THERESA MAY ANUNCIA NOVAS ELEIÇÕES GERAIS NO REINO UNIDO

By: Michaell Lange,

London, 18/04/17 –

A primeira ministra Britânica surpreendeu o país hoje pela manhã ao anunciar novas eleições gerais para 8 Junho. O anuncio foi recebido com muita surpresa pelos Britânicos que nos últimos dois anos, já passaram por uma eleição geral e um referendum. Theresa May já havia afirmado em diferentes ocasiões que não convocaria eleições gerais antes do final do atual mandato que termina em 2020. Mas, a atual situação política do país fez com que ela mudasse de idéia. De fato, o Reino Unido passa por um momento extremamente delicado, tanto econômico como político e social.

Após a surpresa do Brexit, Theresa May, que era a favor da permanência do país na União Européia, herdou um país dividido e com futuro incerto. Sua principal missão não se resumia apenas a dar andamento a um processo de ruptura política com a União Européia, no qual ela é contra. Theresa May herdou também a difícil missão de evitar um eminente colapso do Reino Unido. A Escócia, que votou massivamente pela permanência do país na UE, quer agora um novo referendo para sair do Reino Unido e continuar fazendo parte da UE. Por outro lado, a Irlanda do Norte, outro membro do Reino Unido, não consegue encontrar um acordo entre oposição e situação para montar um governo que possa assumir sua assembléia. O Reino Unido também enfrenta incertezas quanto ao seu futuro econômico pós Brexit. O país depende quase inteiramente dos serviços financeiros da UE processados em Londres, e que passarão a ficar mais caros após a saída do país da UE. Teme-se que os bancos e empresas de seguros irão trocar o país por locais com operações mais baratas como Frankfurt e Luxemburgo.

Mas a ocasião também é extremamente favorável a Theresa May cujo os indicadores eleitorais a colocam com 20% de vantagem com relação ao segundo colocado, Jeremy Corbyn, que é o líder do Partido dos Trabalhadores Britânicos (The labour Party). Porém, estas eleições também estão sendo chamadas de “O segundo Referendum” porque é quase certo que o Partido dos Trabalhadores irá propor como principal promessa de campanha, a permanência do país na UE. Mesmo que segundo as Leis da UE, uma vez que o artigo 50 (aviso prévio) é aplicado, não há volta, é bem provável que a UE encontre uma maneira de dar a volta neste detalhe legal para ajudar uma possível permanência do Reino Unido na UE. Se isso for possível, Jeremy Corbyn deve usar esse trunfo para as eleições de Junho o que o deixaria (tecnicamente) a apenas 2 pontos percentuais nas pesquisas de intenção de voto, ja que o resultado final do referendum foi de 52% contra 48%. Jeremy Corbyn também terá a seu favor os recentes cortes na educação, saúde e pensões promovidas pelos conservadores. Porém, o maior obstáculo de Jeremy Corbyn nas próximas eleições deve ser mesmo a sua rejeição popular. Apesar de ter transformado o partido dos trabalhadores no maior partido político da Europa em número de afiliados, muitos dos seus próprios membros não conseguem ver Jeremy como Primeiro Ministro.

Nos últimos dois anos o Reino Unido ja passou por uma eleição geral e um referendum que virou o país de cabeça para baixo. Sem mandato, a atual primeira ministra aposta numa vitória para ter apoio total do seu país nas difíceis decisões que ela precisará tomar nos próximos anos incluindo, a possibilidade de ter que transformar o Reino Unido em mais um paraíso fiscal para poder manter os grandes bancos e empresas de seguros operando no país. Depois do anuncio de hoje, o projeto para eleições em Junho ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Britânico que vota o pedido da primeira ministra ja nesta Quarta Feira (19). Mas, o projeto não deve encontrar resistência e conseguirá facilmente os dois terços dos votos necessários para ser aprovado. Uma vez que o parlamento aprovar o projeto, a primeira ministra então com aval da Rainha, deve dissolver o parlamento e todos os membros (deputados e senadores federais) iniciam suas campanhas eleitorais para reeleição nas suas respectivas regiões. O partido dos conservadores da atual primeira ministra, tem uma maioria de 18 cadeiras e espera aumentar esta vantagem nas eleições de 8 de Junho.

Cabe aqui uma rápida analogia com o embate político no Brasil que se arrasta já por vários anos. Obviamente que as comparações aqui devem ficar apenas no âmbito das atitudes dos políticos que aqui no Reino Unido, trabalham juntos para minimizar os impactos negativos na sociedade Britânica que o atual impasse político tem provocado no país. Já no Brasil, os políticos de ambos os lados não se importam em jogar o país inteiro na lama em detrimento dos seus ganhos partidários. Trabalho em conjunto existe apenas na hora do acordo para livra-los da cadeia. Nesse caso, o consenso político é quase imediato. De volta ao Reino Unido, o líder da oposição Jeremy Corbyn, foi rápido em parabenizar a primeira ministra pela atitude de bom senso. No Brasil, Michel Temer, mesmo sem nenhuma moral ou legitimidade para continuar seu governo atolado até o pescoço na lava-jato, se recusa até mesmo a considerar a possibilidade de novas eleições gerais. Infelizmente são estas pequenas diferenças de atitude dos políticos de cada país que acabam por refletir a diferença descomunal entre a sociedade Britânica e a sociedade Brasileira. O Brasil precisa de uma nova classe de políticos. Os Britânicos precisam apenas de um novo primeiro ministro.

 

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