O CAOS BRITÂNICO PÓS REFERENDUM NÃO PARA DE SURPREENDER O MUNDO

By: Michaell Lange,

London, 01/07/16 –

Tem sido uma semana extraordinária na política Britânica. O voto a favor da saída do Reino Unido da União Européia causou uma Tsunami sem precedentes na política e na sociedade Européia, sobretudo no Reino Unido. Os dois principais partidos Britânicos, os Conservadores e os Labours (trabalhadores), implodiram diante da situação política mais caótica no país nas ultimas décadas. O Labour Party (partido dos trabalhadores) pediu a saída do seu líder Jeremy Corbyn depois de fracassar na campanha pela permanência do país na União Européia. Corbyn sempre foi contra a permanência do Reino Unido na União Européia, mas precisou defender a visão do seu partido incluindo a de seus eleitores, de permanecer na UE mesmo contra a sua vontade. Corbyn foi acusado pelos principais membros do seu partido de fazer uma campanha “banho maria” e não demonstrar nenhum entusiasmo durante a campanha pré-referendum. Depois de se recusar a renunciar seu posto de líder dos trabalhadores a pedido dos seus próprios membros do parlamento, Corby assistiu a maioria dos seus ministros de Gabinete renunciarem seus postos em protesto a sua permanência como líder do Partido. Mesmo depois de perder uma votação de credibilidade interna do partido onde 172 membros do Parlamento declararam não ter confiança na liderança do seu líder contra apenas 40, Jeremy Corbyn relembrou que foi eleito por 60% dos voto dos membros do seu partido e por isso, não renunciaria sem novas eleições internas. Ao mesmo tempo que Corbyn sofre seu maior ataque interno desde sua expressiva eleição no ano passado, membros do Partido dos Trabalhadores continuam dando seu apoio ao atual líder.

Por outro lado, no partido dos conservadores, depois da Renúncia do Primeiro Ministro David Cameron, tudo indicava que o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, seria o sucessor de Cameron como líder dos Conservadores e Primeiro Ministro. Ninguém duvidaria que Boris Johnson concorreria ao cargo de líder do seu partido contra a atual secretária de estado Theresa May. Boris Johnson era sem sombra de dúvidas o mais cotado para suceder David Cameron na próxima eleição do partido que será realizado na convenção dos conservadores em Setembro. Porém, hoje pela manhã, pouco antes de Boris Johnson anunciar oficialmente sua candidatura a líder dos Conservadores, o  ex-Ministro da Educação,  que também foi Ministro do Tesouro e Ministro da Justiça Michael Gove, que esteve lado-a-lado de Boris Johnson durante toda a campanha do referendum a favor da saída do país da UE, surpreendeu o país ao anunciar sua própria candidatura a líder dos Conservadores e declarar que não tinha confiança em Boris Johnson para liderar os Conservadores ou ser Primeiro Ministro Britânico. A mídia Britânica foi a loucura com a extraordinária e surpreendente declaração do principal aliado de Boris Johnson até o presente momento. Enquanto todas as agências de comunicação e as redes sociais tentavam entender o estrago causado pelo tornado “Michael Gove”, Boris Johnson adiava brevemente seu pronunciamento para logo depois anunciar que estava desistindo da sua candidatura a líder dos conservadores. Os Britânicos assistiam em choque o desenvolver de um turbilhão político que tomava conta de todos os meios de comunicação do país. A incrível e inesperada declaração de Michael Gove virou a política Britânica de pernas para o ar. Boris Johnson poderia sobreviver a qualquer ataque ou criticismo sem abalar suas grandes possibilidades de se tornar o próximo primeiro ministro Britânico, mas as declarações do seu “homem de confiança” provou ser demais para o carismático e popular ex-prefeito de Londres. A mídia sem dúvidas, nunca teve tanto do que falar. Até a humilhante derrota do time de futebol Inglês pela seleção da Islândia na Eurocopa ficou ofuscada pelos acontecimentos pós-referendum.

Enquanto isso nas ruas do país o povo se divide sobre o resultado do referendum. Protestos a favor da União Européia tomaram as ruas ao redor do Parlamento Britânico liderados por jovens estudantes que acusam os mais velhos de não pensarem no futuro do país ao votar pela saída do Reino Unido da União Européia. Uma petição online ja acumula mais de 3 milhões de assinaturas pedindo um novo referendum. Por outro lado, os números de ataques racistas e xenofóbicos contra imigrantes, Islâmicos e pessoas de cor, dispararam em todo o território Britânico. Um garoto de 7 anos, filho de pai Britânico e mãe espanhola, levou uma surra na escola por ser considerado estrangeiro. O caso mais revoltante foi o de uma senhora Alemã de 80 anos, que vive no Reino Unido a mais de 40 anos, que ligou para a radio LBC chorando e extremamente nervosa dizendo que seus vizinhos se recusam a falar com ela por ela ser estrangeira, e sua amiga da igreja lhe disse que agora eles expulsariam todos os estrangeiros do país. A senhora também teve a janela da sua casa atingida por fezes. Em outro caso, duas espanholas que conversavam em espanhol foram verbalmente agredidas por outras pessoas que passavam no local. Uma Mesquita e o consulado Polonês tiveram as paredes pinchadas com insultos xenofóbicos. A polícia Britânica esta investigando vários casos de ataques físicos e verbais contra estrangeiros. Muitos imigrantes estão pensando em ir embora do país com medo do que pode acontecer. Uma família cuja o marido é Britânico, resolveu sair do país com medo que aconteça com eles o mesmo tipo de perseguição que ocorreu contra os Judeus durante a segunda guerra mundial. A mídia e a outra metade dos Britânicos tentam amparar imigrantes com apoio nas redes sociais e TV. Durante os protestos a favor da União Européia era possível ver vários cartazes com dizeres como: “refugiados sejam bem vindos” ou “imigrantes são bem vindos”; “somos todos Europeus” etc… O Primeiro Ministro David Cameron que permanece no cargo até Setembro, disse que o país não irá tolerar ataques racistas e xenofóbicos e pediu calma a população. Outros líderes políticos fizeram o mesmo. A polícia Britânica afirma que esta vigilante.

Jeremy Corbyn do Partido dos Trabalhadores que vinha sendo o principal alvo da mídia nos últimos dias pode respirar aliviado com as atenções dos jornalistas voltada agora para o Partido dos Conservadores.

Do outro lado do Canal da Mancha, os líderes dos países membros da União Européia se reuniam sem a presença do Primeiro Ministro Britânico para discutir a saída do Reino Unido da União Européia. O Presidente do Conselho Europeu Donald Tusk juntamente com o Presidente da Comissão da União Européia Jean-Claude Junker e a Chanceler Alemã Angela Merkel, disseram que os Britânicos não terão acesso ao mercado comum Europeu sem permitir o livre acesso de cidadãos Europeus ao Reino Unido. O acesso ao mercado comum Europeu é vital para a economia Britânica que tem o mercado Europeu como um dos principais consumidores de seus produtos e serviços. Por outro lado, o principal argumento que levou os Britânicos a votarem a favor da saída do país da União Européia foi justamente o controle de entrada de imigrantes e trabalhadores provenientes da União Européia cujo o número passa de 100 mil por ano. O próximo Primeiro Ministro Britânico, agora provavelmente Michael Gove ou Theresa May, terá uma batalha monumental para negociar o acesso do Reino Unido ao mercado comum Europeu sem comprometer a questão do controle de imigrantes no país que certamente levaria o povo Britânico a votar contra os Conservadores nas próximas eleições gerais. No momento, a negociação da saída dos Britânicos da UE parece mais um caso de missão impossível. Ao que tudo indica, o próximo Primeiro Ministro Britânico precisará ser mais do que apenas um excelente político, seja quem for, o próximo Primeiro Ministro Britânico terá que ser um verdadeiro fazedor de milagres.

One thought on “O CAOS BRITÂNICO PÓS REFERENDUM NÃO PARA DE SURPREENDER O MUNDO

  1. Bom, de pode chamar o 007 James Bond para resolver essa situação!!! Muitos britanicos votarão pela saida porque não gostavam de D.C . Bom de deram mal, alguns colegas de trabalho de renderam conto do que pode acontecer agora. U.K. depende de tudo de paises de fora!!! Não mudei a minha idea sobre a saida. Imigraçao sim, porem mais coordenada, isso é uma Ilha e daqui a pouco o sistema sanitario collapsing. Integraçao vem feita estudando em colegios ingleses e aprendendo tambem a “cultura” britanica. Isso acredito que seja somente o comesso do final da U.E.

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