REGINA DUARTE E JOSÉ DE ABREU: SÍMBOLOS DAS INSANIDADES DA POLÍTICA BRASILEIRA

Por: Michaell Lange,

06/02/20 –

A dramaturgia Brasileira foi elevada ao status de reality show esta semana, com a introdução do elenco televisivo das novelas da Globo para contracenar com o elenco da série política, “a grande família”. Só faltou o financiamento da Lei Rouanet para completar o circo.

Seria talvez, a combinação perfeita para uma peça de tragicomédia, não fosse o fato de que se trata mesmo de uma realidade de distúrbios da realidade política Brasileira.

A nomeação da atriz Regina Duarte, para assumir o rebaixado Ministério da cultura, agora uma mera secretaria recolhida às imposições ideológicas e doutrinarias do atual presidente, foi o suficiente para causar um verdadeiro alvoroço na classe artística Brasileira. Não faltaram críticas dos famosos à “namoradinha do Brasil”. A atriz parece ter sido rebaixada agora, para a posição de “madrasta do Brasil”. Mas, é preciso também dizer que grande parte das críticas se limitaram a sensatez, ao bom senso, e ao sentimento de desilusão depois da aceitação do convite do presidente pela atriz, para assumir o cargo público. Porém, o já conhecido polêmico ator José de Abreu, foi além. Muito além. No twitter, José de Abreu não economizou adjetivos para criticar a atriz, e fez até ameaças. A situação imediatamente viralizou na internet. José de Abreu teria dito que “o fascismo não tem sexo” e que “vagina não transforma mulher em ser humano”. José de Abreu deveria saber que o mesmo princípio de que não se deve combater violência com violência, também deve ser aplicado no combate ao extremismo.

Nas redes sociais, políticos, blogueiros, artistas e até o presidente, exercitaram seus déficits intelectuais para defenderem seus absurdos, justificados pelo ciclo vicioso de retóricas infundadas, mal formuladas, de conhecimento raso, e quase sempre equivocadas, sobre as teorias Marxistas e neoliberais e seus respectivos extremos. O objeto da política, transforma-se em mera plataforma de agressão, como num clássico do UFC – Ultimate Fight Championship – onde o público histérico, agita-se incontrolavelmente a cada golpe desferido.

A exemplo disso, pessoas que defendem com unhas e dentes as declarações claramente racistas, machistas, homofóbicas e truculentas do presidente Bolsonaro, agora sentem-se profundamente ofendidas com as declarações ironicamente similares, do ator José de Abreu. Acionam o Ministério Público Federal, como se tais absurdos fossem uma via de mão única. Não são! O extremismo também não tem sexo, nem partido político, ou ideologia. O que fazem é defender seus loucos para justificarem suas próprias loucuras.

A jornalista, hoje Deputada Federal, Joice Hasselmann, a apresentadora Rachel Sheherazade, o ator Alexandre Frota, e o radialista Reinado Azevedo, por exemplo, gozavam de reputação quase divina enquanto defendiam Bolsonaro durante a corrida presidencial. Bastaram as primeiras criticas após a vitoria do “capitão” para que todos eles passassem a ser alvos de humilhações e difamações de quem antes, eram seus maiores admiradores. Joice Hasselmann foi chamada e comparada com a Peppa pig, personagem infantil que figura a imagem de uma leitoa (porca). Foram demonizados por seus próprios aliados por cometerem o crime “hediondo” de criticarem o chefe. Alguns chegaram a ser afastados dos seus cargos na mídia por conta das criticas direcionadas ao presidente. Do outro lado da moeda, Pedro Bial e Regina Duarte, antes, soldados da esquerda, também foram vitimas da tirania extremista da política nacional. A política Brasileira virou território da insensatez e da falta de bom senso. É uma guerra de irresponsáveis, incapazes de controlar suas línguas e atitudes. Uma verdadeira lastima que expõe a grave crise moral que vive nosso país.

Não bastasse todo o engodo, produzido e reproduzido pelo lixo compartilhado gratuitamente nas redes sociais, extingui-se qualquer espaço para o bom debate progressista, democrático e republicano. É permitido apenas o extremismo das fake news na infinita guerra de acusações mentirosas e difamatórias entre soldados patriotas, contra seus próprios compatriotas. Em meio a tanto ódio e falta de clareza e esclarecimentos, as chances de qualquer resolução, são nulas. A razão dá lugar a insensatez e ao absurdo. O entendimento e o objetivo, deixam de ser importantes. Abandona-se a grandiosidade da capacidade humana de ter e exercer a razão e a consciência, em troca da insignificância do vazio irracional, como num processo de retrocesso intelectual cujo objetivo é a inexistência do próprio ser. É a transformação do ser humano que pensa, em máquina, que apenas reage a comandos.

É assim que classifico o mais novo episódio “Regina Duarte vs José de Abreu”. No teatro dos absurdos da política nacional, tornam-se símbolos dos extremistas, e da loucura que tornou-se o debate político no Brasil. Um verdadeiro salve-se quem puder!

 

 

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