JESUS CRISTO, OS CRISTÃOS E A POLÍTICA

Por: Michaell Lange,

Londres, 13/05/18 –

A corrupção não afeta apenas o governo. A corrupção afeta todas as esferas humanas, incluindo a fé, a religião e a igreja. A corrupção afeta também nossos valores e virtudes que são, ou deveriam ser, a base de sustentação da nossa sociedade. No Ocidente, os valores Morais e éticos foram promovidos principalmente pelo Cristianismo. Mas, tais virtudes e princípios não são necessariamente dependentes da religião. Outros valores como a liberdade, o espirito crítico, a cooperação, inovação, criatividade, entre outros valores, foram desenvolvidos e conquistados ao longo do tempo por movimentos sociais, como por exemplo, os rebeldes Ingleses que no ano de 1215 fizeram o então, Rei João, assinar a Magna Carta, que é considerada por muitos, a primeira constituição oficial a garantir as liberdades do indivíduo e proteje-los contra a tirania das autoridades.

Porém, o maior promotor de valores Morais, Éticos e humanos, viveu a mais de dois mil anos atrás, e se chamava Jesus de Nazaré. Seus ensinamentos foram tão importantes para a sociedade humana, que mesmo passados dois mil anos do seu assassinato, Jesus continua sendo a pessoa mais reconhecida do mundo. A forma com que falo de Jesus aqui, não é religiosa. Não sou religioso. Mas, sou um grande admirador e seguidor dos princípios e ensinamentos de Jesus. E, por ser seguidor de seus ensinamentos, me considero Cristão, um Cristão sem religião.

A crise moral que vivemos hoje esta exposta, ao meu ver, na corrupção do ser humano atual diante dos ensinamentos deixados por Jesus. Os ensinamentos foram corrompidos e transformados em uma monstruosidade cuja a própria Bíblia ja previa, mas muitos Cristãos não deram, e continuam não dando a devida atenção. Arrisco a dizer aqui que atualmente, a grande maioria daqueles que se consideram Cristãos, são de fato, o oposto disso. O Cristão não é simplesmente aquele que vai a igreja, que ora, e lê a Bíblia. O Cristão é aquele que segue Cristo, seus ensinamentos, seus valores, e procura ser uma pessoa melhor a cada dia ou seja, ser o mais próximo daquele que foi Jesus.  Não é possível ser Cristão e promover o ódio, a discórdia e a intolerância.

Jesus dedicou sua vida a promoção do Amor, da tolerância, da caridade, do perdão, da compaixão. Jesus nos ensinou a compartilhar o pão. Jesus lutou e protestou contra o autoritarismo.  Ajudou os mais pobres, os odiados, os rejeitados, e pediu para que seus seguidores fizessem o mesmo. Jesus nos pediu para não sermos hipócritas, mas sinceros. Jesus pediu para amarmos nossos inimigos e procurar a reconciliação ao invés do ódio. Estes, foram ensinamentos claros de como seus seguidores deveriam se comportar.

Toda uma vida dedicada a promoção do Amor ao próximo, do perdão, da compaixão e da tolerância. Valores estes que ficaram evidentes no momento da sua morte. A crucificação de Jesus foi a prova da grandiosidade do seu espirito. Mesmo sendo brutalmente torturado, Jesus Amou seus algozes, orou por eles, e pediu a Deus por suas almas. Eis aí um verdadeiro Cristão. Aquele que perdoa o assassino do seu próprio filho. Aquele que ama quem lhe quer fazer o mau. Aquele que tolera as diferenças. Aquele que compartilha o pão. Aquele que promove o Amor nos momentos em que o ódio é mais sedutor. Aquele que ajuda os rejeitados.

Jesus é Amor, não é ódio! O objetivo do Cristão deve ser o de ser aquele que jesus foi no momento da sua crucificação. Amor puro! Amor que salva!

Como pode alguém idolatrar aquele que promove a intolerância, o ódio, a divisão, a tortura, a morte, a indiferença, o revanchismo, a vingança e a brutalidade ao próximo, e ter a coragem de se dizer Cristão? Como pode um dito Cristão, compactuar e promover sentimentos e comportamentos totalmente avessos aqueles praticados por Jesus?

Jesus foi assassinado pelo autoritarismo ganancioso do poder. Jesus foi torturado e morto para que seus ensinamentos jamais fossem esquecidos. Jesus foi crucificado para que o caminho do bem fosse tão claro aos Cristãos, que nenhuma força seria capaz de corromper a verdade que os levaria a salvação. Mas, muitos Cristãos hoje, preferiram se juntar aos falsos profetas. Falsos profetas que conduzem seus corrompidos de volta a escuridão. A escuridão do olho por olho, dente por dente. A escuridão do ódio e da intolerância. Não são Cristãos. Podem até ser mitos, mas assim nunca serão Cristãos… Jesus pediu por vossos arrependimentos. Arrependam-se!

 

A TRAGÉDIA DA CHAPECOENSE E O DESPREPARO DAS AUTORIDADES BRASILEIRAS

By: Michaell Lange,

London, 03/12/16 –

 

A Colombia deu uma aula ao Brasil de como gerenciar situações de desastre, e como conduzir o processo de busca e salvamento além dos trâmites legais e homenagens com o mais alto grau de dignidade. Os Colombianos foram melhores do que os Brasileiros em quase tudo. A torcida do Atletico Nacional de Medellin, prestou uma das homenagens mais lindas na história do esporte, e deu exemplo de esportividade e civilidade. Comoveram a nós Brasileiros, dividindo a mesma dor, como se a tragédia tivesse sido com seu próprio time. O povo Colombiano deu exemplo de dignidade e fraternidade. Mostraram ao povo Brasileiro uma Colombia que os Brasileiros não conheciam. Nos surpreenderam com uma compaixão típica do Sul Americano, que o próprio nativo havia esquecido que existia. O Brasileiro vê os países vizinhos com muita desconfiança, mas a tragédia desta semana parece ter despertado uma irmandade que nos tempos coloniais nos unia. Esta semana, os Colombianos conquistaram o Brasil. Uniram dois povos que compartilham a mesma dor. A torcida do Atletico Nacional de Medellin liderou um movimento mundial de solidariedade e amor ao esporte. Mostraram ao mundo que apesar das rivalidades, a vida e o próprio esporte nos une e nos fazem membros de uma mesma família. Tenho certeza que essa tragédia nos levou a transcender as fronteiras que dividem territórios, e ao menos por alguns dias, o mundo pareceu não ter fronteiras. O planeta esteve unido como um só povo, unidos pelo esporte.

Mas, quando “o campeão voltou” e as atenções se voltaram para o Brasil, a precariedade do governo e das agências governamentais para administrar uma situação tão delicada e trágica, estavam evidentes em quase todos os lugares. O despreparo e a falta de sensibilidades das autoridades Brasileiras me constrangeram, sobretudo diante de toda a grandiosidade e delicadeza com que a Colombia havia demonstrado com nossos compatriotas da Chapecoense. É muito provável que a comoção do povo diante de uma situação tão inesperada e trágica, tenha nos impedido de observar a pobreza organizacional com que as autoridades Brasileiras apresentaram na volta para casa do time da Chapecoense.

Nossa incapacidade de organização é um fato histórico. O Brasil não sabe planejar. Vamos resolvendo tudo no supetão, e na medida que os problemas vão surgindo. O improviso vira regra e o que deveria parecer bonito e digno se torna ofuscado e ainda mais triste. A culpa ao meu ver, esta na militarização da nossa sociedade. Militares foram treinados para guerra, não foram treinados para governar ou gerenciar crises e tragédias civis. Poderiam ser treinados para isso ja que o Brasil não tem inimigo comum, mas não foram e por tanto, não estão preparados para lidar com situações como essa, mas acabam por ser os responsáveis pela organização de eventos que não lhes competem. Isso ocorre apenas porque o Brasil não tem ainda uma sociedade civil que possa assumir esse tipo de evento. Não há nenhum problema em transportar os corpos dos jogadores em aviões militares. Nenhuma outra agência governamental teria tamanha infra-estrutura para fazer esse trabalho. Se tivéssemos por exemplo, uma guarda costeira civil, esta teria tal infra-estrutura, mas não temos e por isso, dependemos dos militares. O procedimento de retirada dos corpos dos aviões e o transporte até o estádio da Chapecoense onde o velório aconteceria, me deixou irritado. Mesmo em meio a comoção pois, como todo Brasileiro, eu também passei o dia chorando assistindo ao cortejo fúnebre, não passou despercebido a falta de organização das nossas autoridades. Como crítico que sou, foi difícil não comparar a sensibilidade e a delicadeza com que os Colombianos conduziram nossos guerreiros até os aviões da FAB, com o modo desajeitado, desorganizado e indelicado com que os militares Brasileiros receberam nossos Brasileiros em Chapecó. É importante lembrar que a crítica aqui não é direcionada aos soldados envolvidos nesse processo. Vi muitos deles emocionados e com dificuldades de manter a postura diante de tanta dor. A crítica é direcionada a organização do evento, incluindo o comportamento vergonhoso e infantil do presidente da república, preocupado se seria ou não vaiado. A vestimenta dos soldados que vestiam uniforme de guerra (provavelmente o único que tem), estava totalmente inapropriada para a ocasião. O uniforme camuflado é extremamente indelicado e não condiz com a natureza do evento. Os Colombianos usaram uniformes com terno azul e conduziram os corpos até os aviões em mesas impecáveis, ao som da corneta fúnebre e a presença de um padre. Tudo muito digno para tal ocasião. No Brasil a retirada dos corpos foi feita em macas claramente improvisadas com toalhas brancas que com o vento e a chuva, levantavam revelando um material velho e sucateado. Para um país que critica Cuba, deveríamos ao menos nos apresentar melhor. A condução dos corpos também me pareceu extremamente desajeitado e improvisado. O mais chocante foi o modo como os heróis da Chape foram levados até o estádio Arena Condá. Me pergunto quem foi a mente que decidiu conduzir as vitimas de tamanha tragédia em cima de carretas abertas? É um absurdo a forma indelicada com que foram levados (ou transportados como carga) até o local onde o povo aguardava aflito. Há o costume de usar também, caminhões do corpo de bombeiros, outro meio inapropriado que ninguém entende o motivo. A Colombia conseguiu carro fúnebre individual para todos os corpos, por que as autoridades Brasileiras não fizeram o mesmo? Tiveram uma semana para planejar o evento que deveria ter sido no mínimo, tão digno e respeitoso quanto foi na Colombia, onde tiveram muito menos tempo para organizar o processo, mas foram impecáveis em todos os sentidos. Ainda na procissão fúnebre, carros da policia com as sirenes ligadas faziam o cortejo parecer uma transferencia de presos, quebrando o silêncio respeitoso da torcida e do povo Chapecoense. Alguém saberia explicar a presença de jipes do exército? Não se trata de um desfile de 7 de Setembro senhores! A indelicadeza da organização me revoltou em certos momentos. O Brasil precisa se distanciar da cultura social militarizada e caminhar na direção de uma sociedade civil, que permita a flexibilidade de desenvolvimento. A rigidez militar deve permanecer nos quartéis.

Mas, a espontaneidade e a dignidade do povo Chapecoense me comoveu muito. O silêncio quase ensurdecedor levou o Brasil as lágrimas. Os aplausos e os cantos da torcida organizada de tempos em tempos, ecoavam pela cidade e se confundiam com o barulho da chuva forte. O olhar triste e pensativo dos torcedores refletiram com muita honestidade e honradez, o amor do povo de Chapecó por seu time de futebol. O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, vestindo a camisa do time do Atletico Nacional de Medellin, fez um agradecimento bastante emocionado ao povo Colombiano pelo carinho com que trataram nossos Brasileiros. O povo presente respondeu imediatamente com aplausos. Luciano ainda comparou a chuva intensa que caiu durante todo o dia na cidade, com lágrimas de Deus. E como não mencionar a grandiosidade da Dona Alaíde, mãe do goleiro Danilo que emocionou a nação com sua grandeza espiritual frente a uma perda tão grande?

Hoje foi sem dúvidas, um dia muito triste. O Brasil, em meio a turbulência política, tenta superar mais uma tragédia no esporte. Foi quase impossível não lembrar do nosso Ayrton Senna. Foi impossível não chorar junto com os torcedores da Chapecoense. Mas, em meio a tragédia, vimos que o esporte é capaz de unir nações em um só coração, e fazer adversários se transformarem em irmãos. Ao povo Colombiano, deixamos nosso eterno agradecimento e admiração. E fica também a lição as autoridades Brasileiras, de que planejar e estar preparado para ocasiões como esta, demonstra até que ponto o governo realmente se importa com a dignidade do seu povo. Temos muito a aprender com os Colombianos. Força Chape!

A CERIMÔNIA DE ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS E O BRASIL

By: Michaell Lange,

London, 08/08/16 –

É preciso interromper o contínuo sentimento de um dia ter orgulho e no outro vergonha de ser Brasileiro

Durante os dias que anteciparam a cerimônia dos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, alguns amigos e conhecidos Europeus, me perguntavam se eu assistiria a cerimônia de abertura. Minha resposta sempre foi: Sim claro! Mas dentro do meio peito o coração andava apertado, angustiado. Eu estava na verdade, sentindo medo. Era como uma certeza de que mais uma vez, passaríamos vergonha perante o resto do mundo. E toda essa tensão não era injustificada, muito pelo contrário, o Brasil vinha nos últimos anos, batendo todos os records de absurdos possíveis nos seus 194 anos de história. O vexame dos 7 a 1, o crime sem culpado em Mariana, o Impeachment votado por criminosos em Brasilia, o teatro da vergonha no congresso nacional. Como acreditar num país que declara amor e orgulho a si mesmo e ao mesmo tempo é o grande vilão da sua própria miséria? Não, é claro que eu não acreditava mais. A grande maioria dos Brasileiros parecem não acreditar mais. O objetivo é a sobrevivência, os sonhos são realizados pelas novelas. Planos futuros é o que faremos no próximo final de semana. É claro que perante tanta estupidez, violência e corrupção, minha esperança de um Brasil que da certo estava a beira do abismo. Mas eu também celebrei com muita alegria e com a inocência de um típico Brasileiro tolo, quando nosso país ganhou o direito de sediar a copa do mundo do esporte mais amado do planeta, e o maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas. Era a oportunidade que precisávamos para o Brasil crescer de fato, pensei na ocasião. Com a economia em alta, os dois maiores eventos esportivos do mundo, o que mais nos faltava para encher o Brasileiro de orgulho e entusiasmo? Pensei, com a inocência tola de um Brasileiro. Descobri que nos faltava todo o resto.

Depois de 13 anos vivendo no Reino Unido, aprendi que “ser”, vai muito além da simples existência. Para sermos de fato, é preciso viver a verdade que desejamos, e não apenas esperarmos que ela aconteça, ou que os outros a tragam sem a sua contribuição pessoal. O coletivo para ser, precisa do grupo. O plural de um, não existe. A realidade de uma sociedade é formada pelo conjunto das atitudes diárias de seus sócios. O Brasil por tanto, é o que os Brasileiros são no dia-a-dia, e não aquilo que eles dizem que é, ou desejam que seja. O orgulho não é possível ser antecipado. Ele somente é, depois que o “ser” deixa de ser apenas um desejo ou um objetivo, e passa a ser a verdade. O orgulho do futuro não existe. Não existe estudante orgulhoso da sua graduação. Não existe desempregado orgulhoso do seu futuro emprego. Não existe solteiro orgulhoso do seu casamento. Existe apenas o orgulho do passado, se este foi verdade, e o orgulho do presente, se o presente for verdadeiro. O Amor transcende todo o resto, mas não pode ser confundido com paixão. A paixão é como o nacionalismo. É intenso e forte, mas ausente de razão e inteligência. O Amor, nessa comparação, seria o patriotismo, que cuida e quer bem o tempo todo. Por isso, questiono o Brasileiro quando canta alto nos estádios e nos protestos; “Ah eu sou Brasileiro com muito orgulho e muito amor”. Infelizmente não somos. Nós apenas desejamos e sonhamos ser. O Brasileiro deseja “ser” um Brasil que ainda não é verdade, e que precisa de atitude individual para poder ser então, plural e coletivo, verdadeiro. O orgulho Brasileiro, ainda é um nacionalismo tolo, irracional, impulsivo, militar, e imaginário como a falsa fé que precisa de força física para existir. A fé verdadeira é silenciosa, não precisa aparecer. O Brasileiro que ama e tem orgulho de verdade não precisa gritar, ele apenas existe na sua forma natural e nas suas atitudes; esta presente constantemente como o amor de uma mãe que não se pode ver, mas esta sempre lá, presente. Não existe a necessidade de demonstrar. A vibração de um gol é alegria momentânea pois, logo queremos outro. O Amor e o orgulho verdadeiro é como o silêncio do universo que não precisa de som para demonstrar sua grandeza.

E por falar em grandeza, Joaquin Osório Duque-Estrada, não mentiu quando escreveu: “…Gigante pela própria natureza…”. O potencial do nosso país é tão grandioso e óbvio que revolta só de imaginar o quanto milhões de Brasileiro sofrem todos os dias apenas para garantir sua subsistência. É como se o Brasil fosse uma Bugatti Veyron e o Brasileiro, um motorista que nunca dirigiu um carro. Quando meus amigos Britânicos e Europeus me perguntam o que esta acontecendo com o Brasil, eu dou o exemplo da Bugatti sem motorista habilitado porque de fato, é isso que nos falta, uma habilitação para dirigir um carro potente sem causar um acidente a cada curva da estrada do desenvolvimento.

Na Sexta Feira, dia da cerimonia de abertura dos jogos Olímpicos do Rio, eu ja estava sofrendo antes mesmo do inicio. Sofrimento, diferentemente de orgulho, pode ser sentido antecipadamente como forma de ansiedade e medo. Sentado em frente a TV assistindo o pré-show da BBC, meus pensamentos eram só pessimismo. Típico de um Brasileiro que não acredita em si mesmo. Era como assistir o Rubens Barrichello na F1; você sabe que ele vai terminar em quinto. Mas eis que o gigante pela própria natureza por vezes, nos da um daqueles chacoalhões que nos acorda para as potencialidades que nosso país possui e usufrui tão pouco. O Brasil ganhava ali sua primeira medalha de ouro. A abertura dos jogos Olímpicos se resumiram em três palavras: Simples, barato, e espetacular! A simplicidade do nosso povo foi perfeitamente incorporada nas nossas condições econômicas, e espetacularmente exposta numa explosão de cores e movimentos que refletiram a riqueza cultural e diversa do nosso país de maneira sublime. Foi difícil conter as lágrimas. Nosso patrimônio artístico e cultural deixou sua mensagem de que cultura e arte não são coisas de vagabundos e comunistas. A arte e a cultura são elementos que dão forma a identidade Brasileira e não podem ser negligenciadas por interesses ideológicos e partidários.

Mais uma vez provamos que somos capazes de criar espetáculo, mesmo nas condições mais adversas. Somos capazes de superar todas as dificuldades e surpreender os maiores críticos. Somos capazes de alcançar nossos objetivos e obter sucesso por nossas próprias mãos. Tudo que precisamos fazer é acreditar em nossa própria capacidade. O Brasileiro é um povo resiliente, empreendedor, lutador e corajoso. É fato que nos falta inspiração, mas como ficou demonstrado na cerimonia de abertura dos jogos Olímpicos; nossa cultura, nossa história e nossa arte, podem ser nossas inspirações que iluminará o difícil caminho que nos levará a um perpétuo processo de desenvolvimento sócio/econômico que beneficiará todos os Brasileiros. O Brasil tem condições de ser verdadeiramente uma história de sucesso, e isso ja ficou evidente em inúmeras ocasiões. Mas para que o sucesso aconteça, precisamos eliminar nossa tendência auto-destrutiva que historicamente nos acompanha e nos freia, e reconhecer que nossas diferenças ideológicas e culturais não são partes de um problema mas sim, partes da nossa riqueza cultural e diversa que fazem do Brasil um país único. Precisamos acabar com o ciclo do sentimento que nos faz ter orgulho de ser Brasileiro um dia, e sentir vergonha no outro. Dessa forma, poderemos verdadeiramente, sermos Brasileiros com muito orgulho e muito Amor.

O DIA EM QUE A EUROPA TREMEU

By: Michaell Lange,

London, 24/06/16 –

O REINO UNIDO VOTOU PELA SAÍDA DA UNIÃO EUROPÉIA: E AGORA?

Foi um dos maiores tremores da política mundial desde a queda do muro de Berlin. A notícia de que os Britânicos haviam votado a favor da saída do Reino Unido da União Européia, deixou até mesmo os políticos Britânicos mais anti-Europeus de queixo caído. Nigel Farage, líder do partido ultra conservador UKIP – United Kingdom Independent Party – e um dos maiores defensores da saída do país da União Européia, ja havia dado sinais de que o país permaneceria na UE em entrevista no inicio da apuração, mas precisou voltar ao palanque para anunciar e comemorar a surpreendente vitória. “Nós conseguimos! Sem precisar dar um único tiro. Vamos fazer do dia 23 de Junho o dia da independência Britânica!” declarou Nigel Farage pouco depois das 4 da manhã desta sexta feira (24), quando a vitória havia sido matematicamente declarada.

A perplexidade do que acabara de acontecer estava estampada nos rostos de todos que haviam acompanhado a apuração dos votos noite a dentro, e também de quem saia de casa para trabalhar logo cedo. Mesmo as pessoas que haviam votado a favor da saída do país da União Européia não acreditavam nos noticiários desta manhã. Por volta das 6hs, um certo pânico tomou conta dos noticiários a medida em que as bolsas de valores da Asia abriam em forte baixa. A Libra Esterlina amanheceu com desvalorização de mais de 10% em relação ao Dólar, o valor mais baixo desde 1985. O pânico no mercado financeiro e o risco de uma “Black Friday” fez com que o presidente do Bank of England, Mark Carney, fizesse um pronunciamento de emergência para acalmar os ânimos do mercado. Emissoras de TV e rádio do mundo inteiro, além de um exército de jornalistas, esperavam  ansiosos pelo pronunciamento do Primeiro Ministro, David Cameron, marcado para as 8hs da manhã desta Sexta Feira (24), e que ainda precisou ser adiado por mais 15 minutos por conta de uma reunião entre o premier e a rainha Elizabeth. Pouco depois das 8hs da manhã, David Cameron, visivelmente abalado e emocionado, ao lado de sua esposa, disse em coletiva de imprensa que ofereceu sua renuncia a Rainha e que tomaria as medidas necessárias para que o processo de desligamento com a União Européia ocorra de forma menos traumática possível. David cameron também salientou que mesmo sendo o resultado contrário ao que desejava, sua fé na capacidade de superação do seu país continua intacta. Na casa do ex-prefeito de Londres e um dos líderes da campanha a favor da saída do país da UE, Boris Johnson, uma pequena multidão de pessoas aguardavam por ele do lado de fora. Uma dezena de jornalistas esperava por um curto pronunciamento do ex-prefeito, mas ao abrir a porta da sua casa, Boris Johnson foi surpreendido por uma grande vaia e xingamentos de baixo calão. O ex-prefeito de Londres foi obrigado a abandonar o pronunciamento e seguir direto para o carro escoltado pela polícia. Na metade da manhã era possível ouvir as comemorações nos pubs da cidade de quem votou pela saída. Alguns Britânicos saíram as ruas envoltos a bandeira da União Européia, enquanto outros apresentavam a famosa “Union Jack”, como é conhecida a bandeira do Reino Unido.

Passado o susto inicial junto ao resultado oficial do referendum, iniciou-se as especulações sobre as consequências e o processo de desligamento do Reino Unido com a União Européia. A primeira ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, fez um pronunciamento no inicio da tarde esclarecendo que o governo Escocês fará um segundo referendum para decidir se o país permanece no Reino Unido ou segue como membro independente da União Européia. No referendum Escocês em 2014, o Parlamento Britânico havia garantido a permanência do Reino Unido na União Européia caso a Escócia permanecesse no Reino Unido. O resultado de hoje foi recebido com indignação pelos Escoceses onde o resultado dava larga margem pela permanência do país na União Européia com 62% dos votos a favor. Os Irlandeses também reagiram ao resultado. A Irlanda do Norte que faz parte do Reino Unido, agora ameaça uma possível reunificação com a República da Irlanda que é membro da União Européia. Do outro lado do Canal da Mancha, a Holanda anunciava seu próprio referendum para decidir sua permanência na União Européia, e na França, políticos de extrema direita pediram o mesmo plebicito para os franceses. A decisão do governo de David Cameron de promover o plebicito no Reino Unido pode ter dado início a um efeito dominó, poderá por um fim não apenas na União Européia, como também pode por um fim no próprio Reino Unido. A mídia sensacionalista Britânica ja acusa David cameron de ser o pior Primeiro Ministro da história do Reino Unido.

O processo legal de desligamento do país com a União Europa não inicia-se hoje. O resultado do referendum não é legalmente obrigatório como o de uma eleição ou seja, se o governo quisesse, o país continuaria fazendo parte da UE. O resultado do referendum porém, sinaliza o desejo do povo Britânico de se retirar da UE. O processo legal somente tem início depois que o Primeiro Ministro Britânico fizer uma notificação oficial a União Européia anunciando sua saída, aplicando o artigo 50 do tratado da União Européia. De acordo com o artigo 50, o país que desejar sair da UE tem um prazo de dois anos para negociar todos os seus laços com a UE. Não havendo acordo ao termino desse período o país deixa de ser membro automaticamente e todos os acordos não negociados passarão a ser negociados por intermédio de um dos membros da UE. O período de negociações pode ser extendido, mas somente com o consentimento unanime dos outros 27 membros da UE. Entre os acordos a serem negociados estão incluídos: O destino dos Ministros e servidores Britânicos que trabalham na sede da UE; os acordos de subsídios da agricultura e pesquisa; acordos de livre transito de cidadãos Europeus em território da UE; barreiras e regulamentos comerciais entre os membros da UE; vistos e autorizações para visitantes, residentes e trabalhadores; acordos de intercâmbios de estudantes e tratamentos de saúde, além de todos os acordos comerciais que podem passar de 100. O artigo 50 do tratado da UE que inicia o processo de desligamento de membros da UE, nunca foi aplicado anteriormente e ainda não se sabe ao certo como sera feito esse procedimento. David Cameron deixou claro em seu pronunciamento hoje pela manhã que um novo Primeiro Ministro a ser escolhido na próxima convenção do partido conservador em Outubro, irá iniciar o processo de desligamento da UE. Portanto, o período de negociação só será iniciado depois de Outubro ou no início de 2017. Até que o processo dos dois anos de negociações sejam esgotados, tudo permanece como esta nas relações entre o Reino Unido e a UE.

Especialistas em economia e finanças, alertam para o período de grandes incertezas com crescimento econômico zero e alta de preço dos combustíveis e pacotes de férias. O valor da Libra Esterlina também deve permanecer baixo, o que prejudicará os consumidores Britânicos. Os mais otimistas dizem que o período de incertezas será curto e dará impulso para o país prosperar e voltar a ser um dos grandes líderes mundiais.

A maior certeza depois de um dos dias mais turbulentos da história da política mundial, é a de que o referendum causou profundas divisões nas relações entre os partidos políticos Britânicos, assim como na própria população e nas relações entre Britânicos e Europeus. Não seria exagero dizer que hoje, o Britânico é o povo mais odiado da Europa e esse ódio pode aumentar se as consequências do resultado do referendum provarem ser desastrosas para o continente Europeu. O partido dos conservadores esta dividido ao meio. Membros extremamente importantes e aliados do primeiro Ministro, como Boris Johnson, Michael Gove e Iain Duncan Smith, viraram as costas e abandonaram David Cameron que queria a permanência do país na UE. Boris Johnson é o favorito para a assumir o cargo no lugar de David cameron em Outubro. O resultado do referendum também denuncia a divisão do povo Britânico com relação a UE. O resultado final do referendum deu 51.9% dos votos a favor da saída, e 48.1% dos votos a favor da permanência. A questão da imigração foi o principal motivo para os Britânicos saírem da UE. Num momento em que a Europa vive um período de tensão entre classes, e movimentos ultra conservadores crescem em toda a Europa, o mundo assiste com ansiedade os próximos acontecimentos que certamente podem ter repercução desastrosas para todo mundo. Agora é esperar e torcer pelo melhor.

 

 

A Humanidade a Caminho da Falência Total

By: Michaell Lange,

London, 11/01/16 –

Na semana passada, imagens de milhares de pessoas sucumbindo a fome em cidades da Síria, chocaram o mundo mais uma vez. As imagens de mulheres e crianças esqueléticas, perambulando esfomeadas pelas ruas da cidade de Madaya na Síria, lembraram os horrores do holocausto na segunda guerra mundial. Um morador da cidade disse a uma equipe de resgate que não havia mais nenhum animal vivo na cidade. Todos os animais, incluindo animais de estimação como gatos e cachorros, foram sacrificados para alimento. Segundo o morador, até  folhas das arvores estava escasso ja que a cidade não recebia entregas de alimentos desde Outubro de 2015. Famílias inteiras sobreviveram comendo mato e grama. Muitas se intoxicaram comendo plantas venenosas. A ONU disse que ao menos 400 pessoas precisam ser evacuadas com urgência para tratamentos vitais. A situação é similar em outras cidades da Síria. Foah e Kefraya estão isoladas desde Março. Estima-se que 20 mil pessoas estejam sem alimentos nas duas cidades. Em Madaya, 40 mil residentes receberam alimentos para duas semanas. A ONU não sabe se conseguira entrar na cidade novamente depois desse prazo. O resultado de situações alarmantes como essa, é uma explosão no numero de refugiados tentando fugir das zonas de guerra, causando uma das maiores crises humanitárias desde o fim da segunda guerra mundial. É inaceitável que após 70 anos do fim da segunda guerra mundial e tantas promessas da ONU e da União Européia no comprometimento de não permitir que esse tipo de catástrofe humana jamais se repetisse, estar, em pleno século 21, permitindo exatamente que  crises humanitárias tão semelhantes ocorram novamente. Somente em 2014, mais de um milhão de refugiados entraram na Europa. Estima-se que 4 mil pessoas tenham perdido a vida somente em naufrágios no Mediterrâneo. Outros 4 milhões de pessoas estão vivendo em situações desumanas em campos de refugiados espalhados por países vizinhos como Líbano, Egito, Turquia e Jordânia. O inverno trouxe temperaturas geladas e muita neve para a região tornando a situação ainda mais desesperadora. As crianças e as mulheres são as que mais sofrem com esta situação.

É difícil imaginar que esse tipo de atrocidade continue acontecendo num mundo tão globalizado e amplamente aceito como civilizado. Mais difícil de compreender é a causa e os responsáveis por toda essa barbárie. EUA, Reino Unido, França e Russia continuam sendo os mesmos suspeitos pela desestabilização de países e regiões causando tragédias humanitárias irreversíveis. Os mesmos velhos causadores de problemas, de guerras, genocídios, êxodos e destruição em massa de cidades, países, comunidades e seres humanos. É extremamente contraditório que estes mesmos países tentem vender a imagem de que países como Coréia do Norte, Cuba, Iran e China são as grandes ameaças para a Paz no mundo. Não é apenas contraditório, é um verdadeiro absurdo! Como isso ainda pode ser possível? Que tipo de interesse diabólico poderia estar por trás destas atrocidades?

O ser humano viveu um longo processo de desenvolvimento para uma consciência humana que nos permitiu viver em sociedade e em comunidade. Não bastaram as barbáries das cruzadas, da inquisição, os horrores de duas grandes guerras mundiais, e os genocídios durante a guerra fria. Parece-me que o ser humano, continua com uma incrível dificuldade de aprender com a história, seja ela antiga ou mais recente. O século 20 deixou um vasto histórico de devastação e sofrimento para humanidade que não pode ser esquecido. Esquecer o passado é abrir as portas para repetição dos mesmos erros no futuro. A virada do milênio chegou com grande esperança de mudanças nas questões humanitárias e promessas de Paz e desenvolvimento. Porém, os primeiros 15 anos do novo milênio ja demonstraram terem sido tão ou mais trágicos do que os primeiros 15 anos do século 20. De 2000 a 2015, assistimos aos atentados terroristas de 9 de Setembro de 2001, a invasão do Afeganistão em 2002, a invasão do Iraque em 2003, os atentados em Madrid em 2004, os atentados terroristas em Londres em 2005 além de duas guerras (Iraque e Afeganistão) que duraram mais de uma década, resultando em mais de 1 milhão de civis mortos, milhões de desalojados, dois países em ruínas e um vácuo no sistema governamental que tornou possível o surgimento de grupos terroristas como o Estado Islâmico. Isso tudo sem citar o conflito na Ucrânia e os conflitos em países da Africa como no Sudão e na Nigéria.

Como é possível um grupo, sem treinamento de guerra, sem logística e estratégia de ação, armados com um punhado de armas velhas, atirando para todos os lados, como é o estado islâmico, pode ser capaz de causar tanto caos e desgraça e ainda bater de frente contra uma coalisão militar formada por ninguém menos que EUA, França e Reino Unido? Ou será que não existe interesse destas super potências em acabar com a confusão que existe hoje no Oriente médio? Como é possível condenarem as atrocidades cometidas contra civis em Paris e praticarem atrocidades ainda maiores contra civis em outros países que diferentemente de Paris, envolvem a morte de centenas de crianças? Quem realmente são estes líderes Ocidentais e quais são seus verdadeiros planos? Não é possível e muito menos aceitável, que a comunidade internacional esteja assistindo a estas atrocidades sem fazer absolutamente nada a respeito. Bombas produzidas com tecnologia de ponta e financiadas com verbas públicas, estão explodindo crianças indefesas no Oriente Médio e no Norte da África e isso parece ser aceitável dentro da comunidade internacional. Qual a legitimidade destes atos? Quem irá julgar estes crimes contra a humanidade? Quem será responsabilizado pelas vidas de tantos inocentes assassinados de forma tão cruel?

Quando se pensava-se que novas tecnologias e a globalização trariam desenvolvimento e estabilidade ao mundo, percebemos de forma dramática, que o resultado foi exatamente o contrário. Descobrimos que os recursos do planeta são limitados e que a globalização iniciou uma corrida desesperada pelo controle de recursos naturais. Esse processo colocou países sub-desenvolvidos sob extrema pressão internacional. Países populosos estão sendo explorados por uma busca descontrolada e infinita de produzir produtos e serviços cada vez mais baratos, levando populações inteiras a trabalharem mais por menos. Um estudo publicado pela ONU em 2014 denunciou uma explosão no número de trabalhadores escravos no mundo. Estima-se que existam mais de 35 milhões de escravos em todo mundo hoje. Um número muito maior do que quando a escravidão era legalizada. É praticamente impossível que você nunca tenha comprado algo que tenha sido produzido por escravos.

Enquanto isso na Europa, a mídia Britânica, denuncia o ataque Russo na Síria, que matou 10 crianças em uma escola na Síria. A Russia responde dizendo que esta atacando apenas bases rebeldes do Estado Islâmico. A mídia Russa, denuncia ataques Britânico na cidade Síria de Raqqa, teria matado mulheres e crianças. Os Britânico respondem dizendo que não ha evidencias de civis mortos em seus ataques. A mesma mídia, denuncia ataques da Arabia Saudita a um hospital da Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Yemen. Mas a Arábia Saudita responde dizendo que esta combatendo apenas os rebeldes terroristas do Yemen. A Al Jazeera, denuncia os civis mortos por aviões de guerra da França, mas a França afirma que apenas os terroristas são alvos dos seus ataques. Agora, populações inteiras de civis estão morrendo de fome por conta dos bloqueios militares na região. É interessante que todos os envolvidos no conflito afirmam que estão combatendo apenas alvos “terroristas”. Ninguém assume a responsabilidade sobre a morte de milhões de civis inocentes e a destruição sistemática da infra-estrutura de países como a Síria, Líbia, Iraque, Afeganistão e Ucrânia. A Europa do final da segunda guerra mundial levou três décadas para recuperar sua infra-estrutura destruída durante a guerra, isso, com apoio financeiro Americano. Quais são as chances destes países do Norte da Africa e do Oriente Médio voltarem a ter a estabilidade que tinham antes da invasão do Iraque em 2003?

Muita coisa mudou nas estratégias de guerra desde as trincheiras da primeira guerra mundial até os atuais drones (aviões de guerra não tripulados), usados em combates, principalmente pelos EUA e Reino Unido. Mas,  as vitimas continuam sendo as mesmas, mulheres e crianças continuam sendo as maiores vitimas das guerras. De fato, a evolução nas tecnologias e estratégias de guerra, que deveriam contribuir com a segurança da população civil, tornou os conflitos armados ainda mais nocivos aos inocentes em áreas de conflitos. Nem mesmo mísseis com quase 100% de precisão, são capazes de evitar o numero crescente de vitimas civis, principalmente quando os alvos envolvem áreas densamente populosas como vem ocorrendo no Iraque e na Síria e quando a morte de civis não envolvam Europeus ou Norte Americanos.

A convenção de Genebra, retificada em 1949 determinou entre outras leis internacionais, a proibição de ataques deliberados ou indiscriminado a populações civis. Infelizmente, EUA, Israel, Iran, Paquistão, India e Turquia, se recusaram a assinar o documento, ação esta, que isenta tais países de respeitar as Leis retificadas pela convenção a partir de 1949 . Apesar destes países não serem obrigados a seguir Leis internacionais, a responsabilidade moral junto a comunidade internacional é inevitável e irrecusável. A única justificativa plausível de países como EUA e Israel, de se recusarem a assinarem um protocolo que proíbe ataques indiscriminados a civis, é a aceitação declarada de que as políticas internacionais de ambos os países inclui de forma explicita, a possibilidade do uso de força letal contra alvos civis. Isso por si só é algo extraordinariamente absurda, especialmente por se tratar de EUA e Israel. Seria compreensível se a recusa viesse de países como a China e a Coreia do Norte, mas não foram eles, foram exatamente países que costumam adotar posturas de bom samaritano. Estes mesmos países, incluindo a China, votaram contra a criação da “International Criminal Court” (ICC), durante a convenção da ONU em Roma em 1988  para processar e julgar crimes de genocídios, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. O que levou um país como Israel, vitima do holocausto nazista, a votar contra a criação de um tribunal internacional para julgar crimes como o holocausto cometidos contra os Judeus na segunda guerra mundial, é um grande mistério e algo difícil de compreender.

O que esta claro nestes primeiros 15 anos do terceiro milênio é que, a humanidade caminha a passos largos na direção de um abismo sem volta. Não é pessimismo afirmar que a humanidade falhou de forma desastrosa em reconhecer e reverter seu instinto auto destrutivo. Talvez tenha sido esta, a razão de terem nos colocado num planeta não pequeno em relação ao resto do universo. Nossos valores “humanos” nunca foram tão contraditórios com relação as nossas atitudes e nossa realidade. Nossa responsabilidade com o próximo, o respeito com nosso planeta e com os outros seres vivos que aqui habitam, não fazem parte do nosso dia-a-dia. São apenas teorias que os outros devem seguir, nunca a gente. Somos nossos próprios inimigos, e quem precisa de inimigo pior? Pode parecer uma idéia maluca, mas se a humanidade é incapaz de conviver em harmonia num planeta tão generoso como o nosso, é certo que não merecemos mais espaço do que ja temos. A próxima teoria humana a ser desmentida será aquela que afirma que somos seres racionais e os animais são seres irracionais. Vivendo o caos que a humanidade vive hoje em quase todos os aspectos, quem se arriscaria a defender o argumento de que somos seres racionais e inteligentes?

 

1 milhão de crianças Sírias vivem hoje em campos de refugiados. Muitas delas são órfãos de pai e mãe, vitimas da violência, vitimas da falência da humanidade…https://www.youtube.com/watch?v=OjuHRkF2cmA

 

O Governo, A Sociedade E A Mídia: Três Elementos Que Precisam Trabalhar Juntos! (Opinião)

By: Michaell Lange,

London, 17/08/15 –

Os protestos deste Domingo (16) em todo o Brasil refletiram mais uma vez, uma profunda confusão entre o cenário politico e a situação econômica do Brasil. Os protestos que começaram de forma modesta durante a manhã, ganharam forte adesão no meio da tarde onde segundo alguns veículos de comunicação, chegaram a 350 mil pessoas na avenida Paulista. Um numero porem, bem abaixo do que alguns especialistas chegaram a prever. Alguns previam a possibilidade de 10 milhões de pessoas, o que certamente colocaria fim ao governo Dilma caso se materializasse. Mesmo assim, foi um numero expressivo e que precisa ser respeitado. A participação de grupos politicos na organização dos protestos deu argumento para os movimentos pró-Dilma criticarem a influência de interesses partidários, especialmente com a presença do candidato derrotado na ultima eleição Aécio Neves, que se fosse uma pessoa responsável, deveria estar ajudando a encontrar uma solução para o impasse político que parou o Brasil, ao invés de estar colaborando claramente com a tentativa de desestabilizar ainda mais o governo e a economia Brasileira com o intuito de obter lucro político. Mas é valido o argumento de que é impossível evitar influencias partidárias em eventos dessa magnitude.

Nas redes sociais, uma tempestade de videos demonstraram a diversidade de opinião e diferentes níveis de conhecimento político dos manifestantes. Enquanto varias pessoas demonstraram clara insatisfação com o governo e a corrupção sem citar partidos políticos ou interesses partidários, em outros locais pessoas foram agredidas pelo simples fato de estarem vestidas de vermelho. Os pedidos de intervenção militar diminuíram com relação aos últimos protestos, talvez, uma evidencia de que as pessoas estejam entendendo melhor as contradições entre os argumentos democráticos, intervencionistas e aqueles com simples interesse político. É importante dizer que as redes sociais tem sido uma ferramenta crucial na crescente participação dos Brasileiros nas questões políticas e no desenvolvimento de uma geração infinitamente mais politizada e ativa do que gerações anteriores. As redes sociais tem permitido que assuntos não abordados pela mídia geral sejam publicados, abordados e debatidos muito depois do fim das manifestações. Sem duvidas, as redes sociais tem sido uma ferramenta importantíssima para o desenvolvimento de um conhecimento mais apurado e critico sobre a política Brasileira. Apesar de ainda haver claramente, a falta de um conhecimento político adequado e a ausência de pontos importantes nos argumentos apresentados nas manifestações deste Domingo, foi possível observar que ha uma evolução positiva na forma como as pessoas vem se manifestando, sobretudo na questão pacífica. O Brasileiro ainda precisa aprender a se manifestar junto a grupos com opiniões contrarias assim como foi demonstrado pelas torcidas rivais durante a copa do mundo. O respeito pela opinião contraria numa democracia é tão importante quanto a própria democracia. Não é possível protestar a favor da democracia com cartazes pedindo o fim dos direitos Democráticos.

A mídia geral mais uma vez, demonstrou interesse político ao fazer a cobertura de mais um dia de protestos nacionais. Foi possível observar um pequeno esforço de algumas emissoras, de demonstrar uma certa imparcialidade, mas esse esforço precisa ser muito maior que o que foi apresentado. Em alguns canais de TV como a Rede Globo, a forma como a Globo News e o G1 transmitiram o evento, pareceu duas visões completamente diferentes e mesmo que digam que elas sejam independentes, a Globo News fez um esforço maior para convencer seus ouvintes sobre o numero de pessoas na Avenida paulista, algo desnecessário ja que as imagens estavam mostrando toda a avenida tomada por manifestantes. Outras instituições de comunicação como o SBT e a Jovem Pam, infelizmente, adotaram a parcialidade total dos seus meios de comunicação o que foge das suas responsabilidades morais de informar o publico de forma imparcial. As Redes Sociais tem sido uma fonte muito mais adequada de informação do que o material apresentado pela grande mídia. A irresponsabilidade dos principais meios de comunicação do Brasil tem colaborado de forma infeliz, com a confusão informativa em que o Brasileiro se encontra no momento. É de extrema importância que a mídia assuma sua responsabilidade social e informe a sociedade Brasileira com conteúdo informativo confiável. Sem a colaboração das principais instituições Brasileiras, fica praticamente impossível o desenvolvimento de um país melhor e mais justo para todos.

O governo federal mais uma vez, cometeu o erro de permanecer em silêncio e não responder imediatamente as manifestações deste Domingo (16 ), que levou centenas de milhares de pessoas as ruas de todos os estados Brasileiros, incluindo o Distrito federal. A Presidente Dilma tinha o dever e a responsabilidade de ir a TV em rede nacional e reconhecer os movimentos sociais e responder aos argumentos levantados pelas manifestações durante todo o dia de ontem. Ao menos, um porta voz da presidência deveria ter dado um mínimo de satisfação aos manifestantes e ao restante da população Brasileira. Mas a incompetência desse governo parece ter se tornado um problema generalizado. A falta de uma resposta do governo torna a situação política ainda mais delicada pois, demonstra que parte da população não esta sendo representada pelo executivo, mesmo que parte destas pessoas tenham votado na presidente. É lamentável que uma guerra política possa ter posicionado o governo contra qualquer seguimento da sociedade seja ela qual for, pelo simples fato destas pessoas não concordarem com o governo atual. Sejam coxinhas, ricos, patrões, elites ou que for, a sociedade brasileira tem o direito de protestar e o governo tem a obrigação de responder.

A conclusão é que mesmo tendo muito o que aprender, a sociedade Brasileira tem demonstrado uma superioridade em relação a mídia e governo, na forma como vem tem se comportado diante da realidade política que o país esta vivendo. A forma pacifica e ordeira, apesar das contradições e da intolerância de alguns manifestantes em casos isolados, devem ser reconhecidos por todos. A própria esquerda e os apoiadores da presidente tem um exemplo a seguir e algo a pensar com relação ao modo como se comportam nas manifestações. Uma, avenida paulista fechada de vermelho não é uma demonstração de apoio a presidente nem ao país, mas sim uma marca divisora de classes e de ideologias que não ajuda a sociedade Brasileira em nada. Mesmo havendo bandeiras partidárias, não se viu um mar de bandeiras do PSDB, e esse exemplo é preciso ser seguido pela esquerda. A sociedade Brasileira precisa trabalhar junto em prol de um país melhor para todos. As ideologias e os partidos políticos, juntamente com as suas cores, devem ficar em segundo plano. O governo e a mídia precisam assumir suas responsabilidades e liderar a sociedade Brasileira de forma responsável. Enquanto estes três elementos da sociedade brasileira não trabalhem juntos por um único objetivo, continuaremos a viver esse mar de confusão política e a perpetuação do sub-desenvolvimento.