MEGHAN MARKLE E A MONARQUIA

Por: Michaell Lange,

Londres, 20/05/18 –

Foi mais um casamento real, mas desta vez, foi um casamento real com significados que vão muito além de qualquer critica republicana. Ao menos agora, o Amor entre Noivo e noiva é de fato, verdadeiro. Estimativas avaliam que mais de dois bilhões de pessoas assistiram ao casamento real entre Harry e Meghan, agora Duke e Duquesa de Sussex.

Pode parecer estranho, mas diferentemente do que a mídia mostra, há uma crescente divisão na opinião pública Britânica sobre o sentimento com relação a família real. Uma pesquisa divulgada pela Yougov sugeriu que 66% dos Britânicos não estavam interessados no casamento real. Três quintos afirmaram que teriam um final de semana normal, como qualquer outro. Um em cada 10, estariam trabalhando, e apenas 1 em cada 4 Britânicos teriam intensão de assistir o casamento. O número de festas com pedidos para fechamento de ruas para celebrações, também caíram dramaticamente em comparação ao casamento real de William e Kate em 2011. Apenas uma festa de rua foi confirmada na Escócia. Em algumas regiões da Inglaterra a queda de festas celebrando um casamento real chegou a 92%. E o crescente criticismo à família real não se limita apenas aos Republicanos. Muitos Britânicos não aceitam a vida de luxo levada pela família real enquanto o resto do país tem que arcar com uma política de austeridade com fortes cortes orçamentários na saúde, educação e segurança. O sistema de saúde pública Britânico, o NHS, esta em crise. Mais de 40 mil vagas de trabalho não possuem candidatos por conta dos cortes salariais e condições de trabalho. A policia perdeu quase 50% da sua força de segurança e o país vive uma de suas maiores crises de segurança da história. Muitos Britânicos não aceitam caminhar ao lado do Palácio de Buckingham com suas 700 suítes, enquanto 3 mil Britânicos dormem nas ruas do país todos os dias.

Já argumento a favor da família real, é que os benefícios que a monarquia trás ao país, superam todos os custos decorrentes da sua vida extravagante. Londres recebe por ano mais de 6 milhões de turistas. Um benefício econômico que certamente não seria o mesmo sem a presença da família real. A Rainha também é considerada a maior embaixadora do mundo. Uma celebridade que abriu muitas portas e facilitou muitos acordos econômicos para os Britânicos. Quando o Reino Unido precisou fechar acordos com o Brasil, a comitiva Britânica levou o Principe Harry que imediatamente ganhou a atenção da mídia nacional.

De uma forma ou de outra, os casamentos reais sempre trouxeram alguma forma de mudança para a monarquia. A eterna princesa Diana era uma “pedra no sapato da Rainha” porque muitos achavam que Diana era de fato, mais poderosa que a própria Rainha. Diana tinha o mundo a seus pés, e toda sua influência foi usada para causas humanitárias ao redor do mundo. Sua morte trágica e prematura deixou dois meninos sem mãe que o país passou a amar mais do que a própria Rainha. Harry, o filho mais novo do casal, herdou as aptidões humanitários da mãe. Harry viajou o mundo inteiro ajudando milhões de pessoas e ajudando a levantar milhões de dólares em doações para suas causas humanitárias. O povo Britânico sempre quis muito ver o Principe Harry feliz. O anuncio do seu noivado com a Americana, divorciada e de família negra, foi recebida com muita celebração pelo povo Britânico. Era o sinal de que o amor que Diana havia dedicado sua vida a encontrar, continuava vivo no coração do seu filho harry. É importante lembrar que até pouco tempo atrás, membros da família real, poderiam casar-se apenas com alguém da linha aristocrata. Um casamento com uma Americana, divorciada e negra jamais seria permitido. Em 1936 o então Rei Eduardo VIII teve que renunciar o trono para casar-se também com uma Americana divorciada. Principe Harry, pôs fim a tudo isso!

Meghan Markle não é apenas Americana e divorciada, sua família é descendente direta de escravos. Por isso, o significado desse casamento transcende os paredões e as fortificações dos castelos da monarquia, e muda a história para sempre. Como disse o Bispo Americano Michael Curry, durante seu sermão na Capela São George, no Castelo de Windsor, “… Uma nova família nasce… O amor tem o poder de mudar o mundo!”

Principe Harry, introduziu uma negra, descendente de escravos, diretamente no coração de uma das mais conservadoras aristocracias do mundo. Os mesmos aristocratas que iniciaram o abominável comércio escravo. os mesmos que justificavam a escravidão de um negro pelo fato de que negros não tinham alma, e que por isso, não eram humanos. Hoje, recebem em seus palácios reais e em sua mais alta nobreza, Meghan Markle, filha de escrava.

Meghan, não representa apenas uma classe racial. Seus trabalhos em prol das causas humanitárias foram uma das coisas que chamaram a atenção de Harry. E, se alguém tinha qualquer dúvida sobre a influencia que esta mulher incrível traria à realeza Britânica, o sermão do bispo Americano Michael Curry e a presença do coral gospel cantando pop music, durante um casamento real, é evidência concreta de que Meghan não veio apenas para casar-se com Harry, mas para transformar a família real e a sociedade em que vivemos. Meghan, representa o poder do amor e o poder da mulher no processo de transformação do mundo em lugar mais justo e solidário, menos machista e violento. O poder do amor é infinitamente maior que o poder de uma Rainha, é maior do que todas as aristocracias colocadas juntas. Porque como disse o Bispo Michael Curry, “Deus é amor, e o amor é o único caminho!”

Meghan e Harry vieram para influenciar o mundo. Não serão apenas as relações diplomáticas entre os EUA e o Reino Unido que ganharão com essa união. Assim como Diana, Meghan e Harry irão influenciar as relações internacionais e o modo de pensar das pessoas. Eles são, provavelmente, a maior força para o bem atualmente no mundo. Essa união não é apenas um presente aos Britânicos, Meghan e Harry são um presente para toda a sociedade humana. Os trabalhos de transformação do mundo em um lugar mais justo, começaram ontem no castelo de Windsor. O amor é o único caminho!

JESUS CRISTO, OS CRISTÃOS E A POLÍTICA

Por: Michaell Lange,

Londres, 13/05/18 –

A corrupção não afeta apenas o governo. A corrupção afeta todas as esferas humanas, incluindo a fé, a religião e a igreja. A corrupção afeta também nossos valores e virtudes que são, ou deveriam ser, a base de sustentação da nossa sociedade. No Ocidente, os valores Morais e éticos foram promovidos principalmente pelo Cristianismo. Mas, tais virtudes e princípios não são necessariamente dependentes da religião. Outros valores como a liberdade, o espirito crítico, a cooperação, inovação, criatividade, entre outros valores, foram desenvolvidos e conquistados ao longo do tempo por movimentos sociais, como por exemplo, os rebeldes Ingleses que no ano de 1215 fizeram o então, Rei João, assinar a Magna Carta, que é considerada por muitos, a primeira constituição oficial a garantir as liberdades do indivíduo e proteje-los contra a tirania das autoridades.

Porém, o maior promotor de valores Morais, Éticos e humanos, viveu a mais de dois mil anos atrás, e se chamava Jesus de Nazaré. Seus ensinamentos foram tão importantes para a sociedade humana, que mesmo passados dois mil anos do seu assassinato, Jesus continua sendo a pessoa mais reconhecida do mundo. A forma com que falo de Jesus aqui, não é religiosa. Não sou religioso. Mas, sou um grande admirador e seguidor dos princípios e ensinamentos de Jesus. E, por ser seguidor de seus ensinamentos, me considero Cristão, um Cristão sem religião.

A crise moral que vivemos hoje esta exposta, ao meu ver, na corrupção do ser humano atual diante dos ensinamentos deixados por Jesus. Os ensinamentos foram corrompidos e transformados em uma monstruosidade cuja a própria Bíblia ja previa, mas muitos Cristãos não deram, e continuam não dando a devida atenção. Arrisco a dizer aqui que atualmente, a grande maioria daqueles que se consideram Cristãos, são de fato, o oposto disso. O Cristão não é simplesmente aquele que vai a igreja, que ora, e lê a Bíblia. O Cristão é aquele que segue Cristo, seus ensinamentos, seus valores, e procura ser uma pessoa melhor a cada dia ou seja, ser o mais próximo daquele que foi Jesus.  Não é possível ser Cristão e promover o ódio, a discórdia e a intolerância.

Jesus dedicou sua vida a promoção do Amor, da tolerância, da caridade, do perdão, da compaixão. Jesus nos ensinou a compartilhar o pão. Jesus lutou e protestou contra o autoritarismo.  Ajudou os mais pobres, os odiados, os rejeitados, e pediu para que seus seguidores fizessem o mesmo. Jesus nos pediu para não sermos hipócritas, mas sinceros. Jesus pediu para amarmos nossos inimigos e procurar a reconciliação ao invés do ódio. Estes, foram ensinamentos claros de como seus seguidores deveriam se comportar.

Toda uma vida dedicada a promoção do Amor ao próximo, do perdão, da compaixão e da tolerância. Valores estes que ficaram evidentes no momento da sua morte. A crucificação de Jesus foi a prova da grandiosidade do seu espirito. Mesmo sendo brutalmente torturado, Jesus Amou seus algozes, orou por eles, e pediu a Deus por suas almas. Eis aí um verdadeiro Cristão. Aquele que perdoa o assassino do seu próprio filho. Aquele que ama quem lhe quer fazer o mau. Aquele que tolera as diferenças. Aquele que compartilha o pão. Aquele que promove o Amor nos momentos em que o ódio é mais sedutor. Aquele que ajuda os rejeitados.

Jesus é Amor, não é ódio! O objetivo do Cristão deve ser o de ser aquele que jesus foi no momento da sua crucificação. Amor puro! Amor que salva!

Como pode alguém idolatrar aquele que promove a intolerância, o ódio, a divisão, a tortura, a morte, a indiferença, o revanchismo, a vingança e a brutalidade ao próximo, e ter a coragem de se dizer Cristão? Como pode um dito Cristão, compactuar e promover sentimentos e comportamentos totalmente avessos aqueles praticados por Jesus?

Jesus foi assassinado pelo autoritarismo ganancioso do poder. Jesus foi torturado e morto para que seus ensinamentos jamais fossem esquecidos. Jesus foi crucificado para que o caminho do bem fosse tão claro aos Cristãos, que nenhuma força seria capaz de corromper a verdade que os levaria a salvação. Mas, muitos Cristãos hoje, preferiram se juntar aos falsos profetas. Falsos profetas que conduzem seus corrompidos de volta a escuridão. A escuridão do olho por olho, dente por dente. A escuridão do ódio e da intolerância. Não são Cristãos. Podem até ser mitos, mas assim nunca serão Cristãos… Jesus pediu por vossos arrependimentos. Arrependam-se!

 

ANTI-AMERICANISMO (!?)

Opinião de: Michaell Lange,

Londres, 09/05/18 –

Anti-Americanismo – Você se classificaria como um anti-Americano?

O website Dictionary.com classifica o Anti-Americanismo simplesmente como “a oposição ou hostilidade aos Estados Unidos da America, seu povo, seus princípios ou suas políticas”. Há quem classifique o Anti-Americanismo como uma forma de racismo. Anos atrás, uma Americana que vive em Londres, escreveu para o canal de TV Britânico BBC, para relatar os inúmeros abusos que vinha sofrendo pelo simples fato de ser Americana, e como estes abusos são similares ao racismo.

O Anti-Americanismo não é um problema limitado a países ditos, Comunistas ou Socialistas. Na Europa, sobretudo na Alemanha, o Anti-Americanismo sempre foi um problema conhecido. É possível também, sem muito esforço, classificar muitos Americanos na longa lista de anti-Americanos. Em alguns estados do país, há grupos de extrema direita conhecidos, como a Ku Klux Klan, grupos Neo-Nazistas, e outros grupos de Supremacia Branca, que pregam o oposto dos valores e princípios previstas na Constituição Americana. A promoção do sentimento Nazista por exemplo, não vai apenas contra os princípios de igualdade e direitos dos cidadãos garantida por Lei, o Nazismo é uma ideologia que prega além do extermínio de Judeus e outras minorias, prega também, a destruição dos EUA e Inglaterra, duas das mais bem sucedidas democracias do mundo. Americanos que promovem o Nazismo, não são apenas traidores dos princípios fundamentais da nação Americana, mas são também Anti-Americanos.

No Brasil, o Anti-Americanismo segue uma cartilha rasa e irracional, que usa um tom populista para atrair seguidores. Queimar a bandeira dos Estados Unidos em praça publica por exemplo, não é apenas uma atitude patética, é também uma clara evidência de que você é intelectualmente pobre e altamente suscetível a manipulações. Acusar os Americanos de imperialistas é uma outra forma de dizer; “não sei do que estou falando, ou sei muito pouco do que estou falando”. Afinal, muitos dos que acusam os Americanos de imperialistas, usam de meios similares para manter seus partidos políticos no poder. Por tanto, se os Americanos são imperialistas, todos nós, de uma forma ou de outra, também somos. Vale citar é claro, que há exceções em ambos os lados.

Assim como vários outros conceitos equivocados, o conceito de Anti-Americanismo é um exemplo clássico de como as pessoas entendem esse termo de forma errônea e confusa. Vejamos: Se você se considera um anti-Americano, é importante que você entenda porque você tem esse sentimento. A primeira pergunta a ser feita é; Por que? Por que você se sente um anti-Americano? Se você não tiver a resposta para esta pergunta na ponta da lingua, existe uma grande chance de você não ser um anti-Americano, mesmo que você acredite que seja.

Se você gosta do Iphone, de calça jeans, do tênis Nike, da cerveja Budweiser, dos computadores da Apple, do Google, do youtube, do facebook, twitter e Instagram, do ford Camaro ou do Mustang, de rock’n roll, Jazz e Blues, se você gosta das musicas do Creedence, do Gun’s and roses, Metallica, Red hot chilli peppers, Elvis Presley, Pearl Jam, dos filmes de Hollywood, das roupas da QuickSilver, O’neill, Hollister, Levi’s, e de uns Dólares, é muito pouco provável que você seja de fato um anti-Americano.

Mas, se você condena veemente as desigualdades criado pelo Neo-Liberalismo, o consumismo descontrolado, o envolvimento Americano no golpe de 64, os massacres no Iraque, no Afeganistão, no Vietnam e em tantos outros países. É muito provável que você também não seja um anti-Americano, mas sim, um árduo defensor da justiça e dos direitos humanos.

Ser anti-Americano é ser contra TUDO e TODOS que venham dos EUA, incluindo 300 milhões de pessoas que você não conhece e pré-julga que sejam iguais e a favor dos abusos e das atrocidades cometidos pelo governo daquele país. Ser contra o Capitalismo não faz de você um anti-Americano. Condenar a invasão do Iraque não faz de você um anti-Americano. De fato, de Norte a Sul dos EUA, o povo Americano é muito similar aos Brasileiros. A família continua sendo a instituição mais forte da nação. A fé Cristã é promovida em larga escala. O povo é receptivo, e na maioria das vezes, manipulado pela propaganda política e a estratégia do medo que manipula a percepção das pessoas e as faz concordar com idéias que normalmente elas jamais concordariam.

Finalizando esta pequena analise sobre um tema tão abrangente, é importante lembrar que, assim como o Brasil não é apenas o país do Carnaval e do futebol, os EUA não é apenas os erros e crimes cometidos por suas políticas externas. Os EUA não é apenas Nova York e Miami. A grande parte dos seus 300 milhões de cidadãos, são pessoas do bem, que se importam com a vida, se emocionam e se revoltam com a injustiça, sofrem com as imposições de um governo que nem sempre defende o bem estar da maioria. Na crise econômica de 2008, causada por uma elite da Wall Street, 6 milhões de famílias Americanas perderam suas casas. Atualmente, 15% da população Americana é considerada pobre, e 50 milhões de pessoas não tem acesso a saúde. Os EUA não é apenas o sonho Americano, não é apenas armas nucleares. O anti-Americanismo é um sentimento equivocado promovido por um conceito equivocado, que não reflete de forma alguma os valores e os princípios que o território e a maioria do seu povo representam.

MULHER ELEITORA

Por: Michaell Lange,

Londres, 06/02/18 –

 

Hoje os Britânicos comemoram o centenário da aprovação parlamentar do chamado Representation of the people Act  – “Ato de representação do Povo” de 1918, que deu direito as mulheres Britânicas acima de 30 anos e proprietárias de imóveis, de votarem e serem votadas. Apenas em 1928 o direito de voto foi concedido a todas as mulheres. Mas não foi uma conquista fácil, sobretudo por conta de um empasse político entre os dois maiores partidos da época, os Conservadores e liberais, que temiam as consequências da aprovação desse direito. Durante décadas, mais de 1300 mulheres ativistas foram presas e processadas pelo governo. Mas, foi a participação decisiva das mulheres na Primeira Guerra Mundial que fez as opiniões mudarem em favor das mulheres.

Junto com as comemorações do centenário do direito das mulheres ao voto, o governo Britânico estuda a proposta do líder do Partido dos Trabalhadores, Jeremy Corbyn, para um pedido oficial de desculpas do governo e pelo perdão e remoção dos nomes das mulheres presas durante a campanha pelo voto feminino, da fixa criminal do país.

No Brasil, a luta pelo direito das mulheres de votar e serem votadas, durou mais de 100 anos. Foi apenas em 1933 que as mulheres do Brasil tiveram seus direitos reconhecidos pelo governo. A Constituição de 1824, não restringia especificamente o voto das mulheres, apenas dava direito de voto para todo cidadão acima de 21 anos. Porém, o conceito de cidadão da época não incluía as mulheres. A Potiguar Celina Guimarães foi a primeira mulher a ter conseguido o direito de votar após cumprir todas as exigências estabelecidas pelo governo. Mas, foram os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Norte os grandes pioneiros do movimento. Outro nome de destaque dessa conquista é a da Mineira Miêtta Santiago, que ao retornar da Europa com apenas 20 anos de idade, descobriu em 1928, que a proibição do voto feminino feria o artigo 70 da Constituição Brasileira de 1891 que ainda estava em vigor. Carlos Drummond de Andrade teria ficado tão impressionado que dedicou o poema Mulher Eleitora a jovem Mineira, que além de votar, votou em si mesma.

É importante frisarmos que o direito da mulher, seja de votar ou trabalhar com ou sem o consentimento do marido, ou quaisquer outros direitos cuja o homem historicamente limitou-se a dar-se a si mesmo, sempre existiu. A luta nunca é portanto, pelo direito em si, mas pelo seu reconhecimento. Ainda hoje as mulheres são submetidas aos mais inaceitáveis abusos cometidos por homens que ainda acreditam serem superiores. Apesar do movimento feminista ter adotado diferentes frentes ao longo dos anos, o objetivo central continua sendo o mesmo, o reconhecimento de igualdade de direitos com relação aos homens.

Mesmo completando 100 anos da conquista do direito de votar das Britânicas, as mulheres do Reino Unido, continuam a ganhar em média 15% a menos que os homens trabalhando na mesma função. A Nova Zelândia foi o primeiro país a legalizar o voto feminino em 1893. Apesar das grandes conquistas, a luta continua!

 

 

O EXEMPLO A SER SEGUIDO

By: Michaell Lange,

London, 10/08/17 –

 

Como você classificaria um país onde: O seguro desemprego é vitalício. Todas as crianças do país recebem R$350 Reais por mês até completarem 16 anos e não há discriminação de renda familiar. A educação é totalmente gratuita incluindo a universidade. Adultos pagam no máximo R$50 Reais por receita médica para qualquer medicamento, sendo que o governo subsidia o restante do valor ou até 100% do valor do medicamento. O sistema de saúde é totalmente gratuito e um dos melhores do mundo. A licença maternidade é de 1 ano a 18 meses, podendo ser intercalado entre pai e mãe com até 80% do valor do salário pago. Famílias em dificuldades financeiras recebem ajuda para pagar aluguel ou recebem casas do governo por tempo indeterminado. Demissões são proibidas, com raras exceções. O trabalhador tem direito a uma semana de férias paga a cada três meses. Quem recebe até R$50 mil Reais de salário por ano, não paga o INSS, e o trabalhador só precisa trabalhar por dois anos para ter direito a aposentadoria. Além disso tudo, não existe pena de morte, a venda de armas é proibida, e os indices de violência e criminalidade são os menores do mundo.

Muita gente classificaria esse país como utópico. Eu classifico como Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Holanda, Canada e Noruega. Eu incluiria também nessa lista o próprio projeto da União Européia ou seja, não é utopia, eu chamo isso de Democracia Socialista. A Democracia Socialista é ao meu ver, o verdadeiro Socialismo porque é de fato pro-sociedade ou que trabalha em prol da sociedade. O outro Socialismo, com base no Marxismo, é o que eu chamo de Socialismo falso ou burro, porque trás no rótulo um produto quando na verdade é outro. Se o estado ou o governo na forma de sociedade, controla todas as formas de produção, isso não pode ser chamado de Socialismo ou Comunismo. De fato, se o estado controla todas as formas de produção, então trata-se de um regime totalitarista. Você não compraria 1kg de Picanha sabendo que dentro do saco ao invés de carne houvesse na verdade um 1kg de bananas. Então, por que você compraria Socialismo por Totalitarismo? O totalitarismo não tem lado político, ele pode ser tanto de direita quanto de esquerda, assim como é a ditadura. Hitler era um ditador totalitarista de direita. Stalin era um ditador, totalitarista de esquerda.

A Democracia Socialista não pode ser totalitária nem ditadora porque é democrática. A Democracia Socialista não distribui a produção igualmente, mas fornece as oportunidades para que cada cidadão possa exercer suas atribuições livremente. O cidadão que tem ambição e deseja construir um império, tem caminho livre para realizar seus sonhos, assim como aqueles que não tem condições por razões diversas, não são esquecidos pela sociedade.

A Democracia Socialista é diferente da Democracia Capitalista. Na Democracia Capitalista a sociedade não é importante. O individualismo e o capital são os principais atores do sistema. Se você não tem dinheiro para sobreviver e pagar seus custos como por exemplo um tratamento médico, você esta condenado. Nos EUA, 50 milhões de Americanos não tem acesso a saúde porque não há sistema de saúde pública. Você paga um plano de saúde privado ou não tem acesso a tratamento médico. O premiado documentário SICKO, do produtor Americano Michael Moore, faz uma profunda critica ao sistema de saúde Americano e como as pessoas que não tem condições de pagar, tem um dos direitos mais básicos negado pelo estado. Nas Democracias Socialistas isso não acontece. Todos tem total acesso a saúde indiferente da sua condição social e econômica. Você será atendido e tratado sem custo adicional e sem importar o custo do tratamento. De fato, no Reino Unido, se você não tem condições financeiras, o hospital ira busca-lo em casa e depois o leva de volta. É importante frisar que o dinheiro para pagar tudo isso não cai do céu, ele vem dos impostos que são posteriormente redistribuídos em benefícios sociais para todos os cidadãos. Na Democracia Socialista o estado é forte e participativo. O bem estar do cidadão é prioridade. Na Democracia Capitalista o estado é mínimo. É quase um caso de cada um por si e Deus por todos.

Mas, nem tudo são estrelas nas Democracias Socialistas. As sucessões de governos de esquerda e direita fazem a linha Socialista oscilar hora mais para direita, hora muito para a esquerda. O atual governo conservador Britânico por exemplo, mesmo levando um grande susto nas últimas eleições em Junho quando tinha uma vantagem de 20 pontos percentuais antes das eleições e quase se transformou na maior derrota conservadora da sua história, vem promovendo sucessivos cortes orçamentários no sistema de saúde e benefícios sociais que podem levar ao colapso o chamado welfare state, que é a base da Democracia Socialista. Na Alemanha, Angela Merkel na tentativa de equilibrar o número de trabalhadores que a anos vem diminuindo no país, abriu as portas para imigrantes e refugiados causando convulsões políticas e sociais em seu país. A saída do Reino Unido da União Européia, o chamado Brexit, colocou em cheque a fortaleza do projeto Socialista Europeu.

As maiores criticas ao sistema Democrático Socialista é o grande número de benefícios sociais e o poder do estado em regulamentar a economia. Mas sejamos francos, qual seria a justificativa em pagar altos impostos se não o de recebe-los de volta em benefícios sociais? Qual seria a justificativa da existência de um estado senão o de priorizar as necessidades e a proteção dos seus cidadãos?

É importante que o Brasileiro entenda que os benefícios sociais não são gratuitos, eles são o retorno dos impostos que pagamos. E não é nenhum pecado capital querer receber seus impostos de volta, nem que seja para pagar o tratamento médico de pessoas que você nem conhece. O modelo econômico social promovido pelos países da Europa tem um histórico de sucesso que deve ser seguido pelos Brasileiros. Os EUA não é nem de longe um exemplo de sucesso. Com uma dívida de $20 trilhões de Dólares e 50 milhões de cidadãos sem acesso a saúde, os Americanos passam longe da boa vida levada pelos Europeus, sobretudo Alemães e Escandinavos.

A Democracia Socialista não é uma utopia, ela existe e é apreciada por milhares de Brasileiros que vivem na Europa. Quando a questão é qualidade de vida e uma sociedade de sucesso, a Europa é o exemplo a ser seguido…

 

 

O SUS BRASILEIRO E O SUS BRITÂNICO

By: Michaell Lange.

London,16/07/17 –

 

Na ultima Sexta Feira (14), comemoramos a chegada do nosso segundo filho, Líam. Escolhemos o Chelsea and Westminster Hospital no Sudoeste de Londres, o mesmo hospital onde nosso primeiro filho, Thomas, nasceu. Nossa segunda gravides nos colocou novamente em estreito contato com o NHS – National Health Service – o SUS Britânico.  Mesmo sob seguidos cortes orçamentários promovido pelo governo desde a crise de 2008, o NHS ainda consegue promover um serviço de excelência e totalmente gratuito. É importante porém, que fique claro que o termo “totalmente gratuito” significa apenas que o contribuinte não precisa pagar duas vezes pelo serviço como acontece no Brasil e nos EUA. No Reino Unido os impostos são reinvestidos em benefícios sociais. Afinal, qual seria a justificativa de se pagar impostos se não a de beneficiar a sociedade?

É difício para mim entender o termo “governo paternalista”. Esse termo é muito usado no Brasil para criticar os benefícios sociais raramente promovidos pelo governo, como se receber nossos impostos de volta fosse um crime ou uma espécie de pecado capital. O governo de um país não precisa ser paternalista, ele tem a obrigação de ser paternalista! O governo Escocês por exemplo, usa os impostos para financiar 100% da educação dos escoceses até a sua formação profissional universitária. Na Escócia, ninguém paga por medicamentos! Uma vez receitado pelo médico, é só passar na farmácia e retirar sua medicação sem qualquer cobrança. Por que isso deveria ser criticado de paternalismo? A democracia Socialista tem sido desde de 1945, o melhor sistema econômico e social ja implantado no mundo, porque beneficia a sociedade dando ao mesmo tempo, liberdade para o desenvolvimento econômico. A Alemanha, a Escandinávia e o próprio projeto da União Européia são os maiores exemplos do sucesso do sistema democrático socialista. Estes mesmos países detém hoje os maiores superávits do mundo. São os investimentos promovidos com a arrecadação dos impostos que dão suporte ao desenvolvimento econômico. A formação de bons profissionais e uma população saudável e bem formada são fatores essenciais ao desenvolvimento econômico.

A segunda gravidez da minha esposa teve complicações e riscos. Foi preciso inúmeras visitas ao hospital, incontáveis reuniões com os médicos para discutir os riscos, além de uma bateria de exames incluindo Ressonância Magnética e alguns dias de internação. A decisão final foi tomada em conjunto com uma equipe médica de 10 profissionais que decidiram a forma mais segura para o parto. Faríamos uma cesária na trigésima sétima semana de gestação com um time completo de médicos dentro da sala de operação com equipamentos em mãos para o pior dos casos. Nunca e em nenhum momento se falou em dinheiro ou plano de saúde privado. A prioridade foi, desde o início do processo, a vida da minha esposa e a do bebe. E afinal de contas, por que num momento tão delicado de nossas vidas deveríamos nos preocupar com dinheiro? Afinal, para que serve nossos impostos? Na última reunião com o médico chefe da equipe, ao perceber nosso medo diante dos riscos, foi taxativo. Olhando direto para minha esposa, disse: “fique tranquila, não deixaremos que nada de errado aconteça com você!”. Foi como tirar um caminhão das costas.

A cada experiência eu imaginava como seria no Brasil. A distancia do hospital, a precariedade dos equipamentos, a falta de médicos, a demora para fazer exames. Preocupações que nunca tivemos aqui. Em um raio de dez quilômetros temos cinco grandes hospitais incluindo o maior centro de atendimento de emergências do mundo com quatrocentos profissionais e a menos de dois quilômetros de distância da nossa casa. É claro que muita gente prefere dizer que não há comparações entre o SUS Brasileiro e o SUS Britânico (NHS), mas na verdade os fundamentos são muito semelhantes. De fato, o SUS Brasileiro teve como inspiração (especula-se), o SUS Britânico. O que realmente difere os dois SUSs são as prioridades, e a competência de gestão. Não cabe ao meu ver, a desculpa que os recursos Brasileiros são limitados. Essa é uma grande mentira promovida a décadas pelo governo Brasileiro e que pouco incomoda a classe média alta porque esta, tem condições de pagar o plano privado. Não faltam recursos no Brasil pra investimento em todas as areas sociais. Falta sim, seriedade, comprometimento, competência e punição severa para políticos corruptos. O governo Brasileiro esta sob o controle do crime organizado. São traficantes de droga, estelionatários e corruptos que desviam os recursos que deveriam ser usados em benefício social da população Brasileira e acabam em contas bancárias mundo a fora. Esse crime organizado controla tudo no país, desde a policia, o sistema judiciário e todos os repasses de verbas públicas. O rombo causado por esse crime esta estampado em todos os lugares e no próprio rosto dos Brasileiros, cansados de apanhar. O povo Brasileiro, pobre, judiado, explorado e achincalhado, ainda é convencido de que benefícios sociais como os direitos trabalhistas, são os culpados pelos baixos salários e fraco desempenho da economia. Ora senhores, fiquem sabendo que no Reino Unido a demissão de funcionário é ilegal! Uma vez contratado, existem situações limitadas nas quais a Lei permite a demissão. Mesmo um funcionário pego roubando precisa ser alertado e posto em suspensão antes de ser demitido. No Brasil o patrão literalmente caga (perdoe-me o palavrão) na cabeça do funcionário com total convicção da impunidade. No Reino Unido, país tido como Neoliberal (mentira, é um sistema parlamentar social democrata), o funcionário tem direitos e não pode ser humilhado, achincalhado ou demitido por mera vontade do patrão.

O Brasil tem condições de sobra para ter um sistema de Saúde pública melhor que o sistema de Saúde pública Britânico. Falta para o Brasileiro entender que o governo hoje, esta nas mãos dos piores bandidos do país, e são exatamente estes bandidos e não os trabalhadores, os grandes responsáveis pelo sofrimento e miséria do povo Brasileiro. O governo Brasileiro precisa cair por inteiro e ser reconstituído por um novo sistema político que anule o gargalo do repasse de verbas e o totalitarismo de Brasilia. E isso só irá acontecer no dia em que o povo for a luta e arrancar estes bandidos do poder a força se for preciso. Enquanto Brasilia continuar existindo, a saúde do povo Brasileiro continuará em segundo plano…