Rosa Parks: O Poder Da Atitude

By: Michaell Lange,

London, 01/12/15 –

A exatos 60 anos, Rosa Parks, uma Americana negra, da cidade de Montgomery no estado do Alabama nos EUA, tomou uma atitude que mudou a história do seu país. No dia 1 de Dezembro de 1955, Rosa Parks se recusou a ceder seu lugar para um homem branco que havia acabado de entrar no ônibus em que ela estava. Em 1955 uma Lei obrigava que todos os negros dessem seu assento caso uma pessoa branca entrasse no ônibus. Naquele dia, Rosa Parks resolveu lutar por seus direitos e disse não. Rosa foi presa imediatamente e dias depois foi levada para a corte onde foi condenada a pagar uma multa. Mas, Rosa Parks ja lutava a muito tempo pelos direitos dos negros. Era membro de longa data da NAACP – National Association For The Advancement Of Colored People. Depois do incidente, vários protestos foram organizados na cidade incluindo boicotes aos ônibus segregados. Uma nova organização foi fundada e recebeu o nome de Montgomery Improvement Association ou MIA. Os organizadores precisavam de um líder que fosse um bom orador para conseguir passar a mensagem para o publico com o máximo de impacto possível. O escolhido foi um pastor pouco conhecido que havia chegado na cidade a pouco tempo. Seu nome era Dr Matin Luther King Jr., Rosa teria dito que ele teria sido escolhido por ser novo e ainda não ter nenhum inimigo na cidade.

Os boicotes promovidos pela MIA e NAACP deram certo ja que 75% dos usuários dos ônibus em Montgomery eram negros. Por 381 dias os boicotes arruinaram os lucros das empresas de ônibus da cidade. Rosa perdeu seu emprego e Martin Luther King teve sua casa atacada por vândalos. Em 1956, uma corte do Alabama declarou que a segregação nos ônibus era ilegal pois, feria a constituição federal em seu artigo 14.

O racismo nos EUA sempre foi, desde sua formação, um problema com raízes profundas na sociedade Americana. Afinal, o país havia sido criado por um grupo de proprietários de escravos que afirmavam que todos homens nasciam com direitos iguais, nada poderia ser mais contraditório. A segregação era aceita como algo natural na sociedade Americana, pelo menos na mente dos brancos daquele país. A segregação também era Lei dentro dos ônibus escolares onde os negros só podiam sentar-se nos fundos dos ônibus. Apesar de um mandato judicial da suprema corte Americana ter banido a segregação nas escolas em 1952, muitas escolas do país não aceitavam crianças negras até o final da década de 50. A supremacia Branca era regularizada nos EUA. Mesmo tendo o direito a voto garantido pela constituição federal desde 1870, os negros só puderam votar sem restrições no país, a partir da  segunda metade dos anos 60, depois que a suprema corte Americana derrubou as restrições impostas para que negros tivessem o direito ao voto.

O Brasil pode aprender muitas lições com a atitude desta corajosa Americana. Eu costumo dizer, e ja citei em vários artigos anteriores, que a mudança do Brasil depende fundamentalmente da mudança de atitude dos Brasileiros. É vital que os Brasileiros, dentro da sua individualidade, dentro do seu modo de pensar, comece a modificar o conjunto das suas atitudes diárias para que estas atitudes possam iniciar uma transformação que viabilize o Brasil que todos os Brasileiros desejam. Rosa Parks provou o quanto isso foi importante para a história das lutas por direitos nos EUA. Uma atitude dentro de um ônibus de uma pequena cidade no interior dos EUA, teve o poder de transformar e influenciar o modo de pensar e de agir não apenas do seu país, mas de todo o mundo. Sua atitude continua a ser lembrada e comemorada 60 anos depois. Certamente, esse exemplo não pode ser ignorado por um país como o Brasil que tanto precisa de exemplos e referencias na sua longa busca por uma sociedade mais justa e igual para todos. A lei determinava que ela, por ser negra deveria ceder seu assento para uma pessoa branca. Mas, ela sabia que aquela Lei era injusta, que aquela Lei não garantia igualdade de direitos para todos e por isso, deveria ser combatida. Quantos negros obedeceram aquela Lei antes daquela atitude? E quantos desobedeceram aquela lei depois da atitude dela? Nós somos condicionados a respeitar as leis, mas nem todas as Leis são justas. Rosa parks provou isso, e sua atitude mudou aquela realidade até que a corte suprema reconheceu e baniu a lei da segregação. O racismo legalizado e sofrido pelos negros Americanos até os anos 60, são evidencias de que a Lei nem sempre é justa e deve ser questionada e combatida sempre que não corresponder as liberdade e os direitos das pessoas.

Esse processo de mudança na forma do pensar e na forma de agir, é extremamente difícil considerando a condição social oprimida vivida pelos Brasileiros. É fácil julgar o Brasileiro, mas não podemos condena-los considerando a condição social que o Brasileiro vive. É difícil condenar alguém quando a prioridade é sair de casa e conseguir voltar vivo. Somos atacados pelo estado, pela polícia, pelos bandidos, pela violencia. Vivemos no “modo sobrevivência” 24 horas por dia. É difícil raciocinar com clareza e discernimento diante de tanta tensão e tantos problemas. Mas os Brasileiros são os únicos que podem mudar essa situação, e o jeito de mudar essa situação é conseguirmos, mesmo dentro de toda essa opressão legalizada que a Rosa Parks também vivia em 1955, e dentro de toda a tensão dividida pelos Brasileiros, mudar nossa atitude perante o restante da sociedade. É sermos de fato, a sociedade que desejamos ser. Vale lembrar que a nossa realidade não é muito diferente da realidade que Rosa Parks vivia em 1955. Os negros não eram considerados humanos. Tinham status de inferioridade reconhecido por Lei. Eram perseguidos, atacados. Eram privados dos seus direitos, eram privados de oportunidades, privados de educação e saúde. Mesmo assim, Rosa Parks disse chega! Disse, não mais! O Brasileiro precisa fazer o mesmo e livrar-se das correntes mentais que nos mantém reféns de conceitos ilusórios e falsas instituições que não beneficiam o povo Brasileiro. Precisamos lutar por direitos reais assim como fez Rosa Parks dentro daquele ônibus no dia primeiro de Dezembro de 1955.

Mas, a segregação não é apenas uma aberração usada contra os negros. Essa é mais uma lição que podemos aprender com a atitude de Rosa Parks. Sem percebermos, promovemos a segregação todos os dias, uns contra os outros. Segregamos quando nos recusamos a ceder nosso assento a uma gestante, a um deficiente, a um idoso. Segregamos as pessoas quando deixamos de ceder nosso lugar apenas pela oportunidade de sermos gentis uns com os outros, porque afinal de contas, não precisamos ceder nosso lugar apenas quando estamos diante de situações especiais. Segregamos pessoas que se vestem diferente da gente. Segregamos pessoas que não pertencem ao nosso grupo ou que se comportam de maneira diferente. Segregamos pessoas mais pobres e mais ricas que a gente. Por isso, o Brasileiro precisa combater estas questões dentro da sua própria individualidade e dentro do seu próprio modo de pensar. A consequência deve ser a mudança de atitudes, os resultados serão um Brasil mais justo para todos. Os assentos reservados para gestantes e portadores de deficiências não deveriam nem existir. Basta as pessoas serem mais gentis e ceder seus lugares sempre que alguém, por qualquer condição, precisar sentar-se. Por isso o exemplo e o legado deixado por Rosa parks não se limita apenas ao problema da segregação racial. Seu legado vai muito além, e os Brasileiros também podem usar o exemplo de Rosa Parks para mudar a história social do Brasileira.

Rosa Parks morreu aos 92 anos em 2005. O Congresso Americano lhe concedeu status de honra. Seu corpo foi velado ao lado da sepultura de Abraham Lincoln no Capitol, junto a sede do Congresso Americano. Apenas 30 pessoas tiveram esta honra aprovada pelo Congresso. Rosa parks foi a primeira mulher. Em 2009, apenas 54 anos após sua atitude no ônibus da cidade de Montgomery, os EUA elegia Barak Obama, o primeiro presidente negro da história Americana.

Fonte:

Constitution Daily – http://blog.constitutioncenter.org/2015/12/it-was-on-this-day-that-rosa-parks-made-history-by-riding-a-bus/

 

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