O DESAFIO DA ESQUERDA BRASILEIRA (opinião)

By: Michaell Lange.

London, 07/10/16 –

A esquerda Brasileira tem um desafio monumental pela frente para restabelecer a confiança do eleitor. Será preciso um exercício extraordinário para combater a corrupção em um partido que tem como uma de suas principais obrigações, o combate a corrupção. Resta saber se há disposição e seriedade no partido para enfrentar seus fantasmas e promover a reforma que é agora, mais urgente do que nunca. 

A esquerda Brasileira precisa deixar de lado a política burra. Atacar a direita como forma de estratégia para ganhar eleitores é um tiro no próprio pé. Seria preciso o apoio da mídia pra que essa estratégia desse certo, mas isso a esquerda nunca terá. A esquerda fechou um ciclo com Lula. Ele promoveu estratégias inteligentes e moderadas. Mas foi seduzido pelo encanto do sistema corrompido pelo qual tirou proveito ao invés de destruí-lo por completo. Lula fez um meio serviço a nação. Tirou milhões da extrema pobreza, uma conquista histórica e mundialmente reconhecida. Mas, não havia mais nada para o povo pobre se desenvolver. É fato que os escândalos de corrupção foram a gota d’agua para o PT, e essa negligência partiu ja do primeiro governo Lula, que preferiu o conforto do sistema corrompido, do que implantar um plano de reformas a longo prazo que desse atenção a esse grave problema Brasileiro. Mas cabe aqui uma reflexão. A direita participou ativamente desse sistema corrupto que dita o jogo político, desde a independência do Brasil. Mas sempre saiu ileso das acusações por causa dos amigos da mídia. Foi assim nos oito anos de FHC, e foi assim agora com Aécio e Alkmin liderando o avanço do PSDB em quase todo o país. Ter a grande mídia a seu favor é uma vantagem desleal. Isso é inegável. Mas também é fato que isso não irá mudar. Os interesses defendidos pela direita, beneficiam a mídia. Ja os interesses da esquerda não.

A corrupção não é um problema que se limita a esquerda Brasileira. Mas é muito mais grave e inaceitável quando a corrupção tem origem na esquerda. É como o policial bandido. Você espera que um bandido cometa crimes, mas não espera isso de um policial. É compreensível ver a direita envolvida em corrupção. Os valores da direita estão ligados ao capitalismo, e o capitalismo é essencialmente corrupto. Os valores da esquerda estão ligados a tudo que é humano, social e justo. Por tanto, a corrupção originária da esquerda é muito mais chocante e repugnante, porque trai uma de suas maiores responsabilidades. A corrupção é certamente o maior problema que a esquerda enfrenta no momento. Sua credibilidade esta diretamente relacionada a sua capacidade de promover e combater as injustiças sociais. Promover a corrupção é inaceitável! Escândalos de corrupção nos partidos de esquerda, joga na lata do lixo a justificativa da sua própria existência. Para o PT e seus aliados de esquerda sobreviverem, isso tem que acabar.

A corrupção no PT é igual a do PSDB. O grande agravante é que o PT é justamente o partido com a responsabilidade de acabar com a corrupção no governo. Não é papel da esquerda se beneficiar de um sistema corrupto só porque ele ja existia antes da sua chegada. É papel da esquerda combater a corrupção e não se beneficiar dela. Apontar o dedo para os escândalos e os crimes praticados quase abertamente pela direita, não esconde os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro praticados pela esquerda, e em especial o próprio PT. Limpar o sistema corrompido que dita as regras no Brasil, é de responsabilidade do PT. Mas, como limpar um sistema corrupto se o próprio partido se beneficia dele? O PT e a esquerda terão que fazer uma autocrítica, e fornecer uma proposta completa e detalhada que restaure a moral do partido e restabeleça a confiança dos seus eleitores. De uma forma ou de outra, o desafio e o sacrifício sera uma escalada ao monte Everest, a montanha mais alta do mundo. Somente a conquista do topo dessa montanha trará de volta a confiança do eleitor PTista.

As relações entre o alto escalão dos partidos, junto aos movimentos sociais de base, precisam melhorar muito. É de extrema urgência que os partidos de esquerda participem mais ativamente dos movimentos populares de forma a garantir que os valores e os ideais promovidos pela esquerda, sejam garantidos e promovidos com maior inteligência e eficiência. Participar de protestos apenas quando é preciso, é muito pouco. Essa relação precisa ser em regime de cooperação e em tempo integral. É fundamental que os valores defendidos pela esquerda sejam restaurados e claramente definidos. Não haverá sucesso nas próximas eleições sem que os partidos de esquerda, sobretudo o PT, tenham plena consciência dessa necessidade. A reforma deve envolver todos os níveis da esquerda. No Reino Unido, esse processo ja vem ocorrendo a mais de uma década. Desde o chamado “new labour” ou “o novo partido dos trabalhadores”, promovido por Tony Blair e Gordon Brown no inicio dos anos 90, o partido dos trabalhadores Britânico, tem retornado as suas origens sem o radicalismo ideológico dos anos 70. Corrupção não é um problema endêmico como no caso do PT, mas um problema de alguns poucos indivíduos. O Partido tem se concentrado especificamente na manutenção do sistema de educação, direitos trabalhistas e no NHS, o sistema de saúde pública Britânico, considerado um dos melhores do mundo. Por muitos anos o Labour Party (Partido dos trabalhadores) enfrentou sérios problemas com um grupo de radicais marxistas que por anos controlou os sindicatos e promoveu verdadeiras batalhas nas ruas do Reino Unido. Hoje, apesar da desastrosa campanha no Iraque, liderada por Tony Blair, o Partido dos Trabalhadores Britânicos aprendeu as lições do passado e é hoje, um partido moderado e sem ultra radicais. Mesmo seu atual líder Jeremy Corbyn, que é acusado de radical o tempo todo pelos conservadores e pela mídia, não se compara aos anos que precederam o governo conservador de Margaret Thatcher. O partido tem hoje, um sistema democrático para escolher seus líderes através do voto direto, onde cada membro ou associado ao partido, tem direito a voto. No partido dos conservadores, são seus membros do parlamento que decide internamente, quem será o próximo líder. Os valores defendidos pelo partido, continuam sendo os mesmos valores Socialistas, sendo que os direitos trabalhistas são um dos seus principais programas de governo.

Os partidos de esquerda do Brasil poderiam olhar um pouco mais para fora do seu ciclo de comunicação e aprender a fazer reformas como o Partido dos Trabalhadores do Reino Unido fez. O PT, principal partido de esquerda no Brasil, precisa resolver de uma vez por todas o radicalismo na base do partido que causa distúrbios e garante munição para a direita usar contra o próprio PT. O Movimento dos sem terra (MST) e alguns sindicatos, se comportam de maneira inaceitável e totalmente incompatível com os valores que a esquerda deveria defender. Ignora-los não ajuda a causa. É preciso assumir o compromisso de reformar estas instituições ou desligar-se delas completamente. A violência não pode ser uma ferramenta de controle usada por instituições como o MST, para promover suas políticas sociais. Não é possível criticar a brutalidade e a força excessiva da Policia Militar e silenciar-se diante dos abusos promovidos pelo MST e outros radicais de esquerda. O radicalismo de ambas as partes deve ser criticado e combatido por ambas as partes. Criticar apenas o radicalismo da direita, expõe o próprio radicalismo da esquerda. Ambos, são inaceitáveis. O próprio Lula tem se comportado cada vez mais como o Lula dos anos 80. Vale lembrar que aquele Lula radical que pregava o calote da divida Brasileira, nunca venceu eleição. Porém, o Lula de 2000 em diante se tornou um ícone internacional. É importante que Lula não perca o controle emocional diante da atual situação, e mantenha sua mente livre de qualquer revanchismo. Reformar a esquerda é mais importante que qualquer picuinha pessoal. Um pronunciamento errado do ex-Presidente tem o poder de lançar o Brasil numa guerra civil onde no final, haverão apenas perdedores.

As eleições municipais da ultima semana foram um divisor de águas para a esquerda. Indiferente da credibilidade e legitimidade com que a direita tem se comportado, isso não muda a realidade atual. O PT tinha mais de 600 prefeituras em todo o Brasil antes das eleições e hoje tem apenas 200. Haddad fez um governo progressista em São Paulo e perdeu no primeiro turno para um candidato que nunca havia vencido uma eleição antes. Indiferente da legalidade do impeachment, a realidade é que Dilma Rousseff não é mais presidente do Brasil. A mensagem é mais do que clara. Ou a esquerda resolve seus problemas internos, ou 2018 escorrerá por entre seus dedos e cairá de graça nas mãos do PSDB de Alkmin. É fundamental que o PT tenha consciência dos desafios a sua frente, e não deixe que ressentimentos e provocações tirem o foco do partido da necessária reforma que precisa ser feita agora. Será necessário muita inteligência, liderança e auto-critica para que o PT possa recuperar o prestigio que exercitou durante mais de 10 anos. O problema é que talento e seriedade são virtudes escassas no PT no momento. Cabe a seus principais líderes, a responsabilidade de navegar o PT e a esquerda Brasileira, na direção de um porto seguro, de preferência um porto que não seja necessário o pagamento de propina para atracar seu barco com segurança. A limpeza precisa começar agora!

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2016: A NOVA GEOGRAFIA DA POLÍTICA NACIONAL

By: Michaell Lange.

London, 03/10/16 –

O resultado das eleições municipais de 2016 no Brasil revelaram uma mudança na geografia política do país. O modo como os Brasileiros votaram surpreendeu, mas também comprovou velhos hábitos. As agências de comunicação mais uma vez, influenciaram o eleitorado, e os principais institutos de pesquisa do país se equivocaram de forma extraordinária. O PT levou a surra merecida. Mas o PMDB e o PSDB surpreendentemente, não só evitaram a surra merecida como ganharam força em quase todo o país.

Um dos fatos mais marcantes destas eleições foi a expressiva rejeição da esquerda pelos eleitores Brasileiros, sobre tudo pelo PT. O Partido dos trabalhadores foi linchado nas urnas e perdeu grande parte da sua força expressiva no país, incluindo locais onde o PT historicamente sempre foi forte como no ABC Paulista e grandes cidades do Norte/Nordeste. Na cidade de São Paulo, o PT sofreu uma de suas piores derrotas da história. O atual prefeito Fernando Haddad (PT) que concorria a reeleição, perdeu feio ainda no primeiro turno para o candidato do PSDB João Doria. O tucano obteve uma expressiva margem com um total de 53, 29% dos votos, contra apenas 16,70% de Haddad. Das 55 cidades que terão segundo turno, o PT esta presente em apenas uma, Rio de janeiro. Somando os partidos de esquerda, apenas 6 estão na disputa pelo segundo turno. De Norte a Sul do Brasil a esquerda perdeu força. No Rio de Janeiro, a esquerda disputará o segundo turno com Marcelo Freixo do PSOL contra Crivella do PRB.

É perfeitamente compreensível a rasteira que o PT sofreu neste Domingo (2) depois dos grandes escândalos de corrupção que dominaram a política nacional nos últimos anos, e terminaram com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas cabe aqui uma rápida análise com relação aos outros partidos não menos corruptos que o PT, e que ao contrario do partido dos trabalhadores, ganharam expressão em quase todo o Brasil. A rejeição ao PT poderia levar a uma conclusão de que o povo votou contra a corrupção. Mas, como explicar o ganho em expressividade de partidos como o PSDB e o PMDB, que foram os dois partidos juntamente com o PT, que mais apareceram em escândalos de corrupção nos últimos anos? O PMDB foi aliado do PT por 13 anos e teve um dos seus maiores nomes, Eduardo Cunha, cassado por corrupção e lavagem de dinheiro. O PSDB liderado por Aécio Neves, foi um dos mais citados nas investigações da Lava Jato por envolvimentos em corrupção e lavagem de dinheiro .

Uma possível explicação seria a forte exposição que a grande mídia deu ao PT durante os escândalos do Mensalão e Petrolão, sobretudo no caso do Impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em contra partida, o PSDB e o PMDB sofreram menos pressão da mídia e foram, segundo alguns, blindados por grandes agências de noticia do país. É difícil julgar ao certo o que levou o eleitor a rejeitar o PT de forma tão clara, mas recompensar ao mesmo tempo, o PSDB e o PMDB que caminharam de mãos dadas em alguns dos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil. O escândalos da merenda escolar em São Paulo teve pouca exposição na TV e deu a impressão de que o PSDB acabou se beneficiando da situação. Deveria ter sido uma mensagem clara de rejeição a corrupção, mas o eleitor preferiu não punir o PSDB e o PMDB da mesma forma que fez com o PT. Uma outra possibilidade pode ter sido o fator Sergio Moro. O Juiz Federal que prendeu grandes e velhos caciques da política Brasileira e ganhou notoriedade internacional, apesar de algumas de suas ações terem sido questionadas por colegas que duvidaram da legalidade de algumas prisões autorizadas por ele, também parece ter tido grande influência no eleitorado nestas eleições. Moro foi aplaudido por eleitores ao votar em Curitiba. Dias antes das eleições, Moro havia autorizado a prisão de dois ex-ministros do governo Lula, e isso também pode ter tido peso na forma como o eleitor resolveu votar. É visível que muitas agências de comunicação como a Rede Globo, a Joven Pan, a Veja, Folha de São Paulo entre outras, sempre apoiaram partidos e candidatos da direita. Estas mesmas agências foram responsáveis por uma grande campanha anti-PT que tomou conta do país inteiro. Esse poder de alcance, muito provavelmente, teve grande peso na hora do eleitor punir o PT. Infelizmente e surpreendentemente, o PMDB e o PSDB escaparam quase ilesos. De fato, o PSDB avançou muito em todo o Brasil.

Um outro fato curioso e que sempre causa polêmica depois das eleições no Brasil, é o questionamento com relação a segurança da urna eletrônica Brasileira. Pode ser apenas um sinal do conhecido preconceito com produtos nacionais, mas desde a reeleição do presidente Lula, a urna eletrônica vem sofrendo fortes críticas com relação a sua possível vulnerabilidade. Mesmo políticos que foram eleitos pela mesma urna que elegeu Lula e Dilma, afirmam que as urnas eletrônicas podem ser facilmente fraudadas. O deputado federal Jair Bolsonaro, que foi um dos eleitos pela mesma urna que elegeu Dilma, chegou a criar um projeto para tornar a urna eleitoral mais segura, mas teve seu projeto rejeitado pelo governo. As alegações de que o PT estivesse fraudando a urna eletrônica para poder reeleger seus candidatos, perdeu sua justificativa depois da histórica surra deste Domingo (2). Cabe agora a pergunta; será que os mesmos críticos como Jair Bolsonaro, continuarão por a segurança das urnas em cheque agora que os resultados beneficiaram a direita? ou se calarão e não falarão mais sobre isso? Também cabe semelhante pergunta a esquerda; será que eles assumirão o papel de criticar a credibilidade das urnas eletrônicas agora que os resultados não foram favoráveis a seus partidos políticos? O tempo certamente nos dirá.

Uma outra questão que ficou evidente nestas eleições foram as pesquisas de intensão de voto, que apresentaram dados completamente divergentes da realidade demonstrada pelos resultados das eleições. A pesquisa de boca de urna do Ibope SP, apontava para um segundo turno entre Doria com 48% e Haddad com 20%. Doria acabou vencendo em primeiro turno com 53,29% dos votos. A pesquisa foi divulgada pelos principais meios de comunicação do país e demonstram a fragilidade na credibilidade da informação que o eleitorado Brasileiro esteve exposto. No Rio de Janeiro o erro foi ainda mais grotesco. Segundo o Ipope, Marcelo Crivella teria 38% dos votos contra 14% de Freixo. No resultado oficial, Crivella ficou 27,78% contra 18,26% de Freixo. Uma disparidade inaceitável considerando o grau de influencia que estas agências exercitam em todo o país. O Datafolha também apresentou grandes diferenças na comparação com os resultados publicados pelo Ibope e também com relação ao resultado oficial das eleições.

Em conclusão, a forte punição que o eleitorado Brasileiro merecidamente deflagrou contra o PT e a esquerda de modo geral, deveria ter sido estendida também aos partidos que igualmente participaram dos escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro, nos quais o PT esteve envolvido. Punir apenas um dos lados, certamente transmitiu a mensagem errada. Para o PT, ficou a lição de que não basta boas políticas públicas para se manter no poder. É preciso rejeitar o jogo sujo que rodeia o governo federal e criar alianças saudáveis e inteligentes entre todos os principais partidos políticos. Por 13 anos o PT jogou o jogo político sem se preocupar em muda-lo. Hoje, o PT e a esquerda colhem as consequências dessa negligencia. Ja o PMDB provou que sua velha estratégia continua dando certo. E para que mudar um time que esta ganhando o jogo que ja dura o mesmo tempo da sua própria existência? O povo, através do voto, é o único que mudar isso, mas tem demonstrado pouco interesse em faze-lo. Se a punição do PMDB igualasse a do PT, nem a presidência da república o PMDB teria mais. Mesmo com um dos seus principais caciques sendo cassado por corrupção e lavagem de dinheiro, as eleições municipais de 2016 provaram mais uma vez, que o poder exercido por esse partido que hoje controla a presidência da república com uma figura no mínimo arisca, é hegemônico e quase ilimitado. O PSDB, surpreendentemente cresceu em todo o país. Essa talvez tenha sido uma das maiores surpresas destas eleições. Um partido tão desgastado, corrompido e sem credito ou moral, conseguiu um daqueles milagres que ninguém acreditava ser possível.  As eleições municipais de 2016 mudaram a geografia política no país. Apesar do Brasil continuar dividido, agora é a esquerda que tenta juntar os frangalhos e recomeçar de novo. O desafio sera brutal. Serão poucos os que apostarão que o incrível talento de Lula em articular com a oposição será suficiente para recuperar um partido tão desgastado. A direita até este Domingo (2), não tinha se quer candidato para disputar as eleições de 2018. Agora eles tem. A vitória de Doria no primeiro turno das eleições em São Paulo, faz de Geraldo Alkmin, um candidato fortissimo para 2018. A vitória na capital Paulista, dará ao seu atual governador, oportunidade única de demonstrar a sua capacidade de transformar o estado de São Paulo e chegar a 2018 com plenas condições de vencer a eleição presidencial. Lula precisará de muita saúde, disposição e talento articulador para competir contra essa nova força tucana. Mas, antes de qualquer coisa, Lula precisará se manter longe da cadeia ou de qualquer condenação que o impeça de ser candidato em 2018. A campanha para a presidência da república ja começou!