Esporte: O Elo Perdido do Desenvolvimento Social Brasileiro

Por: Michaell Lange

Londres, 10/01/15

A recente e inédita vitória do surfista Brasileiro Gabriel Medina no Hawaii, nos deu o tão sonhado primeiro titulo mundial de surf. Um titulo vencido pelo talento e pela vontade de vencer de um guerreiro que como outros milhares de talentos de Norte a Sul do Brasil não teve o devido suporte encontrado por outros atletas estrangeiros em seus respetivos países. As desvantagens entre nossos atletas e os atletas estrangeiros é um universo aparte. Mesmo assim conseguimos em muitos casos, ser campeões mundiais. Mas seriam estas vitórias um resultado dos programas de incentivos e formação de atletas do Brasil? ou seria o resultado da luta pessoal destes verdadeiros heróis Brasileiros?

A trilha dos talentos do esporte Brasileiro é dura, sem apoio e cheia de preconceitos. A maioria dos grandes campeões que deram orgulho ao Brasil não tiveram base de incentivo com origem em algum projeto governamental com o intuito de criar os campeões do futuro. Os melhores jogadores de futebol do mundo, Pelé, Rivelino, Sócrates, Romário, Ronaldo e Ronaldinho entre tantos outros, são talentos naturais e que somente tiveram apoio quando se tornaram produtos lucrativos aos grandes clubes. O mesmo ocorre no atletismo, e na maioria dos outros esportes. Apesar de algumas associações esportivas receberem verbas do governo, estes valores nunca são suficientes e não seguem um guia nacional como ocorre em outros países. Falta incentivos onde não falta talento. Com poucas exceções, nenhum dos grandes heróis do esporte Brasileiro nasceu do incentivo promovido por escolas e universidades publicas. Vejamos por exemplo, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna, ou ainda Robert Scheidt, Torben Grael, Gustavo Borges, César Cielo, Aurélio Miguel, Robson da Silva ( o melhor corredor da história Brasileira), Gustavo Kuerten, entre outros tantos. Joaquin Cruz que também nos deu tantas alegrias foi na verdade formado nos EUA. Joaquin Cruz recebeu uma bolsa da Universidade do Oregon onde obteve o suporte que não tivera em seu próprio pais. Mesmo assim representou a verde e amarela com toda a sua força. Alias, nos EUA a formação atlética  acontece durante os anos escolares onde cada escola tem seu time de atletas onde muitos seguirão a carreira esportiva, na maioria das vezes com sucesso.

Ao contrario do que muitos acreditam, a idéia de que investimentos em segurança como construção de prisões, diminuição da maioridade penal e aplicação de penas mais severas, estao na contra-mão dos países que obtiveram sucesso nesse assunto. Países como a Suécia e a Noruega, investem pesado na formação de seus jovens, afinal de contas os jovens são o futuro da nação, certo? Nestes países o crime é combatido com a promoção do acesso a educação de qualidade, saúde, segurança, esporte e oportunidades aos jovens. Ao contrario do Brasil, eles estão fechando prisões por falta de presos. Não seria o exemplo a ser seguido pelo Brasil? Por outro lado, no Afeganistão o ladrão perde a mão, na China a pena de morte pode ser aplicada até por causa de cheque sem fundos. Perguntamos, seriam estes os exemplos a serem seguidos pelo Brasil? Acredito que não.

O esporte deveria ser parte fundamental do ensino escolar. Não apenas porque é saudável e ajuda no desenvolvimento individual e físico dos alunos, mas também porque o esporte como profissão é uma das melhores opções para qualquer jovem estudante. O esporte como profissão proporciona uma vida saudável, sem o stress encontrado nas outras profissões. O profissional do esporte viaja para os lugares mais bonitos do mundo tendo a oportunidade de conhecer outros países, outras culturas e se relacionar com pessoas do mundo inteiro, sem falar que na maioria das vezes tudo isso é pago por patrocinadores. O esporte também ajuda a formar uma sociedade mais saudável, segura, livre, disciplinada e desenvolvida. No quesito esporte o Brasil perde feio até mesmo para países em desenvolvimento como a China e a Russia onde os atletas tem programas de desenvolvimento e oportunidades muito melhores que no Brasil. Os resultados estão no histórico das Olimpíadas onde estes países estão sempre dividindo as primeiras posições com países mais desenvolvidos como EUA e Reino Unido. O resultado social só não é maior nestes países por conta do histórico politico e cultural que no Brasil, apesar não estarmos muito afrente, ainda temos um histórico cultural e democratico melhor que o deles.

O Brasileiro, de modo geral é um apaixonado por esportes. Praticamente todos os esportes são praticados no Brasil, e afinal, quem não conhece um ou mais talentos que com o apoio correto teriam o potencial de um campeão mundial? Hoje, se nossos talentos esportivos não tem uma família que possa dar o devido apoio, nossos candidatos a campeões ficam a mercê da sorte e da frustração de ter o potencial e a vontade mas não terem a oportunidade que poderia mudar o destino de suas vidas e o futuro do próprio Brasil. Assim como Ayrton Senna, Gustavo Kuerten e mais recentemente, Gabriel Medina inspiraram e inspiram milhões de jovens Brasileiros, mas a frustração é quase sempre o destino da grande maioria dos que buscam no esporte a profissão para suas vidas que quase sempre acaba esbarrando na realidade Brasileira.

O corte de 7 bilhões no orçamento da educação anunciado pelo atual governo Dilma é uma declaração de guerra contra o futuro do Brasil e certamente não ajudara a mudar essa realidade. Quem perde com isso é a própria sociedade que assiste ao crescente número de jovens envolvidos em atividades criminosas, ano após ano. A musica “Submarino da Nação” da banda John Bala Jones, resume bem essa realidade. ” …Temos um submarino e muitos aviões e além de tudo isso, somos tetra campeões, campeões em assaltos e roubos, campeões em subornos e outros, somos tetra campeões… Esse pais pra chegar aqui teve que subir, sub, submundo, submisso, subvida, subnutrição…”

O que podemos esperar de bom para a colheita se não estamos plantando nada de bom?

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