Analise Política: Como a Direita Brasileira Pode Mudar o Jogo e Voltar ao Poder?

By: Michaell Lange.

London, 12/06/15.

Minha visão política é comumente interpretada (erroneamente) por pessoas da direita como sendo de esquerda, mesmo que todos o meus artigos tenham conotação imparcial tanto nos questionamentos quanto nas analises. Mas, meu foco nos problemas na base social e minhas criticas com relação as forças armadas, a policia militar, a mídia televisiva e o pouco interesse na questão econômica talvez sejam os pontos que levam direitistas a rotularem minha posição política como sendo de esquerda. Mas esse artigo não trata da minha posição política mas sim, a posição política da direita Brasileira. O objetivo desse testo é tentar descobrir o que a direita, hoje oposição, precisa fazer para vencer as eleições de 2018.

Este parágrafo é dedicado a pessoas que não tem um entendimento básico de política.

Duas formas distintas definem o pensamento esquerdista e direitista. O conjunto de idéias e ideais politicos são determinados pelo foco nas questões sociais que cada partido adota. Por exemplo: Um partido politico que defenda uma economia livre de regulamentação, onde o governo tem pouca participação nas questões econômicas, e seja contra empresas estatais, defenda um exército forte e atuante, seja conservador nas questões sociais, como religião, família e imigração, é considerado um partido de direita. Por outro lado, um partido político que defenda a importância de empresas estatais, onde o governo promova a regulamentação do mercado e tenha um foco mais direcionado as questões da base social, como pobreza, desigualdade, diversidade sexual, e procure representar os problemas das classes trabalhadoras, é considerado um partido de visão esquerdista. A visão direitista tem base histórica nos ideais liberais, sobretudo nas políticas neo-liberais promovidas por estadistas como o ex-presidente Norte Americano Ronald Reagan e a ex-primeira ministra Britânica Margaret Thatcher. A visão da esquerda tem base nos conceitos comunistas e mais recentemente, socialistas promovidas por filósofos como Friedrich Engels and Karl Marx. De forma geral, a esquerda critica a Direita por ser extremamente capitalista e economicamente liberal, o que beneficiaria as classe mais afluentes e criaria divisões e pobreza na base social. Para a direita, o foco na economia é importante pois, uma economia forte automaticamente beneficiaria toda a sociedade. Já a direita, critica a esquerda de ter uma visão controladora nas questões econômicas e sociais além de favorecer uma legislação que benficie mais a classe trabalhadora e menos direitos aos empregadores. O Centro, é onde os dois lados políticos se encontram e em muitos casos, estabelecem acordos. De forma geral, os dois lados defendem a democracia e as liberdades civis.

A direita Brasileira enfrenta dois sérios problemas. O primeiro, é a incapacidade de mudança e adaptação dos ideais sócio-econômicos de hoje em dia. As redes sociais revolucionaram a informação e interligaram milhões de pessoas que antes dependiam exclusivamente das agencias de comunicação de TV e radio comumente controladas por pessoas ou grupos empresariais ligados a direita política. É assim praticamente no mundo inteiro. A BBC, que é financiada pelo governo Britânico é uma exceção entre as gigantes da comunicação que tem grande parte do seu material informativo ligado aos ideais politicos da esquerda. No Brasil, a direita falhou na avaliação desse poderoso meio de comunicação chamado internet. Muitos especialistas e analistas politicos acreditam que sem as redes sociais, Aécio teria ganho as eleições de 2014 com certa facilidade. O segundo problema é o crescimento descontrolado da ala de extrema direita que tem levado os partidos de direita para longe do centro e cada vez mais para a extrema direita. Esse movimento tem provado ser desastroso para o apoio popular aos ideais liberais. Fernando Henrique Cardoso manteve a direita junto ao centro por grande parte do seu governo. Políticas sociais como a quebra da patente dos remédios para o tratamento da AIDS obtida pelo esforço do então ministro da Saúde José Serra, foi um marco social daquele governo. Além disso, programas sociais como o Bolsa Escola idealizado pelo Sociólogo Betinho e transformado em projeto por Cristovam Buarque, foi implantado nacionalmente no governo FHC. O equilíbrio dos ideais políticos do governo FHC garantiram sua reeleição e a manutenção da direita como ideologia e ideais centristas que beneficiavam a sociedade sem a clara discriminação de classes.

Hoje no Brasil, a direita perdeu o controle da sua ala extremista, e sofre as consequências da rigidez ideológica e conservadora que já foi abolida em grande parte do mundo, com exceção dos EUA. Na Europa a crise econômica deu um novo impulso aos movimentos de extrema direita mas, o único país onde obteve sucesso eleitoral foi na Grécia e mesmo assim o governo esta sendo forçado a repensar seu discurso. No Brasil, o PSDB que é o líder da direita e atual oposição, foi literalmente tomado por militantes da extrema direita como o militar e deputado federal Jair Bolsonaro, os Pastores evangélicos e deputados federais Silas Malafaia e Marco Feliciano além de apresentadores como Rachel Sheherazade e Luiz Carlos Prates, que empurram a direita para os ideais extremistas com seus discursos conservadores e em muitos casos, intolerantes e preconceituosos. Outros movimentos nas redes sociais como o Revoltados Online liderados por Marcelo Reis e Deborah Chlaem (protagonista de um dos videos mais polêmicos do período eleitoral) e mais recentemente a mais nova “estrela” da extrema direita, Daniel Barbosa que fez um video humilhando dois Haitianos que trabalhavam honestamente num posto de combustível no Rio Grande do Sul, são exemplos de militantes da extrema direita que apagam e desviam a atenção do publico para longe das verdadeiras políticas que poderiam ajudar a direita a voltar a ser elegível.

As ultimas eleições gerais no Reino Unido revelaram uma situação semelhante com o que vem ocorrendo com a direita no Brasil desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença é de que no Reino Unido a vitima foi a esquerda. Edward Miliband foi eleito líder do partido dos trabalhadores (labour party), em 2010 com a intenção de levar a esquerda de volta ao poder nas eleições de Maio de 2015. Ed, como é conhecido, re-implantou ideais antigos da esquerda baseadas fortemente na ideologia socialista dos anos 70 que não apenas levou o país ao desastre econômico como também criou o fenômeno chamado Margaret Thatcher, que por três mandatos consecutivos devolveu o crescimento econômico ao país e pôs fim ao socialismo marxista da época. Ed, perdeu as eleições de 2015 de forma surpreendente dando ao governo reeleito de David Cameron da direita Britânica, maioria no parlamento. Ed Miliband falhou na avaliação da importância de manter a esquerda dentro do equilíbrio vitorioso conquistado por Tony Blair. No Brasil, Aécio Neves falhou na avaliação da importância de manter a direita dentro do equilíbrio vitorioso conquistado por FHC.

No período em que Margaret Thatcher esteve no poder, a esquerda soube observar e entender a necessidade de mudança nos seus ideais mais básicos da sua ideologia e governo. Tony Blair foi considerado o esquerdista mais direitista da história política Britânica e muitos se arriscam a dizer que o atual Primeiro Ministro e líder dos conservadores, David Cameron, é o mais esquerdistas dos direitistas Britânicos.

A questão que nos resta fazer ao líder da direita Brasileira e atual oposição, Aécio Neves, é: Se a esquerda Britânica foi capaz de mudar seus ideais para eleger Tony Blair nos anos 90, e a direita Britânica foi capaz de se readaptar aos novos tempos, inclusive apoiando o casamento entre homossexuais além de ter tido por muito tempo, um homosexual como líder do partido conservador e posteriormente Secretario de Estado (William Hague), o que falta para a direita Brasileira para iniciar uma mudança que traga de volta a elegibilidade perdida depois do governo FHC? O que impede a direita do Brasil de seguir os passos da direita Britânica e voltar a ser um candidato forte ao poder no Brasil?

Infelizmente, o tempo para a direita no Brasil é curto. Faltando apenas 3 anos para as eleições presidenciais os indícios de mudança na base ideológica dos partidos de direitas não dão nenhum sinal de que ocorrerão. Com Lula despertando interesse em ser candidato em 2018, as chances de um governo de direita no Brasil diminuem a passos largos. Cabe aos lideres mais experientes da direita Brasileira a responsabilidade de mudar esta situação e fazer a direita voltar a ser uma possibilidade real de governo para o futuro do Brasil.

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