O Capital Mundial Sob O Controle De 62 Indivíduos

By: Michaell Lange,

London, 18/01/16 –

Agora é oficial: 1% da população mundial é mais rica que a soma do total de riquezas dos outros 99% revelou estudo publicado pela Oxfam esta semana. As 62 pessoas mais ricas do mundo tem capital maior que a soma total da riqueza dos 50% da população mundial mais pobre. Karl Marx alertou o mundo desse perigo, mas não havia interesse das pessoas em saber.

Não faltam criticas para as teorias de Karl Marx, mas ha um outro lado da teoria do Comunismo de Marx que poucas pessoas conhecem. A forma perfeita de descrever o Capitalismo. Ninguém até hoje, foi capaz de formular um conceito tão completo e detalhado do capitalismo quanto Karl Marx. Talvez, ninguém tenha duvidado da capacidade do capitalismo de concentrar riquezas nas  mãos de alguns poucos indivíduos como alertou Marx em seus escritos sobre o Capital. Na verdade, é perfeitamente natural e compreensível pensar que a quantidade de riqueza acumulada por uma única pessoa, depende apenas da própria pessoa, e suas possibilidades de enriquecimento são infinitas. O quanto, em teoria, uma pessoa pode enriquecer, depende teoricamente, da sua ambição ou vontade. Ao contrario do capitalismo, o Comunismo promovia um sistema onde o estado teria o controle de todas as formas de produção, o que pessoalmente para mim, não se trata de Comunismo mas sim, de um sistema totalitário e tão aberto para a corrupção quanto o próprio capitalismo. Realmente, para a grande maioria das pessoas, incluindo eu mesmo, o capitalismo sempre fez mais sentido. Seria impossível viver numa sociedade onde o indivíduo não teria a liberdade de ser e alcançar tudo aquilo que almeja e realizar seus sonhos. Talvez o grande problema do capitalismo tenha sido a chegada do Neoliberalismo. Este, derrubou todas as barreiras que regulamentavam o modo como acumulava-se riqueza. Até os anos 90 por exemplo, bancos eram proibidos de especular no preço mundial de alimentos. Essa Lei foi derrubada por dois dos maiores nomes do Neoliberalismo da história, Margaret Thatcher e Ronald Reagan. A partir do fim dessa proibição, bancos como o Britânico, Barclays, passaram a investir no preço mundial dos alimentos. Em 2010 e 2011, o banco Barclays lucrou algo em torno de £500 milhões de Libras (R$2.7 Bilhões de Reais) em investimentos no preço de alimentos. Nesse mesmo período, o preço do milho, principal alimentos de muitos países da Africa, chegaram a subir 25% em um mês. Em 2011, o preço do milho em Moçambique, onde as famílias gastam mais da metade da renda familiar em comida a base de milho, mais que dobrou de preço levando milhões de pessoas para a extrema pobreza. O mesmo fenômeno foi observado em outros países do mundo. Segundo a Oxfam, milhões de famílias passaram a viver abaixo da linha da pobreza por não conseguirem mais comprar alimento. O capitalismo sem regulamentação fez com que as grandes fortunas controlassem cada vez mais capital. Os bancos foram alguns dos mais beneficiados. Existem hoje, mais de 60 paraísos fiscais ao redor do mundo cujo o único objetivo é o de esconder capital de países que cobram impostos. O Capitalismo neoliberal é um monstro fora de controle que precisa ser dominado.

Em 2014, a organização Britânica Oxfam, alertou que dentro de 2 anos, 1% da população mais rica do mundo controlaria a mesma quantidade de riquezas que  o total dos outros 99% combinados. Esta semana, a Oxfam publicou um estudo feito com dados do banco Credit Suisse, oficializando as expectativas da entidade com uma única diferença, as previsões se realizaram com 1 ano de antecedência. De acordo com a Oxfam, 62 pessoas, controlam o equivalente a riqueza total de 3.6 bilhões de pessoas somadas, ou seja, 62 pessoas controlam a mesma quantidade de riquezas que 50% da população mundial. Em 2010, esse número era de 388 pessoas. No ano passado ja havia caído para 80 pessoas. Ainda de acordo com o estudo, a metade mais pobre da população mundial perdeu 41% de sua riqueza entre 2010 e 2015 o equivalente a $1trilhão de Dólares que saíram do poder da população mais pobre em 5 anos. Porém, nesse mesmo período, os 62 indivíduos mais ricos do mundo acumularam mais de meio trilhão de Dólares em riquezas, apenas 9 dos 62 são mulheres. A Oxfam acusa os governos mundiais de estarem fazendo muito pouco para controlar o crescimento descontrolado da desigualdade social no mundo. Segundo a entidade, a desigualdade social aumentou dramaticamente nos últimos 12 meses. A Oxfam também pediu urgência para os governos combaterem  a grave crise de desigualdade no mundo adotando três passos essenciais sugeridos pelo estudo. De acordo com a Oxfam, é vital que os governos combatam o desvio de capital para paraísos fiscais com o intuito de evitar o pagamento de impostos. Também é essencial que os governos aumentem os gastos com serviços públicos, e adotem ações para aumentar a renda das pessoas que ganham os menores salários na sociedade. A Oxfam pediu o fim dos paraísos fiscais onde bilhões de dólares são escondidos todos os anos por indivíduos e empresas para evitarem o que a entidade chama de “colaboração justa com a sociedade”. De acordo com a Oxfam, a existência de paraísos fiscais deixam países sem o capital necessário e vital para investimentos sociais e o combate a desigualdade.

Segundo o presidente da Oxfam Britânica, Mark Goldring, “é simplesmente inaceitável que um pequeno grupo de indivíduos super ricos acumulem mais riqueza que a metade da população mundial. Estamos falando de um grupo tão pequeno, que caberiam dentro de um ônibus”.

“Estima-se que em todo o mundo, indivíduos super ricos, tenham escondido um total de $7.6 trilhões de Dólares em contas em paraísos fiscais. Se os impostos destes valores fossem cobrados, os governos teriam o equivalente a $190 bilhões de Dólares a mais para investir no combate a desigualdade social”.

A Oxfam estima que 30% de toda a riqueza financeira da Africa esteja escondida em paraísos fiscais com um custo de $14 bilhões de Dólares por ano em impostos não arrecadados. Esse valor seria o suficiente para pagar um plano de saúde para mães e crianças que poderia salvar 4 milhões de vidas por ano além de empregar professores suficientes para manter todas as crianças Africanas na escola. O estudo revela que 9 de cada 10 corporações do Forum Econômico Mundial, estão presentes em ao menos um paraíso fiscal. Estima-se que o não pagamento de impostos por multinacionais em países em desenvolvimento tenha um custo de pelo menos $100 bilhões de Dólares por ano aos cofres públicos. Investimentos feitos por corporações em paraísos fiscais cresceram 400% entre 2000 e 2014. Permitir que governos cobrem impostos devidos por corporações e indivíduos super ricos, sera vital para os lideres mundiais cumprirem o compromisso firmado em 2015 para acabar com pobreza extrema até 2030. (Oxfam)

“Não é mais aceitável que a idéia de que a riqueza dos mais ricos beneficia o restante da população, quando os fatos comprovam que a recente explosão no crescimento da riqueza dos mais ricos, foi conquistada as custas dos mais pobres” Mark Goldring.

A aceitação do capitalismo Neoliberal veio fantasiado de bom samaritano, mas décadas após a introdução de políticas neoliberais e a globalização, os 99% da população mundial percebem agora, que fizeram um péssimo negócio. O Comunismo Marxista não deve ser visto como uma alternativa para o sistema capitalista atual, mas se estivéssemos mais atentos aos alertas de Marx, poderíamos ter evitado muito dos fatos publicados esta semana pela Oxfam. O fato de não haver um sistema confiável para substituir o capitalismo por completo não pode ser uma justificativa para aceitar os atuais níveis de desigualdade. É importante que a busca de alternativas e mudanças no modelo atual não sejam abandonados. O capitalismo poderia ser um sistema mais positivo e mais justo, mas para que isso aconteça, os governo precisam parar de fazer planos e começar com urgência, a colocar os planos em prática. A volta de regulamentações e o fim dos paraísos fiscais, são medidas vitais para a viabilização dos governos no combate as desigualdades sociais. Mas, os governos também precisam demonstrar mais comprometimento com a sociedade ao invés de priorizarem apenas os interesses de grandes corporações multinacionais. Parte importante desse processo de mudança esta diretamente ligado aos 99% das pessoas menos beneficiados pelo atual sistema capitalista. É extremamente importante que as pessoas entendam como o sistema capitalista funciona, e entendam porque nos encontramos na situação em que estamos. A propaganda de quem esta no poder, costuma culpar o pobre por sua pobreza, mas estudos como este divulgado pela Oxfam, evidenciam que ha muito mais por trás dessa história do que os poderosos gostariam que você soubesse. A informação é vital para que o povo possa cobrar dos governos as medidas urgentes contidas nesse estudo, para que a desigualdade social possa de fato e efetivamente, ser combatida. Esta mais do que óbvio que a contínua existência de paraísos fiscais, servem apenas aos propósitos dos mais ricos e por isso, devem ser extintos para que grandes corporações e indivíduos super ricos pagem sua contribuição a sociedade de forma justa como qualquer outra empresa ou cidadão. É inaceitável que 3.6 bilhões de pessoas tenham menos riqueza acumulada que os 62 indivíduos mais ricos do mundo. Algo precisa ser feito a respeito e o primeiro passo é entender o que realmente esta acontecendo. Precisamos entender porque estamos todos vivendo num mundo tão injusto enquanto 1% da população mundial tem o controle e o conforto de viver e dormir sobre 99% de todo o capital financeiro do planeta.

Oxfam report, Jan 2016:

http://www.oxfam.org.uk/media-centre/press-releases/2016/01/62-people-own-same-as-half-world-says-oxfam-inequality-report-davos-world-economic-forum

 

 

 

 

Dilma Veta Auditoria da Dívida Pública: Saiba Porque!

By: Michaell Lange,

London, 15/01/16 –

A presidente Dilma Rousseff vetou nesta Quinta Feira (14) o pedido de uma auditoria da dívida pública Brasileira, feito pelo deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL/PA). A auditoria tinha como objetivo, investigar um sistema fraudulento de cobranças bilionárias feitas por empresas do sistema financeiro, contra o estado Brasileiro, que nunca existiram ou que foram obtidas de forma fraudulenta. Esse sistema internacional, ja foi identificado e denunciado pela Coordenadora Nacional da Auditoria cidadã da Divida (http://www.auditoriacidada.org.br/), Maria Lucia Fattorelli. A denuncia de um sistema de corrupção envolvendo a dívida pública Brasileira, segundo Fattorelli, é o maior sistema de corrupção da história Brasileira, responsável pelo desvio de quase metade do orçamento federal, alem de grande parte do orçamento dos estados e até parte do orçamento dos municípios. Estas denuncias deveriam ser em si, motivos mais do que suficientes para a abertura de investigação federal envolvendo não apenas uma auditoria da dívida, mas também, uma investigação policial por crimes de corrupção. Afinal de contas, estamos falando de quase metade do orçamento federal do estado Brasileiro. O veto da presidente Dilma e o silêncio do Congresso Nacional não são apenas uma afronta aos cidadãos Brasileiros, mas um crime contra a nação. Vetar uma auditoria independente, envolvendo instituições civis, é uma legalização da corrupção que condena o Brasil e todos os Brasileiros a viverem em situação de país sub-desenvolvido mesmo sendo a sétima maior economia do mundo. Considerando que o Reino Unido é a sexta maior economia do mundo, como podemos aceitar tamanha diferença de desenvolvimento sócio/econômico entre dois países com poderes econômicos tão parecidos? O Brasil, sendo a sétima maior economia mundial, apresenta dados sócio/econômicos opostos aos apresentados pela sesta maior economia do mundo. O Brasil tem a terceira pior distribuição de renda do mundo. Ocupa a posição de numero 85 no ranking de respeito aos direitos humanos (isso sem Bolsonaro na presidencia). Esta na posição de penúltimo lugar no ranking da educação e a posição de 128 no ranking de crescimento econômico. Segundo Fattorelli, essa situação se deve ao sistema de endividamento público Brasileiro que é extremamente corrompido e drena quase 50% do orçamento federal. Em 2012 por exemplo, o orçamento federal foi de R$1.7 trilhão de Reais. Desse orçamento, R$753 bilhões de Reais foram para a divida pública ou seja, 43.8% do orçamento Brasileiro de 2012 foi consumido por uma divida pública na qual investigações independentes concluíram ser uma divida praticamente inexistente e que ninguém sabe de onde veio. O pedido para uma auditoria oficial da dívida pública foi vetada pela Presidente Dilma Rousseff e o Congresso Nacional esta fingindo que não viu porque todos eles estão envolvidos e são beneficiados por esse esquema de corrupção.

Por que uma presidente socialista vetaria uma investigação de vital importância para o Brasil, principalmente nesse momento delicado em que vive a economia Brasileira? Maria Lucia Fattorelli também oferece resposta a essa pergunta. Segundo Fattorelli, o sistema financeiro, que é o principal beneficiado da dívida pública, é controlado por grandes corporações que por outro lado, financiam as campanhas de prefeitos, deputados, senadores e presidentes da república. Aprovar uma investigação contra estas corporações seria uma quebra do pacto firmado entre as duas partes. O desastre da barragem da mineradora Samarco do grupo Vale, em Minas Gerais no ano passado, é apenas um exemplo de empresas que fazem parte desse sistema e como estas empresas são protegidas pelo governo. Em matéria publicada pelo programa CQC do canal de TV Band em Novembro de 2015 sobre o desastre em MG, o jornalista Gaston Turiel, denunciou um gasto de R$80 milhões de Reais feito pela empresa Samarco, para financiar a campanha eleitoral de 3 candidatos a presidência da republica, 18 candidatos a governador de estado, 19 candidatos ao senado, 261 candidatos a deputado federal e 599 candidatos a deputado estaduais. A maior parte deste dinheiro segundo o CQC, foi para o PMDB que coincidentemente é quem cuida do Ministério de Minas e Energia além de ser o partido com maior número de integrantes do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) que é o órgão responsável por autorizar e fiscalizar as atividades das mineradoras no Brasil. Dessa forma, cada partido político tem sua “Samarco” no quadro de doadores ou financiadores de campanhas, e muitas destas empresas fazem parte do sistema financeiro que se beneficiam da divida pública e que a presidente Dilma evitou que fosse investigado por uma auditoria independente. O fato deste veto ter sido feito por uma presidente Socialista, denuncia o quão profundo, enraizado e refém das grandes corporações, esta o estado Brasileiro e todos os Brasileiros.

Esta questão é tão alarmante, que os atuais escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras e o mensalão se tornam pequenos em comparação com impacto que a corrupção do sistema da dívida pública provoca em todos os aspectos da vida dos Brasileiros. Para termos uma pequena idéia, enquanto a dívida pública levou 43.98% do orçamento federal de 2012 (quase a metade do orçamento total). Os 27 estados da federação e mais de 5 mil municípios receberam apenas 10%. O sistema de Saúde, recebeu apenas 4% do orçamento, e o sistema de educação, recebeu apenas 3,34%. No Equador, o governo conseguiu cancelar 70% da divida pública depois de uma auditoria semelhante a essa vetada pela presidente Dilma. Isso significa que o Brasil poderia ter pelo menos, mais 30% do orçamento federal para dividir entre estados, Municípios, Saúde e educação. Fazendo um calculo simples, se dividíssemos estes 30% em partes iguais para o orçamento da educação, saúde, estados e municípios, o orçamento de 2012 para a educação poderia ter sido de 13,34% (ou seja, quatro vezes mais recurso do que realmente recebeu em 2012). O orçamento da saúde poderia ter sido de 14% (ou seja, 3.5 vezes mais recursos), e os estados e municípios poderiam ter recebido 20% do orçamento federal ou o dobro do que receberam em 2012. Esse é o preço que o Brasil esta pagando e continuará a pagar por conta a decisão da presidente Dilma de vetar a auditoria da dívida pública Brasileira. Isso, sem somar os recursos desviados nos outros escândalos de corrupção além dos esquemas que nós não sabemos que existem.

De acordo com Maria Lucia Fattorelli, as investigações da auditoria cidadã, denuncia a “ausência de contra partida das dívidas, ou seja, as dívidas surgem através de mecanismos possivelmente fraudulentos, e passam a crescer descontroladamente por mecanismos meramente financeiros”. A investigação teria analisado também, todas as resoluções do senado federal relacionados a dívida pública entre as décadas de 70 e 80 e concluiu que na grande maioria das resoluções, não constavam qual teria sido o agente emprestador ou a finalidade dos empréstimos. Fattorelli conta que na década de 90, a dívida pública foi alavancada por juros que chegaram a 40% ao ano e posteriormente refinanciadas pela própria união sem a investigação do histórico da dívida que segundo ela, incluiu todos os passivos dos bancos que seriam privatizados. Um outro fato alarmante citado pela Auditoria Cidadã, é que em virtude do crescimento da dívida pública, os estados da federação passaram a fazer empréstimos com bancos internacionais para pagar as parcelas das dívidas com a união.

Se os escândalos de corrupção da Petrobras e mensalão deixaram o povo Brasileiro revoltado, qual a reação do povo para algo sistematicamente e infinitamente maior que qualquer outro escândalo de corrupção ja revelado no Brasil? Uma outra clara revelação que o veto trouxe a tona, é a incapacidade do povo Brasileiro de reagir sem a influencia de ser impulsionado pelo sistema frenético da grande mídia. Isso demonstra o quanto ainda somos manipulados pela grande mídia que continua tendo o poder de ditar nossos sentimentos e nosso conhecimento. Se o povo se revoltou com os escândalos de corrupção da Petrobras, então o veto da presidente Dilma ao pedido de auditoria da dívida pública deveria ter feito todos os Brasileiros, de direita e de esquerda, irem para as ruas e não se mexerem mais até que o veto fosse revertido e uma ação conjunta e imediata da policia federal, com organizações civis como a Auditoria Cidadã, dessem inicio a uma ação investigativa e minuciosa para levantar exatamente o que é dívida e o que é corrupção na dívida pública Brasileira. Se depender das investigações não oficiais apresentadas por Fattorelli, tudo indica que o que menos existe nessa questão, é dívida pública. O Brasileiro vive na sétima maior economia do mundo, mas com as mesmas condições da pior economia do mundo. É extremamente importante que o Brasileiro entenda de uma vez por todas, que a solução não esta nas mãos do Aécio, do Lula, Dilma ou qualquer outro candidato ou partido político atual. Todos eles, incluindo os militares, fazem parte do mesmo esquema sistemático de corrupção que condena o povo Brasileiro a viver uma vida digna de submundo, mesmo vivendo em um dos países mais ricos do mundo. O Brasileiro precisa entender que se não fosse por essas aberrações, toda família Brasileira teria condições de ter uma educação de qualidade, um sistema de saúde de qualidade, uma casa de qualidade, um bom carro, um bom emprego, segurança nas ruas, Paz dentro e fora de casa. O Brasileiro poderia fazer planos para viajar para o exterior nas férias, levar seus filhos na Disney. O Brasileiro poderia jantar fora mais vezes, viver mais e ser mais feliz. Se isso não é possível hoje, não é por culpa do cidadão, não é por falta de vontade de trabalhar, não é por culpa sua. É por culpa do nosso sistema governamental, extremamente corrompido, que faz você, ter que trabalhar para pagar dívidas que você nunca fez, e ter que viver sem perspectivas de futuro, porque não existe futuro para uma nação que aceite tamanha aberração, sem nenhuma reação. Em um momento como esse, não é possível existir cidadãos de bem, cidadãos de esquerda e de direita. É preciso existir apenas, Brasileiros! Brasileiros que não aceitam mais o sistema corrompido que nos foi imposto. O veto da presidente Dilma contra a auditoria da dívida pública Brasileira foi uma condenação a pobreza eterna para todos os cidadãos Brasileiros.

 

 

A Humanidade a Caminho da Falência Total

By: Michaell Lange,

London, 11/01/16 –

Na semana passada, imagens de milhares de pessoas sucumbindo a fome em cidades da Síria, chocaram o mundo mais uma vez. As imagens de mulheres e crianças esqueléticas, perambulando esfomeadas pelas ruas da cidade de Madaya na Síria, lembraram os horrores do holocausto na segunda guerra mundial. Um morador da cidade disse a uma equipe de resgate que não havia mais nenhum animal vivo na cidade. Todos os animais, incluindo animais de estimação como gatos e cachorros, foram sacrificados para alimento. Segundo o morador, até  folhas das arvores estava escasso ja que a cidade não recebia entregas de alimentos desde Outubro de 2015. Famílias inteiras sobreviveram comendo mato e grama. Muitas se intoxicaram comendo plantas venenosas. A ONU disse que ao menos 400 pessoas precisam ser evacuadas com urgência para tratamentos vitais. A situação é similar em outras cidades da Síria. Foah e Kefraya estão isoladas desde Março. Estima-se que 20 mil pessoas estejam sem alimentos nas duas cidades. Em Madaya, 40 mil residentes receberam alimentos para duas semanas. A ONU não sabe se conseguira entrar na cidade novamente depois desse prazo. O resultado de situações alarmantes como essa, é uma explosão no numero de refugiados tentando fugir das zonas de guerra, causando uma das maiores crises humanitárias desde o fim da segunda guerra mundial. É inaceitável que após 70 anos do fim da segunda guerra mundial e tantas promessas da ONU e da União Européia no comprometimento de não permitir que esse tipo de catástrofe humana jamais se repetisse, estar, em pleno século 21, permitindo exatamente que  crises humanitárias tão semelhantes ocorram novamente. Somente em 2014, mais de um milhão de refugiados entraram na Europa. Estima-se que 4 mil pessoas tenham perdido a vida somente em naufrágios no Mediterrâneo. Outros 4 milhões de pessoas estão vivendo em situações desumanas em campos de refugiados espalhados por países vizinhos como Líbano, Egito, Turquia e Jordânia. O inverno trouxe temperaturas geladas e muita neve para a região tornando a situação ainda mais desesperadora. As crianças e as mulheres são as que mais sofrem com esta situação.

É difícil imaginar que esse tipo de atrocidade continue acontecendo num mundo tão globalizado e amplamente aceito como civilizado. Mais difícil de compreender é a causa e os responsáveis por toda essa barbárie. EUA, Reino Unido, França e Russia continuam sendo os mesmos suspeitos pela desestabilização de países e regiões causando tragédias humanitárias irreversíveis. Os mesmos velhos causadores de problemas, de guerras, genocídios, êxodos e destruição em massa de cidades, países, comunidades e seres humanos. É extremamente contraditório que estes mesmos países tentem vender a imagem de que países como Coréia do Norte, Cuba, Iran e China são as grandes ameaças para a Paz no mundo. Não é apenas contraditório, é um verdadeiro absurdo! Como isso ainda pode ser possível? Que tipo de interesse diabólico poderia estar por trás destas atrocidades?

O ser humano viveu um longo processo de desenvolvimento para uma consciência humana que nos permitiu viver em sociedade e em comunidade. Não bastaram as barbáries das cruzadas, da inquisição, os horrores de duas grandes guerras mundiais, e os genocídios durante a guerra fria. Parece-me que o ser humano, continua com uma incrível dificuldade de aprender com a história, seja ela antiga ou mais recente. O século 20 deixou um vasto histórico de devastação e sofrimento para humanidade que não pode ser esquecido. Esquecer o passado é abrir as portas para repetição dos mesmos erros no futuro. A virada do milênio chegou com grande esperança de mudanças nas questões humanitárias e promessas de Paz e desenvolvimento. Porém, os primeiros 15 anos do novo milênio ja demonstraram terem sido tão ou mais trágicos do que os primeiros 15 anos do século 20. De 2000 a 2015, assistimos aos atentados terroristas de 9 de Setembro de 2001, a invasão do Afeganistão em 2002, a invasão do Iraque em 2003, os atentados em Madrid em 2004, os atentados terroristas em Londres em 2005 além de duas guerras (Iraque e Afeganistão) que duraram mais de uma década, resultando em mais de 1 milhão de civis mortos, milhões de desalojados, dois países em ruínas e um vácuo no sistema governamental que tornou possível o surgimento de grupos terroristas como o Estado Islâmico. Isso tudo sem citar o conflito na Ucrânia e os conflitos em países da Africa como no Sudão e na Nigéria.

Como é possível um grupo, sem treinamento de guerra, sem logística e estratégia de ação, armados com um punhado de armas velhas, atirando para todos os lados, como é o estado islâmico, pode ser capaz de causar tanto caos e desgraça e ainda bater de frente contra uma coalisão militar formada por ninguém menos que EUA, França e Reino Unido? Ou será que não existe interesse destas super potências em acabar com a confusão que existe hoje no Oriente médio? Como é possível condenarem as atrocidades cometidas contra civis em Paris e praticarem atrocidades ainda maiores contra civis em outros países que diferentemente de Paris, envolvem a morte de centenas de crianças? Quem realmente são estes líderes Ocidentais e quais são seus verdadeiros planos? Não é possível e muito menos aceitável, que a comunidade internacional esteja assistindo a estas atrocidades sem fazer absolutamente nada a respeito. Bombas produzidas com tecnologia de ponta e financiadas com verbas públicas, estão explodindo crianças indefesas no Oriente Médio e no Norte da África e isso parece ser aceitável dentro da comunidade internacional. Qual a legitimidade destes atos? Quem irá julgar estes crimes contra a humanidade? Quem será responsabilizado pelas vidas de tantos inocentes assassinados de forma tão cruel?

Quando se pensava-se que novas tecnologias e a globalização trariam desenvolvimento e estabilidade ao mundo, percebemos de forma dramática, que o resultado foi exatamente o contrário. Descobrimos que os recursos do planeta são limitados e que a globalização iniciou uma corrida desesperada pelo controle de recursos naturais. Esse processo colocou países sub-desenvolvidos sob extrema pressão internacional. Países populosos estão sendo explorados por uma busca descontrolada e infinita de produzir produtos e serviços cada vez mais baratos, levando populações inteiras a trabalharem mais por menos. Um estudo publicado pela ONU em 2014 denunciou uma explosão no número de trabalhadores escravos no mundo. Estima-se que existam mais de 35 milhões de escravos em todo mundo hoje. Um número muito maior do que quando a escravidão era legalizada. É praticamente impossível que você nunca tenha comprado algo que tenha sido produzido por escravos.

Enquanto isso na Europa, a mídia Britânica, denuncia o ataque Russo na Síria, que matou 10 crianças em uma escola na Síria. A Russia responde dizendo que esta atacando apenas bases rebeldes do Estado Islâmico. A mídia Russa, denuncia ataques Britânico na cidade Síria de Raqqa, teria matado mulheres e crianças. Os Britânico respondem dizendo que não ha evidencias de civis mortos em seus ataques. A mesma mídia, denuncia ataques da Arabia Saudita a um hospital da Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Yemen. Mas a Arábia Saudita responde dizendo que esta combatendo apenas os rebeldes terroristas do Yemen. A Al Jazeera, denuncia os civis mortos por aviões de guerra da França, mas a França afirma que apenas os terroristas são alvos dos seus ataques. Agora, populações inteiras de civis estão morrendo de fome por conta dos bloqueios militares na região. É interessante que todos os envolvidos no conflito afirmam que estão combatendo apenas alvos “terroristas”. Ninguém assume a responsabilidade sobre a morte de milhões de civis inocentes e a destruição sistemática da infra-estrutura de países como a Síria, Líbia, Iraque, Afeganistão e Ucrânia. A Europa do final da segunda guerra mundial levou três décadas para recuperar sua infra-estrutura destruída durante a guerra, isso, com apoio financeiro Americano. Quais são as chances destes países do Norte da Africa e do Oriente Médio voltarem a ter a estabilidade que tinham antes da invasão do Iraque em 2003?

Muita coisa mudou nas estratégias de guerra desde as trincheiras da primeira guerra mundial até os atuais drones (aviões de guerra não tripulados), usados em combates, principalmente pelos EUA e Reino Unido. Mas,  as vitimas continuam sendo as mesmas, mulheres e crianças continuam sendo as maiores vitimas das guerras. De fato, a evolução nas tecnologias e estratégias de guerra, que deveriam contribuir com a segurança da população civil, tornou os conflitos armados ainda mais nocivos aos inocentes em áreas de conflitos. Nem mesmo mísseis com quase 100% de precisão, são capazes de evitar o numero crescente de vitimas civis, principalmente quando os alvos envolvem áreas densamente populosas como vem ocorrendo no Iraque e na Síria e quando a morte de civis não envolvam Europeus ou Norte Americanos.

A convenção de Genebra, retificada em 1949 determinou entre outras leis internacionais, a proibição de ataques deliberados ou indiscriminado a populações civis. Infelizmente, EUA, Israel, Iran, Paquistão, India e Turquia, se recusaram a assinar o documento, ação esta, que isenta tais países de respeitar as Leis retificadas pela convenção a partir de 1949 . Apesar destes países não serem obrigados a seguir Leis internacionais, a responsabilidade moral junto a comunidade internacional é inevitável e irrecusável. A única justificativa plausível de países como EUA e Israel, de se recusarem a assinarem um protocolo que proíbe ataques indiscriminados a civis, é a aceitação declarada de que as políticas internacionais de ambos os países inclui de forma explicita, a possibilidade do uso de força letal contra alvos civis. Isso por si só é algo extraordinariamente absurda, especialmente por se tratar de EUA e Israel. Seria compreensível se a recusa viesse de países como a China e a Coreia do Norte, mas não foram eles, foram exatamente países que costumam adotar posturas de bom samaritano. Estes mesmos países, incluindo a China, votaram contra a criação da “International Criminal Court” (ICC), durante a convenção da ONU em Roma em 1988  para processar e julgar crimes de genocídios, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. O que levou um país como Israel, vitima do holocausto nazista, a votar contra a criação de um tribunal internacional para julgar crimes como o holocausto cometidos contra os Judeus na segunda guerra mundial, é um grande mistério e algo difícil de compreender.

O que esta claro nestes primeiros 15 anos do terceiro milênio é que, a humanidade caminha a passos largos na direção de um abismo sem volta. Não é pessimismo afirmar que a humanidade falhou de forma desastrosa em reconhecer e reverter seu instinto auto destrutivo. Talvez tenha sido esta, a razão de terem nos colocado num planeta não pequeno em relação ao resto do universo. Nossos valores “humanos” nunca foram tão contraditórios com relação as nossas atitudes e nossa realidade. Nossa responsabilidade com o próximo, o respeito com nosso planeta e com os outros seres vivos que aqui habitam, não fazem parte do nosso dia-a-dia. São apenas teorias que os outros devem seguir, nunca a gente. Somos nossos próprios inimigos, e quem precisa de inimigo pior? Pode parecer uma idéia maluca, mas se a humanidade é incapaz de conviver em harmonia num planeta tão generoso como o nosso, é certo que não merecemos mais espaço do que ja temos. A próxima teoria humana a ser desmentida será aquela que afirma que somos seres racionais e os animais são seres irracionais. Vivendo o caos que a humanidade vive hoje em quase todos os aspectos, quem se arriscaria a defender o argumento de que somos seres racionais e inteligentes?

 

1 milhão de crianças Sírias vivem hoje em campos de refugiados. Muitas delas são órfãos de pai e mãe, vitimas da violência, vitimas da falência da humanidade…https://www.youtube.com/watch?v=OjuHRkF2cmA

 

A Florença do Conhecimento

By: Michaell Lange,

Florença, Italia, 05/01/16 –

Dois dias para conhecer Florença é quase um insulto a grandiosidade da importância que essa cidade representa para a humanidade. Seriam precisos no mínimo, 30 dias bem organizados para se ter uma idéia do que Florença realmente tem para oferecer em conteúdo histórico, artístico e cientifico.
Eu cresci assistindo o programa da Xuxa e do Faustão, quase como uma imposição social promovida por uma cultura de alienação que continua em alta em pleno século 21. Grande parte do mundo hoje sofre desse mal assim como a maioria dos Brasileiros. Parece que em algum ponto da sociedade humana, a barreira do conhecimento é vetada para quem tem pouco ou um pouco menos.

Perambulando pelas ruas desta cidade que mais parece um livro imenso, pensei, como é possível todo esse conhecimento ao ar livre e tão acessível a todas as pessoas que estão aqui, estar sendo praticamente mantido em segredo e fora do alcance de tantos milhões de outros seres humanos que não tem o suficiente para ter o direito de saber um pouco mais. É verdade, eu tenho pouco e precisei renunciar de muitas coisas para poder estar aqui hoje. Foi uma escolha minha mas, até dois dias atras, Michelangelo e Leonardo da Vinci, eram para mim, apenas dois pintores famosos de alguns dos quadros mais caros do mundo. Galileu, era apenas um astrônomo que havia questionado o sistema estabelecido de sua época e teria sido morto na fogueira da inquisição ao invés de uma provável infecção no peito. O mito dos super heróis da Disney e de Hollywood, incluindo a Xuxa, o Fofão, Angélica, Sérgio Malandro e Mara Maravilha, da hollywood Brasileira, sempre foram minhas referencias de infância e continuam sendo, eu sei, para milhares de outras crianças ao redor do mundo, vítimas deste sistema absurdo. O Super Homem, o Batman, a Shira, o He-Man, entre outros falsos super heróis, formam a barreira imoral e nefasto que condena grande parte da humanidade a um desenvolvimento atrasado e por tanto, sempre abaixo de quem teve ou tem, acesso ao conhecimento.

O que você diria se alguém lhe falasse sobre pessoas que não apenas tiveram inúmeras profissões mas, que também foram lideres e pioneiros em muitas delas? Confesso que depois de dois dias em Florença, meu certificado de Bacharel em Relações Internacionais e Política, pesa infinitamente menos que a dois dias atrás. Mas isso não deve ser motivo de tristeza, muito pelo contrário. Devemos sempre buscar mais em todos os sentidos do conhecimento e aprendizado. Imagine alguém conseguir ser não apenas um dos maiores pintores de todos os tempos mas, também um dos melhores escultores, arquiteto e poeta de todos os tempos? Pois, assim foi Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni. Leonardo da Vinci, não foi apenas um grande pintor. Leonardo di Ser Piero Da Vinci, foi escultor, arquiteto, cientista, musico, matemático, engenheiro, astronomo,  geólogo, anatomista, botanico, escritor, historiador, considerado pai da arquitetura, inventor dentre outras coisas, do helicóptero e do para-quedas. Galileu Galilei, não foi apenas um astrônomo que revolucionou seu tempo e questionou as verdades absolutas da igreja. Ele foi físico, engenheiro, filósofo e matemático, com influência incalculável no desenvolvimento tecnológico moderno incluindo o smartphone que usamos hoje. Agora me digam senhores, quem foi super-man, batman, Shira e he-man? Como é possível aceitarmos que nossas crianças tenham como heróis, figuras que nunca existiram e nunca foram nada além de ficção? Como podemos continuar aceitando o veto da educação de nossas crianças, imposto pelos governos e pelos interesses privados, que privam nossas crianças de mentes e pessoas fantásticas que revolucionaram a vida em nosso planeta em praticamente todos os aspectos possíveis?

Dois dias na cidade onde alguns destes mestres da arte, da ciência e história, viveram e estão sepultados, fez meus pensamentos voarem alto e muito além do que estava acostumado. Conheci Lorenzo de medici, outro mestre renascentista da art, política e diplomacia que influenciou de forma imensurável a história de Florença e por consequência, a própria história do ser humano. São tantos gigantes em um só lugar que é difícil absorver tamanha injeção de conhecimento de uma vez só. Até mesmo o criador da mundialmente famosa história do Pinoquio, Carlo Lorenzini, esta sepultado em Florença. Imagino que tantos outros gigantes descansam por estas esquinas e que não tive tempo de descobrir. Mas, o legado destes gigantes esta exposto em cada metro quadrado desta cidade, em cada esquina, e até mesmo nas pizzas servidas aos visitantes esfomeados, feitas com um talento digno do Italiano da Toscana.
Vou embora com planos de retornar a esta cidade com meu filho ja mais crescido. Desejo voltar aqui com a intenção principal de liberta-lo da armadilha cultural e da alienação de que um dia fui vitima. Nada é mais poderoso e libertador que o conhecimento!