do poder do estado no Espirito Santo é um indício grave da falência do estado e uma evidência clara de que o Brasil segue na direção do caos total.

A policia (bem ou mal), é a agência governamental que tem como responsabilidade garantir a Lei e a ordem no país. Quando o policiamento cessa, o estado se ausenta e a Constituição Federal é suspensa. O país vira terra de ninguém. Facções criminosas passam a atuar livremente sem qualquer forma de intervenção. A população assustada, cria grupos armados para proteger bairros e residências contra as ações de criminosos que agora, controlam as ruas. O confronto entre criminosos e “vigilantes” é quase inevitável. A desconfiança e a falta de informação intensificam o estado de tensão. A guerra civil não declarada passa a ser uma realidade e contamina estado por estado numa reação em cadeia inevitável seguindo a falência das instituições governamentais que deixam de existir uma após a outra. A situação é rejeitada a todo custo por um governo federal ja enfraquecido e fragmentado. O exército é acionado como o último recurso para manter a ordem, mas sua capacidade e recursos são limitados e insuficientes para manter a ordem em todo o território nacional. Noticias de que facções criminosas dominam importantes cidades do país, geram pânico e confusão em outros estados. Uma fuga em massa para países vizinhos gera tensão nas fronteiras. Outros milhares, de civis, ex-policiais e soldados, se armam e tentam organizar uma resistência contra o avanço  de grupos criminosos que ja controlam equipamentos e armamentos pesados de uso exclusivo das Forças Armadas. A medida em que o número de mortos cresce rapidamente, as noticias começam a chamar a atenção da mídia mundial. Países Europeus e Norte Americanos interrompem vôos para o Brasil enquanto uma comissão do Mercosul estuda formas de intervenção junto a ONU. O número de refugiados Brasileiros vivendo em campos improvisados no Uruguai, Argentina e Chile ja passam dos 10 milhões ao mesmo tempo que a ONU declara situação de catástrofe humanitária em quase toda a America do Sul. EUA e Europa se recusam a receber refugiados Brasileiros e milhares de mulheres e crianças são abandonadas a própria sorte.

Noticias de que grupos armados tomaram Brasilia, se espalham rapidamente nas redes sociais causando pânico generalizado. O total colapso do governo federal se torna inevitável. Presidente, Deputados, Ministros e Senadores que não foram assassinados pelos mais de 300 mil presos foragidos em todo país, se refugiam em Cuba, Venezuela, Miami e Reino Unido. Não se sabe mais ao certo quem são os criminosos e quem são os grupos de vigilantes organizados por ex-policiais e soldados. A falta de mantimentos e água potável nas grandes cidades levam milhões de mulheres e crianças a passarem fome escondidos em prédios abandonados. Fotos de crianças mortas chocam o mundo e milhões vão as ruas dos EUA e Europa pedindo providências da comunidade internacional e o fim da guerra civil no Brasil. ONGs internacionais declaram calamidade nos hospitais do país por falta de tratamentos. Milhares de médicos fogem para os EUA e Austrália e os poucos que permanecem estão sobrecarregados e trabalhando voluntariamente auxiliados por soldados dos grupamentos do corpo de bombeiros e ONGs internacionais.

Em reunião fechada na sede das Nações Unidas em Nova York, uma resolução que autoriza uma força de Paz composta por França, Reino Unido e EUA a entrar no Brasil, é aprovada com unanimidade. A Russia absteve seu voto. Aviões de guerra Americanos decolam de várias bases aéreas na Colombia para bombardear regiões comandadas por facções criminosas no Brasil incluindo a Capital Brasilia, mas a prioridade é na verdade, proteger e reestabelecer a manutenção e o fluxo das reservas minerais do país.

Após fortes bombardeios no centro do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasilia, centenas de mortes de civis são registrados pela Cruz Vermelha Internacional. Incêndios de grandes proporções e fora de controle destroem os centros das principais capitais estaduais do país. NASA publica fotos da Estação Espacial mostrando enormes colunas de fumaça que tomam os céus do país a vários dias.

Grupos paramilitares dos três estados do Sul declaram independência e fecham a fronteira Norte entre o Paraná e São paulo, mas não escapam dos bombardeios aéreos que destroem o centro das principais cidades juntamente com os aeroportos de Curitiba e Porto Alegre e os portos de Rio Grande e Itajai. Milhares de civis são mortos.

No Nordeste, ONU registra massacres de civis e descobre dezenas de covas coletivas com centenas de corpos incluindo mulheres e crianças. ONU não descarta Genocídio. No Rio de Janeiro, aviões de guerra Franceses, Britânicos e Americanos promovem o maior ataque aéreo desde a queda do governo federal depois que um video foi publicado na Internet onde um bando de criminosos celebravam o assassinato de dois pilotos Americanos que tiveram suas cabeças arrancadas na praia de Copacabana.

Após 3 anos de guerra civil, a infra-estrutura do país esta em frangalhos. Milhões de Brasileiros refugiados continuam a viver em acampamentos administrados pela ONU, e o número de mortos ultrapassam 1 milhão. A coalisão da ONU liderada pelos EUA decide reestabelecer o governo Brasileiro na cidade de Santos no litoral do estado de São paulo, ja que as cidades de Brasilia, Rio e São Paulo foram totalmente devastadas pelos bombardeios Norte Americanos. As reservas de minérios do Brasil passam a ser administradas por empresas Americanas e Européias entre elas a Shell, BP e Chevron e Texaco. Bolsonaro é escolhido pelos Estados Unidos para ser o novo presidente do Brasil e é imediatamente apoiado pelo grupo paramilitar evangélico conhecido como o Exercito de Deus. Milhões celebram nas ruas em todo o Brasil. Mas, a posse de Bolsonaro, é ofuscada por grupos paramilitares de esquerda que não apoiam o regime do novo presidente e se recusam reconhecer Bolsonaro prometendo derruba-lo a força se necessário for.

Após 5 anos, a guerra civil toma nova forma. Agora, as forças nacionais de Bolsonaro lutam contra grupos para-militares em várias frentes nacionais, principalmente no Nordeste do país. A mídia mundial fala em rebeldes contra as forças de Bolsonaro. O novo presidente classifica os grupos rebeldes de terroristas, e em pronunciamento a toda nação promete caçar e destruir todos eles. Os três estados do Sul prometem apoio a Bolsonaro em troca de sua independência e o presidente aceita com relutância.

A guerra civil se extende por mais 10 anos quando finalmente todos os lados entram em acordo de paz. Em 2 de Outubro de 2035 o Brasil elege democraticamente Francisco Lula da Silva e seu vice João de Magalhães Bolsonaro numa disputa acirrada no segundo turno contra Marcos Neves e Maria Bornhausen. Eduardo Cunha Junior é eleito o novo presidente da Camara dos Deputados e Guto Calheiros Sarney é o novo presidente do Senado. No Sul do Brasil, após referendum, Santa Catarina e Paraná voltam a fazer parte do Brasil, mas Rio Grande do Sul vota pelo NÂO e funda a nova República Democrática Tchê Barbaridade É Bem Capaz. Milhões celebram a volta da democracia em todo o Brasil. Em Santa Catarina, o novo governador Jorge Amin da Silveira Junior anuncia a nova fase da reforma da ponte Hercílio Luz. Um dia depois da posse do novo presidente, o autor deste Artigo visivelmente abatido, se suicida com um tiro na cabeça em sua residência no Sudoeste de Londres.

ABORTO É CRIME, INDIFERENTE DO QUE DIZ A LEI (opinião)

By: Michaell Lange,

London, 01/12/16 –

Esta semana vários assuntos dominaram a mídia e as redes sociais. A Tragédia com o vôo do time da Chapecoense chocou o mundo do esporte e deixou o Brasil de luto. A sem vergonhice, e o comportamento criminoso dos parlamentares em Brasilia, que diabolicamente aproveitaram-se de uma nação em luto para votar uma PEC imoral, camuflada pela madrugada enquanto o país chorava a perda de 71 vidas na queda do avião do time Catarinense, também deixou o Brasil estarrecido. Mas, um outro assunto não menos importante, acabou ficando um pouco ofuscado por conta dos outros dois assuntos citados acima. Trata-se do aborto que a justiça Brasileira decidiu descriminalizar até o terceiro mês de gestação. O assunto também foi noticia no Reino Unido esta semana, mas por um outro motivo. O Reino Unido é formado pela Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales, mas algumas Leis são diferentes dependendo o país. Por exemplo, na Inglaterra o aborto é legalizado. Qualquer mulher pode procurar uma clinica e fazer o procedimento pago pelo governo. Porém, na Irlanda do Norte o aborto é crime e isso faz com que muitas Irlandesas venham para a Inglaterra fazer o procedimento usando verba do orçamento da saúde Inglesa. Essa polêmica tem gerado debates sobre até que ponto os Ingleses devem pagar pelo procedimento feito para cidadãos Irlandeses. A legalização do aborto na Inglaterra seguiu o mesmo principio seguido por outros países, e é também o mesmo argumento usado por pessoas que lutam pela legalização do aborto no Brasil. Segundo os Ingleses, a legalização do aborto evita a prática clandestina que muitas vezes pode acabar em óbito. Mas, esse mesmo argumento pró-aborto me faz questionar porque o mesmo princípio não é usado em outros casos não menos polêmicos, como no caso da legalização das drogas. Se a legalização do abordo evita a prática clandestina, por que a legalização das drogas não evitaria o tráfico de drogas que é responsável pela maioria dos homicídios no país? O princípio é o mesmo, mas os interesses parecem ser diferentes.

Por muito tempo a polêmica do aborto foi uma incógnita na minha cabeça. Sempre foi muito difícil para mim, ter uma opinião formada sobre o assunto. Mas hoje, tenho plena convicção de que o aborto não difere em nada, de um assassinato. Porém, assim como há exceções que legitimam um assassinato, como no caso da legítima defesa por exemplo, onde a vitima precisa matar outra pessoa para salvar a própria vida, eu também acredito que há exceções que possam legitimar alguns casos de aborto, como no caso do assassinato em legitima defesa. Mesmo assim, em todas as exceções nas quais pensei a respeito, minha conclusão é quase sempre confusa.

Os principais argumentos de mulheres e casais (em muitos casos a decisão é conjunta) que praticaram o aborto, é que o fizeram porque não estavam preparados para ser pai/mãe, ou não tinham condições, ou simplesmente não desejam ter filhos. Pois bem, na minha opinião essa cultura foi estabelecida por negligência do estado que tenta normalizar e em muitos casos até incentivar o aborto. O mesmo estado também falha em alertar para o trauma. O assassinato de um ser humano não é algo natural, mas sim algo inventado pelos humanos. Porém, mesmo com todos os esforços para normalizar a prática, a natureza humana continua reagindo negativamente contra uma agressão não prevista na natureza. O resultado é um trauma psicológico (físico em alguns casos) que homens e principalmente mulheres, sofrerão pelo resto de suas vidas. O Trauma é resultado de ação extrema e não natural. Quando alguém mata outra pessoa, seja por acidente ou propositalmente, o estrago psicológico é similar e tão duradouro quanto o de um aborto. De fato, um aborto não difere de um assassinato pois, este, interrompe uma vida que teria continuidade caso a ação abortiva não tivesse ocorrido. A negligência do estado levou as pessoas a acreditarem que interromper a vida de um ser humano que ainda não nasceu é aceitável, mesmo em casos onde os motivos são absurdos, como a falta de recursos financeiros, ou simplesmente não desejarem a gravidez. O ser humano precisa assumir a responsabilidade ou arcar com suas consequências. O assassinato de um bebê recém nascido pode levar o autor do crime a passar o resto dos seus dias na prisão. Por que assumimos postura diferente quando o crime é cometido meses antes?

Muitas mulheres pró-aborto costumam usar o discurso “my body, my rule” ou “meu corpo, minhas regras”. O argumento é certamente válido para as mulheres tanto quanto para os homens. Mas, é um grande equivoco acharem que essa regra vale para o aborto. Mesmo sendo gestante, a vida que cresce dentro do útero não pertence a mulher. Essa vida, desde o momento da fecundação ja tem seu direito a vida e a liberdade garantido pela Natureza (Deus). Não cabe a mulher impor seus desejos sobre uma vida que apesar de crescer dentro dela, não a pertence. Ao contrário da posse, a mulher e o homem, tem a responsabilidade de cumprir com seu papel natural de zelar e respeitar os direitos a vida que lhes foram dado. A gestante não tem por tanto, o direito de decidir o futuro do bebe, mas garantir a sua existência. O ser humano tem garantido seu direito a vida no momento em que ela passa a existir ou seja, no momento da fecundação. Indiferente do que as Leis dizem, as Leis da Natureza nesse caso, são superiores e imutáveis. Durante esta semana, ouvi dezenas de mulheres falarem sobre o trauma da decisão, e como o aborto afetou suas vidas mesmo depois de décadas. Salvo as exceções, minha resposta a esse argumento é simples e direta. A decisão de fazer o aborto, ao que me parece, é mais fácil do que a decisão de não fazer sexo, ou de fazer sexo seguro. Sim, eu sei que parece uma suposição grosseira, mas como citei acima, as exceções são apenas exceções e não podem ser usadas como regra. Também não estou aqui para julgar as mulheres que decidiram fazer o aborto. Meu propósito é questionar a legitimidade que o estado, junto a pessoas pró-aborto promovem ao defender sua legalização. É certo que acidentes acontecem, mas nesse caso especifico, a vida de um bebê inocente não pode ser interrompida por motivos tão rasos. A vida esta acima de tudo! Precisamos assumir as responsabilidades da vida!

Um outro exemplo que eu gostaria de usar como paralelo ao trauma causado pelo aborto, é o caso de soldados. As forças armadas treinam o soldado para matar o inimigo sem culpa. É um treinamento brutal que em muitos casos desconstrói o ser humano por dentro e reconstrói em forma de um soldado frio e calculista. Nesse processo o soldado é convencido de que se ele matar o inimigo, vidas serão salvas em sua terra natal. Mesmo apesar do processo brutal de desconstrução dos valores humanos, os soldados voltam da guerra traumatizados. A própria policia sofre com a violência e tem altos níveis de suicídios por causa da experiência nas quais vidas são terminadas de formas brutais. Porque então, deveríamos pensar que um cidadão normal, sem treinamento militar, não seria afetado pelo trauma causado pelo termino de uma vida como consequência de um aborto? Por isso acredito que há similaridades entre o trauma causado por um aborto e um assassinato, seja por legitima defesa, acidente ou guerra. O término de vidas por meios não naturais é definitivamente um crime na sua concepção mais básica. É exatamente com base nessa analise pessoal que consegui finalmente, depois de muitos anos de questionamentos, concluir que o aborto é assassinato, mesmo quando se tratando de legitima defesa ou legitima causa.

Como defensor assíduo dos direitos humano, me deixa consternado a idéia de que um estado, cuja responsabilidade número 1 é garantir a segurança, a integridade e os direitos humanos de todo cidadão, possa criar Leis que legalizem e sentenciem a morte, vidas inocentes sem direito a defesa. O aborto é um crime, e sua prática deve ser tratada como tal, com exceção aos casos de legitimidade. Um governo não se limita apenas a garantir e atender as vontades e direitos dos seus indivíduos, mas também garantir os direitos daqueles incapazes de se defender.

Quando um espermatozóide se une a um óvulo, o resultado é tão extraordinariamente espetacular e tão além do entendimento humano, que costumamos simplificar a criação e o surgimento de uma nova vida, usando o adjetivo “milagre”. Quem então teria o direito de interrompe-la se não o criador do milagre? Por que algumas pessoas acreditam ter o direito de se apossar de uma vida e decidir seu destino por motivos não naturais e ilegítimos? Interromper uma vida humana de forma não natural e de forma ilegítima em qualquer estágio do seu desenvolvimento, é um crime e deve continuar sendo, mesmo quando governos negligenciam algumas de suas maiores responsabilidades que é garantir o direito a vida e a liberdade de todos os seres humanos.

13 DE MARÇO: UM LADO POSITIVO E UM SONHO UTÓPICO

Por: Michaell Lange,

Londres, 11/03/16 –

Os dois artigos anteriores a esse focaram nos riscos que o Brasil tem enfrentado nesse período de extrema instabilidade na política nacional. Riscos estes que devem chegar ao seu ponto crítico neste final de semana (13), quando os dois lados da política Brasileira realizarão manifestações por todo o Brasil. O medo de todos que conhecem a história e as fragilidades do povo Brasileiro, é um possível conflito nas ruas que poderá dividir ainda mais o Brasil e que possa evoluir para uma guerra civil. Essa possibilidade é real e deve ser acompanhada com muito critério por todos os Brasileiros. Cidadãos brasileiros não podem entrar em guerra contra outros Brasileiros. Essa realidade não faz parte da natureza do nosso povo. Mas as possibilidades de um conflito interno são reais, por conta do alto nível de tensão, principalmente das partes radicais e também por conta de possíveis influências externas que procuram tirar vantagens desse momento frágil que vive a nossa democracia.

Mas apesar das tensões e dos riscos, o Brasil vive um momento histórico em vários sentidos que devem ser comemorados. Apesar da contínua onda de corrupção e injustiças, a política como tema de assuntos e debates, nunca foi discutida em escala tão larga quanto neste momento. Os Brasileiros, finalmente, estão começando a entender a importância da sua participação no debate político nacional. Os políticos Brasileiros, jamais foram tão cobrados, observados e expostos como agora. Basta um passo em falso de qualquer autoridade pública, para que as redes sociais se transformem em uma verdadeira Tsunami de denúncias e debates com participação de cidadãos Brasileiros e estrangeiros em todo o Brasil e ao redor do mundo. Hoje, não há limites para a informação. O Brasileiros participam de dentro do barco de pesca em alto mar, de dentro da cabine do caminhão, de dentro dos tratores nas lavouras e fazendas espalhadas pelo Brasil a fora. O Brasileiro nunca participou tanto das questões sociais do país como agora. Antes, a grande mídia era a nossa fonte de informação. Dependíamos dos jornais, das radios e dos telejornais para saber o que acontecia pelo Brasil. Essa dependência nos tornava vitimas fáceis das manipulações midiáticas que influenciavam nosso modo de pensar e agir. Hoje, a influência da grande mídia continua, mas a grande diferença é que agora, sabemos o que eles fazem e estamos começando a nos defender. Em 2016, a TV e o radio não são mais nossas fontes de informação. São eles, as grandes agencias de comunicação, que buscam nas redes sociais, as fontes para a sua programação de notícias. Deixamos de ser teleguiados para sermos fonte de notícia. Devemos muitas dessas mudanças as redes sociais. É claro que ainda estamos no início desse processo. Ainda há um longo caminho pela frente, mas esse caminho não tem volta. Estamos tomando posse das nossas opiniões e estamos discutindo nossos problemas abertamente com o Brasil inteiro. Os políticos ja não fazem suas sujeiras com a mesma tranquilidade e impunidade com que faziam anteriormente. Tudo é filmado, gravado e publicado nas redes sociais, sem cortes, sem edição, sem interesses de terceiros. O Brasileiro esta mudando sua atitude. Estamos nos organizando em canais independentes. Temos nossas próprias celebridades e nossos próprios canais independentes, e isso é muito bom para nossa democracia e para o futuro da sociedade Brasileira. Quem precisa da grande mídia? Temos tudo que precisamos nas redes sociais. De Tico Santa Cruz à Revoltados On Line, os Brasileiros tomam posse do país e dos seus problemas sociais. O equilíbrio e a legitimidade dos debates é decidido pelos próprios Brasileiros. O império dos grandes meios de comunicação nunca estiveram tão próximos do colapso e da exposição total. Minha grande dúvida ainda é: Será que o Brasileiro tem consciência dessa revolução? Será que o Brasileiro como indivíduo, tem noção do quão grandioso e fundamental tem sido sua participação nas redes sociais para o sucesso dessa revolução informativa e participativa que tomou conta do Brasil?

O que eu chamo de “o poder do clic”, é a capacidade que cada indivíduo tem de clicar no botão do seu computador ou smartphone e compartilhar uma idéia, uma informação ou uma denúncia, com milhões de pessoas ao redor do mundo em menos de 1 segundo. Ainda é preciso evoluir nosso senso crítico para não compartilharmos tanta informação falsa e fraudulenta, mas acredito que esse é um processo que precisa de tempo e ainda estamos apenas dando os primeiros passo. Por isso, é extremamente importante, que nós, Brasileiros, tenhamos consciência do que estamos fazendo e a importância que a nossa participação nas redes sociais pode ter nessa revolução informativa, política e social que estamos vivendo hoje. A linha de comunicação direta que as redes sociais nos proporciona é a grande arma dos Brasileiros contra as manipulações e interferências promovidas pelas grandes agencias de comunicação. Quando os Brasileiros se comunicam sem os intermediários televisivos por exemplo, os poderosos perdem o poder de manipulação e controle sobre as grandes massas. Mas é importante que tenhamos consciência do poder que nós temos, e o impacto da nossa participação como indivíduos e como povo Brasileiro, no processo político nacional. Não é a toa que as forças dominadoras, sejam elas partidárias, empresariais ou a própria mídia, tentam a todo custo e de todas as formas, dividir o povo Brasileiro e recuperar o poder hegemônico que eles exerciam no passado e que esta totalmente comprometido hoje. É vital que o Brasileiro tenha consciência do que é seu. O Brasil não é do governo. O Brasil não pertence ao PT, nem ao PSDB ou PMDB. O Brasil pertence a todos os Brasileiros, incluindo tudo o que ha em seu território. Aqueles que ocupavam o poder e ainda ocupam, tentam nos convencer do contrário. Mas, o voto do Brasileiro não elege proprietários. O voto dos Brasileiros elegem administradores públicos! Estes, eleitos democraticamente, ganham o direito de representação, mas esse direito não pode jamais, dar-lhes o poder de vender ou roubar aquilo que não lhes pertence. Nossos representantes não são nossos proprietários. Nossos representantes não são mais do que nossos meros funcionários. Como ousam se comportarem como nossos mestres? Como ousam dividir o povo Brasileiros em direita e esquerda? Somos um só povo e jamais devemos permitir que sejamos divididos e controlados!

Precisamos entender que o PT não é o partido que esta no poder. Como ousam prender PTistas corruptos incluindo o próprio Lula, e tentarem nos convencer de que o PT é o único partido no poder? O sistema político Brasileiro é dividido em três poderes. Ha o poder Legislativo, formado pelas duas câmaras federais de deputados e senadores, o poder executivo representado na figura do presidente, e o judiciário. O PT esta no poder do executivo que esta sujeito aos poderes Legislativos e judiciários. As duas câmaras são presididas por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, opositores da Presidente. E o Judiciário, apesar de ser apontado pelo presidente da república, ainda esta sujeito as decisões das duas câmaras. Por tanto, não é o PT que esta no poder mas, o PT, o PSDB e o PMDB. O Brasileiro precisa ficar atento a essa realidade e entender rapidamente que o impasse político que vivemos hoje é uma luta por poder e não pelos interesses dos Brasileiros. Nenhum destes partidos merecem o apoio dos Brasileiros hoje porque todos eles são responsáveis por essa onda de corrupção e desgoverno que o Brasil esta vivendo. O meu sonho utópico, é ver os Brasileiros se comportarem no próximo dia 13 de março, como os Irlandeses e os Escoceses se comportaram no confronto promovido pelo império tirânico Inglês no filme “O Coração Valente”. Na cena do campo de batalha, o exército rebelde Escocês liderado por William Wallace, enfrenta o Rei Inglês que ordena o exército Irlandês a atacar os Escoceses na primeira linha de frente. O que o Rei Inglês não havia percebido é que os Escoceses e Irlandeses eram povos oprimidos pela monarquia Inglesa e no momento do confronto, no último segundo em que corriam para o enfrentamento e a luta corporal, os dois exércitos pararam e se uniram contra o grande opressor, que era na verdade a monarquia Inglesa. A cena do filme esta disponível no final deste artigo.

Assim como no Filme O Coração Valente, o povo Brasileiro é o grande oprimido pelo governo formado pela união das três principais “Monarquias” do país ou seja, PT, PSDB e PMDB, cada um com seu próprio “Rei”, mas todos eles oprimem um único povo, o povo Brasileiro. Os verdadeiros inimigos dos Brasileiros não são os outros Brasileiros, mas sim, nossos opressores que estão no poder. Na minha analogia, os defensores da oposição governamental, formada principalmente por PSDBistas, e os defensores do PT ou PTistas, fazem o papel de Escoceses e  Irlandeses. O PT, PSDB e PMDB fariam o papel do Rei opressor Inglês. Seria uma grande demonstração de poder se o povo Brasileiros pudesse se unir no dia 13 e mostrar para nossos opressores que não aceitamos ser divididos, porque acima de qualquer coisa, somos todos Brasileiros! Se isso acontecesse, a expressão nos rostos dos opressores seria a mesma expressão do Rei Inglês, uma expressão de derrotado. Assista ao video e encontre inspiração para unirmos o Brasil em prol de um único bem, o bem estar do povo Brasileiro.

Cena do Filme O Coração Valente: Que tal agirmos dessa forma no próximo dia 13?

 

 

 

O Papel(ão) Da Mídia Na Cobertura Dos Recentes Eventos Mundiais

By: Michaell Lange,

London, 16/11/15 –

A grande mídia internacional, infelizmente virou um movimento uniforme de propagação de uma visão única, talvez, numa ação combinada pelos principais meios de comunicação e seguido a risca pelo restante da mídia mundial. Com exceção de alguns canais de TV como a RT America e Al Jazeera English, a maioria ignorou totalmente, princípios básicos do jornalismo. A investigação, o questionamento e o debate, foram substituídos pela norma comum da mentalidade Ocidental. Uniram-se todos em solidariedade as vitimas e contra os terroristas, ignorando quase por completo, o importantíssimo fator histórico necessário para o entendimento do quem vem acontecendo no mundo desde o 11 Setembro de 2001. Ja naquela época, a mídia mundial se uniu em torno de uma grande invenção de fatos para justificar a invasão do Iraque sem o menor interesse investigativo. Promoveu-se a propaganda e tomou-se como verdade absoluta, tudo que estava sendo falado pelo Governo Americano e Britânico sobre as evidências apresentadas como provas concretas de que o Iraque possuía armas de destruição em massa, algo que hoje sabemos se tratar de uma grande mentira. Esse fenômeno da mídia mundial foi tema de vários documentários como o The War You Don’t See, do jornalista Australiano John Pilger. A cobertura feita pela mídia mundial sobre os ataques desta Sexta Feira (13) em Paris, evidenciou que o comportamento da mídia nunca mudou. Os meios de comunicação perderam a vontade de investigar a fundo as causas dos ataques, e questionar os governos envolvidos sobre suas responsabilidades a respeito dos ataques.

Vários meios de comunicação, desde Sexta-Feira incluindo Sky News, Channel 4, Channel 5, BBC, Al Jazeera, RT América, LBC Radio, BBC Radio 4, e Reuters, deram a impressão de que todos, estão recebendo as noticias da mesma fonte e publicando sem modificação. Os termos, as histórias, o senso de nós e eles, a mentalidade de que a Europa é totalmente inocente e ninguém entende porque estão sendo atacados de forma tão brutal. Algumas histórias chegam a beirar o ridículo. As redes sociais tem apresentado debates infinitamente mais interessantes sobre as causas e consequências do que aconteceu. A outra mídia, preferiu a narração. Mesmo no Brasil, durante todo o final de semana nas redes sociais, questionou-se a facilidade do Brasileiro de se comover com tragédias em outros países e nem tanto com tragédias em solo tupiniquim. Tivemos jornalistas chorando ao vivo com os ataques em Paris e que não se comoveram com a tragédia humana e ambiental em Minas Gerais. Ninguém questionou o Presidente Frances sobre os bombardeios diários feito pelo exército do país desde Setembro na Síria, que é um país soberano e membro da ONU. Justificam os ataques por conta da presença do Estado islâmico naquele país. Mas, quando um país bombardeia outro país sem a permissão do governo do país que esta sendo bombardeado, isso é um crime de guerra. Sabemos agora que o Estado Islâmico tem base na Bélgica, e nem por isso a França mandou seus aviões bombardearem o país vizinho. François Hollande classificou os ataques em Paris como “uma ação covarde pois, atirar em pessoas desarmadas e inocentes é um ato covarde”. É claro que foi um ato covarde, mas é difícil entender qual é a diferença entre a covardia de atirar em uma pessoa inocente e desarmada, e a covardia de um ataque feito por um avião de guerra Dassault Rafale, a uma vizinhança desarmada e inocente na Síria. A mídia não faz nenhuma questão de perguntar. O presidente Frances também declarou mais uma vez, que a França esta em guerra. Em guerra contra quem? Contra o Estado Islâmico ou contra o povo Sírio? Qual é o objetivo de usar o poder militar Frances para atacar uma entidade sem endereço? Outros dois fatores que precisam ser apurados são: A questão ideológica e a questão tecnológica destes conflitos. Será que a questão tecnológica das bombas e inteligência são capazes de vencer a questão ideológica? Será que o uso da precisão militar pode destruir a ideologia presente na mente humana? Ou será que a agressão apenas reforça o poder ideológico promovido por grupos como o Estado Islâmico? A mídia falha de forma terrível ao ignorar estas questões.

Semanas antes dos ataques em Paris, dois atentados a bomba do Estado Islâmico a dois países Islâmicos, Turquia e Líbano, matou dezenas de pessoas inocentes, mas a mídia deu muito pouca importância. A mensagem da mídia parece dar diferentes valores a vida dependendo do país de origem das vitimas. A tragédia em Minas Gerais foi falada pela mídia Britânica, mas sem dar muita atenção. A própria mídia Brasileira não esta dando a devida atenção a essa tragédia. A impressão é a de que quando a Europa sofre um ataque, é sempre uma ação promovida por pessoas demoníacas, terroristas, covardes, e são. Mas, quando a Europa bombardeia e mata covardemente, centenas de inocentes, o mundo prefere rotular de, legitima defesa. Quando os EUA atacou um hospital da Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão que deixou trinta mortos, Obama pediu desculpas e o assunto morreu. Ninguém se atreveu a questionar se um pedido de desculpa para um claro crime de guerra, era suficiente ou no mínimo inapropriado, considerando a gravidade do ataque. O assunto foi esquecido e a atenção da audiência foi desviada para algo sem muita importância como, crianças Sírias morrendo afogadas no mediterrâneo. Não é possível que lideres mundiais como Obama, David Cameron, François Hollande e Putin, possam falar livremente em liberdade, democracia, justiça e Liberté, igualité e fraternité, sem serem questionados sobre suas ações militares em países soberanos. Isso simplesmente não faz nenhum sentido. É como assistir ao PCC e o CV falarem em justiça e segurança e as pessoas aceitarem sem questionamentos. O governo Frances não foi vitima dos ataques em Paris. As vitimas foram os Franceses e pessoas de outras nações que perderam a vida por causa das ações governamentais que a mídia prefere ignorar.

A mídia tem um papel fundamental no processo de justiça social, na manutenção da democracia e das liberdades civis. O comportamento apresentado pelos meios de comunicação após os eventos em Paris são inaceitáveis. Devemos nos perguntar se vale a pena compartilhar esse comportamento ou fazermos algo para mudar, para demonstrar que nós não estamos satisfeitos com o trabalho apresentado por eles. Devemos questionar o que é possível aprender com estes eventos ao invés de ouvir dos nossos lideres apenas uma vontade de se vingar com o uso ainda mais indiscriminado de bombas. A quanto tempo as bombas ja provaram que não resolvem nada? Devemos nos perguntar por que apenas os EUA,a França e o Reino Unido são os principais alvos do Estado Islâmico e de outros grupos terroristas? Será que é porque justamente estes países são os principais responsáveis pela destruição da Síria, Líbia, Iraque e Afeganistão, deixando um vácuo de poder agora ocupado pelo Estado Islâmico? Por que a Alemanha, que nunca se envolveu nos conflitos do Oriente Médio e abriu as portas para 1 milhão de refugiados Sírios, nunca foi vitima do terrorismo do estado Islâmico? Será que poderíamos aprender alguma coisa com o exemplo Alemão? Por que a mídia se recusa a promover este debate? Quem sabe, as redes sociais devam ocupar esse vácuo deixado pela outra mídia? Estes são questionamentos que precisamos fazer para que nossos direitos e nossas liberdades continuem sendo respeitadas pelos governos ao redor do mundo porque a Síria de hoje, pode muito bem, ser o Brasil de amanhã.