Uma Campanha Contra as Armas

Por: Michaell Lange

Londres, 30/11/14

Estamos vivendo mais uma onda de acontecimentos que infelizmente não são novidade na realidade de países cuja a cultura absorveu armas de fogo como algo normal mesmo sendo algo extremamente anormal. Em Agosto deste ano um adolescente de 18, chamado Michael Brown foi morto por um policial que despadrou 6 tiros certeiros incluindo dois na cabeça numa cidade dos EUA. Michael estava desarmado, num estado onde andar armado é legal. A uma semana atras uma criança de 12 anos com uma arma de brinquedo na mão foi morta também por policiais nos EUA. Tragédias como estas são frequentes e envolvem não apenas policiais, mas indivíduos de todas as classes da sociedade e os motivos vão além do racismo, do preconceito e injustiças. A grande maioria destas tragédias seriam evitadas se tirássemos as armas letais da equação. Em muitos estados dos EUA o uso e pórte de arma é legal e qualquer pessoa acima de 18 anos pode comprar uma sub-metralhadora sem qualquer problema. No Brasil, apesar de ilegal, não é tão divicil comprar uma arma no mercado negro. Mas há um lado ainda pior nessa cultura de armas aceita largamente tanto pelo governo quanto pela sociedade. Me parece um tanto absurdo que qualquer governo que seja contra o uso de armas e crie Leis contra o porte de armas, não apenas permite a fabricação de armas letais como também a fabricação e a comercialização de armas de brinquedo em todo o território nacional. Tão absurda quanto a atitude destes governos é a aceitação da sociedade com relação a comercialização de armas de brinquedo, incluindo algumas réplicas perfeitas que já foram usadas para cometer crimes como assaltos a banco. Qual o tipo de mensagem que estamos passando a uma geração de crianças que irão ganhar armas de brinquedo de presente neste Natal? Não seria irônico darmos uma arma de brinquedo a uma criança no dia do aniversario de uma pessoa que representa tanto a vida, o Amor e a Paz? Você já pensou por que você já deu ou pretende dar uma arma de brinquedo para o seu filho? O que há de sadio nas brincadeiras de tiroteio com armas de brinquedo entre crianças?

Devemos refletir e questionar sobre os porquês do governo proibir o porte de armas e permitir ao mesmo tempo, que armas de brinquedo e réplicas sejam produzidas e comercializadas no Brasil. Óras, se o uso de armas é algo abominável, por que permitimos que nossas crianças sejam capturadas pela cultura do uso de armas promovida por governos que não nos representam e por multinacionais que pouco se importam com o que nossas crianças brincam desde que os pais pagem o preço por tais brinquedos?

Como adultos, pais, tios, padrinhos, vovôs e vovós, parentes e amigos que somos, devemos aprender a pensar e refletir sobre o impacto que os presentes que desejamos dar as nossas crianças terão na sua formação como indivíduos e cidadãos que formarão nossa sociedade no futuro. Será que uma arma, seja ela de qualquer formato ou tamanho, algo importante que ajudará na formação de uma sociedade justa e pacifica no futuro? Pessoalmente acredito que não. E acredito que para o bem de todos aqueles que já foram vitimas ou que são potencialmente candidatos a vitimas, ou seja, todos nós, destas verdadeiras maquinas diabólicas que são as armas de fogo, devemos boicotar todos os brinquedos que de uma forma ou de outra incitam a violência. Somos tão rápidos para responder a qualquer apologia as drogas, mas somos tão apáticos e cúmplices na hora de reagir contra apologias a violência inclusive permitindo que nossas próprias crianças sejam facilmente capturadas por esse comercio imoral. Não seria uma hipocrisia ser contra a violência e dar uma arma de brinquedo a uma criança?

Enquanto governos irresponsáveis continuam a permitir que brinquedos como réplicas de armas de fogo sejam produzidas e comercializadas no Brasil, devemos pensar a respeito e debater com parentes e amigos a necessidade destes brinquedos na vida de nossas crianças. Talvez com a queda nas vendas destes brinquedos do mau, nossas autoridades abram os olhos e façam alguma coisa a esse respeito. Enquanto isso não acontece, faça você um favor a sociedade, não de armas de brinquedo de presente neste natal.

Racismo volta a Ser Noticia Esta Semana

Por: Michaell Lange

Londres, 25/11/14

Mais uma vez a questão do racismo dominou os principais jornais do mundo. No Brasil, a apresentadora do canal de TV SBT, Neila Medeiros, deixou a audiência do jornal da manhã sem palavras ao dizer nesta segunda feira 24, um dia depois do feriado da consciência negra que reflete os mais de três séculos de escravidão no Brasil, “que hoje é dia de branco, dia de trabalhar”. O comentário teve repercussão nas redes sociais, mas Neila Medeiros manteve o emprego, coisa que não aconteceria na maioria dos países civilizados. O ato feio, e racista da apresentadora do SBT seguiu uma outra tragédia, desta vez nos EUA onde um menino negro de apenas 12 anos foi morto a tiros pela policia Americana num parque da cidade de Cliveland no Sábado 21, onde brincava com uma arma de brinquedo. Segundo a gravação do 911, número de emergência dos EUA, um homem pede que uma viatura da policia faça uma averiguação e repete duas vezes durante a chamada que tem quase certeza que a arma era de brinquedo e que o portador era uma criança, mas essa informação não foi passada para o policial que segundo testemunha, deu dois tiros fatais. Também segundo testemunha, o menino não fez ameaças verbais nem apontou o brinquedo na direção do policial. A morte de Tamir Rice trouxe de volta o debate sobre o grave problema do racismo nos EUA. A mídia Americana também foi criticada por usar uma terminologia inadequada se referindo ao menino como “young man”(jovem adulto) ao invés de “criança”. Protestos contra a morte do menino ganharam magnitude nacional. Ainda na Segunda Feira a justiça Americana disse que não indiciaria um outro policial pela morte de um outro jovem negro de 18 anos morto com seis tiros incluindo dois tiros na cabeça. O Adolescente Michael Brown estava desarmado quando foi morto na cidade de Fergunson em Agosto passado. A noticia fez com que os protestos contra a morte de Rice, se transformassem em riots e confrontação com a policia. O Presidente Barak Obama junto com outros lideres negros pediu calma a população mas na noite desta Segunda Feira vários carros foram queimados e varias lojas foram saqueadas. Mais de 80 pessoas foram presas no que esta sendo considerado um dos maiores ritos da historia Americana. O fato relembra os ritos em Londres que duraram uma semana em Agosto de 2011 depois que a policia matou um adolescente negro que também estava desarmado.

Segundo alguns especialistas, os protestos violentos não são uma surpresa, e culpam o sistema judiciário Americano de ignorar os problemas sociais do país onde as comunidades negras são negligenciadas pelo governo e autoridades do país. Nas redes sociais perguntam se caso o menino fosse branco o resultado teria sido o mesmo. Muitos acreditam que o policial não teria atirado caso o menino fosse branco. Uma outra questão levantada nas redes sociais é o fato de comunidades negras serem patrulhadas por policiais branco o que eleva o risco de confrontação racial segundo alguns internautas.

O problema no entanto não se limita a apenas alguns países. Este grave problema social vem sendo debatido desde o período escravista mas os resultados positivos são muito pequenos e se reflete na realidade das cadeias de hoje, onde os negros são maioria, como também nas profissões bem pagas em todo o mundo onde o negro é minoria. Um post nas redes sociais dizia hoje; “Se você negligenciar um determinado grupo de pessoas, logo você ouvira noticias deles”, se referindo aos protestos nos EUA. Fato é que o problema do racismo precisa ser resolvido, e ao que parece, todos os métodos implantados ate o momento tiveram poucos resultados positivos. O racismo parece ser um problema que não respeita as barreiras do desenvolvimento sócio-economico ja que atinge tanto países pobres como países desenvolvidos e continua sendo um dos grandes dilemas da humanidade. Nos resta a reflexão e a auto-analise sobre um tema que a séculos causa revolta e violência na sociedade humana.

Governos Totalitários no Poder em Quase Todo o Mundo

Por: Michaell Lange

Londres, 23/11/14

Governos ao redor do mundo, e de todas as asas políticas, de esquerda, direita, centro, republicanos, Democratas, Conservadores, Liberais, Comunistas e Socialistas, se transformaram em regimes totalitários. O sistema seguido é muito parecido no mundo inteiro. Onde há Democracia há eleições onde o povo assina um cheque em branco e pouco pode fazer depois disso para participar das decisões políticas dos próximos 4 ou 5 anos. Políticas publicas são determinadas sem os devidos estudos e sem uma consulta popular correta e frequente. Crimes contra a Constituição Federal são cometidos por governos em quase todo o mundo sem que ninguém possa ser responsabilizado por isso. No município de Bombinhas em Santa Catarina, por exemplo, uma Lei que pretendia cobrar pedágio dos visitantes, como se os visitantes fossem alienígenas e não cidadãos do Brasil, chegou a ser aprovada e câmeras foram instaladas antes que o Ministério Publico tivesse considerado a cobrança inconstitucional. Oras, estava claro que cobrar de um cidadão Brasileiro para visitar uma cidade publica fere seus direitos mais básicos de cidadão afinal de contas, Bombinhas não pertence a seus habitantes, Bombinhas pertence aos Brasileiros, assim como Santa Catarina não pertence aos Catarinenses e sim a todos os Brasileiros e assim por diante. A Lei, que foi aprovada na marra, e sem o devido estudo obviamente, foi barrada por uma liminar judicial, mas já vinha sendo considerada por vários outros municípios da região e mostra um pouco do totalitarismo governamental vigente em quase todos os lugares e países.

No Reino Unido a situação chega a ser muito mais criminosa. Ou como deveria ser chamado um governo que fecha Hospitais, Postos de Saúde, Emergências e Postos do corpo de Bombeiros para minimizar os gastos públicos e ao mesmo tempo da abono fiscal de 100 bilhões de Libras ( R$350 Bilhões de Reais) a corporações multinacionais que nem pagam impostos no pais? Não deveria ser considerado crime um governo que diretamente põe a população em risco fechando hospitais e postos do corpo de bombeiros? Ja a oposição do Reino Unido veio com uma ideia ainda mais brilhante. Se forem eleitos em 2015, o Labour Party ira implantar um imposto sobre mansões. Isso mesmo, todas as casas com preço de mercado acima de £2 milhões de Libras terá de pagar um imposto anual de £10 mil Libras para o financiamento do NHS, o sistema único de saúde Britânico. Mas, quem deu o direito a um governo de criar um imposto a ser cobrado a apenas uma parcela da sociedade e sobre o bem privado mais importante da sociedade, a casa onde a sua família mora? Além disso, milhares de  Britânicos da classe trabalhadora, sobre tudo de Londres, que compraram suas casas a 30 anos atras por 250 mil Libras, hoje tem valor de mercado acima de 2 milhões e terão de pagar 10 mil Libras de imposto anual. A maioria será obrigado a vender a casa onde gerações da mesma família viveram para comprar algo mais barato e fugir dessa imposição criminosa proposta pelo partido da oposição. Não há fuga do totalitarismo parece-me.

No Brasil temos o IPTU. Um imposto cobrado sobre a sua residência, sobre o seu castelo seja ele do tamanho que for, humilde ou extravagante. Uma taxa cujo o nome resume a ideia totalitária que os governos adotaram para cobranças indevidas dos donos do país, o imposto. Cobrança indevida “imposta” por governos totalitários sobre os verdadeiros donos das terras sobre a ameaça de prisão. Na Bolivia no inicio dos anos 2000, o governo foi forçado a privatizar as estatais do país em troca da renegociação da divida nacional com o outro grupo criminoso, o FMI. Na época, um consórcio Americano comprou a empresa de agua nacional e o contrato da única fornecedora de agua do país previa processo e pena de prisão a quem não pagasse ou fizesse captação de agua de outras formas incluindo a captação de agua da chuva. Isso mesmo, a captação de agua da chuva era crime na Bolivia até que o povo foi as ruas e derrubou a empresa e o governo.

Devo dizer que há sim impostos justos a serem cobrados de forma razoável e que beneficie a toda a população e não apenas uma parcela dela como impostos para a construção e manutenção de escolas e hospitais. Afinal de contas, vivemos em sociedade, uma sociedade onde todo mundo é sócio com direitos e obrigações. Cabe aos sócios de cada sociedade decidir quais são os impostos a serem cobrados, quando e como devem ser cobrados. Não é possível tolerar que governos totalitários façam de seus sócios escravos sem que o correto beneficio seja repassado no devido valor e qualidade de serviços. Cabe aos governos fazerem as devidas consultas publicas e não decidirem com poder divino tudo aquilo que eles acham ser devido apenas porque foram eleitos. Afinal de contas, ser eleito lhes da o direito de representação mas não da o direito de posse a ninguém.

Governo Americano Cobra impostos Devidos Por Prefeito de Londres

Por: Michaell Lange

Londres, 20/11/14

O governo Americano esta cobrando impostos sobre ganhos capitais e renda, do prefeito de Londres, Boris Johnson. Boris nasceu em Nova York e mudou-se para o Reino Unido quando tinha ainda 5 anos de idade e tem dupla cidadania. Mas de acordo com a Lei dos EUA, todo Americano esta obrigado a apagar impostos ao governo, indiferente do lugar em que reside mesmo que seus ganhos não tenham nenhuma ligação com o os EUA. Boris Johnson paga seus impostos no Reino Unido onde trabalha e reside desde que mudou-se quando ainda criança. Mas o fato de Boris ser também cidadão Americano torna-o obrigado a pagar impostos também ao governo Americano. Numa entrevista a uma radio dos EUA Boris confirmou a cobrança e disse que não ira pagar por achar um absurdo a cobrança de impostos sem que ele esteja vivendo ou trabalhando nos EUA. Em contra partida, Boris vem cobrando uma divida de £7 milhões de Libras da embaixada Americana em Londres por multas de transito e estacionamento dos veículos da embaixada cujo o governo Americano também nega-se a pagar.

Todos os anos milhares de Americanos que vivem e trabalham em outros países do mundo renunciam a cidadania para não precisarem pagar mais impostos ao governo Americano. Somente na primeira metade de 2014 foram 1.500. Muita gente não tem conhecimento dessa pratica e muitos Americanos são pegos de surpresa por dividas cobradas pelo governo. Esse tipo de imposição parece mais com atitudes de países como China, Coreia do Norte ou Cuba. Mas para surpresa geral, nem estes países fazem esse tipo de cobrança absurda de seus cidadãos.

Com uma divida de mais de $17 trilhões de Dólares e uma divida media por família de mais ou menos $ 200 mil, não é a toa que o governo esteja cobrando seus cidadãos de todas as formas possíveis. Nos EUA não ha sistema de saúde publica, ou seja, se você tem condições de pagar um plano tudo bem, caso contrario você não tem acesso a saúde. Estima-se que 50 milhões de Americanos ( 17% da população) não tenham acesso a saúde no pais. Esta semana um casal de Canadenses que estava no Hawaii de ferias foi surpreendido com uma conta de quase $ 1 milhão de Dólares depois que o filho deles nasceu 9 semanas prematuramente. Alem disso, a cidade de Detroit foi uma das que decretaram falência durante a ultima crise financeira mundial em 2008. Dizem que os EUA não é apenas NovaYork e Miami. Boris Johnson que o diga…

Fonte:

The Guardian – http://www.theguardian.com/politics/2014/nov/20/boris-johnson-us-tax-bill

Sicko – SOS Saúde. Documentário por Michael Moore – https://www.youtube.com/watch?v=VoBleMNAwUg

DailyMail – http://www.dailymail.co.uk/news/article-2719745/Americans-continue-renounce-U-S-citizenship-record-numbers-Fatca-rules-come-force.html

Protestos de Estudantes em Londres

Por: Michaell Lange

Londres, 19/11/14

Um grupo de estudantes com estilo black-blocks causou tumulto e entrou em confronto com a policia hoje durante uma marcha de estudantes no centro de Londres. Ha dois pontos importantes no video da BBC abaixo (veja o link). Primeiro, o fato de que ha grupos violentos que se infiltram em protestos pacíficos em qualquer lugar do mundo. Isso porem, não tira a legitimidade do protesto. O segundo ponto é a forma como a policia Britânica se comporta nestes eventos sem o uso de bombas de gás, balas de borracha e uso excessivo de força. O uso desses, e de outros tipos de armamentos contra a população é considerado algo inaceitável na sociedade civil Britânica. Mesmo assim, quem precisou ser preso foi, e quem não foi preso na hora foi filmado para identificação posterior.

A diferença entre uma policia militar e uma policia civil também faz diferença aqui. O treinamento e a formação militar certamente sofre influencia do treinamento de guerra nos quais os soldados enfrentam um determinado inimigo ou seja, um inimigo que põe em risco a sociedade inteira. No Brasil ha situações de guerra, como no caso do narcotráfico, mas isso não justifica o uso da policia militar e táticas de guerra em todo o território Brasileiro e em qualquer situação incluindo na intervenção de protestos pacíficos. No treinamento das polícias civis como no caso da policia Britânica, o treinamento é completamente diferente já que a policia civil é um servidor publico e precisa zelar pelas Leis tal como qualquer outro cidadão. A diferença de desenvolvimento social e econômico não é relevante nesse caso especifico já que o grupo que aparece no video usa o mesmo grau de violência visto nos protestos dos black-block no Brasil. O que muda é o detalhe governamental e a estrutura social. No Brasil uma sociedade militarizada e pouco informada e no Reino Unido, uma sociedade civil com transparência e independência das instituições.

Os protestos de hoje são uma continuação de outros protestos que vem ocorrendo desde que o governo Britânico pôs fim aos financiamentos dos cursos Universitários na Inglaterra fazendo com que as anuidades triplicassem, passando de 3 para 9 mil Libras por ano. Na Escócia, país pertencente ao Reino Unido, todas as universidades são publicas sem qualquer custo imposto aos estudantes. Porem, se um estudante Inglês for estudar em uma Universidade Escocesa terá de pagar o valor dos cursos como na Inglaterra. Mas, se um aluno de qualquer pais da União Europeia for estudar na Escócia, este, não precisara pagar pelo curso. O governo Escocês explica que o parlamento Escocês gasta seu orçamento de acordo com o que eles julgam ser correto. Alem das Universidades publicas, na Escócia ninguém paga por medicamentos prescritos por médicos do serviço publico (NHS). A diferença entre o Governo Inglês e Escocês nestes casos são as prioridades, e são estas prioridades que os protestos como o de hoje estão tentando mudar.

Video da BBC

http://www.bbc.co.uk/news/education-30113313

A Perpetuação da Mentalidade Escravista

Por: Michaell Lange

Londres, 16/11/14

E se os escravos de outrora pudessem voltar e analisar o mundo em 2014? E se os escravos de outrora pudessem  falar sobre os 30 mil negros assassinados por ano no Brasil? (dados da Amnesty International 2014). E se eles pudessem visitar os 300 mil presos (na maioria negros), nas senzalas de Norte a Sul do Brasil? E se eles pudessem caminhar pelas favelas Brasileiras? O que diriam eles sobre a herança e o legado deixado na abolição em relação a realidade que seus filhos vivem hoje? Será que a violência e a discriminação contra os negros mudou muito de la para cá? O que eles diriam sobre a divida social imposta pela corda que enforca ou pela arma que perfura e mata? Podemos aprender muito sobre nosso presente refletindo sobre nosso passado, mas será que nossa mentalidade atual nos permitiria refletir sem sermos influenciados pela velha e cruel mentalidade humana? Será que o modo de pensar da maioria branca dominante de hoje mudou muito com relação ao modo de pensar de 200 anos atras?

Foram os meus antepassados brancos, os responsáveis pelas invasões de vilas onde a população foi massacrada e famílias inteiras foram desimadas ou separadas para sempre. Um legado que me envergonha por saber que fui e que continuo sendo beneficiado por 350 anos de exploração e o continuo massacre de negros por conta da simples coloração da minha pele. Segundo a ONU, o Brasil tem hoje mais de 250 mil escravos vivendo nas mesmas condições que os escravos de 200 anos atras. No mundo, estima-se que haja mais de 36 milhões (dados da Walk Free Group), numero muito maior que o total de escravos durante todo o período em que a escravidão era legal. A realidade dos negros de hoje não parece estar assim tão diferente da realidade daqueles tempos. Em 2009 a Universidade de Oxford no Reino Unido, uma das melhores do mundo, foi acusada de aceitar apenas 1 negro de origem Caribenha para o ano letivo. Mais tarde a Universidade esclareceu que em 2009 foram aceitos 27 estudantes negros e que apenas 1 tinha origem Caribenha. Segundo dados da própria Universidade, em 2009 o total de alunos aceitos para o ano letivo foi de 2.653, nos quais 2.316 foram definidos como brancos, 77 negros e 260 eram de outras origens étnicas. Não é necessário muita matemática para concluir a diferença. A realidade da Universidade de Oxford não é uma exceção, infelizmente. Situações como esta ocorrem em todos os cantos do mundo e revela nossa dificuldade em lidar com um dos problemas mais graves na sociedade humana, a discriminação racial. O recente filme chamado “12 years a slave” transmite um pouco da realidade escravagista e a nítida impressão de que não aprendemos quase nada com o passado. Mesmo contando a historia de um único escravo cujo o final foi de certa forma feliz, o filme reflete bem o modo de pensar dos brancos da época e o modo de pensar dos brancos de hoje.

Os senhores de escravos daquela época parece-me continuar sendo os mesmo senhores de escravos de hoje com mínimos detalhes de diferença. Não arranca-se mais os negro das vilas e cidades da Africa. Hoje eles vem de todas as partes do mundo como America Latina e Asia. Hoje, eles morrem aos milhares tentando escapar do caos deixado para trás pelo Europeu. Hoje, a fome, a miséria, os conflitos e as doenças como o Ebola, são os maiores escravistas, num mundo onde a vida humana ainda é dividida de acordo com a cor e o grau de importância do indivíduo. A divida social é impagável. Os danos nas questões humanas e socais são indiscutíveis. O muro que separa brancos e negros em pleno século 21 continua mais alto do que nunca e o preço da perpetuação desse muro não poderia ser outro se não a própria perpetuação da violência.

A Polemica Sobre Julien Blanc

Por: Michaell Lange

Londres, 13/11/14

Hoje aqui no Reino Unido, a mídia passou o dia obcecada sobre um Americano que promove palestras sobre como “pegar a mulherada” e basicamente fazer o que você quiser com elas. A radio mais ouvida no Reino Unido, a LBC – Leading British Conversation –  e que curiosamente não toca musica, falou por horas sobre o assunto e milhares de pessoas ligaram para dar a sua opinião a respeito. Outros jornais como o DailyMail e BBC também falaram sobre o assunto durante o dia.

A polemica girou em torno de dois pontos básicos. Primeiro, sobre os métodos usados por Julien para pegar a mulherada, que inclui entre outros absurdos, agarra-las pelo pescoço num ato claro de intimidação, já que segundo Julien, elas querem sexo mas as vezes precisam ser intimadas. Assisti alguns vídeos de Julien e esta claro para mim que o cara é uma grande farsa. Um sujeito sem muito escrúpulo ou qualquer respeito pelo ser-humano e sobre tudo nenhum respeito pelas Leis dos direitos humanos. Em países como o Reino Unido, ha Leis que classificam como ofensa criminal o simples toque em qualquer parte do corpo por um estranho sem o consentimento da pessoa. O Equality Act de 2010 no Reino Unido por exemplo, protege entre outras coisas, o espaço a sua volta como, “espaço privado” ou violação do espaço privado (ofensa criminal); “espaço intimo” ou violação do espaço intimo (ofensa criminal). O simples toque de alguém no ombro de outra pessoa por exemplo, como costumamos a fazer no Brasil, pode ser classificado como agressão. Ja houve casos como o de um cadeirante que processou um taxista por tentar ajuda-lo levantando-o da cadeira sem a sua permissão. Imagine então você agarrar uma mulher que você nem conhece pelo pescoço? No Brasil você facilmente levaria um tiro ou seria linchado.

O segundo ponto polemico levantado pela mídia aqui no Reino Unido hoje, foi a questão de permitir a sua entrada ou não no pais. Ha uma petição rolando nas redes sociais com mais de 80 mil assinaturas pedindo que Julien tenha a sua entrada ao Reino unido negada por conta de suas palestras que claramente ferem os valores morais e as Leis de uma democracia. Julien foi expulso da Australia recentemente e muito provavelmente tera sua entrada negada em vários outros países incluindo o Brasil.

Eu gostaria de levantar uma terceira questão nesse debate, não menos polemica que as duas citadas acima mas, que também deve ser levada em consideração principalmente se tratando de países democráticos como Brasil, Australia e Reino Unido. A questão é a seguinte; Ao negarmos a entrada de Julien por causa do conteúdo de suas palestras, não estaríamos quebrando um dos princípios mais básicos de qualquer democracia? Do meu ponto de vista, a liberdade de expressão e também a liberdade de movimento não deveriam ser tratadas dessa forma e de acordo com a vontade de um determinado grupo da sociedade. Se abrirmos as portas para esse tipo de censura, logo poderemos começar a ver pessoas importantes serem barradas também pelo mesmo principio, assim como já vimos acontecer em Cuba e Venezuela por exemplo. Num pais livre e democrático a resposta a um palestrante como Julien, seria um auditório vazio. Mas obviamente, pervertidos ha em todos os lugares do mundo certo? Então, por que não segui-lo em todo território Brasileiro fazendo protestos em frente a entrada de suas palestras com fotos dos “candidatos a pegadores” sendo postadas nas redes sociais fazendo seus seguidores sentirem um pouquinho de vergonha? Estaríamos aplicando a mesma Lei de direitos a liberdade de expressão e movimento sem a necessidade do uso da censura ou do bloqueio. Afinal de contas, se Julien for impedido de entrar no Brasil por conta de seus discursos, o que faremos com os Bolsonaros e Malafaias da vida???