KEEP CALM AND CARRY ON MANCHESTER*

By: Michaell Lange,

London, 23/05/17 –

Mais uma vez o Reino Unido e o Ocidente, foram atacados por terroristas. Desta vez o alvo foi o show da cantora pop Ariana Grande na Arena Manchester que reuniu milhares de jovens, crianças e famílias. Um evento musical que simbolizava a liberdade, foi covardemente atacado por extremistas religiosos que usaram da oportunidade para massacrar vidas inocentes. Enquanto nossos políticos bombardeiam e massacram crianças e famílias inteiras no Oriente Médio, os extremistas destroem nossas crianças e nossas famílias por aqui. Duas formas de violência interligadas e totalmente injustificadas que merecem todo nosso desprezo.

As crianças são sempre as principais vitimas dessa barbarie, crianças inocentes incapazes de entender absurdos que os próprio adultos tem dificuldades de compreender. Este ataque chama atenção em particular por ter jovens e crianças como alvo principal. Mas, frente a tragédia, foram as atitudes de uma sociedade que abracei e me tornei parte integral, que me fizeram sorrir em meio a tanto sofrimento. Logo após a explosão da bomba que ocorreu no lado de fora da Arena Manchester após o termino do show, 22 pessoas incluindo crianças, haviam perdido suas vidas. Outras 59 pessoas ficaram feridas. Quase que imediatamente, a solidariedade e a gentileza, duas fortalezas da sociedade civil Britânica, entraram em ação. Hotéis da região colocaram suas estruturas a disposição de todas as vitimas e envolvidos no socorro. Ao invés de hospedes, funcionários passaram a atender pessoas feridas, confusas e dezenas de crianças que na confusão, se perderam dos pais. Água, comida, telefone e quartos, foram usados para pessoas tomarem banho e passarem a noite. Um lojista local distribuiu cartões telefônicos e recargas para celulares para pessoas que tentavam se comunicar com seus amigos e familiares. Um mendigo que dormia próximo ao evento e foi acordado pela bomba, correu para o local e iniciou o socorro das vitimas antes mesmo das equipes de resgate chegarem ao local. Taxistas de Manchester improvisaram nas janelas dos carros a frase “Free Taxi”, e trabalharam noite a dentro levando as pessoas para casa. Taxistas de Liverpool, cidade que fica acerca de 1 hora de Manchester, se dirigiram para o local e ofereceram-se para levar as pessoas de Liverpool que haviam viajado para Manchester para assistir ao show, de volta para casa. Médicos e enfermeiros que estavam de folga, se apresentaram voluntariamente aos hospitais da cidade, e pessoas fizeram filas no lado de fora dos hospitais para doarem sangue. Nada disso foi combinado, e muito menos convocado. As pessoas simplesmente reconheceram suas responsabilidades com a sociedade em que vivem e agiram de acordo com as responsabilidades e os princípios de uma sociedade civil. Todos tem suas responsabilidades do dia-a-dia, mas quando algo assim acontece, o dia-a-dia fica em segundo plano. A prioridade passa a ser reestabelecer a Paz e a ordem da sociedade ou seja, das pessoas que vivem a nossa volta. Essa é uma herança da guerra que os Britânicos souberam cultivar e valorizar. O mundo poderia reproduzi-las sem moderação!

É assim que funciona o que eu chamo de sociedade civil. Os Britânicos são, de modo geral, individualistas. Mas, quando uma tragédia acontece, as pessoas deixam suas diferenças sociais, econômicas e políticas de lado para formar uma grande família.  “Togetherness”, ou congregação, ou apenas união entre as pessoas, foi o que eu assisti durante toda a noite passada e todo o dia de hoje. Uma onda de solidariedade que se fosse multiplicada, não permitiria que nenhuma guerra jamais fosse iniciada. Aqui, o governo seguiu o povo. As campanhas eleitorais para as eleições gerais de 8 de Junho foram suspensas por tempo indeterminado, e os líderes dos partidos políticos uniram-se para condenar o ataque e expressar sua solidariedade com as vitimas desta ação deplorável.

É por isso que mesmo querendo voltar, vou ficando. É por isso que gostaria de ver o Brasil seguindo exemplos assim, para que politicos jamais tivessem o poder, e nem mesmo a audácia de tentar dividir o povo Brasileiro para beneficio próprio. Sejamos todos Britânicos, nem que seja por um único dia. Nenhuma forma de terrorismo, seja de extremista religiosos, ou de políticos Brasileiros, tem a menor chance de prevalecer ou existir, sob uma sociedade civil e gentil. Keep Calm and Carry on Manchester!

* Keep calm and carry on! ou, Mantenha a calma e siga em frente! foi uma frase usada para estampar um poster promovido pelo governo Britânico em 1939 em preparação para a segunda guerra mundial. O objetivo era elevar o moral da população durante os ataques Nazistas às principais cidades do país.

LONDRES SOB ATAQUE

By: Michaell Lange,

22/03/17 –

Foi uma tarde tensa aqui em Londres. As noticias começaram a chegar via redes sociais sobre um sério incidente próximo ao Parlamento Britânico. A noticia aqui corre rápido e os olhares das pessoas logo se tornaram apreensivos. A primeira coisa que você tenta fazer nestes casos, é tentar contactar amigos e familiares e saber se estão todos bem. Logo em seguida enviei uma mensagem para o Brasil explicando o que estava acontecendo e que estávamos todos bem. Ao mesmo tempo, alguns canais de TV ja transmitiam ao vivo via FaceBook  e Twitter direto das proximidades do incidente. Sky News, BBC, RT, Al Jazeera e ITV News, tem escritórios e estúdios a menos de 500 metros do Parlamento. Uma imagem de um helicóptero mostrava inúmeras vitimas no chão em todo o trajeto da Westminster Bridge (ponte ao lado do Parlamento) desde da extremidade Sul até a outra margem do rio. Ao longo da rua que segue ao lado do famoso relógio Big Ben, um veículo 4×4  havia invadido a calçada e estava cercado por carros da policia. Tudo isso estava sendo transmitido para o mundo enquanto a policia e os serviços de emergência chegavam ao local do incidente. A primeira Ambulância chegou no local 6 minutos depois da primeira ligação.

As noticias eram tão recentes que os repórteres se limitavam a narrar o que assistiam nas imagens e reproduziam o que outras redes de comunicação publicavam no Twitter. Sabia-se que haviam sido disparados tiros de armas de fogo e era possível ver um veiculo 4×4 parado encima da calçada do Parlamento onde logo ao lado, policiais e paramédicos tentavam reanimar uma pessoa que estava deitada no chão. Eu estava no Terminal 4 do Heathrow Airport, o mais movimentado da Europa. A policia armada, logo iniciou o patrulhamento em todos os Terminais. Carros, Vans e caminhões da policia estavam em todas as entradas e saídas do aeroporto. Não houve pânico. Os policiais armados se mostravam tranquilos, mas era possível ver em seus olhos a seriedade do momento. Hoje faz exatamente 1 ano dos ataques ao aeroporto de Bruxelas, e a ultima coisa que a policia local gostaria de ver, era um incidente parecido que forçasse o fechamento de um aeroporto onde transitam diariamente, 175 mil passageiros e 1400 vôos.

De acordo com  a investigação e o depoimento de inúmeras pessoas que presenciaram o incidente, um homem dirigindo um veículo 4×4 avançou sobre a multidão que estava na ponde de Westminster no sentido Sul/Norte rumo ao Parlamento deixando mortos e feridos espalhados pela ponte. Uma mulher foi resgatada por um barco do corpo de bombeiros que fazia exercícios próximo ao local. Não se sabe se ela pulou no rio para escapar do ataque ou se ela teria sido atingida e jogada no rio pelo carro em alta velocidade. Ao chegar do outro lado ja junto ao Parlamento, o motorista invadiu a calçada batendo no muro do Parlamento. Nesse momento, o motorista teria saído do carro e atacado com uma faca um dos policiais que faziam a segurança do Parlamento. Em segundos, dois policiais a paisana se aproximaram e atiraram no agressor. Três tiros foram disparados. Apesar dos esforços dos paramédicos, o policial e o agressor morreram no local.

A primeira Ministra Theresa May, que estava presente no Parlamento no momento do ataque, foi rapidamente retirada e levada sob escolta policial para um local seguro. Parlamentares diziam no Twitter que estavam dentro do Parlamento sob forte escolta policial. Toda a região ao redor do Parlamento Britânico que inclui além do próprio Big Ben, a London Eye (roda gigante), o Aquário, Trafalgar Square, o St James Park, o Palácio de Buckingham e as estações de trem e metrô de Westminster e Vitoria, foram cercados e isolados pela policia. Ninguém entrava ou saía do local. Muitas pessoas ligaram para rádios e canais de TV para relatar o que estava acontecendo. Ao menos dois ônibus com turistas, incluindo um grupo de estudantes Franceses de 15 e 16 anos, estavam na ponte no momento do ataque. A policia acredita que possa haver um segundo agressor e uma busca estava em andamento pela policia na região.

Londres era, até hoje, a única capital Européia considerada segura e que ainda não havia sofrido nenhum ataque terrorista recentemente. A policia de Londres disse no final do dia que  infelizmente aconteceu o que acreditávamos ser uma questão de tempo. Mas o chefe da Policia metropolitana reiterou que Londres esta preparada para reagir contra esse tipo de ataque. O Prefeito de Londres Sadiq Khan, disse que  Londres não irá se acovardar diante desse tipo de ataque. Theresa May, classificou o ataque de desprezível e doentio.

Londres é possivelmente a cidade mais segura do mundo. Uma das qualidades que salta aos olhos de um Brasileiro como eu, é a ausência de medo. Mas, é exatamente essa ausência de medo que nos choca tanto quando algo desse tipo acontece. A imagem mais impressionante de hoje, e que certamente reflete a qualidade da sociedade Londrina, é a imagem de paramédicos, incluindo um Parlamentar tentando salvar a vida do policial que acabara de ser esfaqueado, e logo ao lado, um outro grupo de paramédicos tentando salvar a vida da pessoa responsável por toda aquela desgraça que ali estava.

Mas, não podemos deixar de refletir as razões por trás da violência que assistimos hoje em Londres. Devo dizer antes, que absolutamente nada justifica a violência indiscriminada contra civis inocentes incluindo crianças, que foi promovida nas ruas de Londres hoje e mais recentemente em outras cidades da Europa. Assim como a violência no Brasil é resultado de um problema social ou seja, há uma história por trás da violência que explica a violência no Brasil, a Europa vive também uma situação que é resultado de ações militares que deixaram países completamente devastados pela guerra, e populações sem ter para onde fugir. São estas situações de total desespero que deixa o ser humano exposto e propenso a cometer atos de violência. Da mesma forma que um pai de família, trabalhador, cidadão exemplar, pacífico e diplomático, é capaz de triturar uma pessoa que tenha estuprado sua filha, o terrorista Islâmico esta exposto a situação similar onde crianças são queimadas vivas por bombas fabricadas e lançadas por Europeus e Americanos. Nada justifica a violência, mas é fato que violência gera violência. Londres viveu hoje o que São Paulo e Rio de Janeiro vivem o tempo todo. Os ataques nas ruas de Londres são insignificantes se comparados com o que os Sírios, Iraquianos e Líbios enfrentam todos os dias. É importante condenar a violência, mas também é importante entendermos as suas causas.

Os ataques de hoje deixaram até o momento, 5 mortos e 40 feridos. É provável que esse número continue a mudar ja que muitos dos feridos estão em estado grave. A preocupação é que o ataque de hoje possa inspirar novos ataques, por esse motivo o governo Britânico anunciou que haverá mais policiais armados em Londres e nos aeroportos da cidade para garantir a segurança de seus cidadãos e visitantes. O ultimo ataque terrorista no Reino Unido aconteceu em Junho do ano passado quando um extremista de extrema direita matou a Parlamentar Jo Cox a facadas e a tiros enquanto gritava “British first”. A policia acredita que o ataque de hoje foi motivado por extremistas Islâmicos.

BRASIL EM ROTA PARA O CAOS TOTAL

By: Michaell Lange,

London, 07/02/17 –

Nota do autor – Quanto menos você acreditar na possibilidade descrita abaixo, maiores são as chances do impossível acontecer. A culpa do caos não é da policia, mas dos governantes Brasileiros que jogaram o país aos tubarões. Mas será também, culpa do povo Brasileiro se permanecermos parados assistindo o caos tomar conta do país inteiro. 

A situação no Brasil é extremamente delicada, mas ainda não é totalmente caótica. A situação na Síria é totalmente caótica. No Brasil, o estado ainda é soberano. mas, a questão é; Até quando? A ausência do poder do estado no Espirito Santo é um indício grave da falência do estado e uma evidência clara de que o Brasil segue na direção do caos total.

A policia (bem ou mal), é a agência governamental que tem como responsabilidade garantir a Lei e a ordem no país. Quando o policiamento cessa, o estado se ausenta e a Constituição Federal é suspensa. O país vira terra de ninguém. Facções criminosas passam a atuar livremente sem qualquer forma de intervenção. A população assustada, cria grupos armados para proteger bairros e residências contra as ações de criminosos que agora, controlam as ruas. O confronto entre criminosos e “vigilantes” é quase inevitável. A desconfiança e a falta de informação intensificam o estado de tensão. A guerra civil não declarada passa a ser uma realidade e contamina estado por estado numa reação em cadeia inevitável seguindo a falência das instituições governamentais que deixam de existir uma após a outra. A situação é rejeitada a todo custo por um governo federal ja enfraquecido e fragmentado. O exército é acionado como o último recurso para manter a ordem, mas sua capacidade e recursos são limitados e insuficientes para manter a ordem em todo o território nacional. Noticias de que facções criminosas dominam importantes cidades do país, geram pânico e confusão em outros estados. Uma fuga em massa para países vizinhos gera tensão nas fronteiras. Outros milhares, de civis, ex-policiais e soldados, se armam e tentam organizar uma resistência contra o avanço  de grupos criminosos que ja controlam equipamentos e armamentos pesados de uso exclusivo das Forças Armadas. A medida em que o número de mortos cresce rapidamente, as noticias começam a chamar a atenção da mídia mundial. Países Europeus e Norte Americanos interrompem vôos para o Brasil enquanto uma comissão do Mercosul estuda formas de intervenção junto a ONU. O número de refugiados Brasileiros vivendo em campos improvisados no Uruguai, Argentina e Chile ja passam dos 10 milhões ao mesmo tempo que a ONU declara situação de catástrofe humanitária em quase toda a America do Sul. EUA e Europa se recusam a receber refugiados Brasileiros e milhares de mulheres e crianças são abandonadas a própria sorte.

Noticias de que grupos armados tomaram Brasilia, se espalham rapidamente nas redes sociais causando pânico generalizado. O total colapso do governo federal se torna inevitável. Presidente, Deputados, Ministros e Senadores que não foram assassinados pelos mais de 300 mil presos foragidos em todo país, se refugiam em Cuba, Venezuela, Miami e Reino Unido. Não se sabe mais ao certo quem são os criminosos e quem são os grupos de vigilantes organizados por ex-policiais e soldados. A falta de mantimentos e água potável nas grandes cidades levam milhões de mulheres e crianças a passarem fome escondidos em prédios abandonados. Fotos de crianças mortas chocam o mundo e milhões vão as ruas dos EUA e Europa pedindo providências da comunidade internacional e o fim da guerra civil no Brasil. ONGs internacionais declaram calamidade nos hospitais do país por falta de tratamentos. Milhares de médicos fogem para os EUA e Austrália e os poucos que permanecem estão sobrecarregados e trabalhando voluntariamente auxiliados por soldados dos grupamentos do corpo de bombeiros e ONGs internacionais.

Em reunião fechada na sede das Nações Unidas em Nova York, uma resolução que autoriza uma força de Paz composta por França, Reino Unido e EUA a entrar no Brasil, é aprovada com unanimidade. A Russia absteve seu voto. Aviões de guerra Americanos decolam de várias bases aéreas na Colombia para bombardear regiões comandadas por facções criminosas no Brasil incluindo a Capital Brasilia, mas a prioridade é na verdade, proteger e reestabelecer a manutenção e o fluxo das reservas minerais do país.

Após fortes bombardeios no centro do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasilia, centenas de mortes de civis são registrados pela Cruz Vermelha Internacional. Incêndios de grandes proporções e fora de controle destroem os centros das principais capitais estaduais do país. NASA publica fotos da Estação Espacial mostrando enormes colunas de fumaça que tomam os céus do país a vários dias.

Grupos paramilitares dos três estados do Sul declaram independência e fecham a fronteira Norte entre o Paraná e São paulo, mas não escapam dos bombardeios aéreos que destroem o centro das principais cidades juntamente com os aeroportos de Curitiba e Porto Alegre e os portos de Rio Grande e Itajai. Milhares de civis são mortos.

No Nordeste, ONU registra massacres de civis e descobre dezenas de covas coletivas com centenas de corpos incluindo mulheres e crianças. ONU não descarta Genocídio. No Rio de Janeiro, aviões de guerra Franceses, Britânicos e Americanos promovem o maior ataque aéreo desde a queda do governo federal depois que um video foi publicado na Internet onde um bando de criminosos celebravam o assassinato de dois pilotos Americanos que tiveram suas cabeças arrancadas na praia de Copacabana.

Após 3 anos de guerra civil, a infra-estrutura do país esta em frangalhos. Milhões de Brasileiros refugiados continuam a viver em acampamentos administrados pela ONU, e o número de mortos ultrapassam 1 milhão. A coalisão da ONU liderada pelos EUA decide reestabelecer o governo Brasileiro na cidade de Santos no litoral do estado de São paulo, ja que as cidades de Brasilia, Rio e São Paulo foram totalmente devastadas pelos bombardeios Norte Americanos. As reservas de minérios do Brasil passam a ser administradas por empresas Americanas e Européias entre elas a Shell, BP e Chevron e Texaco. Bolsonaro é escolhido pelos Estados Unidos para ser o novo presidente do Brasil e é imediatamente apoiado pelo grupo paramilitar evangélico conhecido como o Exercito de Deus. Milhões celebram nas ruas em todo o Brasil. Mas, a posse de Bolsonaro, é ofuscada por grupos paramilitares de esquerda que não apoiam o regime do novo presidente e se recusam reconhecer Bolsonaro prometendo derruba-lo a força se necessário for.

Após 5 anos, a guerra civil toma nova forma. Agora, as forças nacionais de Bolsonaro lutam contra grupos para-militares em várias frentes nacionais, principalmente no Nordeste do país. A mídia mundial fala em rebeldes contra as forças de Bolsonaro. O novo presidente classifica os grupos rebeldes de terroristas, e em pronunciamento a toda nação promete caçar e destruir todos eles. Os três estados do Sul prometem apoio a Bolsonaro em troca de sua independência e o presidente aceita com relutância.

A guerra civil se extende por mais 10 anos quando finalmente todos os lados entram em acordo de paz. Em 2 de Outubro de 2035 o Brasil elege democraticamente Francisco Lula da Silva e seu vice João de Magalhães Bolsonaro numa disputa acirrada no segundo turno contra Marcos Neves e Maria Bornhausen. Eduardo Cunha Junior é eleito o novo presidente da Camara dos Deputados e Guto Calheiros Sarney é o novo presidente do Senado. No Sul do Brasil, após referendum, Santa Catarina e Paraná voltam a fazer parte do Brasil, mas Rio Grande do Sul vota pelo NÂO e funda a nova República Democrática Tchê Barbaridade É Bem Capaz. Milhões celebram a volta da democracia em todo o Brasil. Em Santa Catarina, o novo governador Jorge Amin da Silveira Junior anuncia a nova fase da reforma da ponte Hercílio Luz. Um dia depois da posse do novo presidente, o autor deste Artigo visivelmente abatido, se suicida com um tiro na cabeça em sua residência no Sudoeste de Londres.

Estado de Emergencia na Síria: Russia, Turquia e OTAN a Um Passo de Uma Catástrofe Mundial (analise)

By: Michaell Lange.

London, 25/11/15 –

O incidente desta semana (24) na fronteira entre a Síria e a Turquia que acabou com um avião bombardeiro Russo abatido e dois soldados Russos mortos, levou o mundo a beira de uma nova guerra mundial. O governo Turco afirma que o avião de guerra Russo invadiu seu espaço aéreo e foi abatido depois de inúmeros avisos feito pela força aérea da Turquia. O governo Russo desmente e afirma que seus aviões estavam em operação dentro do território Sírio a um quilometro da fronteira da Turquia. Segundo informações divulgadas hoje pelo governo Turco, haviam dois bombardeiros Russos seguindo um rumo direto para o território Turco. Um dos aviões teria atendido aos avisos da força aérea da Turquia e dado meia volta, o segundo avião teria seguido em frente e foi consequentemente, abatido. Os dois pilotos Russos conseguiram ejetar, mas foram alvejados por rebeldes Turcos terminando com a morte de um dos pilotos. O segundo piloto foi resgatado por soldados Sírios e levado a uma base militar Russa. No mesmo incidente, dois helicópteros Russos que faziam as buscas pelos pilotos do avião derrubado, foram atacados pelos mesmos rebeldes apoiados pelos Turcos. Um soldado Russo morreu no ataque. Os EUA afirmaram que o avião Russo entrou no espaço aéreo Turco, mas foi abatido quando ja sobrevoava a Síria. O avião Russo teria permanecido no espaço aéreo Turco por 17 segundos. A area da fronteira onde os aviões Russos voavam possui um braço territorial que entra dentro do mapa do território Sírio (veja no mapa abaixo) onde não é difícil cometer o erro de atravessar a linha de fronteira entre os dois países. O governo Russo reagiu imediatamente após o incidente e em pronunciamento, o presidente Russo Vladimir Putin, terminou todas as colaborações militares com a Turquia além de cancelar uma visita programada para esta semana ao país. A Russia também cortou o fornecimento de gás para o país que representa 20% do consumo Turco. Putin prometeu mais retaliações nos próximos dias.

Para fazermos uma analise justa sobre o incidente e suas possíveis consequências, é importante considerarmos algumas regras fundamentais que regem as relações internacionais. A primeira regra importante e não declarada é que, nas relações internacionais, as pessoas, os povos, e o bem estar dos civis são totalmente irrelevantes. O que importa nas relações internacionais são os interesses de cada país, que nem sempre representam os interesses do povo. Essa é uma regra informal e que jamais sera declarada ou confirmada por qualquer país. Evidencias dessa realidade são o numero de civis vitimas de guerras ou de acordos econômicos. Se os civis fossem o centro das atenções nas relações internacionais jamais se permitiria que 100 milhões de pessoas morressem na segunda guerra mundial por exemplo. A segunda regra importante é o cumprimento das leis internacionais que mesmo sendo ignoradas, fazem parte do jogo de acusações e pode ser usado como evidencia em tribunais internacionais como a ICC – International Criminal Court – ou a ICJ – International Court of Justice.

A decisão do governo Turco de derrubar um avião de guerra Russo surpreendeu até mesmo seus maiores aliados da OTAN. As circunstancias nas quais o incidente ocorreu e os acontecimentos logo após a queda do avião, deixou perplexos especialistas em relações internacionais do mundo inteiro. Os motivos por trás desse incidente tem  sido alvo de especulações. A Turquia é membro da OTAN, e é difícil imaginar que esta decisão tenha sido tomada apenas pelo presidente e o Ministro da defesa Turco. As regras para esse tipo de ação também parecem ter sido ignoradas. Segundo as Leis internacionais, todo país tem direito a defender seu território, mas isso não justifica a ação em si, ja que a Turquia mantinha boas relações com a Russia até os incidentes desta semana. Além disso, não havia nenhuma evidencia de que a Russia estaria atacando o país mas sim, apenas invadido seu espaço aéreo. A invasão do espaço aéreo de um país é considerado um sério incidente diplomático. A Turquia ja havia avisado o governo Russo de outros incidentes parecidos na mesma região e estes problemas certamente seriam debatidos na visita do presidente Russo a Turquia que estava programada para acontecer apenas um dia após a queda do avião Russo. O encontro foi cancelado imediatamente após o ocorrido. O piloto Russo que sobreviveu ao ataque, disse a mídia que não recebeu nenhum aviso sobre o ataque. O governo turco disse ter avisado o piloto 10 vezes antes do ataque. Segundo as Leis internacionais, um país pode derrubar um avião invasor se o mesmo se sentir ameaçado mas, derrubar um avião deve ser sempre o ultimo recurso. Antes disso, uma serie de procedimento devem ser esgotados antes da decisão de abater um avião invasor. Se o contato pelo radio for ignorado, os aviões da força aérea Turca deveriam ter voado ao lado da cabine do piloto do avião Russo para tentarem contato visual. Se este contato também for ignorado, alguns disparos de aviso cruzando a frente do avião invasor é o alerta final indicando que todos os avisos foram esgotados. Somente então, uma ordem do comando geral da força aérea Turca, juntamente com o presidente do país, devem tomar a decisão e dar a ordem para a derrubar o avião invasor ou apenas escolta-lo. Segundo informações do governo Turco e das autoridades Americanas, apenas o contato via radio foi exercido. O fato de que o avião  Russo teria permanecido em território Turco por apenas 17 segundos, pode ser a explicação para o problema. Mas, sera que a Turquia deveria ter derrubado o avião Russo por permanecer apenas 17 segundos em seu território? As autoridades Americanas também falaram que no momento em que o avião Russo foi abatido, este, ja estava em território Sírio. Se isso for comprovado, a Turquia pode ser acusada de cometer um crime de guerra. De qualquer forma, é difícil encontrar justificativas para a ação Turca.

Outro ponto que vem sendo especulado por especialistas, é a questão de que a Russia estava atacando rebeldes próximo a fronteira da Turquia. Porém, estes rebeldes, também conhecidos como “Tuksmen”, formados por rebeldes Sírios com descendência Turca, estão sendo apoiados, orientados e armados pelo governo Turco e a OTAN para lutarem contra o governo de Assad. O Ocidente classifica estes rebeldes de moderados. Mas esta moderação foi questionada e posta a provas depois que os mesmos rebeldes atacaram os pilotos do avião russo quando ainda estavam no ar em seus para-quedas. Um dos pilotos foi fatalmente ferido. O ataque aos pilotos Russos ainda em seus para-quedas, fere a convenção de Genebra de 1949 que proíbe ataques a pilotos e tripulantes em paraquedas que tenham sido ejetados de seus aviões. Logo após este incidente, os rebeldes ainda atacaram dois helicópteros Russos que tentavam resgatar os pilotos do avião derrubado, destruindo uma das aeronaves e matando mais um soldado Russo. Toda a ação dos rebeldes foi filmada e publicada nas redes sociais. O presidente Turco havia pedido ao governo Russo para não atacar os rebeldes próximo a fronteira com a Turquia dias antes do incidente. Talvez, a queda do avião Russo tenha sido uma retalhação pelos ataques Russos aos rebeldes apoiados pela OTAN. Se esse for o caso, a Russia pode responder com a intensificação de suas ações militares na fronteira com a Turquia pondo ainda mais risco numa possível confrontação entre a Russia e a OTAN.

Apenas um dia depois do ataque Turco ao avião Russo, o presidente Vladimir Putin enviou um navio de guerra para o local, para proteger suas aeronaves contra qualquer futuro ataque. Equipamentos terrestres com armamento anti-aéreo como o S-400 Defense Missile System, também foram enviados para local. O ataque Turco pode ter aberto as portas para o governo Sírio passar a usar a mesma estratégia de intervenção contra aviões que invadirem seu espaço aéreo. A Russia é o único país autorizado a usar o espaço aéreo Sírio, apesar da França e dos EUA estarem usando o espaço aéreo Sírio constantemente sem permissão, para atacar posições do Estado Islâmico no país. O Parlamento Britânico pode votar ainda esta semana uma resolução que autorizaria o Primeiro Ministro David Cameron, a se juntar as forças da OTAN na região. Qual seria a reação do Ocidente caso a Síria ataque aviões que invadirem seu espaço aéreo usando a mesma premissa da Turquia? A Síria, assim como a Turquia, é membro da ONU e segue as mesmas Leis Internacionais que dão direito de proteção do seu espaço aéreo soberano. Antes do incidente com o avião Russo, a derrubada de um avião Frances ou Americano pelo governo Sírio seria visto pelo mundo como uma grave provocação e que certamente teria retaliações militares . Mas, o ataque Turco pode ter aberto as portas para justificar esse tipo de retaliação, elevando ainda mais, os riscos do confronto entre a Russia e a OTAN.

A invasão de territórios nacionais por aviões militares de outros países não é uma pratica rara. Aviões miitares Russos invadem o espaço aéreo Britânico em média 5 vezes ao ano. Em todos os casos a diplomacia é acionada para lidar com a situação. O embaixador Russo em Londres ja foi chamado várias vezes para dar esclarecimentos, mas em nenhuma ocasião houve risco de ataque, porque o governo Britânico não vê uma ameaça eminente de um ataque Russo em solo Britânico. Os motivos para a Turquia decidir derrubar um avião de guerra Russo sem antes seguir os meios diplomáticos, continua sendo um mistério. Aviões da OTAN também sobrevoam as fronteiras da Russia regularmente. Nos últimos 5 anos uma média de 3 mil vôos da OTAN foram interceptados por caças Russos. Arriscar uma escalada de um conflito com a Russia parece ter sido uma ação na qual a Turquia pode se arrepender num futuro próximo, mas certamente todos riscos foram meticulosamente calculados por se tratar de um membro da OTAN. As consequências de ações como esta, podem sair do controle e se transformar num conflito entre o Ocidente e o Oriente podendo arrastar outras grandes potências como a China. Em Moscou, milhares de nacionalistas Russos protestaram em frente a embaixada da Turquia. Todos os vidros do edifício foram quebrados por pedras lançadas pelos manifestantes. Alguns cartazes traziam frases como: “A Russia não esquece, a Russia não perdoa”.

A gravidade da situação chegou a tal ponto que especialistas afiram que o Estado Islâmico deixou de ser a prioridade ou o motivo central do conflito na Síria. A prioridade pode ter passado a ser uma questão de hegemonia e controle na região entre o Ocidente e a Russia. Isso seria uma escalada monumental e extremamente preocupante, considerando que a poucos dias a Russia estava disposta a unir forças com a OTAN para combater o Estado Islâmico. Uma possível entrada da China nesse conflito seria ainda mais desastroso para o mundo inteiro. Os jornais Britânicos refletiram a tensão do momento com chamadas de capa dizendo: “O Mundo segura a respiração” e, “O Mundo A Beira da calamidade”. Tudo irá depender das próximas ações do governo Russo que ja deu algumas pistas do que esta por vir, com o envio de equipamentos de guerra pesada para o local. Uma agressão Russa contra a Turquia irá obrigar uma resposta da OTAN, e se isso acontecer, ninguém mais terá o controle da situação e o planeta pode voltar a viver uma situação parecida com a crise dos mísseis Cubanos em 1962, onde o mundo esteve a um passo da total destruição nuclear.

De fato, o mundo evoluiu muito de la pra ca. As relações internacionais se aproximaram e a interdependência causada pela globalização diminuiu os possíveis ganhos de uma guerra entre grandes potências. Mas, os riscos ainda existem porque os armamentos nucleares continuam ativos ao redor do mundo. A possibilidade de um conflito armado evoluir para uma guerra nuclear é mínimo, mas o risco existe. A comunidade internacional não pode aceitar que países como a Turquia sejam capazes de provocar a escalada de um conflito local em um conflito mundial. Os Russo são famosos provocadores assim como os Americanos, mas ambos os países conhecem bem seus limites e raramente permitem que provocações saiam do controle diplomático. A Turquia, com uma ação desnecessária e potencialmente desastrosa, pode ter forçado o Urso Siberiano a retaliar com força militar exemplar para garantir o apoio dos nacionalistas em Moscou.  O ideal nesse momento é fazer os dois países se sentarem na mesa diplomática e procurar uma solução que restaure o orgulho ferido dos Russos sem a necessidade de ações militares. Mas o ego ferido dos Russos é uma situação difícil de lidar além de ser imprevisível. Os diplomatas terão uma semana importante pela frente. Para a Russia, a Turquia se transformou em uma grande pedra nos sapatos. O urso siberiano foi humilhado perante o mundo. Aconteça o que acontecer, os dois países não podem entrar em confronto aberto. Um conflito entre a Russia e a Turquia certamente iniciaria uma nova guerra mundial que inevitavelmente, traria consequências desastrosas para todo o mundo. O jeito é esperar pelo melhor.12274211_1078181602215894_2874177884885509496_n

O Papel(ão) Da Mídia Na Cobertura Dos Recentes Eventos Mundiais

By: Michaell Lange,

London, 16/11/15 –

A grande mídia internacional, infelizmente virou um movimento uniforme de propagação de uma visão única, talvez, numa ação combinada pelos principais meios de comunicação e seguido a risca pelo restante da mídia mundial. Com exceção de alguns canais de TV como a RT America e Al Jazeera English, a maioria ignorou totalmente, princípios básicos do jornalismo. A investigação, o questionamento e o debate, foram substituídos pela norma comum da mentalidade Ocidental. Uniram-se todos em solidariedade as vitimas e contra os terroristas, ignorando quase por completo, o importantíssimo fator histórico necessário para o entendimento do quem vem acontecendo no mundo desde o 11 Setembro de 2001. Ja naquela época, a mídia mundial se uniu em torno de uma grande invenção de fatos para justificar a invasão do Iraque sem o menor interesse investigativo. Promoveu-se a propaganda e tomou-se como verdade absoluta, tudo que estava sendo falado pelo Governo Americano e Britânico sobre as evidências apresentadas como provas concretas de que o Iraque possuía armas de destruição em massa, algo que hoje sabemos se tratar de uma grande mentira. Esse fenômeno da mídia mundial foi tema de vários documentários como o The War You Don’t See, do jornalista Australiano John Pilger. A cobertura feita pela mídia mundial sobre os ataques desta Sexta Feira (13) em Paris, evidenciou que o comportamento da mídia nunca mudou. Os meios de comunicação perderam a vontade de investigar a fundo as causas dos ataques, e questionar os governos envolvidos sobre suas responsabilidades a respeito dos ataques.

Vários meios de comunicação, desde Sexta-Feira incluindo Sky News, Channel 4, Channel 5, BBC, Al Jazeera, RT América, LBC Radio, BBC Radio 4, e Reuters, deram a impressão de que todos, estão recebendo as noticias da mesma fonte e publicando sem modificação. Os termos, as histórias, o senso de nós e eles, a mentalidade de que a Europa é totalmente inocente e ninguém entende porque estão sendo atacados de forma tão brutal. Algumas histórias chegam a beirar o ridículo. As redes sociais tem apresentado debates infinitamente mais interessantes sobre as causas e consequências do que aconteceu. A outra mídia, preferiu a narração. Mesmo no Brasil, durante todo o final de semana nas redes sociais, questionou-se a facilidade do Brasileiro de se comover com tragédias em outros países e nem tanto com tragédias em solo tupiniquim. Tivemos jornalistas chorando ao vivo com os ataques em Paris e que não se comoveram com a tragédia humana e ambiental em Minas Gerais. Ninguém questionou o Presidente Frances sobre os bombardeios diários feito pelo exército do país desde Setembro na Síria, que é um país soberano e membro da ONU. Justificam os ataques por conta da presença do Estado islâmico naquele país. Mas, quando um país bombardeia outro país sem a permissão do governo do país que esta sendo bombardeado, isso é um crime de guerra. Sabemos agora que o Estado Islâmico tem base na Bélgica, e nem por isso a França mandou seus aviões bombardearem o país vizinho. François Hollande classificou os ataques em Paris como “uma ação covarde pois, atirar em pessoas desarmadas e inocentes é um ato covarde”. É claro que foi um ato covarde, mas é difícil entender qual é a diferença entre a covardia de atirar em uma pessoa inocente e desarmada, e a covardia de um ataque feito por um avião de guerra Dassault Rafale, a uma vizinhança desarmada e inocente na Síria. A mídia não faz nenhuma questão de perguntar. O presidente Frances também declarou mais uma vez, que a França esta em guerra. Em guerra contra quem? Contra o Estado Islâmico ou contra o povo Sírio? Qual é o objetivo de usar o poder militar Frances para atacar uma entidade sem endereço? Outros dois fatores que precisam ser apurados são: A questão ideológica e a questão tecnológica destes conflitos. Será que a questão tecnológica das bombas e inteligência são capazes de vencer a questão ideológica? Será que o uso da precisão militar pode destruir a ideologia presente na mente humana? Ou será que a agressão apenas reforça o poder ideológico promovido por grupos como o Estado Islâmico? A mídia falha de forma terrível ao ignorar estas questões.

Semanas antes dos ataques em Paris, dois atentados a bomba do Estado Islâmico a dois países Islâmicos, Turquia e Líbano, matou dezenas de pessoas inocentes, mas a mídia deu muito pouca importância. A mensagem da mídia parece dar diferentes valores a vida dependendo do país de origem das vitimas. A tragédia em Minas Gerais foi falada pela mídia Britânica, mas sem dar muita atenção. A própria mídia Brasileira não esta dando a devida atenção a essa tragédia. A impressão é a de que quando a Europa sofre um ataque, é sempre uma ação promovida por pessoas demoníacas, terroristas, covardes, e são. Mas, quando a Europa bombardeia e mata covardemente, centenas de inocentes, o mundo prefere rotular de, legitima defesa. Quando os EUA atacou um hospital da Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão que deixou trinta mortos, Obama pediu desculpas e o assunto morreu. Ninguém se atreveu a questionar se um pedido de desculpa para um claro crime de guerra, era suficiente ou no mínimo inapropriado, considerando a gravidade do ataque. O assunto foi esquecido e a atenção da audiência foi desviada para algo sem muita importância como, crianças Sírias morrendo afogadas no mediterrâneo. Não é possível que lideres mundiais como Obama, David Cameron, François Hollande e Putin, possam falar livremente em liberdade, democracia, justiça e Liberté, igualité e fraternité, sem serem questionados sobre suas ações militares em países soberanos. Isso simplesmente não faz nenhum sentido. É como assistir ao PCC e o CV falarem em justiça e segurança e as pessoas aceitarem sem questionamentos. O governo Frances não foi vitima dos ataques em Paris. As vitimas foram os Franceses e pessoas de outras nações que perderam a vida por causa das ações governamentais que a mídia prefere ignorar.

A mídia tem um papel fundamental no processo de justiça social, na manutenção da democracia e das liberdades civis. O comportamento apresentado pelos meios de comunicação após os eventos em Paris são inaceitáveis. Devemos nos perguntar se vale a pena compartilhar esse comportamento ou fazermos algo para mudar, para demonstrar que nós não estamos satisfeitos com o trabalho apresentado por eles. Devemos questionar o que é possível aprender com estes eventos ao invés de ouvir dos nossos lideres apenas uma vontade de se vingar com o uso ainda mais indiscriminado de bombas. A quanto tempo as bombas ja provaram que não resolvem nada? Devemos nos perguntar por que apenas os EUA,a França e o Reino Unido são os principais alvos do Estado Islâmico e de outros grupos terroristas? Será que é porque justamente estes países são os principais responsáveis pela destruição da Síria, Líbia, Iraque e Afeganistão, deixando um vácuo de poder agora ocupado pelo Estado Islâmico? Por que a Alemanha, que nunca se envolveu nos conflitos do Oriente Médio e abriu as portas para 1 milhão de refugiados Sírios, nunca foi vitima do terrorismo do estado Islâmico? Será que poderíamos aprender alguma coisa com o exemplo Alemão? Por que a mídia se recusa a promover este debate? Quem sabe, as redes sociais devam ocupar esse vácuo deixado pela outra mídia? Estes são questionamentos que precisamos fazer para que nossos direitos e nossas liberdades continuem sendo respeitadas pelos governos ao redor do mundo porque a Síria de hoje, pode muito bem, ser o Brasil de amanhã.

Paris: Ataque Terrorista ou Apenas Guerra?

By: Michaell Lange,

London, 14/11/15 –

Não existe justificativas para o assassinato de pessoas inocentes. Os ataques em Paris voltam a ser noticia no mundo, mas mais uma vez, somos induzidos a acreditar numa causa simples, um “ataque terrorista”. O rotulo “terrorismo” livra quase de imediato, qualquer responsabilidade do governo nesse tipo de atrocidade. São terroristas! Logo, somos todos vitimas inocentes, incluindo o governo, incluindo o presidente. Não existe questionamentos com relação a guerra contra o terrorismo que segundo seu criador, George W Bush, faria do mundo, um lugar mais seguro para se viver. Devemos nos perguntar se o mundo realmente esta mais seguro depois da guerra contra o terrorismo ter sido declarada após os ataques de 11 de Setembro de 2001 nos EUA. Devemos nos perguntar se as estratégias de guerra usadas pelos governos do Ocidente através da OTAN, tem sido eficazes, ou se estão exacerbando o problema. Os governos do Ocidente, envolvidos em ações militares no Oriente Médio e no Norte da Africa, precisam ser questionados sobre as consequências dos seus atos. França, EUA e o Reino Unido, declaram guerra contra o Estado Islâmico. Se estamos em guerra, de acordo com as leis internacionais, as atrocidades de ontem em Paris, não são ações terroristas, mas um contra ataque de uma entidade na qual a França esta em guerra. Nesse caso, os ataques do Estado Islâmico em Paris, não são diferentes dos ataques do Japão a Pearl Harbour ou os Ataques Nazistas em Londres durante a segunda guerra mundial. Claro que os governos da França, EUA e Reino Unido, preferem a idéia do terrorismo porque o terrorismo é injustificável, mas um ataque entres duas entidades em guerra faz parte da guerra. Os mortos em Paris na noite de ontem não seriam vitimas de terrorismo mas sim, vitimas de uma guerra declarada pelo governo Frances. Nesse caso isso teria dimensões inimagináveis no que se refere as responsabilidades do governo Frances com a segurança de seus cidadãos. Se a situação atual fosse vista como uma guerra, François Hollande estaria em sérios apuros.

Por tanto, a idéia do terrorismo é muito mais conveniente para os governos do Ocidente, mesmo que isso não diminua suas responsabilidades com a segurança dos seus cidadãos. Mas, por ser considerada uma ação terrorista, a mídia promove uma imagem de indignação e solidariedade com as vitimas ao invés de questionar o presidente da França sobre sua responsabilidade pelas mortes de cidadãos Franceses nas ruas de Paris. É evidente que o Ocidente esta em guerra. A França, os EUA e o Reino Unido, estão bombardeando o Iraque, o Afeganistão e a Síria todos os dias. Mais recentemente a Russia entrou na guerra para defender o governo Sírio a convite do presidente da Síria, que é um aliado Russo de longa data. A queda do avião Russo no Sinai a poucas semanas, pode ter sido também, mais um ataque de guerra que esta sendo considerado um ataque terrorista. Apenas nos últimos 16 meses, 15 mil civis Iraquianos foram mortos por bombardeios de aviões e Drones na guerra contra o Estado Islâmico, segundo levantamento de agencias humanitárias internacionais. Outras três milhões de pessoas foram desalojadas. A guerra na Síria ja matou 230 mil pessoas. Ao menos 4 milhões de refugiados Sírios ja deixaram o país.

O Presidente Frances declarou os ataques em Paris, um ato de guerra. Exatamente por ser um ato de guerra que isso faz dele, parte-responsável pelas mortes de inocentes nas ruas de Paris. A morte de milhares de inocentes em países do Oriente Médio tem repercução direta nos ataques e na insegurança de alguns países da Europa e EUA. Estes mesmos países, são acusados de crimes de guerra por instituições Ocidentais e pela própria ONU. As evidencias são numerosas. Ataques com drones em países soberanos é em si um ato de guerra. Vale lembrar que a guerra foi declarada contra uma entidade sem base fixa ou território ou seja, o inimigo é o Estado Islâmico e não o Iraque e a Síria. Por tanto, a morte de cidadãos Sírios, Iraquianos e Afegãos pelo exercito dos EUA, França e reino Unido são considerados um crime de guerra. Mais que isso, os ataques de drones estão matando civis inocentes em países membros da ONU. O ataque a um hospital da organização internacional Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão em Outubro desse ano, deixou mais de 30 mortos. Segundo as leis internacionais, ataques a hospitais são considerados crime de guerra. Segundo a diretoria do MSF, as coordenadas exatas de todos os hospitais operados pela instituição são passadas para todas as forças militares com ações na região. Os EUA sabia exatamente onde estava o hospital e mesmo assim decidiu prosseguir o ataque.

Um grande numero de pilotos de Drones estão deixando o serviço militar por conta do crescente numero de inocentes mortos pelos bombardeios. Brandon Bryant, ex-operador de drones do exercito Americano, conta que viu homens, mulheres e crianças morrerem. O Americano relembra um ataque que ele não consegue esquecer que aconteceu quando operava um drone que investigava uma pequena cabana feita de barro, que servia como abrigo para cabras. Quando recebeu a ordem de atirar, Bryant disse que colocou a mira a laser no meio da cabana e seu colega apertou o botão do controle que fez o drone disparar um míssel no Afeganistão, 6.250 milhas de distância da sua base militar nos EUA. Bryant conta que o míssel levaria 16 segundos para o impacto. Faltando 7 segundos ele observava qualquer possibilidade de civis próximo do local e desviar o míssel, mas com 3 segundos do impacto, Bryant disse que uma criança apareceu ao lado da cabana. Era tarde demais, a cabana foi destruída e a criança desapareceu. Ações como essa são normais e ocorrem todos os dias, disse o ex-militar em entrevista ao site Truth Alliance Network.

As barbáries do Estado Islâmico são inegáveis. Não ha duvidas de que o Estado Islâmico precisa ser parado. Mas como destruir um inimigo que não tem base fixa? O Estado Islâmico esta infiltrado em quase todo o Oriente Médio e em quase toda a Europa. A França ja identificou alguns dos envolvidos nos ataques de ontem como sendo cidadãos Franceses orientados por militantes fora do país. É possível que os ataques desta Sexta Feira tenham sido em retaliação a morte do chamado Jihadi John, um cidadão Britânico que aparece em vários videos decapitando cidadãos Americanos e Europeus, apenas um dia antes dos ataques em Paris.

Por mais chocantes que tenham sido as mortes nas ruas de Paris, é importante lembrarmos que as ações do Ocidente em países do Norte da Africa e Oriente Médio, são de uma magnitude muito superior ao que se viu ontem em Paris, seja em números de inocentes mortos ou força militar. Os Estado Islâmico depende de pessoas dispostas a morrer em ataques suicidas. As forças militares Ocidentais possuem os mais avançados sistemas de guerra do mundo. Mesmo assim, foram incapazes de impedir ataques como o de ontem na França. É notório que a mentalidade Ocidental de resolver problemas com bombas, é uma estratégia falha. É importante ser considerado também que, a situação chegou a um ponto em que a diplomacia ja deixou de ser uma opção possível. “É muito mais difícil tentar ser meu amigo depois que você exterminou minha família”. A solução possível no momento, seria talvez, encontrar uma forma de bloquear o fornecimento de armas, munição, alimento e veículos usado pelo Estado Islâmico. Estimativas acreditam que o Estado Islâmico tenham 40 mil soldados. Alguém esta financiando esse exército. Fotos divulgadas nas redes sociais, mostram soldados do Estado islâmico em dezenas de pickups modelo Toyota Hilux, adaptadas com metralhadoras anti-aéreas. Estes veículos não são fabricados no Iraque, Síria ou Afeganistão. Por tanto, qual a origem destes veículos? Quem fez a importação? Quem vendeu? Quem pagou? como pagou? São perguntas importantes que precisam de respostas. Alguns veículos de comunicação do próprio Oriente Médio, acusam a Arabia Saudita de ser o principal financiador do Estado Islâmico. A Arabia Saudita é considerado um importante aliado pelos Britânicos, e seu líder costuma ser hóspede da Rainha no Buckingham Palace em Londres. Para acabar com as mortes de inocentes nas ruas da Europa e EUA, é extremamente importante que o Ocidente ponha um fim nos bombardeios e mortes de inocentes no Oriente Médio e adote uma estratégia que inclua o desenvolvimento dos países da região juntamente com o fim dos financiamentos de grupos rebeldes como o Estado Islâmico. Essa guerra é impossível de ser vencida com bombas. Se os governos do Ocidente continuarem sua campanha militar sem um plano claro para o futuro da região, o mundo continuara sendo um lugar menos seguro do que costumava ser antes do 11/09. A Europa esta pagando um preço alto pela incompetência de seus governantes e enquanto a estratégia continuar sendo a de bombardear tudo e todos, os cidadãos Europeus continuarão a morrer em episódios lamentáveis como o desta semana em Paris. O mundo é um lugar menos seguro para se viver.