UM MODELO ECONÔMICO QUE PODE TRANSFORMAR AS RELAÇÕES ENTRE EMPREGADO E EMPREGADOR (debate)

 

O atual modelo econômico das relações entre empregado e empregador é insustentável e extremamente injusto. É possível desenvolver um novo modelo que inclua a classe trabalhadora como parte acionista da empresa ao invés de serem apenas um custo indesejável e ferramenta de exploração. O que você acha? Vamos debater novas idéias?
Uma empresa funciona basicamente em dois eixos totalmente dependentes ou seja, um não existiria sem o outro (exceto em algumas exceções).
O eixo numero 1 é formado pelo quadro de funcionários de base, composto por todos que trabalham a partir do office boy, pessoal da limpeza até o gerente geral.
O eixo numero 2 é formado pelo alto escalão a partir da mesa diretora até os acionistas (shareholders), e é tão importante quanto o eixo numero 1.
No atual modelo econômico, apenas o eixo numero 2 (alto escalão), é devidamente recompensado pelos serviços prestados a empresa mesmo que nenhum resultado positivo possa ser alcançado sem a colaboração do eixo 1 (funcionários). O eixo numero 1 é de modo geral negligenciado (apesar de haver exceções). A minha pergunta é: Se os dois eixos são totalmente dependentes um do outro, por que apenas uma das partes é devidamente recompensada?
No modelo econômico sugerido aqui, os dois eixos são recompensados e beneficiados pelo sucesso da empresa em que trabalham. Dessa forma, todo mundo colhe o sucesso produzido por todos e eventualmente, repartem também as responsabilidades pelos erros e prejuízos que ocorrerem pelo caminho.
Vamos usar uma empresa imaginária com mil funcionários como exemplo. Neste caso, 25% da empresa pertenceria aos funcionários de base, do eixo 1. Os outros 75% pertenceria ao eixo 2 que pode ser um único dono ou um grupo formado por diretores acionistas, investidores e outras empresas. Dessa forma, os funcionários não são apenas coadjuvantes na história de sucesso da empresa. No atual modelo os funcionários continuam recebendo o mesmo salário mesmo quando a empresa apresenta crescimentos expressivos. O time de diretores e gerentes que produzem os projetos e planos futuros são essenciais para o sucesso da empresa, mas todo o planejamento e experiência dos empreendedores não valeriam de nada sem o trabalho dos mil funcionários para colocar o plano em prática. Se os dois eixos são essenciais para o sucesso da empresa, por que apenas o alto escalão é recompensado? O gráfico de crescimento salarial dos funcionários deveria acompanhar o gráfico de crescimento da empresa. O que acontece hoje largamente em quase todo o mundo, é o oposto. Empresas apresentam crescimento ao mesmo tempo que os funcionários perdem poder financeiro. Em muitos casos esta perda salarial é consequência da situação econômica do país, porém é verdadeiro afirmar que essa perda também é consequência de uma negligência da empresa  com relação a seus funcionários. É um fenômeno global o lobby the grandes empresas para a redução dos direitos trabalhistas. Por outro lado, esse problema seria minimizado se os funcionários possuíssem 25% da empresa. É injusto que os funcionários recebam apenas um salário fixo que na maioria das vezes não é suficiente para cobrir os custos do mês, ao mesmo tempo que seu trabalho ajuda de forma vital o crescimento da empresa.
Não se trata apenas de uma questão de justiça
O quadro de funcionários de base assim como o alto escalão, são partes fundamentais da empresa, e muitos empresários como o dono do Grupo Virgin, Sr Richard Branson, afirma que os funcionários são os maiores “assets” da empresa ou seja, para Branson, o quadro de funcionários é o maior patrimônio do Grupo Virgin. Muitas empresas investem milhões de Dólares todos os anos em campanhas de motivação. O que poucos empresários não percebem é que em muitos casos, se não na grande maioria, a principal motivação para o funcionário é a mesma do empresário ou seja, sucesso financeiro! O poder financeiro que torna possível um funcionário de base, seja ele office boy ou funcionário da limpeza, de levar a família para uma viagem de férias no final do ano e comprar um carro novo por exemplo, é na maioria dos casos a principal fonte de motivação de um funcionário. Quantos mil Reais seria preciso investir para motivar um funcionário que mal ganha para pagar as contas no final do mês, sabendo que a empresa em que ele trabalha apresenta crescimento de lucro ao mesmo tempo que seu salário segue congelado a anos? Quantos mil Reais seria preciso para motivar um funcionário que assiste todos os dias os diretores da empresa irem para casa dirigindo um carrão enquanto ele terá que enfrentar uma jornada de várias horas dentro de um ônibus sem ar-condicionado quando a importância dos dois para a empresa é a mesma? Não se trata apenas de justiça. É uma questão de sucesso compartilhado. É uma questão de recompensa mútua que irá gerar naturalmente a motivação necessária para a continuação do sucesso da empresa. Trata-se do reconhecimento de uma parceria que coopera para o sucesso da empresa.
Os possíveis problemas 
1 – A teoria vs pratica – Considerando o atual cenário econômico mundial, é difícil dizer a real viabilidade do sistema proposto que em teoria deveria funcionar sem grandes dificuldades. É importante citar também que o atual sistema econômico é insustentável e certamente sofrerá colapsos futuros por conta do empobrecimento na base da pirâmide social. Talvez o modelo econômico atual seja apenas o reflexo de uma pratica centenária que poderia ser revertida com um pouco de vontade, planejamento e cooperação por parte dos empresários ao redor do mundo.
2 – Legislação – considerando que a economia mundial é interdependente, o sucesso desse modelo econômico não poderia ser atingido por meio de Leis e regulamentação, ja que países competem entre si para atrair investimentos assim como as empresas estão sempre a procura de locais que proporcionem maiores benefícios a seus investimentos. Certamente não seria um diferencial para nenhum país que tenha uma Lei obrigassem empresas a liberarem 25% dos seus ativos para o quadro de funcionários.
3 – A legislação trabalhista e a logística para implantação do novo modelo – Dúvidas surgiriam sobre a relação legal entre funcionários e a empresa. Afinal, os funcionários seriam acionistas ou apenas funcionários com direito a 25% dos lucros? Em caso de demissão, como o caso seria tratado legalmente? Seria possível demitir alguém que legalmente é um acionista da empresa? Provavelmente os 25% não poderiam estar sob o controle dos funcionários a pondo de um funcionário poder vender a sua parte. Isso levaria inevitavelmente ao fim do modelo dos 25% quase que imediatamente após sua aplicação. Para poder funcionar, os 25% teria que fazer parte de um bloco lacrado onde os benefícios seriam divididos, mas as ações não poderiam ser vendidas.
4 – Experiência – Eu não sou empresário, muito menos um empreendedor. A situação de classe trabalhadora em que ocupo me torna suspeito de falar sobre o modelo que proponho acima. Por tanto, seria importante termos a opinião de empresários e economistas para que a idéia seja desenvolvida com maior credibilidade e a sua viabilidade seja analisada de forma mais abrangente.
Conclusão
O 25% é apenas um número relativo que pode ser maior ou menor, dependendo da empresa e do quanto a empresa deseja atrair os melhores trabalhadores para o seu quadro funcional. Da mesma forma que o salário é usado hoje para atrair bons funcionários, os 25% seriam o grande diferencial que levaria funcionários a permanecer muito mais tempo na empresa. Eu diria que considerando os riscos que os donos e acionistas correm, além da experiência e formação profissional, os 75% seria talvez, um número justo. Mas como eu sugeri acima, esse é um debate que precisaria da opinião de empresários e economistas com experiência para uma análise mais apurada sobre os possíveis prós e contras dessa idéia. Teoricamente, a idéia ajudaria na alto-estima dos funcionários que passariam a ser incluídos no projeto empresarial com direito a voz, além de ajudar a economia promovendo maior poder de compra ao funcionário que certamente gastaria mais acelerando a compra e venda de bens de consumo. Se a atual relação entre funcionário e empresa se resume apenas em uma cultura centenária que envolve a divisão de classe social, talvez seja hora de mudar esse conceito e a cultura que gera empobrecimento e exploração da classe trabalhadora para o benefício único e exclusivo do enriquecimento de uma pequena parcela da sociedade. Se os funcionários de uma empresa se unirem e pararem de trabalhar, o futuro da empresa é a falência total. A habilidade de manter funcionários desunidos, seja por meios estratégicos ou legais, não pode continuar sendo uma desculpa para a exploração da mão de obra humana. Uma empresa sem funcionários não tem futuro, assim como o oposto também é verdadeiro. A recompensa porém, continua sendo uma via de mão única, e essa realidade precisa mudar. Você aceitaria o desafio ao debate?

EMPLOYMENT RIGHTS: FIRMS ARE EXPLOITING SELF-EMPLOYMENT CONTRACTS. THIS MUST STOP!

By: Michaell Lange,

London, 14/08/16 –

The Court of Justice is about to expose what has been claimed to be a scandalous employment rights’ exploitation. Delivery and minicab firms throughout the UK have been accused of denying their drivers of basic working rights such as minimum wage, sick pay and holidays, by imposing self-employment contracts upon them. This would stop these companies from complying with would otherwise, be their obligations.

It became normal practice throughout this industry. Delivery and minicab drivers have been working as self-employed sub-contractors when in most cases, the atributes of their jobs are similar or equal to those stated as workers and employees. Nevertheless, Hundreds of thousands of drivers are working with little or no employment rights at all. A spokesman from the Department for Business, Energy and Industrial Strategy (BEIS), told The Guardian newspaper last week that, “An individual’s employment status is determined by the reality of the working relationship and not the type of contract they have signed”. If that is the case, almost all minicab and delivery drivers working in the UK on the bases of a self-employment contract, should have their employment status upgraded to worker or employee. “Individuals cannot opt out of the rights they are owed, nor can an employer decide not to afford individuals those rights. Employers cannot simply opt out of the National Living Wage (NLW) by defining their staff as self-employed.” (The Guardian)

How it works

If you are looking to become a delivery/minicab driver, you will be asked with few exceptions, to sign a contract with one of many operators in the country. You will need to have a full UK driving license and a PCO license (if you want to carry passengers). You will then, be given a van, a motorbike or a car, depending on the type of the job you are signing up for. It works on a rental contract. A XDA or PDA will also be provided so you can receive details of jobs you are going to do. You will also be given uniform, ID badge and a call sign. Once you are ready to go, you will receive jobs, but only from the company you have signed up for. You are not allowed to work for anybody else. Do it privately or pick up a passenger without pre-booking and you will be breaking the Law. As a private hire driver, you are only allowed to pickup passengers with pre-bookings. Your company (not you), will decide which driver will get a particular job as well as, how much you will be paid for it. Unless you are a car owner, you will be using a company car, usually with the company logo on it, an uniform and equipment. They will have total control over how many jobs and how much they will pay you every day. Your responsibility is to be available for work as long as possible. You are required to work at least 12 hours a day. The courier company charge a commission fee on each job you do which can be up to 60%, plus car rental and insurance. Any damage to the car or equipment and you will be charged for it. You also have to pay for any traffic related incidents like penalty charges, punctured tyres, broken windscreen, windows and fuel. All time lost on repairs, services and recovery, are at your cost. You are not entitle to receive sick pay, overtime, or holiday.

You have to log in to the company’s system at the start of your shift and wait for the first job to come in. Once you have a job, you must do it, although, some companies allow up to 25 seconds on ASAP jobs for the driver to accept or refuse it. However, refusing a job can put you in serious trouble with the company, and if you keep refusing jobs you will be made inactive. So for instance, if you live in Richmond and you are in central London waiting for a job towards home after your 12 hour shift and you are given a job going to Stansted, you are expected to do it, even if you have to drive 30 miles empty back home.

In most cases, the first job is quickly allocated, but during half-terms and school holidays it can take up to an hour. During summer, specially during July and August, some drivers might work 12 hours shift and do as little as 3 or 4 jobs. The costs on insurance and rent remains the same throughout the year. January is also a very quite month. During these periods, a van and minicab driver, working 12 hours a day, six days a week might get up to £450 pounds before costs. Costs are usually: Rent: £100/170 pounds; Insurance: £55/70 pounds; fuel: £100 pounds and Tax. That is per week, considering you have no traffic related incidents. It is not unusual to see drivers working on a loss during down periods. Even during pick times it is getting harder and harder for drivers to breakeven. This is where companies benefit from self-employment contracts, as they have no obligations such as sick pay, holiday and minimum wage towards their drivers. Drivers on the other hand, have no rights and have to bare all the costs. Companies can also hire as many drivers as they please as they have no added costs in doing so. It increases availability and consequently  increases their revenue. However, for the drivers it means more competition, less jobs and consequently less revenue. The car rent paid by the drivers usually pays all the costs the company would have with the car, and that’s including the leasing contracts. At the end of the leasing contract the company will have a car which can be sold for a clean profit. The drivers that actually paid the lease by paying car rental every week, gets nothing in return.

After the introduction of UBER in 2013, and the arrival of private equity firms to control many of the big companies, job prices are going down to attract more costumers. They are also charging more from drivers to work for them. Lowering the prices is a good thing to attract more costumers, but in some cases drivers are paying the full cost of these changes while companies will not lose any revenue by lowering prices. Some companies for instance, are giving up to 30% discount to passengers during off pick, but this 30% discount is entirely paid by the driver. Commission are also up. Cash jobs used to be commission free. Now there is a 20% commission on it. In many cases the driver has a 50% cut on his payment at the start of a job, and that’s even before they pay for car rent, insurance and fuel. In these cases, drivers will be left with almost nothing at the end of the job. There are many cases where after 70 to 80 hour worth of driving in a week, your average payment can be as little as £4 pounds per hour, much lower than the legal minimum wage. Anyone earning £4 pounds a hour in London will be fighting to survive. So for example: on a cash job from SW1 London to Heathrow, the  driver used to be paid an average of £70 pounds. Today, the driver has to pay 20% commission to the company he/she works for, plus 30% discount given by the company and charged from the driver. That means, the driver will now be paid £35 pounds before car rent, insurance, Fuel and tax, if there is no traffic related incidents. At the end of the job you will be left with as little as £10 pounds. But, this is not all. Once you drop off a passenger at the airport, you can either drive back to central London empty, or wait for a job at the airport which can take at least 2 hours as you are placed in a queue system. Either way, the driver will lose money by driving back to town empty, or waste at least 2 hours waiting for another job at the airport. It became a no win situation made worse by a self-employment contract that gives little or no rights to drivers and no obligations from the company you work for.

What we have noticed as result of these new corporate strategies, is that companies are increasing their revenue while drivers (the only source of revenue for most of courier companies) are experiencing a sharp drop of up to 50% on their earnings. In the other hand, to keep their heads above the water, drivers have been forced to work longer hours, which in return, increases availability and improve even more the company’s results. There are many reports of drivers working over 100 hours a week  just to make ends meet. It is utterly unfair and extremely dangerous for everybody including costumers.

Big courier companies have been able to get away with it for years, but now it seems drivers had enough. There are countless court cases against courier and minicab companies going through the courts at the moment. If the Courts decide these drivers should be treated as workers or employees, companies throughout the country will have to pay compensation as well as upgrade their drivers status from self-employed to workers status. That means they will have to pay the same rights as any worker should have in the first place. It will change the industry as a whole and stop companies from abuse the system for their own benefit. The future of thousands of families throughout the UK are depending on how the Courts will rule these cases. If justice is to be above money, drivers must have some money back and the culture of abuse should stop immediately. Justice must be done for professional drivers.

 

Source: https://www.theguardian.com/society/2016/aug/14/deliveroo-told-it-must-pay-workers-minimum-wage?CMP=twt_gu

 

A CERIMÔNIA DE ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS E O BRASIL

By: Michaell Lange,

London, 08/08/16 –

É preciso interromper o contínuo sentimento de um dia ter orgulho e no outro vergonha de ser Brasileiro

Durante os dias que anteciparam a cerimônia dos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, alguns amigos e conhecidos Europeus, me perguntavam se eu assistiria a cerimônia de abertura. Minha resposta sempre foi: Sim claro! Mas dentro do meio peito o coração andava apertado, angustiado. Eu estava na verdade, sentindo medo. Era como uma certeza de que mais uma vez, passaríamos vergonha perante o resto do mundo. E toda essa tensão não era injustificada, muito pelo contrário, o Brasil vinha nos últimos anos, batendo todos os records de absurdos possíveis nos seus 194 anos de história. O vexame dos 7 a 1, o crime sem culpado em Mariana, o Impeachment votado por criminosos em Brasilia, o teatro da vergonha no congresso nacional. Como acreditar num país que declara amor e orgulho a si mesmo e ao mesmo tempo é o grande vilão da sua própria miséria? Não, é claro que eu não acreditava mais. A grande maioria dos Brasileiros parecem não acreditar mais. O objetivo é a sobrevivência, os sonhos são realizados pelas novelas. Planos futuros é o que faremos no próximo final de semana. É claro que perante tanta estupidez, violência e corrupção, minha esperança de um Brasil que da certo estava a beira do abismo. Mas eu também celebrei com muita alegria e com a inocência de um típico Brasileiro tolo, quando nosso país ganhou o direito de sediar a copa do mundo do esporte mais amado do planeta, e o maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas. Era a oportunidade que precisávamos para o Brasil crescer de fato, pensei na ocasião. Com a economia em alta, os dois maiores eventos esportivos do mundo, o que mais nos faltava para encher o Brasileiro de orgulho e entusiasmo? Pensei, com a inocência tola de um Brasileiro. Descobri que nos faltava todo o resto.

Depois de 13 anos vivendo no Reino Unido, aprendi que “ser”, vai muito além da simples existência. Para sermos de fato, é preciso viver a verdade que desejamos, e não apenas esperarmos que ela aconteça, ou que os outros a tragam sem a sua contribuição pessoal. O coletivo para ser, precisa do grupo. O plural de um, não existe. A realidade de uma sociedade é formada pelo conjunto das atitudes diárias de seus sócios. O Brasil por tanto, é o que os Brasileiros são no dia-a-dia, e não aquilo que eles dizem que é, ou desejam que seja. O orgulho não é possível ser antecipado. Ele somente é, depois que o “ser” deixa de ser apenas um desejo ou um objetivo, e passa a ser a verdade. O orgulho do futuro não existe. Não existe estudante orgulhoso da sua graduação. Não existe desempregado orgulhoso do seu futuro emprego. Não existe solteiro orgulhoso do seu casamento. Existe apenas o orgulho do passado, se este foi verdade, e o orgulho do presente, se o presente for verdadeiro. O Amor transcende todo o resto, mas não pode ser confundido com paixão. A paixão é como o nacionalismo. É intenso e forte, mas ausente de razão e inteligência. O Amor, nessa comparação, seria o patriotismo, que cuida e quer bem o tempo todo. Por isso, questiono o Brasileiro quando canta alto nos estádios e nos protestos; “Ah eu sou Brasileiro com muito orgulho e muito amor”. Infelizmente não somos. Nós apenas desejamos e sonhamos ser. O Brasileiro deseja “ser” um Brasil que ainda não é verdade, e que precisa de atitude individual para poder ser então, plural e coletivo, verdadeiro. O orgulho Brasileiro, ainda é um nacionalismo tolo, irracional, impulsivo, militar, e imaginário como a falsa fé que precisa de força física para existir. A fé verdadeira é silenciosa, não precisa aparecer. O Brasileiro que ama e tem orgulho de verdade não precisa gritar, ele apenas existe na sua forma natural e nas suas atitudes; esta presente constantemente como o amor de uma mãe que não se pode ver, mas esta sempre lá, presente. Não existe a necessidade de demonstrar. A vibração de um gol é alegria momentânea pois, logo queremos outro. O Amor e o orgulho verdadeiro é como o silêncio do universo que não precisa de som para demonstrar sua grandeza.

E por falar em grandeza, Joaquin Osório Duque-Estrada, não mentiu quando escreveu: “…Gigante pela própria natureza…”. O potencial do nosso país é tão grandioso e óbvio que revolta só de imaginar o quanto milhões de Brasileiro sofrem todos os dias apenas para garantir sua subsistência. É como se o Brasil fosse uma Bugatti Veyron e o Brasileiro, um motorista que nunca dirigiu um carro. Quando meus amigos Britânicos e Europeus me perguntam o que esta acontecendo com o Brasil, eu dou o exemplo da Bugatti sem motorista habilitado porque de fato, é isso que nos falta, uma habilitação para dirigir um carro potente sem causar um acidente a cada curva da estrada do desenvolvimento.

Na Sexta Feira, dia da cerimonia de abertura dos jogos Olímpicos do Rio, eu ja estava sofrendo antes mesmo do inicio. Sofrimento, diferentemente de orgulho, pode ser sentido antecipadamente como forma de ansiedade e medo. Sentado em frente a TV assistindo o pré-show da BBC, meus pensamentos eram só pessimismo. Típico de um Brasileiro que não acredita em si mesmo. Era como assistir o Rubens Barrichello na F1; você sabe que ele vai terminar em quinto. Mas eis que o gigante pela própria natureza por vezes, nos da um daqueles chacoalhões que nos acorda para as potencialidades que nosso país possui e usufrui tão pouco. O Brasil ganhava ali sua primeira medalha de ouro. A abertura dos jogos Olímpicos se resumiram em três palavras: Simples, barato, e espetacular! A simplicidade do nosso povo foi perfeitamente incorporada nas nossas condições econômicas, e espetacularmente exposta numa explosão de cores e movimentos que refletiram a riqueza cultural e diversa do nosso país de maneira sublime. Foi difícil conter as lágrimas. Nosso patrimônio artístico e cultural deixou sua mensagem de que cultura e arte não são coisas de vagabundos e comunistas. A arte e a cultura são elementos que dão forma a identidade Brasileira e não podem ser negligenciadas por interesses ideológicos e partidários.

Mais uma vez provamos que somos capazes de criar espetáculo, mesmo nas condições mais adversas. Somos capazes de superar todas as dificuldades e surpreender os maiores críticos. Somos capazes de alcançar nossos objetivos e obter sucesso por nossas próprias mãos. Tudo que precisamos fazer é acreditar em nossa própria capacidade. O Brasileiro é um povo resiliente, empreendedor, lutador e corajoso. É fato que nos falta inspiração, mas como ficou demonstrado na cerimonia de abertura dos jogos Olímpicos; nossa cultura, nossa história e nossa arte, podem ser nossas inspirações que iluminará o difícil caminho que nos levará a um perpétuo processo de desenvolvimento sócio/econômico que beneficiará todos os Brasileiros. O Brasil tem condições de ser verdadeiramente uma história de sucesso, e isso ja ficou evidente em inúmeras ocasiões. Mas para que o sucesso aconteça, precisamos eliminar nossa tendência auto-destrutiva que historicamente nos acompanha e nos freia, e reconhecer que nossas diferenças ideológicas e culturais não são partes de um problema mas sim, partes da nossa riqueza cultural e diversa que fazem do Brasil um país único. Precisamos acabar com o ciclo do sentimento que nos faz ter orgulho de ser Brasileiro um dia, e sentir vergonha no outro. Dessa forma, poderemos verdadeiramente, sermos Brasileiros com muito orgulho e muito Amor.