A Morte do Estado E O Surgimento Do Regime Totalitario Corporativista

By: Michaell Lange,

London, 12/10/15 –

O gigantesco acordo financeiro e de parceria comercial que esta sendo negociado entre a União Européia e os EUA deve ser o maior acordo econômico da história. O chamado Transatlantic Trade and Investment Partnership ou TTIP, irá beneficiar os dois lados do Atlantico Norte de forma ainda não vista. Mas o acordo, tem sido alvo de intenso criticismo na Europa, sobretudo de sindicatos, grupos ambientalistas, grupos anti-globalização e outras ONGs que acusam o acordo de beneficiar as grandes corporações internacionais as custas dos cidadãos Europeus. As principais agencias de noticias do mundo preferem não dar muita atenção ao assunto. Mas os motivos por trás dessa passividade da grande mídia, pode estar escondido nos verdadeiros interesses desse acordo comercial. Se os críticos estiverem certos, o silencio da mídia tem justificativa. Não seria conveniente divulgar detalhes de um projeto dessa magnitude se o povo não estiver incluindo entre os grandes beneficiários. A preocupação de instituições civis podem ter fundamento se algumas informações forem cruzadas e analisadas de forma correta. Segundo a Agencia Internacional Global Policy Forum (GPF), das 100 maiores economias do mundo hoje, 51 são corporações e 49 são países. O poder exercido pelas grandes corporações pode ser considerado hoje uma das grandes ameaças a soberania de pequenos países e também para as super-potências. De acordo com Michael Mueller, presidente da ONG Alemã, German Friends of Nature, “nós não queremos um futuro controlado pelos mercados, nós queremos salvar a Democracia”. Michaell Muller se refere ao poder que as grandes corporações exercitam atualmente nos Congressos e parlamentos ao redor do mundo através do lobbying. A influência do lobbying nos governos transformou a forma de governar e legislar em praticamente todos os países do mundo. Nem mesmo as grandes nações como os EUA, se salvam desse fenômeno. Em 2011 o Congresso Americano passou uma Lei Federal que ficou conhecida como a lei que transformou Pizza em um Vegetal. O legisladores teriam afirmado que por conter duas colheres de sopa de extrato de tomate, a pizza poderia ser servida como fonte de nutrientes vegetais, mesmo que o tomate seja considerado uma fruta. A Lei foi votada depois que o Presidente Barak Obama apresentou um projeto para diminuir a fonte de proteínas e aumentar as fontes de nutrientes vegetais servido nas refeições das escolas Americanas, para conter o grave problema da obesidade no país. A pizza seria um item reduzido, mas a industria deu um jeito de fazer o Congresso trabalhar a seu favor.

Os críticos afirmam que o acordo comercial entre a União Europeia e os EUA, fortalecerá ainda mais a influência das corporações internacionais nas políticas publicas da Europa. De fato, esse processo ja esta bem avançado, mas acordos como esse, demonstram que talvez, os objetivos corporativos sejam mesmo a de substituir o estado de forma não declarada. O partido dos conservadores da Grã Bretanha que atualmente esta no poder no país, afirmaram durante o congresso do partido na semana passada em Manchester, que o mundo hoje é ditado pelas regras dos mercados e que é papel dos governos apoiarem esse processo. Essa afirmação é extremamente preocupante.  O processo de globalização realmente entregou o controle dos mercados as grandes corporações e isso é mais um motivo para que os governos se posicionem entre os interesses do povo e o apetite insaciável das grandes corporações. Não existe outro motivo para a existência dos governos se não a importância de defender os interesses da população. A sociedade moderna precisa dos mercados globalizados e das grandes corporações. O problema é que as grandes corporações estão ficando mais poderosas que o próprio estado e os interesses públicos ficam em segundo plano. Nos EUA alguns estados proibiram a existência de sindicatos. No Reino Unido os direitos trabalhistas estão deixando de existir juntamente com outras políticas públicas. O sistema de saúde Britânico é considerado um dos melhores do mundo, mas nunca foi tão negligenciado como nos últimos anos. O partido dos trabalhadores da Grã Bretanha acusa os conservadores de sucatear o NHS – National Health System – com o objetivo de privatiza-lo, mesmo que o próprio partido dos trabalhadores tenha negligenciado o NHS por mais de 10 anos antes dos conservadores tomarem o poder.

No ultimo final de semana uma multidão estimada em 250 mil pessoas, tomaram as ruas de Berlin na Alemanha, em protesto contra a negociação do acordo transatlântico de comércio e parceria de investimentos. Uma petição online pedindo que a União Européia desista do acordo comercial com os EUA, ja acumula mais de 3 milhões de assinaturas. Segundo o diretor da ONG Global Justice Now, Nick Dearden, a petição é uma clara evidencia de que a União Européia não tem o apoio dos Europeus para tomar essa decisão. Nick Dearden disse a Instituição civil Films For Action que, “tudo que nós sabemos a respeito desse acordo secreto demonstra que esse acordo trata muito pouco dos interesses públicos e muito mais dos interesses das grandes corporações “.

Os protestos na Alemanha coincidem com a divulgação desta Segunda-Feira (12) pela rede de TV Britânica BBC, que a empresa FaceBook pagou apenas £4.327 Libras em impostos no Reino Unido em 2014. Segundo a BBC, o FaceBook declarou um prejuízo de £28,5 milhões de Libras no Reino Unido em 2014, mesmo tendo pago aos seus 362 funcionários, um total de £35.4 milhões de Libras em bônus ou seja, £96 mil Libras por funcionário. De acordo com a BBC, os impostos pagos pelos funcionários da empresa em 2014 foram na média de £5.392.80 Libras, mil Libras a mais por funcionário do que o total pago pela empresa. Em janeiro deste ano a Empresa declarou um lucro global no quarto trimestre de $701 milhões de Dólares. Um crescimento se 34% referente ao mesmo período no ano anterior. De acordo com os dados da própria empresa, a arrecadação com vendas e propaganda cresceu 53% fechando o ano em $3.59 bilhões de Dólares. A gigante das redes sociais também declarou que possui 1.39 bilhões de usuários ativos, um crescimento de 13% ao ano anterior.

O FaceBook entrou para a lista de empresas investigadas pela União Européia acusada de uso de meios indevidos para não pagar impostos. Também fazem parte da lista de investigados, o Google, Amazon, Fiat e Starbucks. As investigações iniciaram depois da descoberta de que a Starbucks, pagou apenas £8.6 milhões de Libras em impostos durante os 14 anos de atuação no Reino Unido entre 1998 e 2012, mesmo apesar de declarar receita total de £3 bilhões no mesmo período. Na semana passada um estudo feito pelo G20 denunciou que as Leis que permitem grandes corporações de declararem seus lucros em paraísos ficais rendeu um prejuízo em arrecadação de impostos no valor de $100 a $240 bilhões de Dólares, o equivalente a 4% e 10% do valor de arrecadação global de impostos. Em 2013, o governo Britânico diminuiu os impostos pagos por grandes corporações de 28% para 20%  ao mesmo tempo em que cortava gastos públicos com fechamento de bibliotecas, hospitais, emergências, bases do corpo de bombeiros e cortes nos benefícios trabalhistas e pensionistas. Os críticos acusam o atual governo de ser uma espécie de Robin Hood ao contrario, tirando dinheiro dos pobres e dando para os ricos.

Em todo o mundo, o fenômeno é o mesmo. Grandes corporações dominam as mesas de decisões de políticas públicas dentro e fora do Congresso Nacional no Brasil e nos EUA ou no Parlamento Britânico e na União Européia. Em troca das leis que beneficiam as grandes corporações, partidos políticos, candidatos, deputados e senadores recebem gordas contribuições. A Lei que permite a doação de capital por empresas, para financiar partidos políticos e candidatos políticos no Brasil, é um alerta que não pode passar despercebido. No final, quem fica de fora do banquete são sempre as mesmas vitimas, eu e você que votamos e damos o direito dos nossos governantes de fazer o que bem entenderem. Dessa forma, a Democracia vai perdendo espaço para um regime totalitário e ditatorial que paga para ter as leis que interessam, aprovadas. Por outro lado, o povo vai dormir preocupado com a ameaça do comunismo, uma ideologia moribunda e que não ameaça mais ninguém, sem perceber que o estado, responsável em administrar e defender os interesses da população, ja vendeu o futuro dos nossos filhos e das próximas gerações, para interesses financeiros que não se importam com o bem estar social. Em pouco tempo, toda a riqueza global estará guardada em poucas contas bancarias enquanto o restante da população mundial vai ter que se conformar com as migalhas deixadas para trás pelos futuros donos do planeta terra. E isso não se trata de uma previsão futura, essa realidade ja é atual e poucos até agora, foram capazes de perceber.

A solução para esse problema não é o fim das grandes corporações, nem o ódio pelos grandes capitais. As corporações são partes fundamentais nas sociedades modernas. Empresas como o FaceBook, Amazon, Google, Apple entre tantas outras, revolucionaram nosso modo de vida e trouxeram benefícios sociais incríveis. Mas é correto dizer que eles estão sendo devidamente recompensados por estes benefícios sociais. Corporações geram empregos e fortalecem a economia. A solução portanto, é a busca pelo equilíbrio entre os interesses corporativos e os interesses sociais. Grandes corporações precisam pagar impostos locais ao invés de transferirem seus lucros para outros países com o objetivo de não contribuir com as suas responsabilidades sociais. Os governos ja deixaram de representar os interesses sociais. Na Europa, o desenvolvimento de uma sociedade civil, com fortes instituições independentes, tem feito a diferença na hora de pressionar o governo a aprovar ou rejeitar propostas de Leis que dizem respeito ao bem estar comum. Petições online por exemplo, tem forçado o Parlamento Britânico e Europeu a discutirem assuntos de interesse social que, com apoio de parlamentares podem se tornar Leis que protegem e beneficiam os interesses sociais. No Brasil, as instituições civis devem iniciar seu trabalho junto as bases governamentais como no caso das prefeituras. Associações de moradores de bairros podem fazer toda a diferença quando trabalharem unidas pelos interesses das suas comunidades. Associações unidas por um único objetivo, pressionar governos a discutir e criar projetos que visam os interesses da comunidade. Essa talvez seja a melhor maneira de fazer os governos voltarem a representar as políticas publicas que não apenas beneficiam as grandes empresas, mas também as sociedades de uma forma geral. A Europa tem muito a nos ensinar a esse respeito e cabe a nós, observar e aprender a defender nossa democracia que apesar de capenga, ainda é tudo que temos.

Fonte:

Films For Action – http://www.filmsforaction.org/articles/hundreds-of-thousands-march-in-berlin-against-ttip-trade-deal/

BBC – http://www.bbc.co.uk/news/business-34504474

GPF – https://www.globalpolicy.org/component/content/article/221/47211.html

The Guardian – http://www.theguardian.com/commentisfree/cifamerica/2011/nov/18/pizza-vegetable-congress-says-so

Revolução e Liberdade: Quem Controla Seus Pensamentos? (Reflexão)

By: Michaell Lange,

London, 04/10/15 –

Há duas maneiras de resolver a questão Brasileira, e as duas maneiras envolve revolução. Uma delas é violenta, dramática, caótica e sem controle. Ninguém sabe ao certo o que pode acontecer no final. É mais ou menos como foi a revolução Francesa. O povo invade Brasilia e as capitais estaduais e vai todo mundo para a guilhotina. Depois disso, o próximo governo terá medo do povo, e assumirá o poder sabendo que o povo manterá a guilhotina afiada em caso de problemas futuros. Certamente o atrevimento e o desrespeito seriam restaurados. Funcionou na França e provavelmente funcionaria no Brasil, o problema é que o Brasileiro não é Frances. O Brasil pode ser um país violento, mas o Brasileiro é um povo tranquilo, pacato e pacifico, não gosta de guerra, nem de morrer de forma brutal. O Brasileiro é simples, gosta da família, dos amigos, e de aproveitar a vida numa boa. Ninguém quer sair por ai matando todo mundo indiscriminadamente. A guerra não faz parte da natureza do Brasileiro, e eu como Brasileiro, tenho orgulho disso. Definitivamente, essa revolução não combina com o povo Brasileiro.

A outra revolução é silenciosa, comportada, pacífica, mas determinada e devastadora. A revolução silenciosa é a revolução do “Iluminismo”, ou seja, da auto-educação. Iluminismo é possível quando cada cidadão resolve fazer o melhor pelo seu lugar, sua cidade e seu país e pelas pessoas a sua volta, indiferente de quem elas sejam. Os ladrões não irão perceber a chegada dessa revolução, eles serão surpreendidos nas eleições, nas campanhas eleitorais, nos comícios. Ninguém mais vai comprar as promessas, os sorrisos e os favores em troca de apoio, em troca de voto. De repente, os políticos perceberão que o sistema em que estavam acostumados não funciona mais, ou melhor dizendo, não engana mais. A auto-educação é um fenômeno que surge de baixo para cima, e exige um processo de adaptação e exercício constante do indivíduo, que passa a olhar para si mesmo e não mais para os outros. Suas atitudes, suas reações, suas virtudes, hábitos, sentimentos e valores, passam a ser objeto de extremo questionamento do próprio ser. A pessoa passa a prestar atenção e a questionar-se mais e mais sobre tudo a respeito de si mesmo. Nesse processo, aprendemos que a raiva, a violência física e verbal, a tristeza e o stress, são na verdade, perda do controle sobre seu próprio universo, seu corpo e sua mente. Quando você apenas reage a uma situação repentina, você é apenas um ser a mais no mundo controlado por outras forças externas. A propaganda, o noticiário da TV, a revista e os políticos, são seus donos, seus mestres. Eles fazem você comprar algo que não precisa, comer algo sem fome, pensar de uma forma sem saber exatamente porque, reagir agressivamente ou de forma impulsiva em situações adversas. Mas, quando você analisa, pensa e reflete perante uma situação repentina, antes mesmo do seu corpo reagir de forma instintiva, você passa a ter o controle da sua reação. Você passa a ser um universo próprio, sob controle, independente e livre. Você deixa de ser apenas uma bola de futebol que segue a direção do chute. Você passa a ter vida própria, opinião própria. Você pensa por conta própria. Você não repete algo que foi falado de forma impulsiva, você reflete primeiro, depois resolve se fala. A reação do seu corpo passa a seguir as orientações da sua mente e não as orientações de forças externas.

A mais ou menos 10 anos atrás, iniciei meu processo de auto-educação. Passei a questionar absolutamente tudo sobre mim mesmo. Gostos, pensamentos, reações, sentimentos, interesses, vontades, absolutamente tudo. Por que estou sentindo raiva disso? Por que estou estressado? Por que gosto disso? Por que essa palavra me deixou nervoso? Por que gosto dessa idéia? Por que gosto dessa musica, dessa comida, dessa pessoa, desse lugar? O resultado desse processo até aqui é possível descrever em apenas uma palavra; “Liberdade”. Ao questionar meus sentimentos, passei a me perguntar, por que quando alguém tenta me ofender com palavras ou gestos de baixo calão, me sinto ofendido? O que é ofensa? Por que quando alguém nos chama de FDP, por exemplo, reagimos com uma fúria descontrolada? Que tipo de reação química certas palavra causam em nosso cérebro, que produz tamanho derramamento de adrenalina em nosso sangue e faz nosso coração acelerar de forma tão descontrolada? A conclusão que eu cheguei é a de que, durante nosso crescimento, observamos outras pessoas se ofenderem com certas palavras, com certos gestos, e inocentemente, sem perceber, adotamos os mesmo costumes, e passamos a nos ofender com as mesmas palavras, e com os mesmos gestos com que as pessoas a nossa volta se ofendem. É um ciclo vicioso e silencioso que se prolifera sem que as pessoas percebam. Por exemplo, o gesto do “V da vitóriaˆ” que usamos no Brasil de forma tão inocente, é uma grave ofensa no Reino Unido. Por tanto, aprendemos a nos ofender com certas coisas por observação dos costumes que existem a nossa volta e aceitamos sem questionar. Minha pergunta é; Por que? Por que permitimos ser influenciados por forças externas (opiniões alheias, propaganda política ou comercial, fofocas, ofensas etc) que nos fazem fazer coisas que não precisamos ou que não queremos fazer? Por que perdemos o controle sobre nossas reações em algumas situações do dia-a-dia? Minha resposta para estas perguntas é; Consciência! Ter consciência nos deixa mais alerta sobre tudo que acontece a nossa volta, inclusive o que acontece dentro da nossa cabeça. Pense num jogador de futebol durante um jogo clássico. Os jogadores estão o tempo todo em alerta sobre o que esta acontecendo dentro do campo de forma que, ele pode definir a próxima jogada, que pode ser uma ação defensiva ou um ataque. O mesmo vale para nós no nosso dia-a-dia. Quando você esta em alerta, você esta sob-controle.

No momento que você se questiona sobre estas coisas, você passa a perceber que o dedo do meio direcionado a você, é apenas o dedo do meio, e que uma palavra ofensiva, é apenas uma palavra, e que você só se ofende quando você permite ser ofendido ou seja, quando você da o poder da ofensa a uma força externa, caso contrario nada acontecerá. Parece incrível, mas tente fazer um exercício. Da próxima vez que alguém tentar ofender você, tente não se ofender, tente controlar a sua reação. Você nunca mais irá esquecer do momento em que você retomou o controle sobre sua própria mente e sobre seu próprio corpo. Quando isso acontecer, você se ofenderá apenas quando quiser ser ofendido, e sera enganado apenas quando você se deixar enganar, porque você terá o controle da sua mente e do seu corpo. Isso seria o pior pesadelo do governo e de qualquer político ou de qualquer força externa que queira controlar você.  O dia em que você retomar o controle do seu corpo e da sua mente, ninguém mais convencerá você a gostar de algo que você não gosta, ou seguir algo que você não concorda. Você continuara amando o futebol, por exemplo, mas não sentirá necessidade de seguir um time, muito menos brigar com outras pessoas apenas porque eles torcem para outro time. Isso tudo perderá o sentido porque você terá o controle da sua mente. Você vai gostar ainda mais de futebol, porque independente de quem perder o jogo, você não ira sofrer a derrota, porque você não perdeu nada. O mesmo servirá para partidos políticos e seus políticos. Você perceberá que não faz sentido algum se juntar a um grupo de Brasileiros para combater outro grupo de Brasileiros que tem pensamentos diferentes dos seus. Você perceberá que se todos se unirem num único propósito, como o bem estar de todos os Brasileiros, e não apenas o bem estar daqueles que concordam com você, a sua cidade, o seu estado e o seu país, se tornará um lugar melhor para se viver.

Essa foi a revolução que devolveu o controle da minha própria entidade, do meu próprio ser. Hoje, 10 anos depois do inicio da minha própria revolução do pensar, não simpatizo com nenhum determinado partido político, não sigo ideologia política, não sigo nenhum time de futebol, mas ainda gosto de ver o Brasil vencer. Por outro lado, questiono meu patriotismo e ja enterrei meu nacionalismo. Fico me perguntando, para que serve um hino nacional? Para que serve uma bandeira? Será que serve para me diferenciar das outras pessoas? Se for, então são símbolos que não tem valor para mim a não ser que sejam usados no esporte para diferenciar os times que competem entre si, nesse caso eu concordaria. Mas, usar de bandeiras e hinos para promover diferenças entre os seres humanos? para nos separar em diferentes grupos? Eu rejeito esse sistema! Uma criança Brasileira, não vale mais do que uma criança Africana, Haitiana ou Americana. Quando dividimos os seres humanos em diferentes grupos, damos status a cada um deles. Uns passam a valer mais que os outros, mas eu rejeito esse sistema. Eu rejeito os direitos das minorias. Não acredito nos direitos dos gays, nos direitos dos negros, nos direitos das mulheres ou nos direitos dos deficientes. Isso tudo são formas de dividir a humanidade em pequenos grupos. É uma estratégia política muito eficaz de dividir e controlar. Pois, eu acredito apenas nos direitos humanos. Quando passamos a ver todas as pessoas como seres humanos, todas as vidas passam a ter o mesmo valor, todo sofrimento, passa a ser o meu sofrimento. Toda conquista passa a ser a nossa conquista. E essa revolução na nossa forma de pensar pode libertar toda a humanidade de qualquer forma de tirania. Quando controlamos nossas mentes, as influências e as forças externas perdem o poder sobre as pessoas, e a propaganda política, deixa de enganar o povo. O futebol e o esporte, deixam de nos separar, e a humanidade passa a ter o mesmo valor.

O Estupro Do Povo Brasileiro: Até Quando Seremos Vitimas Passivas Desse Crime Hediondo?

By: Michaell Lange,

London, 02/10/15 –

Primeiro de tudo quero iniciar esse artigo parabenizando o Jornal Nacional pela excelente reportagem sobre um crime cometido pelos supermercado Brasileiros. Precisamos mais desse tipo de defesa ao consumidor. Precisamos de mais exposição de comerciantes como estes que roubam justamente as pessoas que eles deveriam zelar pelo privilégio de te-los como clientes. Roubam seus clientes, roubam o povo Brasileiro e prejudicam a economia criando inflação com abuso de preço e falsificação de informação. Usam do artificio da pressa e da vergonha do consumidor para rouba-los com a mesma indiferença e desrespeito com que qualquer ladrão de rua rouba.

Esse tipo de denuncia e jornalismo investigativo pode mudar nosso país para melhor e nos dar um futuro mais promissor e um país mais justo.  É importante criticar nossos meios de comunicação quando eles erram, mas também é importante lembrar de elogia-los quando assim merecerem. É importante deixarmos claro a todos os meios de comunicação, que não economizaremos criticas e desprezo sempre que agirem contra os interesses da sociedade e do bem comum. Mas também é importante deixarmos claro, que saberemos reconhecer, e iremos apoiá-los sempre que a mídia estiver do nosso lado, defendendo nossos direitos, nossos interesses e o bem comum, nossa sociedade. Vivemos todos juntos nesse caldeirão social, e a mídia e os comerciantes precisam tanto dos consumidores quanto os consumidores precisam deles. Por isso, a harmonia entre todas estas instituições ira sem duvidas, beneficiar a todos de forma geral. Quando uma ou mais instituições se unem para tirar proveito do resto, o sistema entra em colapso, a desconfiança assume o controle e a sociedade passa a ser um lugar ruim, perigoso, sombrio e infeliz para todos que ali vivem.
A denuncia feita pelo JN sobre as praticas cometidas por comerciantes em todo o Brasil, deveria ser caso de policia e não apenas um caso de multa por mal comportamento. O que os supermercados estão praticando, alterando preços de produtos que nas prateleiras apresentam um valor menor que o cobrado no scanner do caixa, é um abuso de poder, uma falsificação de informação, um abuso inflacionário e um grande desrespeito com o consumidor e com a economia Brasileira. E tudo isso com o único intuito de maximizar os lucros e possivelmente, burlar o pagamento de impostos. Se eu fizer isso, vou para cadeia! Então, por que a policia que tem coragem de subir o morro e bater de frente com traficantes fortemente armados colocando em risco sua própria vida, são incapazes de entrar num supermercado e prender os responsáveis por esse assalto? Por que a policia não fecha as portas destes comércios até que o sistema seja corrigido e a aplicação de multa milionária seja efetuada?
O consumidor Brasileiro não pode continuar refém destas práticas abusivas, hora pelo governo, hora pelos bancos, hora por comerciantes, quando não, por todos eles juntos, roubando como o crime organizado. Por que a policia é incapaz de mostrar toda sua força bruta contra estes grandes ladrões? Mas, o consumidor também tem culpa. Se todos fossem como a minha mãe, que se recusa a liberar o caixa até que alguém traga seus dois centavos de troco, esse tipo de pratica não estaria tão escancarada. O consumidor precisa perder a vergonha de exigir seus direitos e falar alto se preciso for. Quem deveria sentir vergonha são eles por tentarem roubar seus consumidores. Quando o consumidor mudar seu comportamento passivo e começar a filmar, tirar fotos e expor estas práticas nas redes sociais, com nome e endereço destes comércios, o mercado será obrigado a mudar seu comportamento também, caso contrario, fecharão as portas. Não adianta querer mudanças, bater panela por mudanças, fazer protestos por mudanças, se cada um de nós como indivíduo, não estiver disposto a mudar. Todo mundo quer mudança, mas ninguém esta disposto a mudar!

Ontem compartilhei nas redes socais, um video da radio BandNews, sobre o número de vôos que nossos governantes Federais sobretudo, Ministros e Presidência, fazem com aviões oficiais da FAB, a trabalho e a laser. O número total de vôos, segundo informações levantadas pela BandNews, entre Janeiro e Agosto deste ano, foi de 2206 vôos. O Ministro das Cidades, Gilberto Cassab, foi o campeão no uso das aeronaves oficiais com 187 vôos. Eduardo Cunha, presidente da Camara dos deputados, ficou em segundo lugar com 110 vôos entre Janeiro e Agosto deste ano, nos quais 71 vôos, foram feitos para leva-lo para casa. Aldo Rebelo, Ministro da Ciência e tecnologia que perdeu o emprego hoje, durante pronunciamento da presidente Dilma que extinguiu oito Ministérios como parte da reforma ministerial, ficou em terceiro lugar com 106 viagens com jatinhos da FAB em pouco mais de sete meses. Estes são políticos que pedem corte de gastos do governo, mas usam jatinhos da FAB para leva-los para casa quando o governo ja fornece concessão de verbas para pagamento de passagens em vôos comerciais para estes mesmos pilantras. Ainda segundo informações da BandNews, que fez um levantamento de preços de vôos feito por empresas que prestam serviços aéreos executivos entre Brasilia e Rio de Janeiro e Brasilia e Maceió, o preço mais barato de um vôo em jatinho executivo  entre a Capital federal e o Rio de janeiro, é de R$62,000 Reais. Entre Brasilia e Maceió, o valor sobe para R$97,000 Reais. Nos vôos feitos com aeronaves da FAB que utiliza aviões maiores como o Embraer E195 e o Embraer ERJ135, os valores sobem ainda mais, custando R$132,000 Reais para o Rio de Janeiro e R$182,000 Reais para Maceió. Uma rápida pesquisa na internet para um vôo comercial na sexta feira entre Brasilia e Rio de Janeiro, é possível encontrar preços apenas de ida, por R$800,00 Reais e ida e volta por R$1,200 Reais. Não é preciso ser mestre em matemática para ficar indignado com o tamanho da fortuna que estes políticos estão gastando, enquanto o povo brasileiro precisa aceitar um dos piores sistemas de transporte público do mundo. É inadmissível que servidores públicos gastem R$132 mil reais para irem para casa na sexta feira e voltarem na segunda, quando um trabalhador Brasileiro ganhando um salário mínimo teria que trabalhar 14 anos, sem gastar um centavo do salário para guardar o mesmo valor que um Ministro queima em pouco mais de uma hora de vôo.

Os dois casos abordados acima são extremamente revoltantes mas, os grandes culpados dessa situação ainda somos nós, cidadãos, povo Brasileiro. Não basta o desafio diário de acordar no meio da noite para pegar, sabe-se la quantos ônibus, trens, e metrôs abarrotados de pessoas, vítimas como você, enfrentando uma verdadeira maratona de correria e sobrevivência antes mesmo de iniciar a jornada de trabalho do dia. Não basta trabalhar de sol a sol com o medo constante de perder o emprego, de perder a vida nas mãos de um assaltante ou na fila de uma emergência, para no final do mês receber um salário que não será suficiente para pagar as contas básicas do mês. Ainda somos roubados por criminosos de todos os tipos, armados com uma arma de fogo ou faca, com distintivo de autoridade ou bloco de multas, com câmeras invisíveis ou tarifas e taxinhas infinitas e inexplicáveis nas contas de água, luz, gás e cartão. Roubados pelo supermercado que indica um preço na prateleira e no caixa cobra um valor superior ao indicado, escondido para que você não perceba que esta sendo roubado.

Ainda assim, de alguma forma, encontramos tempo e disposição para acordar cedo no Domingo, muitas vezes nosso único dia de descanso, para ir as ruas defender estes políticos cafajestes, ordinários, que são incapazes de demonstrar o mínimo de respeito pela população abandonada do nosso país. Ainda somos capazes de levantar suas bandeiras e gritar seus nomes, usar camisas com a sigla criminosa dos seus partidos, aplaudi-los com orgulho e trata-los como heróis. Ainda somos capazes de defender aqueles que destruiram os teus sonhos, e os sonhos de outros milhões de Brasileiros, que terão que passar a vida assistindo novelas e sonhando em ganhar na loto. Ainda somos capazes de defender os políticos responsáveis por você não poder comprar o presente que seu filho mais queria, ou as férias que a sua família merece. Defendemos estes bandidos vestidos de terno e gravata, que não se importam em queimar R$132,000 reais em vôo de uma hora enquanto você, Brasileiro, não conseguirá comprar um presentinho de natal para as pessoas que você ama. Até quando continuaremos defendendo justamente aquelas pessoas responsáveis por nossa falta de oportunidade, nossa falta de segurança, nossa falta de Saúde, de Educação, de infra-estrutura, de estabilidade econômica, nossa falta de uma chance de realizar nossos sonhos mais básicos? Até quando?

É fundamental continuarmos indo as ruas para protestar, mas precisamos defender e apoiar um bem comum entre todos os Brasileiros, e nosso bem comum, nosso maior patrimônio, é o próprio Brasil. Se não mudarmos nosso comportamento, se continuarmos a defender partidos políticos e seus clubes VIPs de sangue-sugas, a vida dos Brasileiros continuará a ser o que tem sido a séculos, injusta, indigna e sem futuro. O dia que o Brasileiro acordar com a mente livre de partidarismos, e passar a ter em seu coração um único partido social chamado Brasil, nosso povo irá começar a ter uma vida digna e merecida. Não somos um país de vagabundos. O Brasileiro trabalha duro, sem descanso, sem perspectivas, sem esperança. Merecemos mais respeito das autoridades, mais respeito dos nossos comerciantes, mais respeito da nossa mídia. Mas, não podemos esquecer da necessidade de respeitarmos uns aos outros, de respeitar e entender o drama comum entre todos os Brasileiros que compartilhamos todos os dias nas ruas do Brasil. E acima de tudo, precisamos deixar de apoiar e defender quem não se importa com nosso povo.

David Cameron E O Legado Da Escravidão (opinião)

By: Michaell Lange,

30/09/15 –

Em viagem de negócios ao Caribe, o primeiro ministro Britânico, David Cameron, não conseguiu evitar um problema que assombra a história do Reino Unido a séculos e ainda hoje, promove intensos debates sobre a responsabilidade Britânica no pagamento de indenização pelos danos causados pela industria da escravidão que mutilou a história de quase todos os países Latino Americanos e do continente Africano. Durante um encontro com a primeira ministra da Jamaica, Portia Simpson Miller, a questão da divida histórica foi apresentada a David Cameron que, mesmo reconhecendo a seriedade do problema, recusou-se a fazer um pedido de desculpas formal ou pagamento de qualquer reparação aos países Caribenhos que sofreram com a escravidão. Em 2013 em seu discurso na ONU, a primeira ministra da Jamaica ja havia formalizado um pedido para abertura de um debate internacional para abordar as questões esquecidas depois da abolição da escravidão.

Por mais de 200 anos, o Reino Unido foi o principal beneficiário da industria de escravos. Documentos do arquivo nacional Britânico denunciam o transporte de quase 13 milhões de pessoas entre a Africa e as Americas. Depois da abolição em 1833, o governo Britânico indenizou 46 mil donos de escravos por “perda de propriedade humana”. O valor total das indenizações chegaram a £17 bilhões de Libras (R$102 bilhões de Reais), o equivalente a 40% de todo o gasto do governo Britânico em 1834, incluindo £3 milhões de Libras (R$18 milhões de Reais), pago a família do atual primeiro ministro David Cameron. Nenhum escravo foi indenizado pelo governo Britânico.

O assunto tem sido amplamente debatido esta semana por toda a mídia Britânica, incluindo as redes sociais. A radio LBC – Leading Britain’s Conversation – deu grande destaque ao assunto e atraiu milhares de pessoas a participarem dos debates ao vivo. De todos os apresentadores da LBC, até mesmo o mais imparcial de todos (segundo minha opinião) James O’Brien, tiveram dificuldades para entender a magnitude da herança deixada pela industria de escravos. O argumento mais defendido por aqueles contrários a qualquer forma de pagamento compensatório ou pedido de desculpas é o de que nada pode mudar o que foi feito no passado. Outro argumento bastante ouvido é de que, não devemos nos prender ao passado mas sim focar no futuro. O equivoco destes argumentos é que a história pode ser antiga mas, as consequências continuam vivas como nunca. O Brasil é um grande exemplo desse legado. Em 1888 logo após a abolição, 80% da população Brasileira era de escravos. Escravos estes que por séculos, foram impedidos de se desenvolver naturalmente, geração após geração em total estagnação no desenvolvimento humano, enquanto que o branco Europeu seguia seu desenvolvimento sócio-econômico de forma continua e natural. O negro não é por tanto, uma raça inferior a branca como muitos grupos racistas costumam clamar, mas sabe-se que isolando-se um grupo de pessoas e privando-as de acesso a qualquer forma de educação ou possibilidade de desenvolvimento pessoal e humano, os resultados ao longo de séculos serão desastrosos. Foi exatamente isso que aconteceu no Brasil e na maioria dos países vitimas da industria de escravos. O sul do Brasil não é a região mais desenvolvida do Brasil por acaso. A região Sul teve pouca influência escrava e se beneficiou com a forte colonização Européia ou seja, pessoas que tiveram algum acesso a educação e desenvolvimento humano, enquanto que a população do Norte/Nordeste, predominantemente ex-escravos, tiveram beneficio sócio-econômico próximo do zero por conta de uma população esfacelada, torturada e privada de qualquer direito por centenas de anos. Seria como buscar um grupo de pessoas que viveram nos anos de 1700  e fossem libertados no centro de São Paulo numa manhã de segunda feira em pleno 2015. Sera que podemos chamar isso de liberdade? O resultado não poderia ser diferente. Os imigrantes Europeus que chegaram ao Brasil em meados de 1880 e 1900, prosperaram e logo se transformaram na classe dominante. Esse fenômeno não foi observado apenas no Brasil. Até nos EUA os estados do Sul, predominantemente descendentes de escravos são mais pobres que os estados do Norte, predominantemente brancos de origem Européia.

O impacto de séculos de exploração de um único grupo de pessoas continuam visíveis hoje da mesma forma que era visível em 1888. No Brasil de 2015, os negros são maioria absoluta nas prisões, nas periferias e na classe pobre do país. É como se aqueles escravos continuassem, ainda hoje, caminhando sem rumo, atordoados pelo trauma transferido de geração para geração. Dos 56 mil homicídios em todo o Brasil, 77% das vitimas são negros com idade entre 15 e 29 anos. Frente a tantas evidencias do impacto humano impostas sobre nossa população, é inadmissível que governos Europeus como o atual governo Britânico, se recusem a reconhecer e a formalizar pedidos de desculpas formais pelos irreparáveis danos causados a inúmeras gerações de pessoas cuja as gerações descendentes de hoje, continuam pagando um preço altissimo por um crime que eles nunca cometeram.

É correto afirmar porem, que o pagamento de indenizações em dinheiro, não é a solução para o problema, muito menos qualquer repasse de verbas aos governos dos países vitimas da escravidão. Isso seria um grande equivoco. O que precisa ser devolvido as vitimas é exatamente aquilo que lhes foi tirado ou seja, o desenvolvimento humano, a dignidade e consequentemente, a qualidade de vida. A única maneira de reparar o legado escravo, ao meu ver, seria a criação de um fundo monetário organizado e administrado pelos governos envolvidos na industria escrava, como Portugal, Holanda, França e Reino Unido, com objetivo único e exclusivo de construir escolas e universidades em países vitimas como o Brasil, Jamaica, Colombia etc, nas quais apenas negros seriam admitidos. As escolas e as universidades seriam partes do mesmo sistema no qual o aluno iniciaria a vida acadêmica na pré-escola e sairia formado na universidade. Todo esse sistema educacional seria independente do sistema educacional Brasileiro ou seja, todas as escolas e universidades seriam administradas pelos governos envolvidos no fundo monetário para a reparação dos danos humanos deixados pela escravidão. Todos os envolvidos seriam beneficiados com esse projeto. O Brasil ganharia com o fortalecimento do IDH da sua população que consequentemente levaria a uma baixa nos níveis de criminalidade de rua, e aumento nos níveis de desenvolvimento sócio-econômicos que incluiria qualidade de vida. Os descendentes de escravos seriam recompensados pelo mal causado as gerações passadas e os países Europeus se beneficiariam com a utilização da diplomacia cultural que transfere conhecimento e valores sociais, econômicos e religiosos aos Brasileiros criando uma relação mais harmoniosa e possibilitando no futuro, mais acordos sócio-econômicos entre os países envolvidos.

É quase certo que muitos de vocês, ao lerem sobre essa idéia até aqui, ja estejam revoltados e cheios de perguntas e questionamentos sobre a legitimidade de tal ideia. Alguns até encontrarão argumento racista nessa. Outros questionarão a divisão e a segregação dos negros ou irão me acusar de promover Apartheid. Outros questionarão como seria possível definir um negro com tamanha miscigenação de raças no Brasil. Todos estes argumentos são corretos e fundamentalmente inevitáveis. Mas é importante considerar que eu estou apresentando uma solução possível para um problema sério, e nenhuma solução trás consigo 100% de perfeição. Qual seria a solução? A certeza que tenho é a de que, quando queremos algo, conseguimos. Acabamos de descobrir agua em Marte por exemplo. Vivemos o conforto da internet, do google e do Iphone. Nenhum destes projetos foi concluído sem que as pessoas acreditassem neles. Dessa mesma forma, as dificuldades e os problemas de um projeto de tal escala seriam superados a partir da credibilidade das pessoas sobre a importância dos seus resultados. Pessoalmente, estou aberto a todo tipo de critica, como também estou aberto a discutir outras soluções. O que não podemos fazer é continuar ignorando um problema secular com o argumento simplista de que o crime foi cometido a muito tempo atras e nenhuma das vitimas esta viva para ser recompensada. As vitimas podem não estar mais vivas, mas as consequências daquele crime certamente estão e podem ser facilmente observados em todos os países vitimas da escravidão. É importante reconhecer que as consequências continuam atuais e visíveis aos olhos de quem quer ver. O que não podemos fazer é continuar aceitando que lideres como David Cameron cuja a própria família foi indenizada pela abolição da escravidão, continue ignorando um dos problemas mais sérios da história da humanidade como se ele não tivesse nada a ver com isso. Existem ainda hoje, verdadeiras fortunas ditando as regras no mundo financeiro, que não existiriam não fosse os lucros produzidos pela mão de obra escrava. Mesmo em Londres, o Museu Britânico, a Galeria Nacional de Arte, e grande parte da malha ferroviária que corta o país, foram financiadas com dinheiro dos escravos. Moralmente, cada descendente de escravo deveria ser dono de ações destes lugares cuja existência não seria possível sem a condenação a uma vida miserável e desumana de milhões de escravos, vitimas de um regime que até hoje se recusa a admitir sua divida com estas pessoas. Numa analogia com um crime mais recente, vale lembrar que o Holocausto promovido pelos Nazistas contra o povo Judeu durou 5 anos e certamente deixou um legado eterno. A Industria de escravos durou mais de 200 anos, e mesmo assim os responsáveis se recusam a assumir qualquer responsabilidade. Esse é um assunto que os lideres e a mídia Européia não fazem muita questão de debater frequentemente. Cabe a nós, cidadãos do mundo, através das redes sociais, continuar pressionando os responsáveis por esse crime contra a humanidade até que seja admitida a responsabilidade, e as formas compensatórias sejam definidas e postas em pratica em todos os países vitimas. Assim como as vitimas do holocausto Nazista foram reconhecidas e os responsáveis foram presos e condenados, as vitimas da escravidão precisam ser reconhecidas e ressarcidas do prejuízo histórico que ainda pode ser recuperado.

Leia mais:

University College London – https://www.ucl.ac.uk/lbs/

The Guardian – http://www.theguardian.com/world/2015/jul/12/british-history-slavery-buried-scale-revealed

The Guardian – http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/sep/30/david-cameron-slavery-caribbean?CMP=fb_gu

LBC Radio – http://www.lbc.co.uk/calls-for-uk-to-pay-over-jamaica-slave-trade-117086