O BRASIL E SEUS ABSURDOS (crítica)

By: Michaell Lange,

London, 25/11/16 –

Tenho acompanhado cada vez mais estarrecido, as noticias sobre o andamento da política nacional Brasileira. É certo que o mundo vive um momento político de extremos, mas o Brasil supera qualquer nação no quesito absurdos. Nosso povo tem esse talento incrível de exceder e redefinir as fronteiras do inacreditável, a ponto de normalizarmos o que seria inaceitável. Não paramos de nos surpreender com nossa própria capacidade de destruir aquilo que daria certo sem precisar fazer muito esforço.

Hoje pela manhã, tentei explicar para um inglês sobre a tal “anistia ao caixa 2” que o Congresso Nacional esta tentando aprovar. Depois da terceira tentativa, pedi desculpas pelo meu inglês fraco e ele disse que o problema não era o meu inglês. Ele não estava mesmo era entendendo e nem acreditando no tamanho do absurdo que eu estava relatando para ele. Não é difícil entender a perplexidade do inglês diante de uma situação tão impensável como esta, mesmo que o próprio Reino Unido esteja vivendo seu próprio pesadelo político neste momento com o Brexit. Mas, a atitude explicita e descarada do congresso Brasileiro em legalizar o crime cometido por deputados e senadores incluindo o próprio presidente da república, que usou dinheiro ilícito para campanhas eleitorais, só é aceitável aos olhos dos Brasileiros. Em qualquer outro país do mundo o governo teria caído por inteiro, fosse pelas mãos da justiça ou abaixo de porrada do povo. Tentem fazer isso na França e o resultado é a guilhotina. Lá não tem avião da FAB para conduzir bandido para Curitiba em classe executiva. O Brasil da tratamento privilegiado a bandidos como Eduardo Cunha enquanto a policia e a população, fuzilam e lincham suspeitos na periferia.

A urgência destes bandidos de Brasilia para aprovarem esse projeto de Lei é compreensível. Até mesmo a mente lenta do nosso povo, uma hora ou outra cai na real e invade a capital em busca de justiça como fez em 2013. O crime do caixa 2 é um certificado de cassação de mandato e nesse caso em especial, só restaria o pessoal da limpeza em Brasilia.

Pessoalmente, no que se refere a política Brasileira, parei de acreditar no impossível, e passei a acreditar em possibilidades porque no Brasil, tudo é possível. A começar pelo impeachment da presidente Dilma. A peça chave para possibilitar a aprovação de um plano inconstitucional e ilegítimo que derrubaria uma presidente democraticamente eleita, se encontra preso por corrupção e lavagem de dinheiro. O próprio presidente Temer admitiu a farsa ao declarar em entrevista, que a presidente Dilma caiu por ter recusado uma proposta da base aliada na qual Temer chamou de “ponte para o futuro”. Não que eu tenha sido contra a queda da Dilma. Pessoalmente acredito que ela tenha sido a presidente mais incompetente da história Brasileira. Mas, num país democrático, o presidente deveria cair da mesma forma com que subiu ou seja, pelo voto. A exceção seria o crime, mas nem isso conseguiram provar contra a Dilma. Ao contrário, a maioria dos que votaram a favor do impeachment estavam sob investigação por corrupção e lavagem de dinheiro. Agora, os mesmos bandidos querem anistia ao crime que cometeram. O artigo quinto da Constituição Federal é usado como papel higiênico em Brasilia e o povo parece não fazer muita questão de impedir a pratica, desde que não usem a bíblia para as mesmas finalidades.

O povo Brasileiro também não deixa por menos com seu comportamento indiferente e vergonhoso diante de tanta sujeira política. Fico imaginando o que poderia ser mais patético do que assistir pessoas piscando a luz da sala do seu apartamento e batendo panelas contra a corrupção, na esperança de aparecer no Jornal Nacional. Como se isso fosse comover os senhores da corrupção em Brasilia. Espero que nunca aconteça, mas se um dia um ladrão bater na porta da sua casa, experimente piscar a luz da sala para ver se ele vai embora. Francamente, é vergonhoso! Outros preferem ir as ruas protestar em favor da democracia segurando uma faixa pedindo o fim da democracia. Como é possível ter esperança num país assim? O médico formado em universidade federal ou seja, 100% financiado pelo povo, critica o governo de ser assistencialista. O ser vivo que não pagou um centavo pelo curso universitário e ja na sua primeira consulta ira cobrar do mesmo povo que pagou sua formação,  faz críticas ao bolsa família que paga R$60 Reais por mês para uma família pobre não passar fome. Como ter fé num país onde o pastor pede para o crente deixar seu carro para a igreja e ir embora a pé, e depois vai embora de helicóptero carregado de dinheiro, dando risadas da desgraça alheia? Os mesmos pastores que se dizem filhos de Deus, protetores da moral e dos bons costumes, se reúnem hoje a um presidente ateu para planejar um golpe e livrar os próprios rabos dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro que cometeram contra a nação. É tragicamente cômico!

Querem eleger Bolsonaro como o próximo presidente do Brasil. Como não chorar diante de tamanha pobreza intelectual? Querem eleger um cara que usa o lema “bandido bom é bandido morto” mas senta ao lado de bandidos todos os dias. Trabalha com bandidos todos os dias, e vive no maior ninho de ratos do país. Tem bandidos como aliado para promover sua próxima candidatura a presidência da república, que usa o lema bandido bom é bandido morto que na verdade significa, pobre e negro da periferia bom, é pobre e negro da periferia morto. Apóia projeto de lei que prevê salário vitalício para vereadores do Rio de janeiro onde a policia militar enfrenta um narcotráfico com poder anti-aéreo  maior do que a própria policia do seu estado. Como é possível viver num país que vê Bolsonaro como solução para qualquer coisa?

Me sinto constrangido e envergonhado ao assistir o comportamento patético dos políticos e do povo Brasileiro diante dos absurdos que ocorrem no país nos últimos anos. Mas a minha vergonha não é de ser Brasileiro. Essa vergonha eu nunca tive. Eu não entreguei meu passaporte na saída e nunca farei isso. Mas, rebato as criticas de que é fácil falar aqui de fora. O sofrimento de quem ama é igual em qualquer lugar do mundo amigos! É bem verdade que a ausência de medo aqui, colabora com a qualidade de vida, mas o que isso tem a ver com a minha crítica ao Brasil?

Tenho certeza que a maioria dos Brasileiros sairiam do Brasil hoje se tivessem oportunidade, e nem por isso eu os culparia. Quem tenta lutar por um país melhor acaba linchado pela policia militar em praça pública como aconteceu com os professores em Curitiba, ou são taxados de vagabundos como aconteceu com os estudantes. Fico imaginando um rótulo para quem protesta acendendo e apagando a luz da sala do apartamento ou confundindo a bandeira Japonesa com uma bandeira comunista,  e ainda vai dormir orgulhoso por ter aparecido no Jornal Nacional.

Poucos percebem que eu poderia ter esquecido o Brasil para viver como muitos Brasileiros vivem aqui, dizendo que são Italianos ou Portugueses. Mas eu amo meu país, talvez mais do que muitos que me criticam por morar fora. Quero ver meu país dar certo. Quero ver meus amigos tendo melhores oportunidades. Quero ver minha família tendo acesso a uma vida melhor. Mas me recuso a jogar esse jogo sujo e viver num lugar onde ser honesto e sério é quase um pecado capital. Por isso, assisto aflito e inquieto aqui de fora, ao desenrolar de mais um capítulo triste da nossa história. É difícil assistir calado a deterioração de um país que a pesar do potencial, se recusa a aceitar que tem condições de ser um país de primeiro mundo. Por isso critico o que precisa ser criticado, e peço que não tentem tirar meu direito de critica-lo. Não existe argumento que impeça uma crítica, existe apenas o medo de aceitar a condição na qual a crítica denuncia. A minha denuncia não é um insulto. Minha denuncia é um convite desesperado a reflexão, porque a verdade pode ser uma ofensa, mas não é um pecado. Apresentem seus argumentos e eu terei o prazer de debater novas idéias. Hoje, mais uma vez, assim como milhões de Brasileiros, eu também vou dormir com raiva…

 

ELEIÇÕES AMERICANAS: POUCO MUDA SEJA QUAL FOR O RESULTADO

By: Michaell Lange,

London, 08/11/16 –

Como se fosse uma batalha final entre o bem e o mal, as eleições Americanas toma conta dos noticiários na TV, no radio e nas redes sociais. O mundo segura a respiração enquanto os Americanos votam para escolher entre o Diabo e o Demônio para ser o próximo presidente da maior potência bélica do planeta. Motivos para preocupação não faltam, mas por culpa do desbocado Donald Trump, a face obscura de Hillary Clinton deu lugar a uma visão de “a menos pior ” entre duas escolhas muito ruins. É difícil imaginar como os EUA foi chegar a situação de ter os dois piores candidatos da história Americana, como únicas opções na mesma eleição. Paralelamente, é possível entender como o Brasil foi parar em situação semelhante. Fala-se aqui no Reino Unido, em um desastre sem precedentes caso Trump seja eleito. Mas, como sempre questiono. Desastre para quem? Afinal de contas, quem realmente perderia com a eleição de Donald Trump?

A resposta para essa pergunta, encontrei na história recente dos EUA. Com todos os absurdos falado por Trump sobre os negros, as mulheres e os Muçulmanos, não seria difícil concluir que as minorias seriam as mais prejudicadas  por um provável governo Trump. Mas, vejamos um pouco do que tem acontecido até o momento nos EUA. O governo Bush tomou posse pouco antes dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, e por consequência, deu inicio ao que ficaria conhecido como a campanha militar mais desastrosa da história Americana depois do Vietnam. A invasão do Afeganistão e do Iraque foi o apse da guerra contra o terrorismo. Dez anos depois, e centenas de milhares de civis mortos, Bush retirou as tropas Americanas do Iraque deixando para trás um país em frangalhos, sem governo e sem Lei, abrindo caminho para o surgimento do Estado Islâmico. O mundo certamente não se tornou um lugar mais seguro, muito pelo contrário. Ao final do governo Bush, o planeta acordava para a pior crise financeira desde o final dos anos 20.

A chegada de Barak Obama na casa Branca trouxe esperança de um país melhor e de um mundo melhor, sobretudo para as minorias. Mas, logo as esperanças foram dando lugar a decepção. A promessa de fechar a prisão de Guantânamo no seu primeiro ano de mandato não se concretizou, e não se concretizaria até o final do seu governo. A campanha militar desastrosa na Líbia e posteriormente na Síria, deixaria centenas de milhares de civis mortos e milhões de refugiados. As mortes de inocentes no Paquistão, causadas por drones Americanos, também não ajudou Obama. Ele também não conseguiu combater a pobreza em seu país que chegou a 15% da população. Ao final do seu segundo mandato, 50 milhões de Americanos não tem acesso a saúde. A política externa de Obama só não foi um total desastre porque conseguiu de certa forma, reconciliar as relações com a América do Sul, mesmo que para o povo Sul-americano estas relações não significam algo positivo. Ja no Oriente Médio, Obama foi um desastre total, e nem mesmo os Afro-Americanos se beneficiaram do primeiro Presidente Americano negro. Nem na era Bush a policia Americana matou tantos negros inocentes. Obama também não conseguiu mudar as Leis de armamentos nos EUA e de modo geral, muito pouco mudou para as minorias e para as classes trabalhadoras Americana.

Hillary, seria a continuação do governo Obama, incluindo as políticas desastrosas no Oriente Médio e a continuação da impunidade nos casos de mortes de negros por policiais brancos, que parece ter atingido níveis epidêmicos no país. Hillary foi Secretária de Estado no governo Obama entre 2009 e 2013 e muitos a criticam de ter sido a Secretaria de Estado mais desastrosa da história do país. Talvez, o único motivo a ser comemorado em uma vitória de Hillary seria o fato de ela ser a primeira mulher eleita presidente dos EUA, e logo após o governo do primeiro presidente negro. Além desse motivo, há muito pouco a ser comemorado.

Ja no caso de Trump, apesar das trapalhadas, há talvez, algo a ser comemorado. Trump se colocar como desafiante contra o sistema estabelecido. Mas até que ponto isso é verdade é difícil dizer. Sem experiência em cargos políticos, Trump apostou suas fixas no seu sucesso profissional. Mas mesmo isso é questionável. Trump herdou grande parte da sua fortuna e foi a falência seis vezes. Há quem diga que se ele tivesse investido sua herança em uma poupança, teria feito mais dinheiro. Outros críticos comparam Trump com Paris Hilton, que investiu sua herança e hoje tem mais dinheiro que Trump.

Os fatos mostram que ambos os candidatos são extremamente ruins tanto para os EUA, quanto para o resto do mundo. Indiferente de quem seja o próximo presidente Americano, as chances são de que as classes que hoje sofrem para conseguir emprego, boa educação e tratamento médico, continuem a enfrentar os mesmos problemas. Obama talvez tenha sido a melhor chance de mudanças concretas para o país, mas muito pouco foi de fato concretizado. É difícil imaginar que alguém consiga fazer as mudanças que Obama prometeu e fazer o país voltar a ser o que ficou conhecido como o sonho Americano. É certo que nenhum dos atuais candidatos estejam dispostos a sacrificar o necessário para promover as mudanças que o país tanto precisa. Resta porém, o espetáculo promovido pela mídia que faz das eleições Americanas, talvez o melhor programa de comédia e entretenimento do momento. O mais certo é que, se você não é negro, hispânico ou Muçulmano, não há motivos para pânico.

AMERICAN ELECTIONS:THE DEVIL OR THE DEMON? YOU PICK.

By: Michaell Lange

London, 01/11/16 –

Let’s be honest, we are living in a world where Democracy is just a word used to promote a set of common interests that seems to benefit everyone but it benefits only a few. Its like other words such as Republican, Democrat, Socialism, right and left. Although they are different in theory, the fact is that no matter where the choice goes or whoever is in power, the world continue the same path of being controlled by an ever smaller group of people. The election in the United States is a very good example of that. The media makes the people worried about the possibility of Trump winning the election and become the new president of the US. The fact is, doesn’t matter who wins this elections, very little will change for you. You might feel good if you found yourself in the winner side, but that will be it. I say that because Barak Obama was the closest  America ever came to real change, but look to America today after two Obama mandates. Very little changed. America is today, not very far from where Bush left the country. To me, the inability of Obama to really change the country tells a lot about Democracy and voting, and it’s evidence that whatever the results this time, little will change for ordinary Americans.

The central problem might be the people’s mentality towards governments. We are very easily influenced by the media propaganda, and the media is, unfortunately, part of the government. We love a show, and the media gives what we want and we forget how serious elections are. The power of the media to influence people means that vote becomes almost irrelevant because most of the people will follow the media instructions and vote for whoever they want you to vote for. It’s not a problem limited to America though. It’s the same all over the world, and it shows how fragile democracy can be. If you are influenced by propaganda, it means that your vote isn’t really yours. If you vote based on political party or poll results, your vote actually belongs to someone else, and someone else will decide who you should vote for.

The media will take any opportunity to make elections a big show to sell news by making people exited and scared. Donald Trump in this case, is golden card. Whatever you call Trump, it will sell. He is the devil, the monster, and at the same time, the saviour. The more controversial he is, the better. Last week for instance, The American TV channel NBC published a poll showing Trump 1% ahead of Hillary. The entire world media picked up that news, but in fact, 1% difference is inside the margin of error of NBC poll, which means Trump isn’t in front, but in a technical tie with Hillary. The media knew it, but  who cares? NBC’s public relations saw a great opportunity to sell and went for it. The fact that it might influence the elections result don’t really matter as long the channel is making the most of it. The morning after Brexit, Britain supposed to be gone in thin air. Well, we are still here. Of course there will be trouble, but for ordinary people, not for the big ones. They never lose whatever the results. The Brexit itself was won based on lies, and even the people who voted for it, realised they were fooled. We all were. Even I, a remainer, knew that the argument for remain were flawed. I did my own research and voted with conviction. The Americans should do the same.

In general, people will vote in whoever makes the biggest show and attract more attention, as if it’s a game of seduction instead of electing the people who will manage your money and your life for the next 4 or 5 years. If the candidate is funny, good looking, and controversial, it has a good chance of winning. Little matter how prepared he or she is to become president. The fight is for appearance, no matter how dumb he or she is. That’s why Trump has a good chance to win. In the battle of the dumbs he is in front. That’s why Boris Johnson is loved in Britain no matter how incompetent and a convicted lair he might be.

I see people very worried about the possibility of Trump being elected. I have no doubt that, if elected, Trump will be no different than the other American presidents. It’s important to remember that the way the president looks, doesn’t really translate how good or bad he or she will be. George W Bush and Tony Blair are good examples of that. They looked smart, intelligent, competent, charming and credible, but they made the whole world a very dangerous place and were responsible for hundreds of thousands of deaths including Americans and British people. There is no doubt Trump is a stupid man, but he is rich, and in a world where life is less important than money, he can be whatever he wants. On the other hand, if you think Hillary is any better, forget it. She has a history of disaster policies not to mention she is the establishment in person. Trump has no history in government jobs and that is positive for him. However, either candidates will do little for the average American struggling to meet ends meet. It has been this way since Ronald Reagan, and after Obama failure, I doubt change can ever be achieved. Certainly, not with these two. Whatever the results of this elections, Bankers and big corporations will continue to profit, while the average men and women will continue to struggle. I don’t want to sound pessimist, but look back 30 years and you will see the pattern. Very little changed within the social infrastructure, and I am sure neither Trump or Hillary will do anything to change it.

We must stop this carnival, and stop glorifying these people as if they are Gods. They are not! They are just opportunist people wanting to be more famous and more powerful. They don’t give a damn to your family. We must stop following our masters and start thinking by ourselves. Individualism is a force against us. We must think like a society where everyone helps each other instead of compete against each other. The actual system benefits only those in power and slave everybody else. Unfortunately, it seems that Americans once more, fell for the snake seduction skills. If I was an American, I would refuse to vote for these two. The American people deserve better. The whole world deserve better!