Sera Que Seu Comportamento Reflete Os Valores E As Virtudes Que Você Acredita?

By: Michaell Lange.

London, 17/10/15 –

A idéia de escrever este artigo não é criticar nenhuma religião em particular, nem mesmo se trata de uma critica a religião. A critica desse artigo esta diretamente direcionada ao ser humano e a forma como nos comunicamos e nos comportamos de acordo com nossas crenças ou de forma contraria as nossas crenças e valores. Mesmo não sendo uma critica a religião, a base critica desse artigo tem a religião como foco principal por ser uma instituição compartilhada por quase 100% da população mundial e seus princípios e ensinamentos estão diretamente ligados as contradições que eu pretendo questionar abaixo. Tais questionamentos devem ser compreendidos como uma necessidade constante de exercitar nosso próprio comportamento em relação ao que acreditamos. Sera que meu comportamento e minhas atitudes estão de acordo com as crenças e valores que eu acredito?

É uma situação irônica e trágica ao mesmo tempo. Mas, o reflexo da realidade do mundo em que vivemos conta uma história bem diferente sobre aquilo em que acreditamos. Na base fundamental de todas as religiões estão inseridos princípios e valores muito similares. As três maiores religiões do mundo, Cristianismo, Islamismo e Hinduísmo, somam juntas um total de quase 5 bilhões de seguidores. O Cristianismo apresenta como valores fundamentais a renuncia da violência, o perdão e o amor incondicional a Deus e ao próximo. O islamismo tem a Paz como conceito básico. A tradução Árabe para a palavra “Islam” é comumente aceito como: Submissão aos desejos e as vontades de deus. Segundo o Alcorão, o livro sagrado dos Muçulmanos, Mohammad teria dito: “O ser humano é dependente de Deus e os mais amados por Deus serão aqueles que mais amar seus dependentes”. O Hinduísmo é considerado uma das religiões mais tolerantes do mundo. Uma das virtudes promovidas pelo Hinduísmo é não ferir ninguém no seu processo de crescimento.

Na base de todas as religiões é possível encontrar valores e princípios comuns a todas as religiões como por exemplo, o Amor, a Paz, a tolerância, a integração, o respeito, a compaixão e o perdão ao próximo indiferente a sua fé. “Amem aos seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam. Abençoem aos que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam” (Lucas 6:27-28). Mas, como é possível vivermos num mundo dominado pela intolerância, pelo desrespeito, pelo revanchismo,  pela violência, egoísmo, ambição, inveja, pelo desamor ao próximo, pelo racismo, preconceito e discriminação, se a grande maioria dos 7 bilhões de seres humanos que habitam nosso planeta hoje, vivem sob as doutrinas religiosas que pregam a Paz, o Amor, a tolerância e o perdão como valores fundamentais da sua existência? É claro que todos nós sabemos a resposta exata para esta pergunta. “A verdade é uma ofensa, mas não é um pecado” (Bob Marley). A maioria de nós, Cristãos e Muçulmanos, não oramos por Amor aos ensinamentos de Deus ou Allah. Nós não participamos das missas e cultos religiosos por Amor ou submissão as nossas respectivas religiões e seus e sagrados valores e virtudes. A maioria de nós, segue uma ou outra religião, por medo. Medo de não ser salvo, medo de ir para o inferno, medo de Deus, medo do desconhecido, medo do que os outros irão dizer, medo do julgamento. Mas curiosamente, esse mesmo medo que nos faz declarar fidelidade a uma religião, não é grande o bastante para nos fazer cumprir valores e princípios pelos quais acreditamos fielmente serem o caminho do bem, o caminho do correto. Temos medo de deus, mas não temos medo do pecado. Não temos medo de sentir ódio, de promover a intolerância. Não temos medo de promover a violência, a indiferença, a discórdia e a guerra. Não temos medo de mentir, de corromper e ser corrompido. Não temos medo de negar a mão ao necessitado. Mas aos domingos estamos lá na igreja, ajoelhados, fechando os olhos com força e elevando nossas mãos aos céus. Mesmo aqueles não religiosos ou Ateus, concordarão sobre a importância dos mesmos valores e virtudes promovidas pelas religiões ao redor do mundo mas, sera que as suas atitudes diárias refletem as crenças, os valores e as virtudes em que você acredita? Não é preciso ser religioso. Basta ser fiel aquilo que você acredita, mas a grande verdade é que, somos incapazes de ser aquilo que acreditamos. Todos querem o fim da corrupção, todos querem a paz no mundo, todos querem justiça social, todos querem segurança, todos querem uma cidade limpa. Todos querem mudanças, mas ninguém esta disposto a mudar.

Segundo a ONU, são 60 milhões de refugiados em todo o mundo. Mulheres, jovens, crianças, famílias inteiras, fugindo da perseguição, da guerra, do preconceito, da intolerância, do revanchismo, da cobiça, da ganância, do racismo. O desastre humanitário que ocorre em pleno século 21, tem revelado grandes verdades sobre as verdadeiras faces da humanidade. A crise humana que levou à cruz e à morte brutal, uma das pessoas mais importantes da nossa história, continua inalterada 2000 mil anos depois. As fotos, os videos e as histórias compartilhadas por nossos irmãos refugiados, nos faz crer que 2000 mil anos após a crucificação de Cristo, a humanidade parece não ter dado um único passo a frente.

A conclusão é a de que temos duas escolhas. A primeira é, continuar promovendo a grande mentira. A mentira de que somos pessoas boas. A mentira de que não somos corruptos. A mentira de que somos fieis aos ensinamentos de Deus. A mentira de somos cidadãos de bem. A mentira de que somos felizes. A mentira de que somos tolerantes e pacifistas. A mentira de que seguimos as leis e a mentira de que somos justos e corretos. Essas são as mentiras que fazem do nosso mundo um mundo de mentiras.

A segunda escolha é, fazer apenas aquilo que gostaríamos que os outros fizessem por nós, e transformar as virtudes, as crenças e os valores em que acreditamos, em atitudes diárias em nossas vidas ou seja, ser verdadeiramente aquilo que acreditamos ser. Dessa forma é possível transformar o mundo de mentiras e sofrimento em que vivemos hoje, em um mundo verdadeiro e mais justo para todos. Quem sabe assim, possamos por um fim ao risco eminente de crucificação de toda a humanidade.

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