A Importância do Jovem Para o Futuro de Um País

By: Michaell Lange.

London, 26/06/15

A economia de um país depende da sua força de trabalho. A medida que os trabalhadores mais velhos se aposentam, os mais jovens preenchem as vagas trazendo novas idéias, novos empreendedores, novos olhos e novo fôlego para a economia do país. É fundamental que os jovens tenham acesso a um desenvolvimento baseado em segurança, educação, esporte, lazer, liberdade e oportunidades para expor e aplicar suas idéias adquiridas ao longo da sua formação como indivíduo e cidadão. A continuidade desse ciclo irá possibilitar uma qualidade melhor de vida para quem esta deixando o campo de trabalho além de garantir as existência das instituições sociais que incluem, o governo, o sistema de saúde, segurança, economia, educação e infra-estrutura. Sem os jovens, todo o sistema social fica comprometido. O Brasil é um exemplo clássico do resultado causado pela negligencia aos jovens.

Nos países desenvolvidos essa consciência é tão clara que pouco importa quem esta no poder, a importância da manutenção desse ciclo esta acima de qualquer diferença ideológica ou partidária. No Reino Unido, as escolas são avaliadas anualmente e recebem um certificado de qualidade. Um dos requisitos dessa avaliação é a frequência escolar dos alunos. Por conta disso, as escolas fazem de tudo para manter a alta frequências dos alunos durante todo o ano letivo e o governo criou Leis que multam e processam pais que por exemplo, levam os filhos para viagens de férias durante o ano escolar. As escolas que ficam abaixo do mínimo exigido sofrem intervenção do estado que assume o controle até que os níveis de ensino voltem a ser satisfatórios. Os jovens do Reino Unido tem acesso a esporte e lazer. Todos os bairros tem area verde e quadras de esporte além de clube de recreação com piscinas e outras modalidades esportivas. Os jovens também não precisam se preocupar com a Saúde já que eles não pagam por nenhum medicamento até completarem 16 anos e o governo cobre todos os tratamentos relacionados a saúde. A policia trabalha em conjunto com voluntários locais e estão sempre participando de atividades sociais nas escolas e nos bairros integrando-se aos jovens e criando uma relação de confiança mutua. De modo geral, os jovens não passam o dia desocupados e abandonados sem ter o que fazer. Tanto o governo quanto a policia e as instituições sociais sabem que isso é uma combinação desastrosa.

Nos países escandinavos o governo paga toda a formação educacional e profissional dos jovens desde sua infância com a certeza de que esse custo sera retribuído pelo pagamento de impostos, na geração de empregos e no desenvolvimento econômico resultado dos investimentos que o estado fez no passado. Investir no jovem é tão importante quanto colocar combustível no carro. Sem ele, o carro não anda.

No Brasil, o estado negligenciou seus jovens desde a sua independência e hoje cria leis para colocar na cadeia os mesmos jovens cujo o estado tinha a responsabilidade de educar, proteger, formar e investir para que no futuro esta geração pudesse retribuir e ajudar no desenvolvimento sócio-econômico do país. Mas esse artigo não é somente sobre os problemas do Brasil. Na verdade, o principal sujeito desse artigo é mesmo o jovem e a sua importância no desenvolvimento social em todo o mundo. E isso vem se tornando cada vez mais evidente na Europa que vive hoje um fenômeno comum em países latino Americanos e Africanos. A crise financeira de 2008 provocou um enorme êxodo de jovens de países como Espanha, Grécia, Italia e Portugal que foram forçados a sair em busca de oportunidades em países como Alemanha e Reino Unido. A crise econômica eliminou um importante elemento do ciclo responsável por manter o equilíbrio sócio-econômico de um país, as oportunidades. O problema é que sem os jovens, estes países perdem a capacidade de fortalecer a economia e sair da crise. O êxodo dos jovens de um país para o outro faz com que o país de origem tenha uma força de trabalho cada vez mais velha e sem possibilidade de renovação. A medida em que os trabalhadores se aposentam, o governo passa a ter menos capacidade de pagar as aposentadorias e o ciclo de desenvolvimento se quebra por completo. Os governos da Italia e Portugal tem tentado de forma desesperada atrair seus jovens de volta a seus países de origens com programas de regresso. O governo Português por exemplo, lançou o programa “VEM”, que da incentivos a empresas que contratarem portugueses que estejam morando fora do país. No Canada, o êxodo de jovens que deixam o país para morar em lugares mais quentes tem forçado o governo a abrir as portas para imigrantes qualificados que queiram viver naquele país. Programas como esse, prejudicam os países que lutam para manter seus jovens em casa. A Australia também esta aberta para receber imigrantes já que o país vive uma explosão econômica e não tem mão de obra suficiente para manter o atual nível de crescimento. Numa contradição triste e trágica o Brasil ataca seus jovens com o sucateamento do sistema de educação, baixo salários aos professores, repressão policial e diminuição da maioridade penal que não tem efeito positivo na busca pelo desenvolvimento sócio-econômico do país nem no problema da segurança.

Os programas de incentivos ao retorno a nação de origem como no caso de Portugal, é uma evidencia clara demonstrado pelo governo Português sobre a importância fundamental do jovem no processo de desenvolvimento econômico do país. Infelizmente, no Brasil, essa visão não tem a mesma importância dada por governos de países desenvolvidos. Enquanto essa mentalidade negativa sobre os jovens continuar a ser preservada, o Brasil assistira seus jovens mais qualificados deixarem o país em busca de oportunidades ou se tornarem vitimas da negligencia do estado e da sociedade. É certo afirmar também que esse fenômeno não existe sem exceções. Há sim mentes brilhantes que permanecem no Brasil e se tornam bons exemplos de cidadãos e grandes empreendedores, mas basta olhar para as periferias das grandes cidades para perceber o submundo em que milhares de jovens Brasileiros estão crescendo sem nenhum amparo do estado ou da sociedade.  O Brasil segue na contra mão do resto mundo negligenciando seus jovens e por consequência negligenciando seu próprio futuro. Enquanto a prioridade de prender e discriminar não forem substituídas pela educação, acesso a segurança, Saúde de qualidade, esporte, liberdade e oportunidade profissional, o Brasil continuara a ser um país violento e sub-desenvolvido e o futuro sera igual ao de hoje, incerto, inseguro e sem perspectivas…

Analise Política: Como a Direita Brasileira Pode Mudar o Jogo e Voltar ao Poder?

By: Michaell Lange.

London, 12/06/15.

Minha visão política é comumente interpretada (erroneamente) por pessoas da direita como sendo de esquerda, mesmo que todos o meus artigos tenham conotação imparcial tanto nos questionamentos quanto nas analises. Mas, meu foco nos problemas na base social e minhas criticas com relação as forças armadas, a policia militar, a mídia televisiva e o pouco interesse na questão econômica talvez sejam os pontos que levam direitistas a rotularem minha posição política como sendo de esquerda. Mas esse artigo não trata da minha posição política mas sim, a posição política da direita Brasileira. O objetivo desse testo é tentar descobrir o que a direita, hoje oposição, precisa fazer para vencer as eleições de 2018.

Este parágrafo é dedicado a pessoas que não tem um entendimento básico de política.

Duas formas distintas definem o pensamento esquerdista e direitista. O conjunto de idéias e ideais politicos são determinados pelo foco nas questões sociais que cada partido adota. Por exemplo: Um partido politico que defenda uma economia livre de regulamentação, onde o governo tem pouca participação nas questões econômicas, e seja contra empresas estatais, defenda um exército forte e atuante, seja conservador nas questões sociais, como religião, família e imigração, é considerado um partido de direita. Por outro lado, um partido político que defenda a importância de empresas estatais, onde o governo promova a regulamentação do mercado e tenha um foco mais direcionado as questões da base social, como pobreza, desigualdade, diversidade sexual, e procure representar os problemas das classes trabalhadoras, é considerado um partido de visão esquerdista. A visão direitista tem base histórica nos ideais liberais, sobretudo nas políticas neo-liberais promovidas por estadistas como o ex-presidente Norte Americano Ronald Reagan e a ex-primeira ministra Britânica Margaret Thatcher. A visão da esquerda tem base nos conceitos comunistas e mais recentemente, socialistas promovidas por filósofos como Friedrich Engels and Karl Marx. De forma geral, a esquerda critica a Direita por ser extremamente capitalista e economicamente liberal, o que beneficiaria as classe mais afluentes e criaria divisões e pobreza na base social. Para a direita, o foco na economia é importante pois, uma economia forte automaticamente beneficiaria toda a sociedade. Já a direita, critica a esquerda de ter uma visão controladora nas questões econômicas e sociais além de favorecer uma legislação que benficie mais a classe trabalhadora e menos direitos aos empregadores. O Centro, é onde os dois lados políticos se encontram e em muitos casos, estabelecem acordos. De forma geral, os dois lados defendem a democracia e as liberdades civis.

A direita Brasileira enfrenta dois sérios problemas. O primeiro, é a incapacidade de mudança e adaptação dos ideais sócio-econômicos de hoje em dia. As redes sociais revolucionaram a informação e interligaram milhões de pessoas que antes dependiam exclusivamente das agencias de comunicação de TV e radio comumente controladas por pessoas ou grupos empresariais ligados a direita política. É assim praticamente no mundo inteiro. A BBC, que é financiada pelo governo Britânico é uma exceção entre as gigantes da comunicação que tem grande parte do seu material informativo ligado aos ideais politicos da esquerda. No Brasil, a direita falhou na avaliação desse poderoso meio de comunicação chamado internet. Muitos especialistas e analistas politicos acreditam que sem as redes sociais, Aécio teria ganho as eleições de 2014 com certa facilidade. O segundo problema é o crescimento descontrolado da ala de extrema direita que tem levado os partidos de direita para longe do centro e cada vez mais para a extrema direita. Esse movimento tem provado ser desastroso para o apoio popular aos ideais liberais. Fernando Henrique Cardoso manteve a direita junto ao centro por grande parte do seu governo. Políticas sociais como a quebra da patente dos remédios para o tratamento da AIDS obtida pelo esforço do então ministro da Saúde José Serra, foi um marco social daquele governo. Além disso, programas sociais como o Bolsa Escola idealizado pelo Sociólogo Betinho e transformado em projeto por Cristovam Buarque, foi implantado nacionalmente no governo FHC. O equilíbrio dos ideais políticos do governo FHC garantiram sua reeleição e a manutenção da direita como ideologia e ideais centristas que beneficiavam a sociedade sem a clara discriminação de classes.

Hoje no Brasil, a direita perdeu o controle da sua ala extremista, e sofre as consequências da rigidez ideológica e conservadora que já foi abolida em grande parte do mundo, com exceção dos EUA. Na Europa a crise econômica deu um novo impulso aos movimentos de extrema direita mas, o único país onde obteve sucesso eleitoral foi na Grécia e mesmo assim o governo esta sendo forçado a repensar seu discurso. No Brasil, o PSDB que é o líder da direita e atual oposição, foi literalmente tomado por militantes da extrema direita como o militar e deputado federal Jair Bolsonaro, os Pastores evangélicos e deputados federais Silas Malafaia e Marco Feliciano além de apresentadores como Rachel Sheherazade e Luiz Carlos Prates, que empurram a direita para os ideais extremistas com seus discursos conservadores e em muitos casos, intolerantes e preconceituosos. Outros movimentos nas redes sociais como o Revoltados Online liderados por Marcelo Reis e Deborah Chlaem (protagonista de um dos videos mais polêmicos do período eleitoral) e mais recentemente a mais nova “estrela” da extrema direita, Daniel Barbosa que fez um video humilhando dois Haitianos que trabalhavam honestamente num posto de combustível no Rio Grande do Sul, são exemplos de militantes da extrema direita que apagam e desviam a atenção do publico para longe das verdadeiras políticas que poderiam ajudar a direita a voltar a ser elegível.

As ultimas eleições gerais no Reino Unido revelaram uma situação semelhante com o que vem ocorrendo com a direita no Brasil desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença é de que no Reino Unido a vitima foi a esquerda. Edward Miliband foi eleito líder do partido dos trabalhadores (labour party), em 2010 com a intenção de levar a esquerda de volta ao poder nas eleições de Maio de 2015. Ed, como é conhecido, re-implantou ideais antigos da esquerda baseadas fortemente na ideologia socialista dos anos 70 que não apenas levou o país ao desastre econômico como também criou o fenômeno chamado Margaret Thatcher, que por três mandatos consecutivos devolveu o crescimento econômico ao país e pôs fim ao socialismo marxista da época. Ed, perdeu as eleições de 2015 de forma surpreendente dando ao governo reeleito de David Cameron da direita Britânica, maioria no parlamento. Ed Miliband falhou na avaliação da importância de manter a esquerda dentro do equilíbrio vitorioso conquistado por Tony Blair. No Brasil, Aécio Neves falhou na avaliação da importância de manter a direita dentro do equilíbrio vitorioso conquistado por FHC.

No período em que Margaret Thatcher esteve no poder, a esquerda soube observar e entender a necessidade de mudança nos seus ideais mais básicos da sua ideologia e governo. Tony Blair foi considerado o esquerdista mais direitista da história política Britânica e muitos se arriscam a dizer que o atual Primeiro Ministro e líder dos conservadores, David Cameron, é o mais esquerdistas dos direitistas Britânicos.

A questão que nos resta fazer ao líder da direita Brasileira e atual oposição, Aécio Neves, é: Se a esquerda Britânica foi capaz de mudar seus ideais para eleger Tony Blair nos anos 90, e a direita Britânica foi capaz de se readaptar aos novos tempos, inclusive apoiando o casamento entre homossexuais além de ter tido por muito tempo, um homosexual como líder do partido conservador e posteriormente Secretario de Estado (William Hague), o que falta para a direita Brasileira para iniciar uma mudança que traga de volta a elegibilidade perdida depois do governo FHC? O que impede a direita do Brasil de seguir os passos da direita Britânica e voltar a ser um candidato forte ao poder no Brasil?

Infelizmente, o tempo para a direita no Brasil é curto. Faltando apenas 3 anos para as eleições presidenciais os indícios de mudança na base ideológica dos partidos de direitas não dão nenhum sinal de que ocorrerão. Com Lula despertando interesse em ser candidato em 2018, as chances de um governo de direita no Brasil diminuem a passos largos. Cabe aos lideres mais experientes da direita Brasileira a responsabilidade de mudar esta situação e fazer a direita voltar a ser uma possibilidade real de governo para o futuro do Brasil.

Governos – Multinacionais – Entidades Esportivas: A Triangulação Perfeita da Corrupção

Por: Michaell Lange.

London, 08/05/15

O escândalo da FIFA parece ironicamente, surpreender até os próprios envolvidos nos esquemas de corrupção. Parecem com nossos governantes que nunca sabem de nada mesmo quando o crime ocorre dentro do próprio gabinete onde trabalham. A arrogância, o descaso e a ausência de medo que estes deuses do poder apresentam contra as mais duras acusações e a eminência de serem presos por crimes de corrupção é sentimento comum da categoria, ali ninguém tem medo. Tanto Lula, quanto FHC, Ricardo Teixeira, e mais recentemente Sepp Blatter entre outros mundialmente conhecidos, reagem de forma uniforme a qualquer crise de honestidade. Ninguém sabe de nada, nunca ouviram falar de problemas e a calma com que enfrentam os escândalos é a maior evidencia da impunidade, afinal de contas, todo mundo ganha nesse mundo sujo e carregado de dinheiro publico.

Esta semana o mundo ficou sabendo do que todo mundo de alguma forma já suspeitava, a grande maioria das eleições da FIFA que definiram os países sede das copas do mundo, se não todas, foram ganhas na mesa da propina e não nos votos. A Copa do Mundo da Alemanha foi comprada com vendas de armas para países do Oriente Médio em troca de votos. Na Africa do Sul a vencedora foi na verdade o Marrocos, mas os resultados foram modificados. A Copa do Brasil se for investigada a fundo sobrarão poucos inocentes e faltara cadeia para tanta gente corrupta. A FIFA fez a festa no Brasil. A Copa do mundo de 2014 pode ter sido a maior farra com dinheiro publico na história da entidade e nem isso, se comprovado, me surpreenderia. O envolvimento do FBI em conjunto com a Interpol e a policia Suíça nas investigações da FIFA tem tirado o sono de muitos dirigentes do futebol ao redor do mundo. Mas não são só eles que devem estar passando as noites em claro. No Brasil, Ricardo Teixeira teria “fugido” para Miami depois que a Policia Federal encontrou milhões de Dólares em depósitos na conta da sua filha que tinha apenas 11 anos de idade na época. Se Miami e a Suíça deixarem de ser esconderijos seguros para os criminosos do colarinho branco, que lesam o povo em bilhões de Dólares em transações corruptas, faltará espaço em Mônaco para abrigar tanto corrupto.

Não foi nenhuma coincidência que a FIFA foi criada e registrada na Suíça como uma instituição sem fins lucrativos, mesmo que seja de conhecimento geral que o lucro liquido da FIFA na copa de 2014 tenha ficado em torno de 3 bilhões de Dólares. E tudo isso já havia sido anunciado antes mesmo do inicio das obras que desalojou comunidades inteiras para dar lugar a estacionamentos de estádios. O Deputado Federal Romário, não economizou palavras para descrever o escândalo e os crimes cometidos pela FIFA e apoiados tanto pela CBF quanto pelo Governo Federal. No final sobrou os resultados já esperados e anunciados pelo Deputado. Os lucros das grandes empresas e instituições envolvidas no evento se concretizaram normalmente. Já a infra-estrutura e o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil vai ter que ficar para a próxima. Com exceção dos estádios, nenhuma grande rodovia foi inaugurada, nenhum aeroporto, ou porto marítimo foi construído, muito menos escolas e hospitais. Segundo Tony Benn, ex-membro do parlamento Britânico, “uma nação educada, saudável e confiante é muito mais difícil de governar”. Por isso, segundo Tony, muitos governos incluindo provavelmente, todos no Brasil, não estão interessados em desenvolver uma nação educada, saudável e confiante, por medo que eles saiam fora do controle.

Existe um interesse comum entre grandes multinacionais que patrocinam grande eventos mundiais, os governos e as entidades esportivas. Os potes de verbas publicas quase infinitas, oferecem a oportunidade de grandes lucros com o mínimo de capital privado investido possível. O único lado dessa triangulação entre Governos, Multinacionais e Entidades, que pode ter prejuízo, são os governos, e claramente é sempre os governos que arcam com os maiores custos e em raras ocasiões dividem os benefícios. Isso não acontece por acaso, isso acontece porque o objetivo é criar lucro com investimentos de verbas publicas ou seja, investimentos públicos que geram lucros privados. A FIFA pode estar no topo dos noticiários de hoje  mas o que dizer por exemplo da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e do Comitê Olímpico Internacional (COI)? No GP de Mônaco de 1984, Senna surpreendia todo mundo na chuva e certamente conseguiria sua primeira vitória na F1, mas Jean-Marie Balestre, o então chefão da entidade maior, terminou a corrida mais cedo para que Prost pudesse vencer a corrida? Ayrton Senna brigou a vida inteira contra a corrupção dentro a F1 que hoje é comandada por ninguém mais que Bernie Eccleston que foi acusado em 2014 pela justiça da Alemanha de pagar $35 milhões de Dólares em propina a um banqueiro Alemão para que beneficiasse a empresa de um amigo nos contratos milionários da F1. No COI o histórico de corrupção é tão grande quanto o da FIFA. Em 2004 o programa da BBC, Panorama denunciava a “compra dos jogos Olímpicos” e a falta de transparência da entidade que tem profissões vitalícias e presidentes no cargo a 20 anos.

A relação entre empresas, entidades e governos é sem duvida uma triangulação perfeita que gera muito lucro para as multinacionais como a Coca-Cola, Nike, Adidas, Shell, BP e Vodafone, e entidades esportivas como a FIA e FIFA e quase sempre termina em prejuízos para os governos como o Brasil e Africa do Sul Grécia, e Espanha. A idéia de que apenas empresas estatais são vitimas de corrupção parece ser equivocada frente aos seguidos escândalos dos Bancos como o HSBC, Barclays e RBS, além de empresas como a Camargo Correia e Odebrecht que recentemente foram citadas no escândalo de corrupção da Petrobras. O ciclo da corrupção se fecha de forma perfeita quando há o envolvimento entre empresas, governos e entidades. São nestas ocasiões que o contribuinte é mais lesado.

Infelizmente, o publico tem grande culpa nessa história toda. Mesmo com pilhas de evidencias, continuamos votando nos mesmos corruptos, comprando os produtos das mesmas entidades e empresas acusadas de nos roubarem. Foram poucas as pessoas que deixaram de comprar produtos da Ferrari (bonés, camisetas, brinquedos etc) depois que a equipe deu aquela ordem para o Rubens Barriccelo deixar o Alemão ganhar, mas exatamente a falta de ação do publico nestas horas que permite a perpetuação destas praticas. A justiça, seja no Brasil ou no resto do mundo já demonstrou ao longo de décadas que é incapaz de prender os maiores responsáveis pelos escândalos de corrupção envolvendo verbas publicas. Mas ninguém pode obrigar o consumidor de comprar um produto, assistir TV ou usar um determinado combustível. Todo consumidor tem poder de escolha e quanto mais esse poder for exercitado maior sera a pressão sobre os governos, entidades e empresas em suas praticas obscuras e fraudulentas. Cabe ao consumidor forçar a mudança.