O SUS BRASILEIRO E O SUS BRITÂNICO

By: Michaell Lange.

London,16/07/17 –

 

Na ultima Sexta Feira (14), comemoramos a chegada do nosso segundo filho, Líam. Escolhemos o Chelsea and Westminster Hospital no Sudoeste de Londres, o mesmo hospital onde nosso primeiro filho, Thomas, nasceu. Nossa segunda gravides nos colocou novamente em estreito contato com o NHS – National Health Service – o SUS Britânico.  Mesmo sob seguidos cortes orçamentários promovido pelo governo desde a crise de 2008, o NHS ainda consegue promover um serviço de excelência e totalmente gratuito. É importante porém, que fique claro que o termo “totalmente gratuito” significa apenas que o contribuinte não precisa pagar duas vezes pelo serviço como acontece no Brasil e nos EUA. No Reino Unido os impostos são reinvestidos em benefícios sociais. Afinal, qual seria a justificativa de se pagar impostos se não a de beneficiar a sociedade?

É difício para mim entender o termo “governo paternalista”. Esse termo é muito usado no Brasil para criticar os benefícios sociais raramente promovidos pelo governo, como se receber nossos impostos de volta fosse um crime ou uma espécie de pecado capital. O governo de um país não precisa ser paternalista, ele tem a obrigação de ser paternalista! O governo Escocês por exemplo, usa os impostos para financiar 100% da educação dos escoceses até a sua formação profissional universitária. Na Escócia, ninguém paga por medicamentos! Uma vez receitado pelo médico, é só passar na farmácia e retirar sua medicação sem qualquer cobrança. Por que isso deveria ser criticado de paternalismo? A democracia Socialista tem sido desde de 1945, o melhor sistema econômico e social ja implantado no mundo, porque beneficia a sociedade dando ao mesmo tempo, liberdade para o desenvolvimento econômico. A Alemanha, a Escandinávia e o próprio projeto da União Européia são os maiores exemplos do sucesso do sistema democrático socialista. Estes mesmos países detém hoje os maiores superávits do mundo. São os investimentos promovidos com a arrecadação dos impostos que dão suporte ao desenvolvimento econômico. A formação de bons profissionais e uma população saudável e bem formada são fatores essenciais ao desenvolvimento econômico.

A segunda gravidez da minha esposa teve complicações e riscos. Foi preciso inúmeras visitas ao hospital, incontáveis reuniões com os médicos para discutir os riscos, além de uma bateria de exames incluindo Ressonância Magnética e alguns dias de internação. A decisão final foi tomada em conjunto com uma equipe médica de 10 profissionais que decidiram a forma mais segura para o parto. Faríamos uma cesária na trigésima sétima semana de gestação com um time completo de médicos dentro da sala de operação com equipamentos em mãos para o pior dos casos. Nunca e em nenhum momento se falou em dinheiro ou plano de saúde privado. A prioridade foi, desde o início do processo, a vida da minha esposa e a do bebe. E afinal de contas, por que num momento tão delicado de nossas vidas deveríamos nos preocupar com dinheiro? Afinal, para que serve nossos impostos? Na última reunião com o médico chefe da equipe, ao perceber nosso medo diante dos riscos, foi taxativo. Olhando direto para minha esposa, disse: “fique tranquila, não deixaremos que nada de errado aconteça com você!”. Foi como tirar um caminhão das costas.

A cada experiência eu imaginava como seria no Brasil. A distancia do hospital, a precariedade dos equipamentos, a falta de médicos, a demora para fazer exames. Preocupações que nunca tivemos aqui. Em um raio de dez quilômetros temos cinco grandes hospitais incluindo o maior centro de atendimento de emergências do mundo com quatrocentos profissionais e a menos de dois quilômetros de distância da nossa casa. É claro que muita gente prefere dizer que não há comparações entre o SUS Brasileiro e o SUS Britânico (NHS), mas na verdade os fundamentos são muito semelhantes. De fato, o SUS Brasileiro teve como inspiração (especula-se), o SUS Britânico. O que realmente difere os dois SUSs são as prioridades, e a competência de gestão. Não cabe ao meu ver, a desculpa que os recursos Brasileiros são limitados. Essa é uma grande mentira promovida a décadas pelo governo Brasileiro e que pouco incomoda a classe média alta porque esta, tem condições de pagar o plano privado. Não faltam recursos no Brasil pra investimento em todas as areas sociais. Falta sim, seriedade, comprometimento, competência e punição severa para políticos corruptos. O governo Brasileiro esta sob o controle do crime organizado. São traficantes de droga, estelionatários e corruptos que desviam os recursos que deveriam ser usados em benefício social da população Brasileira e acabam em contas bancárias mundo a fora. Esse crime organizado controla tudo no país, desde a policia, o sistema judiciário e todos os repasses de verbas públicas. O rombo causado por esse crime esta estampado em todos os lugares e no próprio rosto dos Brasileiros, cansados de apanhar. O povo Brasileiro, pobre, judiado, explorado e achincalhado, ainda é convencido de que benefícios sociais como os direitos trabalhistas, são os culpados pelos baixos salários e fraco desempenho da economia. Ora senhores, fiquem sabendo que no Reino Unido a demissão de funcionário é ilegal! Uma vez contratado, existem situações limitadas nas quais a Lei permite a demissão. Mesmo um funcionário pego roubando precisa ser alertado e posto em suspensão antes de ser demitido. No Brasil o patrão literalmente caga (perdoe-me o palavrão) na cabeça do funcionário com total convicção da impunidade. No Reino Unido, país tido como Neoliberal (mentira, é um sistema parlamentar social democrata), o funcionário tem direitos e não pode ser humilhado, achincalhado ou demitido por mera vontade do patrão.

O Brasil tem condições de sobra para ter um sistema de Saúde pública melhor que o sistema de Saúde pública Britânico. Falta para o Brasileiro entender que o governo hoje, esta nas mãos dos piores bandidos do país, e são exatamente estes bandidos e não os trabalhadores, os grandes responsáveis pelo sofrimento e miséria do povo Brasileiro. O governo Brasileiro precisa cair por inteiro e ser reconstituído por um novo sistema político que anule o gargalo do repasse de verbas e o totalitarismo de Brasilia. E isso só irá acontecer no dia em que o povo for a luta e arrancar estes bandidos do poder a força se for preciso. Enquanto Brasilia continuar existindo, a saúde do povo Brasileiro continuará em segundo plano…

 

 

A CARNE NÃO É FRACA, A CARNE É PODRE! (crítica)

By: Michaell Lange, (crítica)

London, 20/03/17 –

Cazuza e Renato Russo cantavam nos anos 80, “Que país é esse?” “Brasil, mostra a tua cara!”. O povo cantou e canta até hoje as musicas que denunciavam nossa falta de bom senso e nosso descaso com o Brasil. Mas, por alguma razão, não percebemos que estas musicas falavam sobre a gravidade da nossa negligência com nossa própria sociedade. Ignoramos nossa própria ignorância, mas acreditamos no futuro do Brasil. Queremos o fim da corrupção, mas não respeitamos a Constituição. De fato, nem conhecemos a Constituição. A mascara do Brasil vai caindo a cada escândalo, denunciando a corrupção e o descaso não apenas dos políticos, mas dos empresários, empresas e cidadãos. São todos culpados do Brasil ser o que o Brasil é hoje. Mas invés de vergonha, o sentimento é de desleixo. A indignação é tão pouca que é insuficiente até para um único final de semana de boicote a carne. Inventamos logo uma desculpa para justificar o churrasco e nos deixamos levar pela passividade típica do nosso povo. Aceitamos nossa condição de viver na lama e fazemos piadas do nosso lamaçal. “Da lama ao caos, do caos à lama, um homem roubado nunca se engana”, dizia chico Science. A letra é em bom Português, mas parece entrar codificado nos ouvidos tupiniquins. Ninguém recebe a mensagem eminente. É como o alarme de incêndio que perde a importância depois de ser acionado por acidente várias vezes e ninguém evacua o prédio quando ele pega fogo de verdade.

A Policia Federal agora é criticada por “colocar a economia Brasileira em risco”. Denunciam a PF por expôr um problema grave e com décadas de idade por supostos interesses Americanos. Ninguém seria tolo o suficiente de duvidar que o os Americanos estão infiltrados em todos os setores da economia e da sociedade Brasileira. Mas a culpa da carne Brasileira ser uma das piores do mundo não é dos Americanos e nem da Policia Federal. A responsabilidade do lixo consumido no Brasil é dos empresários Brasileiros e do consumidor que aceita estas condições. A Russia e os EUA não podem ser responsabillizados por se negarem a comer o lixo produzido pelo Brasil. Se o Brasileiro aceita essa condição, então, assuma também as suas consequências. Agora, empresários e corporações como a Sadia, Perdigão, Ceara, Friboi, entre outras, que são responsáveis por milhares de trabalhadores, precisam ser responsabilizados por colocar a economia Brasileira em risco e infringir as Lei Brasileiras. Em qualquer país sérios, eles perderiam a licença para produzir alimentos.

Mas, essa negligência não é jovem. Quando trabalhei no Brasil em meados de 1998/99, e viajava todo o estado de Santa Catarina e Paraná, era comum ver caminhões abarrotados de animais vivos como porcos, bois e frangos, estacionados sob sol escaldante de 30/35 graus, enquanto o motorista almoçava ou dormia após o almoço. Era triste de ver o sofrimento destes animais sem água ou comida, agonizando sob o sol forte. Fico imaginando quantos acabam sucumbindo ao transporte, e duvido que sejam descartados. O estado Brasileiro não apenas permite estes abusos como é negligente na sua fiscalização. A legislação Brasileira permite a criação de animais em condição de total confinamento. Essa prática é ilegal na Europa. Mas, o Brasil segue a legislação Americana que permite essa prática absurda além do uso de químicos comprovadamente cancerígenos para acelerar o crescimento e engorda dos animais. Na Europa o porco é criado solto como o gado, e o mesmo acontece com os frangos que são recolhidos no fim do dia e novamente soltos em campo aberto e apropriado na manhã seguinte. A negligência com o alimento vivo no Brasil não é nenhum segredo. O caso só veio a tona com tanta força agora porque a grande mídia deu a sua “benção”. Mas os videos de maus tratos com alimentos vivos e a má higiene no processamento de carnes e outros alimentos perecíveis é mais antigo do que a Constituição, e certamente mais antigo do que o YouTube.

Mas o Brasileiro aceita a condição. “Não tem mais jeito”, “Não vai mudar nunca”, dizem, sem perceber que essa atitude é a aceitação da condição de viver no caos da lama. O mais incrível é que o Brasileiro usa sua incrível capacidade de adaptação para encontrar conforto na lama ao invés de usa-la para sair dela. Quando perguntei no FaceBook se alguém deixaria de comer carne ao menos um final de semana, as respostas foram unanimas. Ninguém deixou de comer carne podre! Aceitamos a condição de nos alimentarmos com lixo, e criticamos ou denunciamos quem se recusa a fazer o mesmo.

É interessante a arrogância do Brasileiro. Certa vez arrumei uma briga feia com meus irmãos e meu pai porque chamei os Brasileiros de arrogantes. Meu pai chegou a sair da sala com raiva. Mas eu fico imaginando. Chamamos os Argentinos de porcos, arrogantes, sujos e encrenqueiros. Mas é exatamente o Brasileiro que polui e suja o mar, as praias e os rios do Brasil destruindo seu meio ambiente tão rico. É o Brasileiro que joga o lixo na rua e deixa as lixeiras vazias. É o Brasileiro que grita É CAMPEÃO antes mesmo do jogo começar. É o Brasileiro que cai na porrada por causa de uma partida de futebol, mas é incapaz de brigar por um país melhor. É o Brasileiro que tira onda do Reino Unido por ter assumido o lugar de quinta maior economia do mundo, mesmo que o povo esteja morrendo nas mãos de bandidos e políticos corruptos e o titulo de quinto lugar tenha durado menos de seis meses. E é o Brasileiro que não Ama o Brasil 10% do quanto o Argentino Ama a Argentina. E é o Argentino que é mundialmente reconhecido por ter a melhor qualidade de carne do mundo!

A verdade é que o Brasileiro não se importa se a cerveja é feita de milho, se a carne é podre, se o salgadinho pega fogo, se o whisky é falso, se o político é ladrão, se o pacote de arroz de 1kg na verdade tem só 750 gramas, se só Deus sabe o que tem dentro da linguiça. A verdade é que o Brasileiro aceita essa condição e é capaz de encontrar qualquer desculpa esfarrapada para justificar a situação. O Brasileiro continua comprando, comendo, votando e encontrando conforto na lama. Assim como um dependente químico, ninguém pode ajudar alguém quem não queira ser ajudado. A mudança só ocorre quando a decisão de mudar vem de quem deseja mudança. O Brasileiro precisa entender que ele, como indivíduo, precisa ser o instrumento dessa mudança. Sem a consciência de que o Brasil é feito pelo conjunto das atitudes diárias de cada Brasileiro, a carne continuará sendo podre!

 

 

A PONTE E O POVO BRASILEIRO: DUAS VÍTIMAS, UM ÚNICO CULPADO

By: Michaell Lange,

London, 14/01/17 –

O que há em comum entre o povo Brasileiro e a Ponte Hercílio Luz? Os dois são moribundos abandonados e explorados pelos mesmos aproveitadores. Os políticos Brasileiros tem sangue nas mãos! 

A Ponte Hercílio Luz, um dos ícones mais reconhecidos no Brasil, e o maior símbolo do estado de Santa Catarina, se tornou um exemplo nacional e clássico do descaso com o dinheiro público e da falta de compromisso dos políticos com o povo Brasileiro. É comum ouvir-se falar do orgulho de ser Brasileiro. Políticos recém eleitos ou em campanha eleitoral, são vistos de Norte a Sul do país esbravejando do alto dos seus palanques, todo o seu orgulho pela terra e pelo povo Brasileiro. Entre todos eles, 99.9% não passam de Urubus carniceiros, mercenários interessados apenas no que lhes beneficia pessoalmente. Não tem amor por ninguém a não ser por si mesmo! São os responsáveis pela injustiça e pela miséria do povo Brasileiro e ao mesmo tempo e inexplicavelmente amados pelos miseráveis.

A Ponte Hercílio Luz é a fotocópia do povo Brasileiro. Celebrada no nascimento, e abandonada à própria sorte logo no dia seguinte. A ponte abandonada, leva camuflada em suas barras de ferro, a promessa certa de ganhos futuros para os mesmos aproveitadores que a construíram. Afinal de contas, o povo é facilmente convencido de que um símbolo tão importante como a ponte, não pode cair aos pedaços. O que o povo não sabe, é que a reforma é eterna e cara, muito cara! Dessa mesma forma, celebrado e abandonado, o povo Brasileiro inicia sua jornada em direção ao fim da vida logo depois do seu nascimento. A Ponte segue o mesmo destino. Os dois morrerão prematuramente nas mãos da irresponsabilidade pública. Sem acesso a saúde, o Brasileiro vive menos. Sua vida útil, que lhe permite fazer atividades de lazer e trabalho, são reduzidas dramaticamente por falta de manutenção, limitando também assim, a sua contribuição social. A Ponte Hercílio Luz morreu aos 56 anos de idade. Nascida em 1926 e aposentada por invalidez em 1982. O financiamento da obra, obtido através de empréstimos de bancos Americanos, só foi pago em 1978 ou seja, 50 anos depois da sua inauguração e apenas 6 anos antes da sua inutilização. A Ponte Golden Gate, na cidade Americana de São Francisco, foi inaugurada em 1937, e 80 anos depois continua sendo 100% utilizada. O povo Americano, apesar de não ser o mais saudável do mundo, também vive mais do que o Brasileiro.

A falta de saúde adequada ao longo da vida, transforma aquele ser inicialmente celebrado e cheio de vida, em um moribundo humano, ou como no caso da Ponte, um fantasma devorador de verba pública! O moribundo deixa de ser um contribuinte nas questões sociais e/ou familiares. Suas idas e vindas aos hospitais o farão conhecido dos médicos, enfermeiros(as) e até dos seguranças. E mesmo assim, o risco de você morrer por falta de atendimento é altissimo. O art. 196 da Constituição Federal de 1988 declara a saúde como um direito de todos e um dever do estado. Mas o povo Brasileiro é hoje, uma carcaça abandonada pelo estado, deixada para os abutres e ao acaso da sorte. Se fossemos aplicar a Constituição Federal, todo ministro da Saúde ja tomaria posse de dentro da cadeia.

Essa realidade poderia ser muito diferente se os recursos públicos fossem gerenciados e administrado por patriotas e profissionais sérios. Ao contrario disso a situação decadente do povo e da ponte, são vistos pelos abutres como uma oportunidade para ganhar dinheiro e “se dar bem”. Sua aposentadoria precoce será impedida e roubada pelo governo. Batedores de carteira verão você como presa fácil. O estado deplorável da população será usado por profissionais da iniciativa privada para justificar o fornecimento de serviços emergenciais e superfaturados. Os administradores do bem público são pagos para deixar o sistema existir e se proliferar. Clínicas, farmácias, laboratórios, empresas de construção, conservação e manutenção, que só sobrevivem por conta dos seus contratos com o governo (são destes batedores de carteira que me refiro), são os responsáveis pela sangria do dinheiro público. Claro, tudo isso devidamente autorizado pelos políticos que você elegeu e comemorou feito um louco no dia da vitória.

Você também será usado a vida toda por grandes farmacêuticas e seus tratamentos médicos e vacinas (obrigatórias) porque obviamente, a cura de doenças não são tão lucrativas quanto os tratamentos. “Se você curar o doente ele vai embora e não volta mais. Se você trata-lo, ele irá voltar pelo resto da vida para buscar mais remédios”. E afinal de contas, para que construir uma ponte nova, se reforma-la em caráter emergencial por toda a eternidade é um negócio muito mais lucrativo? Lucrativo para os bandidos, obviamente. O povo fica apenas com a conta para pagar. Uma exigência do governo que você elegeu.

Um povo moribundo e desesperado, aceita qualquer coisa. O pastor vende a salvação em troca de tudo que você tem, e você compra na fé e na esperança de que seja verdade. Um Paliativo passa a ter a importância da cura para um doente terminal, cujo o comprimido trás o alívio momentâneo da dor. Em situação de emergência você faz o que tiver que ser feito, e paga o que precisa ser pago. Se a ponte cair, os políticos não se elegem. Se o paciente morrer, a farmácia perde o cliente. O povo precisa acordar porque o ladrão esta na cozinha da sua casa, e foi você que o convidou para entrar!!!

O crime contra o povo Brasileiro segue a sombra da justiça que se recusa a processar e julgar autoridades públicas responsáveis pelo descaso da saúde além das milhares de mortes por ano causadas diretamente pela falta de atendimento e de um sistema de saúde adequado quebrando os direitos básicos previstos no art.196 da Constituição Federal de 1988.

Segundo o Ministério Público de Contas de SC para o G1, nos seus 30 anos de reformas, a ponte Hercílio Luz ja consumiu R$563.5 milhões de Reais dos cofres públicos. Com o mesmo valor, o governo do estado de Santa Catarina poderia ter construído três pontes estaiadas aos moldes da ponte de Laguna. O governo da Bela e “Santa” Catarina, também poderia ter construído oito hospitais completos de qualidade internacional, para atender uma população total de 320 mil habitantes, incluindo 1 ano dos custos de operação. Na China, foi inaugurada este mês a ponte mais alta do mundo com um custo total de $144 milhões de Dólares e três anos para ser concluída. Com o mesmo valor gasto para manter a ponte Hercílio Luz de pé e inutilizada nos últimos 30 anos, o governo de “Santa” Catarina poderia ter construído a mesma ponte Chinesa em três anos e ainda sobraria $37 milhões de Dólares para fazer a sua manutenção adequada por décadas. Os políticos de Santa Catarina são da mesma categoria dos políticos do resto do Brasil. São eles que deveriam estar superlotando nossas cadeias.

Apesar do crime contra o patrimônio histórico, Artístico e arquitetônico do município de Florianópolis (Decreto 637/92), ninguém até hoje foi responsabilizado, preso ou processado. 

 

Experiência de Hospital: SUS vs NHS

By: Michaell Lange,

London, 27/11/15 –

Fazem 13 anos que eu moro no Reino Unido e mesmo assim, não me canso de me surpreender com o sistema de saúde desse país.

Depois de pensar muito sobre a cirurgia oferecida por nosso hospital local para a retirada de uma adenoide do nariz do nosso filho de 3 anos, resolvemos aceitar com base nos riscos e benefícios em fazer a operação. Para mim, colocar a vida do meu filho em risco para corrigir um problema que não colocava a vida dele em risco, parecia algo sem sentido. Mas, depois de observar o impacto que a dificuldade de respirar trazia para a vida do nosso anjinho, que incluía apneia de até 15 segundos durante a noite, ronco e cansaço mesmo depois de 12hs de sono, a decisão ficou mais fácil. A carta do médico também teve peso. Segundo os exames feitos previamente, as adenóides eram consideradas “enormes”. Acho que é difícil explicar essa decisão para alguém que não tenha filhos mas, eu posso dizer que o medo de estar tomando a decisão que pode colocar a vida da pessoa mais preciosa da sua vida em risco, é de uma tortura mental imensurável.
Não posso dizer que mesmo precisando ser operado, não somos uma família de sorte. Nosso hospital local, o St George’s Hospital, é referencia mundial em Emergências, Trauma, Pediatria, e maternidade. De fato, moramos e 1km do maior centro de Emergências do mundo com 500 profissionais trabalhando apenas no setor de Emergências.

A cirurgia do nosso filho estava marcada para hoje, 27/11/15, as 7:30 da manhã. Mas o procedimento começou uma semana antes. No Sábado, uma semana antes da cirurgia, fomos convidados a participar do chamado “The Jungle club” ou “O Clube da Floresta”. O departamento onde as crianças de até 16 anos são operadas se chama “The Jungle” ou “A Floresta”. O clube da floresta é uma curta palestra de introdução a cirurgia para minimizar o impacto da experiência para as crianças. Assistimos a um desenho animado junto com a equipe médica e depois visitamos o centro cirúrgico e a sala de recuperação com a simulação da mascara de oxigênio e aplicação de creme anestésico nas mãos para a introdução de agulha. O departamento é decorado com desenhos de animais, elefantes, girafas, Rinocerontes, pássaros, e outros animais, por isso o nome, Floresta. Junto a sala de recuperação ha uma sala de diversão com todos os brinquedos imagináveis, de diferentes tipos de Lego, passando por DVDs e um computador com Xbox. Na segunda Feira, fizemos a avaliação para saber se nosso filho estava apto para o procedimento cirúrgico. Conhecendo a infra-estrutura da saúde brasileira, é difícil pra mim explicar o profissionalismo  e a qualidade do atendimento desse pessoal.

A parte mais difícil foi participar da aplicação da anestesia. Enquanto duas enfermeiras distraiam nosso filho com bolhas de sabão, o médico aplicou a agulha e introduziu o liquido branco que fez nosso filho dormir. Ele nem percebeu o que havia acontecido. Deixa-lo ali, foi a pior sensação que eu ja havia sentido. Uma enfermeira se sentou com a gente no lado de fora e nos deu todas as garantias possíveis de que tudo ficaria bem. Eu e minha esposa estávamos em prantos! Me senti um traidor, um verdadeiro FDP por tamanha crueldade. Depois de algumas horas, ja com o nosso filho de volta e se recuperando bem, pensei no quanto fui ignorante e ingênuo de me sentir como me senti antes. Quando você passa o dia num hospital e vê a realidade dura que outras crianças e famílias estão passando, a minha situação parecia ridícula, e ridículo foi como me senti. Quando passamos por um hospital não imaginamos quantos dramas estão sendo vividos ali dentro. Quantas famílias, quanta bravura, dedicação, superação e também tristezas e batalhas perdidas. Parece que as pessoas que estão dentro de um hospital são mais humanas, mais sensíveis, do que os outros milhares de alienados passando apressadamente pelas ruas do lado de fora.

Na sala de recuperação também ha uma cozinha aberta com café, sucos, bolachinhas, pão fatiado com torradeira, manteiga, agua, chá e até bolo. As crianças certamente adoraram a sala de recuperação mesmo estando um pouco confusos e tontos por causa da anestesia. Ficamos 6hs em observação antes de sermos reavaliados e liberados para irmos para casa. Mesmo assim, nosso filho continuará sendo paciente do hospital por 6 semanas quando uma nova avaliação ira determinar se ele esta bem e pode então, ser devolvido ao posto de saúde em que esta registrado. O custo total do tratamento saiu por ZERO Libras. O único custo foi o estacionamento que custaria £25 Libras, mas com um vale do hospital acabamos pagando apenas £8 Libras.

Existem algumas diferenças cruciais entre o SUS e o NHS. Visivelmente, os profissionais da saúde daqui, são profissionais por vocação, nasceram para isso e não saberiam fazer outra coisa. Por trás dessa vocação, existe uma estrutura de excelência que combinados com a vocação e a seriedade dos profissionais, resultam no melhor sistema de saúde do mundo. No Brasil também temos os profissionais da saúde por vocação mas, não temos a estrutura. O status de doutor, é também um fator que ilude  muita gente a estudar medicina e ser um mal profissional no futuro. Aqui, é normal você encontrar o cirurgião indo pra casa de ônibus, metrô, trem ou bicicleta. No Brasil, médico é autoridade, só anda de carrão. A outra diferença é o orçamento. O orçamento anual do NHS é de quase R$700 Bilhões de Reais para uma população de 60 milhões. Ja o Orçamento do SUS é de R$90 Bilhões de Reais para uma população de 200 milhões. Não é preciso ser mestre em matemática para entender o calculo. Isso sem considerar que uma grande parcela destes 90 Bilhões de Reais, se perdem em corrupção, valores super-faturados, salários de médicos que não trabalham, cirurgias, tratamentos e consultas que nunca foram feitas, roubo de medicamentos etc…

O motivo para publicar estas experiências aqui, não é para me gabar de viver num país com o melhor sistema de saúde publica do mundo, nem para deixar o Brasileiro ainda mais indignado. A razão para publicar estas experiências é divulgar e dividir situações que nos fazem pensar. O SUS poderia ter um orçamento de R$ 1trilhão de reais, por que não? O que seria mais importante que a saúde do nosso povo? Podemos sobreviver sem emprego e sem educação, mas não podemos viver sem saúde. Saúde deveria ser a prioridade numero 1 de qualquer país. Um governo que mantenha seu povo saudável terá sempre uma população mais produtiva e por tanto, uma melhor economia que consequentemente, daria condições para melhores investimentos na educação. É um ciclo lógico que da certo em países como o Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Canada e Noruega, e deveria estar na base de qualquer governo que tenha boas intenções para representar seu povo e cumprir com a sua responsabilidade. Não vejo outra razão para a existência de um governo que não seja o de zelar por seu povo. Estamos muito longe dessa realidade, mas a evidencia da existência de sistemas como o NHS, é uma prova de que podemos chegar la. Mas para isso, precisamos dar o primeiro passo e nunca mais parar de caminhar nessa direção.

Um programa do canal 4 chamado, 24 horas na sala de emergência, mostra a realidade diária do St Georges Hospital.

Experiência de Hospital: Quem Nunca Teve?

By: Michaell Lange.

London, 16/07/15

Em visita ao hospital recentemente para fazer uma endoscopia de rotina, tive mais uma daquelas experiências que me fazem pensar nas diferenças na vida de quem vive em países desenvolvidos e quem sobrevive em países em desenvolvimento como o Brasil. Como o drama humano pode ser vivido de formas diferentes dependendo do lugar em que vivemos mesmo que em termos humanos, os dramas sejam os mesmos. Cheguei a conclusão já a caminho de casa que, o hospital é uma excelente referência para se medir o grau e o nível de desenvolvimento de uma cidade, um estado ou país. No hospital, encontra-se todos os sentimentos vivenciados pelo ser-humano concentrados em um único local. Ali esta a contradição entre a vida e a morte. A gentileza, o  amor, o carinho entre estranhos e conhecidos, o medo, a alegria, a perda, a vitória, o nascimento ou, renascimento, estão presentes e dividem o mesmo espaço. A estrutura e as pessoas responsáveis em administrar estes locais, podem intensificar ou aliviar todas as tensões do dia-a-dia de um lugar que quase ninguém gosta de visitar, mas todo mundo deseja chegar o mais rápido possível quando precisamos de socorro e amparo.

Sentado na sala de espera aguardando a minha vez de fazer o procedimento, fiquei observando discretamente todos que estavam ali aguardando ser chamado. Enquanto alguns assistiam o campeonato de tênis de Wimbledon ao vivo na TV, outros não conseguiam disfarçar a ansiedade. Uma mulher segurava firmemente a mão do homem ao seu lado e acariciava seu ombro com a outra mão, enquanto o homem balançava os pés inquietamente. Uma outra pessoa folheava uma revista de trás para frente e de frente para trás sem ler nada. Fiquei ali pensando nos problemas que estas pessoas podem estar enfrentando ou irão enfrentar, incluindo eu mesmo. Realidades tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas. O drama da vida me fascina. Sinto vontade de ajudar, de conversar, de confortar de alguma forma, mas muitas vezes me impeço de faze-lo, talvez por medo.

Ali e aqui, mesmo que temporariamente, todos os sonhos, os planos e os desejos são suspensos. O milagre da vida parece recuar e dividir o mesmo espaço do coração de forma a ficar apertado. Os sonhos não realizados parecem ter o dobro do peso. As palavras que gostaríamos de dizer e nunca foram ditas parecem arder na garganta. Os problemas com as pessoas que amamos e que nos recusamos a resolver por orgulho, agora parecem urgentes. O medo de não estar aqui para sempre, parece o pior dos pesadelos mesmo com a certeza de que, de uma forma ou de outra, ninguém estará aqui para sempre.

Estas situações podem ser observados em qualquer hospital do mundo. A diferença é que aqui, tudo parece acontecer sob-controle. A ausência do caos torna as dificuldades em algo mais maleável, mais suportável e menos injusto, tanto para os pacientes quanto para os profissionais da saúde. A experiência de hospitais Brasileiros e Britânicos me deram uma certa base para falar dos dois casos. Aqui (no Reino Unido), todo mundo parece caminhar mais devagar, com mais calma. Os médicos sorriem, e as enfermeiras fazem seu papel com a excelência de quem tem todo o suporte necessário para cumprirem suas obrigações de forma correta e humana. Observo tudo e concluo com facilidade que o caos não esta aqui e que diferença isso faz no resultado final de qualquer tratamento, incrível!

Duas enfermeiras me levaram até uma sala 10 minutos antes da minha endoscopia e me explicaram com riqueza de detalhes tudo sobre o procedimento, quem estaria na sala, o tempo que levaria, o que eu sentiria, o que eu deveria fazer, o que elas estariam fazendo e o que aconteceria após o termino do procedimento. Logo a seguir o médico responsável passou mais 5 minutos explicando o que ele faria, além de me dar a opção do uso de anestésico que depois dos esclarecimentos preferi recusar. Tudo feito de forma ordeira e sem pressa, como se eu fosse o único a estar fazendo o exame naquele dia.

Mesmo já tendo feito este exame antes, me sentia inseguro, mas a atuação da equipe médica junto com o a estrutura a minha volta me deram toda a confiança que eu precisava. Depois que tudo terminou, fui levado para uma sala de recuperação onde eu ficaria por 15 minutos até que o médico terminasse o relatório no qual enviaria uma cópia para o meu posto de saúde e outra cópia ficaria comigo. Alguns minutos se passaram até que a enfermeira veio me oferecer um café e uns biscoitos aos quais me propus a me servir eu mesmo já que não estava sob efeito de anestésico, mas ela fez questão de me servir. Fiquei pensando em que outro lugar do mundo uma enfermeira teria tempo pra fazer um café para um paciente que não esta internado nem impossibilitado de fazer seu próprio café? Agradeci e fiquei rindo sozinho. Em nenhum momento se falou em dinheiro ou pagamento porque aqui no Reino Unido a saúde é gratuita, paga apenas pela arrecadação de impostos, claro. Na saída, o porteiro apertou minha mão me desejando boa sorte e fui embora pensando como tudo isso poderia ser no Brasil. Os dramas que vivemos podem até ser os mesmos, mas é incrível como alguns detalhes podem fazer toda a diferença.

Ebola: Prevenir é Possível, Mas Milhares Estão Morrendo Na Total Solidão.

Um alerta da ONG Inglesa Save The Children.

Texto publicado por Save The Children em 22 de Outubro, 2014

O Ebola esta desimando famílias inteiras no Oeste Africano e mudando por completo o destino de uma geração inteira. É incrível pensar que apenas sabão e cloro são suficientes para matar esse vírus terrível, mas mesmo estes simples produtos estão fora do alcance de milhares de pessoas na Africa. O numero de pessoas contaminadas e mortas pelo Ebola estão se multiplicando rapidamente. Quando a DR Louisa Baxter da ONG inglesa Save The Children retornou ao escritório em Londres recentemente depois de 21 dias em Serra Leoa e Liberia, a área mais atingida tinha 500 casos da doença. Agora o numero passa de 8 mil. A cada novo caso confirmado estima-se que haja outras duas out três pessoas contaminadas. Mas, estes não são apenas números. Cada uma destas, são pessoas como eu e você, sozinha no momento mais vulnerável de suas vidas. “Pessoas estão morrendo na mais complete solidão” disse Baxter. “Você pode imaginar algo mais terrível?”

Ebola por si só já é um problema grave, mas as conseqüências são ainda maiores. “Nenhuma criança esta indo pra escola”. Disse Gareth Owen OEB, diretor da Save The Children. Pacientes com outras doenças não estão indo ao hospital com medo do Ebola. Funcionários não estão aparecendo para trabalhar.

O vírus do Ebola pode sobreviver por dois a três três dias fora do corpo humano. Apesar disso o vírus pode ser facilmente eliminado com cloro ou altas temperaturas.  Evitar o contato direto com pessoas mortas ou doentes ou sangue contaminado e outros fluidos corporais pode significar a diferença entre a vida e a morte. As pessoas precisam estar informadas da importância destes alertas e de ter acesso ao cloro. Lavar as mãos constantemente também é outra precaução fundamental principalmente em regiões infectadas.

Tradução: Michaell Lange

Fonte: http://blogs.savethechildren.org.uk/2014/10/ebola-prevention-is-possible-but-people-are-dying-alone/